O documentário “A Pedra e a Palavra”, de Joaquim Haickel, ganha dois prêmios

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Encerrado o XVIII Festival Internacional de Cinema de Avanca.

 

O documentário “A Pedra e a Palavra”, de Joaquim Haickel, ganha dois prêmios.

 18º FESTIVAL DE CINEMA AVANÇA 2014

 

 

 

 

 

 

http://antestreia.blogspot.pt/2014/07/premios-de-avanca-2014.html

 

Veja abaixo a reprodução da matéria.

 

Prémios de Avanca 2014

Terminaram os “Encontros Internacionais de Cinema, Televisão, Vídeo e Multimédia – AVANCA 2014”, encerrando 10 dias de festival e 5 dias de competições, conferências e workshops internacionais. Comemorando a décima oitava edição, o AVANCA 2014 contou com mais participantes e atribuiu prémios a filmes e autores de 17 países.

“O Último Inverno” do realizador iraniano Salem Salavati arrebatou o Prémio Cinema para a Melhor Longa-metragem, tendo ainda recebido o Prémio Melhor Atriz que distinguiu AsiyehMoradizar. Foram ainda distinguidas com Menções Especiais as longas–metragens “Não-conformidade” de Igor Parfenov (Ucrânia) e “A Busca” de Luciano Moura (Brasil). Este último filme foi também distinguido com o Prémio Melhor Ator, atribuído a Wagner Moura.

A curta-metragem “O imortalizador”, de MariosPiperides (Chipre), ganhou o Prémio Curta-Metragem e Prémio Estreia Mundial. O Prémio Animação distinguiu o filme russo “Tons de Cinzento” de Alexandra Averyanova. O Prémio Vídeo distinguiu o filme mexicano “Ar” de RominaQuiroz. O Prémio da Melhor Fotografia distinguiu Amir Alivaisi do filme iraquiano “Preto & Branco” de JalalSaepanah.

O Júri, presidido pelo investigador e escritor António Abreu Freire, foi constituído pelos cineastas YevgeniPashkevich (Letónia), Tommaso Valente (Itália), Margarita Hernandez (Cuba / Brasil), o investigador Jason Dee (Reino Unido) e LyudmilaBila (Ucrânia).

Entre as categorias mais esperadas deste ano, esteve a “Competição Avanca”. Reunindo uma selecção de obras produzidas na região, foram distinguidas a longa-metragem “Pecado Fatal” de Luís Diogo, a curta-metragem “Balança” de Rui Falcão, o documentário “A Pedra e a Palavra” de Joaquim Haickele a animação “Foi o fio” de Patrício Figueiredo.

O Júri deste prémio foi presidido pelo produtor Paulo Trancoso e constituído pelo cineasta Bernardo Cabral e pelos programadoras Ayoub El Anjari El Baghdadi (Marrocos), GamzeKonca (Turquia), Rosângela Rocha dos Santos (Brasil) e Flávia Vargas (França / Brasil). Este júri atribuiu ainda uma menção especial a “Mamãs de papelão” de Nuno Cristino Ribeiro.

Um outro júri constituído pelos professores Leonel Rosa e Manuel Freire, pelo poeta António Souto, pelo pintor Acácio Rodrigues, pela investigadora Ana Cristina Pereira e pelos cineastas Henrique Vaz Duarte, Manuel Matos Barbosa, Manuel Paula Dias e Rui Nunes, atribuiu os prémios televisão.

O documentário “Shado’man” do holandês Boris Gerrets recebeu o Prémio Televisão. O Júri atribui ainda Menções especiais aos filmes “Sangre de Dragón” de Nacho Luna (Espanha) e “Trazosenlacumbre” de Carlos Molina (Venezuela).

 

O Prémio Estreia Mundial foi atribuído à curta-metragem “O imortalizador” de MariosPiperides (Chipre)”, e aos documentários “The VaticanandtheThird Reich” de Rufo Pajares (Espanha) e “A Pedra e a Palavra” de Joaquim Haickel (Brasil / Portugal).

A competição “Trailer in Motion” distinguiu o trailer “Der Kreis” de Stefan Haupt (Suíça) e o videoclipe “Le peuple de l’Herbe – parlerle fracas” de Wasaru (França). Também o videoclipNapoleon” de Marco Miranda (Portugal) recebeu uma Menção Especial. O júri foi constituído pelo crítico Nuno Reis e pelo músico Sérgio Ferreira.

