DA ARTE DE FALAR BEM DA SOGRA

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Genro falar mal ou debochar de sogra é um fato aparentemente trivial. Isso vem de longe e dificilmente se apagará do imaginário popular, que tem se encarregado de difundi-lo como regra. A instituição do casamento, mais recentemente, vem sofrendo mudanças e passando por transformações, mas estas não conseguirão em curto prazo derrubar o muro da intolerância reinante entre sogra e genro. Na história das famílias, os registros de genros que convivem em harmonia com as sogras ainda são poucos.

De minha parte, não faço coro e nem pertenço ao grupo majoritário dos genros que costumam ridicularizar, desprezar ou de querer vê-las só pelas costas. Ao contrário dos que assim agem, vanglorio-me de gostar da mãe da minha mulher, a quem dedico incomensurável afeição e carinho, desde que a conheci. A família inteira de Solange é testemunha disso.

Hoje, no dia do aniversário de Dona Ruth, que chega aos 86 anos de bem com a vida, faço questão de homenageá-la publicamente, na certeza de que ela nasceu para ser a minha sogra. Por isso, devo-lhe veneração e respeito, desde que a minha vida cruzou com a da sua filha, ato que remonta aos primeiros anos da década de 1960.

Estou perto de completar 50 anos de casado, o que me dá o direito da estabilidade conjugal e, portanto, de proclamar que conquistei Solange e Dona Ruth simultaneamente. A primeira pelo impulso do amor à primeira vista. A segunda, pelo ímpeto da admiração à primeira vista e casada com o então vereador Mário Silva.

Á época, o casal Silva morava à Rua de Santana, em pleno centro urbano de São Luis. Nela, bem poucas lojas comerciais. Só casas residenciais. Numa delas Ruth e Mário moravam. Era um bangalow, de classe média e confortável. A família se completava com as filhas Solange, Eliza Maria, Eveline e Dilma. A primeira e a terceira estudavam na Escola Normal; a segunda e a quarta, no Colégio de Santa Teresa. A mãe de Mário, Dona Maria, também chamada de Cota, viúva do português José ou Zeca Silva, morava com eles.

A partir do meu namoro com Solange, iniciado em 1962, que travei conhecimento com a família Silva e com a qual passei a ter um relacionamento franco e fraterno, que cresceu e consolidou-se por conta do tempo e do sentimento devotado à primeira filha do casal.

Ela era bem jovem quando conheceu Mário Silva, rapaz bonitão e conquistador. Ambos estudavam no Colégio do professor Luiz Rego. Aos 17 anos e o namorado com cinco à frente, resolveram comunicar aos pais que não suportavam mais ficar longe um do outro e só casados poderiam viver.

De nada adiantou a resistência das famílias. Casaram-se sob as bênçãos da religião católica e da lei e começaram a construir a vida que sonhavam e desejavam: ter um lar onde pudessem, com os filhos, ser felizes. Mário ganhava pouco, por isso, levou Ruth para a casa de seus pais, na Rua das Barrocas.

Naquele ambiente saudável e fraterno, das filhas, Solange foi a que chegou primeiro. Em cumprimento ao controle da natalidade e  com intervalo de dois anos, nasceram Eliza Maria, Eveline e Dilma. Depois de Eveline, Dona Ruth engravidou e teve prematuramente dois filhos do sexo masculino, mas não sobreviveram por falta de condições apropriadas dos hospitais de São Luis.

As filhas, protegidas e sob os cuidados dos pais e avós, tiveram educação esmerada e sem nada a lhes faltar na infância e na adolescência. Estudaram em bons colégios, com aulas particulares e, em fins de semana e férias desfrutavam as delícias e os prazeres do sítio de seu Zeca, pai de Mário, localizado na Maioba. De vez em quando, viajavam para o Rio de Janeiro, onde morava a tia Carmen e com ela passavam temporadas.

A família Silva sofre o seu primeiro e grande golpe com a doença que alvejou seu Zeca, obrigando-o a viajar às pressas para o Rio de Janeiro, onde se submeteu a uma cirurgia, que, ao final, não suportou e faleceu.

Depois disso, Mário assumiu a direção plena da família, tempo em que vendeu a casa – uma morada inteira da Rua das Barrocas, substituindo-a por uma alugada, na Rua de Santana, moderna, de menor tamanho, mas em condições de abrigá-los confortavelmente.

Nessa época, Mário Silva resolveu ingressar na política, candidatando-se a vereador pelo Partido Republicano, do qual seu pai era militante e prócer. Pelo PR, elegeu-se e cumpriu três mandatos na Câmara Municipal. Ao longo da campanha eleitoral, então árdua e difícil, sempre teve do seu lado a presença da esposa, Ruth, que se desdobrava para ajudar o marido, mas sem deixar de prestar assistência maternal e educacional às filhas.

Quando Mário pensava ser candidato a deputado à Assembleia Legislativa, se depara com o imponderável. Ele, dono de um coração vulnerável, foi surpreendido, em sua casa, às 5 horas da madrugada, por um enfarte fulminante.

Dona Ruth, que se encontrava no Rio de Janeiro, com a filha Eveline, a ser submetida a uma delicada cirurgia, teve de vir às pressas no primeiro avião para São Luis. O vôo atrasou e por pouco ficava sem ver a última imagem do marido, com quem teve uma longa jornada de vida e sempre voltada para ele e as filhas.

Viúva, não se descuidou no trabalho de educar as filhas, dando-lhes o necessário apoio moral e psicológico, que, como jovens, precisavam para enfrentar a nova etapa de vida que assumiriam em função de futuros compromissos profissionais e conjugais.

Com esta singela homenagem a Dona Ruth, feita com as pinceladas da admiração e da gratidão, espero ter cumprido o meu dever de primeiro genro e que há anos esperava por esta oportunidade para, sem medo de ser feliz, exaltar as suas virtudes de esposa, mãe, avó, bisavó, sogra e amiga.

 

 

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SEMANA DE MOVIMENTAÇÃO

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Estamos numa semana de grande movimentação em São Luis e Brasília.

Em São Luis, as atenções se voltam para as eleições da Universidade Federal do Maranhão, onde a sucessão do reitor Natalino Salgado está em pauta.

Para sucedê-lo, apontou a respeitada professora Nair Portela, que concorre com quatro candidatos, os quais na campanha eleitoral não pouparam o reitor de críticas à sua administração.

Mas as críticas não conseguiram abalar o prestígio do professor Natalino, face à gestão realizadora na UFMA. No plano físico, construiu uma cidade universitária; no plano do ensino, pesquisa e extensão, a UFMA deu um salto espetacular, a ponto de ser reconhecida pelo Ministério da Educação como uma das melhores do país.

Por esses e outros motivos, a candidata apoiada pelo atual reitor deve ser a mais votada pelos setores universitários e habilitados à participação no processo eleitoral.

POSSE DO MINISTRO

A outra movimentação tem por alvo a posse do magistrado maranhense, Reinaldo Fonseca, no Superior Tribunal de Justiça.

A mobilização se dará na rota São Luis-Brasília, com vistas à solenidade em que o jovem maranhense alcançará um dos pontos altos da judicatura federal.

Reinaldo Fonseca, nesta terça-feira, será empossado no cargo de ministro do STJ, indicado pela presidente da República, Dilma Roussef, e sabatinado e aprovado com louvor pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal.

Antes dele, apenas dois maranhenses chegaram ao STJ: Carlos Madeira e Edson Vidigal.

