CARTA A 2021

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Como sempre, costumo procurar em jornais e revistas do país, as mensagens de despedidas do ano em extinção e de saudação aos dias que estão aflorando e trazendo esperanças de vida melhor, de mais saúde e de prosperidade para o povo brasileiro.

No dia 31 de dezembro último, quando 2020 vivia os seus estertores e a gente procurava esquecê-lo para sempre, pelos males causados aos povos do mundo inteiro, ricos ou pobres, li na primeira página do jornal O Globo, do Rio de Janeiro, um extraordinário e primoroso texto do premiado escritor angolano, José Eduardo Agualusa, que, de forma notável e irretocável se despede melancolicamente de 2020 e saúda a chegada de 2021, do qual espera menos sofrimento e mais esperança.

A brilhante mensagem do intelectual angolano, que me deu alegria e otimismo, faço questão de levar ao conhecimento dos leitores, para sentirem, como eu, o prazer incomensurável de ler um texto especial e escrito como diria um poeta cubano, “verdadeiro e duro, mas pleno de ternura”, para no ano novo a gente não ter a sensação de ser igual àquele que passou, como registra a composição musical de antigos carnavais.

O TEXTO DO ESCRITOR ANGOLANO

“Querido 2021, seja bem-vindo!

Entre, a casa é sua.

Se não for pedir demais, nos devolva, por favor, todos os abraços que seu prezado antecessor nos roubou.

Queremos também as gargalhadas dos parentes e amigos, o livre sorriso dos desconhecidos, a brisa no rosto.

Gostaríamos ainda de ter de volta as alegrias das viagens, a tumultuosa euforia dos estádios e dos grandes shows; todas as tardes em que não fomos beber cerveja com os amigos no botequim da esquina.

Não se esqueça de nos devolver aqueles jantares intermináveis, em que discutíamos o fim do mundo e como iríamos recomeçá-lo.

Hoje, que sabemos muito mais sobre o fim do mundo, essas conversas antigas me parecem todas um tanto quanto ingênuas. Contudo, mais do que antes é importante conversar sobre recomeços. Trocar sonhos. Debater utopias.

Peço em particular que me devolva os festivais literários, dos quais, em 2019, eu estava até(confesso) um pouquinho enfastiado.   

Durante o seu reinado, quero regressar a Paraty. Não posso perder o FliAraxá, a Flup ou a Flica, em Cachoeira.

Eu, que não sou de futebol nem de carnaval, agora sinto ânsias de me perder entre multidões, gritando, sambando, abraçando meus velhos país sem medo de os contaminar.

A maior invenção da Humanidade não foi a roda nem o fogo. Não foi o futebol, a feijoada, o samba, o xadrez, a literatura, sequer a internet. A maior invenção da Humanidade, querido 2021, foi o abraço.  

Olho para trás e vejo a primeira mãe, acolhendo nos braços o filho pequeno. O nosso pai primordial apertando contra o nosso peito forte (e peludo) a mulher amada; dois amigos se consolam numa armadura de afeto. Depois desses abraços, alguma coisa mudou para sempre.

O mundo continuou perigoso, sim, o mundo sempre será perigoso, mas passamos a ter o conforto de um território inviolável.

Foi o abraço que fundou a civilização. Com elevada estima. José Eduardo Agualusa.” 

NOVENTA ANOS

No ano passado, foi o ex-presidente José Sarney que completou noventa anos, mas, lamentavelmente, por causa da pandemia, os familiares e amigos, não puderam comemorá-lo.

Este ano, quem chega à casa dos noventa anos é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, data que também, se a pandemia deixar, será festivamente comemorada pelos amigos e admiradores.

UM ILUSTRE DESCONHECIDO

Para o lugar que o prefeito Eduardo Braid ocupava na Câmara dos Deputados, foi convocado o primeiro suplente, Josivaldo dos Santos Melo, que pertence ao Podemos.

Trata-se de um parlamentar literalmente desconhecido, que eu não sei de onde ele veio e arranjou votos para se eleger deputado federal.

Como dizia o Barão de Itararé, de onde menos se espera é de lá que não vem nada.

TRISTE OPÇÃO

Se o governador Flávio Dino resolver ser deputado federal em vez de senador, só para ajudar o PC do B a superar a cláusula de barreira, a fim de o partido ter acesso aos recursos do fundo partidário, fará a maior derrapada política de sua vida.

Se isso acontecer, será a primeira vez que vejo um homem público, abdicar espontaneamente de uma eleição majoritária sem risco para atender uma causa irrelevante. 

PREDICADOS DE EDVALDO

O ex-prefeito Edivaldo Holanda mostrou na sua gestão que se pode ser um bom administrador sem necessidade de estar em Brasília de pires na mão e pedindo socorro ao Palácio do Planalto ou participando dessas infrutíferas Marchas de Prefeitos.

Por falar em Marchas de Prefei,tos, pelo que me disse um ex-gestor maranhense,, elas só servem para melhorar a vida das praticantes da prostituição brasiliense.

REFORMA ADMINISTRATIVA

Quando tomou posse o prefeito Eduardo Braid anunciou que, em regime de prioridade, encaminharia à Câmara Municipal um projeto visando uma reforma administrativa na prefeitura.

Nessa reforma, pensava-se que ele fosse enxugar a máquina administrativa da municipalidade, extinguindo algumas secretarias, que não contribuem em nada para o funcionamento da prefeitura.  

Ledo engano. Em vez de desidratá-la, criou mais secretarias.

VENDA DE LIVROS

Incrível, porém verdadeiro: as editoras e as livrarias festejaram este ano como há muito não acontecia.

As vendas on-line ultrapassaram a comercialização física das lojas.

Em 2020, os dois livros mais vendidos foram: O amor nos tempos de cólera, Gabriel Garcia Marques e A peste, de Alberto Camus.

Em tempo: ganhei de presente, no ano passado, três excelentes livros, que recomendo aos amigos que gostam de uma boa leitura: Samuel Wayner, O homem que estava lá; A Organização Odebrecht e o esquema de corrupção que chocou o mundo; e De cu pra lua, de Nelson Mota.

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CONSELHO AOS NOVOS PREFEITOS

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Eu havia pensado, neste final de ano, escrever um texto dedicado aos novos gestores municipais do Maranhão, que assumiram o comando de centenas de cidades.

Ao término deste 2020, diga-se de passagem, adverso e dramático, resultado de uma infeliz pandemia, de malefícios cruéis e repercussões negativas na vida de populações de países ricos e pobres, era meu desejo, com a experiência jornalística de quem acompanha, desde os anos sessenta do século passado, atos ocorridos na vida política e administrativa do Maranhão, transmitir aos prefeitos recentemente eleitos, conselhos e advertências de como devem proceder à frente dos municípios que vão administrar.

Seriam palavras para não incorrerem, como os antecessores, em práticas ruinosas e lesivas aos interesses das comunidades e dos eleitores que votaram e acreditaram em palavras e promessas, proferidas nos palanques ao longo da campanha eleitoral.

Não deixariam de ser, também, avisos para não procederem em desacordo com as leis que regem o País, os Estados e Municípios, as quais registram e orientam a respeito dos caminhos burocráticos, dos regulamentos administrativos e contábeis, que os nortearão para não correrem o risco de posteriormente serem penalizados por infringirem os aparatos legais, a moral e os bons costumes e ainda ficarem sujeitos aos rigores dos órgãos que cuidam da fiscalização e da aplicação dos recursos públicos.              

Quando imaginava, repito, redigir um texto jornalístico com esse conteúdo, eis que, tomo conhecimento da mensagem da autoria do deputado Gastão Vieira, divulgada pelas redes sociais, que, com a sua competência, inteligência e preparo político e administrativo, tornou público o sentimento e o pensamento sobre o que devem fazer os bem-sucedidos nas recentes eleições.

Com o título de “Conselhos aos Novos Prefeitos”, reproduzo, com a permissão do autor, o que deve fazer um gestor municipal para chegar ao fim do mandato com a consciência tranquila pela realização de uma eficiente administração, bem como não ser taxado de desonesto e, pelo resto da vida, responder a  processos judiciais e implacáveis auditorias.

A MENSAGEM DE GASTÃO VIEIRA.

