SUSSURRO, BOATOS E FAKE NEWS

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O escritor Josué Montello costumava dizer, do alto de seu conhecimento sobre São Luís, que, nesta cidade, tudo se sussurra, por isso a boataria e a marocagem  (neologismo criado em função de uma novela da TV Globo) encontram campo para prosperar,  ganhar vulto e disseminar-se com espantosa facilidade.

Não à toa, nas décadas de 1940,1950 e 1960, havia em São Luís uma poderosa  organização, integrada por figuras ilustres ( comerciantes, políticos, intelectuais e servidores públicos), que se juntavam , no começo das noites, na Praça João Lisboa, para trocar figurinhas em torno de fatos, atos e episódios  que fervilhavam aqui e alhures.

Essa organização, de existência relativamente prolongada, chamava-se DIVA – Departamento de Informação da Vida Alheia,  perdeu a vitalidade com o falecimento de seus membros cativos.

Como sucessora do DIVA  surge outra organização, que se reunia em frente da igreja do Carmo,  com o objetivo, também, de comentar e passar em revista o que ocorria na sociedade maranhense e objeto  de especulação. Essa organização, conhecida por Senado da Praça, era presidida pelo advogado Michel Nazar, em torno do qual os assuntos de natureza  política pontificavam na pauta da discussão.

Lembrei-me do  DIVA e do Senado  da Praça João Lisboa no momento em que no Brasil a Justiça Eleitoral, preocupada com as mentiras, os boatos e  as falsas notícias, modernamente chamadas de fake news, veiculadas de modo assustador pela internet, chegam ao domínio da opinião pública de forma arrasadora e contribuem para a deformação da imagem das autoridades, dos partidos políticos e dos candidato aos cargos eletivos, majoritários e proporcionais.

Esses fake news , pela velocidade e contundência como são divulgados pelas redes sociais, estão sendo combatidos pela Justiça Eleitoral, com o fito de evitar a deturpação da campanha política  e o desvirtuamento do  processo eleitoral.

Com respeito à criação de boatos em tempos pré-eleitorais, o Maranhão, nesse quesito, deu show. Hoje, por meio da internet, ontem, pelos jornais, as mentiras e as intrigas sempre encontraram espaço em São Luís para se propagar e fluir de boca em boca.

A Praça João Lisboa, hoje, entregue às moscas, no passado e na fase que precedia às eleições, muitas  vezes serviu de palco para discussões acaloradas, quase sempre transformadas em cenas de pugilato, por causa de notícias falsas ou de mentiras deslavadas.

Essa boataria vicejou intensamente entre nós no regime ditatorial e teve seu momento de fastígio no Estado Novo, com Paulo Ramos no exercício do cargo de interventor federal no Maranhão.

Irritado com a boataria reinante na cidade, que se espalhava como um rastilho de pólvora da sua demissão pelo presidente Getúlio Vargas,  o interventor tomou uma providência autoritária, com vistas a acabar de modo fulminante com aquelas falsas notícias, que o incomodavam e quebravam a sua autoridade de governante.

Paulo Ramos ordenou o seu chefe de Polícia, coronel José Faustino, a desenvolver ações vigorosas para identificar o local de onde partiam tão fantasiosas notícias e prender os que se encarregavam de difundi-las  oralmente pela cidade.

A Polícia chegou ao extremo de organizar um cadastro com nomes dos que frequentavam a Praça João Lisboa, fonte que produzia os boatos. Se comprovado, pelos inquéritos, que os  intimados estavam a serviço da boataria, seriam presos  e  processados com base na Lei de Segurança Nacional.

Durante algum tempo, a população de São Luís viveu dias de apreensão diante das medidas repressivas anunciadas  pela Polícia, mas que não passaram de ameaças. Daquelas ações policialescas, apenas  a prisão de um funcionário público estadual, apontado como boateiro, mas solto à falta de provas.

