20 OU 28 DE JULHO A ADESÃO DO MARANHÃO À INDEPENDÊNCIA

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Em 1994, sob os auspícios da Academia Maranhense de Letras e da Alumar, o professor Mário Meireles publicou um dos livros mais importantes de sua trajetória de escritor, pesquisador e historiador: Dez Estudos Históricos.

Dentre os assuntos polêmicos, tratados na obra do respeitado professor, destaca-se o relevante ato histórico da Adesão do Maranhão à Independência, que,  em função da Lei nº 11, votada pela Assembleia Provincial em 6 de maio de 1835 e confirmada pelo Congresso do Estado, pela Lei 1.092, de 30 de abril de 1923, é comemorado equivocadamente a 28 de julho de 1823, segundo Mário Meireles.

COMEMORAÇÕES CÍVICAS

Para que a Adesão do Maranhão à Independência do Brasil fosse comemorada de modo retumbante e contasse com a participação da população, o Governo do Estado, de acordo com a lei, realizava solenidade cívica, em São Luís, no dia 28 de julho, que contava com a presença de autoridades governamentais e educacionais.

O festejado episódio histórico, em anos mais recentes, deixou de ser feriado e virou ponto facultativo, motivo pelo qual as novas gerações não sabem dizer o que aconteceu numa data tão cara para os maranhenses, que o professor Mário Meireles não nega a importância histórica do evento, mas discorda quanto ao lugar e a data em que o ato foi protagonizado.  

A RESISTÊNCIA DOS PORTUGUESES.

Depois de treze anos no Brasil, D. João VI e a família real retornam a Portugal e o filho D. Pedro I é nomeado príncipe regente do Brasil, que, como tal, anuncia a decisão de aqui permanecer e a 7 de setembro de 1822, nas margens do Rio Ipiranga, proclama a Independência do Brasil, ato que o  Maranhão e a Bahia resistem em reconhecer, porque eram províncias nas quais os portugueses tinham forte presença e não concordavam com o gesto  de Pedro I.

O clima de beligerância entre maranhenses e portugueses ganha mais consistência a partir do momento em que a Junta Provisória e Administrativa, que governava o Maranhão, presidida pelo bispo Dom Joaquim de Nazaré, desconhece a autoridade de D. Pedro e ainda presta juramento de fidelidade à Constituição de Portugal e à Casa de Bragança.   

 OS MARANHENSES EM AÇÃO

Os maranhenses com a ajuda dos independentes cearenses e piauienses, imediatamente deflagraram ações em Caxias, com o objetivo de alcançar São Luís.

A vila de Itapecuru, pela sua posição estratégica, torna-se o teatro de embates contra as forças fiéis a Portugal. A luta pelo domínio militar e político da vila ocorre de maneira aberta entre os simpatizantes do príncipe do Brasil, comandados pelo capitão Salvador de Oliveira, e os adeptos do trono lusitano, encabeçados pelos coronéis José Felix Pereira de Burgos e Ricardo José Coelho.   

As desinteligências entre Burgos e Coelho fizeram a Junta Governativa demitir o primeiro do comando geral da vila, o qual, por sua vez, abandona a causa dos portugueses e adere as tropas independentes.

AS LUTAS EM ITAPECURU

O livro do ilustre historiador Luís Antônio Vieira da Silva, intitulado História da Independência da Província do Maranhão, mostra o desfecho dessa luta: “O coronel Burgos permanecendo na vila do Itapecuru-Mirim e vendo que pela invasão das tropas indisciplinadas, a desordem e a facção passaram a ocupar os distritos onde haviam sido expulsas as tropas portuguesas, e que à sombra da independência se iam cometendo roubos e assassínios, receosos de que a anarquia tomasse conta da Província, julga prudente instalar provisoriamente os governos municipal, civil e militar naquela vila, visto achar-se cortada a comunicação com São Luís, que ainda se mantinha sujeita ao governo português.

De acordo com Mário Meireles, no dia 18 de julho de 1823, Burgos, reúne a Câmara-Geral em Itapecuru e após discutir o assunto resolve a 20 proclamar a Adesão do Maranhão à Independência do Império e jurar fidelidade a Pedro I como Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil, sem esquecer de eleger uma Junta Provisória Independente para a Província.

Os eleitos foram José Felix Pereira Burgos, governador das Armas, Padre Antônio Pereira Pinto do Lago, secretário, Antônio Joaquim Lamagnére Galvão, Fábio Gomes da Silva Belfort e Antônio Raimundo Belfort Pereira de Burgos, ficando reservado três lugares para a capital da Província.

SOLENIDADE NO PALÁCIO

Depois de instalado o Governo de Itapecuru-Mirim, às 11 horas do dia 28 de julho, no Palácio do Governo, a Junta Provisória, proclama a Adesão do Maranhão à Independência do Brasil e procede-se a eleição para a composição do Governo Provisório.

A OPINIÃO DE MÁRIO MEIRELES 

“ Se a Câmara-Geral de São Luís, convocada para organizar o Governo Provisório da Província, houve por bem eleger os três membros, inclusive o presidente, que haviam sido reservados para a capital na Junta de Itapecuru- Mirim, ela, a câmara geral, representando a vontade do povo de São Luís, reconheceu, de fato e de direito, esse governo eleito em 20 de julho, pois que se submeteu às condições impostas e, consequentemente, à Adesão ali e nesse dia proclamada”.

O saudoso historiador encerra o polêmico assunto com esta sentença: “Por que dizer que o Maranhão aderiu à Independência do Brasil no dia 28 de julho, se desde uma semana antes existia o governo independente que, reconhecido, subsistiu depois dessa data? Consequentemente, talvez fosse mais justo comemorar-se a 20 de julho.”      

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PRAÇA DOS POETAS

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Chegou ao conhecimento dos meios intelectuais a notícia de que o governador Flávio Dino pretende brevemente inaugurar uma praça no Centro da Cidade, em homenagem aos dez maiores poetas de nossa terra.

Segundo a informação, no espaço destinado à Praça dos Poetas, deverão ser introduzidos bustos de vates que projetaram nacionalmente o nome do Maranhão e produziram uma obra poética da melhor qualidade literária.

Não se sabe ainda se o Governo vai constituir uma comissão de intelectuais para selecionar os dez melhores poetas ou se realizará uma pesquisa junto à opinião pública para apontar os que terão um lugar cativo na mais nova praça da cidade.

Enquanto o Governo mantém o assunto em quarentena e sem fornecer maiores informações sobre a localização da praça e dos poetas laureados, espera-se que os indicados sejam literatos de reconhecida expressão cultural e de indiscutível valor intelectual e moral.

No aguardo de informações mais precisas sobre o projeto, o governo não pode permitir o que aconteceu em passado recente, quando pessoas interessadas em agradar amigos e parentes de pseudos escritores, desenvolveram ações nefastas, fazendo instalar no Panteon Maranhense, subliteratos e figuras que nada construíram em favor do engrandecimento da cultura maranhense.

APONTAMENTOS DE JOMAR

O saudoso escritor Jomar Moraes em 1977 escreveu um precioso livro, publicado pelo Sioge, intitulado Apontamentos de Literatura Maranhense, no qual se pode ver de maneira didática a notável quantidade de intelectuais de nossa terra, que produziram obras que os consagraram no firmamento literário nacional.

O GRUPO MARANHENSE

Com conhecimento de causa, Jomar mostra que a partir do século XIX, de 1832 a 1868, o Maranhão conquista a sua autonomia literária, por conta do expressivo e valoroso número de escritores, que se projetaram no cenário brasileiro.