“Em quatro anos, o prefeito vai perder muito tempo à procura de uma inovação que funcione. Por isso não tenha medo, conheça programas que deram certo, copiem e adaptem à realidade.

“Quando Secretário de Educação, copiei e adaptei os projetos mais inovadores que pude conhecer em todo o País: Escola Ativa, Matrícula Bem Fácil, Professor Presente, Dinheiro Direto na Escola e outros, que tiveram bastante êxito.

“Então, senhores prefeitos, estabeleçam prioridades, comecem fazendo o básico: infraestrutura, educação, saúde, transporte e outras prioridades.

“Na pressa de resolver problemas individuais e imediatos dos cidadãos, a tendência é criar ações de atenções aos mais necessitados. Deixar o básico de lado prejudica os mais pobres.

“A prefeitura pode ser grande parceira e executora das políticas compartilhadas com a União e o Governo do Estado.

“Por exemplo, cabe aos municípios registrar as famílias no Cadastro Único de Políticas Sociais, que permite o pagamento do Bolsa Família e dos demais programas sociais.

“No Maranhão, mais de um milhão de famílias dependem do Bolsa Família e quase 600 mil casas não recebem o benefício social das contas de luz.

“A Equatorial tem um cadastro completo desses benefícios, basta trabalhar em parceria.

“Para não perder tempo com a burocracia exagerada, digitalize e integre as informações de arrecadação, orçamento, gastos e controle. Quem tem as informações em mãos, administra melhor, ganha tempo e evita punições futuras.

“Não é verdade que os municípios vivem de pires nas mãos. Nossas cidades se destacam por terem grande participação na receita.

“Município quebrado no Brasil só se vê no Maranhão, por causa da má gestão e não por falta de recursos. Gaste tempo trabalhando no seu município e menos tempo reclamando de Brasília.

“Por fim, passada a euforia da vitória, é hora de trabalhar muito e com honestidade e competência para honrar cada voto recebido”.

QUINCAS, O COMUNICADOR

 Foi uma bomba o anúncio de Joaquim Haickell, para chefiar a Secretaria de Comunicação Social, da Prefeitura de São Luís.

O convite surpreendeu o próprio convidado, que não esperava ter sob seu comando uma secretaria que com ela não sonhava.

Ao convidá-lo para assumir tal cargo, o novo prefeito pensou em ter perto de si um conselheiro político, um cara polivalente e bem relacionado na comunidade maranhense.

O MESMO SALÁRIO

Eduardo Braid assumiu as rédeas da prefeitura de São Luís, sem que o seu salário, como é de costume, fosse reajustado pela Câmara de Vereadores.

À falta desse procedimento, Braid terá de se contentar com o salário que o ex-prefeito Edvaldo Holanda Junior recebia dos cofres municipais.

A DEPUTADA ROSEANA

Rigorosamente certo: Roseana Sarney foi convencida por familiares e amigos para disputar as eleições de 2022 e retornar à atividade política.

Ela disputará o pleito concorrendo ao cargo que começou a sua brilhante carreira política: deputado federal.

Depois de eleita para o Congresso Nacional, aí, sim, pensará em cargos políticos mais relevantes.

REVISÃO CONSTITUCIONAL

As novas Mesas Diretoras da Câmara e do Senado Federal, a serem eleitas brevemente, deveriam pensar numa revisão constitucional.

Eu penso do mesmo modo do historiador Capistrano de Abreu, ou seja, de que a nova Constituição brasileira só deveria ter dois artigos.

Primeiro: Todo brasileiro deve ter vergonha na cara. Segundo: Revogam-se as disposições em contrário. 

PRESENÇA OBRIGATÓRIA

Nas centenas inaugurações de obras realizadas em São Luís, notava-se, ao contrário do visto em eventos passados, a ausência de claques e puxa-sacos.

Edivaldo, como bom marido, nessas ocasiões, só não abria mão de ter ao seu lado uma pessoa: a esposa Camila.

CACHIMBO DA PAZ

Nas agendas do governador Flávio Dino e do prefeito Eduardo Braid já estão marcadas um importante encontro.

O ato se realizará tão logo o governador retorne do recesso, que usufruirá apenas com os familiares.

 Nesse encontro, Dino e Braid fumarão o cachimbo da paz.       

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NATAIS NA MINHA TERRA NATAL

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Machado de Assis, o maior escritor brasileiro, em um de seus conhecidos sonetos, referindo-se ao Natal, perguntava: Mudei eu ou mudou o Natal?

Quando se aproxima o período natalino, a pergunta machadiana me remete para a terra onde nasci, vivi a minha infância e desfrutei da adolescência.

Trata-se de uma época em que o Natal não tinha a pompa dos dias correntes e nem era comemorado para satisfazer um consumismo desenfreado e imposto pela sociedade capitalista, que transformou a maior festa da cristandade em farra gastronômica e troca-troca de presentes.

 Se atualmente o sentimento material preside as festas natalinas, no passado, o sentido da espiritualidade reinava como princípio básico do evento.

ORNAMENTAÇÃO NATALINA

Nos dias que precediam ao Natal, os itapecuruenses não se preocupavam com a ornamentação feérica de suas residências, até porque a cidade ainda não estava servida por iluminação elétrica.

A comunidade só pensava no cumprimento de uma tradição que se arrastava ao longo do tempo: a instalação de presépios, com as imagens representativas dos participantes da chegada de Cristo no mundo.

Os presépios transformavam-se em atrações e os que se encarregavam de fazê-los não se descuidavam de ornamentá-los com as figuras da liturgia católica.

 Na manjedoura, confeccionada à base de palhinha e de plantas campestres, o Menino Deus ganhava posição de realce na companhia contemplativa da Virgem Maria, de São José, dos Reis Magos – Gaspar, Belchior e Baltazar, de anjos e pequenos animais domésticos.

Pontificavam na cidade presépios de todos os tamanhos e estilos. Uns, mais arrumados e decorados; outros, mais humildes e simples, como a maioria da população.

PRESÉPIOS VISITADOS

Lembro que os presépios mais visitados podiam ser vistos na nave da igreja-matriz de Nossa Senhora das Dores e na casa de Raimundo Coelho, mais conhecido por Mundico Rifiri, residente na Rua do Mocambo, atualmente Paulo Bogéa.

O presépio da igreja, cuidadosamente preparado pelas devotas das irmandades religiosas, por ficar dentro do templo católico, era bem visitado pelas famílias, que faziam questão de levar os filhos para saber como Jesus Cristo veio ao mundo.

O presépio montado por Mundico Rifiri se apresentava bem cuidado e sob os caprichos do próprio dono da casa, que tinha o prazer de mostrá-lo a todos que desejassem visitá-lo e em obediência a um ritual que acontecia todas as noites.

Naquela casa, as famílias e os curiosos se acotovelavam para admirar a criatividade do anfitrião e também participar das ladainhas, entoadas sob fervorosas preces e cânticos religiosos. 

Os presépios só se desmontavam na noite de 6 de janeiro, no dia consagrado aos Reis Magos, quando havia a queima das palhinhas. Mundico Rifiri, como dono da casa e do presépio, nessa noite, recebia os convidados com festas e pompas e aos mesmos oferecia doces e bebidas não alcoólicas, ao som da banda musical, que tocava para o deleite dos presentes.

OS AUTOS NATALINOS

Outra atração também marcante nos dias que antecediam ao Natal eram as apresentações teatrais – os autos, que versavam sobre o nascimento do Menino Jesus, realizados no quintal do velho Tinoco, onde num ambiente devidamente preparado, os protagonistas, geralmente crianças, vestidas a caráter, exibiam seus dotes artísticos.

As apresentações eram ensaiadas pelas filhas do dono da casa, Zainha e Dorinha. Um dos garotos que participava dos espetáculos, era o meu amigo de infância, Júlio Araújo, mais conhecido por Belisca, um dos melhores jogadores de futebol de minha terra.

A MISSA DO GALO

Com relação à noite de Natal, o ponto alto se dava com a celebração solene da Missa do Galo, que começava rigorosamente à meia-noite e ministrada pelos padres da época: Alfredo Bacelar, Alteredo Soeiro e José Albino Campos.

Praticamente toda a população comparecia ao ofício religioso, para reverenciar e louvar o nascimento do Filho de Deus. Terminada a missa, os meus conterrâneos, antes de retornarem às suas casas, aglomeravam-se em frente à igreja para se abraçarem fraternalmente, como rezava a tradição cristã.

