Um pedaço da Ponte – Parte I

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Vou inaugurar uma nova fase de postagem nesse blog. Já que com a mudança editorial do Jornal  O Estado do Maranhão, passei a escrever naquele matutino apenas quinzenalmente, na semana que eu não publicar naquele veículo, publicarei aqui contos, crônicas e poemas publicados em meus livros ou de algum amigo. 
 
Começo hoje com o prefácio que meu querido companheiro de Assembléia Nacional Constituinte, Artur da Távola, fez para meu livro “A Ponte”, editado pela Global Editora em 1991.
 
Em seguida lhes ofereço um pouco do “Engenho Central, Pindaré”, feito com a inestimável colaboração da maravilhosa memória e da imensa sensibilidade de minha tia Josefina.
 
FACÚNDIA
 
Joaquim Haickel é um facundo.  Na vida como na literatura.  Raros escritores são, na arte, o que na vida são.  E sua facúndia existencial estende-se para a literatura. É um célere, um devorador.  Afoito, prefere as pedras preciosas in natura.  Seu afã é descobri-Ias, jamais o paciente ato de as lapidar.  A mistura de velho árabe sábio com garoto levado que lhe marca a tipologia e o temperamento aparece nos contos.  Ora, a surpreendente inversão e economia dos contos “Agenda”, “Ambulante”,” Padre Nosso” e ” Geladeira”, ora o vezo regional de maranhense empedernido dos contos “As Moças do Curralzinho e os Rapazes do Pau Furado” ou o flagrante da Coluna Prestes pelo interior de seu estado, ou ainda o seu intenso e belo conto “Engenho Central, Pindaré”.

Não importa que o facundo Joaquim salte da cidade de Imperatriz, no Maranhão, para qualquer sartreana angústia existencial ou para o erotismo sadio que o atormenta tanto na vida pessoal quanto na literatura. Assim são os facundos: generosos, dispersivos, estróinas do talento. O mesmo Joaquim Haickel que pode ser visto jogando de cortador e saltando alto com seus 110 kg no voleibol ou viajando para aprofundar-se na cultura chinesa, por certo sentado ao lado da mais bonita morena presente no avião; o mesmo Joaquim Haickel que pode ser visto a trabalho sério como deputado federal ou ouvido na estrepitosa gargalhada de que são pródigos os felizes e saudáveis, pode ser encontrado, também, na ternura simples por personagens femininos que inventa e pressente como a comovente ” Clara Cor-de-Rosa’ ou a visão trágipatética de Francimar o menino que era menina por vontade da mãe.

Joaquim Haickel é, pois, um facundo.  Sua literatura imita-lhe a vida.  E sua vida (ah! que alívio) é venturosa.  Sim, enfim, senhores, eis que surgiu alguém naturalmente feliz e que do fundo da alegria de viver é capaz de encontrar a tragicidade, o espanto, a parada sensível.  E assim como atira-se a viver, sem tréguas, lamúrias ou timidez, vai criando e devorando vivências e personagens com apetite invejável.  Invejável, sim.  Nós outros, temerosos, prudentes, ora ficamos com raiva do desperdício à espera de que ele amadureça os temas e trabalhe os textos, o teor das histórias, a sua ideologia e rigor temático, ora ficamos é mesmo com inveja de tanta seiva, riqueza e talento, o que o leva, pródigo mas feliz, ao desperdício de quem nasceu forte, alegre, e concebe a vida como deliciosa aventura e, não, como penosa tarefa a enfrentar.
 
Artur da Távola 

Engenho Central, Pindaré

Sei, por sua mãe, que você é curioso quanto às velhas histórias do Pindaré, berço de seu pai.  E agora que voltei, estou mandando para sua apreciação as reminiscências de um passado.

O que mais me admirou foi o aumento da população, o muito de desconhecidos que tomaram conta da terra, já que nós, os filhos do lugar, processamos em estranhas plagas arriar ferro.

