A POPULARIDADE DE ADEMAR DE BARROS EM S. LUIS

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Em 1949, o governador de São Paulo, Ademar de Barros começou a montar um esquema político, com vistas a se candidatar a presidente da República nas eleições de outubro de 1950.
O esquema iniciou com a instalação nos estados brasileiros do Partido Social Progressista, que fundara em São Paulo. Para estruturá-lo no Maranhão convidou o médico Clodomir Millet, que pertencia aos quadros do Partido Republicano.
Em 25 de maio de 1949, Millet, em ação rápida e eficiente, criou a Comissão Provisória do PSP. Bafejado pela sorte, o partido ademarista cresceu rapidamente em função do rompimento do vice-governador Saturnino Belo com o vitorinismo e de sua adesão ao PSP, pelo qual sairia candidato a governador nas eleições de 1950. O ingresso de Satu, como era chamado, deslanchou o partido, que atraiu vários políticos governistas para suas hostes, destacando-se o senador José Neiva, expressivo líder do sertão maranhense.
Essas e outras ações de Milllet fizeram Ademar de Barros dar maiores condições ao seu partido no Maranhão e transformá-lo numa agremiação partidária forte e pujante. Sem medo de ser feliz, doou ao Partido Social Progressista dois instrumentos básicos para torná-lo ainda mais poderoso.
Primeiro, um avião, para que os membros do partido se deslocassem mais facilmente para as cidades do Maranhão e fundassem diretórios em todos os municípios. Segundo, fez chegar a São Luis equipamentos modernos para montagem de um jornal, já que as oposições só dispunham do limitado O Combate.
Com esse veículo de comunicação, intitulado de Jornal do Povo, o ademarismo passaria a se expandir no Maranhão e, ademais, ajudaria as oposições a melhor se habilitariam para banir o vitorinismo. Para dirigir o jornal, Millet trouxe do Rio de Janeiro o jornalista Neiva Moreira, que militava na imprensa carioca e desfrutava de enorme conceito como redator do Diário de Notícias e da revista O Cruzeiro.
Em curto espaço de tempo, o Jornal do Povo, pela sua moderna feição gráfica, pelo seu competente corpo redacional e pela maneira como combatia os atos do governo, virou coqueluche em São Luís. Em função disso, Ademar de Barros virou alvo constante das diatribes vitorinistas, que não o perdoavam pelo fato de influir na política maranhense e de dar condições materiais às oposições para destroná-los do poder. Paralelamente, o povo de São Luís, visceralmente, oposicionista, começou a exigir a presença do governador paulista no Maranhão, para receber as homenagens pelo que ele vinha fazendo pela causa das oposições, bem como manifestar o desejo de vê-lo na presidência da República.
Ademar não resistiu aos apelos maranhenses e marcou para 3 de agosto de 1950, portanto, há 53 anos, sua vinda a São Luis. Por meio do Jornal do Povo, a população foi convidada para ir às ruas e recebê-lo afetuosa e vibrantemente. O comércio e a indústria fecharam as portas às 15 horas, para que a cidade inteira comparecesse ao comício na Praça João Lisboa. Ônibus, automóveis e caminhões foram colocados à disposição do povo, que estava emocionalmente preparado para dar as boas vidas ao líder popular.
Às 16:30 horas, o avião do governador paulista desceu no aeroporto do Tirirical. Em carro aberto, Ademar ao lado do vice-governador Saturnino Belo, rumou para o local da concentração popular, onde uma enorme multidão a esperavam em delírio.
Quase em cima da hora do comício, o chefe de Polícia, João Batista Lemos, a mando dos governistas, informa aos oposicionistas que o comício não poderia ser na Praça João Lisboa, pois a licença para liberação do local não chegara a tempo hábil. Por muito custo, permite que a concentração se realize na Praça Deodoro.
Mobilizada, a população ruma para a Praça Deodoro, onde os oradores foram unânimes em criticar e desancar as autoridades palacianas pela prática de uma atitude antidemocrática e violenta contra o governador visitante, fato que fez o povo ficar mais exaltado. Mas o pior ainda estava por vir. No exato momento do pronunciamento de Ademar de Barros, todo o centro da cidade ficou privado de energia elétrica. A praça estava às escuras, mas o comício não pára, por obra de um serviço de alto-falante, que possibilitou a Ademar falar à multidão, cada vez mais irada. Como se bastasse tudo isso, do céu uma chuva desaba sobre a cidade, mas não impede o orador de continuar sua vibrante oração e sem o povo arredar os pés dali.
Acabado o comício, Ademar é convidado a visitar a sede do PSP na Rua da Paz, nas proximidades da Praça João Lisboa. Aceita o desafio e parte andando e acompanhado da frenética multidão. Quando o cortejo se aproximava da sede do partido, como se fosse uma emboscada, surgem numerosos policiais, fortemente armados, impedindo a passeata de chegar ao destino final. Os populares revoltam-se e reagem com pedras. Ademar e as lideranças oposicionistas recuam prudentemente, mas o povo, contudo, continua sua marcha e, aos trancos e barrancos, chega à praça, onde passa a depredar a redação do jornal Diário de São Luis, que dava cobertura política aos aliados de Victorino Freire.
O confronto entre povo e policiais torna-se inevitável. As balas projetadas pelas forças públicas acertam vários populares, inclusive o operário João Evangelista Vieira, que morre e vira mártir. Dessa luta, resulta também o incêndio do automóvel de propriedade do Dr. Newton de Barros Belo, então, Consultor Jurídico do Estado. Só depois de algumas horas, a paz volta a reinar na Praça João Lisboa.
Antes de deixar São Luis, Ademar comunica o fato às autoridades federais, às quais pede providências enérgicas para punir os algozes do povo, bem como se responsabiliza pela assistência médica às vítimas, inclusive, com ajuda financeira.
A partir daquele dia, Ademar de Barros transforma-se numa figura mítica e idolatrada pelo povo ludovicense. Sua popularidade agiganta-se de maneira fantástica, fazendo com que o seu prestígio político extrapole de São Paulo para o Maranhão inteiro.

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