ÚLTIMO MANDATO

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Na semana passada, antes de viajar a São Paulo, para acompanhar a cirurgia de Dona Marly, o senador José Sarney fez esta revelação ao seu dileto amigo, Benedito Buzar.
Ainda que as pesquisas lhes sejam favoráveis e tenha o apoio da maioria dos partidos políticos, não será candidato à reeleição de senador pelo Amapá.
Ao tomar essa posição política, Sarney cumpre o seu último mandato de senador, cargo para o qual se elegeu, pela primeira vez, em 1970.
No Senado, exerceu cinco mandatos, dois pelo Maranhão e três pelo Amapá. Na história republicana brasileira, nenhum outro senador a ele se igualou no que se refere ao desempenho parlamentar, sobretudo quando se leva em conta de que foi quatro vezes Presidente do Congresso Nacional.
DIREITOS HUMANOS
O deputado carioca Jair Bolsonaro, conhecido por suas posições políticas radicais, quer ser candidato à presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara federal.
Ele diz que sua candidatura é para evitar que candidatos como o deputado Domingos Dutra, do Maranhão, ocupem aquele cargo.
E explica: – O deputado Dutra transformou a Comissão de Direitos Humanos numa promiscuidade.
HOMANGEM DA FIEMA
NO final da tarde de sexta-feira, o presidente da Federação das Indústrias do Maranhão, Edilson Baldez, convocou a diretoria e os industriais de São Luis para uma solenidade especial.
A reunião era em homenagem ao empresário William Nagem, recentemente falecido.
Vários empresários usaram a palavra para enaltecer, além da figura humana de William, a sua participação ativa e eficiente em favor do desenvolvimento econômico do Maranhão.
HOMENAGEM A JORNALISTAS
Não é à toa que o deputado Arnaldo Melo é considerado pelos jornalistas e blogueiros um dos mais operosos presidentes da Assembleia Legislativa.
Arnaldo Melo, por iniciativa própria, lembrou-se de colocar o nome dos jornalistas maranhenses, que noticiavam os trabalhos legislativos, nas principais salas do Complexo de Comunicação da Assembleia Legislativa: Décio Sá, Tony Castro, Deny Cabral, Coelho Neto e Neiva Moreira.
PRESENÇAS MARCANTES
NA solenidade em que a Assembleia Legislativa homenageou os deputados constituintes que prepararam a Constituição do Maranhão em 1989, destacaram-se dois ex-parlamentares: José Gerardo Abreu e Júlio Montelles.
O primeiro teve o mandato cassado em 1995, acusado de vários crimes pela CPI do Crime Organizado. Trocou a Constituição pela Bíblia.
O segundo afastou-se da Assembleia e da política por motivo de saúde. Um AVC o tornou inválido.
DEPUTADO AUSENTE
Da bancada maranhense na Câmara federal, que cassou o mandato do deputado Natal Donadan, apenas um não compareceu para votar.
O deputado Zé Vieira, de Bacabal.
Se ele tivesse marcado presença naquela votação, a bancada do Maranhão teria dado um bom exemplo de coesão em torno de princípios éticos.
MOÇAS DO VOLEIBOL
As moças que participam do campeonato brasileiro de voleibol, envergando a camisa do Maranhão, vão sentir saudades de São Luis, quando o certame acabar.
Elas, quando não estão jogando, têm uma vida social bem intensa em nossa cidade.
Na semana passada, quem diria, estavam participando da noite de autógrafos e do lançamento do livro “Os terroristas”, da autoria do médico Leandro Pedrozo, no Shopping da Ilha.
OITENTA ANOS
Hoje, José Almir Neves Tavares da Silva vai receber familiares e amigos mais íntimos para um almoço especial.
O lugar do encontro é Restaurante Manu, escolhido por Guivi para a comemoração dos oitenta anos do marido.
Os irmãos do aniversariante, os generais José Alberto e Murilo Tavares vieram com as esposas de João Pessoa e Brasília para participar do evento.
JOSÉ MÁRIO DE VOLTA
Há 50 anos o advogado José Mário Santos e a esposa Cleide trocaram São Luis por Brasília, onde fixaram residência.
Ao longo desse tempo, passaram temporadas em Fortaleza e de vez quando em São Luís, mas para reverem parentes.
No final do ano passado, José Mário e Cleide, ambos aposentados, decidiram voltar às origens. Estão se reintegrando à cidade, onde possuem familiares e amigos.
CELULAR NA PENITENCIÁRIA
A imprensa de Brasília vem fazendo celeuma pelo fato de ter sido encontrado na Penitenciária da Papuda um celular na cela do mensaleiro José Dirceu.
Em São Luis, a coisa mais comum na Penitenciária de Pedrinhas é celular ser encontrado em celas de presos. No dia em que não se acha pelo menos um, a mídia se encarrega de escandalizar o fato.
REVOLUÇÃO DE 64
O jornalista Benedito Buzar trabalha em tempo integral na preparação de um livro para ser lançado no final de abril.
Trata-se de A Revolução de 1964 no Maranhão.
Buzar possui um farto e precioso material sobre o movimento militar desencadeado no país, com a finalidade de derrubar do poder o presidente da República, João Goulart, e a instalação de um regime autoritário com a duração de vinte anos.
No livro, o jornalista vai contar como a Revolução chegou ao Maranhão e os fatos mais importantes que marcaram o período de 1964 a 1984.
PREFEITO DE ONTEM E DE HOJE
No sábado passado, o prefeito Edivaldo Holanda Júnior e o ex-prefeito Mauro Fecury encontraram-se acidentalmente num restaurante de São Luis.