E quedeí-me a pensar naquela manhã em que meu avô, imigrante libanês, chegou num velho gaiola que fazia a carreira do rio Pindaré.  Chegou, descarregou as malas, e ali mesmo, no pátio da fábrica de açúcar – que naquele tempo era a maior riqueza do Maranhão – foi abrindo as malas e vendendo à prestação para os operários, as roupas de carregação e as bugigangas de que se munira no comércio de São Luís.

Era o ano de 1909.  Por esse tempo, o Município de Engenho Central, hoje Pindaré, constava de três ruas, com casas bem distantes umas das outras.  As casas das três ruas foram se aconchegando mais.

Foi ali que nasci e cresci.  Bons tempos aqueles em que todos se conheciam, e a gente sabia tudo um da vida do outro.  Sabia-se, por exemplo, quanto vendera a loja do Dr. Mamede ou o que se almoçava em casa do Dr. Florindo; e, quando os pais surravam os filhos, se ouviam de longe os gritos e a taca comendo no lombo e pernas dos garotos que não obedeciam, respeitavam ou temiam os mais idosos. E os passantes ainda gritavam num apoio irrestrito aos pais que corrigiam os filhos: ‘-‘Bate, que perdida é a que bater no chão”” ‘ Uma execução em regra para crescerem disciplinados e educados.  Assim conversavam entre si os nossos pais.

As mulheres da vida eram poucas, pela manhã os interessados cochichavam com quem dormira a Elpidia e a Florentina.  Bons tempos!  Na venda do Dico Coelho era a reunião diária, à boca da noite, do pessoal de segunda, para um dedo de prosa e um ou outro gole de cachaça.  E quando estava lá o Alexandre, o riso era ouvido com mais freqüência. Ele gostava de contar anedotas e lembro-me ainda de sua mão grossa de vaqueiro espalmada mostrando-me nos dedos o passar dos anos e o murchar do sexo dos homens. Mostrando o polegar, ele dizia, olha vinte, no indicador, olha trinta, no médio, olha quarenta, no anular, olha cinqüenta e, com o mínimo, bem aberto, e apontando para baixo, olha sessenta.Todos ríamos, porque aquela era a verdade que todos esperavam com o passar dos anos.

Na farmácia de Tunico Melo se reunia o pessoal de primeira, e como a família morasse na mesma casa, as moças casadoiras iam até lá e ficavam na sala de visita, enquanto nós, os rapazes, ficávamos na calçada olhando de quando em vez pela janela aberta.

Quando havia alguma festa de aniversário, o chocolate com bolo de roda, broa ou manuê era uma verdadeira delícia!  E era também uma boa ocasião para brincadeira de prendas ou cantoras acompanhadas por violão.

Aos domingos, o terço rezado na capela por “Seu Mano” era um pretexto para os vestidos novos das moças e a pintura no rosto que só nos domingos podiam usar.

Missa só duas vezes por ano: no tempo do Natal e em junho, na festa do padroeiro, com procissão, ladainhas, foguetes, sinos, orquestra (vinda de outra cidade) e tabuleiro de doce.  O luar iluminando o largo da capela e roupa nova para o baile.
Padre Hellíerd era o vigário da região que vinha desde Vitória do Mearim até Boa Vista por esse mundão de matos por povoar.

Certa vez, depois de dizer missa em Plndaré, seguiram viagem para Monção e Boa Vista.  Era costume alguns senhores da região viajarem com o padre de um a outro lugar, todos montados em gordos burros de selas com coloridos coxinilhos, arreios enfeitados de moedas de prata e os pás enfiados em caçambas de bom metal

Pois bem, certa vez seguiram com o padre alguns senhores de Pindaré e, entre eles, Chico Pinto, coronel das terras de Mato-dos-Boís.  Lá pras tantas, já anoitecendo, o guia, contrafeito, avisou ao padre que havia perdido o roteiro. Estavam perdidos na mata.  Casas eram difíceis de encontrar numa região que não as tinha.  Todos ficaram apreensivos, e o padre acabou dando esta opinião: “Já que estamos perdidos, soltemos as rédeas aos animais e deixemos que eles nos levem a algum lugar”

Chico Pinto pulou do burro e, soltando uma palmada na sela, berrou no silêncio da mata: “”Forte miséria, padre”. “O que foi, Chico?” perguntou o padre, alarmado.