BANCADA FEDERAL

Era fato comprovado que a cada nova eleição no Maranhão piorava o desempenho e o nível intelectual dos deputados, que nos representavam na Câmara Federal.

Bastava comparar os eleitos nos últimos pleitos com parlamentares da estirpe de José Sarney, Renato Archer, Cid Carvalho, Neiva Moreira, Pedro Braga, La Rocque de Almeida, Clodomir Millet, Alfredo Duailibe e Antônio Dino, que nos anos 50 e 60 brilharam no Congresso Nacional.

Nas eleições de 2014, a renovação dos representantes do Maranhão à Câmara de Deputados, mudou de figura e o inesperado veio a lume.

Um grupo de jovens deputados federais se elegeu e vem dando um banho de atuação no Congresso Nacional.

Nomes como  Eliziane Gama, Hildo Rocha,  Rubens Junior, Victor Mendes, Juscelino Filho, João Marcelo, André Fufuca, Junior Marreca e Aluísio Mendes chegaram em Brasília com todo o gás e, como se fossem veteranos,  participam com  desenvoltura dos trabalhos das comissões técnicas e do plenário da Câmara de Deputados.

Podem não possuir o nível intelectual dos parlamentares do passado, mas como marinheiros de primeiro mandato, não comprometem e nem decepcionam o eleitorado.

OS DINOS NO GOVERNO

Não é a primeira vez que um Dino chega ao posto mais alto do governo maranhense.

Nos anos 50 e 60, outro Dino, com o prenome de Antônio, participou ativamente da cena política estadual.

Era um médico valoroso e competente, com fama no Rio de Janeiro e gostava da atividade política, a ponto de exercer seguidos mandatos de deputado federal e estadual.

A vida pública de Antônio Dino foi coroada na eleição de 1965 ao se eleger com José Sarney, a governador e vice do Estado. Em maio de 1970, com a renúncia de Sarney ao governo, Antônio Dino chefiou o Poder Executivo até março de 1971.

POSSE E CONCERTO

Na noite de 17 de junho deste ano, o salão nobre da Academia Maranhense de Letras será devidamente preparado para a solenidade de posse de seu mais novo membro.

Trata-se do artista, de renomada projeção nacional e internacional, Turíbio Santos, que o escritor Sebastião Duarte terá a honra de recepcioná-lo.

Na noite seguinte, 18 de junho, o salão da AML ganhará nova roupagem, pois ali o violonista Turíbio Santos fará um concerto musical.

PREFEITO DE FORTUNA

A população da cidade de Fortuna, no interior do Maranhão, era só revolta com os prefeitos que nos últimos tempos se elegeram para administrá-la.

Agora, contudo, o eleitorado está alegre porque a Justiça puniu o atual prefeito, acusado de desviar os recursos destinados às obras públicas.

Não é por acaso que o povo quer mudar o nome da cidade, pois Fortuna induz os prefeitos à prática do enriquecimento ilícito.

A FRUSTRAÇÃO DE CLÓVIS

O advogado e bom amigo, Clóvis Viana da Fonseca, não gosta de viajar para o exterior. Nem Buenos Ayres quer conhecer.

Para ele, só vale o Rio de Janeiro, que considera a cidade mais bonita e atraente do país.

Ele e a esposa Yelni, chegaram de mais uma temporada em plagas cariocas, onde visitaram os pontos turísticos e degustaram nos melhores restaurantes da cidade.

Dessa viagem, Clóvis chegou frustrado por não encontrar nas ruas da Cidade Maravilhosa nenhum maranhense.

 

CAJAPIÓ E CAJAMELHOR

A cidade de Cajapió poderá ser conhecida no mundo e ganhar nova nomenclatura se a natureza continuar pródiga com ela.

Essa prodigalidade decorre do achado em terras do município de ossos de animais pré-históricos.

Os primeiros vestígios paleontológicos ali encontrados receberam o aval da ciência. Por conta disso, um movimento popular quer mudar o nome da cidade. De Cajapió passará para Cajamelhor.

ESPOSA DE BURNETT

O jornalista Benedito Buzar recebeu um cartão-postal que o deixou emocionado e feliz.

Veio do Rio de Janeiro e enviada por Nazaré Burnett, viúva do saudoso político maranhense.

Da mensagem, transcrevo este pequeno, mas relevante,  trecho: “Há dias chegou até nós um artigo seu, espontâneo e que nos deixou orgulhosos. Isso porque após quinze anos de ausência, você encontrou palavras que colocaram Burnett como um político eficiente, sério e de princípios”.

No artigo citado por Nazaré, Buzar aconselhou Flávio Dino a ter a seu lado no  governo um político com o perfil, a competência e a coragem de José Burnett.

BATEU O MARTELO

O prefeito Holanda Junior bateu o martelo com relação à Feira do Livro deste ano.

Depois de ponderar sobre os locais sugeridos pela Fundação Municipal de Cultura, escolheu a Praia Grande para a realização do evento que a prefeitura de São Luis patrocina desde a gestão do prefeito Tadeu Palácio.

Pela nona vez, a Feira do Livro acontecerá e a FUNC promete não cometer alguns equívocos praticados em 2014, quando teve por palco o Convento das Mercês.

AUTOR MARANHENSE

Com o fechamento de quase todas as livrarias da cidade, o autor maranhense não sabe onde colocar os seus produtos livrescos.

Na realidade, só restam a Livraria da Academia Maranhense de Letras, no centro da cidade, e a Leitura, instaladas nos Shoppings São Luis e da Ilha.

Enquanto a livraria da Academia cobra do autor uma comissão adequada e compatível com o seu produto intelectual, a Leitura não deixa por menos: exige uma série de requisitos e ainda cobra uma comissão absurda de 40 por cento do valor da obra.

Trocando em miúdos: com essa extorsão, a Leitura vira sócia do dono do livro.

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COSTA RODRIGUES: UM PREFEITO DE VERDADE

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A cidade de São Luis vive um momento de perplexidade com relação ao atual ocupante do cargo de prefeito. O eleito pela grande maioria do eleitorado, o jovem Edvaldo Holanda Junior, não vem correspondendo o que dele a população esperava, fato que o tem deixado em situação crítica e contribuído para a sua administração ser considerada uma das piores da capital maranhense.

Essa perplexidade avulta diante da dilemática questão de a cidade, ao longo de sua trajetória de vida, ter sido administrada ora por prefeitos eleitos, ora por gestores nomeados pelo governador do Estado.

No período republicano, ver-se-á que São Luís experimentou momentos em que se alternaram no poder do município, figuras políticas e apolíticas, nomeadas ou eleitas, algumas com realizações positivas e proveitosas, outras, porém, com desempenhos negativos e desastrosos.

Não faz parte deste artigo, até porque a relação dos que passaram pelo comando da prefeitura de São Luis é longa, citar os que se destacaram como bons ou maus gestores.

Hoje, prefiro falar apenas de um prefeito, apontado pela a opinião pública de sua época como um dos melhores que teve esta cidade, tanto que ocupou o cargo em dois momentos distintos e nomeado por governadores diferentes.

Refiro-me ao inesquecível Antônio Euzébio da Costa Rodrigues, que faria cem anos de vida nesta sexta-feira, 29 de maio, credor, portanto, da admiração e do respeito desta cidade que se orgulha de tê-lo como prefeito, pela qual lutou e se empenhou para preservar a sua configuração arquitetônica colonial, mas, também, trabalhando para ser uma urbe civilizada e digna dos que a habitam.

