Argumentum ad hominem e etc…

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Recorrentemente tenho sido vítima de Argumentum ad hominem, termo proveniente do latim, que significa “argumento contra a pessoa”, que na prática nada mais é do que uma falácia usada quando alguém procura desqualificar uma tese usando uma crítica contra seu autor e não ao conteúdo do seu argumento.

Essa falácia ocorre porque quem a comete tira uma conclusão sobre a proposição analisada sem examinar seu conteúdo, ou, por não ter contra argumentos fortes o suficiente para atacá-la, resolve atacar seu propositor. Quem usa este artifício ataca a pessoa que apresentou uma tese e não a tese que a pessoa apresentou.

O argumento contra a pessoa assume também outras formas. Ele ataca, por exemplo, o caráter, a honradez, a nacionalidade, a raça ou a religião da pessoa. Alguns caem na alusão a alguma condição física da pessoa, como o fato dele ser baixinho, careca, gordo… Em outros casos, a falácia sugere que a pessoa, por ter algo a ganhar com o argumento que usa ou defende, é movida por interesse. A pessoa pode ainda ser atacada por associação, por suas amizades ou suas companhias. O fato é que o caráter ou as circunstâncias da pessoa nada tem a ver com a verdade ou a falsidade da proposição defendida.

O argumento contra a pessoa é uma falácia caracterizada pelo elemento da irrelevância, por concluir sobre o valor de uma proposição através de uma premissa sem valor dentro do contexto da discussão, que neste caso é um juízo sobre o autor da proposição.

Esse tipo de argumento pode ser agrupado também entre as falácias que usam o estratagema do desvio de atenção, ao levar o foco da discussão para um elemento externo a ela, que são as considerações pessoais sobre o autor da proposição.

Essa prática é, em minha opinião, uma das mais baixas e repugnantes que existem, pois ela é repleta de preconceito em sua significação mais elementar. Além disso, demonstra claramente a incapacidade do oponente em se manter num debate, no campo das ideias, e resvalar na primeira sarjeta à sua frente e dar com a cara no esgoto de sua ignorância.

Argumentum ad hominem circunstancial coloca em foco a parcialidade do adversário, sugerindo que este tem algo a ganhar com a defesa daquele ponto de vista.

Tenho ouvido e lido muitas falácias deste tipo no que diz respeito à defesa que alguns artistas e jornalistas fazem ao ex-presidente Lula por terem ganhado benesses de seu governo. Pode até ser verdade, mas é um exemplo claro disso!…

A Falácia Lógica ou Bulverismo, termo cunhado por C.S. Lewis, que consiste em refutar um determinado argumento, declarando que o mesmo está errado, passando em seguida diretamente a explicar o porquê de seu oponente estar fazendo uso de tal argumento.Essa falácia consiste no fato dos motivos de uma pessoa em nada interferir na veracidade ou na falsidade de um argumento usado por ela.

Lewis escreveu sobre esse tema em um ensaio publicado em um livro cujo sugestivo título fala por si: “Deus no Tribunal”.

Há também a “Falácia do Apelo à Hipocrisia”, ou “Tu quoque”, onde o oponente é acusado de praticar algo muito semelhante ao que o próprio acusador pratica corriqueiramente. “Tu quoque” significa em latim “você também”. Este é um argumento muito comum e eficaz, pois tende a colocar o oponente na defensiva. Ação comumente conhecida simplesmente como hipocrisia!

Um belo exemplo disso foi uma frase que ouvi outro dia em uma roda de pessoas conhecidas. Certa figura comentou maldosamente quando um terceiro passava: “As pessoas devem aprender a viver com o que ganham!” E eu fiquei pensando só comigo: “Mas você está completamente endividado e não faz qualquer esforço para mudar isso, além do que, não é bom pagador!”

Existe um desses ratos de esgoto contratado para defender uns e atacar outros, nas redes sociais, que a cada postagem que faço, comenta com a seguinte frase: “O que é mesmo que este senhor faz na vida?”, ao que eu respondo com um argumento contra terceira pessoa (ou quem sabe favorável a ela): “Pergunte à sua progenitora!”

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Esquerda e Direita

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Muito se tem falado sobre o tema explicitado pelo título deste texto! Vou entrar na roda!…

Existem duas maneiras de se analisar e de se estabelecer onde se posiciona no espaço filosófico, ideológico e político, um pensamento ou uma ação, ou mesmo um partido e seus membros.