PRÓXIMO CONGRESSO

De olho na reeleição, os deputados e senadores aprovaram recentemente aumento de salários de servidores, oficializaram o nepotismo, criaram novos municípios, ampliaram impostos e renúncias fiscais, gerando um quadro desesperador para quem vai dirigir os destinos do Brasil no próximo ano.

Quando vejo que tudo isso aconteceu nesta legislatura, convém lembrar a fantástica e profética frase do saudoso deputado Ulisses Guimarães: – Se este Congresso é ruim, esperem o próximo.

CONVOCAÇÃO DE GAROTINHO

Nas eleições majoritárias de 2002, o candidato a Presidente da República, Anthony Garotinho, do PSB, buscou no Maranhão o seu companheiro de chapa: o advogado José Antônio Almeida, à época, no exercício do mandato de deputado federal.

Nas eleições deste ano, Garotinho, na condição de candidato a governador do Estado do Rio de Janeiro, precisará da ajuda de José Antônio Almeida, não para se candidatar a vice-governador, mas, como advogado, acompanhar o processo de votação e de apuração no Rio de Janeiro.

SALIÊNCIA PÚBLICA

Outrora os atos obscenos praticados publicamente, eram chamados  de saliências.

Um amigo deste jornalista, numa noite dessas, por volta das 23 horas, ao transitar, de carro, pelo centro da cidade,  viu um casal fazendo saliência em plena Praça Benedito Leite.

Transava sem se preocupar e às vistas de um dos maiores políticos do Maranhão.

ZÉ REINALDO PREJUDICADO

O PSDB, ao qual José Reinaldo Tavares pertence, em vez de ajudá-lo a ser bem votado em Caxias, fez o contrário, o prejudicou sensivelmente.

Depois de convidar  Catulé Júnior para candidatar-se a suplente de senador,  Zé Reinaldo foi obrigado a desconvidá-lo.

Resultado: o eleitorado caxiense revoltou-se e Zé Reinaldo  poderá ter uma votação desprezível  num dos maiores colégios eleitorais do Estado.

FESTIVAL DE LITERATURA

Por iniciativa da Prefeitura de São José de Ribamar, o Festival de Literatura não se realizará neste final de mês.

O auspicioso evento que a Prefeitura daquela cidade promovia com o Instituto GEIA, foi transferido para a última semana de setembro vindouro.

Este ano, o Festival de Literatura de Ribamar contará com a parceria da Academia Maranhense de Letras.

BOLSONARO E CAFETEIRA

O candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro, lembra Epitácio Cafeteira, quando este se candidatou pela primeira vez ao cargo de Governador  do Maranhão.

Bolsonaro quando perguntado sobre o plano de governo que tem para o Brasil, responde  como Cafeteira naquele  tempo: – Ainda não tenho, mas está todo na minha cabeça.

CUBA ESTÁ COM TUDO

O governador Flávio Dino entregou ao MST a tarefa de erradicar o analfabetismo no Maranhão, empregando o método cubano.

Essa iniciativa governamental fez o empresariado maranhense se movimentar no sentido de promover com a Embaixada de Cuba um seminário para debater as oportunidades de exportação de produtos de nossa terra para o mercado cubano.

O cuscuz Ideal animou-se com a iniciativa.

PAULO MALUF CASSADO

Houve época, em que Paulo Maluf, governador de São Paulo, era adorado por um bom número de políticos  do Maranhão.

Como Maluf tinha ambição de ser o presidente do Brasil, os nossos  representantes no Congresso Nacional, não lhe negavam afagos e  promessas de apoio político.

Ele chegou a vir ao Maranhão, sendo recebido como  futuro chefe da Nação.  Anos depois, na  vivência de seu inferno astral, foi abandonado pelos que o cortejavam.

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OS BISPOS NA POLÍTICA MARANHENSE

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De 1922, quando a Diocese de São Luís foi elevada à Arquidiocese, aos dias correntes, sete prelados,  incluindo o atual,  chefiaram o arcebispado maranhense.  O último, Dom José Belisário, até agora, tem se mantido equidistante dos problemas políticos  do Maranhão. Nem mesmo com o atual governador, um assumido membro do Partido Comunista,  nada aconteceu que viesse arranhar  a boa convivência entre o Poder Político e o Poder Eclesiástico.