Trata-se do chamado Grupo Maranhense (1832 a 1868), que, como expressão da vida literária regional, se destacou em todas as áreas da cultura, com nomes do quilate de Odorico Mendes, João Francisco Lisboa, Gonçalves Dias, Sousândrade, César Marques, Cândido Mendes de Almeida, Antônio Henriques Leal, Luís Antônio Vieira da Silva, Sotero dos Reis, Joaquim Gomes de Sousa, Frederico José Correa, Antônio Marques Rodrigues, Trajano Galvão, Gentil Braga, Antônio Joaquim Franco de Sá, Francisco Dias Carneiro, Joaquim Serra.

A REAÇÃO RENOVADORA

Segundo Jomar, de 1870 a 1890, surge A Reação Renovadora, da qual fazem parte os seguintes escritores: Celso Magalhães, Teófilo Dias, Adelino Fontoura, Artur e Aluísio Azevedo, Coelho Neto, Graça Aranha, Dunshee de Abranches, Frutuoso Ferreira, Euclides Faria, Ribeiro do Amaral, Barbosa de Godóis, Paula Duarte, João de Deus Rego, Raimundo Correia, Agripino Azevedo, Nina Rodrigues e Teixeira Mendes.

OS NOVOS ATENIENSES

Trata-se da geração literária que despontou na última década do século XIX, mantendo-se atuante nos limites da “província” até a altura de 1920. Foram representantes desse movimento: Antônio Lobo, Domingos Barbosa, Viriato Correia, Vieira da Silva, Godofredo Viana, Alfredo de Assis, Fran Pacheco, Nascimento Moraes, Inácio Xavier de Carvalho, Maranhão Sobrinho, Vespasiano Ramos, Correia de Araújo e Humberto de Campos.

OFICINA DOS NOVOS

De acordo com Jomar, a 28 de julho de 1900 era fundada em São Luís a Oficina dos Novos, com o objetivo de cultuar os vultos do passado; incentivar os autores contemporâneos; promover solenidades cívico-literárias; organizar a biblioteca do autor maranhense e manter um periódico literário.

Desse movimento literário, destacaram-se os seguintes escritores: Josué Montello, Manuel Caetano Bandeira de Melo, Oswaldino Marques, Franklin de Oliveira, Odylo Costa Filho, Assis Garrido, Correia da Silva, Maranhão Sobrinho, Vespasiano Ramos, Corrêa de Araújo, Erasmo Dias e Antônio Lopes.

VENTOS DE RENOVAÇÃO

 Com a chegada de Portugal do poeta Bandeira Tribuzi, em fins da década de 40, o movimento cultural cresce por meio de discussões literárias, lançamentos de livros e do aparecimento de poetas, cronistas e artistas plásticos, que se reuniam na Movelaria Guanabara.

Como resultado daquela ebulição cultural, surgem poetas da dimensão de Ferreira Gullar, Lago Burnett, José Chagas, Manuel Lopes, Nauro Machado, e ficcionistas do nível de Bernardo Almeida, Erasmo Dias, Reginaldo Teles, José Sarney, Conceição Aboud, José Nascimento Moraes Filho, Ubiratan Teixeira, Fernando Moreira, Ronaldo Costa Fernandes, Nonato Masson, Viégas Neto, Carlos Madeira e Lucy Teixeira.

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ITAPECURU-MIRIM: FREGUESIA, VILA E CIDADE

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Terça-feira próxima, há 150 anos, a minha terra natal conquistou o status de cidade, em decorrência da Lei 919, de 21 de julho de 1870, aprovada pela Assembleia Provincial, e sancionada pelo governador em exercício, José da Silva Maia.

Era desejo do prefeito Miguel Lauand, em comemoração à importante efeméride, promover ao longo deste ano uma programação festiva e de inaugurações de obras relevantes em benefício do povo itapecuruense.

Diante, porém, da pandemia do covid 19, que vem dizimando a humanidade, o gestor de Itapecuru decidiu sustar as comemorações alusivas ao sesquicentenário da cidade.

FUNDAÇÃO DA FREGUESIA

Ao longo da sua trepidante história, Itapecuru-Mirim, experimentou três formas de ordenamento administrativo. Por ordem cronológica, a primeira veio no bojo de uma Provisão Régia, de 25 de setembro de 1801, em que a Corte Portuguesa autoriza a fundação de uma Freguesia, sob as bênçãos de Nossa Senhora das Dores, tendo em vista que a povoação alcançara um nível satisfatório de progresso, conquistara razoável expressão demográfica e possuía uma capela, tendo como vigário Antônio Fernandes Pereira, que funcionava como gestor da Freguesia.

CRIAÇÃO DA VILA

Revela Luís Antônio Vieira da Silva, no livro História da Independência do Maranhão, que em novembro de 1751, afloraram as primeiras ações com vistas a criação da vila, ao ser encaminhado pelo governador Luís Vasconcelos ao rei Dom José, um documento com mais de 1000 assinaturas de moradores, que desejavam ser melhor administrados.

A solicitação, a princípio, não foi levada em consideração pela realeza portuguesa, que dela só começa a dar atenção 49 anos depois, quando o cidadão lusitano José Gonçalves da Silva, faz ver ao rei que, como interprete dos sentimentos itapecuruenses, poderia transformar em realidade os anseios da comunidade.

 Para atender aos moradores, Dom João VI assina uma Provisão Régia, a 27 de novembro de 1817, na qual faz saber que ordenou a José Gonçalves da Silva, fidalgo da Casa Real, a fundar à sua custa uma vila em terras que possuía na Capitania do Itapecuru.  A resolução obrigava a José Gonçalves da Silva a criar a vila se nela existissem pelo menos trinta casais brancos e casas destinadas à câmara, cadeia e oficinas.

Providenciadas as exigências determinadas pelo Rei de Portugal, a 20 de outubro de 1818 ocorre a solenidade na Praça da Cruz da instalação da vila, com a presença de 767 moradores, das autoridades, do clero e do procurador do alcaide-mor José Gonçalves da Silva, oportunidade em que, em voz alta, foi lida a Provisão Régia de 27 de novembro de 1817, que, por não ser  rigorosamente cumprida pelo fundador da vila, só a 20 de março de 1820, Sua Majestade achou por bem aprová-la.    

 A VILA DE ITAPECURU NA ADESÃO Á INDEPENDÊNCIA

Um episódio histórico, acontecido a 20 de julho de 1823, na vila de Itapecuru, mostra o quanto o povo da minha terra lutou para livrar o Brasil do domínio de Portugal, fato que fez a Junta Governativa do Maranhão, presidida pelo bispo Dom Joaquim de Nazaré a desconhecer a autoridade de D. Pedro, fazendo transmitir para Lisboa o juramento e fidelidade à Constituição Portuguesa.

 Enquanto em São Luís, a Junta Governativa concitava o povo a manter-se ao lado de Portugal, em sentido oposto, na vila de Itapecuru, as tropas independentes, sob o comando do alferes Salvador de Oliveira, decidem lutar e proclamar a adesão do Maranhão à Independência do Brasil, no dia 20 de julho, com a eleição de uma Junta Governativa Provisória, a ser integrada por sete membros, sendo quatro representantes da vila de Itapecuru e três de São Luís, ficando assim constituída: Miguel Inácio dos Santos e Bruce, presidente; padre Antônio Pereira Pinto do Lago, secretário; membros, Lourenço de Castro Belfort, José Joaquim Vieira Belfort, Antônio Joaquim Lamagnére Galvão, Fábio Gomes da Silva Belfort e Antônio Raimundo Pereira de Burgos.

O professor Mário Meireles, no seu livro “Dez estudos históricos”, defende a tese de que a Adesão do Maranhão à Independência teria ocorrido efetivamente em Itapecuru no dia 20 de julho, razão pela qual refuta a Lei nº 11, de 6 de maio de 1835, votada pela Assembleia Provincial, que declara feriado no Maranhão o dia 28 de julho, consagrado à comemoração da Adesão da Província à Independência do Brasil, ato confirmado pelo Congresso Estadual, através da Lei 1.092, de 30 de abril de 1923.