Ao se despedirem, o prefeito Holanda Júnior convidou Mauro Fecury para uma conversa, pois está precisando de seus bons conselhos.
Mauro aceitou o convite numa condição: a participação no encontro do pai do atual gestor de São Luis, Edvaldo Holanda Braga.
MÚSICAS CARNAVALESCAS
Este ano se realizaram simultaneamente em São Luis e no Rio de Janeiro concursos para selecionar as melhores músicas carnavalescas.
Quem assistiu aos dois certames não hesita afirmar que o de São Luis superou em música e letra o promovido na Cidade Maravilhosa.
Enquanto as músicas daqui foram bem apresentadas e mostraram melhor conteúdo e musicalidade, as da Cidade Maravilhosa deixaram a desejar, quer no ritmo, quer nas letras, estas, feitas com duplo sentido.

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NONNATO MASSON: UM JORNALISTA INESQUECÍVEL

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Nesta sexta-feira, 28 de fevereiro de 1924, há noventa anos, nascia na praia da Mamuna, no município de Icatu, uma criança que recebeu o nome de Raimundo Nonnato, o qual, tempos depois, o Maranhão e o Brasil passariam a conhecer por Nonnato Masson, sobrenome de origem controversa. Alguns dizem ser homenagem ao repórter-fotográfico da revista O Cruzeiro, Jean Mazon; outros atribuem à simpatia pela maçonaria. Os dois ss eram usados para disfarçar.
Criado pelos avós, que lhe deram boa formação moral e educacional, fez o primário no colégio Sotero dos Reis, onde a professora Zila Paes descobriu a sua vocação para a escrita. Seus textos eram aproveitados no jornalzinho e no teatrinho da escola.
O ginásio cursou no Liceu Maranhense. Quando não estava em sala de aula, aprendeu a tocar violino, telegrafia e tipografia. O primeiro emprego foi na Tipografia Teixeira, depois no cinema Eden, como operador.
Para ganhar uma profissão definida, matriculou-se na Escola de Aprendizes Artífices, depois transformada em Escola Técnica Federal do Maranhão. Nessa época, o cine Rex, no bairro do João Paulo, oferecia o seu palco para quem gostava da arte cênica. Ali se apresentou como ator e autor de pequenas peças e constitui um grupo teatral que fez sucesso nos bairros da cidade.
Como o teatro não lhe dava nenhum rendimento, procurou emprego em jornal. Foi parar no Correio da Tarde, onde o poeta Fernando Viana, dono da situação, aprovou um texto de sua lavra e lhe garantiu um lugar na redação. Depois foi levado pelo próprio Fernando Viana para o jornal O Combate. Deste, transferiu-se para A Pacotilha, dirigido por Miécio Jorge, graças a um concurso de reportagem em que tirou o primeiro lugar com a matéria “Fila para os mortos”. As excelentes reportagens publicadas em A Pacotilha chamaram a atenção do jornalista Pires de Saboia, vindo do Ceará para pilotar O Imparcial, que o convocou para com ele trabalhar.
Com a instalação, em 1950, do Jornal do Povo em São Luis, montado pelo governador Ademar Barros para instrumentalizar o Partido Social Progressista, Nonnato recebeu convite de Neiva Moreira para fazer parte da equipe redacional. No Jornal do Povo não se deu bem e retornou aos quadros dos Diários Associados, onde chefiou a redação de A Pacotilha, mas sem deixar de produzir reportagens e textos teatrais, veiculadas pelas emissoras Timbira e Ribamar.
Em 1956, São Luís recebe a visita da condessa Pereira Carneiro, proprietária do Jornal do Brasil. Masson entrevista-a e ela encanta-se com a sua matéria. Ela convida-o a trabalhar no matutino carioca. Topou a parada e no JB atuou como repórter, pauteiro, editor do Caderno B e correspondente em Brasília até a sua inauguração. Como repórter, fez parte da equipe que cobriu a participação do Brasil na Copa do Mundo, em que se sagrou como campeão na Suécia, bi-campeão no Chile e tri-campeão no México. Também prestou serviços na revista Fatos e Fotos, onde publicou a reportagem “Aventura Sangrenta do Cangaço”, que lhe valeu o Prêmio Esso de Reportagem, em 1961.
Em maio de 1976 casou com a maranhense, de Anajatuba, Maria Elenir, com quem teve cinco filhos. Como desejava que os filhos nascessem em São Luis, retornou às origens, depois de uma bem-sucedida trajetória na imprensa carioca, época em que por ela passaram os maiores ícones do jornalismo brasileiro.
Na volta às plagas maranhenses, em 1977, como o correspondente do Jornal do Brasil em São Luis, o conheci pessoalmente. À época, eu escrevia a coluna política Roda Viva, em O Imparcial. Procurou-me para saber sobre uma crise política deflagrada no governo de João Castelo. Depois dessa conversa, os nossos encontros passaram a ser rotineiros e a amizade entre nós consolidou-se de modo firme e irreversível. Ao aposentar-se do Jornal do Brasil, mostrava-se disposto a abandonar definitivamente a imprensa. Aos poucos, consegui demovê-lo desse propósito e voltou a escrever crônicas no Caderno PH e, a convite de Antônio Carlos Lima, no “Hoje é Dia de”, em o Estado do Maranhão.