Tomando por base  a Bula do Papa Pio XI, o primeiro arcebispo da Arquidiocese de São Luís do Maranhão  chamava-se Dom Otaviano Pereira de Albuquerque, na gestão do qual(1922 a 1935), veio à tona um complicado problema causado pelo padre Astolfo Serra, que pela ativa participação na Revolução de Trinta, foi nomeado pelo presidente Getúlio Vargas, interventor federal no Maranhão, com a concordância do novo prelado.  O padre, contudo, não se comportou, politicamente e moralmente, como devia no cargo que ocupava, fazendo o chefe da Nação exonerá-lo  da interventoria, ato que tentou resistir, mas em vão, até porque Dom Otaviano o suspendeu do exercício sacerdotal, pois na cidade corria à boca pequena que teve no Palácio dos Leões um caso de amor com uma mulher, com quem  teve um filho, batizado com o nome de Lenine.

A Dom Otaviano, também,  foi dada a importante missão de no Maranhão organizar a LEC- Liga Eleitoral Católica, constituída por figuras influentes da sociedade maranhense, que deveriam concorrer às eleições de maio de 1933 e outubro de 1934, cujos eleitos  se encarregariam de elaborar, respectivamente, as novas  Constituições do Brasil e do  Maranhão.

O segundo prelado nomeado  pelo Vaticano para gerir os destinos do arcebispado maranhense foi Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, no período de 1935 a 1944. Em 1940, quando a Ordem dos Advogados do Brasil encaminhou ao presidente Getúlio Vargas, para submeter à votação no Congresso Nacional, o projeto do divórcio no Brasil, Dom Carmelo dirigiu-se ao Chefe da Nação protestando contra a proposta da OAB, que “se convertido em lei, pela sua iniquidade do ponto de vista jurídico e social, causaria a destruição da família brasileira e a destruição da Pátria ”.

Antes das eleições de janeiro de 1947, em que seriam eleitos os novos governantes do Maranhão, Dom Carlos tomou uma atitude audaciosa: endereçou aos partidos políticos que participariam do pleito, um documento “a fim de saber se os mesmos teriam realizado acordo com o Partido Comunista”. A resposta de todos foi negativa. Outra iniciativa do arcebispo: louvou o deputado Fernando Viana, autor do projeto que mandava colocar no plenário da Assembleia Legislativa, a imagem de Jesus Cristo.

O sucessor de Dom Carlos Carmelo, o alagoano Dom Adalberto Accioli Sobral (1947 a 1951), ao assumir as funções episcopais, tomou uma atitude corajosa e inédita relacionada ao clero. Em novembro de 1947, divulga um documento incisivo contra a participação de sacerdotes na atividade política, do qual extraio este trecho: “Fiel ao nosso sistema de governo, não permitiremos padres da nossa amada Arquidiocese exercendo cargos, direta ou indiretamente ligados à atividade política”.  E arrematou: “Os padres perderão imediatamente  as suas paróquias, desde que fiquem comprovadas tais atividades, sem prejuízo de outras penas canônicas em que possam incorrer, conforme a gravidade de cada caso em particular”.

Comenta-se que por causa desse documento o padre Joel Barbosa Ribeiro, eleito deputado estadual nas eleições de janeiro de 1947, teria abandonado a batina.

Em setembro de 1950, um mês antes das eleições majoritárias de presidente da República e de governador do Maranhão,  Dom Adalberto Sobral lança um “Comunicado” ao povo católico maranhense, ao qual recomenda as candidaturas à Presidência da República de Cristiano Machado, PSD, Eduardo Gomes, UDN, e Getúlio Vargas, PTB, mas veta o candidato a vice-presidente, João Café Filho, e os candidatos do Partido Socialista Brasileiro, o primeiro pelo “seu passado hostil à Igreja” e os socialistas por “não  incluíram no seu programa as reivindicações católicas”. Essa nota de Dom Adalberto repercutiu com tamanha força na opinião pública nacional que fez o candidato Café Filho vir a São Luís para um entendimento com o chefe do clero maranhense.