A BALAIADA E A VILA

A vila itapecuruense também fica em pé-de-guerra, quando na vila de Manga, em dezembro de 1838, explode um movimento popular contra as arbitrariedades praticadas pelos governantes estaduais, denominados de cabanos e apoiados na chamada Lei dos Prefeitos, votada e aprovada pela Assembleia Provincial.

A rebelião começa na vila da Manga e como um rastilho de pólvora, se alastra por quase todo o Maranhão, na qual os líderes populares, Raimundo Gomes, Manoel Francisco dos Anjos, apelidado de Balaio, e Cosme Bento das Chagas, o Negro Cosme, estimulados pelos políticos bem-te-vis, revidam as atrocidades cometidas contra a população humilde e que cessaram com a revogação da Lei dos Prefeitos.    

A vila de Itapecuru teve um papel de relevo nessa revolta popular, onde o coronel Luís Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias, instalou e comandou as operações contra os balaios, vencidos depois de duras e incansáveis refregas.

Acabada a rebelião, o coronel Lima e Silva, em Itapecuru, a 2 de abril de 1941, promove um ato de lançamento da pedra para a construção da igreja matriz, com a invocação de Nossa Senhora das Dores, oportunidade em que entrega um avultado donativo.

FUNDAÇÃO DA CIDADE

Ainda no século XIX, mais precisamente a 21 de julho de 1870, vem a lume uma iniciativa com o sentido de dar a Itapecuru um status mais avançado no que diz respeito à forma de administrar a urbe.

Sem que houvesse qualquer movimento popular, com vistas a fazer a vila de Itapecuru-Mirim ser elevada à categoria de cidade, o Dr. José da Silva Maya, vice-governador do Estado do Maranhão, no exercício do cargo de governador, sanciona a Lei nº 919, votada e aprovada pela Assembleia Legislativa Provincial.

 Esse procedimento governamental, adotado a partir de 1870 para que as vilas maranhenses conquistassem o status de cidades, prerrogativa que deu às mesmas o direito de serem sedes do poder público municipal.

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DO TRIVIAL COTIDIANO

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CAFETEIRA E BOLSONARO

Qual o traço marcante que vincula o ex-prefeito de São Luís, Epitácio Cafeteira, ao atual Presidente da República, Jair Bolsonaro?

Resposta: a fobia às máscaras. Se Cafeteira acabou com as máscaras no carnaval de São Luís, Bolsonaro quer destruí-las em plena pandemia.

NOVENTA ANOS DE ADMÉE

Uma majestosa festa estava em preparativo pelos familiares de Admée Duailibe, para a comemoração de seus bem vividos noventa anos, que acontece em outubro deste ano.

  Se a pandemia continuar furiosamente forte, o evento festivo deverá ser marcado para outra data, mas não deixará de ser jamais realizado.

PALAVRAS INGLESAS

Com a pandemia, uma expressiva quantidade de palavras de origem inglesa, será provavelmente incorporada ao léxico brasileiro.

As mais conhecidos: home office, lockdown, live, vídeo conferência e delivery.

O NOSSO DINDIN

No Maranhão, uma iguaria inventada para enfrentar o verão, que consiste em congelar sucos em pequenos saquinhos plásticos, chama-se dindin; no Rio de Janeiro, tem o nome de sacolé.

Na Europa, por causa da pandemia, o nosso dindin, vem fazendo o maior sucesso.   

 MINISTRO DA CULTURA

O Ministério da Cultura, criado no governo do Presidente José Sarney, nomeou um nome de peso no cenário internacional, para dirigi-lo: o intelectual Celso Furtado.

No governo de Bolsonaro, a Cultura, além de perder o status de ministério, está sob o comando de um ator de terceira categoria, que se esmera na arte do puxa-saquismo.

MARTA ROCHA

No auge do reinado de Marta Rocha como Miss Brasil, ela veio a São Luís, para ser homenageada num evento dançante no Grêmio Lítero Português.

À época, 1955, quem governava interinamente o Maranhão era o deputado estadual Eurico Ribeiro, presidente da Assembleia Legislativa, que por ser jovem e metido a galã, recebeu o apelido de Marta Rocha.

LONGEVIDADE ACADÊMICA

Em junho passado, o presidente da Academia Maranhense de Letras, Carlos Gaspar, quis marcar uma reunião com os “imortais”, mas foi convencido a sustá-la pelo acadêmico Lourival Serejo, com este argumento: – Gaspar, não esqueça de que a maioria dos membros da AML é composta de sexagenários, septuagenários e octogenários.

O RETORNO DE NICOLAU DINO

Tempos de tumulto poderão acontecer nas reuniões do Conselho Superior do Ministério Público Federal.

Motivo: o Procurador Nicolau Dino, opositor do Procurador-geral da República, Augusto Aras, foi eleito novamente para integrar o colegiado do MPF. 

ADIAMENTO DAS ELEIÇÕES

Não convidem o deputado federal Hildo Rocha, vice-líder do PMDB, e o ministro Luís Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, para a mesma reunião.

Motivo: o parlamentar maranhense, por ser a favor da manutenção do calendário eleitoral deste ano, não tem poupado o ministro de veementes críticas, por defender ardorosamente o adiamento das eleições municipais de outubro para novembro.

ABL HOMENAGEIA SARNEY

Em abril deste ano, a Academia Brasileira de Letras programou uma sessão especial em homenagem ao escritor José Sarney, pelos seus noventa anos de vida.

O evento, por conta da pandemia foi transferido para novembro vindouro, quando Sarney completa 40 anos de ingresso na Casa de Machado de Assis.

CARROS DA CHINA

O empresário Carlos Gaspar, na semana passada, despediu-se definitivamente dos negócios de carros.

Ele, que representava em São Luís, os automóveis de origem chinesa – Caoa Cherry, que se tornaram conhecidos e aprovados no mercado maranhense, conseguiu ser bem-sucedido numa negociação financeira com a empresa Saga.      

VAGA DE CABRAL

Um axioma diz que bebe água limpa, quem chega primeiro na fonte.

Após o falecimento do acadêmico José Maria Cabral Marques, amigos do ministro Reynaldo Soares da Fonseca entraram em ação e lançaram a sua candidatura à Academia Maranhense de Letras.

A ofensiva eleitoral em favor do ministro do STJ foi de tal modo exitosa, que ele já conta com votos suficientes para substituir Cabral Marques na Casa de Antônio Lobo.

HOSPITAL NA MIRA

Depois que investiu recursos com sucesso em São Luís, Imperatriz, Brasília e Teresina, na área do ensino superior, o Grupo Fecury já mira outro setor para prestar bons serviços à sociedade.

Trata-se agora de investir no campo da saúde e construir em São Luís, no bairro da Cohama, um hospital dotado de excelentes condições técnicas e operacionais e que possa contribuir para a melhoria da saúde dos maranhenses.

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SERVIÇO PÚBLICO NA REPÚBLICA LUDOVICENSE

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Na semana passada, o Senado Federal aprovou o Projeto de Lei que cria o Marco Legal do Saneamento, que altera o atual modelo de contrato de programas junto a empresas estaduais de água e esgoto e abre concessão para empresas privadas, ato com repercussão no Maranhão, pois permitiria que a Caema – Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão viajasse do domínio público para o privado e transformada em empresa viável, como aconteceu, anos atrás, com a Cemar- Companhia Energética do Maranhão, comprada pela Equatorial Energia.

