AS VACINAÇÕES DE 1904 E 2021

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No Brasil, em dois momentos da sua história, a vacinação da população gerou problemas sociais e políticos de gravidade.

Mesmo ocorrendo em épocas históricas distintas, um problema de saúde pública mostrou como o povo e o poder, no passado e no presente, agiram e se comportaram de modo visivelmente diferenciados.

Em 1904, o Brasil era governado pelo presidente Rodrigues Alves. Em 2021, está sob o comando do presidente Jair Bolsonaro. Entre os dois governos, passaram-se 117 anos. Em que pese a distância cronológica e o posicionamento eloquente dos dirigentes da nação, a vacinação gerou problemas na sociedade e repercussões na cena política.  

Em 1904, Rodrigues Alves providenciou uma vacina para debelar a varíola e proteger a saúde dos mais necessitados e vulneráveis, mas a população recusou-se a tomá-la.

Em 2021, o povo brasileiro queria se livrar do Covid-19, a monstruosa doença que vem causando gritante letalidade no mundo inteiro, mas irresponsavelmente o presidente Bolsonaro não se movimentou, como era sua obrigação institucional, para providenciar vacinas e livrar da morte milhares de brasileiros.  

A REVOLTA CONTRA A VACINA

Segundo o historiador Eduardo Bueno, no seu livro “Brasil Uma História” o estopim da violenta insurreição popular que eclodiu no Rio de Janeiro em novembro de 1904 foi a recusa de boa parte da população da cidade em aceitar o cumprimento da lei, aprovada pelo Congresso, que tornava obrigatória a vacina contra a varíola, lei inspirada no trabalho pessoal do jovem médico Oswaldo Cruz.

“Desconhecida no Brasil, a vacina – já testada com êxito em vários países da Europa – era encarada com desconfiança pelos brasileiros em geral e pelos cariocas em particular, por isso, tão logo as Brigadas Sanitárias passaram a entrar em todas as casas da cidade, acompanhadas por policiais, para vacinar os moradores à força, os adversários da medida começaram a chamá-las  de violadores de lares e túmulos da liberdade.

“Num comício contra a vacina, no dia 10 de novembro, um orador foi preso e a multidão partiu para o confronto com os policiais. A revolta espalhou-se como um rastilho de pólvora e os revoltosos dominaram o centro da cidade, incendiando bondes e depredando e saqueando estabelecimentos comerciais.

“No dia 14 de novembro, uma das principais – e talvez a mais reveladora – das várias faces da rebelião começou a se desvendar: a Escola Militar da Praia Vermelha decidiu unir-se ao povo e aderir ao levante. Ficou evidente que a vacina foi um pretexto para a eclosão de um movimento político-social, provocado pelas classes menos favorecidas contra a carestia, a inflação, o achatamento salarial, o aumento abusivo dos alugueis e a remodelação do centro do Rio de Janeiro, realizado pelo prefeito Pereira Passos.

2021: A LUTA PELA VACINA

 No Brasil, desde o ano de 2020, a população vem sendo atacada pelo Corona Vírus, que já matou mais de 200 mil almas. A despeito dos esforços dos profissionais de saúde, que heroicamente tentaram salvar os infectados, mas em vão, por culpa total do governo federal que não cuidou da doença com capacidade e seriedade, sendo tratada pelo presidente Bolsonaro como uma “gripezinha”, no sentido de impedir a população de se vacinar.

Desde que a maldita doença chegou ao Brasil, o chefe da Nação, com relação ao enfrentamento da pandemia, só agiu no sentido de negligenciar sistematicamente a gravidade da doença; de fomentar aglomerações, de desdenhar e de descumprir medidas preventivas determinadas por autoridades sanitárias; de boicotar a produção e obtenção de vacinas; de desacreditar as vacinas produzidas pelos países com os quais não têm simpatia política e diplomática; de não envidar esforços financeiros e logísticos para assegurar o atendimento emergencial do enfermo; de contribuir por meio de ações e omissões para o adoecimento de milhões de brasileiros.

Por conta desse desleixo e dessa irresponsabilidade, o Brasil só perde para os Estados Unidos, no tocante à morte da população.

MARANHÃO E AMAZONAS

Houve um tempo em que o Maranhão era o campeão de notícias nada boas, face aos indicadores sociais vigentes em nossa terra.

Agora, com a pandemia e a presença da crise hospitalar, causada pela falta de leitos e oxigênio, o Amazonas tomou o nosso lugar.

O VÔMITO DE TRUMP

Comentário ferino do comediante americano Seth Meyers, sobre a saída de Donald Trump do governo dos Estados Unidos.

“É como se livrar do último convidado numa festa. Você passa horas bocejando e se espreguiçando, dando indiretas para o cara ir embora e quando ele finalmente vai, é um alívio, até que você se lembra de que precisa limpar o vômito dele. E ele vomitou por todo lado”.

SÃO LUÍS E BOLSONARO

Pesquisas realizadas nas capitais brasileiras, mostraram que em São Luís a avaliação da população contra o governo do presidente Jair Bolsonaro é marcadamente acentuada.

Na mais recente sondagem, a gestão de Bolsonaro, no que diz respeito à mediocridade, subiu de 46% para 57%.

CONSELHO DE ZÉ REINALDO

Se o vice-governador Carlos Brandão tivesse acatado o conselho do ex-governador José Reinaldo Tavares, não teria se metido nessa eleição da Famem.

Motivo: se ganhasse a eleição, ela não teria nenhuma repercussão na sua candidatura à sucessão de Flávio Dino.

Se perdesse, como aconteceu, o ônus da derrota seria desastroso para as suas futuras pretensões políticas.

TROCA DE PARTIDO

Amigos e correligionários políticos do ex-prefeito Edivaldo Holanda Junior não se cansam de zoar nos seus ouvidos, se ele quiser ser candidato nas eleições majoritárias de 2022.

Trocar o PDT pelo PTB é uma providência que se faz necessária e inadiável.  

VOTOS NO ESCURINHO

Os adeptos da candidatura do prefeito Fábio Gentil a presidente da Famem, acham que ele perdeu a eleição por causa dos votos no escurinho.

Esse tipo de voto, segundo o saudoso Tancredo Neves, é o praticado pelos traidores.   

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80 ANOS DE MAURO FECURY

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Na metade dos anos 1950, quando o Maranhão era governado por Eugênio Barros e a prefeitura de São Luís sob o comando do prefeito nomeado, Eduardo Viana Pereira, uma família acreana trocou a cidade de Rio Branco pela capital maranhense.

Trata-se do casal Antônio Fecury e Araripina Alencar, ele, descendente de libaneses, ela, nascida no Ceará, que se faziam acompanhar dos filhos Dirce, Miguel e Mauro, ainda menores de idade.

Em São Luís, Antônio Fecury, com a larga experiência de comerciante, instalou vários negócios, destacando-se a compra de uma farmácia, localizada no Largo do Carmo, que mudou o nome de Fiquene para Fecury, tornando-se uma das preferidas da cidade.

Paralelamente às atividades empresariais, Antônio e Araripina voltaram também as vistas para a educação dos filhos, matriculados nos melhores estabelecimentos educacionais da capital maranhense.

O ENGENHEIRO MAURO

Mauro, o mais novo, nascido a 13 de janeiro de 1941, estava prestes a concluir o curso secundário, quando os pais o mandaram para o Rio de Janeiro, estudar engenharia civil, curso concluído em 1964, na Universidade Federal.

Formado, retorna à capital maranhense, para trabalhar profissionalmente e casar com a namorada Ana Lúcia Chaves, com a qual teve quatro filhos: Clóves, Luciana, Ana Elizabeth e Marcos, que já deram um elenco de bons netos aos avós.

MAURO E A VIDA PÚBLICA

Ambicioso e astuto, depois de algumas iniciativas profissionais em São Luís, Mauro muda-se com a família para Brasília, onde as oportunidades para crescer como engenheiro eram bem mais amplas e promissoras, pois a capital da República pontificava como um canteiro de obras.