– Forte miséria, você passar 11 anos no seminário e hoje deixar-se levar pela cabeça de um burro!

Os gaiolas iam de mês a mês, e a civilização nos chegava atrasada e em conta-gotas.  Líamos jornais com trinta dias de atraso!

E, quando outra noite, um avião perdido nas rotas aéreas roncou nos céus da minha terra, a mulher do Chico Esfola Bode, que há muito vinha traindo o marido, jogou-se aos pés do pobre como e confessou seu erro.  Quando ficou constatado que não era um pedaço do céu que vinha se quebrando, houve tabefes e facadas.

O primeiro rádio chegou!Levado por seu Chibinho Rabelo.  Duvido muito que qualquer outro acontecimento neste vasto País tenha barateando e marcado uma população por quanto nos barateou.  Marcou época porque, por mais de cinco anos, foi o único rádio do lugar.  E nesses cinco anos a gente contava as coisas e dizia: foi antes do rádio chegar, foi no ano que o rádio chegou, foi depois Je chegada do rádio.

E o rádio avisou até a morte da mãe de “‘Leite (2uente”‘, um preto que nasceu no ano da liberdade.  Um dia em que ele passava pela casa dos Rabelo, ouviu o rádio dizer.  “,Só Leite, ta mãe morreu” E ele contava: “quando uvi o bicho dizê eu taquê pé, taquê pé e cheguei lá a véia tava dura”

Minha tia Alzira e dona Jerusa eram as professoras do Pindaré e procuravam explicar da melhor maneira o que e como era o rádio.  Mas não dava para entender e muito menos acreditar.  Era mais compreensível acreditar num homenzinho de voz possante que se alimentava com coisas estranhas saídas de bateria.  E quando as baterias, certa vez, enfraqueceram, o rádio ficou mudo; teve quem levasse ovos e leite para “alimentar” o enfraquecido homenzinho.  Era assim o Pindaré.

E agora, eis-me aqui, no pátio da bonita casa de meu irmão, há relembrar aqueles tempos.  Não, não vou dizer que no meu tempo era melhor.  Os muitos anos, as desilusões e as tristezas que por mim passaram e me fizeram de vista curta é que me impedem de apreciar a beleza de que a atual geração é privilegiada.  Ainda há fome.

É noite de luar, e eu acabo de ver que é a mesma lua e a mesma brisa, o mesmo céu e o mesmo Deus de minha geração.  E isto é um conforto.
 

Dedico este conto a minha querida e saudosa tia Josefina,
mulher à frente de seu tempo.

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Assembleia Legislativa entrega prêmios no Festival Guarnicê de Cinema de 2009

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Dedos extraídos das matérias de autoria de
Ellen Serra e Viviane Menezes da agência Assembléia.

O deputado Joaquim Haickel (PMDB) comentou, nesta quarta-feira, 24, o êxito do 32º Festival Guarnicê de Cinema (2009) e afirmou que o Parlamento maranhense estabeleceu um marco na existência do evento ao criar o “Prêmio Cinematográfico Assembleia Legislativa”.

Na tribuna, Joaquim Haickel compartilhou com todos os deputados a homenagem que recebeu durante a festa de encerramento do festival, realizada no Teatro Odylo Costa Filho, no último domingo, 21.

O evento, realizado anualmente pelo Departamento de Assuntos Culturais (DAC) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), aconteceu no Teatro Odylo Costa Filho e reuniu diversos atores, produtores e diretores do cenário cinematográfico nacional.

Presente há 32 anos no panorama cultural, o festival já se tornou um referencial do meio. O objetivo, segundo Euclides Moreira (secretaria de Cultura), é revelar talentos, formar platéia e divulgar os vários dispositivos audiovisuais brasileiros.
“É uma espécie de oásis cultural, responsável por uma formação de cultura cinematográfica nacional”, observou Alberto Dantas, diretor do DAC, que agradeceu o empenho do deputado Joaquim Haickel junto ao governo do estado do Maranhão, mais especificamente às secretarias de Cultura e Planejamento, dirigidas por Luis Bulcão e Gastão Vieira.

