GOVERNO E BUMBA-BOI

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Quem vê o tratamento que o Poder Público, de uns anos para cá, vem dispensando aos festejos juninos, com ênfase para as brincadeiras nas quais o bumba-boi é a figura central, não pode imaginar o que acontecia em São Luís, em épocas passadas.

 Naqueles idos, folguedos como o bumba-boi, que eram manifestações consideradas oriundas dos segmentos sociais menos favorecidos, não bem vistas pelas autoridades policiais, que os miravam preconceituosamente e disso se aproveitavam para estigmatizá-los com dispositivos coercitivos.

Com esse desiderato e a pretexto de oferecer segurança e tranquilidade à cidade, a famigerada Chefatura de Polícia, encarregada de regulamentar os festejos juninos, dava conhecimento à opinião pública das medidas discriminatórias e autoritárias contra as brincadeiras e os brincantes do bumba-boi, que chegavam ao paroxismo de cerceá-los de se apresentar no centro urbano.     

Reprimir uma manifestação popular, da natureza do bumba-boi, a título de manter a ordem e a segurança pública, tinha um alvo específico: preservar a elite citadina das perturbações noturnas, daí porque obrigavam os brincantes a se exibir em locais previamente determinados, tendo o bairro do João Paulo como ponto de referência.

As proibições policialescas, contudo, não se restringiam somente aos espaços destinados às apresentações dos bumba-boi, extravasavam e chegavam às figuras dos brincantes, os quais, por serem homens do povo, eram olhados como cachaceiros, e, portanto, consumidores de uma bebida maldita, que não podia ser vendida no bairro do João Paulo e adjacências.

Para o leitor não pensar que estou inventando ou criando coisas inverossímeis, louvo-me em duas edições do Diário Oficial, respectivamente, de junho de 1940 e de 1946, quando a Chefatura de Polícia teve sob o comando das ilustres figuras de Flávio Bezerra e Joaquim Itapary.

Pela Portaria Nº 25, o delegado Flávio Bezerra proibia “os bois-bumbá de percorrerem o perímetro urbano, em demonstrações de suas danças características, o que só poderão fazer a partir da esquina da Avenida Getúlio Vargas com a Rua Senador João Pedro, para o lado do Anil,” bem como proibir os brincantes de “beberem cachaça do dia 23 a 30 de junho e de fazerem bailes ao ar livre ou sob as árvores do largo do João Paulo.”

A outra Portaria, de Nº 56, datada de junho de 1946, assinada pelo delegado Joaquim Itapary, também proibia os bumba-boi de percorrerem as ruas da cidade e só se apresentarem a partir da Avenida Getúlio Vargas e da Rua Senador João Pedro. Quanto às bebidas alcóolicas, só era permitida a venda de cerveja.

Pelo que sei, as proibições relativas aos folguedos juninos continuaram até os meados da década de 1960, quando José Sarney se elege governador do Estado e convida os brincantes de bumba-boi para se exibirem livremente nos jardins do Palácio dos Leões, num evento com a presença de escritores e membros das Academias de Letras do Brasil e do Maranhão, ato que obteve repercussão nacional.

A partir daquele evento, as autoridades policiais começaram a se convencer de que o bumba-boi não podia ser mais visto como uma brincadeira estigmatizada, sobre a qual recaía a força de um absurdo preconceito social, mas como uma rica manifestação de nossa cultura popular e um produto turístico da melhor qualidade, que o Maranhão devia apresentar ao Brasil e ao Mundo.

Quem primeiro entendeu isso foi a governadora Roseana Sarney, que priorizou e deu aos festejos juninos o destaque que merecia como atração cultural e turística, inciativa sequenciada, ora mais, ora menos, pelos órgãos que cuidam e promovem o nosso turismo.   

 No governo Flávio Dino, justiça seja feita, as duas festas mais populares do Maranhão, o carnaval e bumba-boi, conquistaram projeção de relevância, sobretudo com a criação do corredor da folia e de espaços destinados às brincadeiras juninas, estas, com decorações especiais e atrativas ao turismo.

