O GABEIRISMO SEM GABEIRA

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Com o meu aguçado olhar de pesquisador, encontrei na edição do Diário Oficial do Maranhão, de 4 de outubro de 1937, a publicação de um longo pronunciamento do deputado Felix Valois, integrante da bancada que apoiava o então governador Paulo Ramos.
O discurso do parlamentar ocorreu dias antes do presidente Getúlio Vargas decretar o Estado Novo no Brasil, ato que estabeleceu um regime ditatorial e transformou os governadores em interventores, situação que só acabou nos idos de 1945, graças ao processo de redemocratização do País.
O discurso do deputado Felix Valois, devidamente combinado com Paulo Ramos, atacava sem dó e piedade os parlamentares estaduais, liderados pelo deputado João Braulino de Carvalho, que haviam se comprometido com o chefe do Executivo estadual a participar de uma nova agremiação política no Maranhão, de apoio ao governador, denominado Partido Evolucionista Maranhense, mas face à conjuntura política que vivia o Brasil, resolveram, como fazem até hoje, a esperar o desfecho da crise, para assinar ou não o documento.
No raivoso pronunciamento do parlamentar, no qual dedicava palavras ácidas e venenosas aos deputados que deixaram de cumprir o assumido com Paulo Ramos, encontrei um vocábulo que me chamou a atenção, por desconhecê-la literalmente: Gabeirismo.
O meu primeiro impulso foi imaginar que os parlamentares fossem aliados do jornalista Fernando Gabeira, hipótese logo afastada porque, naquela época, o político e intelectual ainda não havia nascido e nenhum Gabeira militava em qualquer agremiação política daqui ou alhures.
Para dissipar as minhas dúvidas quanto ao incógnito vocábulo, recorri aos mais tradicionais e importantes dicionários brasileiros para ver se encontrava algo que me permitisse achar ou esclarecer a origem da palavra Gabeirismo.
Depois dessa caçada infrutífera aos dicionários brasileiros, recorri ao livro do professor Domingos Vieira Filho – A Linguagem Popular do Maranhão, na esperança de nele encontrar o registro de algum verbete regionalista que definisse ou explicasse o que era Gabeirismo. Em vão.
Como não achei nada para esclarecer a origem da palavra, retomei a leitura do longo e candente discurso do deputado Felix Valois, no qual, em determinado momento, ele explica o que é Gabeirismo.
Com a palavra o parlamentar: “Gabeirismo é hoje um vocábulo do nosso idioma. É a última palavra na tradução exata da degenerescência de nossos costumes políticos. É a ação nefasta dos deputados de Norte a Sul do País, faltando aos compromissos assumidos, não honrando a palavra empenhada da solução dos problemas do Estado”.
Como se não bastasse, o deputado, que era oficial do Exército, afirmou “Que entre nós no Maranhão, esta palavra passará à História, porque é antes de mais nada, o atestado evidente de que a crise no Brasil é essencialmente uma crise moral”.
De 1937, quando Felix Valois discursou e descobriu esse neologismo, aos dias de hoje, já transcorreram mais de oitenta anos. Significa dizer que essa falta de compostura dos políticos brasileiros, com relação aos compromissos assumidos e não cumpridos, não é um problema dos dias correntes.
No passado como no presente, os políticos, salvo poucas e honrosas exceções, continuam sendo inconfiáveis e nada coerentes com que prometem nos palanques e nas tribunas, razão porque o Gabeirismo, vocábulo inventado pelo parlamentar maranhense, continua em voga e mais atual do que nunca.

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AS MÁSCARAS DE BOLSONARO E DE CAFETEIRA

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No Senado, instalou-se uma Comissão Parlamentar de Inquérito, para apurar a participação ou não do presidente da República na contratação de vacinas, para livrar a população do Brasil de uma grave epidemia.

A CPI de Brasília, remete os maranhenses para a década de 1960, quando pipocou uma crise, gerada por um impensado ato do prefeito Epitácio Cafeteira, que, também, resultou na criação pela Câmara Municipal de uma Comissão Parlamentar de Inquérito.

Diante de quadros que entre um e outro registram-se mais de cinquenta anos, uma pergunta está no ar: há algo em comum entre as ações do presidente da República, Jair Bolsonaro e as do ex-prefeito de São Luís, Epitácio Cafeteira, mormente quando o fulcro da questão reside no uso de um artefato de tecido popularmente conhecido por máscara?

Ainda que a situação cronológica e a atuação de ambos na vida pública sejam marcadas por gritantes diferenças, não há como deixar de fazer um paralelo do que acontece hoje no Brasil e do ocorrido na capital maranhense há 55 anos.

  O prefeito Epitácio Cafeteira, eleito em outubro de 1965, mal sentou na cadeira de gestor da cidade, assinou um decreto sustentado num falso moralismo, para vigorar no carnaval de 1966, que proibia o ingresso de mulheres nos salões dos bailes populares, que portassem máscaras nos rostos para não serem identificadas.

 Já, o atual chefe da Nação, que sempre foi contra  o uso de máscaras, pediu ao seu ministro da Saúde, “um tal de Queiroga”, um estudo circunstanciado, para servir de suporte a um decreto com o objetivo de proibir a população de usar aquele artefato de tecido, no entendimento de ser desnecessário à proteção contra a epidemia do coronavírus, moléstia que vem ceifando diariamente milhões de brasileiros.

As aversões de Cafeteira e Bolsonaro quanto ao uso de máscaras, inobstante apresentarem motivações distintas, tiveram acentuadas repercussões no plano político. 

Em São Luís, o decreto municipal ecoou intensamente, levando o  governador José Sarney, recentemente empossado, a autorizar o secretário de Segurança, coronel Antônio Medeiros, à publicação de uma portaria para assegurar às mulheres o direito de participar dos bailes com as máscaras, ato que fez o caso invadir a seara jurídica e provocar na Câmara Municipal, por iniciativa dos vereadores de oposição, a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito contra o gesto de Cafeteira,  que resultou numa solicitação ao governador para o Estado intervir na Prefeitura de São Luís, mas Sarney, prudente como sempre foi, esperou o caso ser resolvido na  Justiça, que, sabidamente, aguardou o carnaval acabar e dar tempo para os políticos se entenderem, o que, na realidade aconteceu, depois de agressões e acusações de ambos os lados, mas, afinal, encontraram uma fórmula em que vencidos e vencedores, sem exceção, se salvaram.

Mais de meio século depois do decreto de Cafeteira, aqueles pedaços de tecidos voltaram a ser objetos de discussão política, desta feita a nível nacional, com o atual presidente da República, que, de forma irredutível e irracional, deseja assinar um decreto para obrigar o povo brasileiro a se desfazer das máscaras, estas, que estão prestando benfazejos serviços à saúde pública.   

Se a Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Municipal de São Luís não deu em nada, a CPI do Senado, só Bita do Barão poderá dizer o que vem por aí.

O TURISMO DA VACINAÇÃO

Por incrível que pareça, em pleno ativismo maléfico da Coronavírus no Brasil, o bumba-boi e outras manifestações folclóricas e culturais do Maranhão, deixaram de ser este ano os nossos principais produtos turísticos.

Quem vem atraindo gente de outras cidades para a nossa capital, é o processo de vacinação contra a Covid-19, que o governador Flávio Dino e o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, resolveram atacar de modo eficiente e prioridade.

CAIXÃO DE PANCADA

Por conta dessa sinistra política externa montada pelo ex-chanceler Ernesto Araújo, o Brasil vem sendo depreciado ou agredido por autoridades estrangeiras.

Se até pouco tempo, o Brasil tinha a fama de não ser um país sério, agora até o Papa referiu-se aos brasileiros como cachaceiros e o presidente da Argentina descobriu que as nossas origens procedem das selvas.

A POLÍTICA DOS PNEUS

Nas últimas eleições, elegeu-se no Maranhão à Assembleia Legislativa, um empresário conhecido pela alcunha de Felipe dos Pneus. 

No pleito seguinte, de caráter majoritário, o Felipe dos Pneus renunciou ao mandato parlamentar porque se elegeu prefeito de Santa Inês.