Os prêmios instituídos pelo poder Legislativo, através de um projeto de lei de autoria do deputado Joaquim Haickel, gratificam trabalhos audiovisuais em curta-metragem, realizados no Maranhão ou sobre o nosso Estado e por maranhenses. “São uma demonstração de que a Assembleia Legislativa também se preocupa com o universo cultural”.
O vencedor de cada categoria recebe do Legislativo Estadual um prêmio no valor de dez salários mínimos. Na noite de ontem, JR Balbi recebeu o prêmio “Deputado Bernardo Almeida” pelo melhor vídeo digital “Bicho do Pé”. Já o cineasta Francisco Colombo faturou o prêmio “Deputado Erasmo Dias” com o filme “Reverso”.

O prêmio “Deputado Mauro Bezerra” que recompensaria o melhor na categoria documentário, foi dividido entre os dois documentários maranhense desta edição do Guarnicê, “Levo de Alcântara” de José Patrício Neto e Terence Kelleer e “Impressions” de Breno Ferreira.

Quem também marcou presença no evento foi o deputado federal Ribamar Alves (PSB). Ele é autor de uma Emenda que visa à construção do Museu de Memória Audiovisual do Maranhão. “São R$ 900 mil destinados a instalação desse Museu, que na verdade, constituirá o embrião do cinema maranhense, Onde os cineastas poderão desenvolver seus projetos”, afirmou Joaquim.

Segundo Haickel, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional investirá, nos próximos meses, R$ 2,15 milhões na construção do museu. Além dos R$ 900 mil da iniciativa de Ribamar Alves, também destinaram emendas com idêntico propósito os deputados federais: Pedro Novais (R$ 250 mil), Sétimo Waquim (R$ 200 mil), Gastão Vieira (R$ 100 mil), Carlos Brandão (R$ 50 mil) e Cléber Verde (R$ 50 mil). O senador Epitácio Cafeteira também se juntou à causa e apresentou emenda no valor de R$ 600 mil.

HOMENAGEM

O deputado Joaquim Haickel, também, foi homenageado durante o encerramento do Festival Guarnicê de Cinema, com a exibição do filme “Pelo Ouvido” que completa um ano este mês. Foi a primeira vez que o curta foi, oficialmente, apresentado em película no país.

Com 17 minutos de duração, o filme baseado num conto, também chamado Pelo Ouvido e de autoria de Joaquim, é considerado o de maior repercussão até hoje, sendo exibido em mais de cem festivais no Brasil e no exterior e obtendo mais de 11 prêmios.

Sua maior alegria foi ter recebido os primeiros prêmios de “Pelo Ouvido” no Maranhão: o de melhor atriz e de melhor filme pelo júri popular. Ele agradeceu a todos e disse que tudo que ele faz é por amor.

“Tudo que tenho feito pelo cinema do Maranhão não precisa de agradecimento, tudo que faço, faço pensando em mim também. Faço porque amo e porque acredito no amadurecimento dos cineastas maranhenses”, finalizou Joaquim.

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Amizade e Respeito

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Esta semana mais uma vez me questionei sobre qual seria, dentre todos, o sentimento mais importante e acabei esbarrando no grande poeta Vinícius de Moraes que dizia, causando polêmica, que a amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, pois ela permite que o seu instrumento, o amigo, e o seu objeto, a amizade, sejam divididos com outras pessoas e com outros afetos. O amor, por sua vez traz em si, a posse e o ciúme, coisas que não admitem a menor divisão ou rivalidade. A amizade é um sentimento coletivo, plural e o amor é individual, singular.

Algumas vezes, nós nem procuramos alguns de nossos amigos, mas basta sabermos que eles existem e esta mera condição nos encoraja a seguir em frente pela vida. Por isso, mesmo sem que eles saibam, devemos rezar por eles, e é nessa hora que de certa forma me envergonho, porque essa minha prece é em síntese, dirigida não apenas ao bem-estar de meus amigos, mas ao meu bem próprio estar pessoal.

