Bequimão e o legado de Juca Martins

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O saudoso Dr Juca Martins

No dia 19 de junho de 2019, o município de Bequimão irá comemorar os seus 84 anos de emancipação política. Como acontece desde 2013, a Prefeitura Municipal preparou uma vasta programação para a comunidade festejar essa data especial, com a realização de torneios, atos religiosos, queima de fogos, desfiles, partilha de bolo, cavalgada, maratona, corrida ciclística, gincana, danças juninas etc.

Da obra “Tapuitininga”, do bequimãoense Domingos Pereira, colhe-se que o território do município de Bequimão foi delimitado no período colonial com a criação da freguesia de Santo Antônio e Almas, em 7 de novembro de 1805, desmembrada da freguesia do Apóstolo São Matias (Alcântara).

Hodiernamente, a população tem muitos motivos para comemorar o aniversário do seu município, visto que a administração do prefeito Zé Martins proporcionou avanços administrativos e sociais nunca antes alcançados em Bequimão. Com efeito, a Baixada se orgulha de contar com um dos melhores prefeitos do Maranhão.

O maior líder político da história de Bequimão foi o Dr. João Batista Cantanhede Martins (Juca Martins), pai do prefeito Zé Martins, e falecido em 18 de agosto de 2017, aos 79 anos, após dedicar-se por mais de 50 anos à vida pública do município de Bequimão.

Como prefeito arrojado e empreendedor, Juca Martins deixou um legado de muitas obras estruturantes: edificação das primeiras escolas da zona rural; instalação do célebre Ginásio Bandeirante; construção do Cais do Porto, da Praça Santo Antônio e da Praça da Bíblia; calçamento das principais ruas e avenidas; asfaltamento da entrada da cidade e da principal rua de acesso; construção de postos de saúde; eletrificação rural em vários povoados; construção de barragens; estruturação do bairro Cidade Nova, hoje o maior de Bequimão etc.

Juca Martins deixou sua marca indelével como homem de convicções firmes e princípios morais reconhecidos por aliados e adversários, pessoa de reputação ilibada, político sempre coerente com o seu ideário e gestor laborioso, em constante busca por benefícios e melhorias para a sua gente e o seu município. Guerreiro que nunca se abateu diante das adversidades e que dispôs de ânimo para, aos 60 anos, conquistar e frequentar um curso superior.

Assim, em 1999, Juca Martins graduou-se como Bacharel em Direito, surpreendendo todos pela bravura de voltar a estudar mesmo em idade mais avançada. E foi aprovado em seu primeiro exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

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Stalin, o czar vermelho

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Depois da morte de Lênin, em 1924, o governo soviético foi assumido por uma troica composta por Stalin, Zinoviev e Kamenev (veteranos bolcheviques). Logo depois, Stalin conseguiu investir-se do poder absoluto e comandar a URSS por 30 anos. Aliás, a falta de alternância de poder sempre foi uma tradição nos países socialistas. Em 1936, Stalin determinou a execução dos seus dois ex-companheiros de breve triunvirato. Em russo, Stalin significa “homem de aço”.

Após a ascensão de Stalin, a URSS foi transformada em um inexpugnável big brother. A propósito, o livro “1984”, de George Orwell, reporta-se a um governo autoritário que submete os cidadãos a uma vigilância onipresente por parte do Grande Irmão (personagem que simboliza os governantes). Frequentemente a população era advertida com o slogan de propaganda ideológica do Estado: “O Grande Irmão está te observando”.  O domínio opressivo se impunha por meio da ameaça, da repressão e do terror. A similaridade com o estado kafkiano da URSS não é mera coincidência (como mostra o filme O processo, de Orson Welles).

Para garantir a obediência cega dos súditos do império soviético, Stalin instaurou um estado policial, mediante um regime político duro, totalitário, cruel e sanguinário. À semelhança dos ditadores nazifascistas, implantou a cultura do medo e da delação entre os membros do partido comunista e no seio da sociedade soviética. Vizinhos amedrontados eram coagidos a denunciar supostos “inimigos do povo” à KGB e outros órgãos de repressão política do establishment. As pessoas tinham que atuar como informantes compulsórios do estado leviatã bolchevista (recomenda-se o filme O círculo do poder).

Sua personalidade psicótica não admitia ser contrariada ou contestada. Stalin era autossuficiente e se bastava a si mesmo. Não conseguia conviver com a adversidade e divergência de opiniões. Agia movido pela mentalidade do confronto. Ruminava antagonismo o dia inteiro. O tempo todo ele necessitava de embate, conflito, contraposição. Desconfiava até dos mais íntimos acólitos que compunham o núcleo duro do poder no Kremlin.

Stalin nutria uma obsessão contínua com inimigos reais ou imaginários. Todos eram suspeitos o tempo todo de complô contra o seu poderio e sua governança. Em sua histeria paranóica, enxergava uma conspiração em cada esquina e acusava até mesmo a própria sombra de traição.

A ditadura do proletariado, teorizada por Marx, Engels e Lênin, é uma fase de transição entre o capitalismo e o comunismo, após a derrubada do estado burguês. Nessa etapa da revolução, a classe operária exerceria o controle do poder político. A ditadura do proletariado foi concebida em oposição à “ditadura da burguesia”. Porém, sob o domínio de Stalin, a classe trabalhadora que deveria ser emancipada foi reduzida a uma massa passiva, intimidada, silenciosa e aterrorizada. Assim, a ditadura do proletariado desvirtuou-se para uma “ditadura sobre o proletariado”, conspurcada por um déspota que se julgava o “guia genial dos povos”

Indivíduo de natureza tirânica e brutal, Stalin tornou-se um novo soberano, governando com mão de ferro um império que se estendia da Europa até os confins da Ásia, constituído por 15 repúblicas. “O povo russo não vive sem um czar”, bradava ele aos seus camaradas. Concentrando um poder ilimitado, reinava como um autocrata Romanov, transformando-se num verdadeiro czar vermelho.

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