O COLUNISMO SOCIAL ANTES E DEPOIS DE PH

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Nos jornais do começo do século XX, são visíveis os espaços reservados às informações de cunho social, com registros de efemérides ou de datas relativas a nascimentos, batizados, aniversários, noivados, casamentos e de partidas e chegadas de figuras importantes da sociedade, realizadas em navios, com destino ao Rio de Janeiro ou ao exterior. A responsabilidade pela veiculação de tais informações era da direção do jornal, que assim procedia com o fito de prestigiar os anunciantes e as autoridades.

No Maranhão, esse tipo de informação jornalística, de caráter essencialmente elitista, só começa a mudar na forma e no conteúdo, a partir da década de 1950, com o aparecimento no Rio de Janeiro de uma novidade introduzida nos jornais O Globo e Última Hora, por Ibrahim Sued e Maneco Muller, este, com o pseudônimo de Jacinto de Thormes. 

Foram eles que criaram um colunismo voltado para realçar eventos, nos quais pontificavam autoridades públicas, personalidades privilegiadas e figuras da alta sociedade. Por meio dessa inovadora ferramenta jornalística, se os homens de posses conquistaram notoriedade nacional e se fizeram notados e cortejados, as mulheres ganharam realce e projeção pelos dotes físicos que ostentavam e pela maneira como se apresentavam na vida social. 

Com a visibilidade projetada por conta dos colunistas sociais e dos meios de comunicação, figuras de uma elite desconhecida passaram a ocupar espaços no mundo dos negócios e da política, bem como conquistar status e revelar uma nova forma de viver.

O fabuloso sucesso do colunismo social, especialmente no Rio de Janeiro, o centro polarizador do modismo nacional, fez crescer a circulação e a venda dos jornais, em cujas páginas o leitor via desfilar os ricos e poderosos e ter conhecimento de um mundo sofisticado até então enclausurado e inacessível. 

Nas cidades, onde os jornais provincianos pontificavam à custa da politicalha, o advento do colunismo social, produziu modificações nas redações. Em São Luis, nos meados da década de 1950, circulavam seis periódicos: O Imparcial, Jornal do Povo, Jornal do Dia, O Combate, Jornal Pequeno e Diário Popular. Desses, apenas três – Jornal do Povo, O Imparcial e Jornal do Dia – se sensibilizaram com o colunismo social e nele viram a fórmula de alavancar as tiragens diárias e de sintonizá-los com o jornalismo praticado nos centros mais adiantados.

Salvo melhor juízo, o Jornal do Povo foi o pioneiro nessa iniciativa, a ponto de transformar o então repórter Benito Neiva em colunista social. Fã de Jacinto de Thormes, procurava imitá-lo até na maneira de se vestir: roupa de black-tie e o inseparável cachimbo.  Com o fechamento do Jornal do Povo, em abril de 1964, por força do regime militar, Benito mudou-se para o Estado do Maranhão, onde não conseguiu reeditar o sucesso conquistado no matutino de Neiva Moreira.

Para se enquadrar à modernidade que imperava na imprensa nacional, O Imparcial, descobriu a jovem Maria Inês Saboya, que assumiu o posto de colunista social com o pseudônimo de Christine. Anos depois, ela assumiu a verdadeira identidade e manteve a coluna enquanto teve saúde.    

 O Jornal do Dia foi outro que não ficou à margem dessa inovação jornalística. Alguns jornalistas foram convocados a assumir a titularidade da coluna social do JD. Um deles, o irreverente cronista caxiense Vitor Gonçalves Neto. O perfil de colunista social passou longe dele. Pela maneira debochada de escrever e do tratamento dispensado à elite maranhense, fez o jornal perder mais leitores do que ganhar.

Para substituir Vitor Gonçalves Neto, o Jornal do Dia encontrou um jovem, inteligente, sagaz e versátil, chamado Gerd Pflueger, criador da coluna Passarela, através da qual mobilizou setores da sociedade, no que contou com a parceria da esposa Maria de Lourdes Tajra, com a qual realizou inúmeras campanhas em prol de entidades filantrópicas.