Poucas famílias, geralmente as mais dotadas de recursos financeiros, se davam ao luxo de promover ceias, que não lembram em nada das atuais e extravagantes.

Caracterizavam-se pela frugalidade, até porque careciam de produtos sofisticados e exportados, encontrados, tempos depois, em abundância, nos estabelecimentos comerciais de São Luís. Pratos à base de camarão, carne suína, capão ou peru, eram servidos e consumidos para festejar a data maior da cristandade.

O ROUBO NATALINO

Por falar em aves, não posso esquecer de uma prática que dominava a cidade na noite de Natal. Após a Missa do Galo, o ato de roubar galinhas dos quintais dos incautos. O roubo, infalivelmente executado por figuras masculinas, era praticado com espírito de pura aventura.

Após a apropriação indevida das “criações”, assim chamadas porque criadas em quintais, recebiam um tratamento culinário, para serem devoradas pelos autores do “crime”, convidados e apreciadores do desonesto ato. No dia seguinte, a população sabia os nomes dos “ladrões”, mas ninguém os denunciava à polícia.

Os irmãos, João Boca de Bilha e Zé Fininho, nessa arte de surrupiar galináceos, na noite de Natal, eram imbatíveis.

PRESENTES NATALINOS

No tocante aos presentes natalinos, só os filhos das famílias mais bem dotadas financeiramente tinham o privilégio de recebê-los. Não eram brinquedos sofisticados, como os atuais, pois o comércio de Itapecuru não vendia artigos dessa natureza.

Os brinquedos eram colocados debaixo das redes onde dormiam as crianças. Lembro-me da minha ansiedade e de meus irmãos para descobrirmos ao acordar o que Papai Noel nos trouxera.

Eu, tinha um irmão que, às noites, tinha o costume de acordar várias vezes para urinar e depositar o líquido nos chamados penicos ou urinóis.

Numa noite de Natal, ele, estava tão angustiado para saber o que ganharia de presente, que urinou na rede e a urina caiu toda sobre o que Papai Noel lhe trouxera.

Quando acordou, além do vexame, só não passou o dia triste e revoltado, porque havia um presente sobrando, o qual Papai Noel deu um jeito de chegar às suas mãos.     

O troca-troca de presente entre adultos não existia. Veio anos depois por imposição do marketing empresarial, que inventou essas brincadeiras, largamente conhecidas por “amigos ocultos” ou “amigos secretos”, para incrementarem o faturamento da indústria e do comércio.

O MEU PAPAI NOEL

O meu pai, Abdala Buzar, próspero comerciante em Itapecuru, era visceralmente um homem que gostava de brincar e de se divertir em dois eventos: carnaval e natal.

Era seu costume, nessas oportunidades festivas, sair às ruas e visitar os amigos, com roupas adequadas. Com o bom humor que Deus lhe deu, proporcionava à cidade momentos de alegria e descontração.

Na foto, ele, vestido de Papai Noel, ao lado do irmão José Buzar e da filha Lélia, participando de uma festa natalina no Social Itapecuru Clube, nos anos 1960.    

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CAMILA: A EXEMPLAR PRIMEIRA-DAMA

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A menos de quinze dias, São Luís estará sob o comando de um novo prefeito, Eduardo Braid, que derrotou, no segundo turno das eleições de novembro recente, o aguerrido opositor Duarte Júnior.

Eduardo Braid receberá o cargo de gestor de Edvaldo Holanda Júnior, que cumpriu oito anos de mandato, vencendo as eleições de 2012, derrotando João Castelo no segundo turno, e suplantando Eduardo Braid, em 2016, no segundo turno.

 Edvaldo Holanda deixará o Palácio La Ravardière, em lua de mel com a população de São Luís, pelo excelente trabalho, sobretudo no segundo mandato, quando executou ações importantes e iniciativas oportunas, como há tempos não se viam e destinadas à modernização e à recuperação urbanística da cidade.

Antes de Edvaldo, só um prefeito teve o desassombro de fazer uma administração voltada para melhorar o cenário urbanístico da capital: Mauro Fecury, que construiu dezenas de colégios, postos de saúde, inúmeras praças, abriu e duplicou avenidas e promoveu loteamentos que deram origem a vários bairros na periferia.  

Voltemos a Edvaldo Holanda, que, além de empreender um notável trabalho nas áreas urbana e rural, com a construção de novas praças, recuperou as tradicionais e abandonadas praças, reformou mercados e feiras, construiu e remodelou colégios e postos de saúde, asfaltou ruas e avenidas do centro e dos bairros,  sem que se tenha visto ou ouvido qualquer acusação ou denúncia contra ele, de realizar tantas obras em São Luís sem desviar verbas ou se apropriar de recursos públicos.

Edivaldo ainda teve o mérito de não se envolver no processo da sua sucessão. Sendo um político correto e avesso às maquinações espúrias e comuns nas fases pré-eleitorais, não apoiou ninguém e limitou-se a ver a banda passar.

O prefeito que ora termina o mandato, outorgado democraticamente pelo povo de São Luís, além de seu notável e eficiente desempenho administrativo, contou com uma figura feminina, a esposa, Camila Holanda, que sempre esteve ao seu lado nos lançamentos, visitas e inaugurações de obras, quando mostrava, com sorriso singelo e simpatia contagiante, a total solidariedade ao marido e gestor.

Camila, conquistou a cidade de ponta a ponta pela maneira discreta como se comportou no exercício do mandato do homem que escolheu para companheiro e pai de seus filhos, sem  se imiscuir na sua administração, a não ser nos momentos em que ele, como homem público, precisava tê-la ao seu lado, para enfrentar as tarefas diárias e desafiadoras impostas pelo cargo.

Como primeira dama da cidade, brilhou pela marcante presença em atos que exigiam a sua participação como esposa, sem exercer nenhuma função burocrática.

A presença de Camila nas inaugurações e nas ações que levaram o marido a ser considerado um dos melhores prefeito de São Luís, fazia com que os eventos ocorressem e fluíssem com leveza, sobriedade e dignidade.

Que o seu exemplo sirva de exemplo para as que vierem a sucedê-la. Aqui e alhures.       

DE MAIS E DE MENOS

O que o governador Flávio Dino tem de mais e o Presidente da República, Jair Bolsonaro, de menos: oratória fácil, cultura geral, dicção perfeita, vernáculo rico, serenidade e versatilidade.

 NOTA ZERO

O político de Chapadinha, Magno Bacelar, ficou conhecido por Nota Dez, pelos êxitos alcançados na vida pública como gestor municipal e deputado estadual.

Nas recentes eleições, para a prefeitura de Chapadinha, perdeu feio para uma candidata paradoxalmente chamada de Belezinha.

Com a derrota, Magno Bacelar, mudou de Nota Dez para Nota Zero. 

TROCA DE PARTIDO

Muita gente admira o governador Flávio Dino pela sua cultura, mas não o tolera por ser membro do PC do B.

Agora, que está de malas e bagagens para trocar o PC do B pelo PSB, há possibilidade da sua popularidade melhorar, pois ser socialista é mais palatável do que comunista.    

O ACADÊMICO TYRONE

O desembargador Tyrone Silva, que preside o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, recebeu em sua terra natal especial homenagem.

Foi eleito membro da Academia Vargemgrandense de Ciências, Letras e Artes.

AS BELAS DELEGADAS

Antigamente, as delegacias de polícia do Maranhão eram chefiadas por homens, geralmente policiais militares e indicados por políticos.

Depois que a legislação exigiu concurso para o exercício do cargo de delegado de polícia e a exigência de nível superior, melhorou substancialmente o quadro de profissionais dedicados a essa profissão.

Em São Luís, as delegacias policiais, atualmente, em sua grande maioria, são ocupadas por figuras do sexo feminino e portadoras de beleza e competência.

MÃOS LAVADAS

Faço minhas as palavras do brilhante escritor Zuenir Ventura: – Só agora, como octogenário, aprendi a lavar as mãos corretamente, ou seja, passando a empregar água e sabão na palma, no dorso, entre os dedos, unhas e até o punho.

MANDATO FAMILIAR

A família Soeiro está representada na Câmara Municipal de São Luís pela terceira geração.