VOTO DA BANCADA

Esse importante projeto de lei, ao ser votado no Senado, não obteve consenso na bancada do Maranhão, pois só um dos três senadores votou a favor da matéria, ato lamentado pelo deputado Gastão Vieira, que viu no posicionamento de nossa representação, um comportamento identificado com um esquerdismo ultrapassado no tempo e no espaço.

Gastão está literalmente certo, ao fazer essa crítica sensata e oportuna aos que votaram contra uma lei que no Maranhão, se adotada,  seria útil e proveitosa para o governo e a população, principalmente quando se coteja a situação administrativa, econômica e financeira de duas empresas que nasceram ao mesmo tempo – Cemar e Caema, mas tomaram caminhos diferentes e hoje apresentam desempenhos antagônicos. Enquanto a primeira, por ser privatizada, é bem administrada e opera com eficiência; a segunda, ainda mantida pelo poder público, continua mal gerida e ineficiente.

LIVRO DE PALHANO

Por falar nessas duas empresas, lembro e recomendo o extraordinário livro da autoria do professor, Raimundo Palhano, publicado pelo IPES- Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais em 1968, que, pela importância e procura, a Secretaria de Ciência e Inovação Tecnológica o reeditou em 2017.

Trata-se da obra “Serviços públicos e cidadania na república ludovicense”, que, com fidelidade e objetividade, mostra a instalação, produção, distribuição e consumo dos serviços públicos de água, esgoto, higiene, iluminação, bondes e o comportamento da verba pública em relação aos serviços urbanos de São Luís.

AS PRIMEIRAS INICIATIVAS

Afirma Raimundo Palhano que, no período compreendido entre os anos 1850 e 1870, ocorreu o surgimento e o desenvolvimento inicial dos serviços públicos em São Luís.

Os serviços de água e esgoto foram os primeiros que os governantes maranhenses se preocuparam em instalar na cidade.  Por serem os mais necessários à saúde pública, com base na Lei de 4 de dezembro de 287, nasceu em 1850 uma companhia para o encanamento das águas do Rio Anil.

No tocante à iluminação, “o primeiro contrato para introduzir a iluminação a gás, em substituição à álcool terenbentinado, substituto da iluminação de azeite, de 1825, traz a data de 1861.”

Quanto ao transporte coletivo, o emérito pesquisador afirma que “A primeira proposta para assentamento de trilhos urbanos em São Luís foi de 1870, expressa em requerimento dirigido à Assembleia Provincial, que solicitava licença para a montagem de um serviço com veículos a vapor, a qual acabou sendo concedida em 1871, com a assinatura de um contrato para fazer correr diligências em trilhos de ferro, puxados por muares ou a vapor, empresa essa que recebeu o nome de Companhia Ferro-Carris.”   

A PROBLEMÁTICA ÁGUA

Com respeito ao precioso líquido, o autor do livro diz que “À companhia encarregada de fornecer agua encanada, concedeu-se um privilégio de 60 anos, o que provocou muita controvérsia, não só pelo generoso incentivo, mas também pela desconfiança que era vista a idoneidade dos contratantes, principalmente depois dos ataques movidos por aqueles que possuíam interesses no mercado da água.

“A colocação de chafarizes na cidade, por seu turno, foi apontada como imitação do que se passava na capital do Império, o que revelava a presença de algum grau de desconfiança em relação á utilidade de tais serviços.”

 ÁGUA DE DONANA JANSEN

 “Na verdade, a companhia de oposição à Companhia do Anil era comandada pelo poderosa Donana Jansen (então a maior latifundiária e proprietária de imóveis urbanos da Província) e seu sócio, José da Cunha Santos, um espanhol de nascimento, em razão da virtual ameaça aos bons negócios que aquela senhora obtinha com a venda de água de seus poços do Apicum e do Vinhais. Antes de se tornarem sócios, José da Cunha Santos, o principal fornecedor de águas na cidade e para os navios que ancoravam no porto, abastecendo-se das fontes de Donana Jansen, cujas águas gozavam a fama de serem excelente qualidade. Até então o acondicionamento da água era feito em pipas e conduzidas através de carros de boi ou em canoas. A vendagem se fazia de porta em porta e o preço do caneco de 18 litros girava em torno de dez réis. Eram também precárias as condições de higiene dos carros pipas onde vinha a água, o que era atenuado pela decantada qualidade da mesma.”

INICIATIVAS MALOGRADAS

Afirma Palhano que “As iniciativas do poder público, a partir de 1850, visando o encanamento das águas do Rio Anil, mostraram que o abastecimento da água na cidade já se constituía em um problema, senão grave, pelo menos em processo de agravamento, que culminou com a dissolução da primeira diretoria da Companhia do Anil, processo que só se esgotaria, em sua primeira fase, em meados de 1867. Nestes 17 anos, não se conseguiu mudar basicamente em nada o quadro existente, a não ser a colocação dos seis chafarizes em pontos estratégicos da cidade.”

O problema do abastecimento de água à população de São Luís, não se esgota com a Companhia do Anil. Depois dela, com outras empresas privadas, os governos estaduais, tanto na fase imperial como na republicana, firmaram contratos, mas nunca alcançaram resultados satisfatórios.

Governadores como João Gualberto, Artur Quadros Colares Moreira, Luiz Domingues, Herculano Parga e Urbano Santos, lutaram incansavelmente, contraindo até empréstimos externos, para que as empresas privadas pudessem prestar bons serviços de abastecimento de água ao povo de São Luís, mas, lamentavelmente, nesse intento, fracassaram.

A ULEN EM AÇÃO

O fato mais audacioso, com relação a essa problemática, deu-se na gestão do governador Magalhães de Almeida (1926-1930), por conta de assinatura de contrato com a poderosa empresa americana Ulen Management Company, para assumir em São Luís a prestação de serviços de água, esgoto, luz, tração(bondes) e prensa de algodão, contrato contestado pelos políticos de oposição, no entendimento de que explorava o consumidor.

Nesse episódio, deve-se ressaltar a atuação de José Maria Reis Perdigão, que, na condição de líder no Maranhão da Revolução de Trinta, fez o Governo federal rescindir o contrato com a gigante americana, depois de lutas nas esferas jurídicas e diplomáticas.   

NASCIMENTO E MORTE DO SAELTPA

Para substituir a Ulen, vem à tona em 1932 um órgão com o pomposo nome de SAELTPA – Serviços de Água, Esgoto, Luz, Tração e Prensa de Algodão, que bem ou mal serve a população da cidade, mas desaparece no mandato do governador Matos Carvalho, que a desdobra em três autarquias: DAES, Departamento de Águas e Esgotos, CEMAR, Centrais Elétricas do Maranhão, DTSUL, Departamento de Transportes Urbanos.

Na gestão seguinte, do governador Newton Bello, nova tentativa surge para minimizar o problema de falta de água em São Luís, com a criação da SANEL, que teve vida curta, pois com a posse do governador José Sarney, em 1966, aflora uma autarquia não apenas para cuidar do abastecimento de água na capital, mas de todas as cidades maranhenses, a CAEMA, Companhia de Águas e Esgotos do Maranhão, atualmente denominada de Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão, que continua carregando os mesmos problemas de outrora.      

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AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS DE 25 DEZEMBRO DE 1947

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Inobstante às argumentações do Ministério Público Eleitoral, na defesa da manutenção das datas das eleições municipais deste ano, marcadas para 4 e 25 de outubro, respectivamente, primeiro e segundo turnos, o Senado Federal aprovou a Proposta de Emenda Constitucional, por causa do coronavirus, de alteração daquelas pugnas eleitorais para 15 de novembro(primeiro turno) e 29 de novembro(segundo turno). A PEC, ainda terá de ser analisada pela Câmara dos Deputados, onde precisará, para a sua aprovação, de 308 votos.

