LIBELO CONTRA EX-PREFEITO

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Poucos os prefeitos eleitos em outubro de 2016 e empossados em janeiro de 2017, que não se queixam de haver recebido dos antecessores uma carga pesada de dívidas e de descalabros administrativos.

Da herança maldita deixada nas prefeituras, inobstante as advertências e as penalidades anunciadas pelos órgãos fiscalizadores das contas públicas, os ex-prefeitos, entre tantas mazelas, desponta o não recolhimento das contribuições previdenciárias e fiscais, fato que resultou em bloqueio dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios.

Na minha cidade, o ex-prefeito – considerado o mais irresponsável que Itapecuru já teve em todos os tempos – deixou os cofres da prefeitura literalmente vazios, desviou dolosamente os recursos destinados ao município, não pagou o funcionalismo e os fornecedores e ainda entregou a urbe em estado de deplorável sujeira.

As irregularidades e as ilegalidades praticadas pelo ex-gestor, que se diz evangélico,  foram tão gritantes e estapafúrdias, que obrigaram o atual prefeito, Miguel Lauande,  a fazer uma “Carta Aberta à População de Itapecuru”, na qual expõe de forma clara e direta a situação que recebeu do antecessor, toda ela permeada de distorções, descalabros e desonestidades.

Vejam o que Miguel Lauand herdou: 1) débito de vinte milhões de reais com o INSS, pelo recolhimento de informações erradas quanto ao número de servidores municipais; 2) inadimplência que o impede de tirar certidão negativa de débito junto à Receita Federal, INSS ou FGTS; 3)  firmar convênios ou parcerias com organismos públicos e privados;  4) dívidas com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica , em torno de cinco milhões de reais, referentes a empréstimos consignados  de pagamentos dos servidores, descontados e não repassados; 5) débitos volumosos com a Cemar e Caema; 6) precatórios não cumpridos; 7) centenas  de processos que tramitam na Justiça Comum e na Justiça do Trabalho.

Além dessas irresponsabilidades, a situação de terra arrasada nas áreas da Educação e da Saúde  com o transporte escolar  sucateado, as escolas da zona urbana e rural destruídas, postos de saúde  sem remédio e material necessário para atender à população.

Com base nesse dantesco quadro, o prefeito pede a compreensão do povo itapcuruense  pelo fato  de a prefeitura, este ano, não bancar o tradicional e alegre carnaval, considerado um dos melhores do interior maranhense, que “além de proporcionar diversão, dinamiza a economia e aquece o comércio da cidade”.

O gesto do prefeito de Itapecuru, pela coragem de denunciar o antecessor e de mostrar a triste realidade do município, só merece elogios e deveria ser imitado por tantos outros que estão na mesma situação. Quem sabe, assim, as coisas mudassem e os gestores municipais criassem mais juízo e deixassem de ser corruptos e irresponsáveis.

O FENÔMENO FUFUCA

O jovem André Fufuca, quando exerceu o mandato de deputado estadual, na legislatura 2010-2014, não teve atuação destacada e sua figura parlamentar foi simplesmente apagada.

Ao se eleger deputado federal, Fufuquinha,  de repente,vira fenômeno político no Congresso Nacional.

No primeiro mandato, não se sabe como, caiu nas graças do então poderoso presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha, que fez dele figura proeminente da sua turma de choque.

Na legislatura atual, além de não ficar marcado por ser do time de Eduardo Cunha, vem de se eleger segundo vice-presidente da Câmara Federal, na chapa encabeçada pelo deputado Rodrigo Maia.

Será que Freud explica.

GERENTES DE BANCOS

Eu sou do tempo em que os gerentes de Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia, no Maranhão, em matéria de prestigio, só perdiam para o governador do Estado.

Pelo poder a eles atribuídos de resolver problemas financeiros, fossem da área pública ou privada, eram considerados salvadores da pátria e, portanto, merecedores de homenagens da sociedade.

Com o passar dos anos, os gerentes de bancos oficiais perderam o prestígio e a força, por isso, deixaram de ser cortejados pelos políticos e empresários. Hoje, ninguém sabe o nome deles e nem quando chegam ou saem de São Luis.

Sustentado em Machado de Assis, arrisco a pergunta: mudaram os bancos ou a sociedade?

ACORDO DE CLEMÊNCIA

Com a operação Lava-Jato, o Acordo de Leniência ganhou uma repercussão jamais vista no Brasil.

No Maranhão, acaba de ser inventado o Acordo de Clemência.

Através desse recurso, empresários, fornecedores e prestadores de serviços encaminham expediente aos órgãos governamentais, para os quais pedem as quitações de faturas em prazos imediatos, pois só assim poderão cumprir compromissos trabalhistas e previdenciários em tempo hábil.

UMA AÇÃO COMBINADA

As relações, até então amistosas, do deputado José Reinaldo Tavares com o governador Flávio Dino, azedaram-se com o voto do parlamentar a favor do impeachement da presidente Dilma Roussef.

Esse azedume tinha tudo para incrementar com a decisão do governador Dino de extinguir a Secretaria de Minas e Energia, comandada por uma pessoa do bem querer de Zé Reinaldo.

Tal fato, porém, não aconteceu, porque, antes da publicação do ato no Diário Oficial, o próprio chefe do Executivo comunicou a Zé Reinaldo que o pessoal da Secretaria de Minas e Energia será absorvido integralmente pela Secretaria de Indústria e Comércio e sem perda de salário.

PREFEITOS DO MARANHÃO

Não há na Federação brasileira, prefeitos iguais aos do Maranhão, na arte de desrespeitar o ordenamento jurídico e administrativo do País.

O Tribunal de Contas do Estado do Maranhão acaba de tornar público  que das 217 prefeituras maranhenses, só 89  cumprem as regras da transparência fiscal. As restantes, ou seja, as 128 estão em completo descompasso com a lei.

Da mesma maneira procedem no tocante à legislação trabalhista, à previdência social e à probidade administrativa.

Parafraseando o saudoso Jânio Quadros, dir-se-ia que os prefeitos  continuam irrecuperáveis para a democracia.

MINISTRO MARANHENSE

O último ministro maranhense a fazer parte do Supremo Tribunal Federal foi Carlos Madeira, nomeado na gestão do presidente da República, José Sarney.

A oportunidade de vermos outro maranhense no STF quase aconteceu agora, face à presença do nome do ministro do STJ, Reinaldo Fonseca, na lista da Associação dos Juízes do Brasil, cujo presidente é o magistrado federal, Roberto Veloso.

Há quem diga em Brasília que Reinaldo Fonseca só não chegou ao Supremo Tribunal Federal pela forte amizade do presidente Michel Temer com o escolhido, Alexandre Moraes.

RASPAR CABELO

O ato de raspar compulsoriamente o cabelo e a barba de presos não é uma prática dos tempos atuais.

No auge das lutas pela liberdade e igualdade civil entre negros e brancos,  quando os escravos fugiam em massa para os quilombos, aos fujões restavam as impiedosas surras e as cabeças peladas.

A novidade no Brasil de hoje é ver gente como Eike Batista e Sérgio Cabral presos e de cabeças raspadas.

LEMBRANDO ERASMO DIAS

É do renomado jornalista esta frase ao saber que o engenheiro Haroldo Tavares seria o sucessor de José Sarney no Governo do Estado: – Boa escolha, pois ele tem classe até para beber um copo de cerveja.

 

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O JOVEM PREFEITO DE CODÓ

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A grande invasão árabe no Maranhão deu-se nos primeiros anos do século XX, em decorrência dos confrontos bélicos no Oriente Médio.

Incorporados àquelas correntes migratórias, vieram os meus avós Rafiza  Gattas e João Mutran Buzar, desembarcados no porto de Salvador em  abril de 1913.

Da capital baiana, iniciaram uma longa e penosa jornada de viagem cujo objetivo era alcançar a vila de Itapecuru Mirim, onde já se encontrava o primo Chafi Buzar, pai do compositor Nonato, que aconselhou o casal a fugir de Monte Líbano e tentar nova vida no Brasil, país que recebia os migrantes árabes com alegria e fraternidade.

Depois de percorrerem o interior do Brasil, por meio de caminhadas, em lombos de  animais ou em pequenas embarcações, finalmente, aportaram em Itapecuru, às margens do rio de mesmo nome e pelo qual transitava grande parte da produção agrícola do Maranhão.

Bem recebidos no lugar que escolheram para viver, não perderam tempo: com pouco dinheiro e muito esforço trabalharam incansavelmente para manterem a família, que aumentara com a chegada dos filhos que deixaram em Monte Líbano, Nagib e Ana, os quais se juntaram aos nascidos em terras brasileiras: Abdala (meu pai) e João José.

De mascates, os Buzar, pela indômita vontade de vencerem na vida, transformaram-se em comerciantes e figuras influentes em Itapecuru,  cidade que Ana e Nagib Buzar trocaram  por Codó, onde se deram bem, construíram família e patrimônio.

Os filhos que ficaram em Itapecuru, Abdala e João José, ajudaram os pais na tarefa comercial, na qual o meu pai se destacou como empresário e depois como homem público, exercendo os cargos de suplente de juiz, delegado de polícia, vereador, prefeito nomeado e eleito.

Dos filhos de Nagib, apenas um exerceu o mandato popular: Nagibinho,  vereador à Câmara Municipal de Codó, nos anos 1970. Dos filhos de Abdala, só este escriba ingressou na política, sendo eleito deputado estadual nas eleições de 1962, mas teve o mandato cassado em abril de 1964, pela Assembleia Legislativa, por imposição o regime militar.

Fiz esse intróito para dizer que depois de alguns anos sem que um membro da família Buzar participasse da cena política maranhense, um bisneto de Rafiza e João Buzar, neto de Maria de Lourdes e Nagib Buzar, filho de Maria de Fátima Buzar e Francisco Oliveira, ingressa na atividade pública e elege-se prefeito de Codó.