Se há uma coisa que me consome é o fato de que o movimento da roda da vida muitas vezes não me permite que eu tenha ao meu lado, andando comigo, convivendo comigo, alguns de meus melhores amigos, ou mesmo alguns daqueles que não são nem assim tão grandes amigos, mas que se tornam bons companheiros de jornada. Volto a Vinícius só para constatar que é verdade que a gente não faz amigos, apenas os reconhece.

Há no entanto em minha opinião outro sentimento tão importante e nobre quanto o amor ou a amizade. O respeito. O respeito pelo próximo, pelo outro. O respeito por nós mesmos. Ter respeito é fundamental para que sejamos respeitados. Respeitados pelas pessoas mais idosas e vividas e pelas crianças com sua desconcertante sabedoria. É! As crianças também possuem uma grande sabedoria. O respeito é um sentimento que tem que estar inserido em todos os outros sentimentos.

É muito importante que sejamos respeitados pelos nossos amigos assim como pelos nossos “inimigos” também! O respeito mais importante talvez seja exatamente o respeito que temos pelas pessoas de quem discordamos, pessoas que por uma razão ou por outra, não comunguem das mesmas idéias que nós. O respeito deles para conosco, é a maior honraria que se pode almejar. O cumprimento sincero de um adversário leal e correto após uma peleja, seja ela no esporte, na política ou na vida, é um dos maiores prazeres e uma das maiores realizações que eu já experimentei.

“Josué Montello, o nosso grande romancista de Os Tambores de São Luís, o ensaísta, o crítico literário e o memorialista, escreveu um volume de 400 páginas sobre Os inimigos de Machado de Assis. É um livro-documentário, sem qualquer objetivo de defender Machado ou de fazer retaliações a seus ferozes detratores, é uma dedicada pesquisa que mostra que, tanto na literatura quanto na política ou na vida, ninguém escapa de ter adversários, críticos ou desafetos”.

“A máxima de Nelson Rodrigues que diz que toda unanimidade é burra, não encontra guarida apenas na política, mas também na literatura. Goethe foi chamado de asno por Paul Claudel, André Gide rejeitou a obra de Proust, Sartre contestou os méritos de François Mauriac e Fialho de Almeida criticou violentamente Os Maias, de Eça de Queiroz”.

Portanto, não há bom escritor que não tenha sido arrasado em alto e bom som. Muito menos há um político que tenha escapado dessa sina.

“No Brasil, não poderia ser diferente. Aclamado por críticos do naipe de Alfredo Bosi, Antônio Candido, José Aderaldo Castelo, Eugênio Gomes, Raimundo Magalhães Jr., Lúcia Miguel Pereira, Dirce Côrtes Riedel e Roberto Schwarz, Machado de Assis teve seus detratores e desafetos. Enumerá-los foi o desafio de Josué naquele brilhantemente livro”.

Outro importante intelectual, Antônio Cândido, dizia que por mais pobre que seja nossa literatura, devemos amá-la incondicionalmente, porque ela é a materialização de nossa expressão. Vale então acatar a sugestão de Montello que nos sugere o mandamento de amar ao nosso inimigo. Talvez assim consigamos ser dignos de pelo menos uma nota no rodapé da história.

Dito tudo isso, gostaria de finalizar dizendo que quem quiser discordar de Zé Sarney que discorde. Discordar é salutar e há muito no que se discordar em um homem que tem mais de 50 anos de vida pública, que foi deputado, governador, senador inúmeras vezes e presidente da República.

Discordem dele, mas o respeitem. Se não o fizerem pelo muito que ele fez pelo Maranhão e pelo Brasil, que o respeitem pelo grande estadista que ele foi justamente quando mais precisávamos de um para nos guiar em uma travessia segura para um regime democrático, que nos garantisse o sagrado patrimônio que temos hoje, essa jovem mas sólida democracia da qual desfrutamos e que nos garante o direito de discordar pública e abertamente de quem quisermos, até mesmo dos presidentes dos três poderes constituídos.