Com a morte do médico e membro da Academia Maranhense de Letras, Salomão Fiquene, com o aval de Jomar Moraes, eu, PH e Antônio Carlos Lima fizemos um movimento para levá-lo à Casa de Antônio Lobo. Quebramos a sua resistência e a 24 de janeiro de 1986 ele tomou posse. Seu ingresso na vida acadêmica resultou na preparação de dois livros de crônicas – Inês é morta e Corpo de moça, publicados pelo Sioge.
Por nunca haver exercido atividade na vida pública, recebeu convite de Joaquim Itapary para dirigir o Museu de Artes Gráficas da Secretaria da Cultura. No governo de João Alberto, eu, no exercício do cargo de Secretário da Cultura, o indiquei para integrar o Conselho de Cultura do Estado do Maranhão. Mas o coroamento da vida profissional de Masson deu-se quando José Sarney, na Presidência da República, o nomeou chefe da sucursal da Empresa Brasileira de Notícias.
Com a extinção da EBN, seus problemas de saúde, sobretudo o diabetes, começaram a perturbá-lo, fazendo-o afastar-se de tudo e de todos. A perda parcial da visão e uma fratura do fêmur o impediram de movimentar-se e de ler e escrever. Para tentar recuperar a sua saúde, eu e Jomar conseguimos, pela ação de José Sarney, interná-lo no Hospital Sara, mas como tinha fobia a hospital, abandonou o tratamento e dali fugiu.
Na noite de um sábado, 7 de março de 1998, o filho Elenato telefona-me para avisar que o pai fora internado no Socorrão. No dia seguinte, enquanto eu e Jomar tentávamos transferi-lo para o Hospital Universitário, somos informados de que ele não resistira à gravidade de uma implacável insuficiência respiratória.
Naquele domingo, aos 74 anos, Nonnato Masson cumpria o que havia solenemente proclamado no dia de sua posse na Academia Maranhense de Letras: “Vim para São Luis para morar, viver e até morrer”.

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179 ANOS DO PODER LEGISLATIVO DO MARANHÃO

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Justiça seja feita ao atual presidente da Assembleia Legislativa, deputado Arnaldo Melo. Até antes de sua gestão, vale perguntar, quem sabia o dia da instalação no Maranhão do Poder que faz as leis?
O zelo e a importância que o deputado de Colinas tem dado ao Parlamento do Maranhão, principalmente após ser eleito para presidi-lo, quando se cercou de assessores da qualidade intelectual de Ivan Sarney, fez mudar a imagem da Casa do Povo, permitindo que a sociedade a veja de maneira diferente e com mais brilho e transparência.
Amanhã, pela segunda vez, a Assembleia Legislativa realiza um evento em comemoração à sua instalação no Maranhão, fato que fez completar a presença entre nós de um Poder de grande relevância na estrutura estatal, cuja criação deve-se à iluminada imaginação de Montesquieu, que no século XVIII formulou a famosa e até hoje irrevogável Teoria da Separação dos Poderes.
Feita esta necessária observação, volto as atenções, ainda que resumidamente, para o Poder Legislativo do Maranhão, que hoje completa 179 anos de instalação, efeméride que tem merecido do presidente Arnaldo Melo, desde o ano passado, retumbante e festiva comemoração.
Ao longo desses 179 anos, o Poder Legislativo do Maranhão viveu sob a égide de seis Constituições. Em obediência à Carta Imperial do Brasil, jurada pelo imperador Pedro I em 1823, tivemos aqui um Conselho Geral da Província, inaugurado a 1º de dezembro de 1829, formado por 21 conselheiros e eleitos indiretamente, aos quais cabia discutir e deliberar sobre os negócios públicos, elaborar projetos ajustados às suas localidades e urgências. Funcionava na Sala da Diocese, em frente da atual Praça Benedito Leite.
O Conselho Geral da Província, contudo, teve vida curta. Por conta do chamado Ato Adicional, que veio no bojo da Lei nº 16, de 12 de agosto de 1834, foi extinto e substituído pela Assembleia Legislativa Provincial.
A do Maranhão, instalada a 16 de fevereiro de 1835, compunha-se de 28 membros, eleitos em dois turnos, com mandatos de dois anos e com atribuições de legislar sobre a divisão civil judiciária e eclesiástica, bem como da instrução pública, polícia e economia. Ao longo de sua existência, apenas uma vez a Constituição de 1835 foi alterada: em 26 de julho de 1838, quando da votação da Lei dos Prefeitos, uma das causas da chamada Guerra da Balaiada.
A segunda Constituição maranhense resultou do movimento que destruiu a Monarquia e proclamou a República em 15 de novembro de 1889. De acordo com o novo governo, o Brasil passava a ser uma República Federativa, em que as províncias cederam lugar aos estados-membros, sendo comandados por governadores em vez de presidentes. Também foram extintas as Assembleias Legislativas Provinciais.
Um decreto presidencial determinava a convocação do eleitorado para eleger os deputados com a missão de elaborar a nova Constituição. Em março de 1891, os 30 deputados eleitos apreciaram o projeto da nova Carta Magna do Estado, promulgada a 4 de julho de 1891 e renascida com o nome de Congresso do Estado do Maranhão, com uma composição bicameralista, formada por 20 deputados e 15 senadores, com mandato de dois anos.
O Congresso do Estado ainda dava os seus primeiros passos eis que o marechal Deodoro da Fonseca dissolve o Congresso Nacional e convoca a Nação para eleger novos constituintes e fazerem outra Constituição, haja vista os graves desencontros entre o presidente e o vice, que redundam na renúncia de Deodoro e na assunção ao Poder de Floriano Peixoto.