Nas eleições de 1996, o radialista Albino Soeiro elegeu-se vereador e cumpriu o mandato durante quatro legislaturas.

Por motivo de saúde, nas eleições de 2012, indicou a esposa Bárbara, que exerceu os mandatos em duas legislaturas.

No pleito deste ano, a vereadora Bárbara, cansada das atribuições parlamentares, lançou o filho Otávio candidato a vereador e o garoto se elegeu sem maiores dificuldades, mantendo a tradição vitoriosa da família Soeiro.      

PROCURADOR DA PREFEITURA

Mais uma boa e feliz escolha do futuro prefeito Eduardo Braid: para comandar a Procuradoria Geral do Município de São Luís, convidou o brilhante advogado Bruno Duailibe, que teve desempenho exemplar como membro do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão.

COVID ATACA HAICKEL

Apesar de todos os cuidados, o acadêmico Joaquim Haickel, foi atacado de maneira traiçoeira pelo Covid 19.

Ele não está internado em hospital. Tenta se livrar do vírus por meio de tratamento doméstico.    

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EWERTON E MARANHÃOZINHO: EIS A TRISTE OPÇÃO

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 As eleições municipais deste ano, do ponto de vista do futuro do Maranhão, foram as mais desastrosas e catastróficas, desde a redemocratização do País, em 1945.

Não me refiro do resultado das disputas entre prefeitos e vereadores eleitos, até porque pela relação dos candidatos registrados na Justiça Eleitoral, sabia-se que, excetuando-se poucos nomes, a grande maioria se constituía de despreparados, pilantras, viciados e corruptos. 

O que inquieta e preocupa são os políticos que saíram fortalecidos nas eleições de 2020 e, por causa disso, estão sendo citados como potencialmente cotados à sucessão do governador Flávio Dino: o senador Weverton Rocha e o deputado federal, Josimar Maranhãozinho.

Esses parlamentares, que representam tristemente o Maranhão no Congresso Nacional, comenta-se que gastaram fortunas incalculáveis de recursos, nas recentes eleições às prefeituras e câmaras municipais, para se credenciarem como fortes candidatos ao Palácio dos Leões, para  sucederem o governador Flávio Dino, que corre o risco de transferir o poder para figuras humanas inidôneas.     

Um dilema terrível povoará a cabeça do povo de nossa terra, nas eleições de 2022, quando tiver de decidir nas urnas o político que nos governará no próximo quadriênio, se forem os que se anunciam como fortes e imbatíveis.

O Maranhão não merece, depois de ver tantos homens ilustres e sem nódoas na vida moral e política, no comando do Governo do Estado, do nível de Archer da Silva, Eugênio Barros, Matos Carvalho, Newton Bello, José Sarney, Antônio Dino, Pedro Neiva de Santana, Nunes Freire, João Castelo, Ivar Saldanha, João Alberto, Edson Lobão, Ribamar Fiquene, Roseana Sarney, José Reinaldo Tavares, Jackson Lago e Flávio Dino, assistir a chegada ao Palácio dos Leões de pessoas sem expressão e que trazem no currículo a marca de donos de uma máquina política viciada e degradante.

A esperança do povo maranhense é de que o vice-governador Carlos Brandão saia da toca e se imponha com uma alternativa viável para suceder a Flávio Dino, que, também, precisa entrar em campo, para impedir o Governo do Estado de cair no colo de gente incompetente e que deseja o poder para se locupletar.

Em tempo: já disse e repito. Se um dos políticos citados acima subirem as escadas do Palácio dos Leões em 2023, como dizia o poeta Manoel Bandeira: – Vou embora para Paságarda, pois lá sou amigo do rei.

RETORNO DE GASTÃO

É questão de tempo, o retorno de Gastão Vieira às atividades na Câmara dos Deputados.

O governador Flávio Dino já o avisou que precisa de seu trabalho no Congresso Nacional, onde, como parlamentar, sempre teve boa atuação.

Gastão deverá substituir Rubem Júnior ou Márcio Jerry, que voltarão a ocupar cargos no primeiro escalão do governo.

PREFEITO DE ARAME

Muita gente não entende porque o engenheiro Pedro Fernandes, disputou a eleição para uma prefeitura da expressão de Arame.

Depois de eleito, sabe-se o motivo de tão inusitada decisão: Pedro Fernandes, bom técnico e     excelente parlamentar, é dono de propriedades rurais em Arame, todas produtivas, super valorizadas e compradas legalmente.

CARTA DE FLÁVIO

Além de inscrever-se como candidato à vaga do filho, Sálvio Dino, na Academia Maranhense de Letras, Flávio Dino enviou carta aos acadêmicos, nas quais mostra a vontade de fazer parte da instituição que honra as tradições de cultura e do  desejo de nela ingressar para aprender com os que ao longo de décadas, tem emprestado seus talentos ao Maranhão.   

Na epístola, disse que nas estradas existências nas quais caminhou sempre combinou a leitura, a escrita e a ação política.

Para a Cadeira, 32, que era ocupada por Sálvio Dino, estão também inscritos José Rossini Corrêa, Antônio Guimarães de Oliveira, José Carlos Sanches e José Eulálio Figueiredo.

AZZOLINE NA FAZENDA

O prefeito eleito de São Luís, Eduardo Braid, começou de maneira acertada a convidar os que vão ajudá-lo a administrar a capital maranhense.

Para a Secretaria da Fazenda, a indicação do economista José de Jesus Azzoline foi recebida com aplausos.

Trata-se de um técnico sério, competente e experiente, qualidades já demonstradas nos cargos ocupados na administração pública e na atividade privada. 

JOGOS AMIGOS

Se não tivéssemos vivendo tempos tenebrosos, por causa da infeliz pandemia do covid-19, no dia de hoje, Mauro Fecury abriria as portas do CEUMA, para receber os amigos do passado e do presente, para um evento festivo.

Este ano, seria o trigésimo que Mauro promoveria ininterruptamente, os amigos para se reencontrarem e matar as saudades de tempos idos e vividos.  

Em 2021, que não será um ano trágico, certamente, Mauro Fecury, estará de braços abertos à espera novamente dos amigos para celebrar dias venturosos que nos aguardam.

AVISO AOS NAVEGANTES

Por favor, não convidem para sentar na mesma mesa o governador Flávio Dino e o senador Weverton Rocha.

CONVITE A MAX

Desde os tempos de deputados estaduais, Eduardo Braid e Max Barros formalizaram sólida e fraterna amizade.

Por conta disso, Braid esperava que Max não recusaria o convite para fazer parte de sua equipe administrativa.

Ledo engano. Max aceitou apenas presidir a equipe de transição.                      

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REFLEXÕES ALEATÓRIAS SOBRE AS ELEIÇÕES DE 2020 EM SÃO LUÍS

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A partir de 1992, a legislação eleitoral estabeleceu que nos municípios com mais 200 mil eleitores, no caso de nenhum candidato obter a maioria absoluta da votação no primeiro turno, ou seja, a metade mais um dos sufrágios, haverá um segundo turno, entre os dois mais votados.

De 1992 a 2020, São Luís é a única cidade maranhense em que se realizaram eleições em dois turnos. Dos oito pleitos processados, só dois candidatos conseguiram vencer no primeiro turno, por maioria absoluta de votos: Jackson Lago, em 2000, e Tadeu Palácio, em 2004.

Nas eleições, deste ano, mais uma vez, o pleito foi decidido no segundo turno, entre os dois candidatos mais votados no primeiro turno: Eduardo Braid e Duarte Júnior.

Convém lembrar que Braid, em 2016, disputou e perdeu o segundo turno para o atual prefeito Edvaldo Holanda Júnior.

O GRUPO DO GOVERNADOR

Para enfrentar o deputado Eduardo Braid, que não reza na sua cartilha, o governador Flávio Dino pensava que poderia vencê-lo, no primeiro turno,  por um dos quatro candidatos de sua base política:  Rubem Júnior, Duarte Júnior, Neto Evangelista e Bira do Pindaré, deputados e ocupantes de cargos no primeiro escalão do atual governo.

O que melhor desempenho apresentou no primeiro turno, Duarte Júnior, não era o preferido do governador para enfrentar Braid no segundo turno. As fichas de Flávio no primeiro turno foram todas jogadas em Rubem Júnior, que, dos quatro, obteve a pior performance.