Entretanto, na “AVANCA|CINEMA, Conferência Internacional Cinema – Arte, Tecnologia, Comunicação”, o Prémio Eng. Fernando Gonçalves Lavrador, em homenagem póstuma a um dos mais relevantes investigadores portugueses na área da semiótica, estética e teoria do cinema, distinguiu ax-aequo o investigador finlandês JoukoAaltonen da AaltoUniversity e Carlos Júnior Rosa da Universidade de São Paulo, Brasil. Também os investigadores Luís Leite e Marcelo Lafontana da Universidade do Porto e Michael Morgan da EuropeanFilmCollege (Dinamarca), receberam Menções Especiais.

O júri deste prémio foi constituído pelos académicos Francisco Garcia (Espanha), WaiLukLo (Hong Kong), Yen-Jung Chang (Taiwan) e os portugueses Anabela Oliveira, José Ribeiro, Rosa Oliveira, Pedro Bessa e José Marta.

A organização científica internacional “IAMS – InternationalAssociation for Media in Science” atribuiu ainda umas menção especial à comunicação dos investigadores portugueses Alexandra Abreu Lima e Jorge Ramalho, numa declaração apresentada pelo professor e físico nuclear Alessandro Griffini (Itália).

No total, seis júris constituídos por 34 individualidades de 14 países atribuíram 19 prémios e 9 menções especiais.

O AVANCA acontece todos os anos em Avanca no Distrito de Aveiro e é uma organização do Cine-Clube de Avanca e Câmara Municipal de Estarreja com o apoio do ICA/Secretaria de Estado da Cultura, Instituto Português do Desporto e da Juventude, FCT, IAMS, Academia Portuguesa de Cinema, Universidades de Aveiro e Coimbra, ESAP, ESAD, Teatro Aveirense, Junta de Freguesia, Paróquia e Escola Egas Moniz de Avanca, para além de várias entidades locais.

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A Democracia do Almoço de Domingo

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Chova ou faça sol, todo domingo, estando em São Luís, almoço na casa de minha mãe. Eu, meus irmãos Nagib, Lúcia e Jorge juntamente com nossas famílias, mulheres, marido, filhos, noras, genros, amigos e agregados. Alguns domingos somos umas trinta pessoas.

Nossa família é como toda família. Somos unidos mesmo tendo nossas diferenças. Torcemos por times diferentes, mas sempre juntos pela Seleção Brasileira… Se bem que um membro importante do nosso clã, um “maluco” que pouco ou nada entende de futebol e de política, achou que se a Seleção Canarinho fosse mal na Copa do Mundo o país iria melhorar… Tolo, não sabe que as coisas não acontecem assim, caso contrário seria muito fácil resolver certos problemas!

Um desses domingos, depois do almoço durante a sobremesa, surgiu o assunto da eleição. O tema foi pegando fogo e de repente resolveu-se fazer uma simulação de eleição com os presentes.

Fizemos várias rodadas de consultas. Começamos pelo cargo de presidente da República. Ao final da conferência chegou-se ao resultado de AN9, DR 8, EC1 e 3 disseram ainda não ter resolvido em quem votar.

A segunda rodada de votação foi para senador. 15 disseram que votariam em GV, 3 em RR e 3 disseram ainda não ter resolvido em quem votar.

Seguimos então na apuração dos votos da nossa Távola Retangular dominical. Para deputado federal a disputa seria mais acirrada, pois meu cunhado resolveu fazer boca de urna para seu candidato. Se eu não o amasse tanto, por ele ter a santa paciência de viver com minha irmã em paz e harmonia pelos últimos 40 anos, eu iria dar-lhe voz de prisão e proibí-lo de tomar o cafezinho da sogra. Ao final tivemos LM com 9 votos, PN com 6 (nessa época ele ainda era candidato), CT com 4 e os 2 outros votos foram dados a candidatos contrários ao meu grupo político e devo aqui justificá-los.