Em março de 1951, o nosso arcebispo encontrava-se em Maceió, sua terra natal, recuperando-se de um problema de saúde, mas preocupado com os movimentos de insubordinação política, reinantes em São Luís, contra a posse do governador Eugênio Barros, enviou às lideranças oposicionistas e governistas a seguinte Mensagem Paternal: “Que o espírito ordeiro e a bondade inata do povo maranhense encontrem  a solução para o caso político num ambiente de caridade e fraternidade, mesmo a custa dos maiores sacrifícios particulares”.

Substituiu Dom Adalberto o paraibano  Dom José de Medeiros Delgado(1951 a 1963). No seu vicariato, notabilizou-se sobremodo por iniciativas no campo do empreendedorismo, com a criação em São Luís e no interior do Estado de órgãos voltados para melhorar  o nível educacional e gerar empregos ao povo de Deus, destacando-se  o Movimento de Educação de Base, a Universidade Católica do Maranhão, a União Agro-Pecuária Ltda., em Marianópolis, a Rádio Educadora, o Banco Rural, a Tipografia São José, bem como os programas  DURIL, para auxiliar os estudantes universitários, e a ASA, para promover obras assistenciais nos bairros, e as Dioceses de Viana, Brejo e Bacabal.

Na gestão de Dom Delgado, o bispo-auxiliar, Dom Antônio Fragoso era figura de proa e a ele foi atribuído o  papel de coordenador do MEB – Movimento de Educação de Base, com a finalidade promover a Educação Fundamental dos Cristãos Leigos, programa que sofreu retaliações dos militares e o levaram à extinção.

Para substituir Dom Delgado, transferido para a Arquidiocese de Fortaleza, veio o pernambucano  Dom João Mota e Albuquerque, que aqui ficou onze anos (1964 a 1984). Graças ao seu temperamento cordial e a maneira afetuosa como tratava católicos e não católicos, o prelado conseguiu atravessar os anos duros do regime militar sem maiores problemas e manteve com os segmentos políticos do Estado um relacionamento de fraterno entendimento. Soube conduzir diplomaticamente as questões que resultaram em prisões de alguns padres, que à frente de suas paróquias, insurgiram-se contra as medidas de força adotadas  pelo governo autoritário.

Depois de vinte anos  no Maranhão,  Dom Mota, por motivo de saúde, nos deixou. Para ocupar o seu lugar, chegou o cearense Dom Paulo  Eduardo Andrade Ponte, o prelado que mais tempo esteve à frente da Arquidiocese de São Luís: 21 anos, ao longo dos quais não se indispôs com qualquer  autoridade estadual. No problema gerado com a excomunhão do governador Luiz Rocha, limitou-se a prestar solidariedade ao bispo de Bacabal, Dom Pascácio Retler, assinando  o documento “Carta ao Povo de Deus”, em que onze bispos do Maranhão manifestaram repulsa ao gesto do governador maranhense por não tomar nenhum atitude  contra o assassinato de um lavrador de Lago do Junco, morto a mando de um fazendeiro da União Democrática Ruralista.

Ao final do mandato de Luiz Rocha, Dom Paulo, por sua livre e espontânea iniciativa,  convidou o governador para assistir uma cerimônia religiosa na Catedral Metropolitana, onde pessoalmente fez questão de lhe restituir o sacramento da comunhão.

Na gestão de Dom Paulo Ponte, outro bispo-auxiliar, também, destacou-se: Dom Edmilson Cruz. Na celebração de uma missa em ação de graças, sob os auspícios da oficialidade do 24º Batalhão de Caçadores, ele não poupou críticas aos generais que se encontravam no comando do país. Em protesto às palavras do prelado, os oficiais se retiraram da igreja.