Antônio Costa Rodrigues nasceu em São Luis, onde estudou o primário e o ginásio. Formou-se médico pela Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará, em 1938. No ano seguinte, veio para São Luis, sendo nomeado pelo interventor Paulo Ramos, chefe do Posto Médico da cidade de Pinheiro. Sua dedicação ao trabalho fez o interventor alçá-lo ao comando da prefeitura do município, cargo que exerceu até 1945, no fim do Estado Novo.

Entusiasmado com a atividade política, o médico Costa Rodrigues ingressou no Partido Proletário Brasileiro, a convite de Vitorino Freire, que, como chefe governista, alugou para abrigar os correligionários políticos, que disputariam as eleições majoritárias e proporcionais, as primeiras realizadas no Maranhão, pós-ditadura.

Pelo PPB e impulsionado pela população de Pinheiro, que gostara do seu desempenho administrativo, candidatou-se a deputado estadual nas eleições de janeiro de 1947. Eleito, participou ativamente dos trabalhos da Assembleia Constituinte do Estado do Maranhão.

Seu prestígio de bom médico e de eficiente administrador levou o governador Sebastião Archer da Silva a nomeá-lo secretário de uma pasta que cuidava simultaneamente da Educação e da Saúde Pública.

Em agosto de 1948, Costa Rodrigues é convocado pelo governador para ocupar outro cargo importante: o de prefeito de São Luís. Em dois anos de administração, realizou obras importantes na cidade, destacando-se a ampla reforma da Avenida Pedro II, na qual foi instalada uma fonte luminosa e construído um viaduto para dar acesso à Avenida Beira-mar. Também o Mercado Central foi alvo de grandes melhoramentos, sendo literalmente higienizado. O asfaltamento da estrada do Olho d’Água, a ampliação do Serviço de Limpeza Pública e o calçamento de várias ruas da cidade foram ações marcantes e que deram ao prefeito conceito, prestígio e popularidade.

Por conta de tudo isso, nas eleições de outubro de 1950, concorreu à Câmara dos Deputados pelo PST-Partido Social Trabalhista, fundado pelo senador Vitorino Freire. Conseguiu boa votação, especialmente em São Luis, mas não figurou na chapa dos eleitos, devido à violenta fraude eleitoral que grassou no Maranhão e alterou profundamente o resultado das urnas.

 

Nas eleições de outubro de 1954, novamente colocou o seu nome na relação dos candidatos à Câmara dos Deputados. Elegeu-se pelo Partido Social Democrático, que o senador Vitorino reconquistara. Cumpriu o mandato até o final, após o que pensava sair espontaneamente da vida pública.

O ato não aconteceu, pois pelas mãos do governador Newton Bello, Costa Rodrigues voltou a ocupar, em abril de 1963, o cargo de prefeito de São Luis, mercê da imagem de bom gestor que não perdera. Na prefeitura, não decepcionou e construiu obras de significativo valor urbanístico e esportivo, ressaltando-se o Estádio Municipal Nhozinho Santos e o Ginásio de Esportes, no Parque Urbano Santos.

Pelo seu admirável desempenho na prefeitura, justificadamente foi lembrado para participar da sucessão do governador Newton Bello. O seu nome esteve na mesa das negociações políticas em 1965, com o propósito de salvar o PSD, que ameaçava ser implodido pela candidatura de José Sarney, das Oposições Coligadas.

Costa Rodrigues foi o nome que o governador Newton Bello encontrou para substituir o deputado Renato Archer, vetado pelo regime militar. Por causa disso, vieram à tona desentendimentos entre o governador e o senador, que romperam e sem acordo em torno de um nome de conciliação.

Para enfrentar o candidato oposicionista José Sarney, Newton Bello, em jogada de mestre e na última hora, compôs-se politicamente com o Partido Democrata Cristão, sob a direção do professor Antenor Bogéa, que concordou ser o candidato a vice-governador na chapa em que Costa Rodrigues era o candidato a governador.

A formalização desse quadro político não trouxe bom resultado àqueles  que investiram na candidatura de Costa Rodrigues e nos apoiadores de Renato Archer, inapelavelmente derrotados pelo candidato José Sarney, que se prevaleceu de três fatores para conquistar esmagadora vitória nas urnas: a divisão do vitorinismo; a lisura do pleito e sem a presença da fraude eleitoral, expurgada pelo Tribunal Superior Eleitoral; e o desejo de mudança e de votar num candidato protagonista de uma campanha eleitoral vibrante e empolgante.

Mesmo depois da derrota para Sarney, Costa Rodrigues não encerrou a sua carreira política. Em 1986, aceitou o convite para ingressar no Partido Democrático Social, pelo qual concorreu a suplente de senador, na chapa encabeçada pelo ex-deputado José Burnett, mas derrotada no pleito.

Para tristeza dos familiares e amigos, estes, em grande número, três anos depois de disputar a última eleição, faleceu em São Luis, em 1989. De seu casamento com Elzuita Heluy Costa Rodrigues, teve quatro filhos.

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FOTOGRAFIA HISTÓRICA

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Na exposição sobre a vida e a obra do saudoso professor Mário Meireles, na Academia Maranhense de Letras, pontifica um documento valioso e importante.

A fotografia da comissão organizada pelo governador Newton Bello, incumbida de programar os 350 anos de São Luis, em 1962.

A foto histórica pertence às filhas do emérito professor, Ana Maria e Mimi, gentilmente cedidas à exposição.

Integravam a comissão, Orlando Leite, Reis Perdigão, cônego Ribamar Carvalho, Lauro Berredo, Jesus Ribeiro, Mário Meireles e Rubem Almeida.

REFINARIA PREMIUM

Não foi por causa da Operação Lava-Jato que a ex-presidente da Petrobras, Graça Foster, se manifestou contra a instalação da Refinaria Premiu, em Bacabeira.

A Ata do Conselho de Administração da empresa registra que Graça Foster, antes da crise vir à tona, se declarou contrária à execução dos projetos da Petrobras no Maranhão e no Ceará.

Data da reunião do Conselho de Administração da Petrobras: 4 de novembro de 2014.

LIDERANÇA DO GOVERNO

A cada dia aumenta a insatisfação da bancada de apoio ao governador Flávio Dino, na Assembleia Legislativa.

A insatisfação pode levar o governo a trocar o líder.

Os parlamentares da base governista não estão gostando da postura e do posicionamento do atual líder, deputado Rogério Cafeteira.

Para o grupo, o governo estaria melhor na Assembléia Legislativa se contasse com um líder da estirpe do deputado Eduardo Braide.

LEMBRANDO DOM HELDER

A figura do saudoso bispo dom Helder Câmara volta ao noticiário nacional.

O nome do ex-bispo de Olinda e Recife é lembrado para ser beatificado pelo Papa Francisco.

Por falar em dom Helder, em 1967, os jovens Benedito Buzar e Nelson Almada Lima, que participavam do curso da Cepal, em Fortaleza, fizeram um movimento – que deu certo- para o prelado ser paraninfo e homenageado na solenidade de encerramento do curso.

CENAS DO CASAMENTO

– O juiz José Guanaré, que celebrou o casamento de Marcela e Lucas, na semana passada, foi aplaudido ao final da cerimônia.

Partiu dele a iniciativa de dizer em alto e bom som que o pai da noiva, Eliezer Moreira, pela idoneidade moral e competência política, faz falta no Congresso Nacional.

Para os que não sabem: Eliezer depois de cumprir mandato na Assembleia Legislativa, elegeu-deputado federal e participou ativamente dos trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte, em 1988.