Como a alcunha de Pneus, agora é moda na política, no Rio de Janeiro, acaba de ser nomeado para comandar a Secretaria de Transportes, um cidadão conhecido por Juninho dos Pneus.

RAVE E ARRAIAL

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, recebeu o troco que merecia do governador Flávio Dino, criticado por fazer “rave da vacinação” no Maranhão.

Flávio Dino retrucou com veemência a crítica do gestor carioca, explicando que no Maranhão, no mês de junho, em vez de rave se faz é arraial, festa popular e genuinamente regional. 

 Para quem não sabe, rave é uma festa eletrônica, em lugar amplo e aberto e sem hora para acabar, que os cariocas, estes, sim, adoram.

FOBIA PRESIDENCIAL

Em Brasília, corre a notícia de que depois do parecer do “tal Queiroga” ministro da Saúde, destinado à extinção das máscaras no país, o próximo alvo do Presidente da República será o trânsito.

Bolsonaro, segundo se comenta, teria mandado fazer um estudo para acabar com as placas que mandam o motorista “virar à esquerda”. 

AS ZPES NO MARANHÃO

Desde os tempos de José Sarney, na presidência da República, que se ouve falar na implantação das Zonas de Processamento de Exportação no Maranhão.

O projeto das ZPEs, que teve um avanço na época de Sarney, depois foi engavetado no Palácio do Planalto pelos que o sucederam, que nunca viram com bons olhos a sua instalação no Maranhão, razão pela qual nunca sairá do papel.

INTELECTUAIS E LIVROS

Intelectuais brasileiros de todos os matizes se reuniram para cada escrever sobre o livro que mudaram as suas vidas.

Eis os selecionados: Cem anos de solidão, de Garcia Marques; Em busca do tempo perdido, de Proust; O apanhador no campo de centeio, de J. D. Salinger; O encontro marcado, de Fernando Sabino; A montanha mágica, de Thomas Mann; O segundo sexo, de Simone Beauvoir e Gabriela Cravo e Canela, de Jorge Amado.   

CANHOTEIRO

Se o grande jogador maranhense, Canhoteiro, extraordinário ponta esquerda do Brasil, se vivo fosse teria de mudar o nome pelo qual se tornou famoso aqui e alhures.

Motivo: Canhoteiro lembra esquerdista, gente que o atual Governo da República abomina visceralmente.    

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A HISTÓRIA COMO FARSA OU A FARSA COMO A HISTÓRIA

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Hegel dizia que a história se repete sempre pelo menos duas vezes

Karl Marx deixou registrado que a história se repete a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa.

Luís Fernando Verissimo, que não é filósofo como Hegel e Marx, mas do alto de sua competência jornalística, disse que no Brasil a história não se repete como farsa, mas as farsas é que se repetem com a história.

Com vistas a dirimir este dilema, submeto à consideração do leitor, dois episódios vindos à tona em épocas diferentes, com forte repercussão nos meios políticos e militares, gerando crises e polêmicas, com o objetivo de arrastar o Brasil para tempos de incerteza democrática e de intranquilidade institucional.

O primeiro, aconteceu depois das eleições de outubro de 1955, quando o ex-governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek, derrotou por pequena margem de votos os candidatos da UDN, general Juarez Távora, do PSP, Ademar de Barros, e do PRP, Plínio Salgado.

Derrotada nas urnas, a retrógada UDN, tendo o deputado Carlos Lacerda como porta-voz, passou a defender a tese de que só poderia assumir o cargo presidencial o candidato que tivesse obtido a maioria absoluta de votos, ou seja, a metade mais um.

Tratava-se de uma ardilosa manobra para impedir a posse de JK, que não havia conseguido  o que os udenistas desejavam e apregoavam, tese que hoje se assemelha ao artifício levantado pelo presidente Jair Bolsonaro, de querer que as eleições de 2022 ocorram pela extinta cédula única, no irracional  entendimento de que o processo eleitoral, pelo sistema eletrônico, enseja o renascimento da fraude.

 Com o pensamento de anular as legítimas eleições presidenciais, no dia 1º de novembro de 1955, no enterro do general Canrobert Pereira da Costa, presidente do Clube Militar, o coronel Jurandir Bizarria Mamede, insurgiu-se contra a vitória eleitoral de JK, por considerá-la “uma mentira democrática e por estabelecer o predomínio da minoria, baseada numa pseudalegalidade imoral e corrompida.”

O general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra, um militar legalista, anunciou a punição do coronel Mamede, que, como oficial da ativa, não poderia fazer manifestação política, assim como o fez recentemente o general Eduardo Pazuello, num ato político em favor da reeleição do presidente Jair Bolsonaro.    

À época, encontrava-se à frente do Palácio do Catete, o presidente da Câmara Federal, deputado Carlos Luz, substituto do sucessor de Vargas, João Café Filho, licenciado para tratamento de saúde.  No exercício do cargo presidencial, o udenista Carlos Luz, por não concordar com a punição de Mamede, demitiu o general Henrique Lott do cargo de ministro da Guerra, mas, este, com o apoio de outros militares, destacando-se o general Odilo Denis, comandante do I Exército,  coloca as tropas nas ruas do Rio de Janeiro, a 11 de novembro, ato que conduz o Congresso Nacional a destituir Carlos Luz e elege para substitui-lo o senador Nereu Ramos, do PSD, dando o chamado “golpe preventivo”, não para impedir, mas para garantir a posse de Juscelino Kubitschek.

Diante do cenário político-militar de 2021, quando ao contrário de 1955, o general Eduardo Pazuello,  no exercício da atividade militar, não foi punido pelo superior hierárquico, que mandou arquivar o processo contra o ex-ministro da Saúde, vale perguntar ao leitor: quem está certo no que se refere à dicotomia história-farsa: Hegel, Marx ou Luís Fernando Verissimo?  

O OUTRO LADO DE HAROLDO SABOIA

Eu sabia que Haroldo Saboia, pela sua atuação na vida pública, foi uma figura política competente e com atuação destacada nos cargos eletivos para os quais se elegeu: vereador à Câmara Municipal de São Luís, deputado à Assembleia Legislativa do Maranhão, deputado à Câmara federal e deputado Constituinte.

Por reconhecê-lo dono dessas virtudes políticas, tomei um estrondoso e alegre susto, quando dele recebi mensagem, na qual revelava a outra vertente de sua personalidade: o de apreciador e restaurador de casarões históricos abandonados ou em processo de ruínas. Eis a mensagem: “Meu amigo Buzar, li sua nota sobre a localização da secretaria da Cultura na Avenida dos Holandeses. Lamentável é a realidade do nosso Estado. Na verdade, quem mais contribui para o esvaziamento do Centro Histórico são os poderes públicos federal, estadual e municipal. Passei, por exemplo, 10 anos restaurando um belíssimo casarão, na Rua da Savedra, com fachadas de azulejo e três andares. Há um ano procuro alugá-lo. Foi um trabalho primoroso. Seu confrade, Phillipe Andres esteve lá recentemente e saiu encantado com o que viu.”

DOM BELISÁRIO

Dos últimos arcebispos nomeados para a Arquidiocese do Maranhão, Dom José Belisário, que acaba de nos deixar, preocupou-se apenas com os problemas eclesiásticos e pastorais.

Os seus antecessores, Dom Carlos Carmelo, Dom Adalberto Sobral, Dom José de Medeiros Delgado, Dom Antônio Fragoso e Dom João José da Mota e Albuquerque, além das pertinentes ações sacerdotais, não deixavam de participar de atividades públicas e privadas, desde que tivessem repercussão na vida eclesiástica.

Se Dom Belisário era arredio socialmente e não se imiscuía em atos que achava descabidos à sua esfera de atuação, era dotado de uma virtude que os seus antecessores se ressentiam: ser uma figura humana cordial, fraterna e extremamente culta.

NAVIO INDIANO

Em matéria de saúde pública e relacionada com o problema infeccioso da Covid-19, o melhor que aconteceu no Maranhão foi o anúncio da chegada no porto de São Luís de um navio-cargueiro, vindo da Índia, com a tripulação contaminada pelo vírus.