PS: Lanço mão de importantes autores, como Vinicius de Moraes, Nelson Rodrigues, Josué Montello, Antonio Candido, Oscar D’Ambrósio e Ivan Andrade para exemplificar o que ocorre em relação a um sentimento às vezes pouco valorizado: O respeito.

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CARRARA

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Quando se tira
mais do que se põe
o poema vira escultura.

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Nunca é demais.

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Texto republicado a pedidos.  
 
Sou cristão, mas meu cristo é um pouco diferente do cristo de outras pessoas. Olha, como estas coisas são difíceis de explicar, até mesmo para alguém que como eu, procuro me aprofundar nestes assuntos. Na verdade nem sou cristão. Sou Jesuítico! Cristão é quem acredita num cristo, num messias, num salvador.

Eu acredito nos ensinamentos de um Jesus histórico, um hebreu da Galiléia, criado sob os fundamentos das leis e da religião judaica, nos tempos do imperador Tibério. Um Jesus que a seu modo, se rebelou contra as duas esferas de dominação que oprimiam sua terra e seu povo em seu tempo. Rebelou-se contra o sistema religioso imposto pelos sacerdotes do templo de Jerusalém, que controlavam a vida de todos os hebreus, e contra o poder administrativo e militar que mantinha tais sacerdotes no topo da vida social e religiosa da Judéia: O império romano.

Sigo os ensinamentos de um Jesus geográfico que nasceu em Belém, que viveu em Nazaré, Qumram e Cafarnaum, que fugiu com os pais para o Egito, que dos doze aos trinta anos não se sabe ao certo seu paradeiro e que aos 33 anos morreu em Jerusalém. Um Jesus humano que morreu mesmo, e para mim o que menos importa é se ressuscitou.

Acredito em um Jesus que antes de ser filho de Deus, foi filho de Maria e enteado de José, um bondoso carpinteiro descendente do rei Davi, que o criou com amor e deu-lhe o que um filho mais precisa de um pai. O exemplo.

Entre os dois Jesus, um divino salvador e o outro um simples ser humano, optei em seguir o segundo, pois preciso muito mais de um amigo, de um companheiro de viagem que me mostre o caminho e me sirva de guia, que de um messias libertador.

O Jesus de Bento XVI, de padre Antonio e de minha mãe, o Jesus de meu irmão e de meus amigos evangélicos, não é melhor nem pior que o meu, até porque os dois são a mesma pessoa, apenas é visto de forma diferente.

Minha posição não é religiosa. Sou meio avesso às religiões porque na grande maioria das vezes elas são intolerantes, intransigentes, preconceituosas, inclementes e radicais. Fazem mais política que qualquer outra coisa.

Vejo as religiões como vejo os partidos políticos, cujo objetivo maior é alcançar o poder, que no caso delas é Deus. No meu entendimento Deus, por ser de todos nós, não é propriedade nem privilégio de um determinado grupo. Ele esta aberto a quem o busque através dos ensinamentos que seus profetas espalharam pelo mundo e que os discípulos destes propagaram e continuam propagando: o amor ao próximo, a bondade, o perdão, a tolerância, o respeito ao ser humano e à natureza…

Conhecedor das doutrinas que levam ao Deus único e misericordioso, ao pai de compreensão e de bondade, por que seguir o modelo de Jesus e não o de Salomão, que veio antes dele, ou o de Maomé, que veio depois?

É uma mera questão cultural. Se tivesse nascido em uma família judaica ou em um clã muçulmano, teria a religião que me fosse ensinada por meus pais e adotaria os códigos de moral  de meu grupo social.

Sendo eu proveniente de uma família cristã e tendo sido criado numa sociedade ocidental, me identifico mais com a forma de pensar própria desta cultura e construi meus códigos de moral e de ética baseado nela.

Desde cedo vi que, excetuando-se o ambiente sócio-cultural em que se nasce e no qual se cresce, sejamos judeus, cristãos ou mulçumanos, todos nós buscamos os mesmos objetivos, almejamos as mesmas coisas, lutamos pelas mesmas idéias, tanto como indivíduos quanto como sociedade.