No Maranhão, uma nova Junta Governativa assume o Governo, dissolve o Congresso do Estado, convoca eleições para que os novos constituintes revisem a nova Constituição do Estado e a promulguem, ato ocorrido em 28 de julho de 1982. Dentre as alterações nela incluídas, a eleição do governador e de três vices, com mandato de quatro anos, o desaparecimento do Senado e cada legislatura teria a duração de três anos.
A terceira Carta Magna do Maranhão aflora depois que o presidente Getúlio Vargas, forçado pela Revolução Constitucionalista de São Paulo, convoca eleições dos constituintes federais para a elaboração da nova Constituição do Brasil, que determinava para 14 de outubro de 1934 a eleição dos constituintes estaduais, realizada, agora, sob os auspícios do Tribunal Regional Eleitoral e não mais do Congresso do Estado.
Em face dos tumultos e das divergências entre os 30 deputados, a Assembleia Constituinte, instalada em 21 de junho de 1935, divide-se. Com duas Constituintes, uma majoritária e minoritária, reuniam-se em lugares diferentes e concluíram os trabalhos em dias também diferentes. Essa confusão levou o Maranhão à balbúrdia e a ter dois governadores e dois presidentes de Assembleia. Os respingos dessa crise chegaram ao Poder Judiciário, fato que fez o presidente da República nomear um interventor federal no Estado. Pacificado e com as coisas em ordem, o Maranhão teve a sua nova Constituição promulgada, mas com curto tempo de vida, pois com a implantação do Estado Novo, o interventor Paulo Ramos a derrogou e fechou as portas da Assembleia Legislativa
A quarta Constituição do Maranhão chegou com o fim do Estado Novo e a deposição de Getúlio Vargas, em 1945. As forças democráticas convocam o povo para a eleição dos constituintes para a preparação da nova Carta Magna do País, depois de quinze anos sob o tacão de uma ditadura. Após sua promulgação é marcada a eleição dos deputados estaduais para a elaboração da Constituição do Maranhão. Instalada a 7 de abril de abril, sob a presidência do deputado João Pires Ferreira, a Constituinte conclui os seus trabalhos sem maiores problemas e a promulgou em 28 de julho de 1947.
Durante a vigência desta Carta Constitucional, em torno de 45 anos, a Assembleia Legislativa do Maranhão viveu reiterados momentos de tensão e conflito. Pode-se dizer que foi o período o mais conturbado da política maranhense, pois compreende a época do vitorinismo, em que governistas e oposicionistas se enfrentavam no plenário da Assembleia com garra e astúcia.
A quinta Constituição do Maranhão, considerada ilegítima, ilegal e arbitrária, instalou-se a 12 de abril de 1967, quando o governador José Sarney convoca a Assembleia Legislativa para apreciar e votar o projeto preparado por uma comissão de juristas, que ajustou a Constituição de 1947 aos ditames dos Atos Institucionais decretados pelo regime militar. A promulgação dessa canhestra Constituição ocorreu a 13 de maio de 1967, em sessão presidida pelo deputado Manoel Gomes.
Para fechar o ciclo das Constituições maranhenses, a atual, promulgada em 5 de outubro de 1989, germinou-se por conta da Nova República, que promoveu várias reformas no País, dentre elas a convocação da Assembleia Nacional Constituinte, por iniciativa do presidente José Sarney e instalada em 1º de fevereiro de 1987.
A Constituinte maranhense instalou-se em 1º de fevereiro de 1989, pelo deputado Ivar Saldanha. Ao contrário da de 1967, a de 1989 foi extremamente democrática e seguiu todos os ritos previstos na legislação, e teve, ainda, a participação integral da sociedade civil, que enviava suas contribuições e sugestões às Comissões Temáticas de onde eram encaminhadas à Comissão de Sistematização que as analisava e, se pertinentes, incluíam-nas no projeto da Constituição. De todas, foi a mais extensa, com 276 artigos.

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O PRIMO NONATO

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Um dos primeiros árabes chegados a Itapecuru, no final do século XIX, estava o libanês Chafi Buzar. Deixou a sua pátria para fugir das perseguições que os turcos moviam contra os povos árabes, com vistas à consolidação do Império Otomano.
Chafi Buzar, como todo árabe, entrou no Brasil clandestinamente e à procura de um palmo de terra para se alojar, ganhar a vida e construir família. Chegou como mascate e querendo conquistar um lugar ao sol numa cidade pobre, mas que o recebeu de braços abertos.
Gostou tanto de Itapecuru, que em pouco tempo virou próspero comerciante, casou com a codoense Raimunda Saads (Sinhá), e convenceu o primo João Buzar, meu avô, que morava no Líbano, a vir para a cidade que conquistara o seu coração.
Com Sinhá, Chafi teve cinco filhos: Ribamar, Jamil, Ádma, Maria do Perpétuo (Petinha) e Raimundo Nonato, em homenagem a São Raimundo dos Mulundus.
O mais novo dos filhos, Natinho Buzar, estudou as primeiras letras em Itapecuru. Na infância já mostrava vocação para a arte musical, sendo o violão o instrumento que o fascinava. Aprendeu a manuseá-lo com Djalma Bandeira de Melo, itapecuruense como ele. Os dois passavam o dia dedilhando o instrumento de cordas. Era com Djalma e os colegas de infância, Ribamar Fiquene, José Bento Neves, Betinho Costa, José Fonseca, Jurandir Pereira e Nonato Araújo, que Natinho Buzar varava as noites itapecuruenses em longas serenatas e à cata de namoradas.