A notícia, como um rastilho de pólvora, apavorou as autoridades brasileiras e os governantes maranhenses, que montaram em São Luís um aparato para defender a nossa população com vacinas de todos os tipos, vindas aos montes de Brasília, imediatamente aplicadas em pessoas ainda não vacinadas daqui e de outras cidades.

FESTIVAL DE BESTEIRA

O competente jornalista carioca, Sérgio Porto, mais conhecido por Stanislau Ponte Preta, criou no jornal Última Hora uma coluna intitulada Festival de Besteira que Assola o País ou Febeapá.

Se Sérgio Porto não tivesse falecido, certamente não deixaria de incluir no seu Febeapá um assunto que anda circulando na internet condenando o Governo do Maranhão pela veiculação de uma oportuna e comovente peça publicitária, que tem como fundo musical a bela composição de Sérgio Bittencourt, intitulada Naquela Mesa, criada como um apelo para a população se vacinar e não perder os familiares.         

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HOJE COMO ONTEM OU ONTEM COMO HOJE

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Nos dias correntes é comum ouvir dos mais idosos reclamações quanto ao comportamento das novas gerações, acusadas de não darem o valor merecido às pessoas que em vida lutaram ou cuidaram dos nossos valores culturais e artísticos.

O desprezo das gerações de hoje às figuras humanas que se destacam ou ganham relevo nas letras e nas artes maranhenses, não é, entre nós, novidade, pois, também, em tempos remotos, fatos e atos semelhantes aconteciam e com a mesma indiferença e intensidade.

Imaginar, portanto, que no passado, havia reconhecimento, respeito ou veneração pelos homens de cultura que em vida trataram de elevar o nome do Maranhão às alturas, é um tremendo equívoco.  

Essa afirmação o faço louvado num texto extraordinário e brilhante produzido pela inteligência do jornalista conterrâneo, Franklin de Oliveira, publicado em São Luís, em O Imparcial, a 01 de dezembro de 1950, em memória do inesquecível escritor, nascido em Viana, Antônio Lopes, que morreu angustiado por não se ver reconhecido pelos seus contemporâneos.

O texto é longo, razão pela qual limitar-me-ei a reproduzir trechos que considero antológicos, expressivos e contundentes: “De todos os escritores com que até hoje privei, foi Antônio Lopes o que maior impressão de força e segurança de voo me deu. Tudo, nele, sob a unção de sua palavra, era amplo e transfigurava-se. E nenhuma força o galvanizava mais do que o amor pelo Maranhão. “Amor da terra, da paisagem, das tradições, dos hábitos, dos costumes das heranças sociais, amor primordial de tudo aquilo que constitui a história e a alma da velha província que nunca soube compreender o mestre, sempre ingrata à sua ternura e insensível à nobreza mental de seu afeto.

“Dir-se-ia, e estou certo disso, de que o Maranhão, com esta decorrência que o corroe estava muito abaixo da espécie de afeição que lhe dedicava Antônio Lopes.

“Pobre, porque generoso e abnegado, porque idealista e não pragmático, pobre porque inteligente e não falcatrueiro, pobre porque digno e não fraudulento, nunca o Estado lhe procurou tornar a vida mais leve, que assim precisava fosse não por egoísmo, mas pelo desejo de poder melhor trabalhar pela sua terra.

“Homem intensamente mentalizado, ardentemente intelectualizado, que tudo compreendia em termos de arte e de pensamento, e que não podia aceitar que não fosse filtrado pela cultura e purificado pela sensibilidade, Antônio Lopes sentia a não correspondência de seu amor como uma injustiça, não ao seu nome, mas ao próprio patrimônio do Maranhão. Ele se excluía do episódio para testemunhar a vilania do desapreço, a vileza da desatenção que estávamos dando miseravelmente a nós mesmos. Isto o matou. Não foi a doença. Foi isto.

“E que fica para o Maranhão? Em tempos antigos, desaparecia um mentor de gerações, e outro ocupava o lugar. Hoje, andam por aí, um ultraje tão grande e uma canalhice tão proliferante, que a velha fisionomia da terra é quase irreconhecível.

“O que Antônio Lopes criou de inteligência e nobreza de alma persistirá. Tão poderosamente forte, como o remorso dos que, nesta terra, não amparam a única coisa que sempre distinguiu o Maranhão do resto do Brasil: não amparam seus homens de cultura.

“Mestre, se em vida não ajudou a tua terra, é um escárnio o resgaste que à última hora se tentou. Tu a perdoarás que teu amor era magnífico. Ela, porém, não se perdoará a si mesma. Os crimes contra o Espírito são crimes sem recessão.”   

A TIQUIRA PAPAL

O Papa Francisco não foi feliz quando disse no Vaticano que o Brasil não tem salvação, porque o povo bebe muita cachaça e reza pouco.

Frase impensada como esta do Papa é que tem levado o povo brasileiro a trocar a religião católica pela evangélica.

Em tempo: o Papa disse isso porque não conhece a tiquira maranhense.

COCAR PRESIDENCIAL

Nos meios oficiais de Brasília, não é de bom tom colocar o cocar de índio na cabeça de políticos.

Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, Lula e Dilma foram alguns políticos que usaram o cocar e não foram bem-sucedidos.

José Sarney, supersticioso como o é, quando ocupou o cargo presidencial, jamais permitiu que um cocar fosse colocado em sua cabeça.

Recentemente, Jair Bolsonaro deixou-se fotografar com aquele adorno indígena na sua cabeça oca.

AMIGO DO JORNALISTA

Um dos mais completos jornalistas do Brasil, Milton Coelho da Graça, faleceu recentemente no Rio de Janeiro, onde prestou serviços nos melhores jornais e revistas do País.

Milton tinha um grande amigo em São Luís: Eduardo Lago. 

STAFF DO VICE

Nenhum candidato pode disputar cargo importante seja no Executivo ou Legislativo, prescindindo de uma boa assessoria política.

É com esta visão que o vice-governador Carlos Brandão se prepara para suceder o seu leal amigo, Flávio Dino.

Dentre os convidados para integrar a sua assessoria, Brandão convidou o tarimbado e competente engenheiro, Aparício Bandeira, que tem PHd em assuntos partidários e políticos.    

VAGA DO TCE

Na vida pública maranhense, jamais se viu uma torcida tão grande em favor de um candidato aos quadros do Tribunal de Contas do Estado, como a formada em torno de Marcelo Tavares.

O problema não é a eleição Marcelo Tavares, para a vaga do conselheiro Nonato Lago, que se dará em agosto, mas quem vai substituí-lo no cargo que ocupa no Palácio dos Leões.

BEM E CULTURA

Uma notícia que me deixou alegre: a mudança da secretaria da Fazenda Municipal e de outros órgãos da Prefeitura de São Luís para o prédio onde funcionava o Banco do Estado do Maranhão.

Com isso o Centro da Cidade ganhará mais vitalidade e movimentação.

Atenção governador Flávio Dino: a secretaria da Cultura, que funciona inexplicavelmente na Avenida dos Holandeses (Calhau), precisa retornar ao Centro Histórico.

COMUNISTA NO SIOGE

Os militantes da esquerda maranhense pediram ao governador Epitácio Cafeteira a nomeação do competente jornalista comunista, recentemente falecido, Luís Pedro, para dirigir o SIOGE- Serviço de Imprensa e Obras Gráficas do Estado.

Depois de alguns dias, Cafeteira revelou o motivo por que não nomeou Luís Pedro para o cargo: – Seria transformar o SIOGE numa sucursal do Partido Comunista.

MINISTÉRIO DA M Segundo Chico Buarque de Holanda, todo o governo deveria contar com um Ministério do Vai dar M, para evitar que os presidentes tomassem decisões polêmicas e equivocadas.

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JAIR BOLSONARO E FLÁVIO DINO

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Na História do Brasil, até antes de Jair Bolsonaro assumir a presidência da República, não há registro de qualquer ato ou fato público, capaz de perturbar o bom relacionamento entre os chefes da Nação e os governadores do Maranhão.

Entre as duas maiores figuras políticas e representativas do povo brasileiro e da sociedade maranhense, em alguns momentos da vida nacional, podem ter vindo à tona estremecimentos ou discordâncias, em função de posicionamentos e de compromissos políticos e partidários, mas nunca, como nos tempos atuais, chegaram a se estranhar ostensivamente ou de nutrirem  sentimentos  recíprocos e nada republicanos, semelhantes aos que ora são visíveis e repercutidos pelos meios de comunicação.

