A INESQUECÍVEL FACULDADE DE DIREITO

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A minha vida estudantil teve início  na cidade de Itapecuru-Mirim, onde fiz todo o curso primário, no Grupo Escolar Gomes de Sousa. Em 1950, vim estudar em São Luís, no Colégio dos Irmãos Maristas, no qual ingressei mediante exame de admissão.

Nos Maristas, estudei três anos, um dos quais em regime de internato. Em 1953, fui transferido para o Liceu Maranhense, onde cursei o ginásio e o científico e vivi venturosos tempos, advindos da qualidade do ensino  ali ministrado e de seus formidáveis corpos docente e discente.

Com o diploma do curso secundário em mãos, em 1958, parti para o Rio de Janeiro, com o objetivo de ingressar na vida universitária. Pensei na carreira de Medicina, mas mudei de rota e fui parar na Universidade Rural, logrando sucesso no vestibular de Agronomia.

Naquela Universidade, fiquei pouco tempo, face à incompatibilidade com as matérias do curso, quase todas impregnadas de números, com os quais não tinha intimidade e os rejeitava em favor das letras.

Livre da Universidade Rural, decidi correr atrás de uma alternativa, que me assegurasse um futuro promissor. Por isso, não hesitei quanto ao meu retorno ao Maranhão, o que aconteceu no final de 1961, para realizar dois projetos. Primeiro, preparar-me para ingressar na Faculdade de Direito, que funcionava na Rua do Sol. Segundo, convencer o meu pai, Abdala Buzar, então prefeito de Itapecuru, a concordar e bancar a minha candidatura a deputado estadual, pois, no Rio de Janeiro, fui seduzido, de corpo e alma, pela política.

Dois meses de estudo, em que mergulhei a fundo no programa do vestibular, foram suficientes para habilitar-me ao exame, que me conduziu à Faculdade de Direito, graças ao meu empenho pessoal e das aulas ministradas pelo meu saudoso e querido amigo, José Mário Santos.

Naqueles idos, só existiam duas escolas de nível superior no Maranhão: a Faculdade de Direito e a Faculdade de Farmácia e Odontologia, bancadas pelo Governo Federal. Nelas se ingressavam sem enfrentar as gigantescas concorrências dos tempos correntes. No meu vestibular, por exemplo, menos de cinquenta candidatos participaram das provas escritas e orais de Português, Latim, Inglês ou Francês. A prova mais temida, a de Português, se dividia em literatura e gramática. Para ultrapassá-las, a necessidade de ser examinado oralmente pelos implacáveis professores, Pedro Neiva de Santana e Fernando dos Reis Perdigão.

Como as provas eram rigorosamente corrigidas pelos professores da própria Faculdade, o resultado do vestibular demorava um pouco para chegar ao conhecimento público, após o que os aprovados eram  festivamente recebidos pelos veteranos, os quais  exigiam dos calouros apenas uma tarefa: a participação no tradicional trote, brincadeira jocosa, que consistia em desfilar pelas principais ruas da cidade, com cartazes de críticas aos políticos e ocupantes de cargos públicos.

O curso destinado a formar bacharéis em Direito durava cinco anos e não obedecia ao formato de seriado. Cada disciplina era dada do começo ao final do ano letivo.

Quando ingressei na Faculdade de Direito de São Luís, a instituição tinha 44 anos de vida e estava sob a direção do professor João Hermógenes Matos, que comandava um   corpo docente, repleto de figuras humanas respeitadas e de profissionais conceituados e concursados,  do nível de  Fernando Perdigão, Pedro Neiva de Santana, José Maria Ramos Martins,  Orlando Leite, Antenor Bogéa, Tácito Caldas, José de Ribamar Oliveira, Domingos Vieira Filho, Clodoaldo Cardoso, Helena Caldas, Mário Santos, Doroteu Soares, Antônio José Cordeiro, João Inácio de Sousa, Virgílio Domingues, Wady Sauaia, José Joaquim da Serra Costa e Maria Bogéa Rodrigues.

Não posso terminar essa apologia à Faculdade de Direito sem destacar uma prática criada naquela instituição, que repercutiu nacionalmente: a presença do  Parlamento-Escola, integrado por acadêmicos, eleitos como representantes das turmas, que se reuniam para discutir assuntos e problemas nacionais em evidência.