Como em Itapecuru, àquele tempo, não contava com ensino ginasial, o pai mandou o filho para São Luis e o internou na antiga Escola Técnica Federal do Maranhão, onde ficava mais tempo dedilhando o violão do que propriamente estudando.
No começo dos anos 1950, Natinho toma uma decisão corajosa: viaja para o Rio de Janeiro, com o objetivo de dar continuidade aos estudos, mas pensando em trabalhar e aprimorar-se na técnica musical, tendo o violão como companheiro inseparável.
Obstinado e determinado, deixa de lado o Raimundo e o Natinho e vira Nonato Buzar, nome com o qual, pelo seu brilhantismo na manipulação das cordas do violão, chama a atenção dos músicos que trabalhavam nas noites cariocas.
Por conta disso, recebe convite para tocar em boates e barzinhos, onde acompanhava os cantores que ali se apresentavam. Torna-se conhecido, sobretudo, porque também compunha e cantava, embora sua voz não tivesse grande extensão vocal.
Suas produções musicais chegam ao conhecimento de Carlos Imperial, um dos reis da noite carioca e com ele faz parceria e cria o movimento conhecido por Pilantragem, que durante algum tempo dominou o cenário musical do país e revelou um cantor que foi sucesso na mídia e venda de discos: Wilson Simonal, que gravou as músicas Vesti Azul, Carango e outras, que levaram meses nas paradas.
A Pilantragem era o passaporte que Nonato precisava para se projetar nacionalmente e ingressar no mundo da discografia e da produção musical. Gravadoras conceituadas, como a RCA Vitor e a Polygram, o contratam para a edição de discos de cantores renomados e que faziam enorme sucesso nas emissoras de rádio e televisão.
Sua projeção foi de tal modo retumbante que entrou na mira da TV Globo, que o contratou para ser diretor musical de telenovelas, duas das quais – Verão Vermelho e Irmãos Coragem alcançaram espetacular sucesso como temas de abertura dos folhetins.
No auge do sucesso e da popularidade, gravou vários elepês, em que cantava suas próprias criações musicais. Nessa época, deu um grande salto em sua carreira de compositor e cantor: trocou o Brasil pela Europa, instalando-se Paris com o propósito de divulgar a música popular brasileira, da qual era um de seus expoentes.
Ao retornar do exterior, o cenário musical brasileiro era outro. Paga um preço alto por ficar fora muito tempo do país, onde o sucesso é efêmero e vive em função das empresas gravadoras e midiáticas. As portas já não se abrem mais facilmente como outrora, mas ele não deixa de compor e fazer shows pelo Brasil afora.
Ao longo de sua vida artística, fez parcerias com dezenas de monstros sagrados da música popular brasileira, dentre os quais João Nogueira, Rosinha de Valença, Sílvio César e Chico Anísio. Com este, no meu modo de ver, fez a sua bela criação musical: Rio Antigo, gravada maravilhosamente por Alcione.
Na pauta de suas composições, o Maranhão não era esquecido, tanto que criou canções com o nome de Olho D’Àgua, Desobriga, Sinhazinha e uma dedicada especialmente a Roseana Sarney.
De sua terra natal, Itapecuru, nunca olvidou. Todas as vezes que vinha a São Luis para compromissos artísticos, não deixava de visitá-la para rememorar os anos de infância ali vividos com os pais e os irmãos.
Os sobrinhos e primos de Nonato cumpriram o que ele sempre desejou em vida: vir do Rio de Janeiro e ser enterrado na cidade onde nasceu.

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LEI ANTICORRUPÇÃO

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Os empresários maranhenses estão preocupados com as repercussões da Lei Anticorrupção, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pela presidente da República, Dilma Roussef.
Como a lei vai valer nas eleições deste ano, o empresariado, especialmente aquele que costuma ajudar os candidatos às eleições majoritárias e proporcionais, quer saber detalhadamente sobre as pegadinhas da legislação.
Com esse objetivo, pretendem se reunir, primeiro com advogados, depois com políticos, para uma avaliação sobre o repasse de recursos aos postulantes aos cargos eletivos, sem o risco de serem penalizados por infrações a uma lei que pretende fazer com que as eleições no Brasil sejam mais limpas.
PRÉDIO DA EDUCAÇÃO
Sem negligenciar os grandes problemas do sistema educacional no Maranhão, um incomodava sobremodo o secretário de Educação, Pedro Fernandes: a quantidade de prédios que o Governo do Estado paga para abrigar as diversas repartições do órgão que dirige.
São 19 imóveis espalhados em toda a cidade, quase todos inadequados ou incompatíveis ao cumprimento das atividades e ações exigidas pela máquina educacional.
Pensando minorar esse grave problema, que se arrasta ao longo do tempo, Pedro Fernandes correu atrás de um prédio em condições físicas de alojar grande parte das repartições da Secretaria de Educação.
Afinal, encontrou o imóvel sonhado: o ex-Hotel São Francisco, construído pelo saudoso hoteleiro Moacir Neves. Para ele, após ampla restauração e adaptação, serão transferidas 15 repartições da SECMA, fato que livrará o Estado de uma onerosa despesa.
WIILIAM NAGEM
O Maranhão perdeu um de seus grandes empresários: William Nagem, que há anos sofria de uma doença degenerativa, que o tirou das várias atividades produtivas que abraçara.
Ele, Alberto Abdala, Jorge Mendes, Carlos Gaspar, Luiz Alfredo Neto Guterres e outros lutaram incansavelmente para a Federação das Indústrias do Maranhão, em 1968, recuperar a sua Carta Sindical, cassada em 1964 pelo regime militar.