Para esclarecimento, devo dizer como EU classifico as posições neste espectro. São sete. Há a posição central, e partindo dela para a esquerda, temos centro-esquerda, esquerda e extrema esquerda. Na direção contrária, temos centro-direita, direita e extrema direita. Cada uma dessas posições possui uma infinidade de subdivisões, mas para nossa conversa isso não vem ao caso.

No que diz respeito às posições ideológicas, existe um conceito MECÂNICO de enquadramento entre esquerda e direita.

Para que se entenda facilmente o que é uma ideia ou um partido de esquerda ou de direita, do ponto de vista mecânico, basta se substituir a expressão, “partido de esquerda” por PARTIDO DA MUDANÇA, e “partido de direita” por PARTIDO DA MANUTENÇÃO.

Na França, onde estes termos se originaram, os grupamentos de esquerda eram chamados de “grupos do movimento” e os de direita de “grupos da ordem”.

É neste ponto que reside o fracasso das ideologias ou partidos de esquerda, quando assumem o poder! Eles continuam agindo como se não estivessem ocupando a posição da manutenção e da ordem!

No caso da direita, a dificuldade de sucesso consiste em radicalizar suas posições ideológicas e políticas, não se abrindo para mudanças importantes e necessárias.

Não é raro fazerem confusão entre as posições de partidos ou mesmo de políticos, quanto à sua colocação no espectro ideológico linear. Essa confusão se deve, quase na totalidade das vezes, pelo referencial que se toma em cada caso.

Vejamos um exemplo clássico! Usando critérios mecânicos para analisarmos em quais locais da linha se delimitam a atuação ideológica e política de Getúlio Vargas e Washington Luís, vamos descobrir que o primeiro seria colocado à esquerda do segundo, pois Vargas pretendia mudar o conceito e a forma da política feita no Brasil. Na teoria, o que Vargas e os revolucionários de 30 queriam, era que fosse implantada uma MUDANÇA, um estado novo, o que acabou acontecendo, mas com um viés fascista, com ingredientes socialistas, e usando a força para sua MANUTENÇAO, o que o transferiu para a direita ideológica.

A mesma análise pode ser feita em relação a Paul Von Hindenburg e Adolf Hitler. Pelos critérios mecânicos da lateralidade e da semântica dos verbos MANTER e MUDAR, Hitler estava à esquerda de Hindenburg. Da mesma forma, Lenin estava à esquerda de Nicolau II, Mussolini à esquerda de Vitor Emanuel e Castro à esquerda de Batista.

A classificação mecânica sobre esquerda e direita é usada quase que exclusivamente pelos direitistas, que também usam a classificação ideológica, que é a única admitida pelos esquerdistas. Esta é a meu ver, é a mais válida.

A classificação ideológica leva em conta unicamente os princípios filosóficos e ideológicos que norteiam cada uma das posições políticas e partidárias.

Segundo essa classificação, do lado esquerdo do espectro, estão pessoas e partidos que defendem uma maior participação do estado na vida da sociedade e das instituições, regulando as relações entre elas de forma detalhada e minuciosa. São estatizantes. Têm como meta a maior centralização do poder de decisão. Defendem mais a igualdade da coletividade do que a do indivíduo. Buscam a todo custo regular as relações econômicas de mercado.

É na posição da esquerda que se colocam as pessoas, os partidos e os regimes comunistas. Estes não admitem nem permitem que o indivíduo tenha liberdades fundamentais, como de expressão, crença ou ideologia.

Aqueles que são considerados de direita defendem com mais ênfase a diminuição da participação do Estado na sociedade, como forma de reduzir a corrupção, garantir a liberdade individual e promover o desenvolvimento econômico. São privatizantes e favorecem a liberdade de mercado. Colocam o patriotismo, os valores religiosos e culturais tradicionais acima de quaisquer projetos de reforma da sociedade.

Na posição da direita se colocam as pessoas, os partidos e os regimes democráticos liberais, que permitem que o cidadão decida seu destino, exigindo de todos apenas o devido respeito às leis.

Com base no estabelecido no segundo parágrafo deste texto, vejamos com exemplos mais próximos de nós, bem mais fáceis de entendermos, quem está à esquerda e à direita. Enfileiremos em uma linha, sete dos candidatos a presidente da República nas eleições de 2018: Alckmin, Amoêdo, Bolsonaro, Boulos, Daciôlo, Gomes e Haddad.