Chama-se Francisco Nagib, um jovem que tinha tudo para suceder ao pai, no ramo industrial, mas atendendo ao chamamento do povo codoense, assumiu o comando da prefeitura de um dos municípios mais prósperos do Maranhão.

Eu, na condição de primo de Francisco Nagib, sem conhecê-lo pessoalmente, torço para que realize boa administração na sua cidade e siga o exemplo do tio Abdala, que, como homem público, sempre foi bem quisto pelo povo de Itapecuru e nunca traiu a confiança dos que nele votaram.

ANA DO GÁS

No começo desta década, com grande estardalhaço o mega empresário Eike Batista anunciou a descoberta na região central do Maranhão de grandes reservas de gás natural, equivalente à meia Bolívia.

No pressuposto de que aquelas reservas transformariam o Maranhão num dos maiores produtores de gás natural do mundo, as empresas X intensificaram os investimentos no Vale do Mearim, fazendo, de um lado, melhorar as condições de vida dos habitantes daquela região, de outro, valorizar as ações das empresas de Eike no mercado.

Por conta dos investimentos realizados pelas empresas X, nos municípios de Santo Antônio Lopes, Capinzal do Norte e outros, nos cofres dessas prefeituras abundaram royalties.

Com esse vendaval de dinheiro circulando na região, a mulher do prefeito de Santo Antônio dos Lopes ganhou o nome de Ana do Gás e o mandato de deputado estadual nas eleições de 2014.

PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE

Não passou de boato a notícia de que São Luis perderia o título de Cidade Patrimônio da Humanidade, outorgada pela Unesco,depois de muita luta.

Comprovada a falsidade da notícia, o prefeito Edivaldo Holanda Júnior ganhou alma nova, pois, se verdadeira, o deixaria numa situação política e pessoal deveras constrangedora e com possibilidade até de uma renúncia do cargo que ocupa.

Mesmo sendo boato, seria de bom alvitre que o prefeito Holandinha despertasse, enquanto é tempo, para a situação de abandono do centro histórico de São Luis, cuja responsabilidade de mantê-lo e de preservá-lo é exclusivamente da prefeitura.

SENADORES E SENADORES

Quando leio nos jornais ou vejo nos blogs que os deputados Waldir Maranhão e Werton Rocha, como projetos de vida, pretendem ser os futuros senadores do Maranhão, penso naqueles homens que em épocas passadas nos representaram na mais alta Casa do Congresso Nacional.

Como não estarão em seus túmulos, figuras como Gomes de Castro, Benedito Leite, Urbano Santos, Alexandre Colares Moreira Junior, Fernando Mendes de Almeida, Manoel Bernardino Costa Rodrigues, Francisco da Cunha Machado, Antônio Brício de Araújo, Clodomir Cardoso, Genésio Rego, José Neiva de Sousa, Vitorino Freire, Archer da Silva, Eugênio Barros, Clodomir Millet, Alexandre Costa e Henrique de La Rocque Almeida, que deixaram os seus nomes perpetuados na vida pública brasileira como políticos que honraram os mandatos outorgados pelo povo maranhense.

CRISES NAS UNIVERSIDADES

A crise que ora vive o país chegou às universidades.

No Rio de Janeiro, na área privada, o prédio da Universidade Cândido Mendes, em Ipanema, vai a leilão.

Na área pública, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro está para fechar as portas.

No Maranhão, a situação não é nada diferente. A Universidade Estadual do Maranhão não fechará, mas, este ano, terá problemas para se sustentar, por conta da criação da Universidade do Sul do Maranhão, que não tem orçamento e dependerá da Uema para funcionar.

No setor privado, uma faculdade de médio porte, segundo se comenta, está em situação complicada e sem oxigênio para dar alguma sobrevida.

DIREÇÃO DO ARQUIVO

A competente técnica Helena Espíndola está com os dias contados na direção do Arquivo Público do Maranhão.

Pelos bons anos de serviços prestados ao Maranhão, terá direito à aposentadoria. A saída de Helena está preocupando os pesquisadores e os que se servem das fontes históricas que se encontram no Arquivo Público, que ela ajudou a construir e organizar.

Sem ela ou outra pessoa de seu nível técnico, o órgão poderá perder a sua destinação de guardar e conservar toda uma documentação institucional e histórica de nosso Estado.

BASE DE ALCÂNTARA

O Brasil e os Estados Unidos voltam a realizar estudos conjuntos, com vistas ao lançamento de foguetes da Base Espacial de Alcântara.

Caso tais estudos cheguem a bom termo, está previsto um vôo inaugural para deixar o mundo aliviado.

A participação nele do presidente dos Estados Unidos, Ronald Trump e de  alguns políticos brasileiros.

BOM COMPORTAMENTO

Nota dez para os presidiários maranhenses confinados na Penitenciária de Pedrinhas.

Os detentos daqui não se empolgaram, não aplaudiram e nem prestaram solidariedade aos rebelados das penitenciárias de Manaus e de Natal.

Por causa desse bom comportamento, o Governo do Estado pensa em realizar uma solenidade especial de reconhecimento pelo novo momento em que a vive a Penitenciária de Pedrinhas.

ODEBRECHT EM BAIXA

A Odebrecht, realmente, não vive um momento bom no Brasil.

Até no Maranhão, a poderosa empresa está passando por maus bocados e sofrendo constrangimentos.

O nosso Procon, de modo audacioso, emparedou a Odebrecht, obrigando-a a fornecer água de boa qualidade aos moradores da Raposa.

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A DESCENTRALIZAÇÃO DO CARNAVAL DE SÃO LUIS

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Até antes de Epitácio Cafeteira assumir o cargo de prefeito de São Luis – final de 1965 – a interferência do Poder Público nas festas carnavalescas era desprezível.

Cabia à Polícia o disciplinamento das festas carnavalescas, que por meio de portaria, emitia e divulgava as normas relacionadas ao uso de fantasias, funcionamento de bailes e consumo de bebidas alcoólicas.

Por ato do novo prefeito, a população toma conhecimento de que a partir de 1966, os chamado bailes de máscaras – as atrações do carnaval maranhense – não seriam mais realizados na cidade, sob a justificativa de que alimentavam a prostituição e afrontavam a moral pública.

A população, excetuando-se setores ligados à igreja católica, reage ao inesperado decreto e exige do Governo do Estado posicionamento contra a intromissão da administração municipal em assunto que não lhe dizia respeito.

Através de duas frentes o Governo estadual age. Politicamente, pela palavra do vice-governador Antônio Dino e do deputado Clodomir Millet, que, através dos meios de comunicação, repudiam o ato de Cafeteira, taxado de demagógico. Juridicamente, com o ingresso de mandado de segurança, no qual o Chefe de Polícia denúncia o prefeito de agir de maneira insólita e irresponsável e o acusa de imiscuir-se num caso fora da alçada municipal.

Cafeteira, por sua vez, defende-se e avoca para si o direito de assim proceder. Propositadamente a Justiça deixa o período carnavalesco extinguir-se e não define a questão. Resultado: os bailes de máscaras não acontecem, os foliões frustram-se e os promotores das festas tomam prejuízos incalculáveis, fatores que contribuem para o definhamento do carnaval de São Luis.

Essa situação de marasmo se altera com a eleição de Roseana a governadora. Carnavalesca assumida, no seu primeiro mandato, bota os blocos na rua, convoca os anestesiados foliões, arregimenta as brincadeiras de Momo, ornamenta a cidade, prepara as ruas e organiza uma programação bem elaborada.

O plano de Roseana deu certo, pois o povo retorna às ruas e se reencontra com as brincadeiras que animavam a cidade.  Essa virada de página repercute no espírito do folião e permanece até ela deixar o governo.

Esse quadro de apatia se modifica recentemente, não por iniciativa do governo municipal ou estadual, mas por setores sociais que moram nos bairros, que se juntam espontaneamente e movidos pela vontade de se divertir, promovem festas por conta própria e a céu aberto. Essa mudança do carnaval de São Luis, marcada pela descentralização e revitalização, decorre da troca, pelo folião, do cenário urbano pelo suburbano. Trata-se de um carnaval brincado em ambiente aberto e com a participação integral da comunidade. Por isso, não pode incomodar o Ministério Público, ao contrário, deve ser visto com bons olhos, estimulado e sem regras e normas para tolhê-lo.

KÁTIA GLOBAL

Na semana passada, a presidente do órgão responsável por preservar o patrimônio do país, Kátia Bogéa, mereceu a primeira página do Segundo Caderno do jornal O Globo.

Ela, pelos oitenta anos de criação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, foi homenageada e com direito a foto de corpo inteiro.

Na entrevista, Kátia falou, com a sua costumeira coragem e competência, sobre o trabalho do Iphan ao longo de oito décadas, instituição responsável pela saída de obras de arte do país, do licenciamento ambiental de obras e cuida de 450 mil imóveis em 87 sítios urbanos.

Pela primeira vez, ela comentou publicamente sobre a polêmica que culminou com a saída de dois ministros no Governo Temer.

ANA GRAZIELA

Poucos os profissionais tiveram uma ascendência tão rápida e fulgurante na vida pública como Ana Graziela.

Formada, optou pela atividade advocatícia, onde se projetou e recebeu convite da governadora Roseana Sarney para assumir o cargo de chefe da Casa Civil, onde mostrou capacidade e desembaraço, a despeito de marinheira de primeira viagem.

Pela destacada atuação no espinhoso cargo foi convocada pelo senador José Sarney para presidir a Fundação da Memória Republicana Brasileira, onde realizou bom trabalho, interrompido com a chegada ao poder do governador Flávio Dino.

