Carta aberta ao presidente Jair Bolsonaro

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Prezado presidente,

Sou Joaquim Haickel, maranhense, casado, empresário, escritor e cineasta. Fui político durante 32 anos, tempo em que exerci mandatos de deputado estadual, deputado federal constituinte e secretário de estado.

Devo lhe dizer que na eleição de 2018 não iria votar no senhor, minha intenção era votar em um candidato mais preparado para enfrentar os imensos desafios que esses tempos complicados e difíceis exigiriam de um presidente.

Poderia votar no Meireles, mas a eleição era pra presidente e não para ministro da Economia! Minha esposa tentou cabalar meu voto para Amoedo, mas disse a ela que ele não decolaria. Álvaro Dias seria outra opção… Mas não… A grande decepção foi mesmo o Alckmin, que era minha primeira escolha e também foi minha primeira desistência, quando vi que ele não entendera o que estava acontecendo!…

Nunca cogitei em votar no Boulos, no Haddad, na Marina ou no Ciro, nesta escala de desimportância.

Meu irmão, desde o começo encampou a sua candidatura e essa chama se alastrou em nossa família, não tendo atingido apenas parte dos membros mais jovens, que haviam sido contaminados pelo aparelhamento gramscista da nossa sociedade, implementado pela esquerda, nas últimas décadas.

Desde que percebi que para nos livrarmos da péssima influência da esquerda, o único caminho possível era apoiar a sua candidatura, não tive dúvida em fazê-lo, porém o fiz da mesma forma como sempre agi na política, de modo franco, direto e aberto, sempre deixando claro que a minha opção era pelo candidato menos pior, já que em minha análise não havia nenhum que se pudesse dizer que fosse um bom candidato.

Minha tese era pragmática e simples: “Não sei o que se pode esperar de Bolsonaro, ele é uma grande dúvida, uma incógnita. Já com Haddad e tudo o que ele representa e o grupo que ele tem por trás de si, tenho a garantia de continuarmos sofrendo as agruras impostas pelo PT e seus asseclas.”

Agora, depois de empossado, o senhor não é mais um capitão do Exército brasileiro, não é mais vereador do Rio de Janeiro, nem deputado federal. O senhor é presidente da República Federativa do Brasil e como tal deve se comportar e agir.

O senhor e seus ministros devem agir como presidente e ministros, não “twitadores”, youtubers” ou “blogueiros”. As opiniões de vocês não são mais apenas suas, são dos representantes do governo. A sua opinião não é mais a opinião de um candidato, mas a do presidente de todos os brasileiros. Entender, aceitar e agir de acordo com isso é decisivo para o sucesso de seu governo e consequentemente, de nosso povo, de nossa economia e de nosso país.

A campanha eleitoral já acabou!…

Seus filhos, mesmo sendo eles um senador, um deputado federal, um vereador, e um casal de jovens estudantes, são tão somente isso, seus filhos, em sua casa e até mesmo no Palácio da Alvorada. Nas ruas, para a população de um modo geral, eles são apenas seus filhos e como tal têm que se comportar. Os filhos de um presidente da República precisam entender que como seu pai, eles estão submetidos às mesmas obrigações e precisam respeitar e honrar o povo brasileiro. Coloque ordem na casa, presidente!… Faça o seguinte! Pergunte para seus filhos se eles querem ser lembrados como o são os filhos de Lula!?

Presidente, nós não o elegemos para se perder no caminho. O elegemos para nos livrar de 24 anos de governos de esquerda.

O que temos visto é algo parecido com o que eu imaginava. O senhor não estava preparado para ser presidente. Em compensação, de início, quase ninguém está! Mas o senhor está exagerando no despreparo. Age como se ainda fosse um deputado! O senhor é presidente, homem!

Precisamos que o senhor nos lidere no intento de sairmos do fundo do poço em que nos colocou o PT e seus aliados. É preciso que o senhor ponha ordem em sua casa, e falo isso em três níveis. Sua casa familiar, sua casa governamental e política, e sua casa nacional.