Não declinarei o nome dos eleitores, mas citarei seus candidatos e o motivo de seus sufrágios. Um dos eleitores disse que votava em JC por ser seu amigo e dever-lhe atenção e carinho. O outro eleitor divergente disse que votaria em JRT, pois há muitos anos este lhe deu um emprego. Fiquei com vontade de dizer-lhe que quem deu o emprego foi o prestigio que JS emprestou para o tal candidato. Calei.

O clima estava acalorado, a temperatura tinha aumentado e os ânimos estavam exaltados. Minha mãe ria!… Ela adora ter a família em torno dela. Meses antes ela havia pedido para ir ao TRE para se recadastrar, pois queria votar. Minha mãe de criação, Mãe Teté, resolveu não fazer o mesmo: “Não dou mais pra isso…”

A votação continuou. Era a hora de escolhermos nosso deputado estadual. Aqui aconteceu uma coincidência, pois dois dos candidatos votados tinham as mesmas iniciais. RC1 teve 12 votos e RC2 ficou com os outros 9, isso depois de minha cunhada e um amigo da família fazerem campanha para seus respectivos candidatos.

Quando chegou a hora de votar para o cargo de governador o que se viu foi um massacre. ELF 21 e FD zero.

Quis saber os motivos do voto de cada uma daquelas pessoas. Escolheram este candidato porque acreditam que ele realmente fará um bom governo? Alguns disseram que votam nele por não concordarem com os posicionamentos dos outros candidatos. Minha mulher vota nele por ele ser empreendedor. Minha segunda filha vota nele por crer que ele irá transformar o nosso estado sem usar armas como a hipocrisia. Alguém comentou que vota nele porque o ouviu discursando e se empolgou com sua fala. Minha tia solteirona disse que ele é um “gato”. Um sobrinho disse que ele passa confiança.

Ao final todos nós comemoramos a maravilhosa família que temos e a deliciosa democracia que desfrutamos. Uma democracia baseada no respeito e no amor.

Ao me despedir de minha mãe ela me puxou para o lado e me disse ao ouvido que ela acreditava que meu amigo iria ganhar a eleição. Disse que não será uma eleição fácil, mas que acredita que ele realmente possa fazer mais pelo Maranhão e sua gente, disse que eu posso contar com o trabalho dela e de suas amigas e amigos em mais essa campanha.

Saí da casa de minha mãe naquele domingo como saio sempre, feliz! Mas naquele dia a felicidade tinha um outro sabor. Não era do maravilhoso cuxá com peixe frito e torta de camarão. Não era o sabor do dulcíssimo abacaxi de Turiaçu nem do Romeu e Julieta, nem do cafezinho de nossa velha. O sabor que ficou em nossa boca era o sabor da alegria por termos uma família grande, que convive em harmonia.

Ao chegar a minha casa senti algo um tanto estranho. Era como se meu pai me falasse ao ouvido: “Fico feliz ao ver que tua mãe ocupou com perfeição o meu lugar à mesa…”

Em algumas ocasiões sinto falta de meu pai. Numa campanha política poucos eram tão bons quanto ele. Mas foi no convívio diário, nos almoços de domingo que minha mãe nos ensinou o valor da família e meu pai, a importância do debate e da democracia.

 

 

 

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Pra cumprir tabela.

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Nos últimos 60 dias todo mundo falou sobre a Copa do Mundo da FIFA. Eu também falei, mesmo que apenas de passagem. Agora, transcorrido o tempo regulamentar, acabada a prorrogação e cobrados os pênaltis, entregue a taça para quem realmente tinha direito a ela, vou comentar sobre esse evento que é o maior do mundo, depois dos Jogos Olímpicos, é claro.

A Fifa é a dona do futebol mundial. É ela quem estabelece as regras e os parâmetros do esporte e de suas competições. É ela quem diz o que pode e o que não pode se fazer. Seus dirigentes são talvez os mais autoritários dirigentes de instituições do mundo. Até ai tudo bem, pois aceita seu autoritarismo quem deseja participar do mundo do futebol. Quem desejar ficar de fora não será atingido por ele, não sofrerá suas consequências, sejam elas positivas ou negativas.

O volume financeiro envolvido nessa competição é astronômico e no frigir dos ovos, é este o verdadeiro motivo por trás de tudo. Tudo aqui é tudo mesmo. Coisas como a escolha de onde será disputada a próxima Copa, como os critérios de escolha de patrocinadores e fornecedores do evento, até a escolha dos selecionados nacionais pelos técnicos, que são influenciados e influenciam o mercado de preço dos jogadores envolvidos. Engana-se quem quer, mas é assim que é.