Para quem acompanha, como eu e desde a juventude, os eventos e os protagonistas da cena política brasileira e maranhense, a minha memória lembra apenas de um governador maranhense, que de livre e espontânea vontade, só marcou presença no Palácio do Planalto, ao final do mandato, assim mesmo para manter uma conversa nada amistosa com o chefe da Nação.

Trata-se de Nunes Freire, que no apagar das luzes do seu governo, encontrou-se com o presidente Ernesto Geisel, que o chamou para anunciar quem iria sucedê-lo no Palácio dos Leões, o deputado João Castelo.

Excetuando-se este caso, acontecido quando o Brasil estava sob o tacão do regime militar, só agora, na vigência da democracia, o país, de modo estarrecido, assiste o atual presidente da República, Jair Bolsonaro, por motivos ideológicos, dar um tratamento nada compatível com o cargo que ocupa, a um governador de Estado, que vem exercendo o mandato de maneira correta e sem praticar atos comprometedores à sua administração.

Tem, portanto, origem ideológica, a animosidade que Jair Bolsonaro devota a Flávio Dino, pois se o presidente da República é e faz parte da direita radical e raivosa, o governador do Maranhão, desde a militância estudantil, sempre se comportou e agiu como uma figura humana e politicamente comprometida com a esquerda democrática e cristã.

Essa animosidade mostrou-se em toda plenitude depois das eleições de 1918, quando Bolsonaro concorreu às eleições presidenciais, sendo batido de forma esmagadora no Maranhão pelo candidato de Flávio e de Lula, o petista Fernando Hadad.

Dino sentiu a primeira reação maldosa de Bolsonaro à sua pessoa, numa reunião em Brasília, com os governadores do Nordeste, quando foi presenteado com uma frase altamente preconceituosa e mal construída, que obteve péssima repercussão no país ao dizer que: “Dos governadores de paraíba, o pior é o do Maranhão”.

A partir dessa famigerada reunião, sempre que a oportunidade se oferece, Bolsonaro, estimulado pelos maus políticos de nossa terra, só dispensa ao governador do Maranhão ataques pessoais e agressivos à sua gestão, usando aquele estilo picaresco e de péssimo gosto.

Ao contrário do presidente da República, o governador reage, mas sem perder a compostura, seja pelos meios de comunicação, seja por ações interpostas no Supremo Tribunal Federal, onde, quase sempre é bem-sucedido juridicamente, como ocorreu recentemente no caso do Censo Demográfico e agora quando a secretaria de Saúde lavrou um Auto de Infração contra Jair Bolsonaro, pela promoção no Maranhão de aglomerações sem nenhum cuidado sanitário. 

CLOROQUINA, HIDROXICLOROQUINA, AZITROMICINA E INVERMECTINA

No afã de comprometer Flávio Dino, a tropa de choque do presidente Jair Bolsonaro, na Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado, que apura a (ir)responsabilidade do governo federal no tratamento da Covid-19, mostrou um vídeo do governante maranhense, recomendando a ingestão de alguns remédios apontados para salvar os infectados pelo coronavirus, numa época em que a vacina ainda era um sonho de uma noite de verão, quando governantes  e médicos, literalmente desnorteados, procuravam desesperadamente achar medicamentos para livrarem a população da maldita pandemia, que grassava aceleradamente, contaminava sem dó e piedade a comunidade e enchia os hospitais ainda desprovidos de equipamentos e de profissionais para o atendimento dos infectados.

Ainda lembro e com tristeza daquele tempo em que a população sem lenço e sem documento, procurava as farmácias da cidade atrás de remédios para livrá-la de um vírus perverso e que chegou para ficar e matar.

Foi aí que o governador Flávio Dino, à falta da vacina e sem a perspectiva dela chegar ao Brasil com a devida urgência, pela má vontade e negligência do presidente da República, caiu em campo para indicar produtos farmacêuticos que pudessem salvar os maranhenses  da terrível enfermidade, que de modo galopante matava ou deixava a população em estado de absoluta fragilidade física.

Como se fosse uma panaceia e estimulado por Jair Bolsonaro, os laboratórios que produziam remédios rotulados de cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina e invermectina foram rapidamente colocados no mercado e divulgados de boca a boca como salvadores da pátria, fato comprovadamente irreal, mas vendidos às pencas e consumidos em larga escala pelos até então incautos.

Eu confesso que desesperado e com medo de ser atacado pela doença, cometi o desatino de comprar todos aqueles produtos farmacêuticos, considerados infalíveis para a proteção do vírus, mas não tive a coragem de ingerir nenhum deles.

Um amigo, convenceu-me a comprar a invermectina, como se o remédio fosse devidamente eficaz para enfrentar o coronavirus.

Comprei o produto, mas nunca o consumi. Continua na caixa e lacrado, sobretudo ao saber que o meu amigo, de tanto tomar a invermectina, chegou a ser fortemente atacado pela covirus-19, mas, felizmente, depois de longos dias de luta tenaz contra a doença, ficar livre dela.

DUELO DE TITÃS

Nesse duelo de titãs entre Jair Bolsonaro e Flávio Dino, quem tem levado vantagem é o governador maranhense, pois enquanto o chefe da Nação, na tentativa de ofendê-lo política e pessoalmente, usa o deboche, como aconteceu recentemente em Açailândia, chamando-o maliciosamente de “ditador gordinho”, este, dotado de acentuada cultura jurídica, recorre aos meios legais, para deixá-lo exposto ao julgamento do Poder Judiciário e à execração pública.

PARA RIR OU CHORAR

Do alto de sua sabedoria, o presidente da República, recentemente pronunciou uma frase que eu não sei se é para rir ou chorar: -Eu sou imorrível, imbroxável e incomível.                            

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MORAR NO CENTRO DA CIDADE

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Um dos programas do Governo Flávio Dino que aplaudo com entusiasmo é o Nosso Centro, que estimula a criação de novos equipamentos sociais na área histórica de São Luís, com a reforma de prédios antigos e desativados, de modo a atrair novos moradores para um espaço que no passado foi o mais valorizado da cidade, mas a partir de tempos mais recentes, sobretudo após a inauguração da Ponte José Sarney, a população se deixou atrair para áreas mais novas e nobres.

Dentro do Programa Nosso Centro, para revitalizá-lo economicamente e preservá-lo histórica e culturalmente, insere-se o projeto Adote um Casarão, que disponibiliza imóveis pertencentes ao Governo do Estado, que estejam subutilizados ou vazios.

A minha empolgação com o programa do atual governo, deve-se ao fato de ser um privilegiado, pois na minha mocidade sempre residi no chamado perímetro urbano de São Luís, onde a população encontrava o que precisava para trabalhar e sobreviver.

Era nessa área da urbe ludovicense que quase toda a população da capital maranhense morava, alojada em sobrados, portas-janelas, meias e moradas inteiras, conforme as posses ou a renda familiar, bem como pontificavam as sedes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, os principais templos religiosos, os colégios públicos e privados, as casas de diversão e as destinadas às atividades artísticas, recreativas, esportivas e empresariais, fossem comerciais ou industriais, sem esquecer da renomada zona do meretrício.

Lembro ainda e com profunda emoção de quando troquei a minha terra natal por São Luís, pois em Itapecuru os estudos só chegavam até o curso primário, sendo internado em 1950 no Colégio dos Irmãos Maristas, inaugurado recentemente na Rua Osvaldo Cruz.

Depois de um ano de internato, a partir de 1951 comecei o meu périplo nesta cidade, morando em diversas casas e localizadas em ruas diferentes. Comecei na Rua dos Afogados, 220, nas proximidades da Praça João de Lisboa, onde, com a idade de 13 anos, fugia do controle de meus hospedeiros, para ver a multidão enfurecida pelos políticos oposicionistas, que, das sacadas da casa de Dona Maria Machado, falavam dia e noite contra a posse do governador Eugênio Barros.   