Pela sua atuação empresarial, conquistou incontestável liderança no meio produtivo maranhense, mas ser desejar ser presidente da Federação das Indústrias ou da Associação Comercial do Maranhão. Gostava de ficar na retaguarda.
ANOTEM O NOME
Os candidatos à Câmara Federal anotem esse nome: Márcio Coutinho.
Poderá ser um dos candidatos mais fortes às eleições deste ano, especialmente se a deputada Nice Lobão não postular a reeleição.
Se isso acontecer, Márcio Coutinho será o candidato que o ministro Edison Lobão e o senador Lobão Filho vão apoiar à Câmara de Deputados.
BRIGA DE MULHERES
Não é à toa que José Almir Neves Tavares da Silva diz que o Maranhão é o estado da Federação que difere dos outros.
Eis mais um caso para reforçar a tese de Zé Almir: enquanto os presos dentro da Penitenciária de Pedrinhas brigam entre si, as mulheres dos sentenciados brigam do lado de fora por causa deles.
BEIJO GAY
A novela “Amor à Vida” está fora do ar há mais de 15 dias, mas a cena do beijo entre os personagens Felix e Nico continua na ordem do dia e gerando discussões frenéticas.
Pelo que ouvi, as opiniões continuam divididas. Enquanto os moralistas e preconceituosos acham que a cena foi despropositada e acintosa aos bons costumes, os liberais defendem ardorosamente aquele gesto cênico, tão comum nos dias correntes e já visto em todas as cidades do país.
A propósito: ninguém se espante de ver neste carnaval cenas iguais ou mais avançadas entre gays nos bailes e nas brincadeiras de ruas de São Luis.
Em tempo: a cena final da novela, a da conciliação entre o pai, César, e o filho, Felix, indiscutivelmente foi a mais bonita e terna da história da televisão brasileira.
LINO OPERADO
Mais um membro da Academia Maranhense de Letras acaba de passar por uma cirurgia cardiológica.
Agora foi Lino Moreira, que já saiu de São Luis com este diagnóstico, mas confirmado pelo competente cardiologista maranhense, José Eduardo Moraes Rego.
A cirurgia realizou-se no Hospital do Coração, em São Paulo, e Lino, que estava com quatro artérias obstruídas, encontra-se em plena recuperação, com o seu coração revigorado por duas safenas e duas mamárias.
ANIVERSÁRIO DE CELSO
Celso Rocha, uma das figuras humanas mais conhecidas e bem humoradas da cidade, mudou de idade e sempre que isso acontece é festivamente comemorada.
Uma bacalhoada, preparada pelo próprio aniversariante, um especialista no ramo da culinária, foi oferecida aos que fazem parte de sua relação de amizade.
Celso completou 78 anos, mas vive em boa forma física e técnica.
SUSTO EM ITAPECURU
As primeiras notícias chegadas a Itapecuru a respeito do falecimento de Nonato Buzar deixaram a cidade assustada e pesarosa.
Rapidamente a noticia espalhou-se e dava conta de que o falecido era o jornalista Benedito Buzar.
Os telefones da casa de pseudo falecido só pararam de tocar quando tudo foi esclarecido. Algumas lojas em Itapecuru, onde Buzar é super querido e estimado, chegaram a fechar as portas e as emissoras de rádio encerraram a programação.
SHOW OPINIÃO
Quem não assistiu ao show Opinião, que tanto sucesso fez no Rio de Janeiro, há 50 anos, se quiser, poderá vê-lo novamente nesta temporada teatral.
O espetáculo musical, com a participação dos cantores Zé Keti, Nara Leão e João do Vale, considerado o primeiro libelo contra o regime militar de 1964, voltará ao cartaz no Teatro de Arena, onde foi apresentado originalmente.
Foi nesse show, com direção de Augusto Boal e texto de Oduvaldo Viana Filho, Paulo Pontes e Armando Costa, que o compositor maranhense João do Vale se tornou nacionalmente com a música Carcará, de sua autoria.
HONORIS CAUSA
Outro imortal da Academia Maranhense de Letras receberá na segunda quinzena de abril o título de Doutor Honoris Causa, outorgado pela Universidade Estadual do Maranhão.
Desta feita, o professor Antônio Martins de Araújo, presidente da Academia Brasileira de Filologia, com sede no Rio de Janeiro.
O homenageado receberá a outorga em solenidade na Casa de Antônio Lobo. Na mesma noite, os acadêmicos Jomar Moraes e Marialva Montalverne Frota também serão agraciados pela Uema. O primeiro, com a Medalha do Mérito Gomes de Sousa; o segundo, com o Título de Professor Emérito.
SEM CHORO, COM VELA E MÚSICA
A cidade de Itapecuru assistiu, na tarde de terça-feira, uma solenidade fúnebre inédita. Em vez de choro, mas com vela e música, o sepultamento do cantor e compositor Nonato Buzar, que antes de morrer pediu para ser enterrado em sua terra natal.
A cantoria, à base de músicas do falecido, teve como maestros os compositores e parceiros de Nonato, Gerude e Nosli, que, emocionados, participaram do velório ao lado dos parentes e conterrâneos do morto.
Os itapecuruenses atribuíram a Nonato um milagre na hora de seu enterro. Um violento temporal que ameaçava desabar sobre a cidade não caiu. Também uma bandeira do Fluminense, time do coração do falecido, surgiu de repente no velório e com ele foi enterrada.
