A redefinição da inteligência na era da Inteligência Artificial

Com a expansão exponencial da tecnologia, culminando na consolidação da Inteligência Artificial como ferramenta cotidiana, a própria definição de inteligência sofreu uma transformação.

Durante muito tempo, ser inteligente significava acumular informação, demonstrar memória e domínio técnico sobre determinados assuntos. Hoje, esse parâmetro se revela insuficiente. A informação tornou-se abundante, acessível e automatizável. O que antes distinguia alguém era a posse do conhecimento, agora o que distingue é a capacidade de organizá-lo, interpretá-lo e aplicá-lo com discernimento.

A inteligência deixou de ser mera retenção de dados e passou a ser julgamento. Não basta saber, é preciso compreender. Não basta acessar respostas, é preciso formular perguntas adequadas. Em um mundo em que as máquinas produzem conteúdos em segundos, o diferencial humano reside na capacidade de estabelecer critérios, de distinguir o essencial do acessório, de atribuir sentido ao que é produzido.

Ser considerado funcionalmente inteligente hoje exige um conjunto mais complexo de qualidades, acesso a fontes confiáveis, cultura ampla, pensamento crítico, sensibilidade e empatia. São atributos que não se automatizam. A tecnologia calcula, mas não assume responsabilidade. Processa, mas não decide moralmente. Amplia capacidades, mas não substitui consciência.

A inteligência contemporânea não reside apenas em saber respostas, mas em saber perguntar. Não está apenas em conhecer conteúdos, mas em compreender como orientar as ferramentas disponíveis para que produzam resultados consistentes. Formular um bom comando tornou-se, em certa medida, uma nova forma de raciocínio. A clareza da pergunta passou a determinar a qualidade da resposta.

Mas há algo ainda mais profundo. A expansão tecnológica pode ampliar nossas possibilidades, mas não elimina nossas limitações humanas. Continuamos sujeitos à emoção, à dúvida, ao erro, à necessidade de pertencimento e de sentido. E é precisamente aí que reside nossa singularidade.

Ser inteligente agora é sustentar, em uma mão, a potência que a tecnologia oferece e, na outra, a responsabilidade que a condição humana impõe. É reconhecer que o progresso não nos exime da prudência. É compreender que nenhuma máquina pode substituir a consciência que responde por nossas escolhas.

No fim das contas, inteligência não é poder computacional, é equilíbrio. É saber usar as ferramentas sem se tornar ferramenta delas. É fazer da tecnologia um instrumento do pensamento, e não o seu substituto.

Perfil

“Poeta, contista e cronista, que, quando sobra tempo, também é deputado”. Era essa a maneira como Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel aparecia no expediente da revista cultural Guarnicê, da qual foi o principal artífice. Mais de três décadas depois disso, o não mais, porem eterno parlamentar, ainda sem as sobras do tempo, permanece cronista, contista e poeta, além de cineasta.

Advogado, Joaquim Haickel foi eleito para o parlamento estadual pela primeira vez de 1982, quando foi o mais jovem parlamentar do Brasil. Em seguida, foi eleito deputado federal constituinte e depois voltou a ser deputado estadual até 2011. Entre 2011 e 2014 exerceu o cargo de secretario de esportes do Estado do Maranhão.

Cinema, esportes, culinária, literatura e artes de um modo geral estão entre as predileções de Joaquim Haickel, quando não está na arena política, de onde não se afasta, mesmo que tenha optado por não mais disputar mandato eletivo.

Cinéfilo inveterado, é autor do filme “Pelo Ouvido”, grande sucesso de 2008. Sua paixão pelo cinema fez com desenvolvesse juntamente com um grupo de colaboradores um projeto que visa resgatar e preservar a memória maranhense através do audiovisual.

Enquanto produz e dirigi filmes, Joaquim continua a escrever um livro sobre cinema e psicanálise, que, segundo ele, “se conseguir concluí-lo”, será sua obra definitiva.

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