LULA DE LÁ E LULA DE CÁ

Dois Lulas, um nacional e outro estadual, dominam, na atualidade, o noticiário dos meios de comunicação daqui e alhures.

O Lula nacional, pelo seu confinamento nas dependências da Polícia Federal, em Curitiba, para cumprir (?) doze anos de prisão, pelos danos causados ao País, no exercício da Presidência da República.

O Lula estadual,  titular da Secretaria de Saúde do Maranhão, órgão que a Polícia Federal investiga, para apurar  os desmandos ali praticados no processo de licitação.

SARNEY E CAFETEIRA

Não é nada original o fato de Luís Inácio da Silva haver incluído o nome Lula ao seu sobrenome.

No Maranhão, bem antes de Lula, dois renomados políticos, tomaram semelhante  inciativa: José de Ribamar Araújo Costa e Afonso Pereira.

Um, colocou o nome do pai, Sarney, no seu sobrenome, que o tornou famoso, como político e escritor, em todo o País.

O outro juntou ao sobrenome o apelido Cafeteira, conquistado na juventude.

BIBLIOTECA JURÍDICA

O advogado José Carlos Sousa Silva tomou uma decisão, que o enobrece como advogado e professor universitário.

Manifestou a Mauro Fecury  o desejo de doar a sua rica biblioteca jurídica  ao UniCeuma.

Com mais de cinco mil títulos, de consagrados autores nacionais e estrangeiros, a biblioteca de Zé Carlos ajudará os alunos do curso de Direito do UniCeuma  a enriquecer seus conhecimentos jurídicos e políticos.

SEM LENÇO E SEM DOCUMENTO

Em cumprimento à legislação eleitoral, que manda os ocupantes de cargos públicos a se desincompatibilizarem, para concorrerem às eleições de outubro vindouro, a equipe do governador Flávio Dino sofreu grande reviravolta.

Dez membros do primeiro escalão do governo deixaram os cargos que exerciam, para não se tornarem inelegíveis.

Se os ex-secretários, salvo poucas e honrosas exceções, não deixaram marcas de sua atuação, o que dizer dos nomeados recentemente, a respeito dos quais são ignorados os serviços e os trabalhos que prestaram à população.

BOLSOMAURA

Os apoiadores da pré-candidata a governadora, Maura Jorge, já encontraram um neologismo para dar mais visibilidade, no Maranhão, ao deputado Jair Bolsonaro, pré-candidato a Presidente da República.

Aqui, ele será chamado de Bolsomaura.

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CENTENÁRIO DE PEDRO BRAGA FILHO

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O médico, escritor e político, Pedro Braga Filho, nascido em Barra do Corda,  a 16 de abril de 1918, se não tivesse falecido em São Luís, a 30 de dezembro de 1978,  teria completado, este ano, cem anos de vida.

Este ilustre maranhense, que fez parte de uma extraordinária galeria de políticos, representou o Maranhão no Congresso Nacional, nos anos 1950 e 1960, com altivez, competência e dignidade.

Além de Pedro Braga, pontificaram naquela galeria, políticos jovens e talentosos como José Sarney, Renato  Archer, Cid Carvalho, Neiva Moreira, Afonso Matos, Newton Bello, Miguel Bahury e Antônio Dino, que ao lado de deputados mais experientes, a exemplo, de Clodomir Millet, Lino Machado, Antenor Bogéa, Hugo da Cunha Machado, Aluízio de Lima Campos, Alfredo Duailibe, Alarico Pacheco, Antônio Costa Rodrigues, formaram uma bancada parlamentar de alto gabarito, a despeito das divergências pessoais e partidárias.

De Pedro Braga, pode-se dizer que, depois de estudar o primário e o secundário, em São Luís, no Ateneu Teixeira Mendes e no Liceu Maranhense, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ingressou, após submeter-se a rigoroso exame de habilitação, na Faculdade Nacional de Medicina, da Universidade do Brasil, pela qual se diplomou médico em 1945.

Formado, exerceu a profissão com brilhantismo, no Rio de Janeiro, São Luís e Brasília, ocupando  relevantes cargos públicos. Como médico do quadro permanente do Ministério da Saúde, trabalhou, em São Luís, no Serviço de Assistência ao Menor, na Clínica Pediátrica do Hospital Infantil, no Hospital Nina Rodrigues, e na Legião Brasileira de Assistência. Em Brasília, chefiou a Fundação Hospitalar do Distrito Federal e o Departamento de Fiscalização da Secretaria de Saúde.