As suas atitudes decidirão como o senhor será lembrado no futuro. Existem exemplos que o senhor pode se guiar para se espelhar. O senhor quer ser lembrado como o são os presidentes militares? Quer ser lembrado como é o Sarney? O Collor? O FHC? O Lula? Ou a Dilma? Eu se fosse o senhor, iria preferir ser lembrado por ter sido o presidente que reabilitou a confiança do povo brasileiro em si e em sua pátria e de lambuja recuperou nossa economia. Para isso é preciso que o senhor tome tenência!…

Sigo confiando que meu voto, assim como o voto da maioria dos brasileiros foi dado ao candidato menos pior, mas desejando fortemente que o senhor prove que eu e muitas outras pessoas estávamos errados, e que na verdade votamos no melhor dos candidatos disponíveis.

Sem mais para agora,

Abraço,

Joaquim Haickel.

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Arrumando a casa!?…

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Passei os dois últimos anos do primeiro governo de Flávio Dino fazendo análises e críticas sobre seu modo de agir politicamente. Indiquei e provei diversas vezes que a mecânica da política se impõe sobre qualquer um e em qualquer caso, não importando quem seja o agente ou sua ideologia. Digo isso para reafirmar que a mera mudança de governante não significa mudança na prática política propriamente dita.

É bem verdade que pelo fato do grupo hegemônico anterior ter permanecido muito tempo no poder, a mudança que ocorreu em 2014 se sobressaiu bem mais.

Há uma outra coisa que precisa ser dita. Flávio Dino, espertamente, agiu em seu primeiro mandato como se na verdade estivesse na oposição, fazendo com que as críticas e as cobranças que deveriam ser feitas ao seu governo, fossem direcionadas para seus adversários!

Mas isso tudo é passado! Vamos ver o que o presente nos oferece e qual futuro nos aguarda.

FD está fazendo uma grande rearrumação em seu governo, trocando secretários de pastas, demitindo uns e indicando novos para substituí-los. O governador tem para com seus auxiliares uma postura muito peculiar. Ele não é igual a João Castelo, que ganhou de seus amigos o carinhoso apelido de “Deixa Comigo”, pois em que pesasse ter um excelente time de secretários, Castelo jogava nas 11 e fazia gols de placa em várias áreas! Flávio tem poucos auxiliares que possam ser chamados realmente de secretários, pessoas que realmente tenham autonomia. O que ele tem em abundância são prepostos, pessoas designadas por ele para cumprirem o papel protocolar de obedecê-lo e seguirem milimetricamente suas orientações.

Depois de se eleger para um segundo mandato, o governador precisa reacomodar seus aliados, que não são poucos, e para isso precisa calcular com astúcia e perícia cada movimento, no que é ajudado pela falta de competência de seus correligionários no que diz respeito à indicação de bons nomes para ocuparem cargos estratégicos.

Exemplo disso é o DEM, que perdeu a SEDES por não ter a sabedoria de indicar o nome do ex-líder do governo, Rogério Cafeteira, para essa secretaria. Flávio Dino precisava colocar Rogério em um cargo e o DEM, pensando mais em seu umbigo, perdeu uma grande oportunidade de empreender uma das mais importantes manobras da política: fazer filho na mulher dos outros!…

Rogério Cafeteira foi indicado para a SEDEL na conta pessoal do governador e o DEM parece que ficará com menos do que já tinha ou receberá algum posto bem menor que a SEDES.

Sobre a indicação de Cafeteira para a SEDEL, Dino comete o mesmo erro cometido por Roseana Sarney em 2011, ao nomear uma pessoa com excelente qualificação em outras áreas para exercer a gestão da SEDEL.

Espero que Flávio aproveite a oportunidade da arrumação no secretariado e separe as secretarias de cultura e turismo, uma vez que este importante setor precisa ser muito incrementado, para trazer para nosso estado as divisas dessa indústria.

Quanto ao futuro, tudo indica que os ventos sopram decisivamente para estufar as velas do barco de Carlos Brandão, que como vice-governador, deve assumir o governo em meados de 2022 e se candidatar ao governo.

Deste movimento dependem todos os outros que passo aqui a imaginar e relatar: Em 2022 Flávio Dino se desincompatibilizará para disputar o Senado; Brandão, que sábia e competentemente, desde já, começa a criar em torno de si um grupo que lhe garanta a disputa do governo com grande vantagem, tomará posse; Weverton e Josimar devem ser outros dois postulantes ao governo e também estão neste mesmo grupo político; no time da oposição não vislumbro até este momento nenhum nome que possa ameaçar Brandão; Weverton deve se acertar com o vice, que precisará em sua campanha, do partido do senador, o PDT, que numa negociação vai querer indicar o vice do colinense; Josimar pode ou não se candidatar ao governo, mas penso que o “bota pra moer” que existe dentro dele não permitirá, levando-o a um possível acordo.