– Conhecedor a fundo das artes plásticas e dono de uma das maiores pinacotecas de São Luis, Eliezer Moreira, como pai da noiva, presenteou os padrinhos do casal com uma bela tela do pintor maranhense Airton Marinho.

– No Catar, onde se encontrava a trabalho, Hugo Napoleão, recebia informações do casamento de Marcela e Lucas. Quem as transmitia, pela internet, a esposa Leda, madrinha do casal.

– Eliezer Moreira, com problemas médicos e sob cuidados ortopédicos, não deixou de circular no ambiente do casamento. Ora usava uma bengala, ora uma cadeira de rodas.

Quando usava a bengala, dizia ser em homenagem à aprovação pela Câmara dos Deputados da PEC da Bengala.

SARNEY NOS STATES

Quem conhece o senador José Sarney sabe que ele adora Nova York, considerada, depois de São Luis e Pinheiro, como a cidade mais importante do mundo.

Do mesmo não se pode dizer com relação à Miami. A cidade da Flórida só é por ele visitada por motivos supervenientes, como agora.

Antes de regressar ao Brasil, na última sexta-feira, Sarney deu um jeito de passar um dia em Miami para rever a neta e os bisnetos, que ali estudam inglês.

CAMPELO PERDEU

HÁ 19 anos, o intelectual Joaquim Campelo, membro da Academia Maranhense de Letras, lutava contra a editora e os herdeiros do Dicionário Aurélio, da Língua Portuguesa.

Por longo tempo, como principal colaborador da edição do Dicionário, se empenhou para ganhar juridicamente a causa, que terminou adversa a ele.

Na semana passada, depois dos recursos, dos agravos e de outras procrastinações regimentais e processuais, o Superior Tribunal de Justiça, por sua maioria, julgou contra os interesses legítimos de Joaquim Campelo.

SUCUPIRA E JATOBÁ

O núcleo de novela da TV Globo gosta de inspirar-se na nomenclatura das cidades maranhenses.

De vez em quando, a emissora encontra na realidade do Maranhão o que as novelas precisam para as obras de ficção fiquem atrativas e donas da audiência

Tempos atrás, Dias Gomes escreveu um folhetim em que a cidade de Sucupira era o ponto alto da novela Roque Santeiro.

Agora, o autor da novela Babilônia, achou outra cidade maranhense para tê-la como cenário: Jatobá. Nela a figura ficcional do prefeito retrata sem retoque a maioria dos gestores municipais do Maranhão.

ASSESSOR COMPLETO

José Alberto Moraes Rego, mais conhecido por Geografia, pode-se dizer é assessor polivalente do presidente do Tribunal Regional Eleitoral, desembargador Antônio Guerreiro.

Além dos valiosos serviços que presta ao desembargador no seu trabalho cotidiano, tenta convencê-lo a fazer um procedimento, este, no campo da saúde.

Como o magistrado perdeu boa parte do peso numa bem-sucedida cirurgia bariátrica, José Alberto espera vê-lo brevemente jogando voleibol, aos domingos, na casa de praia de Mauro Fecury.

TAXA DE HOMÍCIDIO

Por esta ninguém esperava. Nem mesmo os céticos e pessimistas de plantão.

O Maranhão sempre citado como o que tem de pior em tudo, acaba de ganhar mais um troféu, este, sinistro.

Segundo fontes fidedignas, São Luís tem uma das maiores taxas de homicídio do mundo. Por isso, ocupa o 35º lugar no ranking.

GOVERNADOR E ACADEMIA

Como havia prometido aos membros da Academia Maranhense de Letras, o governador Flávio Dino fez o que assumiu.

Já enviou à Assembleia Legislativa a mensagem governamental que prevê o aumento da subvenção que o Estado concede à Casa de Antônio Lobo.

DE três mil reais, a subvenção subiu para sete.

 

 

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A II GUERRA MUNDIAL E O MONSTRO DE GUIMARÃES

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A 8 de maio passado, 70 anos se passaram do fim da II Guerra Mundial, que demorou 6 anos (1939 a 1945) e custou um elevado  preço à humanidade, pois ceifou milhões de vidas e dividiu o mundo em regimes diametralmente opostos, mas, na fase belicosa, se uniram para vencer um mal maior e ameaçador: o nazi-fascismo.

Ao término da cruenta guerra, eu já marcava presença num pedaço de terra chamado Itapecuru-Mirim. Era um garoto que ainda não amava Os Beatles e nem os Rolling Stones por que as duas fantásticas bandas musicais não existiam.

Embora fosse eu gente miúda, lembro que em minha terra e em minha casa aquele conflito mundial era acompanhado com o mais desusado interesse por conta de meu pai, Abdala Buzar, que, à época, possuía um aparelho de rádio, marca Philips, em torno do qual ele e os amigos ouviam todas as noites – mesmo com as dificuldades tecnológicas vigentes – as transmissões que a Rádio BBC de Londres levava ao ar e dava conta das beligerâncias que tinham por palco os países da Europa.

Superficialmente ainda retenho na memória o foguetório pipocado na frente da minha casa, bancado evidentemente pelo meu genitor, ao ser anunciado o final da guerra e a vitória dos Aliados.

Os anos se passaram, mas as remotas lembranças da sinistra guerra ficaram no meu pensamento e me levaram posteriormente em São Luis a procurar em livros, revistas e jornais os atos que causaram tão abominável conflito bélico e suas repercussões no Maranhão.

Conquanto os meios de comunicação da época estivessem sob rigorosa censura do Estado Novo, consegui extrair deles informações sobre os fundamentos da guerra e os motivos pelos quais os países, inclusive o Brasil, dela tomaram parte.

Graças às agências noticiosas nacionais e internacionais, os jornais de São Luis, bem ou mal, informavam os ávidos leitores a respeito das ocorrências no front da guerra e das ordens e das deliberações que as autoridades federais e estaduais ditavam e obrigavam a sociedade a cumpri-las rigorosamente, sob pena dos transgressores serem presos e julgados com base na Lei de Segurança Nacional.

Com o auxílio dos jornais que circulavam em São Luis, deparei-me com notícias de como a população se comportava e regia quanto às imposições e obrigações que as forças policiais, algumas esdrúxulas, outras draconianas, repassavam diariamente para o conhecimento da sociedade.

Daquele numeroso ordenamento policialesco, pincei estes avisos: proibição rigorosa dos estrangeiros, especialmente alemães, italianos e japoneses, radicados ou em trânsito em São Luis, do uso de rádio-amador para a comunicação com o exterior, bem como viajarem para qualquer localidade sem o prévio consentimento das autoridades; adoção de uma cota reduzida de combustível aos proprietários de carros particulares; criação de Comissão de Abastecimento encarregada de suprir regularmente o consumo de alimentos indispensáveis à população. O descumprimento dessa norma implicava em prisão e processo; organização de comissão para angariar metais preciosos para as Forças Armadas utilizarem no preparo de material bélico, bem como arrecadar recursos destinados à compra de avião para a FAB; preparar a população para o exercício de alerta aéreo noturno, com a cidade ficando por uma hora sem energia; rigorosa fiscalização sobre propaganda ou contribuição à espionagem em favor das forças inimigas. Quem assim procedesse seria rotulado de “quinta-coluna”. Por conta disso, um grupo de professores integralistas passou a ser vigiado, dentre os mais visados, Rubem Almeida, Solano Rodrigues, Luiz Gonzaga dos Reis e Tácito Caldas; convocação de voluntários e reservistas para se à Força Expedicionária Brasileira, que lutaria na Itália contra as forças do Eixo; instalação em São Luis de uma base militar, no Tirirical, para servir de suporte aos americanos nas batalhas navais e aéreas executadas pelos Aliados no Nordeste; instalação de um Plano de Vigilância a ser cumprido pelos prefeitos das cidades litorâneas, com a missão de prender os náufragos estrangeiros em praias maranhenses.