Em todos esses cargos e funções, marcou presença como cidadão probo, capaz e íntegro, daí porque recebeu convite para ingressar na atividade política. Pelas mãos do senador Vitorino Freire, filiou-se ao Partido Social  Trabalhista, pelo qual candidatou-se em 1950 a deputado estadual, mas a fraude eleitoral impediu que se elegesse.

Em 1954, volta a candidatar-se, desta feita, a deputado federal, pelo PSD, partido que Vitorino arrebatara de Genésio Rego. Pedro Braga fica na suplência, mas é convocado para o exercício do mandato parlamentar, onde atua com desembaraço e dedicação à causa pública.

Nas eleições de 1958, muda de posição política e tenta se eleger deputado federal, pela legenda da UDN, de oposição ao sistema político que dominava o Maranhão. Mais uma vez não se elege, mas ganha cacife político para, no pleito de 1962, eleger-se deputado federal. Pela marcante atuação em defesa das reformas de base, transfere-se para o PTB, sendo um de seus vice-líderes na Câmara Federal.

Em 1965, com o Brasil sob o tacão do regime militar, ocorre o processo da sucessão do governador Newton Bello. O PTB maranhense oferece a legenda ao deputado Renato Archer, impedido de ser candidato pelo PSD. Para compor a chapa com Renato, o PTB indica Pedro Braga candidato a vice-governador, mas quem vence as eleições é o candidato oposicionista, José Sarney.

Com a extinção dos partidos políticos, pelo Ato Institucional, filia-se ao Movimento Democrático Brasileiro – MDB, de oposição ao governo que dominava o país, sob cuja legenda concorre às eleições proporcionais de 1966, mas sem êxito. Antes de acabar o seu mandato, profere um discurso de grande repercussão nacional, ao protestar contra a desmoralização do Congresso Nacional, que, por covardia e medo, agachava-se aos ditames dos detentores do poder.

Do ponto de vista cultural, antes de ingressar na vida política, Pedro Braga mostrava, também, pendores para a atividade jornalística, com atuação nos jornais O Norte, de Barra do Corda, e no Diário da Manhã, de São Luís,  fato que chamou a atenção dos membros da Academia Maranhense de Letras, que o convidaram para dela fazer parte. Em novembro de 1948, elege-se para ocupar a Cadeira nº 39, patroneada por Gomes de Castro, e empossado a 16 de dezembro de 1948, sendo recepcionado pelo acadêmico e cientista, Aquiles Lisboa. Sua produção intelectual foi praticamente voltada para o mundo científico.

Com a esposa Corina Desirée da Costa Braga teve dois filhos.

EXPECTATIVA NO TCE

Em decorrência da nomeação para membro do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão, o conselheiro Washington Oliveira abandonou a militância como dirigente do PT.

Ainda que afastado das lides políticas e sindicais, a admiração que ele devota a Lula, jamais arrefeceu e permanece inalterada como nos velhos tempos.

Pela história de vida que construiu no PT e pela trajetória de luta sindical ao lado de Lula, Washington deverá incluir o nome de seu ídolo no seu sobrenome.

ELEIÇÃO NA AML

Está marcada para 17 de maio vindouro a eleição na Academia Maranhense de Letras, para indicar o candidato que ocupará o lugar do saudoso poeta Manoel Lopes, falecido no ano passado.

Concorrem à Cadeira 18, patroneada por Sousândrade, os intelectuais  Salgado Maranhão, Elsior Coutinho e Herbert de Jesus Santos.

MAURA E BOLSONARO

Dos pré-candidatos às eleições de governador do Maranhão, até agora, o mais beneficiado com apoio dos potenciais postulantes ao cargo de presidente da República, é Maura Jorge.

Essa injeção de votos deve chegar a ela através do candidato da extrema direita, Jair Bolsonaro, que, com a saída de Lula do processo sucessório nacional, teve a sua candidatura inflada.

NAUFRÁGIO DO TITANIC

No dia 16 de abril de 1912, há 106 anos, o mundo tomava conhecimento do pavoroso naufrágio do navio Titanic, nas águas geladas do Atlântico Norte.