Integrando um grupo selecionado que assessora a ex-governadora Roseana Sarney, por esta foi indicada para a Superintendência da Empresa Brasileira de Comunicação e nomeada pelo presidente Temer.

NEIVA MOREIRA E JOSUÉ MONTELLO

Este ano, duas das maiores expressões da intelectualidade maranhense, Neiva Moreira e Josué Montello, completariam cem anos de vida.

O primeiro foi destaque no jornalismo; o segundo, na ficção, como romancista.

Um e outro se projetaram no Rio de Janeiro. Josué Montello, na Cidade Maravilhosa, foi crítico de teatro do jornal Vanguarda, emprego conseguido por Neiva Moreira, à época, diretor do periódico carioca.

SETENTA ANOS DO TRIBUNAL DE CONTAS

No ano passado, o conselheiro Washington Oliveira movimentou-se para comemorar em 2017 os setenta anos de criação do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão.

O órgão, instalado a 2 de janeiro de 1947, pelo  interventor Saturnino Bello, que nomeou para integrá-lo  Humberto Pinho, Cícero Neiva, Celso Aguiar e Joaquim Sales Itapary, este, presidente.

Ao longo do tempo, o Tribunal de Contas teve 24 presidentes, alguns com mais de uma passagem no seu comando, a exemplo de José Evandro Barros, Newton Bello Filho, Nonato Lago e João Jorge Pavão.

Quem o preside atualmente é o conselheiro José de Ribamar Caldas Furtado.

FÓRMULA AMERICANA

Com as maluquices do novo presidente dos Estados Unidos, Ronald Trump há quem diga que não chegará ao fim do mandato.

Se isso acontecer não será afastado por meio de impeachement, mas mediante fórmula que os americanos conhecem muito bem e já aplicaram para banir da vida pública quatro presidentes da República: Abraham Lincoln, James A. Garfield, William Mackinley e John F. Kennedy.

No Brasil, até hoje, não tivemos nenhum presidente assassinado. Dois morreram após o cumprimento do mandato, mas em decorrência de desastres: Humberto Castelo Branco, em 1967, em Fortaleza. Voava num avião que se chocou com outro da FAB. Juscelino Kubitscheck faleceu em 1976, em acidente na estrada Rio-São Paulo.

No Maranhão, nenhum governador perdeu a vida por assassinato ou desastre. Lembro apenas de José Reinaldo Tavares, que escapou numa viagem de helicóptero ao interior do Estado. A aeronave caiu, mas os passageiros nada sofreram, além do susto.

POLÍTICO NOVO E VELHO

Apareceu um político novo no Maranhão, mas com nome de político velho: Américo de Sousa.

O novo é o prefeito eleito do município de Coelho Neto.

O velho foi deputado federal pelo Rio Grande do Norte e pelo Maranhão. Como suplente de senador, assumiu o mandato com a posse de José Sarney na presidência da República.

REDUÇÃO DE GASTOS

O prefeito Edivaldo Holanda Junior anuncia o plano para este ano reduzir as despesas da prefeitura de São Luis.

Citou alguns itens, mas esqueceu o principal,  o que infalivelmente derrubaria a gastança municipal: o enxugamento da máquina administrativa e a extinção de cargos comissionados.

Não se pode fazer economia com um primeiro escalão de mais de trinta secretários.

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O CRIME DA BARONESA NA VERSÃO DE JOSUÉ MONTELLO

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Neste ano, em que a Academia Maranhense de Letras comemora de modo ressoante o centenário de nascimento do escritor Josué Montello (21 de agosto de 1917), nada mais significativo do que lembrá-lo, trazendo a lume passagens de sua vida, registradas em seus livros de memória, cuja leitura enternece pela leveza da escrita, tornadas públicas em seus Diários da Manhã, da Tarde, do Entardecer e da Noite Iluminada.

Como li todos os Diários de Josué, recentemente lancei mão do Diário do Entardecer para deleitar-me e ajuizar-me de como ele, na condição de romancista e memoralista, via e sentia as coisas de seu tempo, que giravam em seu redor, especialmente com respeito ao Maranhão, abordados e descritos com extrema lucidez e riqueza de detalhes.

Nas páginas 480 e 483, por exemplo, dou de cara com um episódio, ocorrido em São Luis, tendo como protagonista principal uma mulher da alta sociedade maranhense e casada com um homem que exercia grande influência política, até porque como vice-governador da Província, encontrava-se no exercício do poder.

O referido episódio, pela repercussão na sociedade, mereceu do romancista maranhense uma narrativa toda especial, a ponto de ser incluída no antológico livro “Os tambores de São Luis”, no qual a saga da escravidão no Maranhão é mostrada em toda magnitude.

A obra de Montello traz informações sobre o crime praticado pela Baronesa de Grajaú, Ana Rosa Viana Ribeiro, mulher de índole perversa, que tratava seus escravos com extrema desumanidade e que matou dois escravos adolescentes, no seu sobrado da Rua de São João.

O ato criminoso levou o jovem advogado Celso Magalhães, de 26 anos, recém-chegado de Recife, onde se formara, e nomeado promotor em São Luis, a processar a Baronesa, a despeito de sua posição social e política. Mais ainda: “prendeu-a no quarto da guarnição local, e a levou a júri”.

Por causa dessa atuação desassombrada e do estrito cumprimento do dever, o jovem promotor pagou um preço alto: após o julgamento, com a absolvição da Baronesa, dado à influência política do marido, Celso Magalhães foi exonerado do cargo que ocupava pelo Barão de Grajaú, Carlos Fernandes Ribeiro, ato que obrigou o advogado a mudar-se para o Rio de Janeiro, onde faleceu pouco depois.

Quem ajudou Josué Montello a se inteirar desse crime hediondo, que abalou o Império, foi o conterrâneo José Sarney, que tomando conhecimento do interesse do romancista pelo caso da Baronesa de Grajaú, teve com ele uma oportuna conversa: “Você está interessado neste processo? E é para o romance dos negros no Maranhão? Então, espere um momento”, disse Sarney, que, com uma volumosa papelada em mãos, adiantou: “Sabe o que é isto? É o processo da Baronesa. Um dia, ao entrar no Tribunal de Justiça, vi uma fogueira no pátio. Estavam queimando processos antigos que atravancavam as prateleiras do arquivo. Curioso, segurei este. Vi logo do que se tratava e o trouxe comigo”.  E arrematou: “Agora, sei que estão em boas mãos”.

SEGURANÇA PÚBLICA

Nesses primeiros dias de 2017, face ao clima de insegurança reinante no país, decorrente dos massacres nas penitenciárias estaduais, um movimento veio a lume no Congresso Nacional, com vistas à criação do Ministério da Segurança Pública.

Quem lidera o movimento é a Frente Parlamentar da Segurança Pública, conhecida como “bancada da bala”, da qual faz parte o deputado Aluísio Mendes.

Por dever de justiça, devo dizer que a proposta da criação do Ministério da Justiça Pública não é de agora. Na legislatura passada, o então deputado federal, Lourival Mendes, da bancada maranhense, a apresentou e foi motivo de comentários ruidosos no Congresso Nacional e na mídia impressa e eletrônica.

Lourival,  delegado de profissão, apresentou o projeto no momento igual ao que o país vive, como alternativa para o tratamento adequado das questões da violência e da criminalidade e levando em conta que os estados e municípios não dispõem de recursos suficientes para combater o crime organizado.

BEM, CEMAR E CAEMA

Em tempo não tão distante, o Banco do Estado do Maranhão e as Centrais Elétricas do Maranhão saíram da esfera pública e passaram para o domínio privado.

Aquelas mudanças – basta ver os jornais da época – foram polêmicas e combatidas por setores de oposição à governadora Roseana Sarney, no entendimento de que o Estado do Maranhão não deveria abrir mão de dois bens patrimoniais, que embora não funcionassem satisfatoriamente, mas pertenciam ao povo maranhense.

O Banco do Estado do Maranhão foi o primeiro a se desligar da ação pública estadual, iniciado com o processo de intervenção federal, e concluído com a venda ao Bradesco, em fevereiro de 2004.

Em seguida, deu-se a privatização da Cemar, em agosto de 2004, que possibilitou à empresa empreender um processo de reestruturação financeira e operacional.

Depois do BEM e da Cemar, a bola da vez seria Caema, companhia ineficiente e altamente deficitária. Mas o movimento contra a sua privatização foi muito forte, fazendo o governo recuar.

Nos dias correntes, a privatização da Caema volta ao debate, e como dantes, não é bem vista pelos atuais detentores do poder, receosos de tomar uma decisão que poderia bater de frente com a ideologia de uma esquerda superada no tempo e nos espaço.

ACORDO  DE CANDIDATOS

No aniversário de Mauro Fecury, comemorado, semana passada, no Rio de Janeiro, chamou a atenção dos convidados a longa conversa entre o ministro Sarney Filho e o deputado José Reinaldo Tavares.

Um atento curioso captou a parte mais importante da inesperada conversa, mas altamente positiva a ambos.

Um acordo apalavrado foi firmado entre o ministro e o deputado, no sentido de que se desdobrarão com afinco e trabalharão juntos para se candidatarem às vagas de senador pelo Maranhão, nas eleições de outubro de 2018.

CANDIDATO A CORRUPTO

Tomaram posse no dia 1º de janeiro de 2017, mais de 200 prefeitos no Maranhão.

Poucos reeleitos e muitos eleitos, mas todos concorrem a um título bastante cobiçado: o de prefeito mais corrupto.

A esse respeito, o grande jornalista João Lisboa dizia e com muita propriedade: – No Maranhão, os homens públicos roubam em todos os tempos e modos.

JOVEM, PORÉM…

Mais um maranhense vem de assumir um cargo importante na administração federal.