  Também incursionaram no colunismo social maranhense, figuras da estirpe de Lucy Teixeira, Genu Moraes, Genoveva Ayres, Porfírio Serra de Castro, Mary Magalhães, Maria Bogéa, Janete Trinta, Irtes Cavanhack, Flor de Liz, Mário Lincoln, Ribamar Silva. Nem todos conseguiram firmar-se nessa atividade jornalística.

Depois daquela fase áurea, o colunismo social em São Luis só voltou a ganhar relevo e prestígio no final dos anos 1960, com o aparecimento de um jovem interiorano de Presidente Dutra, que com perseverança e talento, engajou-se no jornalismo maranhense, no qual projetou-se e conquistou rapidamente um lugar ao sol numa área que já parecia decadente, mas por ele transformada e renovada. Consolidou-se de tal forma na profissão que até hoje brilha no jornal que abraçou. Seu nome: Pergentino Holanda.

Começou no colunismo social, algumas vezes, substituindo interinamente Maria Inês, em o Imparcial; em outras oportunidades, no lugar de Gerd Pflueger, em Passarela, no Jornal do Dia. De tanto substituí-lo, acabou ficando definitivamente no posto.  

PH, assim se tornou conhecido, é o mais brilhante, o mais culto e o mais competente dos colunistas sociais, vivos ou mortos, que São Luís teve. Não é à toa que continua na atividade jornalística, sendo o mais lido e prestigiado da cidade. Ao longo desse tempo, impôs-se de tal modo no colunismo que virou figura nacional. Como um Rei Midas, de modo competente e talentoso, transforma eventos em alegres, majestosas e inigualáveis festas sociais.

PH, nos dias correntes, não tem mais o charme de colunista social. Os anos o transformaram num jornalista polivalente. Em atividade, é o mais longevo da imprensa maranhense. Que essa longevidade biológica e profissional seja infinita enquanto durar.

ANO JOSÉ SARNEY

O escritor José Sarney ingressou na Academia Maranhense de Letras em 1952, com a idade de 22 anos, por isso é o decano da instituição, que presidiu no período de 1966 a 1969.

Em homenagem ao intelectual, que ocupa a Cadeira 22, patroneada por Humberto de Campos, e por completar 90 anos em abril vindouro, a diretoria da AML determinou que 2020 será o Ano Cultural José Sarney.

O BEIJA-MÃO

Em passado não tão remoto, o governador do Maranhão reservava um dia do fim do ano para uma solenidade especial.

Era um evento chamado de Beija-mão, em que o chefe do Executivo maranhense abria as portas do Palácio dos Leões para receber os cumprimentos das figuras representativas da sociedade.

Esse gesto de cordialidade, para com o governador do Estado, saiu inexplicavelmente de cena.

TORCIDA POR KÁTIA

É inegável a positiva contribuição que Kátia Bogéa, como diretora do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, tem dado ao Brasil.

Ao longo de sua empreendedora gestão, o que fez pelo Maranhão, no que diz respeito à liberação de recursos, para a recuperação do nosso patrimônio histórico, é algo extraordinário.

Por isso, eu e outras pessoas de bom senso, torcemos para ela não ser inexplicavelmente exonerada do IPHAN, à frente do qual realiza uma administração irretocável do ponto de vista da honestidade e da competência.

FESTA DOS MARISTAS

O evento que reuniu, no sábado passado, ex-alunos dos Maristas, foi significativamente sensacional, quanto à participação e animação.

Da minha faixa etária, apenas eu, Paulo Abreu, Jorge Cateb, Mário Leal e Lourenço Vieira da Silva, este, veio de Brasília especialmente para marcar presença na inesquecível festa.

MAIS UM AMIGO

Um grande amigo, um homem de caráter, um profissional competente, dessa maneira, o advogado Antônio Austregésilo Moreira Fonseca, na intimidade Teté, se fez presente ao longo da vida na sociedade maranhense.