No Maranhão, O Martelo, um jornal mensal, de distribuição gratuita e de propaganda da Farmácia Marques, deu esta informação sobre o naufrágio do Titanic: “O Senado dos Estados Unidos, em sessão de 21 de abril, ou seja, cinco dias depois da catástrofe, aprovou um projeto que manda elaborar um regulamento completo da navegação marítima, e designou uma comissão de inquérito, composta de senadores, para se entenderem com os diretores da companhia proprietária do Titanic”.

Ao finalizar a matéria, o jornal literalmente bateu o martelo: “Isso é que é um país.”

AMIGOS DE SARNEY

Os que compareceram ao restaurante Ferreira Gril, nesta sexta-feira, foram surpreendidos com a presença de uma figura emblemática da vida política nacional.

Tratava-se do ex-presidente da República, José Sarney, que, em São Luís, não tem o costume de frequentar  casas de pastos, mas ali se encontrava para atender ao convite irrecusável de amigos.

Na mesa, com Sarney, este colunista, Mauro Fecury, Remi Ribeiro, Aparício Bandeira, Eliézer Moreira, José Jorge Leite, Jura Filho, Coronel Vieira, Francisco Leda, Joaquim Haickel, Nan Sousa e Fabiano Vieira da Silva.

Ao final do almoço, um brinde pelo aniversário do homenageado, que ocorre nesta quarta-feira.

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GALOPE Á BEIRA-MAR DE SARNEY

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Com mais de cinquenta anos de vida pública, José Sarney viveu, viu e acompanhou grande parte de atos, fatos, eventos, acontecimentos e episódios transcorridos neste país, sobretudo no Maranhão, Rio de Janeiro, Brasília e Amapá, espaços físicos nos quais teve atuação e brilhou como representante do povo, no exercício de cargos de deputado federal, governador senador, vice e presidente da República.

Ao longo desse tempo, ele, também, como ator e testemunha da cena política brasileira, teve o cuidado de guardar preciosos documentos históricos e de retê-los em sua privilegiada memória, para quando abandonasse a vida pública, aproveitasse aquele farto e primoroso material e o reunisse sob o formato de livro.

Este livro, com o nome de Galope à Beira-Mar, foge à regra dos outros da lavra do escritor José Sarney. Se nos anteriores, ele se arrimava no romance, no conto e na crônica, para expressar o seu talento criativo, neste, sustenta-se na realidade factual para mostrar, em pinceladas bem vivas, uma miríade de lances e desabafos, alguns pitorescos, outros curiosos, mas, todos interessantes, pois, protagonizados por figuras humanas de variados matizes políticos, partidários e ideológicos.

Eu tive o privilégio de ver este livro ainda na sua forma embrionária, quando Sarney começava a selecionar os casos, acasos e causos armazenados em sua memória. Ao lê-los, não tive nenhuma dúvida de que aquele material, depois de formatado e publicado, resultaria num sucesso editorial, pelo conteúdo do trabalho e pelo talento e sagacidade do autor, cuja arte de escrever está acima de qualquer cogitação intelectual.

Na sua recente vinda a São Luís, Sarney trouxe alguns exemplares do livro Galope à Beira-Mar. Um deles foi a mim oferecido com esta carinhosa dedicatória: “Ao querido e dedicado amigo Benedito Buzar, com a estima e o agradecimento pela sua constante assistência e minha admiração pela sua criatura, talento e competência, além das virtudes morais e intelectuais.”

Para o leitor ter noção do conteúdo do livro de Sarney, transcrevo abaixo alguns casos registrados pelo autor, mas de maneira resumida.

LACERDA E BAHURY

Na revolta de Aragarças, em 1955,  foi sequestrado um avião da Panair, a bordo do qual estava o senador Remy Archer.

Na Câmara dos Deputados, o deputado Carlos Lacerda usa a tribuna para condenar o gesto golpista, cujo alvo era a deposição do presidente Juscelino Kubitscheck por um grupo de oficiais da Aeronáutica.

O deputado Miguel Bahury, por não acreditar na palavra de Lacerda, diz em aparte que se alguma coisa acontecesse a Remy Archer, ele seria responsabilizado criminalmente.

Retomando a palavra, Lacerda, retruca com violência: – Não sabia que Vossa Excelência era menino de recado. Como agora sei, exijo que o seu aparte seja retirado do meu discurso.