Em 1952, em companhia de meu irmão, Raimundo, que veio também estudar em São Luís, fomos morar numa casa localizada na Rua da Viração ou Carvalho Branco, onde ficamos dois anos, após o que nos transferimos para a Rua Pespontão, de propriedade do comerciante de Itapecuru, Wady Fiquene, que havia trazido os filhos para estudar em São Luís.

Da Rua Pespontão, nos mudamos para uma casa alugada por meu pai na Rua de Santana, para abrigar todos os filhos, que também passaram a estudar em São Luís. Depois de alguns anos naquela rua, os meus avós paternos compraram uma morada inteira, na Rua Misericórdia, 61, onde toda a família se instalou até que cada um se formasse, casasse ou se mudasse para outra cidade.

Eu, por exemplo, quando casei com Solange, em novembro de 1967, continuei a residir no centro da cidade. Primeiro, na Rua Godofredo Viana, depois na Avenida Magalhães de Almeida, de onde migrei para uma casa financiada pela Caixa Econômica Federal, na Avenida Santos Dumont, no Anil.            

Como passei os melhores anos da minha vida morando no centro da capital maranhense, sinto vontade de retornar àqueles tempos inolvidáveis em que a gente era feliz e não sabia.

Eu só não cometo esse audacioso gesto de morar numa casa ampla e confortável no centro da cidade por dois motivos. Primeiro, pela falta de segurança, sobretudo à noite, ocasião em que os marginais mais agem. Segundo, pela ausência de garagem nos imóveis construídos no passado, na sua totalidade sem espaços destinados à guarda de automóveis, privilégio usufruído apenas pelos dotados de posses, que os importavam do exterior, geralmente dos Estados Unidos, porque a indústria automobilística nacional só começa a produzir veículos motorizados a partir dos anos 1960, no governo do presidente Juscelino Kubitschek.

Retornar ao centro da cidade, na minha opinião, significa reencontrar um passado glorioso, que ficou anos estagnado e mutilado pela inércia dos governos estaduais e municipais, quando não pela voracidade da especulação imobiliária.

O projeto do governador Flávio Dino, mirado na recuperação do Centro Histórico, mesmo com os problemas da segurança e das garagens, não se afasta do meu pensamento e, quem sabe, não retornarei àquele espaço urbano para passar os meus últimos anos de vida. Mas essa decisão depende de Solange, que tenho absoluta certeza de que a recusará.

A FÓRMULA TRUMP

O presidente Jair Bolsonaro é o maior admirador e seguidor do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Como Trump sabia que não seria bem-sucedido nas eleições presidenciais americanas, prematuramente, passou a atribuir fraudes à prevista e esmagadora derrota nas urnas.  

Com base nessa megalomania de Trump, Bolsonaro, já antevendo um possível insucesso nas eleições de 2022, começou também a defender fervorosamente mudança no processo eleitoral brasileiro, até agora, o mais limpo e o mais correto que já tivemos.

A FÓRMULA DINO

Pelo que informam os meios de comunicação, quase todos os partidos políticos, bem como os deputados federais, estaduais e prefeitos do Maranhão, já estão comprometidos no apoio às candidaturas de Weverton Rocha ou de Josimar do Maranhãozinho.

Diante desse quadro tenebroso, eu queria saber ou adivinhar a fórmula que usará o governador Flávio Dino para reverter essa situação política e fazer o seu candidato, o vice, Carlos Brandão, vencer as eleições de 2022.  

FLÁVIO CONTRA BOLSONARO

Não foram poucas as vezes que o governador Flávio Dino bateu às portas do Supremo Tribunal Federal, para se contrapor as ações danosas e propostas mirabolantes pelo presidente Jair Bolsonaro ao país.

Salvo melhor juízo, o governador maranhense não perdeu nenhuma ação, inclusive a impetrada recentemente, obrigando o Governo Federal realizar o Censo Demográfico, que deveria ser realizado em 2020, mas só acontecerá em 2022.

NÓS E COVID

Perguntei a um infectologista maranhense e meu amigo por quanto tempo seremos dependentes da vacina contra o Covid.

Resposta: – Pelo resto de nossas vidas.

UTI DO AR

Um amigo meu estava com um filho internado num dos hospitais de São Luís e infectado pelo Covid-19.

Como o jovem não melhorava e o pai tinha condições financeiras de mandá-lo para São Paulo, contratou um táxi aéreo, comumente chamado de Uti do Ar.

Custo da viagem São Luís-São Paulo, com acompanhamento médico e enfermeiro: R$ 150.000, 00.

Valeu a pena a providência paterna, pois depois de dez dias de internado num hospital paulista, o jovem já retornou são e salvo.

CIDADÃOS CLASSIFICADOS

Do escritor José Murilo de Carvalho: – No Brasil, há cidadãos de primeira, segunda e terceira classe. Os de primeira classe são os que passam por cima da lei e invariavelmente nada acontecem. Os de segunda classe, estão submetidos tanto aos rigores como os benefícios da lei. Os de terceira classe não têm direitos protegidos, porque não conseguem acesso à Justiça.

LIVRARIA FECHADA

Quando morei no Rio de Janeiro, no começo dos anos sessenta, uma das livrarias que mais frequentava era a São José, localizada no centro.

Depois de 85 anos de relevantes serviços prestados à cultura, a Livraria São José fechou as portas, deixando o Rio de Janeiro mais pobre.             

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O PADRE DA BATINA PRETA

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Numa manhã ensolarada e calorenta de novembro de 2015, eu deixava o prédio da Academia Maranhense de Letras em direção à Praça João Lisboa, quando avistei nas proximidades do prédio dos Correios a figura de um jovem sacerdote católico, de estatura mediana e meio pesado fisicamente, rigorosamente vestido com uma batina de cor preta, modelo que os representantes da Santa Madre Igreja usavam num passado recente.

De imediato a cena transportou-me para o tempo de criança em Itapecuru e de jovem em São Luís, quando aquela vestimenta era peça obrigatória aos que ingressavam nos seminários, para se tornaram mensageiros da Santa Madre Igreja e o catolicismo predominava de ponta a ponta no Brasil, sem a presença e a concorrência de seitas evangélicas e outras religiões nada aconselháveis.

Ainda que a Igreja Católica Apostólica Romana, tivesse abolido a batina a partir do Vaticano II,  realizado em 1962, no papado de João XXIII, o jovem sacerdote João Dias Rezende Filho, desde que se ordenou, adotou e manteve-se fiel aos preceitos que fizeram do catolicismo a religião predominante, dentre os quais o de adotar no cotidiano, dentro e fora de seu habitat religioso, a batina preta, peça do vestuário clerical, que, no passado, a Santa Madre Igreja impôs aos mensageiros de seu apostolado, para assim se diferenciarem de seu rebanho e  se imporem na sociedade como figuras religiosas conceituadas e respeitadas.

Daquela maneira a minha geração e os meus antepassados se acostumaram a ver os que se entregaram aos ofícios religiosos do catolicismo e à pregação dos postulados cristãos, personificados nas figuras humanas dos padres, os quais, com poucas e honrosas exceções, com base na orientação do Vaticano, passaram a se apresentar diante dos fiéis  sem batina e como pecadores comuns.    

Foi, portanto, por causa da batina preta, que me aproximei do padre João Resende e com ele firmei sólida amizade, na medida que o identificava como um fiel e devotado representante de Cristo e dotado de invejável cultura religiosa e literária.

Por conta dessa postura do sacerdote, ainda que o Estatuto da AML fosse omisso no assunto, tomei a decisão de como presidente da Casa de Antônio Lobo, apresentar na sessão de 11 de agosto de 2016, uma Resolução que o nomeava capelão da AML, função que aceitou com alegria e honra, depois de receber o nada consta do bispo, Dom Belisário.

No exercício de capelão, o padre João Resende participava esporadicamente de nossas reuniões, fato que revelava o desejo de ingressar na instituição, tanto que poucos dias antes de seu infortúnio, endereçou-me o seguinte zap: “ Meu bom amigo Buzar, ao se abrirem as portas da AML, no tempo oportuno, certamente, é sinal de que muito antes o seu coração, há muito aberto, e de tantos outros amigos, se abrirão para mim. Obrigado pela sua amizade.”