DUARTE SURPREENDE

Com uma atuação notável no primeiro turno, graças ao seu espírito de luta e de sua indomável coragem, que muitas vezes, ultrapassa os limites da tolerância política, Duarte obrigou Flávio Dino a arregaçar as mangas e assumi-lo como o seu candidato, para enfrentar e vencer Braid, façanha não materializada, pois não contou, como esperava, com os candidatos derrotados do seu grupo, que se omitiram ou fizeram corpo mole, por causa da antipatia devotada a Duarte.

O DESEMPENHO DE NETO EVANGELISTA

O único membro do governo de Flávio Dino, que teve atuação destacada e desassombrada no segundo turno da eleição, o deputado Neto Evangelista, que, como um leão, entregou-se de corpo e alma à campanha de Eduardo Braid, ao qual deve ter transferido boa parte da votação conquistada no primeiro turno.

Neto Evangelista foi peça fundamental na vitória de Braid, no segundo turno. Com a sua garra e simpatia, participou decididamente das caminhadas, carreatas e comícios, como se fosse o próprio candidato.       

Se há alguém que Braid deve e muito pela retumbante vitória nas eleições de 2020, esse cara é Neto Evangelista e que tem tudo para se impor como uma nova liderança dessa nova geração política.

ACERTOS E ERROS DE DUARTE  

Duarte Junior teve audácia e competência para se fazer candidato à prefeitura de São Luís, ultrapassando obstáculos e hostilidades do grupo político a que pertence, que não o vê com bons olhos.

Essa aversão a Duarte, se evidencia no plenário da Assembleia Legislativa, onde a sua figura humana e política, é repudiada pelos deputados estaduais, que o criticam em função de sua arrebatada personalidade e do seu impulsivo comportamento, aliás, expostas de maneira visível nos programas e entrevistas pelos meios de comunicação social, nos quais procurava descontruir de modo agressivo os adversários e seus familiares, fato que não o beneficiou eleitoralmente, ao contrário, contribuiu para desgastá-lo.

A AUSÊNCIA DE EDIVALDO DA SUCESSÃO

Quando da realização do primeiro turno das eleições municipais de São Luís, foi fartamente divulgado que o prefeito Edivaldo Holanda Junior se omitiria do processo eleitoral, resguardando-se para participar do segundo turno.

Os que imaginavam que o alcaide optasse por um dos candidatos no segundo turno, equivocaram-se redondamente, pois, Edivaldo sumiu por completo da campanha, mostrando o seu desinteresse pelo resultado do pleito e quem o sucederia no Palácio La Ravardiére, com a responsabilidade de dar continuidade ao bom trabalho que realiza na cidade, principalmente na segunda gestão.

Quem priva da amizade do prefeito, sabe que ele se omitiu da campanha para não entrar em choque com o governador Flávio Dino, que apoiava Duarte Júnior, candidato pelo qual não dispensa nenhuma simpatia.

A torcida do atual prefeito era por Eduardo Braid, no qual votou silenciosa e tranquilamente.

UMA CAMPANHA DE PROMESSAS

Eu sou, com muita honra, eleitor da terra onde nasci e pela qual tenho mórbida paixão: Itapecuru. Mas como vivo e moro em São Luís, acompanho com desusado interesse as eleições aqui transcorridas.

Quero com isso dizer que, das eleições municipais travadas em São Luís, de 1992 a 2020, nunca vi e ouvi tantas promessas mirabolantes, demagógicas e irresponsáveis dos candidatos à sucessão de Edivaldo Holanda.

Neste ano, os candidatos, sem exceção, no primeiro e no segundo turno, sem dó e piedade do eleitor, nos debates e entrevistas pelas emissoras de rádio e televisão, prometeram realizar coisas impossíveis, como se o Brasil não estivesse atravessando uma crise sem precedentes, provocada por uma pandemia, que afetou de modo brutal o sistema produtivo e terá uma brutal repercussão, nos próximos anos, nas transferências federais aos estados e municípios.

Outro problema, que observei com a devida atenção: nenhum candidato teve a preocupação de dar uma olhada no orçamento da prefeitura de São Luís, para saber através daquela carta de intenção, a disponibilidade de recursos para aplicar em diferentes setores da municipalidade.

Para os candidatos, não vale ver orçamento na campanha. Essa tarefa é para depois da posse e quando, no exercício do cargo, se defrontarem com uma realidade inimaginável.

Aí vem a frustração e o desespero, face à carência de recursos, pois os cofres da prefeitura não dispõem de lastro financeiro suficiente para o cumprimento das promessas descabidas e levianas.

MORTOS E VIVOS

Terminadas as eleições, que o candidato eleito se lembre daquela máxima do Marquês de Pombal, quando do terremoto que arrasou Lisboa em 1755: – Que se enterrem os mortos e cuidemos dos vivos.                     

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A INGRATIDÃO DO POVO DE BACABAL

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Eu construí forte e indestrutível amizade com João Alberto de Sousa há mais de sessenta anos, como colega de turma no Liceu Maranhense.

Acabado o ciclo ginasial, tomamos o destino do Rio de Janeiro, onde estudamos em faculdades diferentes. Ele formou-se em economia e eu abandonei o curso de agronomia, retornando a São Luís, onde bacharelei-me em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Faculdade de Direito.

Foi no Rio de Janeiro, que João Alberto, trabalhando em banco privado, começou a desenvolver as atividades políticas e sindicais, interrompidas pelo movimento militar de 1964.

Em 1966, quando José Sarney se elege governador do Maranhão, e procurava técnicos maranhenses em outros estados, para vir trabalhar no seu governo, João Alberto se apresenta e veio de armas de bagagens para a terra natal, onde pela capacidade de trabalho e integridade moral, ocupou vários cargos públicos, nos quais não brincava em serviço, daí o apelido conquistado de Carcará.

Pelo brilhante desempenho na atividade administrativa, João Alberto elegeu-se deputado estadual pela Arena. Sempre fiel e leal a Sarney, disputa outros cargos legislativos e executivos, destacando-se os de deputado federal, senador, prefeito de Bacabal, vice e governador do Estado, mostrando desempenho satisfatório e conduta retilínea.

Em março de 1990, na condição de vice-governador, assume a chefia do Governo, em substituição a Epitácio Cafeteira. Na composição do primeiro escalão de sua equipe administrativa, convocou-me para o cargo de secretário da Cultura, funcionando paralelamente como assessor político.   

 Ao longo desses 60 anos, eu e João Alberto, embora atuando em áreas diferentes, nunca deixamos de ser amigos e de mantermos permanentes diálogos e conversas políticas.

Por conhece-lo desde tempos remotos e inesquecíveis, quando éramos felizes e não sabíamos, não me conformo com o comportamento do eleitorado de Bacabal, onde João Alberto não nasceu, mas adotou a cidade como sua terra natal, razão porque devota a ela inexcedível amor e incurável paixão.

Pelo que fez e realizou em favor Bacabal, no exercício dos mais diversos cargos públicos, nos quais, prioritariamente, destinava verbas e emendas parlamentares, para melhorar a situação do município, não me conformo e  revolto-me com os bacabalenses, que, no recente pleito de 15 de novembro, deram-lhe um tratamento eleitoral injusto, ele, que tentava encerrar a sua militância política, elegendo-se vereador à Câmara Municipal da cidade que ama e venera. 

O mandato de vereador de Bacabal, significava algo de transcendental importância pessoal e política para João Alberto, pois investido nesse cargo, desdobraria esforços, para, com o peso de seu conhecimento e do prestígio conquistado como homem público, carrear de Brasília recursos para a prefeitura desenvolver ações fecundas e positivas em favor das comunidades urbana e rural.

Muita gente, inconformada com a inesperada derrota de João Alberto, achava que ele, pelos elevados cargos legislativos e executivos ocupados, não deveria submeter o seu nome a uma eleição de pouca expressão política.

Mas ele não pensava assim. O mandato de vereador de Bacabal era o coroamento de uma longa trajetória política, no exercício da qual mostraria ao povo de sua terra o carinho que a ela devota.

Com a força do voto popular, negado de maneira traiçoeira pelos bacabalenses, para representá-los na Câmara de Vereadores, empregaria a sua larga experiência política e administrativa, para dar uma contribuição efetiva ao desenvolvimento do município e da melhoria de vida dos mais necessitados.