A princípio, dedica-se à iniciativa privada e ao setor da construção civil. Nos anos 1970, faz amizade com o senador José Sarney, que o aconselha, pelo seu espírito empreendedor, a trabalhar na vida pública, onde vários profissionais maranhenses prestavam serviços ao Governo de Brasília, pilotado por Elmo Serejo,  que convida Mauro, face às referências de Sarney, para presidir a Novacap, sobressaindo-se pela competência e honestidade.      

O INGRESSO NA POLÍTICA

Com a exemplar atuação na Novacap, Mauro mostra interesse em retornar ao Maranhão, e, novamente, por interferência de Sarney, é indicado para o cargo de prefeito de São Luís, nos governos  Luíz Rocha e João Castelo. A despeito das dificuldades financeiras, impõe-se como eficiente administrador, fato que o faz ingressar com entusiasmo na militância política, no exercício da qual se elege deputado estadual, deputado federal, deputado constituinte, suplente de senador e senador.

ASSESSOR DE SARNEY

Pela atuação exemplar nos postos políticos, Mauro recebe convite do então presidente José Sarney para assessorá-lo no Palácio do Planalto.

Dessa convivência diária e fraternal, Sarney percebe que o assessor desejava voltar a São Luís e trocar o setor público pela iniciativa privada.

Sempre pensando no Maranhão, que contava com duas universidades públicas, Sarney achava que o Estado carecia de uma instituição privada de ensino superior, para suprir as necessidades nas áreas técnicas e prioritárias ao desenvolvimento.    

Com esse sentimento, viu em Mauro o homem talhado para tocar o projeto de instalar em São Luís uma estrutura universitária particular.

NASCIMENTO E CRESCIMENTO DO CEUMA

 A impetuosidade e o vigor dos cinquenta anos, fizeram o engenheiro abraçar a ideia de Sarney e de imediatamente mover ações em Brasília no sentido de criar uma instituição voltada para cursos que a Ufma e a Uema não ofereciam à juventude maranhense.

Dessa forma, nasce o Ceuma – Centro Unificado do Maranhão, no dia 9 de abril de 1990, que funcionava provisoriamente no Colégio Meng. Dois anos depois, face ao arrojo do fundador, o Ceuma passa a funcionar em sede própria e modernas instalações no Renascença, impondo-se como instituição reconhecida nacionalmente e compromissada com a qualidade do ensino, a ponto do Ministério da Educação aprovar o projeto de transformá-lo em Centro Universitário do Maranhão e posteriormente conquistar o status de Universidade Ceuma.

O UniCeuma cresceu de modo tão vertiginoso no Maranhão, que, como consequência, ampliou-se e migrou para Brasília, Belém do Pará e Teresina, cidades nas quais mantém instituições universitárias conceituadas e prestigiadas.

AMIGO DOS AMIGOS

Mauro Fecury, além das marcantes qualidades profissionais, é dotado de outras virtudes, destacando-se no cenário familiar como exemplar marido, virtuoso pai e abnegado avô.

No mundo das amizades, é uma figura humana que se caracteriza pela lealdade e fraternidade com os que privam da sua incomparável companhia.

Eu, por exemplo, conheço Mauro desde os tempos de mocidade, quando estudávamos em colégios desta cidade. Ainda que não fosse seu colega de turma, privilégio que teve o meu irmão Raimundo, no Ateneu Teixeira Mendes, o admirava por ser um esportista de primeira linha, principalmente como atleta de basquetebol.

Como fizemos o curso superior em cidades diferentes, ele, no Rio de Janeiro, eu, em São Luís, nos reencontramos ao ser indicado para administrar a capital maranhense, nos idos de 1980, convidando-me para chefiar o gabinete da prefeitura e depois comandar a secretaria de Educação, Cultura e Ação Comunitária, no exercício dos quais comprovei a sua notável capacidade de trabalho e de incontestável líder.  

Impossível esquecer daqueles tempos de prefeitura, quando nos finais de semana, ele convocava o secretariado e convidava os vereadores para visitas aos bairros, ver as necessidades e ouvir as reivindicações dos moradores. Essas visitas, pelas repercussões, ficaram conhecidas por mauratonas.  

Mauro, como amigo, é aquela pessoa do bem e difícil de ser encontrado no mundo de hoje. Está sempre pronto a ouvir e ajudar aos que dele precisam, desde que sejam confiáveis e dignos de sua franca amizade.

Dono de incomparável personalidade, não foge da luta pelas boas causas, que persegue até conquistar a vitória.   

FESTA DOS AMIGOS

Seu apego aos amigos de ontem e de hoje é de tal modo incontestável e verdadeiro, que há mais de vinte anos criou um evento, realizado no segundo sábado de dezembro, nas dependências do Ceuma, que serve de palco para confraternizações festivas, ao longo das quais os convidados participam de práticas esportivas e assistem shows com artistas locais e nacionais, que começam pela manhã e acabam nas primeiras horas da noite. Tudo por conta do anfitrião.

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OS ÚLTIMOS DIAS DE TRUMP

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A imprensa mundial, desde semana passada, só comenta um assunto: o gesto insano do presidente dos Estados Unidos, Donaldo Trump, que, como o seu imitador brasileiro, o estabanado Jair Bolsonaro, mobilizou fanáticos seguidores para macular a democracia americana, uma das mais sólidas e importantes do universo.

Trata-se da invasão do Capitólio, sede do Senado e Câmara dos Deputados, por vândalos e bandidos, com vistas a pressionar os representantes do povo americano, a reverter o resultado das recentes eleições, que deram a vitória de modo insofismável, ao candidato do Partido Democrata, Joe Biden.  Aquela satânica operação, orquestrada e patrocinada pela figura demoníaca de Trump, que governou de maneira danosa e nada exemplar os Estados Unidos, país que se ufana de praticar uma forma de governo, estribada no respeito às leis e à Constituição.

Os jornais brasileiros, sobretudo os que circulam no Rio de Janeiro e São Paulo, têm dedicado edições especiais ao triste caso americano, por meio de seus correspondentes nos Estados Unidos e de repórteres e articulistas que glorificam a imprensa nacional.

Na condição de assinante de O Globo e da Folha de São Paulo, leio diariamente via internet os jornais carioca e paulista, nos quais acompanho com vivo interesse o que os seus colunistas e articulistas escrevem com competência e inteligência, a respeito do que acontece no país americano.

Na edição do último domingo, por exemplo, o jornal carioca O Globo, publicou um texto da lavra do jornalista Elio Gaspari, que eu não posso deixar de reproduzir nesta coluna, sob pena de cometer um desatino político, até porque o artigo pode prenunciar o que pode acontecer no Brasil em 2022, se esse desmiolado presidente que nos governa for candidato à reeleição e, no caso de  perdê-la, certamente não terá nenhuma cerimônia de querer fazer o mesmo em nosso país, ele, que tem a mania e o prazer de imitar o Trump em tudo e no que tem de pior.

O TEXTO DE ELIO GASPARI

“Em julho de 2016, o bilionário Michael Bloomberg, disse durante a convenção do Partido Democrata: “Eu reconheço um vigarista quando o vejo”. Referia-se a Donald Trump. Passaram-se quatro anos, e a questão da vigarice do doutor foi para mesa da procuradora-geral do estado de Nova York.

Em Washington, a questão tornou-se outra: a eventual a aplicação do dispositivo constitucional que permite empossar o vice caso o titular esteja incapacitado. Quando essa emenda foi aprovada, pensava-se num cenário no qual o presidente está sob intensos cuidados médicos.

No espetáculo da série “Os últimos dias de Trump”, a invocação do dispositivo nada tem a ver com uma anestesia geral, por exemplo. Trata-se de incapacidade por maluquice.

Trump é visto com um narcisista psicótico por muita gente que não gosta dele. Em julho passado, sua sobrinha Mary(psicóloga) publicou um livro com o subtítulo “O homem mais perigoso do mundo”. Parecia futrica familiar.

Desde novembro, Trump sustenta que venceu a eleição “de lavada”. Na terça-feira, os candidatos republicanos perderam a eleição na Geórgia. No dia seguinte, seus guardiões fizeram o que fizeram. Os senadores e deputados americanos foram obrigados a deixar o prédio. Numa decisão histórica, voltaram ao plenário horas depois e confirmaram o resultado eleitoral.