Quem o conhece, diz ser um empavonado jovem e não qualificado para o exercício da tarefa a ele confiada.

Anotem, para conferir depois: não ficará muito tempo no cargo para o qual foi nomeado.

HAY PREFEITO?

Daqui a uma semana, completa um mês da posse do prefeito Edivaldo Holanda, reeleito para mais um mandato na prefeitura de São Luis.

Da sua investidura (1º de janeiro de 2017) aos dias correntes, a opinião pública não sabe se ele está em São Luis ou em vilegiatura.

O sumiço de Edivaldo mostra que a cidade, com todos os problemas que  enfrenta, pode perfeitamente sobreviver sem prefeito.

Quem transita pela Avenida Pedro II, onde está instalada a sede do Poder Executivo de São Luis, verá o prédio literalmente fechado. Dia e noite.

Na gestão passada, o Palácio La Ravardiére foi o local menos freqüentado pelo prefeito. Eu sou do tempo, em que o gestor da Capital despachava diariamente, em tempo integral e dedicação exclusiva, no imóvel da Pedro II.

Por isso, em São Luis, aquela máxima de “Hay prefeito? Se hay, soy contra”, é verdadeira e atual.

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JOÃO DORIA E LUIS FERNANDO

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Em inicio de ano, geralmente o noticiário político perde força, porque o Congresso Nacional, onde os assuntos do País são debatidos e discutidos, se acha em recesso, não funciona e a mídia, com isso, reduz bastante a sua capacidade de informar.

Em 2017, contudo, o noticiário político começou aquecido por causa da posse dos novos prefeitos. Como moramos em cidades e estas são administradas por gestores municipais, as atenções da população se voltaram para a investidura dos eleitos no pleito de outubro do ano passado, que receberam dos antecessores uma herança maldita, caracterizada por um quadro de cofre vazio, máquina administrativa emperrada, dívidas gritantes, salários atrasados e compromissos financeiros não cumpridos.

De todas as urbes brasileiras, que ganharam novos administradores, duas brilharam pelas luzes da manchete: São Paulo e São José de Ribamar, graças a iniciativas curiosas e nada triviais.

Na contra mão do que aconteceu no Brasil inteiro, os prefeitos João Doria e Luis Fernando Silva, sem se conhecerem pessoalmente e sem combinarem, praticaram um ato inédito, que deu a eles projeção e suscitou muita controvérsia: após a solenidade de investidura nos cargos para os quais se elegeram, trocaram as festividades comemorativas ao evento político pelas ruas, nas quais protagonizaram cenas indescritíveis.

Acompanhados de auxiliares e servidores municipais, os dois gestores, iniciaram uma simbólica jornada de trabalho, voltada para a limpeza pública, a fim de mostrar que, nas suas administrações, estarão permanentemente nas vias públicas e fiscalizando os serviços reclamados pelas comunidades.

A mídia, de lá como de cá, deu ao ato e aos que a protagonizaram, um destaque altamente estrondoso, a ponto de obscurecer tudo o que aconteceu no Brasil afora, num dia marcado por milhares de posses, em cidades de todos os portes.

A repercussão do gesto de João Doria e de Luis Fernando foi de tal modo gritante que, além de virar assunto do cotidiano, deu margem a comentários variados.  Se em São Paulo, o gesto de João Doria foi criticado e taxado de demagógico, pelo fato de ele apresentar-se devidamente paramentado de gari, no Maranhão, a atitude de Luis Fernando foi elogiada e vista como algo novo e alentador, porque praticada com a indômita vontade de recuperar o tempo perdido em que Ribamar esteve  sob uma infeliz gestão.

Resta saber quem foi o primeiro a anunciar tão ousada iniciativa. Pelas minhas contas, Luis Fernando, com bastante antecedência, divulgou o propósito de realizá-la. Antes do pleito, ele, convicto da vitória nas urnas, convocava a população ribamarense para uma empreitada, pensada sem objetivos demagógicos.

Há quem sonhe num futuro encontro de João Doria com Luis Fernando, para se conhecerem e discutirem os projetos que pensam executar em São Paulo e São José de Ribamar, urbes com realidades diferentes, mas que podem crescer desde que sejam bem conduzidas, a despeito da crise que assola o país.

Nesse sentido, um fato une as duas cidades: são protegidas por santos, mas quanto às potencialidades, se distanciam bastante. São Paulo é poderoso, rico e sem devoto; São José é pobre, milagreiro e com devoto de sobra.

TREMOR DE TERRAS

Na semana passada, moradores de São Luis e de algumas cidades do interior maranhense, viveram momentos de tensão, por causa do tremor de terras, fenômeno sísmico, tendo Belágua como epicentro.

O terremoto repercutiu, também, em São Luis, Itapecuru e Vargem Grande, assustando os moradores não acostumados com os fenômenos atípicos da natureza.

Não é a primeira vez que tremor de terra aparece no Maranhão.  O professor César Marques, no seu primoroso Dicionário Histórico-Geográfico da Província do Maranhão, afirma que “na noite de 25 para 26 de dezembro de 1864, pelas duas horas da manhã, ouviu-se na capital um som surdo como de um trovão ao longe, sentindo-se ao mesmo tempo um ligeiro tremor nas casas. Nenhum desastre, porém, se deu, pois tudo passou rapidamente”.

O mesmo professor, também, informa que no dia 8 de abril de 1871, em Itapecuru Mirim, ocorreu fenômeno semelhante: “A uma e meia hora da madrugada do dia 5 do corrente houve nesta cidade um tremor de terra precedido de um forte estampido ouvido muito longe; o tremor durou por espaço de alguns segundos e, tão forte que abalou camas, redes e mais móveis das casas, despertando quem dormia; em casa do padre Cabral houve pessoas que caíram por terra; os animais que andam soltos correram espavoridos; foi um sucesso novo para esta cidade e por isso mesmo muito pavoroso”.

FIM DA FICHA SUJA

Não se entende por que um ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, a quem cabe zelar pelo cumprimento das leis no país, tenta acabar com a legislação que impede corruptos de se candidatarem a cargos eletivos.

Na contra mão do movimento que levou a população brasileira a pedir ao Congresso Nacional a aprovação de uma legislação altamente útil e oportuna, para deixar os políticos desonestos e inidôneos  na rua da amargura, o ministro age em sentido contrário.

Na semana passada, deploravelmente, por meio de um despacho sumário, mandou a juíza de Bacabal diplomar e empossar no cargo de prefeito o candidato Zé Vieira, cuja vida pregressa, como político, é mais suja do que pau de galinheiro.

DE OLHO EM DUTRA

Se há um político no Maranhão alvo de intensa e cerrada marcação da população, chama-se Domingos Dutra.

Ao longo de sua vida pública, atuou como a mais severa palmatória do mundo. Quem fosse seu inimigo ou adversário político, não tinha direito de errar. Se assim procedesse, estava sujeito a ser enxovalhado e denunciado.

Como ele agora não é vidro, mas vidraça, pois exerce o cargo de prefeito do Paço Lumiar, as suas vítimas não o deixarão em paz. E já começou a sofrer com o ato de nomeação da esposa, a chefe de gabinete da prefeitura para a qual se elegeu.

ESTRANHA ESCOLHA

Por falar em Paço do Lumiar, não pode passar em branco uma pesquisa realizada e divulgada pela revista Veja sobre as melhores cidades para se viver no Brasil.

Paço Lumiar ficou em 15º lugar no ranking do Nordeste, à frente de cidades como Maceió, capital de Alagoas, e da próspera cidade paraibana, Campina Grande.

Sou um maranhense profissional, mas questiono, sob todos os aspectos, essa pesquisa. Quem conhece as três cidades, sabe que Paço do Lumiar, em matéria de condições de vida, está longe de Maceió e Campina Grande.

TROPICAL SHOPPING

Roosevelt Murad durante longo tempo negociou a saída do Supermercado Mateus do Tropical Shopping, de sua propriedade, a fim de expandi-lo, com a construção de uma torre residencial, tipo flat.

Como a operação custou a ser concluída, atrapalhou o projeto de expansão do Tropical Shopping, que seria iniciado com o mercado em aquecimento.

Mas enquanto a negociação rolava, o dono do Mateus comprou um terreno nas imediações do Shopping Tropical, onde construiu em tempo recorde um hipermercado bem localizado, moderno e amplo, que está bombando.

OUTRA ENCARNAÇÃO

A FIFA acaba de anunciar que a partir de 2026, a Copa do Mundo, em vez de 32, será disputada por 48 seleções.

Para mim, essa alteração não terá nenhuma vantagem, pois em 2026 eu já estarei longe do mundo dos terráqueos.

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O MARANHÃO EM 2017

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Demograficamente o Maranhão, há 100 anos, não tinha um milhão de habitantes. Sua população girava em torno de 800 mil pessoas, irregularmente distribuída nos 63 municípios. São Luis, com 52.920 habitantes, seguido de Caxias, Cururupu, Codó e Viana, respectivamente, com 52.316, 28. 190, 24.896, 23.931, eram as cidades mais populosas.

Em 1917, do ponto de vista econômico, o Maranhão não era o mesmo dos séculos XVIII e XIX, em que a sua elite social ostentava um padrão de vida semelhante a dos europeus, status perdido pela escassez de mão de obra resultante simultaneamente da abolição da escravatura e do declínio da lavoura do algodão.

Segundo o professor Jerônimo de Viveiros, “a liberdade dos escravos e o advento da República, uma desorganizando o trabalho agrícola e outro criando novas obrigações para o Estado, determinaram no Maranhão uma tremenda crise econômica, que se prolongou por um quarto de século”.

Essa terrível situação altera-se com a deflagração da I Guerra Mundial (1914-1918), com os produtos primários, principalmente o algodão, que voltam a ter boa cotação no mercado internacional.