A candente discussão em torno das eleições municipais deste ano, remete para o dia 25 de dezembro de 1947, quando, no Maranhão, o eleitorado foi convocado para comparecer às urnas e votar nos candidatos às eleições de prefeitos e vereadores municipais.

Mas por que essa convocação para votar no Dia de Natal, quando o povo estava mais interessado em comemorar o nascimento de Cristo do que participar de um ato que há muito tempo não praticava, por privação da ditadura getulista?    

O inusitado pleito, ocorrido há 73 anos, veio no bojo do processo de reconstrução jurídica e política do País, que contou com as ativas contribuições dos constituintes federais e estaduais.  

A NOVA CARTA MAGNA DO BRASIL

Depois de 15 anos de regime ditatorial, Getúlio Vargas foi deposto a 10 de outubro de 1945 e o Brasil passou a ser governado pelo ministro José Linhares, presidente do Supremo Tribunal Federal, que marcou as eleições de presidente da República, senadores e deputados federais, estes, com a incumbência de darem ao País uma nova Carta Magna.

Os constituintes federais maranhenses, eleitos a 2 de dezembro de 1945 (três senadores e nove deputados), juntaram-se aos representantes das demais unidades federativas, e a 18 de setembro de 1946, promulgaram a nova Constituição do Brasil, que marcava para 19 de janeiro de 1947, a realização das eleições para os cargos majoritários( governadores) e proporcionais (deputados estaduais), estes, com a precípua tarefa de fazerem a nova Carta Magna do Estado do Maranhão.

A NOVA CONSTITUIÇÃO DO MARANHÃO

Como mandava a nova Constituição do País, na data fixada, o povo maranhense, representado por 130. 473 eleitores, elegeu Sebastião Archer da Silva, para governar o Maranhão, e 37 parlamentares, que, investidos nas funções de constituintes estaduais, em clima de cordialidade e respeito, promulgaram a 28 de julho de 1947, em solenidade festiva, no Teatro Artur Azevedo, a nova Carta Magna do Estado do Maranhão, que determinava, dentre os artigos nela embutidos, duas novas eleições no ano de 1947.

A primeira, em 22 de outubro, para eleger, por via indireta, o vice-governador, sendo vencedor o empresário Saturnino Bello. A segunda, a 25 de dezembro, para eleger prefeitos e vereadores. Com essas pugnas eleitorais, se completava o processo de constitucionalização do País.

AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Na data indicada para o pleito municipal – Dia de Natal, o maior evento do cristianismo, o eleitorado marcou presença na cabine de votação.

No pleito, foi flagrante a vulnerabilidade dos partidos oposicionistas, sendo impiedosamente derrotados pelo Partido Social Trabalhista, criado e comandado pelo senador Vitorino Freire, que ficou com a grande maioria das Prefeituras e Câmaras de Vereadores, obtendo noventa por cento da votação.

São Luís, por ser a capital do Estado, não desfrutava de autonomia política e administrativa, razão pela qual o eleitorado só teve o direito de eleger os seus representantes à Câmara Municipal. Dos onze vereadores eleitos, o partido vitorinista elegeu oito: Antônio Bayma, Newton Bello, Salomão Fiquene, Matos Carvalho, Urbano de Sousa Marques, Artur de Sousa Vidigal, Jaime Pires Neves e Inácio Gomes; e a coligação oposicionista, apenas três: Lino Machado Filho, José Luiz da Silva e Sousa e João Soriano Cardoso.

Com uma representação política desse nível moral e profissional, São Luís era feliz e não sabia.

CRIAÇÃO DE MUNICÍPIOS

Na atualidade, o Maranhão possui 217 municípios, a grande maioria criada pela irresponsabilidade e inspiração eleitoreira de deputados constituintes, que, em outubro de 1989, promulgaram a nova Carta Magna do Estado.

Em 1947, os constituintes estaduais, criteriosamente e com responsabilidade, só criaram um município: São José de Ribamar. Com relação às 72 cidades que faziam parte da estrutura administrativa estadual, os prefeitos eleitos teriam três anos de mandato (31 de janeiro de 1948 a 31 de janeiro de 1951).  

MUNICÍPIOS E PREFEITOS ELEITOS

Alcântara, Carlos Brenha; Alto Parnaíba, José Soares; Arari, Pedro Fernandes; Anajatuba, Salustiano Santana; Araioses, João Batista Freitas Diniz; Axixá, Delarei Nunes; Bacabal, Raimundo Vale; Balsas, Lauro Maranhão Aires; Barão de Grajaú, Antônia Pires Soares; Barra do Corda, Raimundo Ferreira Lima; Barreirinhas, José Raimundo dos Reis; Benedito Leite, João Alves Barros; Bequimão, José Pereira Damasceno; Brejo, Raimundo Macatrão; Buriti, Osvaldo Farias; Buriti Bravo, José Batista Ribeiro; Cajapió, João Paulo Cordeiro; Cajari, Benedito Silva; Cândido Mendes, Francisco de Araújo; Carolina, José Alcides de Carvalho; Carutapera, Maximiliano Teixeira; Caxias, Eugênio Barros; Chapadinha, Eurídice de Araújo Vieira; Codó, José Raimundo Lago; Coelho Neto, Raimundo Bacelar; Picos, hoje, Colinas, Hildo Moreira Lima; Coroatá, Emílio Azevedo; Cururupu, José Gabriel dos Santos Neto; Curuzú, hoje, São Benedito do Rio Preto, Raimundo Rodrigues; Grajaú, Abrahão Rodrigues; Guimarães, Olavo Cardoso; Miritiba, hoje, Humberto de Campos, Luiz Frazão; Icatu, Osvaldo Campos; Imperatriz, Simplício Moreira; Ipixuna, Francisco Melo; Itapecuru-Mirim, Miguel Fiquene; Loreto, Antônio Macedo; Matinha, Manuel Antônio Macedo;       

Mirador, Joaquim Bezerra; Monção, Neuton Abreu Serra; Morros, Tomaz Costa; Nova Iorque, Manuel Santana; Parnarama, Lauro Barbosa Ribeiro; Passagem Franca, Faustino Silva; Pastos Bons, Alcina Neiva; Pedreiras, José Lago; Penalva, Francisco Cunha; Peri-Mirim, Agripino Marques; Pindaré-Mirim, José Bezerra; Pinheiro, Benedito Durans; Porto Franco, Virgulino Vasconcelos; Curador, hoje, Presidente Dutra, Ariston Leda; Primeira Cruz, Lourival Simões; Riachão, Luso Rocha; Rosário, Raimundo Aquino; Santa Helena, José Weba; Santa Quitéria, Heitor Pedrosa; São Bento, Florêncio Soares; São Bernardo, Cleres Costa; São Francisco do Maranhão, José Eudoxo Vieira; São João dos Patos, Joana Rocha Santos; São Raimundo das Mangabeiras, Raimundo Nonato Santos; São Vicente Ferrer, José Salustiano Serra; Timbiras, Antônio Rivas Ribeiro; Timon, Jaime Rios; Turiaçu, João de Carvalho Leite; Tutoia, Lucas Veras; Urbano Santos, Jonas Araújo; Vargem Grande, Luís Barros; Viana, Ezequiel Gomes; Vitória do Mearim, Pedro Gonçalves.

Legenda da foto: Constituintes estaduais de 1947, que marcaram as eleições municipais para o Dia de Natal.

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A BRAVURA E COMPETÊNCIA DE KÁTIA BOGÉA

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Em março de 2016, a historiadora Kátia Bogéa foi nomeada presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, pelo presidente Michel Temer, por indicação do ex-presidente José Sarney, que conhecia e acompanhava o extraordinário trabalho técnico que realizava na Superintendência do IPHAN no Maranhão, ao longo de 12 anos, em que se dedicou integralmente à causa da recuperação do patrimônio histórico e artístico de São Luís.   