A senadora republicana, que perdeu a cadeira tirou sua assinatura do pedido de recontagem dos votos da eleição presidencial na Geórgia. Duas integrantes do primeiro escalão de seu governo foram-se embora, e seu fiel ex-procurador-geral acusa-o de ter traído o cargo.

O mundo está diante de um espetáculo constrangedor: o presidente dos Estados Unidos pirou. Isso só acontecia em filmes ruins. Desde o dia em que tomou posse, garantindo que ela foi assistida por uma multidão jamais vista, estava no tabuleiro a carta de que se tratava de um homem mentiroso.

Quatro anos depois, com o seu negativismo eleitoral e a mobilização de seus seguidores para a invasão do Capitólio, Trump encarna o personagem do teatrólogo Plínio Marcos em “Dois perdidos numa noite suja”: Sou o Paco Maluco, o perigoso”.

A série “Os últimos dias de Trump” não terminou. Se ele queria jogar golfe na Escócia no dia da posse de Joe Biden, deve buscar outro pouso. A primeira-ministra Nicola Sturgeon disse que lá o doutor não entra, pois o país está em lockdown.

Faltam poucos dias para o fim da série e Trump ainda surpreenderá a plateia. A Associação Americana de Psiquiatra continua funcionando, com sede a poucos minutos da Casa Branca. Isso porque malucos existem”.      

NARA LEÃO E GULLAR

Está no ponto de lançamento, o livro biográfico de Nara Leão, da autoria do jornalista Tom Cardoso.

A obra relata o namoro da cantora com o poeta Ferreira Gullar, ao qual ela propôs que se separasse da esposa e dos filhos.

Gullar não topou a proposta, mas continuaram bons amigos.

OS VICE-PREFEITOS

Este ano, um grande número de prefeitos de capitais, praticou um ato raro na vida municipalista do país.

Trata-se da nomeação de vice-prefeitos para cargos importantes na estrutura administrativa dos municípios.

Motivo: as nomeações fazem parte de uma estratégia política dos prefeitos das capitais, que, no caso de serem convocados para disputar eleições majoritárias em 2022, vão deixar em seus lugares, figuras de sua confiança.

Em São Luís, o prefeito Eduardo Braid seguiu à risca essa estratégia. Para a secretaria de Educação nomeou a vice Esmênia.

 A REAÇÃO DE FLÁVIO

O governador Flávio Dino foi o primeiro a protestar contra a aprovação da lei que tramita na Câmara de Deputados, propondo modificações nas escolhas dos comandantes-gerais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.

Se a lei for aprovada, os comandantes dessas corporações terão mandato de dois anos e serão escolhidos por meio de lista tríplice.

O pior de tudo: os militares indiciados em inquéritos policiais ou que são réus em processos judiciais ou administrativos, poderão ser promovidos.

Flávio acha que essa lei não pode ser aprovada, pois é matéria subordinada aos Poderes Executivo e Legislativo estaduais.   

O ABRIGO VELHO

Todas as vezes que eu transito pelo Largo do Carmo e não vejo mais aquele monstrengo que o desfigurava do ponto de vista urbanístico, não posso deixar de bater palmas ao ex-prefeito Edvaldo Hollanda e ao superintendente do IPHAN, Maurício Itapary.

Eles tiveram a indômita coragem, mesmo enfrentando vozes reacionárias, de botar abaixo um prédio que teve utilidade social no passado, mas, na atualidade, que comprometia a beleza do centro urbano.      

FESTAS POPULARES

As autoridades cariocas querem que os desfiles das escolas do Rio de Janeiro sejam transferidos de fevereiro para os dias 11 e 12 de julho.

Em São Luís não será fácil transferir o carnaval para tais datas.

Como o povo maranhense se esbalda nas festas juninas, não tem fôlego e dinheiro para brincar em dois eventos quase simultâneos.

MAIS VIVO DO QUE NUNCA

O meu caro amigo Aparício Bandeira, com a divulgação infundada de haver viajado para a cidade dos pés juntos, sofreu bastante para provar que está vivo, sadio e inteiro.

Quem faleceu foi o seu sobrinho Aparício Bandeira Neto, que casou com Cíntia, filha do ex-governador Luiz Rocha.

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CARTA A 2021

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Como sempre, costumo procurar em jornais e revistas do país, as mensagens de despedidas do ano em extinção e de saudação aos dias que estão aflorando e trazendo esperanças de vida melhor, de mais saúde e de prosperidade para o povo brasileiro.

No dia 31 de dezembro último, quando 2020 vivia os seus estertores e a gente procurava esquecê-lo para sempre, pelos males causados aos povos do mundo inteiro, ricos ou pobres, li na primeira página do jornal O Globo, do Rio de Janeiro, um extraordinário e primoroso texto do premiado escritor angolano, José Eduardo Agualusa, que, de forma notável e irretocável se despede melancolicamente de 2020 e saúda a chegada de 2021, do qual espera menos sofrimento e mais esperança.

A brilhante mensagem do intelectual angolano, que me deu alegria e otimismo, faço questão de levar ao conhecimento dos leitores, para sentirem, como eu, o prazer incomensurável de ler um texto especial e escrito como diria um poeta cubano, “verdadeiro e duro, mas pleno de ternura”, para no ano novo a gente não ter a sensação de ser igual àquele que passou, como registra a composição musical de antigos carnavais.

O TEXTO DO ESCRITOR ANGOLANO

“Querido 2021, seja bem-vindo!

Entre, a casa é sua.

Se não for pedir demais, nos devolva, por favor, todos os abraços que seu prezado antecessor nos roubou.

Queremos também as gargalhadas dos parentes e amigos, o livre sorriso dos desconhecidos, a brisa no rosto.

Gostaríamos ainda de ter de volta as alegrias das viagens, a tumultuosa euforia dos estádios e dos grandes shows; todas as tardes em que não fomos beber cerveja com os amigos no botequim da esquina.

Não se esqueça de nos devolver aqueles jantares intermináveis, em que discutíamos o fim do mundo e como iríamos recomeçá-lo.

Hoje, que sabemos muito mais sobre o fim do mundo, essas conversas antigas me parecem todas um tanto quanto ingênuas. Contudo, mais do que antes é importante conversar sobre recomeços. Trocar sonhos. Debater utopias.

Peço em particular que me devolva os festivais literários, dos quais, em 2019, eu estava até(confesso) um pouquinho enfastiado.   

Durante o seu reinado, quero regressar a Paraty. Não posso perder o FliAraxá, a Flup ou a Flica, em Cachoeira.

Eu, que não sou de futebol nem de carnaval, agora sinto ânsias de me perder entre multidões, gritando, sambando, abraçando meus velhos país sem medo de os contaminar.

A maior invenção da Humanidade não foi a roda nem o fogo. Não foi o futebol, a feijoada, o samba, o xadrez, a literatura, sequer a internet. A maior invenção da Humanidade, querido 2021, foi o abraço.  

Olho para trás e vejo a primeira mãe, acolhendo nos braços o filho pequeno. O nosso pai primordial apertando contra o nosso peito forte (e peludo) a mulher amada; dois amigos se consolam numa armadura de afeto. Depois desses abraços, alguma coisa mudou para sempre.

O mundo continuou perigoso, sim, o mundo sempre será perigoso, mas passamos a ter o conforto de um território inviolável.

Foi o abraço que fundou a civilização. Com elevada estima. José Eduardo Agualusa.” 

NOVENTA ANOS

No ano passado, foi o ex-presidente José Sarney que completou noventa anos, mas, lamentavelmente, por causa da pandemia, os familiares e amigos, não puderam comemorá-lo.

Este ano, quem chega à casa dos noventa anos é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, data que também, se a pandemia deixar, será festivamente comemorada pelos amigos e admiradores.

UM ILUSTRE DESCONHECIDO

Para o lugar que o prefeito Eduardo Braid ocupava na Câmara dos Deputados, foi convocado o primeiro suplente, Josivaldo dos Santos Melo, que pertence ao Podemos.