Em minha modesta opinião, indo do mais à esquerda para o mais à direita, a linha seria assim: Boulos, Haddad, Gomes, Alckmin, Amoêdo, Bolsonaro, e Daciôlo.

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Filmes como remédio

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Ninguém gosta de ser acusado! Imagine alguém dizendo que você é desonesto, mau caráter, violento… Isso incomoda qualquer pessoa. Um dia desses, um idiota me acusou de ser cinéfilo, achando que eu iria me ofender com isso. Amei a acusação, pois cinema é uma das coisas das quais eu mais gosto nesta vida. Penso que jamais poderia ter me tornado um cineasta razoável, se antes não fosse um amante do cinema.

Assisto a quase todos os tipos de filmes, exceção aos de terror, que não me agradam. Deve ser algo com raízes em minha infância. Mas hoje gostaria de comentar com vocês sobre dois filmes, de um tipo diferente de terror, algo bem mais impactante, pois acontece no dia a dia das pessoas, e não é fantasioso.

Estou me referindo a “O Retorno de Ben” e “Cafarnaum”.

“O Retorno de Ben” é uma produção americana, e conta com Julia Roberts no elenco. Nele vemos a luta de uma mãe para ajudar seu filho a superar o vício das drogas.

Montado em recortes temporais, o filme nos vai mostrando os acontecimentos que culminam com um desfecho previsto, mas é nesse frenesi que se desenrola todo esse drama. É um bom filme e precisa ser visto em família, até como remédio didático para pais e filhos.

“O Retorno de Ben” nos mostra uma realidade acachapante, que nos deixa em muitos momentos absolutamente atônitos, pois os fatos nele mostrados acontecem de forma tão natural e corriqueira. Vemos isso acontecer em nossa volta tão frequentemente que nem ligamos, e quando passamos duas horas, na sala escura do cinema, submetidos a encarar essa realidade, nos chocamos enormemente.

O outro filme é “Cafarnaum”, que não é sobre a cidade da Galileia por onde Jesus andou. A palavra cafarnaum, que ao que tudo indica, é de origem latina, significa caos, e o que vemos no filme é realmente um grande caos. Um caos urbano, um caos social, um caos humano.

O filme libanês nos mostra um Líbano que não vimos quando lá estivemos no ano passado. Fiquei tão chocado que por um instante pensei que nem no Brasil tivéssemos tanta miséria!

Se eu fosse seu analista receitaria esses dois filmes como medicação! Todos os pais deveriam levar seus filhos para assistir a esses filmes. Eles são uma aula de realidade.

Assistindo a esses filmes podemos ter a verdadeira noção dos caminhos por onde a vida pode levar as pessoas, e que mesmo em meio ao caos, existe gente de boa qualidade, independentemente de raça, gênero, religião ou poder financeiro.

“Cafarnaum” concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro e perdeu. Perdeu porque teve a infelicidade de concorrer com o excelente “Roma”, do aclamado cineasta mexicano Alfonso Quarón. Perdeu porque ele é de um realismo tão contundente que algumas vezes tive a impressão de não estar assistindo a uma obra de ficção, mas a um primoroso documentário, onde a câmera parece estar sempre colocada no ponto de vista de um privilegiado repórter que nos mostra a trajetória de Zain, um menino de uns 12 anos, que em minha opinião entra para a galeria de personagens heroicos do cinema mundial.

Zain não pula de edifício em edifício, não voa, não é musculoso, não usa máscara, não usa armas sofisticadas. A sua arma é uma incrível coragem e uma inacreditável capacidade de entender a sua vida e a vida das pessoas ao seu redor. A relação de Zain com os super-heróis é tão clara que no meio do filme aparece um senhor com uma fantasia daquilo que ele diz ser o “Homem Barata”, primo do Homem-Aranha, e que imediatamente nos lembra de Stan Lee.

O heroísmo de Zain consiste apenas e tão somente em viver e sobreviver em um lugar tão inóspito, tão cruel e degradante e ainda assim ter uma alma nobre, ser um homem bem formado e de bom caráter no alto de seus 12 anos.

Mais uma vez, nunca é demais, recomendo que pais e filhos assistam a esses preciosos filmes.

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Verdades incômodas

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Já se falou muito, se tem falado e pelo visto muito ainda se falará sobre os acontecimentos de 31 de março e 1º de abril de 1964.