Aquela frase de Shakespeare cabe perfeitamente neste caso: “Há mais coisa entre o céu e a terra do que pode imaginar a nossa vã filosofia”. Você e eu não somos capazes de imaginar o mundo infinito de coisas que existem e a infinidade ainda por ser inventada no mundo do futebol, tudo tendo como base o dinheiro que a paixão humana pode movimentar.

Tendo comentado superficialmente sobre a dona da bola, vejamos as coisas concernentes à participação do governo brasileiro nesse evento.

Partindo-se da concepção de que tudo que o governo diz deve ser visto com desconfiança, a Copa do Mundo do Brasil de 2014 foi um grande sucesso.

Explico: Não só este governo, mas todo governo, seja ele federal, estadual ou municipal. Seja ele um governo de qualquer uma das três Américas, um governo europeu, asiático ou africano, ele não irá realizar exatamente o que se comprometer. O nível de excelência de um governo é decorrência direta do déficit de efetividade da realização do prometido. Sendo assim, a Copa foi um sucesso, pois o governo brasileiro deve ter entregado uns 50% daquilo com que se comprometeu. O resto do sucesso desse evento correria mesmo por conta da simpatia de nossa gente, da maravilhosa hospitalidade da população brasileira, do seu jeito único de receber as pessoas em sua casa.

As obras de reforma e construção dos estádios da copa, dos aeroportos, de mobilidade urbana, de segurança, de conforto turístico, bem ou mal foram suficientes para suportar as demandas de todos, brasileiros e estrangeiros que para cá vieram.

Fui a dois jogos da Copa, um no Maracanã e outro no Castelão, em Fortaleza. Fiquei impressionado. Não houve o caos aéreo que todos propagavam, não houve o caos no trânsito automobilístico que todos disseram que haveria, não houve a insegurança generalizada que todos propagaram, não aconteceu a vergonha que todos disseram que iríamos passar, pelo menos não fora das quatro linhas…

Com a Seleção Canarinho infelizmente a história foi outra. Nosso time sofreu em todos os jogos que disputou. Sofreu ganhando e padeceu perdendo. O time não foi a sombra do que poderia ter sido. Taticamente era dependente do genial Neymar, sem ele o time simplesmente não existiu. Nem com ele seria possível superar forças como Holanda, Argentina e Alemanha. Termos ganhado de México, Chile e Colômbia foi o máximo que poderíamos fazer nessa competição, e olhe lá!

No esporte a justiça não é o ingrediente principal. Muitas vezes vence aquele que não é o melhor, como aconteceu em 1950, 1978, 1982 e 1986, quando o Brasil tinha o melhor time do mundo e não venceu a Copa. Este ano a melhor equipe venceu. Os melhores, sem sombra de dúvidas, foram os alemães, que jogaram um futebol bonito de se ver, de toque de bola, de paciência, sem erros. Uma verdadeira pintura.

A regra da competição tirou a segunda colocação de quem a merecia, a Holanda, que também apresentou um belíssimo futebol, em alguns aspectos mais bonito até que o alemão, mas menos eficiente.

O terceiro lugar deveria caber mesmo aos nossos mal educados vizinhos argentinos, que tem um futebol inversamente proporcional à empáfia e a arrogância de seus torcedores.

O quarto lugar ao nosso time deve ser visto como consequência das regras de emparceiramento da competição, pois outras seleções demonstraram ser bem melhor que a nossa, mas como já disse o esporte não é terreno onde campeia a justiça, esporte é outra coisa e como tal deve ser encarado.

Fora do campo de jogo tudo foi um sucesso, dentro, pra nós, foi um desastre. Menos mal, isso pode ser resolvido mais facilmente que os outros problemas que temos que enfrentar no dia a dia. Bola pra frente!

 

PS: Morreu na noite da sexta-feira, 18, um grande amigo de minha família. “Seu” Zé do Vale foi o caseiro do nosso sítio durante anos, no tempo em que o Angelim ainda era muito distante. Seus filhos foram criados junto conosco.