VITORINO E PROFESSORA

Um chefe político do interior do Maranhão pede ao senador Vitorino Freire um emprego para uma correligionária.

Vitorino diz que só podia arranjar para o cargo de professora. Mas ela não tem curso de professora, adiantou o chefe político.

Imediatamente Vitorino deu a solução para o caso. Mandou nomeá-la professora, mas, no dia seguinte, demitiu-a.

JÂNIO NO MARANHÃO

Na campanha eleitoral de 1960, com vistas à sucessão presidencial, o candidato do PSD, marechal Henrique Lott disse em São Luís duas impropriedades, que o deixaram em má situação junto ao eleitorado: que no Maranhão não existia Faculdade de Direito e denominou o rio Itapecuru de Itapicuri.

No comício de Jânio Quadros, dias depois, orientado por José Sarney, o candidato da UDN elogiou os maranhenses por contarem com uma das melhores Faculdades de Direito do Brasil e ainda se deu ao luxo de citar corretamente os nomes dos principais rios do Maranhão.

MAROCA E ROSA CASTRO

Maroca, a rainha do meretrício de São Luís, pediu audiência ao governador José Sarney. Sem maiores delongas, explicou o motivo de sua presença no Palácio: – Estou aqui para me queixar dos prejuízos causados pela professora Rosa Castro aos meus negócios. Ela abriu um curso noturno, em São Luís, com o qual não tenho condições de concorrer.

CHATEAUBRIAND EM PINHEIRO

No centenário da cidade de Pinheiro, o senador Assis Chateaubriand marcou presença, inclusive, como representante do presidente da República, Juscelino Kubitscheck.

Ao entrar na cidade, observou que as árvores estavam todas podadas e com os galhos cortados.

Revoltado com aquele crime contra a natureza, Chatô reprovou publicamente o ato do prefeito, que se defendeu assim: – Doutor, não fique preocupado, pois, no inverno, as árvores vão copular e ficarão todas bonitas.

AVÔ DE SARNEY

José Sarney tinha 22 anos quando se elegeu para a Academia Maranhense de Letras.

Nessa época, o seu avô, o nordestino Assuéro, que morava na cidade de Lima Campos, mandou comprar várias dúzias de foguete para comemorar a proeza do neto.

Uma vizinha de Assuéro quis saber o motivo daquela comemoração e o que era a Academia Maranhense de Letras. Sem pestanejar, respondeu: – Na verdade, não sei explicar, mas sei que é coisa grande.

TANCREDO E A BONECA DE PANO

No auge da tragédia vivida por Tancredo Neves, o vice, José Sarney, no exercício do cargo, é acordado, em plena madrugada, pelo ministro da Justiça, Fernando Lyra, que o comunica da descoberta, pela Polícia Federal, nos arredores de Brasília, de um trabalho de magia negra contra o presidente da República.

Segundo o ministro da Justiça, com a descoberta do despacho – uma boneca de pano cheia de alfinetes – a Polícia Federal, com o auxílio de um pai de santo, acabará o sofrimento de Tancredo Neves.

O COMUNISTA DE CHATEAUBRIAND

Em 1965, na campanha eleitoral para o Governo do Estado, os vitorinistas pediram a Assis Chateaubriand para que o jornal de sua propriedade no Maranhão – O Imparcial – deixasse de dar cobertura política ao candidato das Oposições, José Sarney, por ser comunista.

Em resposta aos governistas maranhenses, Chatô disse por que não poderia atendê-los: – No Brasil, todos têm um comunista pessoal e predileto. No Maranhão, o meu comunista é Sarney.”

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RESPOSTA AO BUZAR

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Na edição de O Estado do Maranhão, de 14 de março passado, tomei a iniciativa de mudar a rotina semanal da minha coluna Roda Viva. Em vez do trivial variado, excepcionalmente, optei por algo que gostava de fazer nos meus primeiros tempos de jornalismo: entrevistar gente.

Com esse desiderato, procurei o deputado José Reinaldo Tavares e o sondei sobre a viabilidade de responder a um questionário de dez perguntas sobre o momento político maranhense e sua posição de candidato ao Senado da República, que se encontrava travada, diante da manifesta resistência do governador Flávio Dino.

A entrevista foi uma bomba e obteve extraordinária repercussão no meio político, sobretudo porque clareava de uma vez por todas o rompimento definitivo entre o governador e o deputado.