Ao assumir a presidência da República, Jair Bolsonaro, manteve Kátia Bogéa no cargo, supondo-se assim o seu reconhecimento ao incansável trabalho por ela desenvolvido em favor da preservação do patrimônio das cidades brasileiras, e louvado pelos que lutam por tão emblemática causa.

Mas quem conhece o modo correto e eficiente de Kátia trabalhar e a maneira desastrosa como Jair Bolsonaro governa(?) o Brasil, sabia que a permanência dela no comando do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, não seria longo.

Como se imaginava, em dezembro de 2019, de maneira insólita e indelicada, um ato do Palácio do Planalto a exonera da presidência do IPHAN, cargo que até agora permanece sem dirigente, porque as indicadas para substituí-la, não preencheram os requisitos exigidos pela burocracia estatal. 

Na gestão do atual presidente da República, foram nomeadas para comandar o IPHAN, Luciana Rocha Feres e Larissa Peixoto, que não se mantiveram no cargo, pela ausência de habilitações para a função que requer, de quem vai desempenhá-la, competência profissional e capacidade técnica, atributos imprescindíveis para enfrentar inescrupulosos empresários e setores de uma classe política atrasada.

DEMISSÃO DE KÁTIA

Na edição de 24 de maio recente, a jornalista Camila Matoso, na sua coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo, publica matéria sobre a demissão de Kátia Bogéa da presidência do IPHAN, mostrando que, “além da tentativa de interferência indevida na Polícia Federal, para proteger amigos e família, a reunião ministerial revelou ação semelhante de Jair Bolsonaro no IPHAN, responsável por zelar pelo patrimônio”.

Para colocar as coisas em prato limpo, a ex-presidente do instituto, a respeito de tão mesquinho assunto, disse à jornalista paulista “ter sido demitida após reclamações de Luciano Hang e Flávio Bolsonaro e de que é mentiroso o discurso do presidente Bolsonaro, de ter pessoas técnicas para cargos, pois ele quer no órgão alguém que aceite passar por cima da lei”.     

A RAZÃO DA DEMISSÃO

Segundo Kátia, “a sua demissão ocorreu por causa de uma obra do empresário e dono das lojas Havan (o que financia as fakes news veiculadas pelo gabinete do ódio), executada no sul do país e onde a empresa contratada por Hange deparou-se com um achado arqueológico, fato semelhante ao acontecido em Salvador, Bahia, que levou o ex-ministro Gedel Vieira, por ser amigo do presidente Michel Temer, a tentar passar por cima da lei, ato repelido pela presidente do IPHAN.

Por contrariar o interesse do dono das lojas Havan, Kátia pagou um preço alto: foi exonerada do cargo por Jair Bolsonaro, sob o pretexto de paralisar uma obra de um amigo e aliado, que como o político baiano, desejava se prevalecer de um achado arqueológico e numa área tombada, para tirar proveito empresarial.

DISCURSO MENTIROSO

Na entrevista, Kátia fez esta revelação: “Flávio Bolsonaro esteve em Salvador e se reuniu com construtores locais que fizeram reclamações. No dia 11 de maio, o governo escolheu para dirigir o IPHAN uma amiga da família. Depois disso, veio com esse discurso mentiroso de que teria que ter perfil técnico para ocupar cargo no seu governo. Tudo mentira”.  

A BRAVURA DE KÁTIA

A bravura de Kátia, quando se reporta à  verdade e à defesa da lei, faz lembrar um ato ocorrido em dezembro de 1998, na inauguração da reforma da Praça do Panteon, quando no palanque, na presença do governador Flávio Dino, à época, inimigo figadal de José Sarney, corajosamente, fez questão de ressaltar em alto e bom som e cercada por gente do governo estadual, o seu agradecimento ao ex-presidente da Nova República, pela efetiva participação na concretização de tão importante obra.

A PRIMEIRA DEMISSÃO

O injusto e ignóbil ato de demissão, perpetrado pelo atual chefe da Nação, não foi o primeiro registrado ao longo da brilhante vida profissional de Kátia, toda voltada para a recuperação e preservação do patrimônio cultural de nosso país.

Se a memória não me falha, em outubro de 2015, como superintendente do IPHAN, em São Luís, inesperada e cavilosamente, viu-se demitida do cargo que ocupava há 12 anos, por iniciativa do deputado federal, Waldir Maranhão, à época, 1º vice-presidente da Câmara Federal, que se valendo do posto que exercia,  imerecidamente, conseguiu junto à presidente Dilma Roussef afastá-la de suas atribuições funcionais.

EM DEFESA DE KÁTIA

Lembro que, através desta coluna, veiculada a 25 de outubro de 2015, reportei-me à sua demissão, lavrada em uma crônica intitulada “Kátia e o IPHAN”, do qual extraí este texto: “Para prejudicar São Luís, no que tem de mais precioso – o seu rico acervo artístico e arquitetônico – um indesejável político maranhense armou-se de duvidoso prestígio para exigir a cabeça da competente e incansável profissional, ela, que, no exercício do cargo, luta bravamente pela preservação e recuperação desta cidade e impedir que vândalos e insensatos a destruam e vilipendiam.”

“Só quem acompanha a árdua batalha que Kátia trava contra esses malfeitores, que, ao arrepio da lei, tentam transformar São Luís numa urbe sem alma e vida, pode avaliar a lacuna que deixará e a falta que fará ao IPHAN, como sua grande comandante.”

“Quantas vezes eu e tantos maranhenses a vimos colocar a fragilidade feminina de lado, para enfrentar com coragem e altivez os valentões, os falsos empreendedores e os especuladores imobiliários, os quais, em pleno uso da ignorância, da arrogância e da má-fé, fazem de tudo para São Luís perder as características que a diferenciam de qualquer outra cidade brasileira.”

“Como não conseguem afastá-la dos princípios que defende, tentam macular a sua imagem e acusá-la de radical e intransigente. Para esse tipo de gente, ela costuma jogar duro, mas sem perder a ternura. O que faz com toda dignidade.”     

Legenda da foto: Kátia Bogeá, ao lado do ex-presidente José Sarney e do ex-presidente da Academia Maranhense de Letras, Benedito Buzar, sendo homenageada pelos acadêmicos, no final do ano passado, pela sua brilhante atuação à frente do IPHAN.

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RAIMUNDO NONATO CASSAS

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É com saudade e perenes lembranças que escrevo sobre o meu conterrâneo e amigo de infância, Raimundo Nonato Coelho Cassas, falecido recentemente em São Luís, depois de alguns anos de sofrimento, mas graças à sua vontade de viver, enquanto as forças não lhe faltaram, resistiu às adversidades impostas por uma atroz enfermidade.

De Nonato, guardo recordações que permanecem vivas na minha memória e que o tempo não conseguirá apagá-las, até porque procedem de fases importantes de nossas vidas, que tiveram como marco referencial a cidade onde nascemos: Itapecuru Mirim, eu, em fevereiro de 1938, ele, em abril de 1939, somos, portanto, de uma mesma geração, crescemos praticamente juntos e participamos de momentos inesquecíveis e inerentes àquela fase da vida de sonhos e fantasias.

Fomos alfabetizados no Grupo Escolar Gomes de Sousa, no qual a sua querida mãe, a competente professora Maria de Lourdes Coelho Cassas, fazia parte do corpo docente.