Trata-se de um parlamentar literalmente desconhecido, que eu não sei de onde ele veio e arranjou votos para se eleger deputado federal.

Como dizia o Barão de Itararé, de onde menos se espera é de lá que não vem nada.

TRISTE OPÇÃO

Se o governador Flávio Dino resolver ser deputado federal em vez de senador, só para ajudar o PC do B a superar a cláusula de barreira, a fim de o partido ter acesso aos recursos do fundo partidário, fará a maior derrapada política de sua vida.

Se isso acontecer, será a primeira vez que vejo um homem público, abdicar espontaneamente de uma eleição majoritária sem risco para atender uma causa irrelevante. 

PREDICADOS DE EDVALDO

O ex-prefeito Edivaldo Holanda mostrou na sua gestão que se pode ser um bom administrador sem necessidade de estar em Brasília de pires na mão e pedindo socorro ao Palácio do Planalto ou participando dessas infrutíferas Marchas de Prefeitos.

Por falar em Marchas de Prefei,tos, pelo que me disse um ex-gestor maranhense,, elas só servem para melhorar a vida das praticantes da prostituição brasiliense.

REFORMA ADMINISTRATIVA

Quando tomou posse o prefeito Eduardo Braid anunciou que, em regime de prioridade, encaminharia à Câmara Municipal um projeto visando uma reforma administrativa na prefeitura.

Nessa reforma, pensava-se que ele fosse enxugar a máquina administrativa da municipalidade, extinguindo algumas secretarias, que não contribuem em nada para o funcionamento da prefeitura.  

Ledo engano. Em vez de desidratá-la, criou mais secretarias.

VENDA DE LIVROS

Incrível, porém verdadeiro: as editoras e as livrarias festejaram este ano como há muito não acontecia.

As vendas on-line ultrapassaram a comercialização física das lojas.

Em 2020, os dois livros mais vendidos foram: O amor nos tempos de cólera, Gabriel Garcia Marques e A peste, de Alberto Camus.

Em tempo: ganhei de presente, no ano passado, três excelentes livros, que recomendo aos amigos que gostam de uma boa leitura: Samuel Wayner, O homem que estava lá; A Organização Odebrecht e o esquema de corrupção que chocou o mundo; e De cu pra lua, de Nelson Mota.

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CONSELHO AOS NOVOS PREFEITOS

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Eu havia pensado, neste final de ano, escrever um texto dedicado aos novos gestores municipais do Maranhão, que assumiram o comando de centenas de cidades.

Ao término deste 2020, diga-se de passagem, adverso e dramático, resultado de uma infeliz pandemia, de malefícios cruéis e repercussões negativas na vida de populações de países ricos e pobres, era meu desejo, com a experiência jornalística de quem acompanha, desde os anos sessenta do século passado, atos ocorridos na vida política e administrativa do Maranhão, transmitir aos prefeitos recentemente eleitos, conselhos e advertências de como devem proceder à frente dos municípios que vão administrar.

Seriam palavras para não incorrerem, como os antecessores, em práticas ruinosas e lesivas aos interesses das comunidades e dos eleitores que votaram e acreditaram em palavras e promessas, proferidas nos palanques ao longo da campanha eleitoral.

Não deixariam de ser, também, avisos para não procederem em desacordo com as leis que regem o País, os Estados e Municípios, as quais registram e orientam a respeito dos caminhos burocráticos, dos regulamentos administrativos e contábeis, que os nortearão para não correrem o risco de posteriormente serem penalizados por infringirem os aparatos legais, a moral e os bons costumes e ainda ficarem sujeitos aos rigores dos órgãos que cuidam da fiscalização e da aplicação dos recursos públicos.              

Quando imaginava, repito, redigir um texto jornalístico com esse conteúdo, eis que, tomo conhecimento da mensagem da autoria do deputado Gastão Vieira, divulgada pelas redes sociais, que, com a sua competência, inteligência e preparo político e administrativo, tornou público o sentimento e o pensamento sobre o que devem fazer os bem-sucedidos nas recentes eleições.

Com o título de “Conselhos aos Novos Prefeitos”, reproduzo, com a permissão do autor, o que deve fazer um gestor municipal para chegar ao fim do mandato com a consciência tranquila pela realização de uma eficiente administração, bem como não ser taxado de desonesto e, pelo resto da vida, responder a  processos judiciais e implacáveis auditorias.

A MENSAGEM DE GASTÃO VIEIRA.

“Em quatro anos, o prefeito vai perder muito tempo à procura de uma inovação que funcione. Por isso não tenha medo, conheça programas que deram certo, copiem e adaptem à realidade.

“Quando Secretário de Educação, copiei e adaptei os projetos mais inovadores que pude conhecer em todo o País: Escola Ativa, Matrícula Bem Fácil, Professor Presente, Dinheiro Direto na Escola e outros, que tiveram bastante êxito.

“Então, senhores prefeitos, estabeleçam prioridades, comecem fazendo o básico: infraestrutura, educação, saúde, transporte e outras prioridades.

“Na pressa de resolver problemas individuais e imediatos dos cidadãos, a tendência é criar ações de atenções aos mais necessitados. Deixar o básico de lado prejudica os mais pobres.

“A prefeitura pode ser grande parceira e executora das políticas compartilhadas com a União e o Governo do Estado.

“Por exemplo, cabe aos municípios registrar as famílias no Cadastro Único de Políticas Sociais, que permite o pagamento do Bolsa Família e dos demais programas sociais.

“No Maranhão, mais de um milhão de famílias dependem do Bolsa Família e quase 600 mil casas não recebem o benefício social das contas de luz.

“A Equatorial tem um cadastro completo desses benefícios, basta trabalhar em parceria.

“Para não perder tempo com a burocracia exagerada, digitalize e integre as informações de arrecadação, orçamento, gastos e controle. Quem tem as informações em mãos, administra melhor, ganha tempo e evita punições futuras.

“Não é verdade que os municípios vivem de pires nas mãos. Nossas cidades se destacam por terem grande participação na receita.

“Município quebrado no Brasil só se vê no Maranhão, por causa da má gestão e não por falta de recursos. Gaste tempo trabalhando no seu município e menos tempo reclamando de Brasília.

“Por fim, passada a euforia da vitória, é hora de trabalhar muito e com honestidade e competência para honrar cada voto recebido”.

QUINCAS, O COMUNICADOR

 Foi uma bomba o anúncio de Joaquim Haickell, para chefiar a Secretaria de Comunicação Social, da Prefeitura de São Luís.

O convite surpreendeu o próprio convidado, que não esperava ter sob seu comando uma secretaria que com ela não sonhava.

Ao convidá-lo para assumir tal cargo, o novo prefeito pensou em ter perto de si um conselheiro político, um cara polivalente e bem relacionado na comunidade maranhense.

O MESMO SALÁRIO

Eduardo Braid assumiu as rédeas da prefeitura de São Luís, sem que o seu salário, como é de costume, fosse reajustado pela Câmara de Vereadores.

À falta desse procedimento, Braid terá de se contentar com o salário que o ex-prefeito Edvaldo Holanda Junior recebia dos cofres municipais.

A DEPUTADA ROSEANA

Rigorosamente certo: Roseana Sarney foi convencida por familiares e amigos para disputar as eleições de 2022 e retornar à atividade política.

Ela disputará o pleito concorrendo ao cargo que começou a sua brilhante carreira política: deputado federal.

Depois de eleita para o Congresso Nacional, aí, sim, pensará em cargos políticos mais relevantes.

REVISÃO CONSTITUCIONAL

As novas Mesas Diretoras da Câmara e do Senado Federal, a serem eleitas brevemente, deveriam pensar numa revisão constitucional.

Eu penso do mesmo modo do historiador Capistrano de Abreu, ou seja, de que a nova Constituição brasileira só deveria ter dois artigos.

Primeiro: Todo brasileiro deve ter vergonha na cara. Segundo: Revogam-se as disposições em contrário. 