Em 1917, o Maranhão beneficia-se dessa circunstância bélica, ganha alma nova e a economia incrementa-se. Esse ciclo de revitalização, afirma Tribuzi, foi suficiente para reequilibrar as finanças empresariais e públicas, fazendo o Estado viver alguns anos de otimismo, com a  instalação de um parque industrial têxtil bem significativo.

Sob o aspecto político, indiscutivelmente, o Maranhão em 1917 não podia se envergonhar de sua representação no Executivo e no Legislativo, que tinham em seus quadros políticos intelectualizados e moralmente burilados. Como representantes do povo, participavam das lutas pelo poder com ardor e determinação, mas evitavam cair na vala comum da corrupção. Comparar Godofredo Viana, Luiz Domingues, Herculano Parga, Urbano Santos, Manoel Inácio Dias Vieira, Afonso Geffining de Matos, Clodomir Cardoso, Artur Colares Moreira, José Eusébio de Carvalho, José Barreto Costa Rodrigues e outros com os néscios que atualmente nos representam, é um exercício nada prazeroso.

 

OS NOSSOS GOVERNANTES

A figura humana e política que ocupava o cargo de governador do Estado do Maranhão em 1917 era o brilhante advogado Herculano Nina Parga. De acordo com o professor Mário Meireles, realizou um bom governo porque “soube tirar proveito das circunstâncias que no campo econômico sobrevieram da Primeira Guerra Mundial, sendo zelosamente honesto na aplicação dos dinheiros públicos, com vistas ao reequilíbrio das finanças estaduais.” Renunciou ao cargo em 3 de novembro,  para concorrer às eleições de deputado federal, sendo substituído pelo vice-governador, Antônio Brício de Araújo.

Na sua gestão, fatos importantes vieram à tona. A 15 de março, a instalação na Rua do Trapiche, da primeira agência do Banco do Brasil em São Luis; a 1º de abril, a fundação da Liga Maranhense de Futebol, com a participação das  agremiações Fabril Atlético Clube, Onze Maranhense, Esporte Clube Luso-Brasileiro, Bragança Esporte Clube e Santiago Futebol Clube. Sancionou leis de alta relevância, como a que criava o município de Axixá; isentou de impostos os interessados na instalação de fábricas de sal e na industrialização de peixes, mariscos e óleos em frigoríficos; autorizou a construção da estrada de ferro São Luis a São José de Ribamar. A propósito: o prefeito Luis Fernando Silva, bem que poderia agarrar essa proposta e reativá-la na sua gestão.

Um evento assaz relevante para São Luis: a 4 de outubro de 1917, a empresa Cinematográfica Maranhense inicia a construção do Cine-Teatro Eden, na Rua Oswaldo Cruz, onde funcionava  o Cine São Luis, destruído pelo fogo. O engenheiro italiano, Gaspare Connazoni construiu a obra e inaugurada com a exibição do filme Chispa de Fogo.

A NOSSA REPRESENTAÇÃO PARLAMENTAR

O ano de 1917 não foi só de conquistas e sucessos. Flagelos também afloraram como as inclementes enchentes que transformaram nossos rios em mares de água doce, a devastar plantações, vilas e povoados. Os prejuízos causados pela cheia foram incalculáveis, preocupando as autoridades estaduais, que se juntaram para minorar o sofrimento das populações ribeirinhas.  Nesse particular, o Governo solicitou ao Congresso Estadual (assim era chamada a Assembleia) autorização para contratar recursos, destinados às vítimas das enchentes dos rios Itapecuru e Mearim.

Um assunto muito debatido nas sessões legislativas de 1917: a concessão sem ônus às empresas estrangeiras de terras devolutas para fomentar a cultura de produtos agrícolas e criação de gado.

Deputados estaduais que atuaram na Assembleia Legislativa em 1917:  Adolfo Medeiros, Afonso Geffining de Matos, Albérico Dias da Silva, Alcebíades Silva, Antônio de Azevedo Goulart, Antônio Pereira Rego, Antônio Soares da Silva, Aristides Rios, Artur Leão e Silva, Euclides Maranhão, Francisco Lisboa Filho, Georgiano Gonçalves, Heráclito Nina, Inácio do Lago Parga, Jorge Amorim, José Barreto da Costa Rodrigues, José Carneiro de Freitas, José do Rego Medeiros, Jorge Ferreira Pinto, José Joaquim Marques, Libânio Lobo, Luis do Lago Junior, Máximo Martins Ferreira, Nelson Serejo de Carvalho, Pedro Leão Viana,  Saul Nina Rodrigues, Tarquínio Lopes Filho e Tucídides Barbosa.

O cargo de presidente do Congresso Legislativo, naquele ano,  foi exercido pelo deputado Joaquim José Marques.

Na Câmara Federal, desempenhavam o mandato em 1917 os seguintes deputados: Henrique Maximiano Coelho Neto, Artur Quadros Colares Moreira, Francisco da Cunha Machado, João Dunshee de Abranches Moura, Luiz Antônio Domingues da Silva, Agripino Azevedo e Marcelino Rodrigues Machado.  Uma representação parlamentar para ninguém botar defeito.

O PODER JUDICIÁRIO EM 1917

As turbulências políticas, pipocadas com o advento da República,  repercutiram sobremodo nas Constituições Federal e Estadual, que  sofreram alterações de monta, com reflexos diretos no funcionamento do Poder Judiciário. No Maranhão, os magistrados começaram a vislumbrar melhores condições de trabalho e dispor de maior estabilidade funcional a partir de 1917, quando uma reforma judiciária modificou tudo quanto fora feito anteriormente. Quem contribuiu muito para isso foi o desembargador Lourenço Valente de Figueiredo, que, graças à sua competência e firmeza nas ações, manteve-se no cargo de presidente do Tribunal de 1913 a 1917.

A CIDADE DE SÃO LUIS EM 1917

Naquele tempo, não existia em São Luis a figura do prefeito. Quem a administrava era o intendente, que chegava ao posto não pelas mãos de governadores, mas pela vontade do povo que o elegeu para cumprir um mandato de três anos, começado a 1º de janeiro de 1916 e acabado a 31 de dezembro de 1918.

O intendente de São Luis era o brilhante advogado, Clodomir Cardoso, que promoveu mudanças significativas na estrutura urbanística da cidade. Por lei, obrigou os moradores ao uso de cimento na construção de calçadas. O ponto alto de sua administração: a inauguração da luz elétrica.

Naquele ano, a capital do Maranhão se diferenciava das demais brasileiras por uma singularidade: a marcante presença da cultura na sociedade, que se orgulhava de ser Atenas Brasileira, título conquistado a partir do século XVIII, pela excelente qualidade de seus poetas e prosadores.

Fervilhava na cidade um elenco de instituições culturais, capitaneada pela Academia Maranhense de Letras, que articulavam movimentos literários e eventos artísticos e culturais, ações essas que resultaram no despontar de intelectuais da estirpe de Antônio Lobo, Maranhão Sobrinho, Domingos Barbosa, Nascimento Moraes, Viriato Corrêa, Vespasiano Ramos, Corrêa de Araújo e Humberto de Campos, nomes de valor, que se projetaram no cenário nacional.

Em meio a essa formidável onda cultural, o Maranhão ganha em 1917 dois nomes que anos depois se transformam em ícones da intelectualidade brasileira. A 21 agosto, nasce em São Luis, Josué Montello;  a 10 de outubro, nasce em Nova York, Neiva Moreira.

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MEIO SÉCULO DE FORMATURA

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No dia 22 de dezembro de 1966, há 50 anos, em solenidade realizada no auditório da Associação Comercial do Maranhão, eu colava grau em Ciências Jurídicas e Sociais, pela antiga Faculdade de Direito de São Luis, estabelecida e funcionando na Rua do Sol, onde ingressei em 1962, época em que existiam apenas as Faculdades de Direito, Farmácia e Odontologia, mantidas pelo Governo Federal, a Escola de Enfermagem São Francisco de Assis, a Faculdade de Serviço Social e a Faculdade de Ciências Médicas, integrantes da SOMACS ,– Sociedade Maranhense de Curso Superior, criada por Dom José de Medeiros Delgado, que originou mais tarde a Fundação Universidade do Maranhão até transformar-se em 1967 em Universidade Federal do Maranhão.

Em 1962, com 22 anos, obtive duas brilhantes vitórias. A primeira, resultado do exame vestibular ao curso de Direito, com provas escrita e oral, sendo sabatinado pelos temidos professores Fernando Perdigão e Pedro Neiva de Santana. A segunda, decorrente do teste das urnas, eleito deputado estadual à Assembleia Legislativa, pelo Partido Social Progressista.

Da turma que colocou grau junto comigo, lembro de Ana Maria Jorge, Antônio Carlos Neves, Eulina Maranhão, Ilná Vasconcelos, Jorge Gonzalez, José de Arimatea Fonseca, Caldas Góis, José Francisco Lobato, Guilherme Fecury, José Orlando Lima, Maria de Jesus Sousa, Maria de Jesus Nogueira, Murilo Messeder, Nelson Reis, Petrônio Sá, Reinaldo Carneiro, Sidney Ramos, Walter Castro, Wilmar Sá e Yolanda Neves.

Alguns, como Antônio Carlos Neves, José de Arimatea Fonseca, Guilherme Fecury, José Orlando, Petrônio Sá e Sidney Ramos já partiram para a eternidade; outros, contudo, não sei o que fazem e por onde andam. Dos que exercem a profissão de advogado, restam José Francisco Lobato e José Caldas Góis, este, chegou à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil, no Maranhão.

De minha parte, confesso o arrependimento de não ter militado na advocacia, mas conforto-me e orgulho-me de ostentar na minha biografia o título de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais. Quem sabe se tivesse optado pela profissão, não seria hoje um desembargador ou um promotor aposentado.