Para tristeza dos familiares e amigos, ele partiu para a eternidade, mas deixou um legado de boa conduta moral e de exemplar cidadão. 

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GULLAR, FUTEBOL E MACONHA

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Eu e meu irmão, Raimundo, temos algumas manias em comum. Uma das quais, a de guardar matérias de jornais sobre assuntos que nos interessam ou artigos de jornalistas a respeito de fatos, atos e acontecimentos da realidade brasileira.

Na minha recente estada em São Paulo, onde ele mora há dezenas de anos, encontrei em seus preciosos arquivos, dois trabalhos jornalísticos, da autoria do escritor Ferreira Gullar, publicados nas edições dominicais da Folha de São Paulo.

Nos dois artigos, o poeta maranhense referia-se ao tempo em que viveu em São Luís, ainda bem jovem. No primeiro artigo, datado de 11 de junho de 2006, Gullar discorre sobre a experiência que teve com o futebol. No segundo, publicado em 6 de janeiro de 2008, comenta a sua rápida convivência com a maconha.

Vejamos um trecho do trabalho dominical de Gullar, intitulado Craques da minha vida: “A minha relação com o futebol, não se limita apenas a influência do meu pai, Newton Ferreira, centroavante do Luso Brasileiro Futebol Clube, tantas vezes campeão maranhense, mas também da minha participação como jogador no time infantil do Ferroviário Futebol Clube, sem contar as peladas no Campo do Ourique, em frente ao Mercado Novo.

“A minha carreira futebolística terminou quando sofri uma violenta rasteira e caí com a bunda no chão. Temi ter quebrado o espinhaço e vi que seria melhor um esporte menos brabo; a poesia, por exemplo.

“Troquei a rua pelo quarto, onde passava os dias lendo, enquanto meus companheiros de pelada seguiram seu rumo. Dois deles se tornaram craques no futebol, amados das respectivas torcidas: Esmagado, que fez sua carreira lá mesmo em São Luís do Maranhão, e Canhoteiro, que se tornou ídolo da torcida do São Paulo.

“Muitos anos depois, numa das minhas idas a São Luís, encontrei Esmagado, já fora do futebol, mas admirado pelos fãs.

“De Canhoteiro, tive notícias através dos jornais, de que era chamado de Garrinha do Morumbi, tão sensacionais eram os seus dribles que dava nos adversários, com o mesmo espírito moleque das peladas de infância.

“Certo domingo, pela televisão, o vi jogar. Mal acreditei que ali estava, com as mesmas gingas, o Canhoteiro das partidas em frente ao Mercado Novo, onde o pai dele, seu Cecílio, tinha uma banca, que vendia mingau de milho e tapioca. Era lá que, todas as manhãs, bem cedo, quebrava o jejum antes de seguir para o colégio.

Com relação à maconha, em artigo intitulado Diamba, vejam o que escreveu o poeta: “Eu sou do Maranhão, terra da maconha, que lá se chama diamba. Dos 13 aos 15 anos, fora da escola, tornei-me uma espécie de campeão mirim do bilhar, no botequim do Constâncio, na praia do Caju. Como era menor e não tinha dinheiro, jogava numa sala escura que havia nos fundos do botequim, num bilhar velho, e pagava moendo cana, num pequena moenda que havia ali mesmo.  

“Um dia, Carrapicho me chamou num canto e me deu um cigarro de diamba para eu tragar. Achei horrível, com gosto de capim velho e quase vomito. Já Maninho experimentou e gostou. Da diamba passou para a cocaína, virou marginal, veio parar numa favela do Rio, onde sumiu. Foi encontrado muitos anos depois, internado numa clínica psiquiátrica em Belo Horizonte, e lá morreu.

“Em São Luís, naquele tempo, fumar maconha era coisa de marginal e, de vez em quando, nos subúrbios por onde eu andava, surgia um bafafá, provocado por algum maconhado que endoidara e ameaçava matar alguém a facadas.

“Uma tarde, na Madre de Deus, vi um sujeito nuzinho na rua, com um revólver na mão ameaçando atirar em todo mundo. Amarrara um bode.                