PRESENÇA OBRIGATÓRIA

Nas centenas inaugurações de obras realizadas em São Luís, notava-se, ao contrário do visto em eventos passados, a ausência de claques e puxa-sacos.

Edivaldo, como bom marido, nessas ocasiões, só não abria mão de ter ao seu lado uma pessoa: a esposa Camila.

CACHIMBO DA PAZ

Nas agendas do governador Flávio Dino e do prefeito Eduardo Braid já estão marcadas um importante encontro.

O ato se realizará tão logo o governador retorne do recesso, que usufruirá apenas com os familiares.

 Nesse encontro, Dino e Braid fumarão o cachimbo da paz.       

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NATAIS NA MINHA TERRA NATAL

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Machado de Assis, o maior escritor brasileiro, em um de seus conhecidos sonetos, referindo-se ao Natal, perguntava: Mudei eu ou mudou o Natal?

Quando se aproxima o período natalino, a pergunta machadiana me remete para a terra onde nasci, vivi a minha infância e desfrutei da adolescência.

Trata-se de uma época em que o Natal não tinha a pompa dos dias correntes e nem era comemorado para satisfazer um consumismo desenfreado e imposto pela sociedade capitalista, que transformou a maior festa da cristandade em farra gastronômica e troca-troca de presentes.

 Se atualmente o sentimento material preside as festas natalinas, no passado, o sentido da espiritualidade reinava como princípio básico do evento.

ORNAMENTAÇÃO NATALINA

Nos dias que precediam ao Natal, os itapecuruenses não se preocupavam com a ornamentação feérica de suas residências, até porque a cidade ainda não estava servida por iluminação elétrica.

A comunidade só pensava no cumprimento de uma tradição que se arrastava ao longo do tempo: a instalação de presépios, com as imagens representativas dos participantes da chegada de Cristo no mundo.

Os presépios transformavam-se em atrações e os que se encarregavam de fazê-los não se descuidavam de ornamentá-los com as figuras da liturgia católica.

 Na manjedoura, confeccionada à base de palhinha e de plantas campestres, o Menino Deus ganhava posição de realce na companhia contemplativa da Virgem Maria, de São José, dos Reis Magos – Gaspar, Belchior e Baltazar, de anjos e pequenos animais domésticos.

Pontificavam na cidade presépios de todos os tamanhos e estilos. Uns, mais arrumados e decorados; outros, mais humildes e simples, como a maioria da população.

PRESÉPIOS VISITADOS

Lembro que os presépios mais visitados podiam ser vistos na nave da igreja-matriz de Nossa Senhora das Dores e na casa de Raimundo Coelho, mais conhecido por Mundico Rifiri, residente na Rua do Mocambo, atualmente Paulo Bogéa.

O presépio da igreja, cuidadosamente preparado pelas devotas das irmandades religiosas, por ficar dentro do templo católico, era bem visitado pelas famílias, que faziam questão de levar os filhos para saber como Jesus Cristo veio ao mundo.

O presépio montado por Mundico Rifiri se apresentava bem cuidado e sob os caprichos do próprio dono da casa, que tinha o prazer de mostrá-lo a todos que desejassem visitá-lo e em obediência a um ritual que acontecia todas as noites.

Naquela casa, as famílias e os curiosos se acotovelavam para admirar a criatividade do anfitrião e também participar das ladainhas, entoadas sob fervorosas preces e cânticos religiosos. 

Os presépios só se desmontavam na noite de 6 de janeiro, no dia consagrado aos Reis Magos, quando havia a queima das palhinhas. Mundico Rifiri, como dono da casa e do presépio, nessa noite, recebia os convidados com festas e pompas e aos mesmos oferecia doces e bebidas não alcoólicas, ao som da banda musical, que tocava para o deleite dos presentes.

OS AUTOS NATALINOS

Outra atração também marcante nos dias que antecediam ao Natal eram as apresentações teatrais – os autos, que versavam sobre o nascimento do Menino Jesus, realizados no quintal do velho Tinoco, onde num ambiente devidamente preparado, os protagonistas, geralmente crianças, vestidas a caráter, exibiam seus dotes artísticos.

As apresentações eram ensaiadas pelas filhas do dono da casa, Zainha e Dorinha. Um dos garotos que participava dos espetáculos, era o meu amigo de infância, Júlio Araújo, mais conhecido por Belisca, um dos melhores jogadores de futebol de minha terra.

A MISSA DO GALO

Com relação à noite de Natal, o ponto alto se dava com a celebração solene da Missa do Galo, que começava rigorosamente à meia-noite e ministrada pelos padres da época: Alfredo Bacelar, Alteredo Soeiro e José Albino Campos.

Praticamente toda a população comparecia ao ofício religioso, para reverenciar e louvar o nascimento do Filho de Deus. Terminada a missa, os meus conterrâneos, antes de retornarem às suas casas, aglomeravam-se em frente à igreja para se abraçarem fraternalmente, como rezava a tradição cristã.

Poucas famílias, geralmente as mais dotadas de recursos financeiros, se davam ao luxo de promover ceias, que não lembram em nada das atuais e extravagantes.

Caracterizavam-se pela frugalidade, até porque careciam de produtos sofisticados e exportados, encontrados, tempos depois, em abundância, nos estabelecimentos comerciais de São Luís. Pratos à base de camarão, carne suína, capão ou peru, eram servidos e consumidos para festejar a data maior da cristandade.

O ROUBO NATALINO

Por falar em aves, não posso esquecer de uma prática que dominava a cidade na noite de Natal. Após a Missa do Galo, o ato de roubar galinhas dos quintais dos incautos. O roubo, infalivelmente executado por figuras masculinas, era praticado com espírito de pura aventura.

Após a apropriação indevida das “criações”, assim chamadas porque criadas em quintais, recebiam um tratamento culinário, para serem devoradas pelos autores do “crime”, convidados e apreciadores do desonesto ato. No dia seguinte, a população sabia os nomes dos “ladrões”, mas ninguém os denunciava à polícia.

Os irmãos, João Boca de Bilha e Zé Fininho, nessa arte de surrupiar galináceos, na noite de Natal, eram imbatíveis.

PRESENTES NATALINOS

No tocante aos presentes natalinos, só os filhos das famílias mais bem dotadas financeiramente tinham o privilégio de recebê-los. Não eram brinquedos sofisticados, como os atuais, pois o comércio de Itapecuru não vendia artigos dessa natureza.

Os brinquedos eram colocados debaixo das redes onde dormiam as crianças. Lembro-me da minha ansiedade e de meus irmãos para descobrirmos ao acordar o que Papai Noel nos trouxera.

Eu, tinha um irmão que, às noites, tinha o costume de acordar várias vezes para urinar e depositar o líquido nos chamados penicos ou urinóis.

Numa noite de Natal, ele, estava tão angustiado para saber o que ganharia de presente, que urinou na rede e a urina caiu toda sobre o que Papai Noel lhe trouxera.

Quando acordou, além do vexame, só não passou o dia triste e revoltado, porque havia um presente sobrando, o qual Papai Noel deu um jeito de chegar às suas mãos.     

O troca-troca de presente entre adultos não existia. Veio anos depois por imposição do marketing empresarial, que inventou essas brincadeiras, largamente conhecidas por “amigos ocultos” ou “amigos secretos”, para incrementarem o faturamento da indústria e do comércio.

O MEU PAPAI NOEL

O meu pai, Abdala Buzar, próspero comerciante em Itapecuru, era visceralmente um homem que gostava de brincar e de se divertir em dois eventos: carnaval e natal.

Era seu costume, nessas oportunidades festivas, sair às ruas e visitar os amigos, com roupas adequadas. Com o bom humor que Deus lhe deu, proporcionava à cidade momentos de alegria e descontração.

Na foto, ele, vestido de Papai Noel, ao lado do irmão José Buzar e da filha Lélia, participando de uma festa natalina no Social Itapecuru Clube, nos anos 1960.    

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CAMILA: A EXEMPLAR PRIMEIRA-DAMA

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A menos de quinze dias, São Luís estará sob o comando de um novo prefeito, Eduardo Braid, que derrotou, no segundo turno das eleições de novembro recente, o aguerrido opositor Duarte Júnior.