Se não cheguei a ser um profissional da advocacia, não foi por deficiência do curso ou incompetência dos professores da Faculdade de Direito. Nada disso. O curso, além de bem estruturado e com disciplinas ajustadas à realidade jurídica brasileira, era ministrado por um elenco de mestres em sua grande maioria preparados e capazes intelectualmente de atuar na docência de grau superior.

Não posso esquecer e até hoje guardo na memória o nome de professores daquela magnífica Congregação, que ajudaram, pela sua grandeza moral e intelectual, a iluminar o meu caminho e de outros bacharéis, com ensinamentos que nortearam as nossas vidas para o Direito se impor como Ciência.

Para homenageá-los, com respeito e admiração, os nominarei individualmente: Fernando Perdigão, Pedro Neiva de Santana, Antenor Bogéa, Doroteu Soares Ribeiro, Mário Santos, Domingos Vieira Filho, José Joaquim da Serra Costa, José Maria Ramos Martins, Clodoaldo Cardoso, Tácito Caldas, Orlando Leite, Wady Sauaia e Helena Caldas.

Coincidentemente, em 1966, Maria Célia, minha irmã, também colou grau pela Faculdade de Ciências Médicas do Maranhão. Quem conheceu o meu pai, Abdala Buzar, sabe que ele era um tremendo festeiro. Para comemorar aquela dupla formatura familiar, ele promoveu uma festa de arromba em Itapecuru, no dia 25 de dezembro de 1966.

CODINOMES

Quando a Odebrechet publicou o nome dos políticos que teriam recebido propina do petrolão, não deixou por menos: os registrou com os respectivos codinomes.

Tomando o secretariado do governador Flávio Dino por referência, seus componentes poderiam ser identificados com esses codinomes e compatíveis com as funções exercidas pelos mesmos.

Felipe Camarão, secretário de Educação, Polivalente; Diego Galdino, secretário de Cultura, Noviço Rebelde; Márcio Jerry, secretário de Articulação Política, Alter ego;  Marcellus Ribeiro, secretário da Fazenda, Joga a pedra, esconde a mão; Simplício Araújo, secretário de Indústria e Comércio, Metido a sabido;  Márcio Honaise, secretário de Agricultura, Importado; Marcelo Tavares, Chefe da Casa Civil, Fala Manso;  Robson Paz, secretário de Comunicação, Sem vez e voz; Neto Evangelista, secretário de Desenvolvimento Social,  Arrumadinho; Rodrigo Maia, Procurador Geral do Estado, Trato fino; Jeferson Portela, secretário de Segurança,  Sai de baixo; Francisco Gonçalves, secretário de Direitos Humanos, Pomba da paz; Carlos Lula, secretário de Saúde, Devagar, de vagarinho; Murilo Andrade, secretário de Administração Penitenciária, Prisioneiro; Márcio Jardim, secretário de  Esporte, Peladeiro; Julião Amin, secretário de Trabalho,  Velha guarda; Clayron Noleto, secretário de Infraestrutura, Só pensa naquilo( prefeitura de Imperatriz).

CONCITA QUADROS

Quando estudei no Liceu Maranhense, onde fiz o curso científico, tive a alegria e a felicidade de contar com um elenco de professores do mais elevado nível ético e profissional.

Eram mestres que valiam a pena vê-los e ouvi-los em sala de aula, transmitindo lições e ensinamentos que repercutiram em nossa formação humana e profissional.

Tive o raro privilégio de ser aluno de professores do porte de Rubem Almeida, Mata Roma, Maria de Jesus Carvalho, Maria Freitas, Maria José Serrão, Pedro Santos, José Lopes, Vicente Maia, José Silva e José Braga e Concita Quadros.

Com tristeza soube do recente falecimento de Concita Quadros, minha professora de Espanhol, que quando ingressava em sala de aula se impunha pela capacidade e pela elegância. Ela era a última sobrevivente de um primoroso quadro de inesquecíveis e gabaritados professores.

PROTESTO EMPRESARIAL

No Maranhão, houve um tempo – quando o Brasil vivia sob o tacão da ditadura getuliana – em que os interventores federais tinham o costume de bater de frente com as chamadas forças produtivas.

Bastava o governante fazer alguma coisa para tolher ou prejudicar o trabalho da iniciativa privada, para a Associação Comercial botar o bloco na rua e partir para o ataque ao Governo.

Eu pensava que essa fase estava sepultada no Maranhão. Ledo engano. Na semana passada, os jornais da cidade divulgaram manifestos das classes representativas do setor produtivo, insurgindo-se contra uma lei oriunda do Poder Executivo estadual, que a Assembleia Legislativa votou e alterou as alíquotas do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Se o Maranhão retroagiu ao passado, não custa lembrar que os interventores Seroa da Mota e Martins de Almeida e o prefeito de São Luis, engenheiro José Otacylio Saboya, caíram em desgraça por desafiarem o empresariado.

EXEMPLO DE ALBERIQUINHO

Antes de assumir o mandato de prefeito de Barreirinhas, Alberiquinho Ferreira, mostra e ensina aos eleitos na recente eleição municipal, a receita de como se administrar em momento de crise.

Sem alarde, reduziu significativamente a máquina administrativa do município, que vai gerir a partir de 1º de janeiro vindouro, eliminando secretárias inúteis e extinguindo cargos comissionados que oneravam a folha de pessoal da prefeitura.

Com uma estrutura enxuta e sem gordura, Alberiquinho tem tudo para fazer uma administração saudável em Barreirinhas, pois contará apenas com órgãos indispensáveis ao bom funcionamento dos serviços municipais e sem a presença de secretários ociosos e criadores de problemas políticos.

UNIVERSIDADE DO LESTE

Em Caxias, o assunto dominante é a criação da Universidade do Leste Maranhense.

Essa nova instituição universitária nasceria nos moldes da Universidade do Sul do Maranhão, com sede em Imperatriz, e abortada da estrutura da Universidade Estadual do Maranhão.

A Universidade do Leste Maranhense teria sede em Caxias, onde a Uema  mantém vários cursos e conta com  expressiva quantidade de professores e alunos, grande parte egressa do Estado do Piauí.

A  criação da Universidade Leste do Maranhão tem o apoio da classe política caxiense e já ecoou no Palácio dos Leões, mas, até agora, sem o endosso do governador Flávio Dino.

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AMIGOS DE CALÇAS CURTAS

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Concluído o curso primário no Grupo Escolar Gomes de Souza, em Itapeecuru, vim estudar em São Luis, no Colégio dos Irmãos Maristas, que começava a funcionar em novas instalações, na Rua Oswaldo Cruz.

Naquele elitizado estabelecimento de ensino, cheguei em 1950, onde conheci João Castelo Ribeiro Gonçalves, à época, eu e ele, de calças curtas. Lembro-me que era um garoto gordinho e bem aplicado, mas sem figurar entre os mais estudiosos da classe. Eu, também, fazia parte desse time.

Nos três anos de estudo nos Maristas, eu e Castelo sempre fomos da mesma turma. A partir de 1953, troquei os Maristas pelo Liceu Maranhense, ano em que perdi Castelo de vista. Só voltei a revê-lo no final dos anos 1960, ele em atividade profissional no Banco da Amazônia, cujo corpo funcional era constituído da fina flor da juventude maranhense. Como bancário, teve trajetória fulgurante. Ocupou o cargo de gerente do BASA em Coroatá, Codó e São Luis e chega a presidi-lo.

Na agência da capital maranhense, Castelo multiplica o seu capital profissional e diversifica o círculo de amizade, especialmente com  empresários e políticos. Da convivência com políticos, aproxima-se do senador José Sarney, com o qual formaliza uma estreita relação de amizade, a ponto de se tornarem compadres.

Pelas mãos de Sarney, Castelo ingressa na atividade política, concorrendo às eleições de 1970 ao cargo de deputado federal, pela Arena, elegendo-se com expressiva votação. Reelege-se em 1974, mandato no qual é convocado para ocupar o cargo mais importante de sua trajetória política.

CASTELO NO GOVERNO DO ESTADO

Por imposição do regime militar, as eleições aos governos estaduais, a partir de 1970, passaram a ser indiretas. O primeiro governador eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa foi Pedro Neiva, cuja sucessão é tumultuada face ao rompimento do governador com o senador José Sarney e da volta à cena política do ex-senador Vitorino Freire, que cria embaraços na indicação de nomes para governar o Estado. Resultado: o poder acaba no colo do deputado Nunes Freire, que, também, termina o mandato rompido com Sarney, este, o mais cotado para substituí-lo, mas fica fora do páreo pela forte influência de Vitorino no Palácio do Planalto. Mesmo alijado do governo, Sarney tem cacife para indicar o sucessor de Nunes Freire, o fiel escudeiro, deputado João Castelo Ribeiro Gonçalves.

A GESTÃO CASTELISTA

À frente da administração estadual, Castelo não esconde o desejo de fazer um governo como o de Sarney, isto é, voltado para o planejamento e o desenvolvimento do Estado. Não à toa, adota o slogan de  “Um grande Maranhão para todos” a sombra do qual  forma um bom secretariado, com técnicos do Banco da Amazônia e de instituições governamentais. Na Agricultura, Luis Varela, Administração,  Antônio Fernando Carvalho, Planejamento, João Rebelo, Educação, Antônio Carlos Beckman, Fazenda, Antônio José Brito, Indústria e Comércio, Roberto Macieira, Trabalho, Fernando Castro, Saúde, José Rodrigues Lopes, Justiça, Roque Macatrão, Segurança, Raimundo Marques, Meio Ambiente, Darson  Duarte, Transportes, João Rodolfo, Interior, Wilson Neiva, Cultura, Arlete Machado, Desportos e Lazer, Elir Gomes, tendo o capacitado José Burnett, como Chefe da Casa Civil.