Em decorrência do sucesso da entrevista, cheguei à conclusão de que poderia, de vez em quando, mergulhar no fascinante mundo da entrevista, sempre que houvesse oportunidade para esse cometimento e encontrasse gente com algo a dizer sobre algum fato ou problema de interesse da sociedade maranhense.

Essa oportunidade de ouro veio novamente à tona face à presença do ex-presidente da República, José Sarney, em São Luís, ele que, há bom tempo, não concede entrevista à imprensa maranhense, inobstante sua presença semanal, neste jornal, quando emite seus pensamentos e opiniões, sobre assuntos diversos.

Submeti a proposta a Sarney e, como bom democrata, deu-me sinal verde para preparar as perguntas, sem fazer exigência de qualquer natureza quanto ao questionário.

 

1 – Como se sente (politicamente e pessoalmente) após a troca do domicílio eleitoral do Amapá por São Luís

JS – Estou fora da vida partidária. Não tenho mais idade para participar de eleições.   A minha vida, sempre afirmei, tem duas vertentes: a da política e da literatura. A vida inteira dediquei-me a elas. Fui para o Amapá porque o MDB do Maranhão não me deu legenda para concorrer à eleição de senador de 1990. Sou eternamente grato ao Amapá. Acolheu-me e me elegeu senador por três mandatos. Hoje sou um simples eleitor. O comando, aqui, está em mãos de Roseana. Isso não me impede de continuar escrevendo nem de acompanhar e estudar tudo que se escreve sobre política. Afinal, tenho obrigações com o Brasil e seu povo que me escolheu presidente da República e me deu os maiores cargos políticos do país. Sou, hoje, o político mais longevo da história republicana e o decano da Academia Brasileira de Letras.

 

  • O fato de ter o seu domicílio eleitoral no Amapá o incomodava quando explorado politicamente pelos adversários do Maranhão

JS – Não. Incomodava mais no Amapá quando me acusavam de ser um estranho. Recordava então que o Amapá já pertencera -como o Maranhão- ao grande Estado do Maranhão e Grão Pará.

  • Houve algum fato ou ato que o levou a abandonar a atividade política e partidária

JS – Sim. A idade.

  • Mesmo sem mandato político, o Maranhão continua sendo sua vida, sua paixão.

JS – Nunca deixará de ser. Aqui enterrei meu umbigo e pretendo descansar para eternidade.

  • Na sua avaliação, nestes últimos anos, o Maranhão avançou ou regrediu no tocante ao processo de desenvolvimento social e econômico.

JS – Mede-se a grandeza de um país, estado ou região pelo PIB, que é a soma de todos os bens ali produzidos. O Maranhão é o 16º estado do Brasil, à frente de Mato Grosso do Sul, que se encontra na região rica do Brasil. Criou-se o fakenews (mentira) do IDH para dizer que o do Maranhão é inferior a de outros estados. Isso é um engodo e uma mistificação. Volto a repetir: quem confere o progresso de uma região é o PIB, basta ver que em matéria de IDH, o Brasil é o 81º lugar do mundo. Eu, como Presidente, deixei o País em 7º lugar. Essa campanha de IDH foi construída com objetivos eleitorais. Quem paga por isso é o povo do Maranhão, que fica à mercê de propaganda enganosa.

  • No seu juízo de valor, o governo atual traz a marca do passado ou do futuro.