Essa amizade manifestada pelo jovem e culto sacerdote era realmente tão sólida e sincera que quando eu e Solange completamos cinquenta anos de casados e felizes (18 de novembro de 2017), foi ele o celebrante da cerimônia religiosa.

PERTO DE FÁVIO

Comenta-se nos corredores do Palácio dos Leões que José Reinaldo Tavares poderá brevemente voltar a sentar praça naquele prédio.

Isso se dará quando o sobrinho Marcelo Tavares deixar a Casa Civil e for nomeado para o Conselho de Contas do Estado.

A presença de Zé Reinaldo nos Leões é para ficar mais perto do governador e possa melhor assessorá-lo politicamente, com vistas às eleições de Flávio Dino a senador e a de Carlos Brandão ao comando do Poder Executivo do Estado.

MINERADORA DE OURO

Por muito pouco, recentemente, ato semelhante ao acontecido na cidade mineira de Mariana, com o rompimento de uma barragem, não se repetia no povoado Auriza, município de Godofredo Viana, onde uma barragem de mineração de ouro ameaçou romper.

Eu, que me considero um cara bem informado, só agora vim a saber que no interior do Maranhão, uma empresa canadense explorava esse tipo de negócio.  

HOMENAGEM A CABRAL

A filha Carminha Cabral e o cunhado Nelson Almada Lima, de José Maria Cabral Marques, trabalham juntos num projeto para homenageá-lo e perpetuar a memória do saudoso professor, advogado e ocupante de cargos importantes na administração pública do Maranhão e do Amazonas.

Um farto material está sendo recolhido por Carminha e Nelson, com vistas a retratar a rica e preciosa vida de Cabral Marques em livro e vídeo.

O FUTURO DE ROBERTO ROCHA

Com os olhos nas eleições de 2022, a prioridade um do senador Roberto Rocha era concorrer ao Governo do Estado, para o qual esperava o apoio do presidente Bolsonaro, mas já viu que não tem nenhuma chance, pois a disputa à sucessão de Flávio Dino se dará entre Carlos Brandão e, com perdão da má palavra, Weverton Rocha.  

A segunda opção de Rocha, é se reeleger ao Senado, o que também não tem qualquer possibilidade de ser bem sucedido, pois essa vaga já tem dono e chama-se Flávio Dino.   

Resta a Roberto Rocha, se quiser continuar na política, ser candidato à Câmara de Deputados.

BASA E TJ

Brevemente, a agência do Banco da Amazônia, localizado na Avenida Pedro II, vai fechar as portas.

Motivo: foram coroadas de êxitos as negociações entre a diretoria do BASA e o presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão, desembargador Lourival Serejo.

O TJ adquiriu o imóvel para ali instalar a sua imensa estrutura de informática.

SAUDADE DE SIMONE

Mais uma grande amiga acabo de perder: Simone Macieira, que conhecia de tempos remotos.

Mulher corajosa, inteligente e politicamente consciente de seu papel na sociedade maranhense, razão porque se elegeu vereadora à Câmara Municipal de São Luís, onde cumpriu o mandato de 1989 a 1992, com integridade moral e liberdade de opinião.

Casou com o meu grande amigo Roberto Macieira, com o qual viveu até o coração roubá-lo de nosso convívio.       

COITADA DA MINHA GERAÇÃO

O saudoso e brilhante jornalista Joel Silveira, deixou para a posteridade uma frase que vou rigorosamente segui-la: – A morte está ceifando a minha geração. Vou mudar o penteado para ver se ela não me reconhece.

Legenda da foto: O padre João Resende celebrando as Bodas de Ouro minha e de Solange.          

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O MARTELO E O NAÚFRAGIO DO TITANIC

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Às 23h40 de 14 de abril de 1912, portanto, há 109 anos, o Titanic, à época, o maior, o mais seguro e o mais luxuoso navio construído pelo homem, bateu num iceberg. Duas horas e quarenta minutos depois, repousava para sempre no fundo do Atlântico Norte, matando 1.523 pessoas.

Em São Luís, dentre os jornais que comentaram o sinistro evento, destaque para “O Martello”, jornal de formato médio, usado como “Propaganda da Pharmacia Marques”, publicado mensalmente e de distribuição gratuita.

A 16 de maio de 1912, dezesseis dias depois do fatídico desastre marítimo, “O Martello” anunciava em sua primeira página, “O naufrágio do Titanic”, assunto que abalou o mundo inteiro e divulgado nesta cidade de maneira peculiar por um jornal que chegava à opinião pública sem qualquer custo, razão pela qual era bastante lido.

Para o leitor saber como o ato e o fato aconteceram, no começo do século XX, cuja repercussão trágica abalou a humanidade e teve a sua odisseia levada para o cinema*, transcrevo ipsis litteris a infausta notícia veiculada no jornal do saudoso farmacêutico Augusto César Marques.

“Seria demasiada pretensão descrever o que foi esse pavoroso naufrágio ocorrido na noite de 14 de abril nos bancos de gelo da “Terra Nova” no Canadá.

“Todos os jornais do mundo já fizeram com as mais vivas e negras cores. Tocamos somente nesse facto para termos o ensejo de nos associar à dor por que passaram todos aquelles que perderam na catastrothe os seus entes queridos.

“De nada serviu a enormidade do navio construído pelo homem diante da monstruosidade do banco de gelo gerado pela natureza e da impiedade do frio próprio da região.

“Deixemos de lado esse quadro lúgubre, que já pertence ao passado e procuremos no presente agir de modo a evitar que no futuro se reproduzam essas horrorosas desgraças.

“É o que está fazendo o Senado dos Estados Unidos, que em sua sessão de 21 de abril( 5 dias depois da catastrophe) que aprovou um projecto que manda elaborar um regulamento mais completo da navegação marítima e designou uma comissão de inquérito para se entender com os diretores da companhia proprietária do Titanic.

“Isso é que é paiz!!

“Nessa república a politicagem não impede que o Poder Legislativo, 5 dias após um desastre já esteja providenciando para evitar a sua reprodução, chamando a si até atribuições que mais permitiam à polícia.

“É por essas e outras razões que nós apreciamos muito a orientação dos norte-americanos e que damos o maior valor à medalha de prata com que nos premiaram na Exposição de Saint Louis, os Preparativos Marques do saudoso chefe o velho pharmaceutico Augusto Cesar Marques.”

*Em tempo: Titanic, um filme épico, de romance e drama, produzido nos Estados Unidos por James Cameron, estrelado por Leonardo DiCaprio, Kate Winset, Glória Stuart e dirigido por Jerry Jameson.

BARBAS DE MOLHO

O deputado estadual, Othelino Neto, presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deve o quanto antes botar as barbas de molho.

O parlamentar pode ser destituído do cargo para o qual se elegeu, caso o Supremo Tribunal Federal mantenha a coerência com o entendimento estabelecido na Carta Magna que proíbe a recondução na mesma legislatura.

Ação do Procurador-geral da República, Augusto Aras, pede a imediata destituição de todos por ferirem o preceito constitucional.

 A IRONIA DE ELIZIANE

A senadora Eliziane Gama, que vem se destacando no Senado da República, pelos projetos, discursos, apartes e intervenções, ironizou com bastante propriedade o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que se recusou comparecer à Comissão Parlamentar de Inquérito.

Disse ela em alto e bom som no plenário do Senado:- Ele entra sem máscara no shopping em Manaus e não pode marcar presença na CPI?            

NO CONSELHO DA VALE

O competente economista maranhense, Roberto Castello Branco, demitido recentemente da presidência da Petrobras, pelo presidente Bolsonaro, foi eleito para ocupar um cargo tão importante quanto o anterior.

Ele agora integra o Conselho da Mineradora Vale.

CUIDADO COM A PANDEMIA

A epidemia da coronavírus começa a dar sinais de desaceleração, fato bem-vindo, pois novos casos deixaram de aparecer.

Mas, segundo os cientistas, a pandemia, se a população não se vacinar e tomar os cuidados com a doença, ela poderá chegar por meio de ondas que vão e voltam.

Por isso, advertem os infectologistas, não se deve relaxar nas medidas de precaução.   