Com esse time de boa qualidade técnica e política, Castelo realiza bom trabalho e faz obras de significativa relevância, a exemplo do Italuis, Hospital Carlos Macieira, Universidade Estadual do Maranhão, Casa do Trabalhador, Ponte Bandeira Tribuzi, Cidade Operária, Programa Bom Preço e o Estádio Castelão.

Mas um deslize o conduziu ao pelourinho: em setembro de 1979, os estudantes foram às ruas reivindicar o cumprimento de antiga lei municipal, que garantia o direito da meia-passagem à juventude. O movimento, repelido violentamente pela Polícia, fato que impede Castelo de abrir as negociações com os estudantes e abafar o movimento no nascedouro, pelo diálogo. Quando isso acontece, o desgaste do governador já estava nas alturas.

CASTELO EMPAREDA SARNEY

 

Antes de findar o mandato de governador, Castelo surpreende o Maranhão com uma jogada política que deixa o senador José Sarney em complicada situação. Com a morte do vice-governador Artur Carvalho, o substituto hierárquico de Castelo era o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Albérico Ferreira, tio de Sarney.

Nas eleições majoritárias de 1982, o projeto de Castelo era deixar o Governo e se candidatar ao Senado. Mas não deseja transferir o poder estadual a Albérico por entender que este no Governo criaria embaraços à sua eleição de senador. A Sarney diz que só deixará o Palácio dos Leões se Albérico renunciar à presidência da Assembleia Legislativa, ensejando a ascensão ao cargo do 1º vice-presidente, Ivar Saldanha, deputado de sua confiança.

Sarney fica numa saia justa, pois o tio repele a proposta de Castelo com ferocidade. Só depois de muita conversa, Albérico atende aos apelos do sobrinho, renunciando a presidência do Legislativo e ao mandato de deputado estadual. Só assim, Castelo se desincompatibiliza do cargo  e permite  Ivar Saldanha assumir à presidência da Assembleia e, como tal, ser o novo comandante do Poder Executivo.

DESENTENDIMENTO DE CASTELO COM LUIZ ROCHA

Outra artimanha política de Castelo teve por alvo o deputado Luiz Rocha. Com o retorno das eleições diretas, o deputado Luiz Rocha se lança candidato a governador, sem o apoio de Castelo, que faz de tudo para Sarney não endossar aquela candidatura.

Luiz Rocha, duro na queda, impõe-se candidato e vence as eleições, mesmo enfrentando a ira do governador. Ao assumir o cargo, vai às forras e desencadeia contra o antecessor represálias de todos os tipos. Era o que faltava para desabrochar uma luta ferrenha entre o atual e o ex- governador, que se não fosse imediatamente estancada poderia implodir o PDS.

Para intimidar Luiz Rocha, Castelo dar o troco merecido. Com a maioria dos deputados sob seu comando, usa-os para torpedear as mensagens, projetos e propostas emanadas do Palácio dos Leões, especialmente a Lei Delegada, pois com ela Luiz Rocha desejava fazer alterações na burocracia estadual.

Durante semanas, o Maranhão assiste estupefato à gigantesca luta entre duas figuras políticas do mesmo grupo, cada qual esgrimindo as armas disponíveis para ver quem ficava com o troféu da insensatez.

Com estava escrito nas estrelas, a contenda só acaba com a presença de Sarney, que vem de Brasília e coloca, com a sua competência política, água num caldeirão cheio de brasa, para desativá-lo e não comprometer a sua liderança. O armistício é declarado, mas a inimizade entre Castelo e Rocha não cessa, ao contrário, incrementa-se e com novos desdobramentos.

CASTELO E AML

Se há um governador com prestígio na Academia Maranhense de Letras, chama-se João Castelo, a quem é devido o envio de mensagem à Assembleia Legislativa, da qual resultou na Lei 4.350, por ele sancionada em 31 de outubro de 1985, autorizando o Poder Executivo a pagar mensalmente à AML subvenção especial correspondente a 10 salários-mínimos.

Por conta disso, Castelo sempre recebeu da Casa de Antônio Lobo as merecidas homenagens e reconhecido como um dos grandes beneméritos da Instituição.

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ESCOLAS DE TAIPA E PALHA

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No discurso proferido na reunião com os prefeitos recentemente eleitos, o governador Flávio Dino revelou os programas que  vem realizando no Maranhão, destacando a recuperação e construção de escolas e a substituição de unidades de taipa e palha por construções de alvenaria.

Muito louvável a iniciativa do atual governo de, com essa providência, proporcionar ao aluno do interior do Estado, melhores condições de conforto e de ensino. Mas será que só isso basta para o ensino no Maranhão melhorar e sair da triste situação em que se encontra?

Com essa pergunta no ar, direciono o meu pensamento para a época em que José Sarney assumiu o governo do Estado e a realidade educacional, em todos os níveis de escolaridade, era tão degradante, que deixava o Maranhão numa vergonhosa situação.

Diante de tão calamitoso quadro, Sarney mobiliza o governo para desencadear uma operação de guerra contra o analfabetismo reinante no interior, deflagrada com a contratação dos técnicos do Movimento de Educação de Base, que trabalhavam na Arquidiocese do Maranhão, com a metodologia do professor Paulo Freire, combatida pelo regime militar.

Da junção dos técnicos do MEB com o grupo criado pelo secretário de Educação, Cabral Marques, surge o projeto João-de-Barro, para levar a educação democrática às populações rurais, constituídas de analfabetos, visando despertá-las da condição de subdesenvolvimento e conscientizando-as de suas reais possibilidades, para através de um esforço comum e inteligente, mudar esse estado de coisas.

A viabilização do projeto João-de-Barro se dá por meio de três requisitos indispensáveis: levantamento dos diversos aspectos da realidade; motivação para o trabalho; e seleção dos povoados e de pessoal das comunidades.

O projeto se sustentava em dois pressupostos: 1) nas pessoas selecionadas para monitores, com alguma capacidade de liderança, capazes de provocar e dirigir os trabalhos comunitários, e realizar atividades diferentes das de ensinar a ler e a escrever; 2) nas escolas construídas com os próprios recursos da comunidade e padronizadas, segundo o  modelo de barracões cobertos de palha, com meias parede de taipas e chão batido. O mobiliário era o mínimo possível: alguns bancos compridos, um pequeno quadro de giz e uma carteira para o monitor.

Com esse tipo de escola, sem alvenaria, o projeto se disseminou no interior do Maranhão, fez mudar a realidade rural e baixar sensivelmente as taxas de analfabetismo. O sucesso do João-de-Barro  foi de tal modo espetacular que repercutiu  no Brasil e no exterior, a ponto da revista americana, TIME, dedicar-lhe reportagem de capa.

EVANGÉLICOS E CATÓLICOS

Houve época em que as eleições municipais no Maranhão eram disputadas apenas e exclusivamente por católicos.

Os evangélicos, como seita religiosa, ainda não tinham expressão, por isso não participavam do processo eleitoral.

De uns tempos para cá, contudo, esse quadro se inverte por conta da presença em larga escala dos evangélicos no meio urbano e rural do país.

Em curto período, os evangélicos ocuparam  os espaços dos católicos, transformando-se de minoria em maioria política e com atuação desenvolta na cena partidária.

Este ano, no Maranhão,  a presença de evangélicos na disputa por cargos de prefeito e de vereador foi gritantemente espantosa. Em algumas cidades, a luta eleitoral travou-se entre os próprios evangélicos.

PRÉDIOS DO CENTRO HISTÓRICO

Em tempos não tão longínquos, se algum comerciante da Praia Grande entrava em apuros financeiros, usava-se uma fórmula para socorrê-lo da quebradeira.

Procurava-se o governador do Estado que autorizava o Banco do Estado a liberar empréstimo ao desesperado comerciante, que apresentava como garantia o imóvel onde funcionava o seu negócio.

Geralmente, o comerciante não cumpria o compromisso bancário. Por conta disso, o imóvel objeto daquela operação passava para o patrimônio do Governo, que os destinava à máquina administrativa estadual, que, depois de alguns anos, pela má utilização e conservação, depreciava-se e ficava  no limbo do abandono.

ACIMA DO CHÃO

Em 1959, Ferreira Gullar, com 19 anos, lança em São Luis o seu primeiro livro de poemas, com o título “Um pouco acima do chão”, editado pelo Centro Cultural Gonçalves Dias, do qual era um dos expoentes.

Em 1999, Jomar Moraes, na presidência da Academia Maranhense de Letras, em comemoração ao cinqüentenário da estréia literária de Ferreira Gullar, reedita o livro.

Quando o poeta veio a São Luis, no governo Roseana Sarney, para inaugurar a avenida com o seu nome, Jomar o surpreende: entrega-lhe o livro de presente, recebido sem entusiasmo até porque não faz parte  de sua vasta bibliografia.

MARANHÃO MAIS POBRE

Os anos de 2015 e de 2016 não vão deixar saudade aos maranhenses.

No ano passado, perdemos dois intelectuais de peso: o poeta José Chagas e o cronista Ubiratan Teixeira.

No exercício de 2016, partiram de nosso convívio os poetas Nauro Machado,  Ferreira Gullar e o cronista e historiador Jomar Moraes.

São ausências que deixaram o Maranhão culturalmente mais pobre.

VEREADOR E DEPUTADO

Em discurso pronunciado na Assembleia, o deputado César Pires, disse em alto e bom som que a atual composição do Poder Legislativa do Maranhão é a pior das últimas legislaturas. Não foi contestado por nenhum colega do governo ou da oposição.

Na semana passada, um triste acontecimento deixou o Maranhão e o Brasil desolados: a morte de Ferreira Gullar. O país inteiro, excetuando-se a Assembleia Legislativa,  lamentou o falecimento do poeta.