Naquela mesma noite morreu também o ex-jogador de futebol Roberto Oliveira, pai de meu bom amigo, deputado Roberto Costa. Estas são ocasiões sempre difíceis.

 

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A arte de conhecer pessoas

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Uma das coisas que eu mais gosto é observar as pessoas, suas ações e reações, e sempre que posso, gosto também de conversar com elas, interagir.

Tenho feito isso desde que me lembro. No início fazia por curiosidade, depois vi que fazendo isso escondia um pouco a minha timidez, mais tarde descobri que fazer isso alargava meus horizontes, me dava um conhecimento não só sobre aquelas pessoas, mas sobre todas e principalmente sobre mim. Nelas eu me via, me espelhava, com isso poderia controlar-me de forma mais isenta e satisfatória nos cenários da vida.

Recentemente pude conhecer algumas pessoas fascinantes. Conhecê-las me deixou emocionado.

Fui assistir ao jogo Brasil e Colômbia pelas oitavas de final da Copa do Mundo, em Fortaleza. No avião, um dos melhores lugares para se conhecer pessoas – na Inglaterra vitoriana era nos trens – conheci a pequenina Maria Luiza, de cinco anos. Um azougue. A linda criança não parava um só segundo. Longe de me incomodar eu me vi nela, como eu era quando criança. Vi minha filha Laila a quem às vezes procurava em seu corpinho um interruptor para desligá-la por alguns minutos. Vi meu sobrinho Nagib Neto e tantas outras pessoas com a mesma característica.

Puxei papo com Malu e lembrei que esse seria o nome que Nilminha queria colocar em sua primeira filha. Perguntei quantos anos tinha, onde ela estudava e ao lado de sua mãe ela era totalmente desembaraçada. Só demonstrou sua idade quando ensaiou um choro por querer ir sentar-se junto de sua avó que estava algumas cadeiras à frente.

Na saída da aeronave passamos não só pela avó de Malu, mas também por sua bisavó, dona Teresa, que me cumprimentou e disse que seu falecido marido havia trabalhado com meu pai na Assembleia Legislativa.

Da mesma forma que Malu, dona Teresa, mesmo aos 83 anos demonstrou uma energia invejável. Comentou sobre os meus artigos, disse que os lê todo domingo, que gosta muito da forma coloquial e simples com que abordo os temas, que os lendo ela se sente como se estivesse batendo um papo comigo.

Nossa conversa congestionou a saída da aeronave. Ela me abraçou e se foi com sua família.

Vi-me refletido naquelas duas pessoas. Um projetinho energético de mulher e uma mulher-árvore, que já deu frutos e sombra, mas que mantém sua energia intacta.

Já em Fortaleza conheci um garçom chamado Maciel. Nada de muito especial havia nele, mas uma coisa me chamou a atenção. Ele parecia ter uma devoção verdadeira pelo seu ofício. Com certeza ele não estava ali só pelo salário e pelas gorjetas. Ele parecia gostar do que estava fazendo. Vi-me nele também, pois um de meus lemas é “fazer o que se gosta e gostar do que se faz”.

No voo de volta sentei-me ao lado de um jovem cearense que carregava um enorme livro onde estava escrito em letras garrafais a palavra concurso.

Não demorou para que o metido aqui perguntasse o nome dele, onde ele iria fazer o concurso e para que era.

Euclides era seu nome e ele estava indo para Belém prestar concurso para juiz. Imediatamente perguntei que idade ele tinha, ao que respondeu-me 25.

Tal qual Zeca Diabo, contei até 10 antes de expor a ele minha opinião sobre tal absurdo. Um jovem advogado, com pelo menos três anos de registro na OAB e de prática efetiva da advocacia poder ser juiz de direito em qualquer comarca deste país. Não falei nada pra ele, não queria tirar dele a concentração e o foco dos estudos finais das provas que seriam no dia seguinte.

Mas com você eu posso comentar. Por que motivo a lei obriga um candidato a senador ou a governador ter no mínimo 35 anos e permite que um juiz, que vai decidir o destino jurídico dos cidadãos possa ter menos que isso?

Mas este é um tema bastante polêmico, tratemos dele em outra oportunidade.