CONFINAMENTO TOTAL

O ex-presidente José Sarney e Dona Marly, pela longevidade, são figuras humanas de risco.

Por isso, o casal segue à risca às recomendações médicas e há sete meses não coloca os pés nas ruas de Brasília.   

Sarney, para o seu médico e amigo, o infectologista paulista, David Yup, disse que quer ser o primeiro brasileiro vacinado contra a corona vírus.       

FLÁVIO E BOULOS

Não é só em São Luís que o governador Flávio Dino se encontra engajado na eleição do segundo turno, para eleger o candidato, Duarte Junior.

Em São Paulo, torce pelo candidato Guilherme Boulos e aparece nos meios de comunicação, pedindo voto para o opositor do prefeito Bruno Covas.

MATRIARCADO POLÍTICO

As mulheres estão cada vez mais participando das atividades políticas no Maranhão.

Salvo melhor juízo, a primeira representante do sexo feminino a disputar eleição de prefeito no Maranhão, Dona Noca Santos, elegeu-se gestora de São João dos Patos, nos meados do século passado.

Nas recentes eleições de 15 de novembro, mais de quarenta mulheres se elegeram para governar os municípios maranhenses.  

ELEITOS SUB JUDICE

Com o fim das eleições municipais, vai começar uma nova etapa de sobrevivência dos eleitos.

Trata-se da luta de prefeitos, vices e vereadores na Justiça Eleitoral, eleitos com algum tipo de pendência judicial, que, conforme o resultado do julgamento, pode alterar o pleito.

COROBA VÍRUS

Os meus conterrâneos de Itapecuru, estão dizendo que nas recentes eleições municipais trocaram a corona vírus pelo Coroba Vírus.

PUREZA DE BACABAL

Em dezembro, estará nas telas de todo o Brasil o filme “Pureza”, protagonizado por Dira Paes, no papel de uma mulher que nasceu em Bacabal e deixou a cidade em 1993, em busca do filho Abel, aliciado para trabalhar como escravo numa fazenda do sul do país.

O ELEITORADO DE BARREIRINHAS 

O engenheiro Aparício Bandeira, secretário de Obras e Serviços Públicos de Barreirinhas, presenciou nas eleições municipais que lá se travaram, um fato nada comum e que a difere das demais cidades maranhenses.

Ao longo de toda a campanha eleitoral, os candidatos a prefeito e a vereador, não realizaram comícios, passeatas, caminhadas ou qualquer outro tipo de propaganda eleitoral, que perturbasse a vida da população ou sujasse a cidade.

Em Barreirinhas, nos dias atuais, disse-me Aparício, o povo só pensa em turismo e ganhar dinheiro.        

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ELEIÇÕES EM DOIS TURNOS EM SÃO LUÍS

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De conformidade com a Lei 8.214, de 24 de julho de 1991, as eleições nos municípios com mais de 200 mil eleitores, seriam considerados eleitos o prefeito e o vice, que obtivessem maioria absoluta de votos.

Se nenhum candidato alcançasse a maioria absoluta na primeira votação, uma nova eleição se realizaria com a participação dos dois candidatos mais votados, considerando-se eleito o que obtiver a maioria de votos, não computados os em branco e os nulos.

Nas eleições de 3 de outubro de 1992, 11 candidatos concorreram à sucessão do prefeito Jackson Lago: Conceição Andrade, João Alberto, Haroldo Saboia, Jaime Santana, Evandro Bessa, Costa Ferreira, Mauro Fecury, Carlos Guterres, Beto Douglas, Nan Sousa e Rubem Soares.

Nenhum conseguiu a maioria absoluta de votos, por isso os dois mais votados no primeiro turno, Conceição Andrade e João Alberto, voltaram a se enfrentar a 15 de novembro de 1992, com a vitória da candidata do PDT, que conquistou 137.687 sufrágios, e o opositor, 77. 239 votos.

Nas eleições de outubro de 1996, Jackson Lago, rompido com Conceição Andrade, disputa contra um batalhão de candidatos: João Castelo, Pedro Fernandes, Afonso Manuel, Antônia Senhorinha, Antônio Fontenele, Marcos Nascimento e Eurico Fernandes.

Como nenhum obteve a maioria absoluta, os mais votados, Jackson Lago e João Castelo, se enfrentam no segundo turno, no qual Jackson impôs-se de forma inequívoca sobre o concorrente.    

Nas eleições de outubro de 2000, Jackson Lago concorre à reeleição, mas vence logo no primeiro turno, com uma votação expressiva de 194.109 sufrágios, enfrentando os candidatos João Castelo, José Antônio Almeida, José Raimundo Rodrigues, Helena Heluy, Cloves Savalla e Marcos Silva.

No pleito de 2004, Tadeu Palácio, envergando a camisa do PDT, consegue uma votação robusta de 221.854 votos, o que lhe garante vencer no primeiro turno os candidatos Ricardo Murad, João Castelo, Helena Heluy, Edivaldo Holanda (pai) e Luiz Noleto.

Com vistas às eleições de 2008, uma das mais disputadas em São Luís, pela qualidade e quantidade dos candidatos: João Castelo, Flávio Dino, Clodomir Paz, Raimundo Cutrim, Gastão Vieira, Cleber Verde, Welbson Madeira, Paulo Rios, Waldir Maranhão, José Ribamar Pedrosa e Pedro Fernandes, nenhum obteve a votação exigida pela legislação eleitoral, razão porque o pleito decidiu-se no segundo turno entre os candidatos mais bem votados, João Castelo e Flávio Dino, cuja vitória, depois de uma quarta derrota, o ex-governador, afinal, saiu vitorioso.        

Em 2012, o prefeito João Castelo decide disputar a reeleição, mas não consegue votação suficiente para se eleger no primeiro turno, concorrendo contra os candidatos Edivaldo Holanda Júnior, Tadeu Palácio, Elisiane Gama, Ednaldo Neves, Haroldo Saboia, Marcos Silva e Washington Oliveira.

Edivaldo e Castelo, os mais votados, partem para o segundo turno, no final do qual o primeiro teve 36, 44 % e o segundo, 30, 6% da votação.

Nas eleições de 2016, no primeiro turno, em 2 de outubro, concorreram com Edivaldo Holanda Júnior, que disputava a reeleição, os candidatos Eduardo Braid, Elisiane Gama, Wellington do Curso, Fábio Câmara, Rose Sales, Zé Luís Lago, Cláudia Durans e Valdeny Barros.

Os mais votados no primeiro turno, Edivaldo Júnior e Eduardo Braid, respectivamente, com 45, 66% e 21, 34% da votação, se defrontaram no segundo turno (30 de outubro), com o prefeito suplantando o opositor de modo convincente, abiscoitando 53,94% da votação.

No próximo domingo, o eleitorado de São Luís participará de um oitavo pleito, este, travado entre Eduardo Braid e Duarte Júnior. Dos sete já realizados, cinco se decidiram no segundo turno e dois no primeiro turno.

PREFEITO ITINERANTE

Nas recentes eleições municipais, abundaram os candidatos evangélicos aos cargos executivos e legislativos, o que contrasta diametralmente com os membros da igreja católica, que se ausentaram da pugna eleitoral, excetuando-se o padre William, que se elege prefeito de Alcântara.

Antes de Alcântara, o trêfego sacerdote foi eleito gestor dos municípios de Santa Helena e Guimarães.

A próxima meta do padre William é ser prefeito do Vaticano.

DA VELHA GUARDA

Dos candidatos que não pertencem à nova geração de políticos do Maranhão, apenas Pedro Fernandes se deu bem nas urnas, elegendo-se prefeito do município de Arame.

João Alberto, Paulo Marinho, Pereirinha, Pavão Filho, Afonso Manuel, candidatos à vereança de Bacabal, Caxias e São Luís, bem como Ricardo Murad, Léo Costa, Filuca Mendes, Ildo Marques, Sebastião Madeira, Valdivino Cabral, Magno Bacelar( Nota Dez), candidatos a prefeito de Coroatá, Barreirinhas, Pinheiro, Imperatriz, Santa Inês e Chapadinha, foram inapelavelmente derrotados por um eleitorado renovado.    

O TRIUNFO DE COROBA

O ex-promotor Benedito Coroba, obteve uma vitória maiúscula à prefeitura de Itapecuru.