Não comungo com alguns dogmas das religiões estabelecidas por outros seguidores de Jesus. Isto é uma questão de fé e como tal acho que deve permanecer no âmbito da crença pessoal de cada um, até porque para mim importa muito mais o que disse Jesus no sermão da montanha ou o que ele quis dizer com a parábola do bom samaritano do que se Maria concebeu realmente do espírito santo.

Para mim pouco importa se Jesus ressuscitou Lázaro, se Moisés fez abrir o mar vermelho ou se Maomé subiu ao céu em uma escada de ouro. Para mim o que mais vale é o que ensinaram estes homens. Moisés ensinou o valor da liberdade, do indivíduo e da nação. Jesus mostrou a importância de amarmos aos outros como amamos a nós mesmos. Maomé fez ver que não deve haver qualquer distinção entre as pessoas.

Como acredito que os ensinamentos desses mestres buscam nos mostrar um caminho para alcançarmos uma vida melhor, mais cheia de coisas boas, de sentimentos nobres e ações corretas, é que me coloco como seguidor de um deles, sem jamais me opor, seja por preconceito ou por intolerância, às outras formas de pensamento.

É fato que pensamos e agimos de formas diferentes, mas acredito buscamos as mesmas coisas: O bem do individuo e da coletividade. Por isso acho que devamos ter a consciência histórica de nossas circunstâncias e de suas conseqüências.
Amém!

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AMOLUAR

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Eu só queria saber luinha,
se tu ó menininha,
vem assim, toda certinha,
pra minha cabeça virar.
Vens cheia, pomposa, formosa
e te como, como queijo.
Vens minguante e no quarto
te como, como gueixa.
Vens crescente indecente!!!…
Te trago as pernas, a boca,
os seios, a mente.
Te como como louco
e tu louca,
te entrega a mim e consente.

PS: Antes que alguém ache que todo poema meu tem um endereçamento postal especifico, gostaria de avisar que o poema acima foi publicado no livro “O Quinto Cavaleiro”, em 1981, 28 anos atrás. 

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Ai que Vida!

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Finalmente assisti ao mais badalado longa-metragem realizado por um cineasta maranhense. Trata-se de “Ai que Vida!”, filme roteirizado e dirigido por Cícero Filho, a quem tive o prazer de conhecer pessoalmente semanas atrás na ALM, quando ele foi levado até lá pelo deputado João Batista.

Nos últimos meses todo mundo me perguntava se eu já havia assistido “Ai que Vida!”. A insistência das pessoas para que eu visse ao filme era inversamente proporcional ao meu interesse em vê-lo. Eu mesmo já estava achando que na verdade estava era com uma certa inveja do retumbante sucesso que fazia tanto o jovem Hércules quanto o seu trabalho, “produzido artesanalmente no interior do Piauí e do Maranhão, contando com modestos recursos financeiros, técnicos e humanos”.

Por princípio, jamais em minha vida, comprei um CD ou um DVD pirata e “Ai que Vida!” não seria o primeiro. Lembro que enquanto todos compraram “Tropa de Elite” pirata, eu me recusei terminantemente. Só assisti ao filme do Padilha no cinema.

Semana passada Avana foi a ducentésima pessoa a me perguntar se já havia assistido “Ai que Vida!” e antes que respondesse ela foi logo sacudindo o DVD em minha frente. Não perdi tempo, peguei a caixa e disse a ela que a única forma de eu vê-lo era se alguém me desse uma cópia.

Vim para casa, coloquei o DVD sobre a mesinha da TV e ele ficou lá, maturando, durante sete dias, até que eu conseguisse um tempinho para finalmente vê-lo.

Quero reafirmar que sou muito mais cinéfilo que cineasta, então o que vocês vão ler a partir de agora é a minha sincera opinião sobre o que vi e não simplesmente uma crítica.