VIEIRA E O MARANHÃO DA MENTIRA

Nesses tempos em que a Verdade precisa se restabelecer no Maranhão, nada melhor do que evocar o notável Padre Antônio Vieira, que no Sermão da Quinta Dominga da Quaresma, pregado em São Luís, em 1654, vergastava os maus costumes por ele aqui observados: “Dos Estados de Portugal, que letras tocaria ao nosso Maranhão? Não há dúvida de que o M Murmurar, o M Motejar, o M Maldizer, o M Malsinar, o M Mexericar, e sobretudo o M Mentir, mentir com a palavra, mentir com as obras, mentir com os pensamentos, que de todos e por todos os modos aqui se mente.”

SAUDADE DE NAGIB

O político Nagib Haickell, quanto à fidelidade aos amigos e sinceridade de pensar e de agir, era imbatível.

Lembro, num programa que eu comandava na TV- Ribamar, chamado Maré Alta, entrevistei Nagib e sabendo que o poder para ele era tudo, perguntei se o Partido Comunista chegasse ao governo no Maranhão, como se conduziria.

Tranquilamente, respondeu: – Aderia imediatamente ao Partido Comunista.

Se Nagib não tivesse partido tão cedo para a eternidade, estaria hoje ao lado do governador Flávio Dino e filiado ao PC do B?

EX-REITORES

O Maranhão perdeu recentemente dois ilustres profissionais e professores universitários.

Ambos, chegaram à culminância da vida acadêmica, no exercício dos cargos de reitor da Universidade Federal do Maranhão e da Universidade Estadual do Maranhão: Manoel Estrela, e Joaquim Santos.

EMPREENDEDORES E PREDADORES

Dois gestores municipais do Maranhão foram agraciados com os títulos de Prefeitos Empreendedores: Albérico Ferreira, de Barreirinhas, e Eudes Sampaio, de São José de Ribamar.

O prêmio, oferecido pelo Sebrae, deixou o restante dos prefeitos maranhenses na categoria de Depredadores.

15 ANOS DA FAPAED

Em 2003, professores e técnicos da Universidade Estadual do Maranhão, do curso de Administração, mobilizaram-se para criar um instrumento de promoção de objetivos científicos, acadêmicos, sociais e culturais.

A melhor forma de alcançar esse propósito foi a criação de uma entidade civil sem fins lucrativos e de personalidade jurídica.

Isso se materializou em 2004, quando passou a existir de fato e de direito a FAPEAD-Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão, que, na semana passada, completou 15 anos de bons serviços prestados à UEMA, e hoje sob o comando do professor e engenheiro, José de Ribamar Lisboa Moura.

VICE CAMPEÃO

O senador Roberto Rocha, que vem se desempenhando satisfatoriamente no Congresso Nacional, acaba de conquistar um lugar de destaque no campeonato de diárias do Senado.

Só este ano, já recebeu R$ 20, 8 mil, o que lhe dá o direto de ser o vice-campeão no ranking das diárias.

ROMANCE DE RONALDO

Está marcado para o dia 22 de agosto vindouro, o lançamento do mais novo livro da autoria do intelectual maranhense, Ronaldo Costa Fernandes.

Trata-se do romance, com o título de “O Padre Vieira na Ilha de São Luís”.

Ronaldo, que mora em Brasília, pela obra literária que vem realizando, é um dos próximos maranhenses a ingressar na Academia Brasileira de Letras.

OS LULAPETISTAS

A mim, não importa se houve conversas entre o procurador Delton Dallagnol e o ex-juiz Sérgio Moro.

Nada disso é relevante diante do realizado pela Operação Lava-Jato, que livrou o Brasil do Lulapetismo, que saqueou o País e deixou uma herança maldita aos brasileiros.

WASHINGTON LUÍS

Em agosto de 1926, antes de assumir a presidência da República, Washington Luís, esteve em São Luís.

Aqui, deixou uma frase interessante sobre o que viu e ouviu: – Se o Maranhão é bom, se o povo é bom, depende dos maranhenses o futuro do Estado. 

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