AVENIDA FANTASMA

Todas as vias públicas de São Luís, que serviam de suporte aos estabelecimentos comerciais, estão vivendo um pavoroso processo de esvaziamento, por causa da crise.

Nenhuma delas sofreu mais do que a Avenida Castelo Branco,  que até antes da crise que assola a nossa economia, era uma das mais povoadas da cidade.

De um lado e de outro da avenida, poucas  as lojas abertas e em atividade. Ainda restam o Centro Elétrico, a Eletro Mateus e a Novo Mundo, mas, pelo andar da carruagem, podem desertar dali a qualquer momento.

SENADORES PREFERIDOS

Eu não perco tempo com pesquisas. As minhas avaliações, com  relação às eleições de outubro vindouro, emanam de confiáveis informações de amigos do interior do Estado, testemunhas vivas do andamento processo eleitoral.

Com base nessas insuspeitas informações, apenas três candidatos dominam a preferência do eleitor, com vistas ao Senado: Sarney Filho, Edison Lobão e José Reinaldo.

Para os três deverão migrar os votos do eleitorado maranhense.

O resto, diria o saudoso amigo, Benito Neiva, é abstracionismo.

O MELHOR E O PIOR

Pelo que se ouve das pessoas que acompanham os trabalhos da Assembleia Legislativa, o melhor parlamentar desta legislatura é Adriano Sarney, pelo preparo intelectual, serenidade e discurso.

Com relação ao pior deputado, a resposta é unanime: difícil apontar porque a fila é grande.

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A SAGA DOS VICES NO MARANHÃO

Se na esfera federal, os partidos se depararam com problemas para encontrar nomes confiáveis e respaldo popular para concorrerem à sucessão do presidencial, na órbita estadual, a situação não foi diferente, pois os partidos, também, enfrentaram embaraços para compor as chapas que vão disputar as eleições de outubro vindouro.

O que se viu este ano foi uma corrida contra o tempo, com os partidos se empenhando ao extremo, com vistas ao  cumprimento da legislação eleitoral, no que respeita à formatação das chapas de governador e  vice, a grande maioria composta por figuras humanas desconhecidas do eleitorado e sem compromisso com a vida pública.

Se recorrermos ao passado da política maranhense, veremos em toda a plenitude que, ao longo do regime republicano, nem sempre a convivência pessoal e administrativa entre governadores e vices esteve à altura dos cargos para os quais foram eleitos, e que, não por acaso, terminam fabricando desentendimentos políticos e crises institucionais, com reflexos danosos na vida do Estado.

A primeira crise aflorada na administração estadual, tendo por foco a figura do vice-governador, deu-se por ocasião do falecimento do governador Benedito Leite, em maio de 1908, quando o vice, Artur Quadros Colares Moreira assume o Governo e viaja para o Rio de Janeiro sem autorização do Congresso do Estado, fato determinante para que o presidente, deputado Mariano Lisboa, se investisse no cargo.

No retorno do vice, o presidente do Congresso não lhe transmite o cargo, ato que gera dualidade de poder e deságua numa intervenção federal no Maranhão.

A segunda crise, com o envolvimento do vice-governador, ocorre em abril de 1922, quando segmentos oposicionistas, atrelados ao movimento da Reação Republicana, deflagrado a nível nacional, encabeçados no Maranhão por Tarquínio Lopes, Leôncio Rodrigues e o capitão Aurélio Nogueira, invadem o Palácio dos Leões para depor o vice-governador Raul da Cunha Machado, que se encontrava no exercício do cargo porque o governador eleito, Godofredo Viana, ainda cumpria o mandato de senador no Rio de Janeiro.

Vinte e quatro horas depois da invasão palaciana, por ordem do Presidente da República, Epitácio Pessoa, tropas do 24º Batalhão de Caçadores prendem os revoltosos e fazem retornar à direção do Estado o vice-governador, Cunha Machado.