Naquele tempo vivíamos em uma guerra, a tal da Guerra Fria, onde os Estados Unidos e seus alinhados, defensores das liberdades democráticas e da livre iniciativa, enfrentavam, em uma guerra sem o confronto bélico tradicional, os soviéticos e seus estados fantoches, defensores das ideias comunistas de Marx adaptadas por Lenin e levadas às últimas consequências por Stalin.

Os campos de batalha desta guerra não eram os convencionais. Essa guerra era travada pela imprensa, através de notícias e propaganda, nas universidades, nas igrejas, nos sindicatos e também em países que servissem de tubos de ensaio para o jogo das superpotências. Foi o que aconteceu nas Coreias, nos Vietnãs e em diversos países da África, como Angola e Moçambique e da América Central, como Cuba e Nicarágua, entre outros.

No Brasil não foi diferente. Sofremos a influência dos humores daqueles tempos.

Erradamente todos nós pensamos que ditadores são sempre usurpadores conservadores e de direita. Ocorre que o fascismo, tão alardeado pelos atuais esquerdistas, tem sua raiz exatamente na esquerda, basta que se estude a história do maior expoente do fascismo, Benito Mussolini, ou a do nosso aclamado Getúlio Vargas, que subiu ao poder por uma revolução contra os direitistas conservadores de sua época! É importante que se diga que há exceções, como é o caso de Franco, na Espanha, onde aconteceu o contrário.  Uma guerra civil em que os direitistas conservadores venceram os esquerdistas mudancistas, e que serviu de campo de provas para tudo o que viria depois, a Segunda Guerra Mundial e a própria Guerra Fria.

Bem, voltemos ao Brasil. Jânio renuncia e precipita tudo. Naquele tempo os vice-presidentes eram eleitos separadamente do presidente e a eleição de um vice de orientação política e ideológica diferente era muito possível e extremamente viável, eleitoralmente falando. Eu diria que era inclusive saudável. O que não poderia acontecer era a tentativa de golpe contra o regime democrático que foi tentado, mais pelos companheiros de Jango que por ele mesmo.

Quando isso ficou claro, a maior parte da sociedade civil, da igreja, dos políticos, que defendiam o regime democrático, as liberdades civis e a livre iniciativa, passou a conclamar as forças armadas a reagirem contra o que seria a implantação de um regime comunista no Brasil, pois era essa a intenção de Leonel Brizola, Francisco Julião e outros.

A intervenção militar, chamada por aqueles que a fizeram, de revolução, é chamada de golpe de estado e de ditadura por aqueles que queriam dar um golpe de estado e instituir uma ditadura do proletariado no Brasil. (vejam o PS)

As polêmicas de hoje são em muitos aspectos, tolas. Ora, negar que houve durante 21 anos em nosso país uma ditadura militar é idiotice, pois os fatos comprovam isso de forma insofismável, mesmo que o grande mestre Ives Gandra Martins, use uma figura de linguagem ou jurídica para afirmar que o que se teve foi um estado de exceção, uma vez que os presidentes se alternavam no poder, não caracterizando assim uma ditadura uníssona e personalística. Outra atenuante defendida por ele é o fato de que havia oposição reconhecida pelo estado e os sindicatos funcionavam…

Os que dizem ter havido ditadura argumentam que o Congresso Nacional foi fechado, havia censura prévia, só existiam dois partidos políticos, existiu perseguição e tortura…

Tudo verdade. De um lado e de outro. Verdades incômodas para todos.

Moral da história! Nenhum dos lados aceita ou reconhece as suas culpas, e aponta as dos opositores como raiz de todo mal, de tudo o que ocorreu naquela quadra de nossa história. Coisa de gente tosca, obtusa, incapaz de entender ou pelo menos aceitar com o mínimo de tolerância a argumentação dos outros.

Em minha modesta opinião, o que houve foi um contra golpe de estado antecipado, onde depois se implantou uma ditadura militar, que não devolveu o controle do governo e do Estado à sociedade civil no tempo previsto, devido à escalada da guerrilha comunista que se estabeleceu no país.

Negar os fatos é um absurdo!

PS: Acessem os links e vejam as entrevistas de Fernando Gabeira e Eduardo Jorge sobre isso: www.youtube.com/watch?v=cP5PGY08vbs   

www.youtube.com/watch?v=H5h4xW558hk

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