PEQUENOS MUNICÍPIOS

Que fiquem tranquilos os prefeitos dos cinco municípios do Maranhão, previstos para serem extintos, por se manterem às custas de recursos federais e estaduais.

Os senadores e deputados federais da bancada maranhense firmaram um pacto para não aprovar a proposta encaminhada pelo Presidente da República, com vistas à extinção dos pequenos municípios.

Manter essa boquinha aos prefeitos e vereadores, significa dizer que os interesses partidários e eleitorais dos congressistas estão acima dos interesses do país e da sociedade.

 UM VICE INTERNACIONAL

Em nenhum governo, jamais um vice-governador do Maranhão foi tão beneficiado com viagens internacionais, como o atual, Carlos Brandão.

As missões a ele confiadas, pelo governador Flávio Dino, no sentido de negociar empréstimos e buscar investimentos estrangeiros foram inúmeras e de resultados desconhecidos.

Se Carlos Brandão não viabilizar sua candidatura à sucessão ao Governo do Estado, certamente estará habilitado a ocupar o cargo de ministro das Relações Exteriores, se Flávio Dino se eleger Presidente da República.

BURRICE DE LULA

Na opinião do Presidente da República, Jair Bolsonaro, Lula é um cara extremamente burro.

E explica o motivo: Acaba de ser libertado e vai casar, ou seja, sai de uma prisão para entrar em outra.

LIVRO SOBRE O BRASIL

O ex-presidente José Sarney, com a sua autoridade política de conhecedor dos problemas do país, está debruçado na produção de um livro, em que marca a sua posição sobre o momento em que vive o Brasil.

O livro, com o nome de “Brasil no labirinto”, deve ser lançado no primeiro trimestre do ano vindouro.

MÉRITO LEGISLATIVO

A Medalha do Mérito Legislativo Manuel Beckman, criada para homenagear personalidades que prestaram relevantes serviços ao Maranhão, vem sendo, nesta legislatura, bastante desfigurada e vilipendiada.

 Nunca, em tempo algum, a comenda foi atribuída de maneira tão vulgar e distinguida indiscriminadamente a pessoas que jamais prestaram algum serviço ao Maranhão.

Agora mesmo um deputado estadual do PT conferiu a Medalha do Mérito Legislativo, ao jornalista Glenn Greenwald, fundador do site Intercept, um cara abominável, que nunca veio aqui e não sabe nem onde fica o Maranhão.

BASE DE ALCÂNTARA

O Senado aprovou o decreto legislativo sobre o acordo de salvaguardas tecnológicas, firmado entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, que permite o uso comercial da Base de Alcântara, para o lançamento de satélites, mísseis e foguetes.

Com essa providência de natureza legislativa, completa-se o ciclo de requisitos legais para a Base de Alcântara deixar de ser um projeto e se transformar num grande vetor para o progresso tecnológico do Brasil.

Eu quero estar vivo para ver duas coisas, quando a Base de Alcântara estiver funcionando a pleno vapor. 1) a felicidade do povo alcantarense, pela mudança de seu modo de vida. 2) a cara do deputado Bira do Pindaré, que lutou tanto contra a aprovação do projeto.  

VERDADE OU FAKE NEW?

Em Brasília, corre a notícia, que se espera não seja verdadeira, da demissão de Kátia Bogéa da direção do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Para neutralizar essa boataria, a Academia Maranhense de Letras, o Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, a Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares, a Federação das Academias de Letras do Maranhão e Associação Maranhense dos Escritores Independentes, endereçaram mensagem ao Presidente da República, Jair Bolsonaro, no sentido de ser mantida na direção do IPHAN, a competente técnica Kátia Bogéa, pelos relevantes serviços prestados ao País e pela lisura, seriedade e honestidade como se comporta no cargo.

 SEM PÉ NEM CABEÇA

Se o deputado Roberto Costa tivesse conversado com a ex-governadora Roseana Sarney, sobre a sua candidatura a prefeita de São Luís, garanto que não estaria a anunciar um fato sem pé nem cabeça.    

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