CHICO E GIL

Nos meios culturais do Rio de Janeiro, aflorou um movimento com vistas ao lançamento da candidatura de dois monstros sagrados da música popular brasileira para a Academia Brasileira de Letras.

Gilberto Gil e Chico Buarque, ambos letristas de excelente nível intelectual.

Quando Jomar Moraes, presidia a Academia Maranhense de Letras, convidou o compositor conterrâneo Chico Maranhão para se candidatar, com a garantia de elegê-lo, membro da Casa de Antônio Lobo. Convite recusado.

QUEM É?

Uma pergunta que não quer calar: existe ministro da Educação no Brasil?

Se existe, quero saber o nome dele e o que anda fazendo para melhorar o ensino no país.

FESTAS JUNINAS

O mês de junho, para muita gente, é o melhor do Maranhão, porque nele se realiza a maior festa popular de nossa terra: o São João

 No ano passado, as festas juninas não se realizaram por causa da pandemia.

Junho está chegando e até agora não se sabe se novamente as brincadeiras em homenagem a São João e São Pedro vão ser comemoradas e festejadas por boeiros e adeptos.

Pelo andar da boiada, provavelmente, as festas juninas serão mais uma vez canceladas. 

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A MEDICINA PRATICADA EM SÃO PAULO

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Até antes da década de 1970, os maranhenses quando adoeciam gravemente ou ficavam em situação delicada nos hospitais de São Luís, não titubeavam em viajar para o Rio de Janeiro, que por ser a capital do país, era servida pela melhor rede hospitalar, com médicos preparados para o atendimento de pacientes em condições precárias de saúde e/ou acometidos de enfermidades complicadas e necessitados de  cirurgias urgentes e de porte.

 Naquela época, os doentes se deslocavam para o Rio de Janeiro, não porque São Luís carecesse de hospitais e de competentes médicos. O problema, quase sempre residia na falta de equipamentos cirúrgicos avançados e mais eficazes do ponto de vista tecnológico, para permitir aos médicos maranhenses serem bem sucedidos em suas atividades profissionais.

Quando isso acontecia, os próprios médicos se encarregavam de recomendar aos pacientes a busca de centros mais adiantados, nos quais, provavelmente, obteriam resultados mais satisfatórios nos tratamentos clínicos ou cirúrgicos.

Em São Luís, a Santa Casa de Misericórdia, os Hospitais Português e Tarquínio Lopes (Geral), bem como o Centro Médico Maranhense, mesmo sem  disporem de relevante estrutura tecnológica, ofereciam condições para que os competentes cirurgiões, Carlos Macieira, Raimundo  Matos Serrão, José Henrique Moreira Lima, Benedito Murad, Zilo Pires, Antônio Dino, Santos Neto, Antônio Hadad, Benedito Penha, Geraldo Melo e outros, apresentassem desempenhos positivos em procedimentos melindrosos e nada corriqueiros.

 Do mesmo jeito, agiam e trabalhavam os abnegados clínicos, Djalma Marques, Amaral de Matos, José Murad, Clementino Moura, Bacelar Portela, Pedro Neiva, William Moreira Lima, Crisanto Azevedo, Alfredo Duailibe, Ivaldo Perdigão Freire, Fernando Viana, Nunes Freire, Salomão Fiquene, Orlando Araújo, Clovis Chaves, Lourival e Paulo Bogéa, João Maranhão Ayres, Joaquim Meneses, Nilson Oliveira e outros,  numa época em que os profissionais da medicina atendiam os pacientes a domicílio ou em consultórios modestos, situados geralmente no centro da cidade.         

Esta situação começa a se modificar quando o Rio de Janeiro, por não ser mais a capital da República, perde para São Paulo a hegemonia que detinha em quase todos os setores da vida brasileira, ressaltando-se a parte hospitalar e médica.

Pelos investimentos realizados nas áreas pública e privada, a economia paulista deu um salto quantitativo e qualitativo, transformando-se no motor da sociedade brasileira e impondo-se como o maior polo industrial e científico do País, fato que determina a implantação de uma rede hospitalar de primeiro mundo e dotada de notáveis equipes formadas por cirurgiões renomados e clínicos conceituados, à altura de atenderem pacientes vindos de qualquer parte do Brasil e portadores de doenças graves e desafiadoras.

Tendo como carros-chefes os Hospitais Sírio-Libanês, Albert Einstein, Do Alemão, Do Coração, das Clínicas, Nove de Julho, Beneficência Portuguesa, ACCamargo, São Paulo armou-se de uma estrutura médica e hospitalar sem igual no País, com capacidade para o tratamento de enfermidades complicadas e salvação de vidas.

De uns tempos para cá, felizmente, com a introdução nos principais hospitais de São Luís de equipamentos modernos e avançados, bem como de investimentos relevantes, já não se pode mais dizer como antigamente aquela frase maldita e constrangedora, de que os nossos melhores hospitais eram os “aviões de carreira”.

Em tempo: para concorrer com os Hospitais Sírio-Libanês e Albert Einsten, que ocupam a pole-position na medicina brasileira, São Paulo ganhou recentemente um novo e modelar estabelecimento hospitalar: o Vila Nova Star, da Rede D’Or, contratando reputados profissionais no mercado, que prestavam serviços a hospitais já consagrados.

Por falar em Rede D’Or, São Luís contará brevemente com um novo e moderno hospital, contíguo à área onde se encontra instalada a UDI.  

MORADORES DO PUNTA DEL LESTE

Seis meses depois do incêndio, que devorou quatro apartamentos e abalou profundamente toda estrutura do prédio, os moradores do Edifício Punta Del Leste, no Calhau, receberam o sinal verde para retornarem ao prédio sinistrado.

O Punta Del Leste, para poder ser novamente ocupado, sofreu ampla reforma, ao longo da qual os moradores passaram por problemas e sacrifícios.

SEIS CANDIDATOS À AML

 O presidente da Academia Maranhense de Letras, Carlos Gaspar, deve marcar esta semana a eleição para a Cadeira nº 02, vaga com a morte do escritor Waldemiro Viana.

Inscreveram-se seis candidatos: Roque Macatrão, Fernando Braga, Mauro Rego, Teodoro Pires Neto, Raimundo Pinheiro Pires e José Eulálio Figueiredo, todos habilitados a fazer parte da AML, segundo o parecer dos acadêmicos Benedito Buzar, Felix Alberto Lima e Ceres Costa Fernandes.

Até agora há uma imprevisibilidade quanto ao resultado da eleição.

ALEMÃO E ROBERTO CARLOS

Ao comemorar, sem pompas e festas, os oitenta anos de vida, o cantor Roberto Carlos recebeu merecidamente homenagens pela sua biografia e do vasto e refinado repertório musical construído ao longo do tempo.

Por falar no Rei, é bom lembrar que ele veio pela primeira vez em São Luís, no auge da carreira, nos anos oitenta, contratado por Cláudio Vaz dos Santos (Alemão), para uma apresentação no Estádio Santa Izabel.

RISOS PARA BOLSONARO

Aconteceu no Parlamento Francês, dias atrás. No momento em que o premiê Jean Castex discursava sobre a pandemia, disse que o Brasil recomendava a cloroquina para combater a Covid-19.

Foi o bastante para o plenário explodir numa estrondosa e vergonhosa gargalhada.    

PRESIDENTE DO TJ

Sem medo de errar, afirmo que o atual presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão, desembargador Lourival Serejo, quando terminar o seu mandato, no ano vindouro, deverá ser reconhecido publicamente como um dos mais eficientes chefes do Poder Judiciário.

O trabalho de Serejo, ainda que silencioso por causa da pandemia, não se limita apenas ao aspecto físico e material, para melhorar o funcionamento do TJ, ele, como intelectual, cuida também e entusiasmado, da parte cultural e histórica da instituição que completou mais de duzentos anos de presença ativa na vida maranhense.

LUTA DE FOICE NO ESCURO

A cada dia, aumenta a luta verbal e jurídica entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador Flávio Dino.

Se o governador maranhense ataca o chefe da Nação por meio jurídico, Bolsonaro não o perdoa e   se reporta a ele de modo verborrágico.             