Eduardo Braid receberá o cargo de gestor de Edvaldo Holanda Júnior, que cumpriu oito anos de mandato, vencendo as eleições de 2012, derrotando João Castelo no segundo turno, e suplantando Eduardo Braid, em 2016, no segundo turno.

 Edvaldo Holanda deixará o Palácio La Ravardière, em lua de mel com a população de São Luís, pelo excelente trabalho, sobretudo no segundo mandato, quando executou ações importantes e iniciativas oportunas, como há tempos não se viam e destinadas à modernização e à recuperação urbanística da cidade.

Antes de Edvaldo, só um prefeito teve o desassombro de fazer uma administração voltada para melhorar o cenário urbanístico da capital: Mauro Fecury, que construiu dezenas de colégios, postos de saúde, inúmeras praças, abriu e duplicou avenidas e promoveu loteamentos que deram origem a vários bairros na periferia.  

Voltemos a Edvaldo Holanda, que, além de empreender um notável trabalho nas áreas urbana e rural, com a construção de novas praças, recuperou as tradicionais e abandonadas praças, reformou mercados e feiras, construiu e remodelou colégios e postos de saúde, asfaltou ruas e avenidas do centro e dos bairros,  sem que se tenha visto ou ouvido qualquer acusação ou denúncia contra ele, de realizar tantas obras em São Luís sem desviar verbas ou se apropriar de recursos públicos.

Edivaldo ainda teve o mérito de não se envolver no processo da sua sucessão. Sendo um político correto e avesso às maquinações espúrias e comuns nas fases pré-eleitorais, não apoiou ninguém e limitou-se a ver a banda passar.

O prefeito que ora termina o mandato, outorgado democraticamente pelo povo de São Luís, além de seu notável e eficiente desempenho administrativo, contou com uma figura feminina, a esposa, Camila Holanda, que sempre esteve ao seu lado nos lançamentos, visitas e inaugurações de obras, quando mostrava, com sorriso singelo e simpatia contagiante, a total solidariedade ao marido e gestor.

Camila, conquistou a cidade de ponta a ponta pela maneira discreta como se comportou no exercício do mandato do homem que escolheu para companheiro e pai de seus filhos, sem  se imiscuir na sua administração, a não ser nos momentos em que ele, como homem público, precisava tê-la ao seu lado, para enfrentar as tarefas diárias e desafiadoras impostas pelo cargo.

Como primeira dama da cidade, brilhou pela marcante presença em atos que exigiam a sua participação como esposa, sem exercer nenhuma função burocrática.

A presença de Camila nas inaugurações e nas ações que levaram o marido a ser considerado um dos melhores prefeito de São Luís, fazia com que os eventos ocorressem e fluíssem com leveza, sobriedade e dignidade.

Que o seu exemplo sirva de exemplo para as que vierem a sucedê-la. Aqui e alhures.       

DE MAIS E DE MENOS

O que o governador Flávio Dino tem de mais e o Presidente da República, Jair Bolsonaro, de menos: oratória fácil, cultura geral, dicção perfeita, vernáculo rico, serenidade e versatilidade.

 NOTA ZERO

O político de Chapadinha, Magno Bacelar, ficou conhecido por Nota Dez, pelos êxitos alcançados na vida pública como gestor municipal e deputado estadual.

Nas recentes eleições, para a prefeitura de Chapadinha, perdeu feio para uma candidata paradoxalmente chamada de Belezinha.

Com a derrota, Magno Bacelar, mudou de Nota Dez para Nota Zero. 

TROCA DE PARTIDO

Muita gente admira o governador Flávio Dino pela sua cultura, mas não o tolera por ser membro do PC do B.

Agora, que está de malas e bagagens para trocar o PC do B pelo PSB, há possibilidade da sua popularidade melhorar, pois ser socialista é mais palatável do que comunista.    

O ACADÊMICO TYRONE

O desembargador Tyrone Silva, que preside o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, recebeu em sua terra natal especial homenagem.

Foi eleito membro da Academia Vargemgrandense de Ciências, Letras e Artes.

AS BELAS DELEGADAS

Antigamente, as delegacias de polícia do Maranhão eram chefiadas por homens, geralmente policiais militares e indicados por políticos.

Depois que a legislação exigiu concurso para o exercício do cargo de delegado de polícia e a exigência de nível superior, melhorou substancialmente o quadro de profissionais dedicados a essa profissão.

Em São Luís, as delegacias policiais, atualmente, em sua grande maioria, são ocupadas por figuras do sexo feminino e portadoras de beleza e competência.

MÃOS LAVADAS

Faço minhas as palavras do brilhante escritor Zuenir Ventura: – Só agora, como octogenário, aprendi a lavar as mãos corretamente, ou seja, passando a empregar água e sabão na palma, no dorso, entre os dedos, unhas e até o punho.

MANDATO FAMILIAR

A família Soeiro está representada na Câmara Municipal de São Luís pela terceira geração.

Nas eleições de 1996, o radialista Albino Soeiro elegeu-se vereador e cumpriu o mandato durante quatro legislaturas.

Por motivo de saúde, nas eleições de 2012, indicou a esposa Bárbara, que exerceu os mandatos em duas legislaturas.

No pleito deste ano, a vereadora Bárbara, cansada das atribuições parlamentares, lançou o filho Otávio candidato a vereador e o garoto se elegeu sem maiores dificuldades, mantendo a tradição vitoriosa da família Soeiro.      

PROCURADOR DA PREFEITURA

Mais uma boa e feliz escolha do futuro prefeito Eduardo Braid: para comandar a Procuradoria Geral do Município de São Luís, convidou o brilhante advogado Bruno Duailibe, que teve desempenho exemplar como membro do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão.

COVID ATACA HAICKEL

Apesar de todos os cuidados, o acadêmico Joaquim Haickel, foi atacado de maneira traiçoeira pelo Covid 19.

Ele não está internado em hospital. Tenta se livrar do vírus por meio de tratamento doméstico.    

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EWERTON E MARANHÃOZINHO: EIS A TRISTE OPÇÃO

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 As eleições municipais deste ano, do ponto de vista do futuro do Maranhão, foram as mais desastrosas e catastróficas, desde a redemocratização do País, em 1945.

Não me refiro do resultado das disputas entre prefeitos e vereadores eleitos, até porque pela relação dos candidatos registrados na Justiça Eleitoral, sabia-se que, excetuando-se poucos nomes, a grande maioria se constituía de despreparados, pilantras, viciados e corruptos. 

O que inquieta e preocupa são os políticos que saíram fortalecidos nas eleições de 2020 e, por causa disso, estão sendo citados como potencialmente cotados à sucessão do governador Flávio Dino: o senador Weverton Rocha e o deputado federal, Josimar Maranhãozinho.

Esses parlamentares, que representam tristemente o Maranhão no Congresso Nacional, comenta-se que gastaram fortunas incalculáveis de recursos, nas recentes eleições às prefeituras e câmaras municipais, para se credenciarem como fortes candidatos ao Palácio dos Leões, para  sucederem o governador Flávio Dino, que corre o risco de transferir o poder para figuras humanas inidôneas.     

Um dilema terrível povoará a cabeça do povo de nossa terra, nas eleições de 2022, quando tiver de decidir nas urnas o político que nos governará no próximo quadriênio, se forem os que se anunciam como fortes e imbatíveis.

O Maranhão não merece, depois de ver tantos homens ilustres e sem nódoas na vida moral e política, no comando do Governo do Estado, do nível de Archer da Silva, Eugênio Barros, Matos Carvalho, Newton Bello, José Sarney, Antônio Dino, Pedro Neiva de Santana, Nunes Freire, João Castelo, Ivar Saldanha, João Alberto, Edson Lobão, Ribamar Fiquene, Roseana Sarney, José Reinaldo Tavares, Jackson Lago e Flávio Dino, assistir a chegada ao Palácio dos Leões de pessoas sem expressão e que trazem no currículo a marca de donos de uma máquina política viciada e degradante.