Uma amiga de Nonato, a pró-reitora de Recursos Humanos da Universidade Federal do Maranhão, Maria Eliza Lago Borges, compareceu ao velório e, com a sua bela voz, cantou em homenagem ao falecido a música de sua autoria, Olho D’Água.

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O PRESIDENTE DO STF E O MARANHÃO

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O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, que desfruta da admiração do povo maranhense, certamente ganhará mais prestígio em razão de uma palestra feita por ele, na semana passada, em Londres, na Universidade King’s College London.
Ao se referir sobre a situação das penitenciárias brasileiras, além de taxá-las de infernos, disse que os presos são de responsabilidade dos estados e que o papel do governo federal é de pequena monta.
Sobre os problemas recentemente ocorridos em São Luis disse com muita propriedade: “As penitenciárias e os presos são questões que os políticos brasileiros dão pouca importância porque não têm retorno eleitoral”. E completou sabiamente: “O problema carcerário não é apenas do Maranhão, mas de todo o país”.
PREJUÍZO AO TURISMO
Vejam como o problema da penitenciária e dos presos de Pedrinhas, explorado maldosamente pela mídia do sudeste brasileiro, acarretou prejuízos incalculáveis ao turismo maranhense.
Chegou às mãos do secretário de Turismo, Jura Filho, uma correspondência do empresariado hoteleiro de São Luis, dando conta de que todas as reservas feitas por turistas nacionais e estrangeiros, no mês de janeiro, foram canceladas.
Na próxima reunião do trade turístico nacional, Jura Filho vai denunciar o fato e apontar os malefícios causados ao Maranhão por conta de uma campanha de teor político, com total apoio e cobertura da mídia interessada em prejudicar o turismo no Nordeste.
PEDRAS NO CAMINHO
Os acontecimentos trágicos ocorridos na Penitenciária de Pedrinhas e as denúncias de que a Fonte das Pedras, em São Luis, encontra-se em completo abandono, estão deixando os supersticiosos de orelha em pé.
Não é à toa que os habitantes das cidades de Pedreiras e de Lago da Pedra estão tratando de exorcizar os maus espíritos, principalmente nesta época chuvosa em que o Rio Mearim ameaça invadir as populações ribeirinhas.
DUPLA COMEMORAÇÃO
Antônio Augusto Nogueira Santos (Manga Rosa) e Ana Luíza comemoram, na quinta-feira passada, um duplo acontecimento.
Os cinquenta anos de completa união e felicidade do casal e o aniversário do chefe da família.
Reuniram os familiares e amigos no antigo Expand, onde foi festejado o duplo evento com alegria, descontração, boa música e comida de qualidade.
PRETENSO CANDIDATO
Não é à toa que Joaquim Haickel faz parte da Academia Maranhense de Letras.
Ao receber da Casa Civil do Governo do Estado um comunicado se pretendia ou não ser candidato a algum cargo eletivo nas eleições deste ano, respondeu de forma negativa.
Explicação de Joaquim: – Como pretender é um verbo transitivo, do tipo irregular, que significa ter a intenção de aspirar, desejar, poderei nas proximidades do prazo de desincompatibilização, mudar de opinião e lançar-me candidato.
MÚSICA CARNAVALESCA
O advogado José Carlos Silva Sousa não sabia que a letra de um soneto de sua autoria, depois de musicado para o ritmo carnavalesco, faria tanto sucesso e pode ser uma das marchinhas mais cantadas na folia deste ano em São Luis.
A sua alegria é tão grande que já pensa participar em 2015 do Festival de Música Carnavalesca do Maranhão.
E com várias composições.
PAI E FILHA
Nas próximas eleições de prefeitos, em 2016, o eleitorado do município de Santa Luzia do Paruá terá a oportunidade de votar numa chapa bem harmonizada do ponto de vista familiar.
Os Ayoub, Riod, pai, e Márcia, filha, vão disputar os cargos de prefeito e vice, para atenderem ao clamor popular que pede a volta de Riod à gestão da cidade.
A presença de Márcia na chapa representa o seu ingresso na vida pública e no município de Santa Luzia do Paruá, onde o pai realizou boa administração.
ÉTICA POLÍTICA
Não é por acaso que o senador João Alberto preside a Comissão de Ética do Senado da República.
Desde que lançou o filho para candidato a deputado federal às eleições deste ano, por coerência e ética, deixou de comparecer à sede do PMDB, do qual é o presidente do diretório regional.
Assim procede para ninguém dizer que está usando a máquina do PMDB em benefício do filho.
FLORES NO CARNAVAL
Não sei se as lojas da Rua Grande se prepararam para a grande novidade do carnaval deste ano.
No Rio de Janeiro, aquelas flores coloridas que a personagem Márcia, vivida pela atriz Elizabeth Savala, na novela Amor à Vida, são as grandes atrações da folia e estão vendendo como água.
FORA DA COPA
O setor do turismo nacional lamenta que Gastão Vieira e Flávio Dino não estejam à frente do Ministério do Turismo e da Embratur por ocasião da realização da Copa do Mundo.
Pelo fato de serem candidatos a cargos políticos no Maranhão não estarão nos órgãos que foram sobremodo importantes nos preparativos do campeonato mundial de futebol.
Foram os dois maranhenses que se desdobraram, durante meses a fio, para fazer com o que o governo brasileiro assumisse compromissos de grande monta junto à Fifa.
BOCA TAPADA
Os jogadores, técnicos e dirigentes do futebol inventaram a moda de falar com a boca tapada, para que a imprensa não descubra os que estão dizendo.
Em São Luis, esta moda chegou, mas não vem sendo usada pelos astros da bola.