Nos anos oitenta, ele, o favorito na eleição ao cargo de prefeito, perdeu para uma candidata bisonha.

Nestas eleições, Coroba derrotou o jovem médico, Ricardo, apoiado por quatro ex-prefeitos de Itapecuru: José e Miguel Lauand, Júnior Marreca e Magno Amorim.

NETO DE DONA ENIDE

O jovem empresário, Daniel Tavares Dino, neto de Dona Enide Dino, elegeu-se vereador à Câmara Municipal de Itapecuru.

Ele comanda, naquela cidade, os negócios da fábrica de derivados da cerâmica. Pelo bom relacionamento com a população itapecuruense, participará dos trabalhos legislativos da minha terra.

FORA BOLSONARO

Pelo que se sabe, os dois candidatos que vão disputar as eleições de segundo turno, em São Luís, Eduardo Braid e Duarte Júnior, não vão pedir o apoio do presidente Jair Bolsonaro.

Ambos, querem medir forças sem a presença de estranhos à militância política maranhense.

A BRAVURA DE KARLA

Em várias eleições, Karla Sarney concorreu a cargos legislativos, para a Câmara Municipal de São Luís e Assembleia Legislativa do Maranhão, mas sem obter votação suficiente para se eleger.

As derrotas sofridas, não abaterem a jovem candidata, ao contrário, deram-lhe mais força e convicção para continuar a luta por um lugar ao sol na vida política maranhense.

Pela determinação, impetuosidade e força de vontade, o que Karla esperava, aconteceu no recente pleito: elegeu-se vereadora à Câmara Municipal de São Luís.  

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INTENDENTES E PREFEITOS NOMEADOS E ELEITOS DE SÃO LUÍS

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Neste ano, em que São Luís, capital do Estado do Maranhão, comemorou quatrocentos e oito anos de fundação, uma pergunta explode no ar: quantas pessoas já administraram esta cidade, tendo como marco temporal o século XX? 

Resposta: nada menos do que 82 figuras humanas, a maioria políticos, médicos, engenheiros, militares e advogados, governaram São Luís no período de 1900 a 2020.

INTENDENTES ELEITOS E NOMEADOS

De 1900 a 1921, os gestores que assumiram as rédeas da capital maranhense eram denominados intendentes, por força da Carta Magna de 1892, que determinava que as administrações municipais fossem exercidas por autoridades encarregados de executar as resoluções das Câmaras de Vereadores.   

Mandava ainda a Constituição de 1892 que os intendentes, em vez de nomeados, chegassem ao poder ungidos pelo voto. Mas, a partir de 24 de fevereiro de 1919, essa regra foi alterada: os intendentes passaram a ser denominados de prefeitos, não sendo mais eleitos, mas nomeados pelos governantes estaduais.

EMENDA CAFETEIRA

Em abril de 1965, nova mudança ocorre na administração pública desta cidade: o Congresso Nacional aprova Proposta de Emenda Constitucional, da autoria do deputado Epitácio Cafeteira, que restaura a autonomia político-administrativa das prefeituras das capitais. Assim, São Luís voltava a eleger o seu prefeito, o que se deu nas eleições de 3 de outubro de 1965, com a vitória do candidato Epitácio Cafeteira, que teve como opositores, Ivar Saldanha, Ivaldo Perdigão Freire e José Mário de Araújo Carvalho.

PREFEITOS NOMEADOS – I

Com a instalação do regime militar, outra reviravolta: por efeito do Ato Institucional nº 3, de 5 de fevereiro de 1966, os prefeitos das capitais passaram novamente a ser nomeados pelos governadores estaduais.    

Dentre os intendentes e prefeitos que galgaram a municipalidade de São Luís, apenas 14 foram submetidos ao processo eleitoral, isto é, assumiram o cargo levados pelo voto popular: 7 intendentes e 7 prefeitos.

INTENDENTES E PREFEITOS ELEITOS

 No quadro dos intendentes eleitos aparecem: Alexandre Collares Moreira Junior, Nuno Álvares de Pinho, Mariano Lisboa Neto, Clodomir Cardoso e José Luso Torres.

Da galeria dos prefeitos eleitos fazem parte: Epitácio Afonso Cafeteira, Maria Gardênia Ribeiro Gonçalves, Jackson Kepler Lago, Conceição de Maria Andrade, Tadeu Palácio, João Castelo Ribeiro Gonçalves e Edvaldo Holanda Junior.

PREFEITOS NOMEADOS – II     

 No mapa geral dos que chegaram ao Palácio La Ravardiére, por atos de nomeação de presidentes, governadores e interventores estaduais, figuram os gestores Raimundo Gonçalves da Silva, Antônio Brício de Araújo, Antônio Lopes da Cunha, Jayme Tavares, Euclides Zenóbio da Costa, Basílio Torreão Franco de Sá, Lino Rodrigues Machado, Antônio Carlos Teixeira Leite, Carlos dos Reis Macieira, João Manuel Tinoco, Raimundo Frazão Cantanhede, João Inácio Martins, Demerval Rosa, Alcides Jansen Pereira, Pedro José Oliveira, Antônio Alexandre Bayma, Manoel Vieira Azevedo, José Otacílio Saboya, Clodoaldo Cardoso, Pedro Neiva de Santana, Tancredo Matos, Edson Teixeira Neto, Antônio Pires Ferreira, Tácito Caldas, Antônio Costa Rodrigues, Alexandre Costa, Edson Brandão, José Burnett da Silva, Otávio Passos, Eduardo Viana Pereira, Carlos Vasconcelos, José de Ribamar Waquim, Ivar Saldanha, Emiliano Macieira, Ruy Mesquita, Djard Martins, Vicente Fialho, José Ateniense Libério, Haroldo Tavares, Adolfo Von Randow, Edmilson dos Reis Duarte, Antônio Bayma Junior, Lereno Nunes Neto, Mauro de Alencar Fecury  e Roberto de Pádua Macieira.

Entre eleitos e nomeados, 8 ocuparam o cargo mais de uma vez: Alexandre Collares Moreira Junior, Ivar Saldanha e Jackson Lago, em três oportunidades; Antônio Pires Ferreira, José Burnett, Antônio Costa Rodrigues, Mauro Fecury, Tadeu Palácio e Edivaldo Holanda Junior, duas vezes.

PREFEITOS INTERINOS

Ao longo desse tempo, 5 presidentes da Câmara Municipal exerceram interinamente a prefeitura: Afonso Giffening de Matos, Evandro Bessa de Lima, Lia Varela (em dois momentos), Manoel Ribeiro e Deco Soares.

Seis vice-prefeitos exerceram temporiamente o cargo em substituição aos titulares: Afonso Henrique de Pinho, Carlos Augusto Franco de Sá, Carlos Magno Duque Bacelar, Abdelaziz Abud Santos, Domingos Dutra e Tadeu Palácio.

Cinco chefes de gabinetes ocuparam interinamente o cargo: Turíbio Soares da Silva Santos, Wilson Rebelo, Erasmo Dias, Orfila Cardoso Nunes e Mauro Bezerra.

Membros das famílias Macieira e Tavares administraram por mais de uma vez a cidade, todos nomeados. Da família Macieira, os irmãos Carlos (médico), de janeiro a junho de 1931; Emiliano (engenheiro), de janeiro de 1958 a 31 de maio de 1959; e o sobrinho Roberto (economista), de 27 de março de 1980 a 15 de março de 1983.

 Da família Tavares, os engenheiros Jayme (pai) e Haroldo (filho). O primeiro, de março de 1926 a fevereiro de 1930; o segundo, de março 1971 a março de 1975.    Pedro Neiva de Santana, genro de Jayme e cunhado de Haroldo, foi o prefeito que demorou mais tempo no cargo: de novembro de 1937 a abril de 1945.

Os homens tiveram absoluta predominância na gestão dos negócios públicos de São Luís. Apenas três mulheres chegaram ao Palácio La Ravardière: Lia Varela (interina), Maria Gardênia Ribeiro Gonçalves, de janeiro de 1986 a dezembro de 1988, e Conceição de Maria Andrade, de março de 1993 a dezembro de 1996, ambas eleitas.   