A esperança do povo maranhense é de que o vice-governador Carlos Brandão saia da toca e se imponha com uma alternativa viável para suceder a Flávio Dino, que, também, precisa entrar em campo, para impedir o Governo do Estado de cair no colo de gente incompetente e que deseja o poder para se locupletar.

Em tempo: já disse e repito. Se um dos políticos citados acima subirem as escadas do Palácio dos Leões em 2023, como dizia o poeta Manoel Bandeira: – Vou embora para Paságarda, pois lá sou amigo do rei.

RETORNO DE GASTÃO

É questão de tempo, o retorno de Gastão Vieira às atividades na Câmara dos Deputados.

O governador Flávio Dino já o avisou que precisa de seu trabalho no Congresso Nacional, onde, como parlamentar, sempre teve boa atuação.

Gastão deverá substituir Rubem Júnior ou Márcio Jerry, que voltarão a ocupar cargos no primeiro escalão do governo.

PREFEITO DE ARAME

Muita gente não entende porque o engenheiro Pedro Fernandes, disputou a eleição para uma prefeitura da expressão de Arame.

Depois de eleito, sabe-se o motivo de tão inusitada decisão: Pedro Fernandes, bom técnico e     excelente parlamentar, é dono de propriedades rurais em Arame, todas produtivas, super valorizadas e compradas legalmente.

CARTA DE FLÁVIO

Além de inscrever-se como candidato à vaga do filho, Sálvio Dino, na Academia Maranhense de Letras, Flávio Dino enviou carta aos acadêmicos, nas quais mostra a vontade de fazer parte da instituição que honra as tradições de cultura e do  desejo de nela ingressar para aprender com os que ao longo de décadas, tem emprestado seus talentos ao Maranhão.   

Na epístola, disse que nas estradas existências nas quais caminhou sempre combinou a leitura, a escrita e a ação política.

Para a Cadeira, 32, que era ocupada por Sálvio Dino, estão também inscritos José Rossini Corrêa, Antônio Guimarães de Oliveira, José Carlos Sanches e José Eulálio Figueiredo.

AZZOLINE NA FAZENDA

O prefeito eleito de São Luís, Eduardo Braid, começou de maneira acertada a convidar os que vão ajudá-lo a administrar a capital maranhense.

Para a Secretaria da Fazenda, a indicação do economista José de Jesus Azzoline foi recebida com aplausos.

Trata-se de um técnico sério, competente e experiente, qualidades já demonstradas nos cargos ocupados na administração pública e na atividade privada. 

JOGOS AMIGOS

Se não tivéssemos vivendo tempos tenebrosos, por causa da infeliz pandemia do covid-19, no dia de hoje, Mauro Fecury abriria as portas do CEUMA, para receber os amigos do passado e do presente, para um evento festivo.

Este ano, seria o trigésimo que Mauro promoveria ininterruptamente, os amigos para se reencontrarem e matar as saudades de tempos idos e vividos.  

Em 2021, que não será um ano trágico, certamente, Mauro Fecury, estará de braços abertos à espera novamente dos amigos para celebrar dias venturosos que nos aguardam.

AVISO AOS NAVEGANTES

Por favor, não convidem para sentar na mesma mesa o governador Flávio Dino e o senador Weverton Rocha.

CONVITE A MAX

Desde os tempos de deputados estaduais, Eduardo Braid e Max Barros formalizaram sólida e fraterna amizade.

Por conta disso, Braid esperava que Max não recusaria o convite para fazer parte de sua equipe administrativa.

Ledo engano. Max aceitou apenas presidir a equipe de transição.                      

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REFLEXÕES ALEATÓRIAS SOBRE AS ELEIÇÕES DE 2020 EM SÃO LUÍS

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A partir de 1992, a legislação eleitoral estabeleceu que nos municípios com mais 200 mil eleitores, no caso de nenhum candidato obter a maioria absoluta da votação no primeiro turno, ou seja, a metade mais um dos sufrágios, haverá um segundo turno, entre os dois mais votados.

De 1992 a 2020, São Luís é a única cidade maranhense em que se realizaram eleições em dois turnos. Dos oito pleitos processados, só dois candidatos conseguiram vencer no primeiro turno, por maioria absoluta de votos: Jackson Lago, em 2000, e Tadeu Palácio, em 2004.

Nas eleições, deste ano, mais uma vez, o pleito foi decidido no segundo turno, entre os dois candidatos mais votados no primeiro turno: Eduardo Braid e Duarte Júnior.

Convém lembrar que Braid, em 2016, disputou e perdeu o segundo turno para o atual prefeito Edvaldo Holanda Júnior.

O GRUPO DO GOVERNADOR

Para enfrentar o deputado Eduardo Braid, que não reza na sua cartilha, o governador Flávio Dino pensava que poderia vencê-lo, no primeiro turno,  por um dos quatro candidatos de sua base política:  Rubem Júnior, Duarte Júnior, Neto Evangelista e Bira do Pindaré, deputados e ocupantes de cargos no primeiro escalão do atual governo.

O que melhor desempenho apresentou no primeiro turno, Duarte Júnior, não era o preferido do governador para enfrentar Braid no segundo turno. As fichas de Flávio no primeiro turno foram todas jogadas em Rubem Júnior, que, dos quatro, obteve a pior performance.

DUARTE SURPREENDE

Com uma atuação notável no primeiro turno, graças ao seu espírito de luta e de sua indomável coragem, que muitas vezes, ultrapassa os limites da tolerância política, Duarte obrigou Flávio Dino a arregaçar as mangas e assumi-lo como o seu candidato, para enfrentar e vencer Braid, façanha não materializada, pois não contou, como esperava, com os candidatos derrotados do seu grupo, que se omitiram ou fizeram corpo mole, por causa da antipatia devotada a Duarte.

O DESEMPENHO DE NETO EVANGELISTA

O único membro do governo de Flávio Dino, que teve atuação destacada e desassombrada no segundo turno da eleição, o deputado Neto Evangelista, que, como um leão, entregou-se de corpo e alma à campanha de Eduardo Braid, ao qual deve ter transferido boa parte da votação conquistada no primeiro turno.

Neto Evangelista foi peça fundamental na vitória de Braid, no segundo turno. Com a sua garra e simpatia, participou decididamente das caminhadas, carreatas e comícios, como se fosse o próprio candidato.       

Se há alguém que Braid deve e muito pela retumbante vitória nas eleições de 2020, esse cara é Neto Evangelista e que tem tudo para se impor como uma nova liderança dessa nova geração política.

ACERTOS E ERROS DE DUARTE  

Duarte Junior teve audácia e competência para se fazer candidato à prefeitura de São Luís, ultrapassando obstáculos e hostilidades do grupo político a que pertence, que não o vê com bons olhos.

Essa aversão a Duarte, se evidencia no plenário da Assembleia Legislativa, onde a sua figura humana e política, é repudiada pelos deputados estaduais, que o criticam em função de sua arrebatada personalidade e do seu impulsivo comportamento, aliás, expostas de maneira visível nos programas e entrevistas pelos meios de comunicação social, nos quais procurava descontruir de modo agressivo os adversários e seus familiares, fato que não o beneficiou eleitoralmente, ao contrário, contribuiu para desgastá-lo.

A AUSÊNCIA DE EDIVALDO DA SUCESSÃO

Quando da realização do primeiro turno das eleições municipais de São Luís, foi fartamente divulgado que o prefeito Edivaldo Holanda Junior se omitiria do processo eleitoral, resguardando-se para participar do segundo turno.

Os que imaginavam que o alcaide optasse por um dos candidatos no segundo turno, equivocaram-se redondamente, pois, Edivaldo sumiu por completo da campanha, mostrando o seu desinteresse pelo resultado do pleito e quem o sucederia no Palácio La Ravardiére, com a responsabilidade de dar continuidade ao bom trabalho que realiza na cidade, principalmente na segunda gestão.

Quem priva da amizade do prefeito, sabe que ele se omitiu da campanha para não entrar em choque com o governador Flávio Dino, que apoiava Duarte Júnior, candidato pelo qual não dispensa nenhuma simpatia.

