DO PAI E DO FILHO

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Ao contrário de muita gente, que não gosta dos programas da Justiça Eleitoral e por isso desliga o aparelho de televisão, assisto-os diariamente e mantenho-me atento ao que os candidatos expõem a respeito de suas vidas e de seus projetos políticos.

Mesmo achando-os despreparados e sem mensagem política, salvo poucas e honrosas exceções, dedico bom tempo a ouvi-los para saber o que pretendem fazer caso se elejam e obtenham o mandato popular.

Como acompanho a vida política do Maranhão há alguns anos e conheço as origens dos candidatos (nem todos, é claro) que concorrem às eleições deste ano, julgo-me capaz e apto a fazer comentários e ilações a respeito do que falam e de suas apreciações sobre a política maranhense, sobretudo quando se referem a um passado não tão remoto e ainda presente na memória de grande parte do eleitorado.

Na semana passada, por exemplo, ouvi atentamente o vice-prefeito de São Luis, Roberto Rocha, que já cumpriu alguns mandatos de deputado estadual e federal, deblaterar a triste situação em que vive o Maranhão, segundo ele, sob o domínio de uma oligarquia que há anos maltrata o povo e que o conduziu à miséria e ao abandono social.

Roberto Rocha fez tal afirmação num programa de rádio e televisão, sendo ouvido e visto por numerosos eleitores que ainda lembram e sabem que o seu saudoso pai, Luiz Rocha, teve participação ativa e efetiva numa “oligarquia”, que o filho abomina e censura.

Foi nessa “oligarquia” que Luiz Rocha começou a sua vida pública e obteve o seu primeiro mandato de vereador à Câmara Municipal de São Luis, pela UDN, partido presidido por José Sarney. Pela sua vibrante atuação parlamentar, por pouco não foi cassado pelo movimento militar de 1964. Quem o livrou de perder o mandato foi Sarney, graças ao prestígio e as amizades que desfrutava em Brasília.

Após cumprir o mandato de vereador, Sarney, já então governador, fez de Luiz Rocha deputado estadual, pela Arena, mandato que desempenhou em duas legislaturas na Assembleia Legislativa, onde se destacou pela bravura e defesa dos interesses políticos de seu ídolo e líder. Da Assembleia Legislativa, foi alçado à Câmara dos Deputados, sempre pelas mãos de Sarney, e eleito com votações consagradoras para os mandatos de 1974-1978 e 1978-1982. No Congresso Nacional, também por indicação do amigo e protetor foi vice-líder do Governo.

No segundo mandato de deputado federal começou a construir a sua caminhada de candidato a governador do Estado. Sarney deu-lhe liberdade para viabilizar sua candidatura às eleições de 1982, à sucessão do governador João Castelo, o qual, direta e frontalmente se opunha à pretensão de Luiz Rocha, por achá-lo despreparado para o exercício do cargo. (Os jornais da época estão aí para comprovar).

Como bom sertanejo, Luiz Rocha passou por cima de tudo e tendo, ademais, como aliado Dona Marly Sarney, conseguiu consolidar-se candidato a governador pelo PDS, numa eleição que voltara a ser direta e enfrentando Renato Archer, indicado pelo PMDB.

Eleito, antes de assumir, mobilizou a sociedade maranhense com vistas à elaboração do seu Plano de Governo, iniciativa louvada e realizada por meio de seminários e abarcando os diversos setores públicos e privados, para o atendimento de suas postulações e reivindicações.

Mas se Luiz Rocha teve habilidade e competência para fazer-se candidato a governador, o mesmo não se pode dizer ao assumir o governo do Estado. Em pouco tempo no cargo, passou a cuidar mais de seus interesses particulares do que do povo que o elegeu. Ficava mais tempo em suas fazendas em Balsas do que no Palácio dos Leões.

Resultado: a máquina administrativa ficou à deriva e o seu Plano de Governo, feito com a participação da sociedade, foi colocado de lado e desperdiçado, pois não aproveitou o grande momento vivido pelo Brasil, que saíra do regime militar e reconquistara a democracia, no bojo da qual a Nova República veio à tona, com José Sarney no comando, oportunidade ímpar para o Maranhão dar a volta por cima e ele, Luiz Rocha, deixar o governo com enorme popularidade e pronto para cumprir outras jornadas políticas.

Luiz Rocha acabou o seu mandato melancolicamente. Não rompeu com Sarney e nem se candidatou ao Senado, como fizeram seus antecessores. Por não concordar com a candidatura de Cafeteira à sua sucessão, cruzou os braços e não moveu uma palha. Pagou um preço alto por isso. Cafeteira humilhou-o no momento de receber o cargo. Exigiu a sua saída do Palácio dos Leões antes de ser empossado governador.

É uma pena que Roberto Rocha tenha chegado à maturidade e pleiteando um cargo de alta envergadura política, sem conhecer a trajetória pública do pai, que começou e terminou ao lado de Sarney, ao qual sempre prestou lealdade e fidelidade política.

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