Na volta do país à democracia, em 1947, vem à tona o desentendimento entre o governador Sebastião Archer e o vice, Saturnino Belo, ao perceber que a sua candidatura às eleições de 1950, para o Governo do Maranhão, estava em processo de fritura pela cúpula vitorinista. Resultado: Satú, assim chamado, rompe com os  governistas e ingressa nas Oposições Coligadas, pelas quais disputa a sucessão de Archer da Silva, sendo derrotado pela fraude eleitoral, fato que desencadeia em São Luís um movimento de paralização das atividades públicas e privadas, que, por pouco, não gera outra intervenção federal no Maranhão.

Nova crise sacode as hostes vitorinistas em 1955, com a eleição do governador Matos Carvalho e do vice, Alexandre Costa, este, pelas regras constitucionais vigentes, presidia o Poder Legislativo e, como tal, embaraçava os projetos e as matérias de interesse do Executivo estadual, motivo que leva os deputados governistas à apresentação de um Projeto de Emenda Constitucional para tirar do vice aquela competência. Foi o bastante para Alexandre Costa romper com os vitorinistas e se bandear para as hostes oposicionistas.

Na operosa gestão do Governador José Sarney (1966 a 1970), que tinha como vice, o médico Antônio Dino, jamais se poderia imaginar que ao final do Governo se configurasse o rompimento político e pessoal entre dois políticos que se respeitavam. O litígio registra-se depois que Sarney se desincompatibiliza do cargo, em maio de 1970, para ser candidato ao Senado, mas antes transfere o Governo para o leal amigo Dino, que, como  correligionário do senador Clodomir Millet, a este se solidariza por distanciar-se de Sarney por motivo de somenos importância política.

Em 1966, o regime militar transforma as eleições diretas em indiretas e extingue os partidos políticos. Pela Arena, o partido do Governo elege indiretamente pela Assembleia Legislativa, os governadores: Pedro Neiva de Santana, Nunes Freire e João Castelo.

Na gestão de Castelo (1979-1982), surgiram problemas, não com o vice-governador, o general da reserva Artur Carvalho, mas com o seu substituto hierárquico, o deputado Albérico Ferreira, que Castelo exige a renúncia do cargo de presidente do Poder Legislativo para apoiar o candidato Luís Rocha ao Governo do Estado, fato que ensejaria ao deputado Ivar Saldanha, o novo presidente da Assembleia, assumir o Governo do Estado, ato contestado pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Almeida e Silva, mas não legitimado pelo STF.

Com o término do mandato de Castelo, retornam as eleições diretas em 1986, com o deputado Epitácio Cafeteira se elegendo na chapa com João Alberto como vice. No prazo estabelecido pela lei, Cafeteira renuncia ao Governo para disputar a vaga de senador.  O vice, João Alberto, que se encontrava no exercício do cargo de prefeito de Bacabal, renuncia o posto para assumir a governabilidade maranhense, ato contestado juridicamente pelo deputado Ivar Saldanha, direito que lhe é assegurado pelo Tribunal de Justiça, mas tornado sem efeito pelo Supremo Tribunal Federal.

O último desentendimento na esfera do Poder Executivo do Maranhão verificou-se em setembro de 2005, portanto, há 13 anos, na gestão do governador José Reinaldo Tavares e do vice, Jura Filho. Ao viajar para a França, o governador transmitiu o cargo ao vice, o qual, sem pestanejar, encaminhou à Assembleia Legislativa mensagem de concessão de aumento salarial ao funcionalismo público estadual.

No seu retorno do exterior, José Reinaldo, em revide,  move retaliações de toda ordem contra o vice, para prejudicá-lo pessoal e politicamente,  mandando  retirar de seu gabinete os servidores públicos que ali prestavam serviços, e enviando ao Poder Legislativo proposta de Emenda Constitucional, para impedir Jura Filho de substituí-lo no cargo em suas ausências.

LACERDA, GETÚLIO E WEVERTON

Quando Getúlio Vargas candidatou-se, em 1950, às eleições presidenciais, o deputado Carlos Lacerda cunhou uma frase antológica,  histórica e profética: – Getúlio não pode ser candidato. Se for candidato não pode ser eleito. Se for eleito não pode tomar posse. Se tomar posse, não pode governar.