Amanhã, o eleitorado de São Luís elegerá por eleição direta, mais um gestor. Trata-se de uma das eleições mais disputadas e representadas pelos candidatos Eduardo Braid, Duarte Junior, Neto Evangelista, Rubens Junior, Yglésio Moyses, Bira do Pindaré, Franklin Douglas, Hertz Dias, Jeisael Marx e Sílvio Antônio, daí porque o pleito resultará num segundo turno.      

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A SUCESSÃO MUNICIPAL NA MINHA TERRA

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A partir de 1960, quando o meu pai, Abdala Buzar, disputou as eleições de prefeito de Itapecuru, eu participo ativamente das campanhas eleitorais de minha terra.

Naquele pleito, ele, concorrendo pelo Partido Social Progressista(oposição), derrotou a forte candidata Graciete Cassas, do Partido Social Democrático e apoiada pela máquina governista.

Por um compromisso com o lugar onde nasci e me criei, nunca mudei o domicílio eleitoral para qualquer outra cidade, por entender ser uma obrigação de ordem moral e cívica, votar no candidato mais habilitado para dirigir os destinos de Itapecuru.

Salvo melhor juízo, de 1960 até 2016, quando atuei em todas as campanhas eleitorais, com vistas às eleições majoritárias, travadas no meu torrão natal, fui mais vitorioso do que derrotado.

AUSENTE, MAS INTERESADO

Este ano, contudo, face à pandemia e fazer parte da área de risco do coronavÍrus, aconselhado por médicos, amigos e familiares, inconsolável e triste, ausentei-me fisicamente da campanha eleitoral em que está em jogo os destinos de minha gloriosa terra.

Mesmo afastado de tão importante pugna eleitoral, acompanho com o mais desusado interesse a sucessão do prefeito Miguel Lauand, disputada entre os candidatos Benedito Coroba, que até recentemente fazia parte do Ministério Público, um vigilante defensor das causas para o dinheiro público não ser usado indevidamente por prefeitos corruptos e desonestos, e o jovem médico, Ricardo Lajes, da nova geração política itapecuruense.

ELEITO EM 1990, DERROTADO EM 1992

Coroba exerceu o mandato de deputado estadual, pelo PDT, nas eleições de 1990, e atuava de forma brilhante e desembaraçada na Assembleia Legislativa, mas, para atender a convocação dos conterrâneos, no pleito de 1992, candidatou-se ao cargo de prefeito de Itapecuru.

Pela maneira como se comportou na campanha eleitoral, disputando contra quatro candidatos, tornou-se o favorito pela maneira firme e corajosa como defendia ações e projetos para a sua terra sair do marasmo e do atraso.

Mas o favoritismo de Caroba terminou esbarrando na surpreendente vitória da candidata Risalva Rodrigues, esposa do ex-prefeito José Carlos Rodrigues, que na sua campanha prometeu demagogicamente mundos e fundos para o eleitorado de menor poder aquisitivo.

Vinte e oito anos depois daquele inesperado insucesso nas urnas, Benedito Coroba, em atendimento aos apelos do povo itapecuruense, novamente concorre à disputa eleitoral.

FOTO LEGENDA 1- Em Itapecuru, os Beneditos Buzar e Coroba, com o Padre Alonso.  

A GOROROBA E OS BOIOLAS

Da redemocratização do país, em 1946, aos dias de hoje, salvo melhor juízo, só lembro de dois ex-presidentes da República, que nos seus mandatos,  não visitaram o Maranhão: Itamar Franco e Michel Temer, os quais, na condição de vice-presidentes, substituíram Fernando Collor de Melo e Dilma Roussef, defenestrados do Palácio do Planalto pelo expediente do impeachement, decretado por membros do Congresso Nacional.

Os que nos visitaram, eleitos por via direta ou indireta, excetuando-se Jânio Quadros e Jair Bolsonaro, foram extremamente educados, cordiais e respeitosos.

GOROROBA JANISTA

De Jânio Quadros, da UDN, que venceu o general Henrique Teixeira Lott, do PSD-PTB, nas eleições de 1960, sabe-se que quando esteve em São Luís, em 1961, para participar de uma reunião de trabalho, com os governadores do Maranhão (Newton Bello) e do Piauí, pediu ao amigo e correligionário, deputado José Sarney, que não lhe fosse servido durante sua estada entre nós, o Guaraná Jesus, que apelidou de “gororoba cor de rosa”.

O pedido de Jânio foi atendido, mas teve uma repercussão péssima junto à população maranhense, que sorve com prazer e orgulho um produto autenticamente regional e da criatividade de um industrial competente e politicamente de esquerda, chamado Jesus Norberto Gomes.

Quem ficou constrangido com aquele infeliz pedido de Jânio Quadros foi o deputado José Sarney, que nas eleições de 1960, fez questão de lutar para o candidato udenista ter uma boa votação no Maranhão, mormente em São Luís.

BOIOLA MARANHENSE

Cinquenta e nove anos depois do impensado e leviano gesto de Jânio Quadros, eis que outro presidente da República, desta feita, Jair Bolsonaro, não bem-sucedido no pleito de 2018, em terras maranhenses, na sua recente visita ao nosso Estado, mal pisou no aeroporto de São Luís, ao beber o precioso Guaraná Jesus, inopinadamente declarou: – “Agora virei boiola, igual a maranhense”.

Trata-se de um desabafo de mal gosto e dito num  momento inoportuno e de maneira equivocada, pois o termo boiola não tem nada a ver com o Maranhão, mas com o Rio de Janeiro, cujo povo também se sentiria ofendido por uma saudação ofensiva e indelicada, pois essa não é a forma pela qual o chefe de uma nação deve se dirigir aos seus compatriotas.

O inusitado episódio ocorrido no aeroporto do Tirirical, mostra como Bolsonaro foi mal assessorado pelos políticos maranhenses que o apoiam no Congresso Nacional, pois sabendo que a ele, em terras maranhenses, seria servido o Guaraná Jesus, deveriam tê-lo informado do orgulho que temos de consumir um refrigerante autenticamente maranhense, que caiu no gosto de crianças, jovens e adultos, criado pela genialidade de um industrial conterrâneo, que legou ao Maranhão uma linha de produtos de larga aceitação no mercado regional.

JESUS NORBERTO GOMES

Refiro-me com muita honra e respeito a Jesus Norberto Gomes, um homem que construiu, por conta de sua inteligência, denodo e formação política e intelectual, uma façanha empresarial ímpar e se tornou conhecido no Brasil por um refrigerante que até hoje se impõe pela qualidade, num mercado marcado pela presença de produtos similares, variados, nacionais e estrangeiros.

Além dos predicados como industrial, Jesus Norberto Gomes, pelas suas posições políticas avançadas, foi preso em São Luís, quando estourou a Intentona Comunista, em novembro de 1935, por ordem do governador Aquiles Lisboa, sendo encarcerado na Penitenciária do Estado e deportado para o Rio de Janeiro, numa viagem de navio de 15 dias.

Com outros maranhenses, foi levado para a Casa de Detenção, na Rua Frei Caneca, onde a ditadura getulista confinava os presos políticos até serem julgados pelo Tribunal de Segurança Nacional, que o pôs em liberdade em 10 de dezembro de 1936.

FUNERAL ANUNCIADO

Antes de morrer, Jesus Gomes, escreveu do próprio punho, como desejava o seu funeral.

  1. Quero ficar com a roupa do momento da morte. Braços estendidos ou com as mãos abertas, uma por cima da outra sobre o peito, envolto num lençol, com a fisionomia de fora.
  2.  Caixão de valor médio, sem enfeite ou cruz.
  3. Não quero tocha, santo ou missa, luto de roupa e outras exterioridades.
  4. Sepultura de barro e cimento com o número indicado pelo cemitério, data do nascimento e do falecimento, sem estrela ou cruz.
  5. Não comprem sepultura, aluguem por um período e abandonem. Os ossos, quando abrirem para enterrar outro, os coveiros levarão para o ossuário comum.
  6. Havendo forno crematório, não vacilem em preferir jogar as cinzas onde parecer melhor.
  7. Se quiserem gastar mais do que o necessário para esse funeral, entreguem a quem representar o Partido Comunista, para ajudar a politização esclarecida desse regime que exterminará a miséria física e moral.       

 FOTO LEGENDA 2 – O bravo e competente industrial, Jesus Norberto Gomes.     

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