Além dessas ações, vale citar o caso que polarizou as atenções da opinião pública naquele tormentoso momento. Na cidade de Guimarães, ganhou força e repercussão um movimento para desvendar um mistério, produzido pelo imaginário popular em função do clima de apreensão e medo que dominava a todos.

Durante os meses de junho, julho e agosto de 1944, informações de Guimarães davam conta de que pescadores (sempre eles) e outras pessoas da comunidade estavam vivendo dias de alarme e de pavor. Segundo os pescadores, um animal de grande porte, como se fosse um monstro marinho, marcava presença diária nas praias guimarenses.

O animal tinha, conforme informações colhidas pela imprensa, a cor escura, longa tromba, dois grandes chifres e olhos enormes, medindo 50 metros de comprimento.

Os jornais de São Luis e de outras partes do país, logo tomaram conta do assunto e de Guimarães mandavam notícias sobre o “monstro marinho”, retratado um enviado de outras galáxias. As descrições sobre o tamanho físico e da ferocidade do animal variavam de acordo com a fecunda imaginação dos videntes.

A celeuma em torno da presença “do animal do outro mundo” era tão forte e rumorosa que a população se dividiu. Enquanto uma parte defendia uma ação para a morte imediata do animal, a outra achava que o melhor era abandonar a cidade antes que ela fosse destruída pelo “monstro”.

A situação chegou a um ponto de tamanha inquietação pública que as autoridades estaduais resolveram agir antes de o pior acontecer. O delegado de Polícia, Flávio Bezerra e o comandante Roush, observador naval norte-americano, partiram para Guimarães, onde uma operação, realizada com auxílio de um dirigível, permitiu que os pontos identificados pela comunidade como abrigo do “monstro” fossem todos meticulosamente vasculhados.  Após longo e exaustivo trabalho, não se encontrou nenhum vestígio que apontasse a presença de qualquer “animal do outro mundo” em praias guimarenses.

Só depois dessa bem articulada operação policial, a comunidade começou a desarmar os espíritos e a tranqüilizar-se quanto à ausência do monstro marinho em Guimarães, o que levou a imprensa, que alimentava a situação, a deixar a cidade após três meses de sistemático noticiário sobre um fantasioso caso, que ganhou as manchetes nacionais e internacionais.

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CONSELHO DE EDUCAÇÃO

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O Conselho Estadual de Educação pouco funcionou este ano.

Motivo: nada menos do que sete conselheiros estão sem mandato.

Até agora o governo do Estado ainda não se pronunciou quanto à recondução dos mesmos conselheiros ou se prefere nomear novos e mais afinados com a Secretaria de Educação.

Enquanto o governo não nomeia os novos membros do Conselho Estadual de Educação, uma pilha de processo dorme nas prateleiras do colegiado à espera de pareceres e decisões.

CAMPUS DO UNICEUMA

Por essa a Faculdade Atenas Maranhense não esperava.

A Universidade Ceuma no ano passado adquiriu enorme área na Avenida São Luis Rei de França, vizinha à FAMA, de propriedade do casal Fiquene.

No começo de 2015, o UniCeuma deu inicio à construção de mais um campus voltado para o ensino superior, localizado exatamente nas barbas da Faculdade Atenas.

Em ritmo acelerado, o complexo universitário do UniCeuma está quase pronto e com inauguração marcada para 5 de agosto.

Naquele campus, devem funcionar inicialmente os cursos de Direito, Administração e Arquitetura.

SANDRA GRAVA BUZAR

Depois de se apresentar no Teatro Artur Azevedo, no show em que a prima Luciana Valente lançou o seu primeiro disco, a cantora Sandra Duailibe viajou para o Rio de Janeiro.

Na Cidade Maravilhosa, dará continuidade à gravação do seu novo DVD em homenagem a Nonato Buzar, de quem era amiga e admiradora.

O disco só terá composições musicais do filho de Itapecuru, que se fez famoso no Rio de Janeiro, mercê de sua polivalente atuação artística.

UM ANO SEM CHAGAS

Nesta quarta-feira, dia 13 de maio, faz um ano que o Maranhão ficou sem o grande poeta, José Chagas.

Foi um dia de comoção nesta cidade que ele amava e por ela era amado.

Como Chagas continua presente, graças à extraordinária obra poética que legou a São Luis, a Academia Maranhense de Letras e os familiares vão mandar celebrar missa em sua homenagem.

A cerimônia religiosa acontecerá às 17 horas, na igreja do Desterro.

SARNEY E FHC

Houve um tempo em José Sarney e Fernando Henrique Cardoso só se falavam quando não havia jeito.

Mais recentemente, voltaram às boas e sempre encontram momentos para jogar conversa fora e por em dia os acontecimentos políticos do país.

Para mostrar que a amizade entre eles agora é fraterna e rotineira, José Sarney fez questão de estar presente no evento que acontece nesta quarta-feira em Nova York, quando Fernando Henrique recebe o título de Homem do Ano.

CONCORRÊNCIA DA PONTE

Na novela Babilônia, veiculada pela TV Globo e ora em cartaz no horário nobre, uma empresa de construção civil e nada idônea, desejava participar de uma licitação no Maranhão.

A concorrência tinha em vista a construção de uma ponte de concreto.

Num dos últimos capítulos do folhetim global, a escandalosa informação: a construtora perdera a licitação no Maranhão.

FARÓIS DA EDUCAÇÃO

Os Faróis da Educação, fantástica iniciativa que Gastão Vieira executou na Secretaria de Educação do Estado do Maranhão, vão passar por alterações físicas e funcionais.

Por determinação do governador Flávio Dino os Faróis da Educação deixarão a estrutura da Secretaria da Educação para a da Secretaria da Cultura.

O governador acha que na Secretaria da Cultura os Faróis serão mais úteis às comunidades municipais e contribuirão melhor como fonte de conhecimento e de pesquisa à juventude.

Para funcionar como biblioteca estudantil, Flávio Dino autorizou a Secretaria de Cultura a contratar uma bibliotecária para cada Farol.

NIXON DE BACURI

Alguns prefeitos foram recentemente presos pela Polícia, por fazerem parte de um esquema de agiotagem no Maranhão.

No meio deles, o prefeito municipal de Bacuri, envolvido até a cabeça na bandidagem da agiotagem, batizado com o nome de Richard Nixon, ex-presidente dos Estados Unidos.

Mas há uma diferença gritante entre eles. Enquanto o ex-presidente americano renunciou ao cargo pelo envolvimento com a espionagem política, o prefeito de Bacuri é acusado de misturar os negócios da gestão municipal com o dinheiro clandestino.

UNICEUMA E ACADEMIA

Na final da tarde da última terça-feira, um encontro reuniu o mantenedor e o reitor do UniCeuma, respectivamente, Mauro Fecury e Saulo, com os membros da Academia Maranhense de Letras, Benedito Buzar, Ceres Costa Fernandes e Joaquim Haickel.

Na pauta, a assinatura de um convênio em que a Academia Maranhense de Letras, através dos intelectuais que a integram, farão palestras aos estudantes do UniCeuma sobre assuntos culturais.

O convênio traz no seu bojo o compromisso do UniCeuma de repassar à Casa de Antônio Lobo, em contrapartida às palestras acadêmicas, uma ajuda financeira para mantê-la.