No Maranhão, há gente parafraseando Lacerda com relação à candidatura de Weverton Rocha ao Senado da República.

CASAIS DE CANDIDATOS

Para conquistar o eleitorado brasileiro, os candidatos a Presidente e Vice da República formaram casais.

Ei-los: Marina Silva e Eduardo Jorge; Ciro Gomes e Kátia Abreu; Geraldo Alckmin e Ana Amélia; Fernando Hadad  e Manuela D’A´vila.

Por ser machista, Jair Bolsonaro formará casal com o general Hamilton Mourão.

MST E ALFABETIZAÇÃO

Na semana passada estourou uma bomba no Maranhão, com a divulgação de um fato que a opinião pública desconhecia, com respeito à  alfabetização de milhares de maranhenses.

A notícia saiu no jornal O Globo, do Rio de Janeiro, e revelado pelo próprio  governador Flávio Dino, sobre a contratação do MST para alfabetizar a população rural do Estado do Maranhão, usando o processo cubano.

A informação causou perplexidade e preocupação, pois o Brasil sabe que o MST não dispõe de capacidade para ministrar curso de alfabetização, processo completamente diferente de invadir e destruir propriedade rural.

NOVA DIREÇÃO

Sabe-se que o Hospital UDI, que pertencia ao grupo maranhense Gama-Barbosa, foi vendido para a Rede Hospitalar D’or, que mantém dezenas de casas de saúde no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.

Mesmo com tradição e experiência no setor hospitalar, até agora tudo continua como antes no Hospital UDI. Se a nova direção fez alguma modificação em algum setor, não chegou ao conhecimento dos pacientes e dos que prestam serviços naquele estabelecimento, que passou por grande e saudável reforma na gestão anterior.

TERRA DE SENADOR

Itapecuru-Mirim, a minha querida terra, nos últimos anos, passou por uma evolução política tão auspiciosa, que vem de apresentar ao povo do Maranhão um candidato ao Senado da República.

Trata-se de Samuel Campelo, um jovem que se elegeu vereador à Câmara Municipal de Itapecuru, onde cumpriu dois mandatos e prestou bons serviços à comunidade, destacando-se a instalação, com recursos próprios, de uma corporação voltada para combater incêndios.

CARGO DE COVEIRO

O prefeito de Paço Lumiar, Domingos Dutra, criou, mediante lei, o cargo de coveiro, que a cidade carecia.

Os inimigos e adversários políticos de Dutra acham que o cargo, pela sua importância e necessidade, deveria ser ocupado pelo próprio prefeito.

 

OS MILITARES NA POLÍTICA MARANHENSE

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A notícia veiculada pela mídia de que o coronel da reserva do Exército, José Ribamar Monteiro se lançaria candidato a governador do Estado, pelo PHS, repercutiu nos meios políticos, não porque ele ameaçasse os concorrentes, mas pelo retorno dos militares maranhenses às refregas eleitorais travadas em nossa terra, eles que, em épocas passadas, costumavam participar dessas contendas políticas com entusiasmo e determinação.

Ao longo do regime republicano, não foram poucos os candidatos oriundos da caserna que se filiavam aos partidos políticos na esperança de conquistar mandatos majoritários ou proporcionais.

Um militar que deixou seu nome marcado na História do Maranhão, como governador operoso e trabalhador, foi o comandante José Maria Magalhães de Almeida, egresso dos quadros da Marinha e genro de Urbano Santos, o grande chefe político da Velha República, que o indicou para suceder a Herculano Parga, no mandato de 1926 a 1930.

Depois de Magalhães de Almeida, um elenco de militares assumiu o comando do Estado do Maranhão não como governadores eleitos, mas na condição de interventores federais, a exemplo de Celso Freitas, José de Ribamar Maciel Campos, Luso Torres, Serôa da Mota e Antônio Martins de Almeida (Bala na Agulha).