 Nessa luta de foice no escuro, o Chefe do Executivo do Maranhão tem levado nítida vantagem sobre o boquirroto presidente, que, esta semana, foi novamente derrotado no Supremo Tribunal Federal, por uma ação que manda Bolsonaro realizar o Censo Demográfico de 2020.     

 A DEMISSÃO DO MARANHENSE

O único maranhense que fazia parte do Governo Bolsonaro era Roberto Castelo Branco, que presidiu a Petrobras não por influência política, mas pela reconhecida competência de técnico e economista.

Roberto nasceu em São Luís, filho do ex-juiz da Justiça Militar no Maranhão, José Castelo Branco e de Maria Cunha, filha do Dr. Josias Cunha. Era primo de Leônidas Caldas.

Roberto é Phd em economia e com pós-doutorado na Universidade de Chicago.  Foi demitido porque Bolsonaro não admite gente competente no seu governo.

DECLARAÇÕES INFELIZES

Saiu um livro imperdível, intitulado Bozo Presidente, com a seleção das piores e infelizes declarações do atual Chefe da Nação, dentre as quais estas: “Daqueles governadores de Paraíba, o pior é o do Maranhão”; “A Constituição sou eu”.   

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O LADO FOLCLÓRICO DE SARNEY

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Dos cinco livros em homenagem aos 90 anos de José Sarney, transcorridos no ano passado, não lançados e pouco divulgados por causa da pandemia do coronavírus, vanglorio-me de tê-los todos, oferecidos e autografados pelo notável o homem público brasileiro, que só é idoso do ponto de vista cronológico, pois quanto à lucidez política e da arte de bem escrever, continua como nos bons tempos.

Os que tiveram o privilégio de escrever textos sobre José Sarney, sob a ótica familiar, literária e política, foram felizes em suas abordagens e apreciações a respeito da mais ilustre e importante figura humana que o Maranhão deu ao Brasil no século XX.

Mas de tudo que li sobre José Sarney nos livros em sua homenagem, parece-me que um aspecto saliente da sua personalidade, não foi lembrado pelos que se debruçaram sobre a longa e rica vida privada e pública desse maranhense.

Trata-se do lado pitoresco da política e do aspecto humorístico dos políticos, que ele, com verve e versatilidade, deixou registrado em páginas jornalísticas e fazem parte do folclore político brasileiro, que o jornalista do quilate de Sebastião Nery, correu atrás, publicou em formato de livro e ganhou muito dinheiro.

O jornalista que vos escreve, em 1989, portanto, há 32 anos, por conta de um farto material folclórico produzido pelos nossos homens públicos, publiquei um livro intitulado “Politiqueiros, Politicalha, Politiquice, Politicagem e Política do Maranhão”, que alcançou estrondoso sucesso, motivo pelo qual preparo para reeditá-lo, ainda este ano, com mais matéria do ponto de vista folclórico e melhor apresentação.  

Políticos do quilate de José Sarney, Vitorino Freire, Líster Caldas, Baima Serra, Ivar Saldanha, Pedro Neiva de Santana, Epitácio Cafeteira, José Burnett e tantos outros, desfilam no livro como atores de uma fase em que o combate na vida pública era viril, mas não deixava de ser também protagonizado com boa dose de humor.

Em homenagem a José Sarney, pelos seus noventa e um anos que hoje completa, reproduzo neste pedaço de página, alguns atos e episódios que tiveram a sua participação e que o tempo se encarregou de propagar como coisas que o povo sabe por boca de um contar para o outro.

O ITAQUI E DUQUE DE CAXIAS

O ministro dos Transportes, Mário Andreazza, em São Luís participou de reunião técnica com o governador José Sarney, com vistas à construção do Porto do Itaqui.

Para acabar com a falácia de não haver estudos de viabilidade do porto, Sarney convenceu o Ministro dos Transportes com este argumento: – Ministro, desde os meados do século XIX, quando Duque de Caxias governou o Maranhão, por ocasião da Balaiada, legou aos maranhenses um estudo de viabilidade do Porto do Itaqui.

Sem pestanejar, Mário Andreazza autorizou a construção do porto no Maranhão com o seguinte despacho: – Quem sou eu para duvidar da palavra do governador Sarney e do estudo do Duque de Caxias.

RECLAMAÇÃO DE MAROCA

Respeitosamente, Sarney recebeu em audiência no Palácio dos Leões, Maroca, a mais famosa e importante dona de pensão da Zona do Meretrício de São Luís.

Maroca foi reclamar ao governador dos prejuízos que enfrentava por causa da criação do Maranhão Novo, após o que Colégio Rosa Castro passou a funcionar à noite e com o qual ela não tinha condições de concorrer.

CARTÕES VERMELHO E VERDE

Na eleição de 1978, Epitácio Cafeteira, candidato a deputado federal, apresentava nos comícios em São Luís, um cartão vermelho para o povo não votar nos candidatos apoiados por Sarney.

 No primeiro comício que participou em São Luís, Sarney contraditou Cafeteira com um cartão verde na mão e proclamou: – No Maranhão, não precisamos de cartão vermelho, que é do ódio e da mentira, mas de cartões verdes e brancos, que representam a esperança e a paz.

VELHICE PRECOCE

Quando Sarney completou 50 anos, em Pinheiro, sua cidade natal, a prefeitura organizou uma programação festiva para comemorar o evento.

O ponto alto da solenidade foi a inauguração de um busto do aniversariante, na principal praça da cidade.

Ao ver o busto, no qual parecia ser um longevo, comentou com a esposa Marly: – Daqui a cinquenta anos volto a Pinheiro para reinaugurar este busto no meu centenário de vida.

MORTO-VIVO

Na sua sucessão ao governo do Maranhão, o candidato escolhido por Sarney, o professor Pedro Neiva de Santana, ocupou o cargo de secretário da Fazenda.

Pela vida correta e ilibada, o professor não sofreu nenhuma restrição do regime militar. Para tranquilizá-lo quanto à eleição, Sarney deu este conselho ao professor: – Para ser governador, o senhor só precisa fingir que está morto.

MURO DAS LAMENTAÇÕES

Quando surgiram os primeiros desentendimentos entre o governador João Castelo e o seu assessor de Imprensa, Edson Vidigal, este, procurou o senador José Sarney para fazer as suas queixas.

Antes de Vidigal reclamar do tratamento do Chefe do Executivo do Estado, Sarney comentou: – Vidigal, pode falar à vontade, pois no governo do Castelo só desejo ser o muro das lamentações.

GUERRA AOS PINGUINS

José Sarney é conhecido nacionalmente como um supersticioso. No primeiro dia que pisou no Palácio dos Leões, chamou o coronel Eurípedes Bezerra, chefe da Casa Militar, e ordenou: – Coronel, convoque a guarda palaciana e expurgue todos os pinguins de porcelana aqui encontrados. 

RABO DE SAIA

Na tumultuada sucessão do governador Pedro Neiva, o senador Sarney conversava com o ex-deputado Líster Caldas, em Brasília, mas o papo não evoluía por causa da presença do padre Manoel Oliveira, à época, prefeito de São Domingos.

 Como a conversa era sigilosa, Sarney sabendo que o vigário era um fanático mulherengo, disse-lhe: – Padre, enquanto eu falo com Líster, veja se consegue alguma mulher dando sopa nos corredores do Congresso.

RATOS ESTRANGEIROS

Quando assumiu o governo do Estado, José Sarney passou uns tempos, com a família, residindo na casa do sogro, o médico Carlos Macieira, enquanto o Palácio dos Leões sofria uma reforma, que visava principalmente acabar com ratos (quadrúpedes) que habitavam o Palácio.

Eram tantos e de todos os tamanhos que o governador chegou a catalogá-los e identificá-los. Os maiores eram holandeses; os médios, portugueses e os menores, franceses.

EVACUAÇÃO NO MATO

Na campanha para governar o Maranhão, o candidato José Sarney viajava em companhia de Wilson Neiva, mas, em plena estrada sentiu vontade de defecar.

Para não sofrer vexame, invadiu mato e fez o serviço. Sem papel de qualquer natureza, limpou-se com as folhas do matagal.

Antes de prosseguir a viagem, comentou com Wilson Neiva: – Eu daria tudo para ver o Renato Archer vivendo a situação pela qual passei agora.         

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