HOMENAGEM A MÁRIO MEIRELES.

As filhas do saudoso professor Mário Meireles, Ana Maria e Mimi, ficaram sensibilizadas com a homenagem prestada pela Academia Maranhense de Letras ao pai.

A solenidade aconteceu em decorrência do centenário de nascimento do emérito historiador, que a AML comemora como “O ano cultural de Mário Meireles”.

O marco inicial do evento deu-se com a abertura da exposição “Vida e Obra de Mário Meireles”.

MÉDICO MARANHENSE

São Paulo, depois naturalmente de São Luis, é a cidade em que os médicos maranhenses mais brilham.

Os que ali fixaram residência, depois de fazerem cursos de pós-graduação ou doutorado, se deram bem, ganharam fama e conquistaram boa clientela.

Dentre os que ficaram em São Paulo e hoje é uma referência na área de ortopedia e de coluna, o cirurgião Franklin Roosevelt Coelho, nascido na cidade de Balsas.

De vez em quando ele vem a São Luis, como agora, para rever os pais que aqui residem.

PRESENÇA NO CASAMENTO

Leda Chaves Napoleão veio de Brasília participar da cerimônia de casamento da afilhada Marcela, filha de Lurdes e Eliezer Moreira, que ontem contraiu núpcias com Lucas Borba, ato realizado no Class Eventos.

O marido de Leda, Hugo Napoleão, contudo, não compareceu à cerimônia pelo fato de se encontrar no Estado do Qatar, participando do 15º Fórum do DEHA.

 

 

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A VITORIOSA FÓRMULA DE SARNEY os idos de 1945 aos dias atuais, o secretariado de Flávio Dino é o que chegou ao poder no Maranhão com mais sangue novo. Quem tinha acima dos sessenta anos, a exemplo de José Reinaldo Tavares e Domingos Dutra, nomeados para as secretarias de Minas e Energia e de Representação do Governo em Brasília, coincidentemente, não chegaram a assumir os cargos. Ao fazer essa opção etária, o governador imaginou que para fazer um bom governo e corresponder ao que prometera na campanha eleitoral, bastava contar com uma equipe jovem, que dotada de idealismo e disposição para a luta, ultrapassaria os obstáculos que viessem à tona. O resultado disso está à vista de todos: o governo ingressou no seu quarto mês de mandato sem conseguir alavancar a administração e sem operar as mudanças e nem fazer alterações nos procedimentos que estrangulam a gestão pública maranhense. O dia a dia do governo vem sobejamente mostrando que o primeiro escalão, a despeito da indômita vontade de acertar e da energia que pulsa dos poros da juventude, ainda não deu a Flávio Dino o suporte necessário para convencer a população de que algo novo chegou ao Palácio dos Leões. A vitalidade da mocidade é importante e saudável, mas não é apenas com ela que se resolvem os problemas do governo e da sociedade. Nenhum Executivo pode prescindir de outro componente, também precioso e fundamental, para promover o bem público. Trata-se da experiência, que além de transmitir conhecimento, dispõe da prudência e do bom senso para no momento certo e adequado ditar os rumos da gestão e corrigir as possíveis distorções administrativas e políticas. Por falar em experiência, não custa lembrar o que aconteceu no governo de José Sarney, considerado, por quem tem juízo, como o mais realizador de obras e de mudanças almejadas pela população e prometidas na campanha eleitoral de 1965. Quem viveu aquele momento ímpar, revela que Sarney não compôs a sua equipe de governo só de jovens. Fez um secretariado mesclado, em que prontificavam figuras maduras e experientes da estirpe de Pedro Neiva, Cícero Neiva, José Murad e outros. Naquele período turvo da vida brasileira, teve ele a feliz iniciativa de correr atrás e mobilizar os técnicos de outros estados, maranhenses ou não, a virem para cá, com a finalidade de assessorá-lo e ocuparem cargos ou funções pertinentes às suas habilitações profissionais. Vale lembrar a primeira ação de Sarney no limiar de sua operosa administração: negociou com o governo federal a vinda de técnicos maranhenses experientes e talentosos, que trabalhavam na Sudene e fizeram parte do GTAP- Grupo Técnico de Assessoria e Planejamento, criado para dar ao governador o suporte técnico que ele não tinha. Nessa fornada, vieram de Pernambuco os técnicos Joaquim Itapary, Mário Leal, Darson Dagoberto Duarte, Mariano Matos, José de Jesus Moraes Rego e Manoel Lopes, que se juntaram a Bandeira Tribuzi, Edmilson Duarte, Celso Lago, Nivaldo Macieira, Orlando Medeiros e outros de igual quilate técnico e moral. Cumprida essa vitoriosa escalada, o governador, já dono da situação, partiu para uma empreitada mais arrojada: criou a Sudema – Superintendência do Desenvolvimento do Maranhão, nos moldes da Sudene, para planejar, executar e controlar os recursos destinados à instalação da infra estrutura no Estado. Instalada a Sudema, outro renovado elenco de técnicos veio trabalhar no governo Sarney, que não exigia de ninguém atestado ideológico ou de filiação partidária. Com a ajuda de Lourenço Tavares, a secretaria de Agricultura trouxe de Belém um expressivo grupo de recém-formados em agronomia, de reconhecida competência técnica, para prestar serviços ao estado, destacando-se José Trajano, Antônio Nunes, Antônio Rosa Ribeiro, Graco Bolivar, Aziz Tajra, José Ribamar Muniz, Honorato Fernandes, Luis de França Barros, que se engajaram na construção

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Não resta a menor dúvida que a equipe montada pelo governador Flávio Dino para ajudá-lo a governar o Maranhão foi fincada na força da juventude.

Com base nisso, o chamado primeiro escalão do governo situa-se na faixa etária do chefe do Executivo, e induz a dizer que, da redemocratização do país, nos idos de 1945 aos dias atuais, o secretariado de Flávio Dino é o que chegou ao poder no Maranhão com mais sangue novo.

Quem tinha acima dos sessenta anos, a exemplo de José Reinaldo Tavares e Domingos Dutra, nomeados para as secretarias de Minas e Energia e de Representação do Governo em Brasília, coincidentemente, não chegaram a assumir os cargos.

Ao fazer essa opção etária, o governador imaginou que para fazer um bom governo e corresponder ao que prometera na campanha eleitoral, bastava contar com uma equipe jovem, que dotada de idealismo e disposição para a luta, ultrapassaria os obstáculos que viessem à tona.

O resultado disso está à vista de todos: o governo ingressou no seu quarto mês de mandato sem conseguir alavancar a administração e sem operar as mudanças e nem fazer alterações nos procedimentos que estrangulam a gestão pública maranhense.

O dia a dia do governo vem sobejamente mostrando que o primeiro escalão, a despeito da indômita vontade de acertar e da energia que pulsa dos poros da juventude, ainda não deu a Flávio Dino o suporte necessário para convencer a população de que algo novo chegou ao Palácio dos Leões.

A vitalidade da mocidade é importante e saudável, mas não é apenas com ela que se resolvem os problemas do governo e da sociedade. Nenhum Executivo pode prescindir de outro componente, também precioso e fundamental, para promover o bem público. Trata-se da experiência, que além de transmitir conhecimento, dispõe da prudência e do bom senso para no momento certo e adequado ditar os rumos da gestão e corrigir as possíveis distorções administrativas e políticas.

Por falar em experiência, não custa lembrar o que aconteceu no governo de José Sarney, considerado, por quem tem juízo, como o mais realizador de obras e de mudanças almejadas pela população e prometidas na campanha eleitoral de 1965.