Ao voltar pra casa peguei um táxi no aeroporto. Automaticamente comecei a conversar com o motorista, uma das duas categorias que em minha opinião são os melhores termômetros da nossa sociedade – a outra é a dos garçons.

Não vou declinar o nome verdadeiro do jovem motorista, pois o assunto é de foro íntimo e ele não me autorizou a comentar nossa conversa. Vou chamá-lo de Maike.

Primeiro busquei saber se ele me conhecia. Fiz isso para que a consulta que iria lhe fazer fosse totalmente isenta.

Com apenas 23 anos Maike não sabia quem eu era, nunca havia me visto mais magro. Podia crivar-lhe de questionamentos.

Depois do preâmbulo de praxe, perguntei em quem ele havia votado para presidente. Dilma. Vai repetir o voto? Não. Vai votar em quem? Vou justificar minha ausência ou votar em branco. Por quê? São todos iguais!

Desconversei um pouco, falei de outras coisas, e voltei à pesquisa.

Quem são os candidatos a governador? Silêncio. Quem você acha que vai ganhar? Não sei, não! Vai votar em quem? Flávio Dino. Quatro anos atrás você votou em quem pra deputado? Nem lembro… E pra governador? Flávio Dino. E pra prefeito, votou em quem? Edivaldo. Você está satisfeito com ele? Nunca!… Sua administração é um desastre! Votaria nele novamente? Jamais!

Pelo retrovisor vi a expressão de espanto no rosto do motorista. Expressão resultante de sua própria afirmação. Calei em respeito ao pensamento que visivelmente ele elaborava em sua cabeça.

Depois de alguns instantes, Maike, em um tom quase cerimonioso disse: “Eu votei antes no Flávio Dino e disse que votarei nele agora novamente, mais por revolta que por convicção. Pensando melhor, já que os que se dizem representar a mudança não mudaram nada na prefeitura de São Luís, não sei mais em quem votar… Tinha esperança que votando neles as coisas poderiam melhorar, mas fez foi piorar doutor!…”

Desci em casa, paguei a corrida e Maike se foi. Não sei ao certo em quem ele vai votar, mas sei que ele sabe pensar. Faça ele o que fizer, o fará com consciência.

 

PS: Esse texto foi escrito antes da decisão do terceiro lugar da Copa contra a Holanda. Espero que a Seleção Brasileira tenha se reabilitado.

Fiquei mais decepcionado do que triste com nossa derrota para a Alemanha. A forma como o time jogou reflete o vexatório placar. Mas futebol é apenas um esporte e como tal deve ser encarado. A vida é mais, é maior e continua depois dos jogos. Bola pra frente!

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O Esporte e a Política

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Aprecio a política por suas nuances antropológicas, sociológicas, psicológicas e culturais. Pela possibilidade do controle de circunstâncias e a condução de consequências. Pela busca da eficiência, da efetividade e da eficácia, de forma conjunta e simultânea nas nossas ações.

Gosto muito dos esportes, principalmente por eles serem magníficos substitutos da ânsia do homem pela guerra.

Da mesma maneira que em outras atividades humanas o esporte, e nesse caso especifico, o futebol tem os ingredientes políticos importantíssimos. Vejamos: Em ambos existem regras que devem ser cumpridas; há um sistema judiciário que bem ou mal controla e fiscaliza ambas as atividades; há desvio de condutas nos dois casos; existem craques e pernas de pau, tanto nos gramados quanto nos palácios e nos parlamentos; o resultado do placar nem sempre reflete o desempenho em campo… E por aí vai!

Essa Copa do Mundo foi cercada por uma grande onda midiática negativa, mais por incompetência do governo e má fé de alguns setores da política, da mídia e da sociedade, do que por qualquer outro motivo.

Se perguntarem para qualquer cidadão de bom senso se ele prefere que os recursos investidos na Copa do Mundo fossem destinados para a saúde e educação, não haveria resposta divergente. Ocorre que se fosse outro o governo que não o do PT, o posicionamento em relação à Copa teria sido o mesmo. Se fosse o PT que estivesse na oposição, os protestos contra a Copa seriam bem piores do que os que aconteceram e os que ainda acontecem. Isso é política em sua forma menos vistosa. É ai que o ingrediente político se apresenta de forma nociva, pois se a tese é minha eu a defendo e pronto, se ela é de um adversário eu a ataco e exploda-se.