Naquela época, desfrutamos, das gloriosas brincadeiras e dos saudáveis divertimentos que  Itapecuru nos proporcionava, ainda acanhada do ponto de vista populacional e espacial, com destaque para as partidas de futebol, praticadas livremente nas ruas e praças de nossa cidade e usando bolas de pano, de borracha ou de couro, artefatos sob os quais ele mostrava impressionante domínio, a ponto de se tornar, com o passar dos anos, um craque de primeira linha.       

Concluído o curso primário, em Itapecuru, continuarmos os estudos secundários em São Luís, eu, nos Maristas, ele, no Liceu Maranhense, de onde partimos para enfrentar o vestibular na Faculdade de Direito.  

Ao longo da existência, Nonato Cassas, teve três paixões: o futebol, a política e a família.

O FUTEBOL

Desde criança, a bola de futebol contagiou a vida do meu conterrâneo. Na sua fase de jovem, jogando pela seleção itapecuruense, que participava do torneio Intermunicipal,  encantou a torcida que comparecia ao Estádio Santa Isabel, tanto que recebeu, face às qualidade de excepcional driblador, o apelido “De Mola”, virtude que o levou a jogar pelo principal time da segunda divisão do campeonato maranhense, o Santos Futebol Clube, treinado por Jafé Nunes.

Depois do Santos, vestiu as camisas do Sampaio Corrêa, pelo qual disputou vários campeonatos da primeira divisão, e do Ferroviário e por este sagrou-se campeão maranhense, em 1958.

Ao pendurar as chuteiras como jogador, resolveu ser cartola no futebol do Maranhão, aceitando as presidências do Sampaio Corrêa e do Moto Clube, que graças ao seu comando, conquistaram títulos importantes.

Nonato, no futebol de salão, também foi craque e um dos melhores do Maranhão, integrando a equipe do Cometas, do qual foi um dos fundadores.

As últimas partidas de futebol que jogou foram no campo do Clube Recreativo Jaguarema, nas tardes de sábados, participando do campeonato disputado pelos times dos associados.

 Torcedor fanático do Botafogo, acompanhava pelo rádio todas as partidas do time carioca, sobretudo o da época em que pontuavam no time jogadores do nível de Manga, Newton Santos, Garrincha, Didi e Zagalo.

A POLÍTICA

Ao encerrar as suas ações como jogador e cartola, bandeou-se para outra atividade, que exercia sobre ele enorme fascínio: a política partidária, iniciada em 1969, quando submete o seu nome à consideração das lideranças políticas de sua terra natal, com vistas às eleições de prefeito municipal.

Venceu o pleito, tendo como vice, Leonel Amorim. Cumpriu o mandato de janeiro de 1970 a janeiro de 1973, no exercício do qual empreendeu ações importantes e obras de infraestrutura.

Nos anos 1980, mudou o domicílio eleitoral para São Luís. Nas eleições de 1982, elege-se vereador à Câmara Municipal da capital maranhense. Pelo bom desempenho parlamentar, foi alçado ao posto de vice-presidente, no biênio 1987-1988.

Quando o presidente José Sarney assumiu a Presidência da República, em 1985, realizaram-se eleições diretas nas capitais dos Estado. Em São Luís, depois de anos sob as   administrações de prefeitos nomeados pelos governadores, o povo foi às urnas e elegeu Gardênia Ribeiro Gonçalves, para um mandato de três anos. A eleição foi decidida no segundo turno contra os candidatos a prefeito e vice, Jaime Santana e Nonato Cassas.

A FAMÍLIA

Em, 10 de abril de 1969, Nonato Cassas despediu-se da vida de solteiro e contraiu casamento com uma das moças mais bonitas da cidade e de família tradicional: Carmen Aroso, com a qual construiu uma família bem estruturada, formada por três filhos, seis netos e duas bisnetas.  

A VIDA PÚBLICA

Além dos postos eletivos, todos desempenhados com dignidade e altivez, Nonato teve uma trajetória rica e exemplar, no que tange às atividades exercidas ao longo da vida pública, que começou nos anos 1960, no Banco da Amazônia, após o que ocupou os cargos de Diretor Administrativo da Copema, Secretário adjunto da SEDEL, Assessor Legislativo da Assembleia Legislativa e Auditor Fiscal, no qual se aposentou.

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O NOTÁVEL PROFESSOR CABRAL MARQUES

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Foi nos meados da década de 1960, quando o Maranhão era governado pelo escritor José Sarney, no governo do qual José Maria Cabral Marques exercia com brilhantismo e competência o cargo de secretário de Educação do Estado, que eu tive o prazer e a honra de conhecê-lo pessoalmente, de tomar conhecimento do que fazia como homem público e do formidável trabalho que realizava, como membro do primeiro escalão da nova administração, eleita em 1965 pelo povo maranhense.

Meus primeiros contatos com aquela extraordinária figura humana, aconteceram no órgão mais importante da administração pública estadual, a Sudema – Superintendência do Desenvolvimento do Maranhão, com as atribuições de planejar e acompanhar a execução dos recursos liberados para as obras governamentais.

Naquela repartição pública, onde eu prestava serviços administrativos, Cabral marcava presença com frequência, para discutir e tratar dos interesses da secretaria que comandava, construímos uma amizade sincera e sólida, a ponto de dele receber irrecusável convite para passar uma temporada na secretaria de Educação, para ajudá-lo nas ingentes tarefas impostas por aquela pesada máquina burocrática.

Anos depois, Cabral, então à frente da Secretaria de Administração, mais uma vez, lembra-se da minha pessoa e convida-me a fazer parte de um grupo selecionado, que no Rio de Janeiro, passaria um ano para participar de um curso na Escola Brasileira de Administração Pública, vinculada à Fundação Getúlio Vargas.

O grupo, constituído, dentre outros, por figuras do quilate intelectual e moral de José Joaquim Filgueiras, Artur Almada Lima (eram juízes), Mundicarmo Ferreti e José Bastos Silva, formaria o núcleo para o treinamento em São Luís dos futuros professores da Escola de Administração do Estado do Maranhão.

Os gestos de Cabral, praticados espontaneamente e com objetivos claramente confessáveis de fazer com que eu crescesse profissionalmente, ficaram indelevelmente marcados na minha alma e ao longo da vida jamais foram esquecidos, motivos pelos quais passei a ter por ele uma incomensurável admiração como homem público, onde se impôs pela retilínea conduta pessoal e moral e sem tirar proveito de qualquer natureza no desempenho das elevadas funções exercidas.

REITOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL

 De Cabral, não esqueço a edificante e segura atuação à frente da reitoria da Universidade Federal do Maranhão, cargo que ocupou ao longo dos anos de chumbo, quando enfrentou embates aguerridos e sem tréguas, de setores docentes e discentes, contra os quais jamais usou o poder que detinha sob suas mãos, para punir ou vingar-se dos que tentavam denegri-lo ou jogá-lo no limbo da vida pública.

NA ACADEMIA MARANHENSE DE LETRAS

No ano 2000, quando se abre uma vaga na Academia Maranhense de Letras, para ocupar o lugar do escritor Franklin de Oliveira, os acadêmicos, por unanimidade, elegeram Cabral Marques para tê-lo como confrade e fazer parte de um sodalício que o reconhecia como figura humana de valor pelas suas qualidades profissionais e intelectuais.

O GOSTO PELA POESIA

No seu discurso de posse, na Casa de Antônio Lobo, a 6 de abril de 2001, revelou o seu gosto pela poesia, com esta informação: “Quando eu era ainda muito jovem, foi noticiado que Margarida Lopes de Almeida, iria recitar poesias no Teatro Artur Azevedo. No dia e hora anunciados, lá estava eu, de terno e gravata, sentado na primeira fila. Imaginei deleitar meus ouvidos com a declamação e os meus olhos com uma mulher jovem e bonita. Na minha imaginação ela seria bela como as musas dos poetas. Minha surpresa e desagrado vieram juntos. Uma senhora de idade, gorda trajando um modelo do início do século, entrou no palco. Minha primeira reação foi retirar-me. Não tive coragem de sair e me detive. Foi bom ter ficado. Ainda hoje recordo o êxtase que se apossou de mim. Margarida começou a recitar divinamente. De repente, todo o meu ser ficou reduzido à dimensão dos ouvidos. Não falava, estava imóvel e absorto e aprendi a respiração para não perturbar o espetáculo.”    