Quem viveu aquele momento ímpar, revela que Sarney não compôs a sua equipe de governo só de jovens. Fez um secretariado mesclado, em que prontificavam figuras maduras e experientes da estirpe de Pedro Neiva, Cícero Neiva, José Murad e outros.

Naquele período turvo da vida brasileira, teve ele a feliz iniciativa de correr atrás e mobilizar os técnicos de outros estados, maranhenses ou não, a virem para cá, com a finalidade de assessorá-lo e ocuparem cargos ou funções pertinentes às suas habilitações profissionais.

Vale lembrar a primeira ação de Sarney no limiar de sua operosa administração: negociou com o governo federal a vinda de técnicos maranhenses experientes e talentosos, que trabalhavam na Sudene e fizeram parte do GTAP- Grupo Técnico de Assessoria e Planejamento, criado para dar ao governador o suporte técnico que ele não tinha.

Nessa fornada, vieram de Pernambuco os técnicos Joaquim Itapary, Mário Leal, Darson Dagoberto Duarte, Mariano Matos, José de Jesus Moraes Rego e Manoel Lopes, que se juntaram a Bandeira Tribuzi, Edmilson Duarte, Celso Lago, Nivaldo Macieira, Orlando Medeiros e outros de igual quilate técnico e moral.

Cumprida essa vitoriosa escalada, o governador, já dono da situação, partiu para uma empreitada mais arrojada: criou a Sudema – Superintendência do Desenvolvimento do Maranhão, nos moldes da Sudene, para planejar, executar e controlar os recursos destinados à instalação da infra estrutura no Estado.

Instalada a Sudema, outro renovado elenco de técnicos veio trabalhar no governo Sarney, que não exigia de ninguém atestado ideológico ou de filiação partidária. Com a ajuda de Lourenço Tavares, a secretaria de Agricultura trouxe de Belém um expressivo grupo de recém-formados em agronomia, de reconhecida competência técnica, para prestar serviços ao estado, destacando-se José Trajano, Antônio Nunes, Antônio Rosa Ribeiro, Graco Bolivar, Aziz Tajra, José Ribamar Muniz, Honorato Fernandes, Luis de França Barros, que se engajaram na construção do Maranhão Novo.

Nesse mesmo tempo, Sarney convence uma turma de engenheiros civis a trocar Fortaleza por São Luis. Aqui, são aproveitados em cargos executivos de primeiro escalão e na estrutura docente da recém- inaugurada, Escola de Engenharia, dirigida por Haroldo Tavares e Chico Batista Ferreira.

Dessa safra, pontificavam César Cals, Vicente Fialho, José Lins Albuquerque, José Reinaldo Tavares, Luis Raimundo Azevedo, Reinaldo Bandeira e Mauro Fecury, que pelas atuações exemplares no governo do Maranhão, foram posteriormente convidados a ocupar postos de destaque a nível nacional.

 

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JAMAIS PENSOU

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O governador Flávio Dino nem antes e nem depois da posse pensou num fato que ora enfrenta.

A irrefreável e destemida posição da deputada Andréa Murad, no plenário da Assembleia Legislativa, onde, diariamente, está a criticar a sua administração.

A parlamentar do PMDB, desde que os trabalhos legislativos tiveram início, não vem dando tréguas ao governador e aos deputados encarregados de defendê-lo.

Andréa Murad, pela sua atuação vibrante e corajosa na Assembleia Legislativa, virou coqueluche política e tem sido a responsável pela movimentação dos trabalhos no Palácio Manuel Bequimão.

MUTISMO DE SÁLVIO

Os acadêmicos que participaram, na semana passada, da audiência com o governador Flávio Dino, no Palácio dos Leões, estranharam sobremodo a conduta do pai do chefe do Executivo, Sálvio Dino.

Ele, surpreendentemente, entrou e saiu mudo da audiência.

Ainda que isso tenha acontecido, os confrades sabem que Sálvio Dino sempre foi e será uma voz firme em favor da Academia Maranhense de Letras e que lutará junto ao pai e governador para as reivindicações dos acadêmicos se transformem em realidade.

PRESENÇA NO NEPAL

Os que conhecem o maranhense Nelson Piquet jamais imaginaram que ele, globetroter como o é, estivesse no Nepal no dia em que um pavoroso terremoto desabou sobre o país.

Pelo sabido, a capital do Nepal não é a cidade dos sonhos de Piquet e muito menos ser sua prioridade turística

Os amigos o aguardam ansiosamente não apenas para revê-lo inteiro e saudável, mas saber dos motivos e razões que o levaram a passar alguns dias naquele país.

BISNETOS DE SARNEY

No dia de seu aniversário, em Brasília, o ex-presidente José Sarney, com uma frase bem construída e leve, causou a maior descontração aos que ali estavam para cumprimentá-lo.

Estavam todos em volta da mesa, onde o bolo foi cortado e entoado os parabéns a você, quando Sarney do auge de sua inteligência fez um desabafo que mereceu vibrantes palmas.

– No Maranhão, falam que estou acabado, mas não dizem que só este ano já fui presenteado com o nascimento de quatro bisnetos.

INCENTIVOS À CULTURA

Os meios culturais aguardam ansiosamente o sinal verde do governo do Estado para a reativação da Lei de Incentivos à Cultura e ao Esporte, da autoria do ex-deputado Joaquim Haickel.

A referida lei, que funcionou plenamente nos últimos anos e sem politicagem, obteve ótimos resultados e agradou a gregos e a troianos.

Com a chegada de Flávio Dino no governo, a Secretaria da Cultura chegou a divulgar que a Lei Haickel passaria por uma revisão, razão pela qual seria temporariamente desativada.

Mas já se passaram mais de três meses e até agora o governo ainda não disse o que fará quanto à aplicação da lei.

OUTRA IMPLOSÃO

Até onde a vista alcança, parece que o governador Flávio Dino gosta e admira o processo de implosão de prédios.

Antes de assumir o governo, anunciou a implosão da Casa de Veraneio de São Marcos, ato que desistiu diante dos protestos da população e da falta de suporte jurídico e técnico.

Na reunião com os membros da Academia Maranhense de Letras ao falar sobre o Edifício João Goulart, construído nos anos 1960, na Avenida Pedro II, revelou que pensou em implodi-lo.

Só não fez isso, porque o IPHAN o convenceu a não praticar esse intento.

 

A VOLTA DE JAIME SANTANA

Depois de cumprir o seu último mandato de deputado federal, Jaime Santana deixou de comparecer a qualquer ato político ou partidário, em São Luis ou Brasília.

Mesmo fazendo parte do PSDB, partido do qual foi um dos fundadores, Jaime optou pelo anonimato político, certo de não mais disputar qualquer cargo eletivo.

No final da semana passada, em homenagem ao amigo Luis Fernando Silva, fez questão de comparecer ao ato público de sua filiação ao tucanato.

Depois da solenidade, Jaime tomou alma nova e promete retornar à cena política, quem sabe, nas próximas eleições.

PREFEITO DE ITAPECURU

O deputado Junior Marreca, pelo que se vê, não vem gostando das atividades da Câmara Federal.

A despeito do pouco tempo no exercício do cargo de deputado federal,  parece decepcionado com as atividades parlamentares.

Não por acaso, está avisando aos amigos e eleitores que nas eleições do ano vindouro pretende disputá-las e reconquistar o mandato de prefeito de Itapecuru.

MENSAGEM A SARNEY

Numerosas as mensagens foram recebidas pelo ex-senador José Sarney no dia de seu aniversário.