Do ponto de vista do governo, esse ou outro qualquer, nós precisávamos reformar e modernizar nossos aeroportos, nossos sistemas de mobilidade urbana, nossos sistemas de segurança e até mesmo nossos estádios. Logo, com a Copa faríamos isso e ainda teríamos realizado aqui um campeonato mundial de nosso esporte mais amado.

Alguém que me lê agora pode pensar que eu não tenho problemas de consciência quanto ao fato de ser secretario de Esportes do estado? Quanto ao fato de não poder fazer mais do que se faz. Tenho e muito.

No que diz respeito a nossa administração à frente do setor esportivo estatal, acredito que exista uma coisa de ruim que pode ser dita. Ainda não resolvemos o problema das piscinas do Complexo Esportivo do Outeiro da Cruz. Esse é o único item que me incomoda e muito no que diz respeito ao tempo em que eu e a minha equipe tem dirigido a Sedel. Os outros que possam ser apontados são questões menores ou de opinião. E não me venham falar do Costa Rodrigues, pois ele está sendo resolvido. Acontece que nesse caso existem muitos problemas burocráticos e judiciários de solução demorada.

Mas voltemos às piscinas do CEOC. Elas foram abandonadas faz 10 anos, por um ex-governador que hoje fala em mudança, da mesma maneira que o Castelão e todas as demais praças esportivas públicas pertencentes ao Estado.

No caso do Castelão, em muito boa hora a governadora Roseana resolveu o problema, levando a cabo sua reforma e modernização, não no padrão FIFA, mas num padrão condizente com a nossa realidade.

No caso das piscinas, o que ocorre é que para reformá-las precisaríamos de um investimento em torno de R$ 4 milhões. Reformadas elas gerariam uma despesa com manutenção que hoje não pode ser arcada pela Sedel, tendo em vista que nosso orçamento é muito pequeno. É aí que vem a grande dúvida do gestor público preocupado e responsável: qual o verdadeiro custo/benefício de se realizar uma obra dessas? Fazendo isso haverá retorno. É claro que sim, mas muita gente vai malhar, dizendo que dessas piscinas não saíram nenhum grande campeão e esse dinheiro poderia ser usado para consertar os presídios do Estado.

No caso do Castelão, a reforma foi muitíssimo importante. Nosso Estádio é o principal motivo do soerguimento de nosso futebol. Com ele foi possível se materializar a magnífica trajetória de meu Sampaio nos últimos dois anos, será possível que o Moto de meu saudoso pai volte a ser o Papão do Norte!

Mas e as piscinas do CEOC? Será que devemos vender a casa de veraneio do Calhau para reformá-las, ou devemos usar esse dinheiro para construirmos algumas praças esportivas pelo interior do Maranhão, fazendo com que o esporte possa ser realmente uma ferramenta de integração social, de educação, de segurança, de apoio a saúde? Como não há recurso orçamentário para esse fim, esperamos que alguma empresa venha patrocinar a Federação Maranhense de Esportes Aquáticos e levar em frente um projeto da lei de incentivo ao esporte que prevê a reforma das piscinas e a manutenção delas, sob o controle da federação.

Digo sempre que dinheiro não falta aos governos, principalmente nos níveis federal e estadual. O que falta é boa visão para os governantes e postura decente àqueles que lhes fazem oposição.

 

PS: Dezoito partidos fizeram uma magnífica festa no Centro de Convenções da Universidade Federal do Maranhão, no último dia 27, onde aclamaram Edison Lobão Filho candidato a governador do Maranhão.

Muita gente achou que o lugar escolhido era ruim e inapropriado. Disseram que o lugar era imenso, cabia cinco mil pessoas sentadas e 10 mil em pé, que era fora de mão, sujeito a problemas com grupos de estudantes ligados aos nossos adversários… Mas Edinho foi firme e não se deixou intimidar. Disse que o local da convenção seria aquele mesmo e que ele seria o símbolo de seu compromisso com a educação, com a juventude, com o trabalho e com o compromisso de transformar o Maranhão.

Essa atitude inaugura, de forma simbólica, a abertura de nosso grupo a um maior dialogo com a sociedade e preconiza a renovação pela qual o Maranhão irá passar.

 

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