O GOSTO PELA LEITURA.

Em outro trecho, bastante interessante de sua oração, relatou este fato: “Minha mãe, apesar do pouco tempo disponível, depois dos afazeres domésticos, lia muito. Fazia economia com o dinheiro das despesas de casa e comprava romances em fascículos. Presumo que poucas pessoas, sabem que se vendia, nesta cidade, de porta em porta, nos bairros pobres, romances em fascículos. Ela me incutiu o gosto pela leitura, contando-me histórias lendárias. Creio que ela me iniciou na literatura universal e que me fez ser encontrado muitas vezes, na minha mocidade, nesta Casa de Antônio Lobo, quando aqui funcionava a Biblioteca Pública. Com certeza, vinha guiado pela minha mão invisível de minha mãe, para ler os livros que eu não podia comprar, dentre os quais os didáticos.”

UM HOMEM DE FÉ

Sebastião Moreira Duarte, no maravilhoso discurso de saudação ao novo acadêmico, além de destacar,  de maneira irretocável e brilhante, as suas atuações na cena pública e privada, evocou também atos que marcaram a sua trajetória de virtudes nobres e multifacetadas, dentre as quais a de ser um homem de fé, o que pode ser avaliado por este episódio:  “Para comprová-lo, valho-me apenas do que sejam fatos recentes ou habituais em sua biografia, dispensando-me de trazer à nossa presença aquele rapagote que, envergonhado por não haver mais missa em dia de Sexta-Feira Santa, cobrou maior coerência à própria convicção e passou a vestir batina como coroinha nas procissões religiosas de São Luís, sem de incomodar o que dissessem seus companheiros. Também não precisarei tirar do baú de relembranças a foto do ajudante de missas dos frades capuchinhos ou, mais tarde, a do acólito de Dom José Delgado. Ou a do congregado mariano, do delegado da Juventude Universitária Católica, do presidente do Movimento Familiar Cristão.”   

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GRIPE ESPANHOLA MATA GOVERNADOR MARANHENSE

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No começo deste mês, o jornalista e confrade Antônio Carlos Lima, publica matéria em O Estado do Maranhão, focalizando o falecimento de um dos homens públicos mais importantes de nossa terra, Urbano Santos, que não resistiu ao vírus da gripe espanhola e contraiu uma infecção pulmonar, quando viajava de São Luís para o Rio de Janeiro, a bordo do vapor “Minas Gerais”, no dia 7 de maio de 1922, para tomar posse, pela segunda vez, na função de vice-presidente da República.

Urbano Santos não foi o único governante maranhense, que falece em decorrência da devastadora gripe que invadiu e se alastrou em São Luís, no século passado, ceifando a vida de muitos conterrâneos.

Quatro anos antes da morte do vice-presidente, a 9 de outubro de 1918, quando o vírus da moléstia atingia o pico em nossa cidade, o político José Joaquim Marques, eleito 1º vice-governador do Estado, que se encontrava no exercício do cargo de governador, morre em sua residência, na Rua de Santana.

  QUEM ERA JOSÉ JOAQUIM MARQUES

Nascido em Penalva e sobrinho do grande intelectual, Celso Magalhães, inicia os estudos no Seminário das Mercês, pois pensava dedicar-se à atividade religiosa. Anos depois, troca o Seminário pela Escola de Agronomia de Minas Gerais, pela qual gradua-se, após o que parte para a Europa, onde faz cursos de especialização. De volta ao Brasil, ingressa no magistério, tornando-se professor e diretor das Escolas de Agronomia da Bahia e de Uberaba.

No seu retorno ao Maranhão, exerce o cargo de diretor da Estação Experimental de Coroatá, de onde, pelas mãos de Benedito Leite, torna-se político e elege-se deputado estadual na legislatura de 1916 a 1918. Pela brilhante atuação parlamentar, preside a Assembleia Legislativa do Maranhão em 1917, legislatura em que pontificavam figuras de realce como Henrique Costa Fernandes, Georgino Gonçalves, Inácio Parga, Libânio Lobo, Tarquínio Lopes Filho, Tucídides Barbosa, Afonso Giffening Matos e Luís Carvalho.

VICE- GOVERNADOR E GOVERNADOR

Para cumprir o mandato de governador do Maranhão, no quadriênio 1918 – 1922, elege-se, pela terceira vez, Urbano Santos de Araújo Costa. Pela legislação da época, o governador poderia ter como companheiros de chapa três candidatos, razão porque os políticos José Joaquim Marques, Raul Machado e Lisboa Filho se elegeram 1º, 2º e 3º vice-governadores.

 Também, pela permissividade da legislação, pela segunda vez, Urbano Santos se elegia vice-presidente da República, desta feita, na chapa encabeçada pelo mineiro Artur Bernardes.

Convocado para tomar posse como vice-presidente da República, Urbano Santos não assume o cargo de governador do Estado do Maranhão, ato que enseja a ascendência do 1º vice, José Joaquim Marques, à chefia do Poder Executivo, a 1º de março de 1918, cargo que recebe das mãos de Brício de Araújo.

Marques, portanto, na condição de 1º vice-governador, ocupa o Palácio dos Leões até o dia 9 de outubro de 1918, quando a gripe espanhola atacava indiscriminadamente a população da capital maranhense.

VERSÃO FALSA DA MORTE

O governador em exercício, contava 49 anos e morreu, segundo informações nada oficiais, “pelo peso das contrariedades e pela baixa politicagem vigente no Maranhão”, divulgação essa contraditada pela imprensa, que a achava falsa, descabida e fruto da invencionice política, com o objetivo de embair a sociedade, que tinha absoluta certeza de que a morte de José Joaquim Marques resultara, como centenas de outros maranhenses, da terrível moléstia que contaminava estupidamente a cidade de São Luís.

A GRIPE ESPAHOLA NO BRASIL

 A epidemia começou em agosto de 1917 nas casernas e rapidamente ganhou as ruas.

 Com medo de ser contaminada, a população brasileira evitou sair de casa, mas de pouco adiantava se esconder, porque a doença alcançava suas vítimas em qualquer lugar e os hospitais sem leitos disponíveis para atender os doentes, que acabavam morrendo em casa ou nas ruas, onde, muitas vezes, ficavam insepultos.

Só no Rio de Janeiro, o vírus matou em poucos meses, cerca de 15 mil pessoas.

A GRIPE ESPANHOLA NO MARANHÃO

De acordo com o jornal Pacotilha, no ano de 1918, a gripe espanhola atacou a população de São Luís sem dó e piedade, doença que já vinha ceifando a vida dos maranhenses desde 1917.

A moléstia chegou na capital maranhense a bordo dos vapores que atracavam em nosso porto, que transportavam gente e cargas, mas só desembarcavam depois que os agentes sanitários inspecionavam as embarcações, os passageiros e as bagagens.

Mesmo assim, a doença não estancava e provocava numerosas mortes na cidade, cujos doentes eram encaminhados a um hospital de isolamento, instalado no bairro do Lira, onde os médicos Almeida Nunes, Carlos Nunes e Hamleto Godois se desdobravam para atendê-los e curá-los à base de remédios que visavam combater a profilaxia da gripe, para isso praticavam a antissepsia da cavidade bucal e das fossas nasais.

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