São os políticos que começaram a falar de boca tapada, mormente quando estão nas proximidades de jornalistas e blogueiros.
CONVERSA POLÍTICA
Um grupo de ex-deputados, que não deseja mais disputar cargos políticos, convidou o senador José Sarney para uma conversa de cunho evidentemente político.
O senador topou e a reunião realizou-se no final da tarde da última quinta-feira, na sede do PMDB, e que, pelo que nela foi tratado, teve um prolongamento inesperado.
Participaram da conversa, que girou em torno de problemas do Maranhão, os ex-deputados Joaquim Haickel, Benedito Buzar, Remi Ribeiro, Eliezer Moreira, Fabiano Vieira da Silva, Enoc Vieira, Jura Filho, Aparício Bandeira e advogado Couto.

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BASTA DE AGRESSÃO

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Há mais de vinte anos, se a memória não me falha, sou assinante da revista Veja, por considerá-la a melhor publicação semanal em circulação no país.
Quando o tempo permite, leio-a, quase sempre, do começo ao fim. Mas se estou envolvido em atividades que consomem o meu cotidiano, abro a revista e passo uma vista d’olhos nos assuntos que interessam e dou-me por satisfeito.
Foi o que aconteceu, na semana passada, com relação à edição 2357- ano 47-nº 4, de 22 de janeiro de 2014, da mencionada revista. Por problemas de tempo, não a li de cabo a rabo. A leitura resumiu-se a poucas páginas. Mas a amiga Maria Tereza Azevedo Neves- que admiro e prezo pela sua inteligência e sensibilidade – alertou-me a respeito de uma desastrosa, infeliz e maldosa nota de Veja, sobremodo ofensiva ao Maranhão, que apesar da campanha que os poderosos meios de comunicação movem contra a nossa terra e nossa gente, ainda cultiva a áurea conquistada no século XIX, pelos grandes vultos legados ao Brasil na área cultural, de ser orgulhosamente a Atenas Brasileira.
A nota registrada na página Blogosfera, com o título Sobre Palavras, trata o Maranhão de maneira depreciativa. Para que os leitores vejam (sem trocadilho) a estupidez que a revista perpetrou contra nós reproduzo integralmente o texto inserido naquela malfadada edição: “Não se sabe ao certo se o nome do estado que a família Sarney governa há décadas – nome herdado da Capitania do Maranhão, assim batizada em 1553 – tem alguma relação com a palavra maranha, existente em português desde o século XIV e encontrada também em castelhano (maraña). Seja como for, é curioso que maranha, o hoje pouco empregado substantivo comum, tenha uma série de sentidos que giram em torno da idéia de confusão, coisa intricada, embaraçada, enrolada, ardilosa. Dele – um termo de origem também obscura, provavelmente pré-romântica – derivamos palavras de uso corrente como emaranhar e emaranhado”. “Também da mesma fonte brotou o substantivo comum maranhão, mentira engenhosa, por meio de idéia de uma maquinação de má-fé, uma trama complicada e ardilosa destinada a enganar os incautos”.
O inolvidável padre Antônio Vieira, nos meados do século XVII, num de seus brilhantes sermões pregados em São Luis, na Quinta Domingo da Quaresma em 1654, usou a palavra maranha para mostrar que a ociosidade e a mentira marcavam as terras colonizadas por Portugal. Mas o sermão foi proferido num contexto histórico que nada tem a ver com a situação vigente e numa época em que os habitantes do Maranhão eram índios e colonos portugueses. A intenção de Vieira, portanto, naquela sua catilinária, foi hostilizar os próprios compatriotas e não o povo maranhense, o qual, segundo o Dicionário Político, de Norberto Bobbio, povo, como classe social, só existe “quando está integrado, urbanizado e fazendo parte do Estado”.
Voltando ao texto de Veja, tudo leva a crer que a editoria de Blogosfera aproveitou-se da semântica para usar e dar à palavra maranha uma conotação política, exclusivamente com o fito de nos destratar e menosprezar.
Como no Brasil não há censura à imprensa, o jornalista tem o direito de dizer o que pensa. Se ele tem esse direito, qualquer um de nós também tem a prerrogativa de contestá-lo. Por isso, eu, na condição de membro da AML e de cidadão maranhense, não aceito que tão acintoso despautério seja arremessado contra um Estado que merece mais respeito, razão pelo qual manifesto o meu repúdio a um comentário cujo objetivo é o de nos humilhar perante o país. Aceitar aquele duro golpe sem esboçar a menor reação, seria silenciar diante de tamanho achincalhe.
Se alguém pensa que a agressão de Veja foi contra a família Sarney está redondamente enganado. Ela foi citada na matéria apenas para servir de biombo a um vilipendioso ataque à dignidade do povo maranhense, ao qual, com base no “substantivo maranhão” foi atribuído a fama de mentiroso, ardiloso e enrolado.
Cumprida a obrigação de contestar e repudiar conceitos desairosos contra o Maranhão, ainda que esse posicionamento possa parecer uma luta de Davi contra Golias, tomei também uma providência coerente e desprovida de qualquer conotação demagógica ou quixotesca: autorizei a direção de Veja a não enviar mais para o meu endereço nenhuma edição da revista, cuja assinatura relativa ao ano corrente está devidamente paga.
Com isto, dou por encerrado um convívio de mais de vinte anos com Veja. Lamento que este convívio tenha assim terminado, mas foi o modo que encontrei para ficar de bem com a minha consciência e por ter nascido nesta terra abençoada por Deus e bonita por natureza.

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