JS – Claro que do passadíssimo. O comunismo é uma ideia velha do século 19 e já morreu. O mundo evoluiu e hoje estamos numa sociedade de comunicação, a dos direitos sociais e coletivos. Quem tem a cabeça, como a minha, pensa em avanços científicos, em novas tecnologias do mundo pós- moderno, visando melhorar avida do povo e alcançar um mundo onde imperem a igualdade e a justiça social. Como dizia Rui Barbosa, sou e estou entre os velhos que são jovens, vendo os que me acusam como velhíssimos.  Já escrevi 142 livros, agora mesmo saiu o último (Galope à Beira-Mar), de estórias e de história. Considero-me um humanista de vanguarda, haja vista as ideias novas que lancei no Brasil, como a Lei de Incentivo à Cultura, que se tornou conhecida por Lei Sarney, que o Collor trocou de nome para Lei Rouanet, bem como a que estabelece cotas para as minorias raciais (negros e índios), e a que proporcionou incentivos aos cientistas brasileiros. O lema “desenvolvimento com justiça social” foi  incluído por mim no movimento de renovação da UDN, chamado “Bossa Nova”. No Maranhão, quando governei o Estado, priorizei o ingresso de novas tecnologias a serviço da educação, através da TV-Educativa e da criação das Faculdades de Administração, Engenharia e Agronomia, núcleo que gerou a Universidade Estadual do Maranhã0, sem esquecer os mecanismos modernos para dar mais agilidade à máquina administrativa e implantar o planejamento, a exemplo da experiência pioneira no Brasil, com respeito à metodologia da computação e do processamento de dados. Se no exercício da atividade política, eu sempre estive voltado para o futuro, com relação aos meus adversários, não posso dizer o mesmo, pois continuam no mundo de um passado tenebroso, marcado por insultos e calúnias.

  • Como será sua participação na campanha de Roseana Sarney nas eleições deste ano para governador.

JS – De pai. Lutando e desejando sua vitória para sairmos do comunismo praticado na Albânia.

  • Com a sua comprovada experiência política, acha que as eleições de governador do Maranhão serão definidas no primeiro ou no segundo turno.

JS – Teremos segundo turno. Trata-se de uma questão aritmética e não de política. No segundo, o governador perde. Ele tem governado sem oposição. A única que existe é ele mesmo, governando desgovernando, andando para trás. Saímos do crescimento para o atraso.

  • Caso haja segundo turno, acha possível a união dos candidatos Roseana, Eduardo Braid e Roberto Rocha em torno de uma luta contra o governador.

JS – Sim. Todos têm um inimigo comum: o governador e o forte ideal de lutar contra o medo, a vingança e a cultura do atraso.

  • Sem os recursos privados nas eleições, como os candidatos que não dispõem da máquina administrativa, vão se comportar.

JS – Como dizia o Brizola, “para combater epidemia e disputar eleição, sempre aparece recurso”. Agora, com o financiamento público, a Justiça Eleitoral deve fiscalizar o desvio de dinheiro público a serviço da politicagem. Nunca no Maranhão se viu o que está se vendo. São escabrosas as histórias que se ouve. No devido tempo isso vai aparecer. Já existe acompanhamento.

 

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NÃO SE FAZEM MAIS PADRES COMO ANTIGAMENTE

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A população brasileira ficou bastante estarrecida e revoltada com o que aconteceu na cidade goiana de Formosa, onde um bispo, quatro padres e um monsenhor foram presos por desviarem recursos provenientes de dízimos, doações e arrecadações dos paroquianos.

Com aqueles recursos, transformados em benefícios próprios, os sacerdotes, como se fossem bandidos comuns, transgrediram, simultaneamente, as normas legais e os paradigmas cristãos.

Por causa de fatos iguais ou semelhantes ao de Formosa,  o povo brasileiro, de uns anos para cá, tem se afastado da religião católica, deixando de marcar presença nos cultos ditados pela  Santa Madre Igreja.

São exemplos nada edificantes como dos padres goianos, que dão margem à perda de prestígio da Igreja católica, conquistado  ao longo dos séculos no mundo inteiro, fato inegável e constatado pelo avanço das seitas evangélicas e similares, que passaram a ocupar os espaços nos quais só tinham vez e voz os representantes do Vaticano.

No Maranhão, no passado e no presente, felizmente, não se tem conhecimento de sacerdotes que ficaram  conhecidos ou execrados pela opinião pública, pelo cometimento de atos tão perniciosos, como os  descobertos pela Polícia de Goiás.

Quando um padre maranhense é alvo de censura da opinião pública ou criticado pelos meios de comunicação, com toda certeza, faz parte daquele grupo clerical que decidiu ingressar na vida política e partidária, elegendo-se para algum cargo eletivo, visando especialmente às prefeituras municipais.

Esses padres, via de regra, são os que ficam sob a mira de comentários depreciativos e nada positivos, sobretudo quando não se comportam com seriedade e honestidade  à frente das comunas ou resolvem abandonar a batina e trocá-la pela vida mundana e desregrada.

Já que estamos nos reportando sobre os padres no Maranhão, não custa lembrar que desde os primórdios da história do Brasil, a relação da política com a Igreja católica tem sido constante e marcante, pois eram os sacerdotes que, através de editais, selecionavam e convocavam os eleitores a votar em suas paróquias.