A torcida do atual prefeito era por Eduardo Braid, no qual votou silenciosa e tranquilamente.

UMA CAMPANHA DE PROMESSAS

Eu sou, com muita honra, eleitor da terra onde nasci e pela qual tenho mórbida paixão: Itapecuru. Mas como vivo e moro em São Luís, acompanho com desusado interesse as eleições aqui transcorridas.

Quero com isso dizer que, das eleições municipais travadas em São Luís, de 1992 a 2020, nunca vi e ouvi tantas promessas mirabolantes, demagógicas e irresponsáveis dos candidatos à sucessão de Edivaldo Holanda.

Neste ano, os candidatos, sem exceção, no primeiro e no segundo turno, sem dó e piedade do eleitor, nos debates e entrevistas pelas emissoras de rádio e televisão, prometeram realizar coisas impossíveis, como se o Brasil não estivesse atravessando uma crise sem precedentes, provocada por uma pandemia, que afetou de modo brutal o sistema produtivo e terá uma brutal repercussão, nos próximos anos, nas transferências federais aos estados e municípios.

Outro problema, que observei com a devida atenção: nenhum candidato teve a preocupação de dar uma olhada no orçamento da prefeitura de São Luís, para saber através daquela carta de intenção, a disponibilidade de recursos para aplicar em diferentes setores da municipalidade.

Para os candidatos, não vale ver orçamento na campanha. Essa tarefa é para depois da posse e quando, no exercício do cargo, se defrontarem com uma realidade inimaginável.

Aí vem a frustração e o desespero, face à carência de recursos, pois os cofres da prefeitura não dispõem de lastro financeiro suficiente para o cumprimento das promessas descabidas e levianas.

MORTOS E VIVOS

Terminadas as eleições, que o candidato eleito se lembre daquela máxima do Marquês de Pombal, quando do terremoto que arrasou Lisboa em 1755: – Que se enterrem os mortos e cuidemos dos vivos.                     

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A INGRATIDÃO DO POVO DE BACABAL

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Eu construí forte e indestrutível amizade com João Alberto de Sousa há mais de sessenta anos, como colega de turma no Liceu Maranhense.

Acabado o ciclo ginasial, tomamos o destino do Rio de Janeiro, onde estudamos em faculdades diferentes. Ele formou-se em economia e eu abandonei o curso de agronomia, retornando a São Luís, onde bacharelei-me em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Faculdade de Direito.

Foi no Rio de Janeiro, que João Alberto, trabalhando em banco privado, começou a desenvolver as atividades políticas e sindicais, interrompidas pelo movimento militar de 1964.

Em 1966, quando José Sarney se elege governador do Maranhão, e procurava técnicos maranhenses em outros estados, para vir trabalhar no seu governo, João Alberto se apresenta e veio de armas de bagagens para a terra natal, onde pela capacidade de trabalho e integridade moral, ocupou vários cargos públicos, nos quais não brincava em serviço, daí o apelido conquistado de Carcará.

Pelo brilhante desempenho na atividade administrativa, João Alberto elegeu-se deputado estadual pela Arena. Sempre fiel e leal a Sarney, disputa outros cargos legislativos e executivos, destacando-se os de deputado federal, senador, prefeito de Bacabal, vice e governador do Estado, mostrando desempenho satisfatório e conduta retilínea.

Em março de 1990, na condição de vice-governador, assume a chefia do Governo, em substituição a Epitácio Cafeteira. Na composição do primeiro escalão de sua equipe administrativa, convocou-me para o cargo de secretário da Cultura, funcionando paralelamente como assessor político.   

 Ao longo desses 60 anos, eu e João Alberto, embora atuando em áreas diferentes, nunca deixamos de ser amigos e de mantermos permanentes diálogos e conversas políticas.

Por conhece-lo desde tempos remotos e inesquecíveis, quando éramos felizes e não sabíamos, não me conformo com o comportamento do eleitorado de Bacabal, onde João Alberto não nasceu, mas adotou a cidade como sua terra natal, razão porque devota a ela inexcedível amor e incurável paixão.

Pelo que fez e realizou em favor Bacabal, no exercício dos mais diversos cargos públicos, nos quais, prioritariamente, destinava verbas e emendas parlamentares, para melhorar a situação do município, não me conformo e  revolto-me com os bacabalenses, que, no recente pleito de 15 de novembro, deram-lhe um tratamento eleitoral injusto, ele, que tentava encerrar a sua militância política, elegendo-se vereador à Câmara Municipal da cidade que ama e venera. 

O mandato de vereador de Bacabal, significava algo de transcendental importância pessoal e política para João Alberto, pois investido nesse cargo, desdobraria esforços, para, com o peso de seu conhecimento e do prestígio conquistado como homem público, carrear de Brasília recursos para a prefeitura desenvolver ações fecundas e positivas em favor das comunidades urbana e rural.

Muita gente, inconformada com a inesperada derrota de João Alberto, achava que ele, pelos elevados cargos legislativos e executivos ocupados, não deveria submeter o seu nome a uma eleição de pouca expressão política.

Mas ele não pensava assim. O mandato de vereador de Bacabal era o coroamento de uma longa trajetória política, no exercício da qual mostraria ao povo de sua terra o carinho que a ela devota.

Com a força do voto popular, negado de maneira traiçoeira pelos bacabalenses, para representá-los na Câmara de Vereadores, empregaria a sua larga experiência política e administrativa, para dar uma contribuição efetiva ao desenvolvimento do município e da melhoria de vida dos mais necessitados.

CONFINAMENTO TOTAL

O ex-presidente José Sarney e Dona Marly, pela longevidade, são figuras humanas de risco.

Por isso, o casal segue à risca às recomendações médicas e há sete meses não coloca os pés nas ruas de Brasília.   

Sarney, para o seu médico e amigo, o infectologista paulista, David Yup, disse que quer ser o primeiro brasileiro vacinado contra a corona vírus.       

FLÁVIO E BOULOS

Não é só em São Luís que o governador Flávio Dino se encontra engajado na eleição do segundo turno, para eleger o candidato, Duarte Junior.

Em São Paulo, torce pelo candidato Guilherme Boulos e aparece nos meios de comunicação, pedindo voto para o opositor do prefeito Bruno Covas.

MATRIARCADO POLÍTICO

As mulheres estão cada vez mais participando das atividades políticas no Maranhão.

Salvo melhor juízo, a primeira representante do sexo feminino a disputar eleição de prefeito no Maranhão, Dona Noca Santos, elegeu-se gestora de São João dos Patos, nos meados do século passado.

Nas recentes eleições de 15 de novembro, mais de quarenta mulheres se elegeram para governar os municípios maranhenses.  

ELEITOS SUB JUDICE

Com o fim das eleições municipais, vai começar uma nova etapa de sobrevivência dos eleitos.

Trata-se da luta de prefeitos, vices e vereadores na Justiça Eleitoral, eleitos com algum tipo de pendência judicial, que, conforme o resultado do julgamento, pode alterar o pleito.

COROBA VÍRUS

Os meus conterrâneos de Itapecuru, estão dizendo que nas recentes eleições municipais trocaram a corona vírus pelo Coroba Vírus.

PUREZA DE BACABAL

Em dezembro, estará nas telas de todo o Brasil o filme “Pureza”, protagonizado por Dira Paes, no papel de uma mulher que nasceu em Bacabal e deixou a cidade em 1993, em busca do filho Abel, aliciado para trabalhar como escravo numa fazenda do sul do país.

O ELEITORADO DE BARREIRINHAS 

O engenheiro Aparício Bandeira, secretário de Obras e Serviços Públicos de Barreirinhas, presenciou nas eleições municipais que lá se travaram, um fato nada comum e que a difere das demais cidades maranhenses.

Ao longo de toda a campanha eleitoral, os candidatos a prefeito e a vereador, não realizaram comícios, passeatas, caminhadas ou qualquer outro tipo de propaganda eleitoral, que perturbasse a vida da população ou sujasse a cidade.

Em Barreirinhas, nos dias atuais, disse-me Aparício, o povo só pensa em turismo e ganhar dinheiro.        

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