Com a redemocratização do país em 1946, vieram as eleições proporcionais e majoritárias. Para governar o Maranhão, participou das eleições de 1947 o tenente-coronel e médico do Exército, Lino Machado, derrotado pelo candidato vitorinista, Sebastião Archer da Silva.

No pleito de 1954, com vistas à sucessão de Eugênio Barros, as Oposições Coligadas apresentaram para concorrer com o candidato do PSD, José de Matos Carvalho, o brigadeiro da Aeronáutica, Hugo da Cunha Machado, também derrotado pela máquina governista.

Em 1965, com os militares mandando no país, ocorreram as eleições para a substituição de Newton Bello do Governo do Estado, que pressionado pelo presidente da República, marechal Castelo Banco, deixou o seu candidato, Renato Archer, comandante reformado da Marinha, na rua da amargura, fato que permitiu a esmagadora vitória do candidato oposicionista José Sarney, que enfrentou o próprio Renato, então candidato do PTB, e o ex-prefeito de São Luís, Costa Rodrigues, do PDC.

Convém salientar que Renato Archer, em 1950, elegeu-se vice-governador, na chapa encabeçada por Eugênio Barros, eleição contestada pelas Oposições Coligadas nas ruas e nas esferas da Justiça. Eleitoral.

Com os militares no poder, as eleições diretas para os cargos majoritários foram substituídas pelas indiretas, através das quais o professor Pedro Neiva, e os deputados federais Nunes Freire e João Castelo chegaram ao Palácio dos Leões.

Depois de um longo período sem os mandatários eleitos pelo povo, finalmente, em 1982, com os ventos da redemocratização, as eleições diretas voltaram e novamente Renato Archer é chamado para disputar o cargo de governador com o candidato governista Luíz Rocha, que impõe ao reformado oficial da Marinha esmagadora vitória nas urnas.

TEMPORADA DE ENTRA E SAI

Em São Luís está em pleno andamento a temporada dos restaurantes que  entram e saem do mercado gastronômico.

Recentemente, desapareceu o restaurante que funcionava no Empório Santa Cruz, mas para o seu lugar surgiu o Restaurante Rosin, especialista em carnes.

Também sumiu o Maracangalha, substituído pelo Restaurante Romero, sob o comando de Sérgio Diaz.

Na área da pizzaria, evaporou-se a Majorasca, em cujo espaço instalou-se um restaurante de frutos do mar.

CIRURGIÕES PLÁSTICOS

Felizmente os nossos cirurgiões plásticos ficaram de fora dessas denúncias que o país assiste estarrecido contra profissionais mal intencionados.

Os especialistas dessa área médica que atuam em São Luís continuam trabalhando com seriedade, honestidade e sem o cometimento de práticas que venham ou possam comprometer as suas condutas éticas e profissionais.

FILHOS DE JOÃO ALBERTO

O senador João Alberto prepara-se para deixar a cena política maranhense, onde atua desde os anos de 1960, tranquilo e feliz, pois deixará dois filhos como sucessores e representantes do povo.

João Marcelo pelo seu desempenho no Congresso Nacional, certamente se reelegerá deputado federal.

João Emanoel, emplacado na chapa de senador, como segundo suplente, tem futuro pela frente.

 

 

 

A VOZ DE PIO XII

Com imensa emoção e alegria assisti, na semana passada, no excelente programa “The Voice Brasil”, da TV Globo, a apresentação de uma excelente cantora maranhense.

Trata-se Ayala, dotada de extraordinária voz, afinadíssima e interpretando uma música bem brasileira e de ótima qualidade.

Eu torço e tenho a impressão de que a cantora maranhense, que vivia escondida em Pio XII, sairá consagrada daquele programa.

FUTURO DO BRASIL

Não serei surpreendido se brevemente ver pela televisão um respeitado militar maranhense manifestar-se no programo “O Brasil do futuro”.

Nele, o conceituado militar dirá enfaticamente: “ Para que o nosso país seja próspero e feliz basta se livrar dos ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoly e Ricardo Lewandowski.”

 

 

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