Esse relacionamento estreito da política com a Igreja católica, em terras maranhenses, sempre foi vista com bons olhos pela população.  O historiador Milson Coutinho, na sua preciosa obra “História da Assembleia Legislativa no Maranhão”, mostra, relaciona e nomina a numerosa quantidade de deputados que a Igreja  elegeu para representá-la no Poder Legislativo, no regime imperial.

No período do governo republicano, os  padres, também,  tiveram expressiva atuação política. Como destaque, os padres Astolfo Serra e Constantino Vieira.

O primeiro, pela sua posição de revolucionário, em 1930, chegou ao posto de interventor federal no Maranhão, mas, no exercício do cargo, cometeu desatinos inomináveis, que resultaram na sua demissão. O segundo, notabilizou-se  na oposição ao governo e por conta disso elegeu-se suplente de senador, mas não assumiu porque renunciou ao cargo.

Só houve um período no Maranhão (1952 a 1962), em que os padres, por ordem expressa e rigorosa do arcebispo, dom José Delgado, deixaram de concorrer aos cargos eletivos. Motivo: estavam trocando o púlpito das igrejas pelas tribunas da Assembleia Legislativa.

SUPLENTE DE SENADOR

Os partidos políticos do Maranhão, habilitados a participar das eleições deste ano, devem ser mais exigentes com os indicados para  comporem as chapas de suplentes de senador.

Essa recomendação faz-se necessária e imperiosa pelos vexames protagonizados pelo segundo suplente do senador  Edison Lobão, ora no exercício do mandato, conhecido por Pastor Bel.

Pelo que se comenta em Brasília, quando o Pastor pede a  palavra nas sessões do Senado da República, a gramática e a oratória sofrem em demasia.

CARA DE PAU

Se o deputado Weverton Rocha fosse dotado de bom senso, não teria participado da reinauguração do Ginásio Costa Rodrigues, ato marcadamente constrangedor para ele, como homem público.

À falta desse predicado, ainda teve o desplante de falar o que não devia, pois, como gestor, foi o responsável direto por uma obra, que procurou executar ao arrepio das normas que regem as licitações e os contratos públicos, atos que levaram o Ministério Público a denunciá-lo e ser processado pelo Supremo Tribunal Federal.

SUGESTÃO OPORTUNA

Tendo em vista que o governador Flávio Dino não quis o deputado José Reinaldo Tavares para candidato ao

Senado, como também não deseja que o mesmo aconteça com Waldir Maranhão e Eliziane Gama, por que não lança mão de um candidato pelo qual tem hoje a maior admiração, chamado Gastão Vieira?

Trata-se de um político experiente e competente, com vários mandatos na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal, tendo disputado em 2014 a eleição de senador, com bom desempenho eleitoral, tanto que perdeu o pleito para Roberto Rocha por causa da interferência do próprio Flávio Dino.

MAL SECRETO

Ainda ecoa o entrevero, ocorrido no Supremo Tribunal Federal, entre os ministros Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso, em que este brindou o “colega” com uma série de implacáveis impropérios.

Dentre os mais curiosos, arrimou-se no soneto do poeta maranhense, Raimundo Correa, nascido em São Luís a 13 de maio de 1859.

Trata-se de o Mal Secreto, onde estão estes versos: “Se a cólera que espuma, a dor que mora n’alma e destrói cada ilusão que nasce, tudo o que punge, tudo o que devora o coração no rosto se estampasse.”

“Se se pudesse o espírito que chora ver através da máscara da face, quanta gente, talvez, que inveja agora nos causa, então, piedade nos causasse.”

APENAS INTELECTUAL

Ao longo da vida empresarial, que começou bem jovem, Carlos Gaspar foi sempre bem-sucedido.

Após tantos anos de dedicação integral ao trabalho, ao lado do pai, Armando Gaspar, tomou uma decisão nada fácil para quem sempre viveu envolvido com tarefas que exigem muita dedicação e responsabilidade.

Pensando assim, decidiu encerrar definitivamente as atividades desempenhadas na indústria e no comércio, a fim de aproveitar o tempo disponível  em ações de natureza intelectual,  numerosas e importantes para ele e para o Maranhão.

 

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