Bem, era isso que eu tinha pra dizer hoje! Até uma outra oportunidade.

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Cinéfilo!?… Sim!…

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Fui assistir ao filme “Green Book” e não me decepcionei! Pelo contrário, adorei!

Sou daqueles que de tão calejado, conhece um filme de diversas maneiras: pelo título, pelo elenco, pela sinopse, e até pelo cartaz. Outro dia um ogro, na tentativa de me ofender, disse que eu era apenas e tão somente um mero cinéfilo e para o desespero do referido infitético eu me realizei com o insulto, até porque se alguém ama o que faz, o faz com mais devoção e consequentemente com mais entrega, o que já é meio caminho andado para que se alcance o sucesso. Mas, deixemos os recalcados em sua tábula rasa (rasa não no sentido que deram Aristóteles ou Locke, que acreditam que a mente ou o intelecto, começam vazios e depois se enchem, mas rasa no sentido de que assim sendo, não tem muito espaço para encher com nada).

Sobre “Green Book”, aconselho que vá assistir, pois qualquer briefing que eu der sobre ele será insuficiente. Li em algum lugar que esse filme lembrava “Conduzindo miss Dayse”! Pode até ser que algum saudosista ache isso, mas as maiores semelhanças entre estes filmes são em relação ao fato da história se passar quase toda dentro de um carro! No mais, o fato dos dois personagens de cada filme terem uma incrível complexidade, ao mesmo tempo em que são perfis característicos de suas épocas e circunstâncias. A sensibilidade, a devoção, a amizade, o respeito que se sobressai no decorrer da história, são outros aspectos que estão nas duas obras.

Já tive oportunidade de comentar aqui sobre um outro filme que como “Green Book” está entre os melhores de 2018 e como ele, concorre ao Oscar deste ano. Falo do sensacional “Roma”.

Conversando com meu amigo, Marcio Salem, um dos nossos melhores críticos de cinema, comparamos os dois filmes e ele achou “Roma” melhor que “Green Book”. É completamente possível que essa opinião esteja correta. Inclusive, concordo com ele no que diz respeito ao trabalho de reconstituição de época. Enquanto o trabalho desenvolvido em “Roma” mostra uma Cidade do México em 1971, em planos abertos, com uma cenografia e direção de arte perfeitas, “Green Book” mostra Nova York e algumas outras cidades americanas em 1962, mas em planos fechados, sem a mesma riqueza de detalhes que o filme de Alfonso Cuarón apresenta. Em contrapartida, o filme mexicano se baseia nas impressões do autor sobre sua infância, o que o torna intimista, falando algumas vezes apenas a ele mesmo e a algumas pessoas que viveram experiências parecidas, enquanto o filme americano fala de sentimentos universais, comuns em todos os tempos, em todos os lugares e a todas as pessoas.

Decidir qual filme é melhor entre produções magistrais como essas é tarefa muito difícil ou no mínimo delicada, pois essas produções, bem como outras, tão boas quanto elas, quando colocadas em julgamento, tendem a ter pontuação bem semelhante, sendo diferenciadas por detalhes que para alguns podem parecer insignificantes.

No caso em questão, o roteiro de “Green Book”, em minha modesta opinião de cinéfilo, é mais bem estruturado que o de “Roma”, que é mais pessoal e ilustrativo da vida do autor. As performances de Mahershala Ali e Viggo Mortensen são melhores que as de Yalitza Aparício e Marina de Tavira. Já o trabalho de recriação de época de “Roma”, bem como a direção de Alfonso Cuarón, superam os mesmos itens em “Green Book”. Aparentemente há aqui um empate que deve ser decidido milimetricamente no final.

A minha sugestão é no sentido de que vocês assistam a todos os filmes que concorrem ao Oscar deste ano para tirarem suas próprias conclusões. E não se esqueçam de assistir também o grande sucesso da temporada, “Muleque té doido – Mais doido ainda”.

PS: Uma grande injustiça foi cometida! Nem sequer indicaram o filme “Jangada” para concorrer na votação que decidiria qual o filme brasileiro participaria da seleção para o Oscar de melhor filme estrangeiro deste ano! Que coisa feia!…

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