Nesse aspecto, a Câmara Municipal de São Luis está a mil passos do Poder Legislativo do Estado. Pela voz do vereador Gutenberg Araújo, ouviu-se um  pronunciamento de louvor à figura poética de Ferreira Gullar e de lamento pela falta que fará à cultura nacional.

PRÊMIO INOVARE

Pela segunda vez, o Maranhão aparece com bom desempenho no Prêmio Inovare, criado pelo Conselho Nacional de Justiça, para estimular a criatividade no âmbito do Poder Judiciário.

A primeira vez, o Maranhão abiscoitou o Prêmio Inovare  em 2004, quando o juiz Marlon Reis apresentou a Lei da Ficha Limpa.

Este ano, a Defensoria Pública do Maranhão venceu o Prêmio Inovare, com um projeto que, por meio de uma força-tarefa, prioriza ações na área de saneamento básico, implantado em São Luis com retumbante êxito.

MUDANÇA DE COMANDO

O Maranhão começa o ano de 2017 com novo comando no 24º Batalhão de Infantaria Leve.

O tenente-coronel Carlos Frederico de Azevedo Pires, depois de dois anos à frente do Batalhão Barão de Caxias, onde se impôs pela liderança e competência, por determinação superior, trocará São Luis por Brasília.

A transferência de comando será dia 6 de janeiro vindouro, quando o tenente-coronel Carlos Frederico se despedirá de seus comandados e do povo maranhense.

O oficial que nos deixa tem um predicado: admira de tal modo  a cultura popular do Maranhão,  principalmente a música, que, para não esquecê-la, levará para Brasília uma discoteca de toadas do bumba boi.

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MARIA DE JESUS CARVALHO

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Lamentavelmente, não compareci ao lançamento do livro “Um minuto apenas”, da inesquecível professora, Maria de Jesus Carvalho, no Centro Espírita Jardim da Alma, ao qual, em vida, doou-se com abnegada paixão.

Espero tê-lo sob minhas mãos brevemente para recordar com imensa emoção os pensamentos e sentimentos, emitidos por ela no programa “Um minuto apenas”, veiculado pela TV Difusora, nas noites de sábado.

O programa, de curta duração, mas impregnado de tamanha força espiritual e indiscutível autenticidade, que compelia o telespectador, qualquer que fosse a religião, a assisti-lo embevecidamente.

Por Maria de Jesus Carvalho, tinha dupla admiração. Do ponto de vista espiritual, pela sua entrega à maravilhosa causa de confortar os necessitados e carentes com palavras de fé e esperança.

Do ponto de vista educacional, pelas magníficas aulas de História e Geografia, ministradas no Liceu Maranhense aos alunos do curso científico, na década de 1950, aulas que não consigo esquecer, pelo conteúdo e pela didática inerentes à saudosa Mestra, que entrava em sala de aula sóbria e sem impostura,  mas recebida respeitosamente em  absoluto silêncio.

Depois que deixei o Liceu, alguns anos transcorreram sem vê-la. Em 1980, eu ocupava o cargo de secretário de Educação e Cultura, da Prefeitura de São Luis, na gestão do prefeito Mauro Fecury. Sem aviso prévio, Maria de Jesus Carvalho, já apresentando visíveis sinais da maturidade, mas esbanjando a mesma doçura pessoal e igual disposição para servir o próximo, visita-me como dirigente do Centro Espírita Jardim da Alma, para  pedir ajuda aos estudantes do colégio mantido pela instituição, localizado no Anil, precisados, por serem carentes, de merenda escolar. Mas impôs uma condição para o que pedia: visitar o colégio para ver como funcionava e o tipo de aluno nele matriculado.

Dias depois da minha visita ao Centro Espírita, ela aparece para agradecer o que atendi sem pestanejar, fornecendo-lhe, também, material que o Ministério da Educação mandava para as escolas da rede escolar municipal.

Por conta dessa ajuda, ela, a título de gratidão, semanalmente, passava no meu gabinete para entregar as mensagens espiritualistas do filósofo Emanoel.

FIDEL CASTRO: ANTES E DEPOIS

Qual o jovem, nos anos 1960, não admirava a Fidel Castro?  Ele, destemido revolucionário, com apoio popular, destituiu o ditador de Cuba, Fulgêncio Batista, empolgou a minha geração, que via no seu gesto  um exemplo para tirar os países da América Latina do atraso e da obscuridade social.

Eu, na flor da mocidade, como a grande maioria da juventude brasileira, reverenciava Fidel Castro, pela ousada luta de implantar em Cuba programas assistencialistas, notadamente voltadas para a erradicação do analfabetismo e acessibilidade à saúde.

Essa admiração, contudo, com o correr do tempo, esvaiu-se diante da entrega de Fidel à União Soviética e da instalação em Cuba de um regime discricionário e de exceção, em que o famigerado “paredão” substituía a lei.

FIDEL E OS MARANHENSES

Durante o seu reinando em Cuba, Fidel Castro manteve com alguns maranhenses relacionamentos estritamente formais ou protocolares.

Com Eduardo Lago, em 1961, quando este prestava serviços diplomáticos à Embaixada do Brasil em Havana. No banquete em homenagem ao presidente Jânio Quadros, com as presenças de Fidel Castro e Che Guevara, desapareceu misteriosamente a arma, de origem russa, do comandante cubano.  O constrangimento foi grande e só não gerou um problema diplomático porque Eduardo entrou em ação e descobriu o autor e o local onde a arma fora escondida, mas imediatamente devolvida  ao dono.

Com o ex-deputado Neiva Moreira, nos meados da década de 1960,  representante de Leonel Brizola, que tratou com Fidel Castro apoio financeiro e treinamento para guerrilheiros brasileiros, tomarem o poder dos militares e instalar no Brasil um regime socialista.

Com o governador Jackson Lago, que se fazia acompanhar da esposa, Clay. Em 2008, o casal visitou Havana para rever o filho, que ali estudava medicina. Por interferência da Embaixada do Brasil, Fidel recebeu Jackson e esposa.

Com o ex-presidente José Sarney, que, no seu governo, em 1986, reatou as relações diplomáticas e comerciais com Cuba, interrompidas pelo regime militar. Antes de deixar o poder, Sarney propôs formalmente o retorno de Cuba à Organização dos Estados Americanos.

PARLAMENTARISMO TOCANTINO

O Brasil adota o modelo de governo presidencialista e praticado  em escala federal, estadual e municipal.

A partir de 2017, uma experiência parlamentarista será viabilizada em Imperatriz, no Maranhão. Se der certo, servirá de modelo para o nosso País.

O prefeito eleito, o ex-delegado Assis, convidou Remi Ribeiro, veterano político do PMDB, que conhece os caminhos das pedras, para participar de sua administração, num cargo que lhe dará poderes de primeiro- ministro.

NEM DILMA, NEM TEMER

Depois do expurgo da presidente Dilma Roussef, da chefia do País, por meio do impeachement, a fotografia da petista foi retirada do gabinete do governador Flávio Dino.

É normal que isso acontecesse, afinal, Dilma não tinha mais a titularidade de primeira mandatária da nação.

Mas, para o lugar destinado à fotografia oficial do Presidente da República, nada foi providenciado. Temer, pelo menos em retrato, continua ignorado pelo Palácio dos Leões.

PERSEGUIDO E INJUSTIÇADO

Na vida pública maranhense, não conheço um político mais perseguido e injustiçado do que Gastão Dias Vieira.

Essa perseguição não emana da Justiça, da Polícia Federal ou da Operação Lava-Jato. Quem desencadeia contra ele tão inominável campanha de desestabilização, de descrédito e de baixaria é o próprio segmento político, do qual Gastão, infelizmente, faz parte.

Onde atua, seja em cargo executivo ou em atividade legislativa, mantém o nome limpo e mostra competência técnica e política.

No momento em que Gastão ocupa a um dos cargos mais importantes do Ministério da Educação, de presidente do FNDE, onde executa um trabalho elogiado pelo ministro Mendonça Filho e pelo presidente Michel Temer, move-se contra ele um campanha sórdida por politiqueiros maranhenses, para desestabilizá-lo não porque se conduza mal, mas para atender a interesses mesquinhos, que querem o cargo para entregar a gente despreparada e comprometida com o que há de pior em matéria de seriedade.

POLITICOS DO PASSADO E DO PRESENTE

Quando a gente lembra e compara a representação política do Maranhão no Congresso Nacional, do passado com a do presente, a tristeza e a decepção falam mais alto.

Não é preciso citar todos os nomes de deputados federais e senadores que, em tempos não tão remotos, no Rio de Janeiro, representaram o povo maranhense e os que de uns tempos para cá, em Brasília, se dizem detentores do mandato popular.

Eis alguns nomes que, pela sua grandeza moral e intelectual, honraram o Maranhão no Congresso Nacional: Benedito Leite, Urbano Santos, Marcelino e Lino Machado, Clodomir Cardoso, Genésio Rego, Godofredo Viana, Herculano Parga, Magalhães de Almeida, Artur Quadros Collares Moreira, Raul da Cunha Machado, Clodomir Cardoso, Viriato Correia, Humberto de Campos, Cunha Machado, Coelho Neto, Manuel Bernardino Costa Rodrigues, Luiz Domingues, Luiz Carvalho, Antenor Bogéa, Alarico Pacheco, José Neiva de Sousa, Afonso Matos, Alfredo Duailibe, Paulo Ramos, Clodomir Millet, Henrique de La Rocque Almeida, Renato Archer, Pedro  Braga, Neiva Moreira, Cid Carvalho e Newton Bello.

Agora, comparem esse elenco de notáveis com Weverton Rocha e Waldir Maranhão.

 

 

 

 

 

 

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