Dentre as melhores, a do deputado federal, Pedro Fernandes, que se inspirou no escritor uruguaio, Eduardo Galeno, recentemente falecido.

Eis a mensagem: “A memória guardará o que valeu a pena; a memória sabe de mim mais do que eu; e ela não perde o que merece ser salvo”.

EMOÇÃO NO CEUMA

Na noite da última quarta-feira, a Universidade Ceuma prestou mais uma merecida homenagem ao professor e ex-reitor José Maria Cabral Marques.

A homenagem, recheada de muita emoção, deu-se na inauguração de uma biblioteca, constituída com o acervo do professor Cabral Marques e por ele doado à instituição que os Fecury implantaram em São Luis há 25 anos e que tem legado ao Maranhão um ensino de boa qualidade, que tem proporcionado aos seus milhares de alunos excelente formação moral e intelectual.

Em nome da Academia Maranhense de Letras, o presidente Benedito Buzar, ressaltou a importância da homenagem prestada em vida a Cabral, ele, que ao longo do tempo só teve uma preocupação: lutar para a juventude maranhense ter vez e voz no cenário técnico e científico do país.

RECEITA INESPERADA

O governador Dino foi feliz ao nomear Marcellus Ribeiro Alves para titular da Secretaria da Fazenda.

Ao sentar na cadeira para a qual foi nomeado, descobriu que a máquina administrativa estadual poderia contar com uma receita que nunca havia entrado nos cofres do Tesouro.

Trata-se do ITCD, que ele conhecia por ter sido, anos atrás, secretário da Receita Federal.

A 30 de abril último, encerrou-se o prazo para os contribuintes maranhenses, que fizeram doações de bens imóveis, se quitassem com a Fazenda estadual.

Com essa receita inesperada, o governo poderá suprir a falta das transferências federais, cortadas pela presidente da República

CONCERTO DE TURÍBIO

NO dia seguinte à sua posse na Academia Maranhense de Letras, a 17 de junho deste ano, o violonista Turíbio Santos, fará um concerto no Teatro Artur Azevedo.

A receita do espetáculo será em benefício da Casa de Antônio Lobo.

Para receber Turíbio na AML, o acadêmico Sebastião Duarte será o orador da noite.

O presidente da Academia Maranhense de Letras, Benedito Buzar, já pediu ao diretor do Teatro, Américo Azevedo Neto, reserva de pauta.

 

 

 

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O QUASE GOVERNADOR MÁRIO MEIRELES

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A Academia Maranhense de Letras decidiu que 2015 será o Ano Cultural Mário Meireles, por conta do centenário de nascimento do emérito professor e historiador maranhense, nascido em São Luis a 8 de março de 1915.

Orgulho-me de ter privado da sua preciosa amizade, que nasceu antes mesmo de tê-lo como confrade na Casa de Antônio Lobo. O conheci quando recebeu convite do governador Pedro Neiva de Santana para chefiar a Casa Civil do Governo do Estado, em substituição a Magno Bacelar, remanejado para a secretaria de Educação.

Nessa época, eu estava lotado na secretaria de Planejamento, que ficou no lugar da Sudema-Superintendência de Desenvolvimento do Maranhão, instalada no governo José Sarney, alvo de severas críticas do governador Pedro Neiva e dos políticos, que não a viam com bons olhos.

Além das minhas modestas atividades na Seplan,  dirigida por José Reinaldo Tavares, militava de modo atuante e vigoroso na imprensa maranhense, como titular da coluna política Roda Viva, então, a mais lida e bem informada da cidade, publicada diariamente em O Imparcial.

Por dever de ofício, diariamente freqüentava o gabinete do professor Mário Meireles, contíguo ao do governador Pedro Neiva. Pela Casa Civil transitavam políticos, auxiliares do governo, empresários e os que marcavam audiência com o chefe do Poder Executivo.

Era naquele ambiente oficial que, como jornalista confiável e o aval do governador, eu tomava conhecimento das notícias, dos atos e fatos girados em torno do poder, sempre antes do assessor de imprensa do governo, o jornalista Edson Vidigal, que não se conformava com isso e me via de modo atravessado.

Assim, me aproximei e fiz amizade com o professor Mário Meireles, que, no exercício do cargo de chefe da Casa Civil, não tratava de assuntos da política maranhense, mas exclusivamente dos afazeres administrativos e da rotina burocrática do governo estadual. Pela sua postura retilínea e leal, nunca percebi de ele querer suceder ao professor e amigo dileto, Pedro Neiva de Santana, no cargo de governador.

Se havia no Palácio dos Leões alguém que não dava palpite e nem manifestava a mínima opinião a respeito da sucessão estadual e da eleição, realizada pelo processo indireto, essa pessoa era Mário Meireles. Sobre o assunto, fazia questão de dizer, em alto e bom som, que só o chefe do Executivo competia falar e articular.

Mesmo sabendo que ele assim atuava no governo, enorme foi a minha surpresa ao tomar conhecimento de um fato ocorrido em pleno processo sucessório de José Sarney, no qual Mário Meireles, à sua revelia e sem querer, por pouco não governou o Maranhão no mandato de março de 1971 a março de 1975.

Onde, como e quando eu soube disso? Respondo: aqui mesmo em São Luis, lendo o livro “Memória de Professores”, da autoria da professora Regina Faria, publicado em 2005, com a qual colaborei na preparação dos verbetes.

Como estou a recolher materiais e documentos sobre o professor Mário Meireles, para as comemorações de seu centenário de nascimento, pela Academia Maranhense de Letras, encontrei no livro acima citado um comentário de sua lavra, que me deixou espantado e só dei crédito por ser produto de seu próprio punho.

No texto do saudoso mestre a inesperada revelação de sua indicação a candidato à sucessão de José Sarney, registrada na página 448 do livro de Regina Faria. Ele, pois, com a palavra: “Um belo dia eu estava em casa, eram umas onze horas da noite, quando tocaram a capainha. Desci, estava lá um pequeno grupo de oficiais do 24º BC. Eu disse a Maria: – Pronto, estou preso! Mandei-os entrar e indaguei: – Então, o que é que há? Responderam: – Bem, viemos aqui avisá-lo de que o 24º BC recebeu ordem para indicar um candidato a governador do Estado, e nós lhe escolhemos. Exclamei: Vocês estão malucos e não aceito porque não gosto de política”.

Após receber aquele convite militar, Mário Meireles conservou-se em longo e profundo silêncio e só se tranqüilizou ao saber que Pedro Neiva, dias depois, fora o escolhido para substituir José Sarney no governo do Estado.

Outra revelação também surpreendente e que me deixou impactado. Encontra-se na página 442, do mesmo livro, a respeito do então arcebispo do Maranhão, Dom José Delgado.

Disse o prelado que Dom José Delgado era um homem trabalhador, mas, também, muito prepotente. Os católicos o seguiam; mas outros, não. Por isso, não teve o reconhecimento do seu esforço quanto à criação da universidade, que não conseguiu mantê-la.

Nesse ponto, acho que o meu saudoso confrade não foi feliz. Não discuto se Dom Delgado era prepotente ou não. Mas, no que diz respeito à iniciativa de instalar em São Luis uma universidade, que começaria com o rotulo de católica, a sua firme determinação é reconhecida até hoje pela sociedade maranhense.

Não à toa a Universidade Federal do Maranhão e a Academia Maranhense de Letras, este ano, vão realizar uma solenidade especial, na qual lhe será conferido a Dom Delgado in memorian o certificado de Doutor Honoris Causa.

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