Cícero Filho começa seu filme como gente grande, como quem conhece o ofício de fazer audiovisual. Vemos uma tortuosa estrada de piçarra e no alto da tela uma D-20 velha, transformada em pau-de-arara se aproxima. Os sons ao fundo completam o quadro. Se fosse só isso seria banal, mas o diretor que também é o fotografo, usa suavemente o zoom da câmera, nos dando a agradável sensação de aproximação tanto daquela realidade conosco como de nós para com ela. Me ganhou na primeira cena. Me remeteu imediatamente a deliciosos Road Movies como “Bye bye Brasil”.

Se havia em alguma parte recôndita de meu ego algum resquício de ciúmes pelo sucesso do jovem diretor e de sua obra, evaporou-se nos primeiros sessenta segundos de seu filme. A linguagem cinematográfica não precisa de erudição, de refinamento, de escola. Ela é inerente ao ser humano, e em alguns ela se sobressai mais contundentemente. Homero, Shakespeare e Machado eram verdadeiros cineastas e nem câmeras havia em seu tempo.

Cineasta é aquele que conta uma determinada história de tal forma que nos faz sentirmos dentro dela. Faz com que sintamos que ora estamos escrevendo o roteiro, ora fotografando a cena com nosso enquadramento, pelo nosso ponto de vista, ora somos os protagonistas, ora somos meros coadjuvantes ou até mesmo simples figurantes. Ele nos leva de encontro a sua história ao mesmo tempo em que joga ela dentro de nós. Cícero Filho faz isso em seu “Ai que Vida” com competência.

Não vou dizer aqui que o filme é perfeito só para que pareça que sou bonzinho. Não, isso não. Até porque nem bonzinho eu sou, nem quero ser. O filme tem as deficiências naturais de quem o fez nas condições em que fez. Vou citar apenas dois exemplos. Há alguns problemas graves de luz. Uma das principais coisas em um filme é a iluminação. Outra é o desempenho dos atores, de um modo geral são amadores ou nem mesmo são atores. Um filme não é um livro, não é um “causo”, ele precisa de gente para consubstanciar sua história, e de gente capaz de fazer isso corretamente.

A fotografia é boa. Os enquadramentos de cena são muito bons. A atriz principal, Toinha Catingueiro, é uma figura!!! Não sei se ela é atriz profissional, mas se não é, deveria ser. Claro, precisa se aprimorar, estudar um pouco, conhecer certas técnicas de interpretações, alguns macetes. O principal ela tem, talento. É a nossa Marcélia Cartaxo.

A legião de personagens que desfilam em frente à câmera de Cícero é antológica. Não sei ao certo se são hilários por serem ridículos ou se são ridículos por ser hilários, o certo é que eles são uma caricatura fiel de nossa terra. Não falo apenas do Maranhão ou do Piauí, falo do Nordeste, falo do Brasil.

Está claro o motivo pelo qual todos adoram “Ai que Vida!”! É que nós nos vemos nele. Vemos os nossos amigos, os nossos desafetos e conseguimos com certa distância, detectar as nossas circunstâncias e as conseqüências que elas de uma forma ou de outra acabam nos acarretando.

Parabéns, Cícero! 

PS: Na mesma noite assisti “Reverso”, excelente curta-metragem do também maranhense Francisco Colombo. Certamente mais um sucesso do cinema maranhense.

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PALAVRAS

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Incrível!!!

Minha ex-mulher, a artista plástica Ivana Farias, mandou-me o surpreendente e-mail abaixo e sobre ele a única coisa que tenho à comentar é que como ela mesma é sabedora, eu jamais soube, até este momento, quem era o senhor Robert Lowell. Ivana mandou-me esse e-mail por isso, para ressaltar a importância das palavras, para pontuar o fato de que elas não pertencem a ninguém.
É incrível que duas pessoas em lugares tão diferentes, em épocas distantes, cercados de realidades, circunstâncias e conseqüências tão distintas possam usar as mesmas palavras sem jamais terem tido conhecimento um do outro.

“A luz no fim do túnel pode ser um trem se aproximando”
(Robert Lowell)

Robert Lowell (Boston, Massachusetts, 1 de março de 1917 – 12 de setembro de 1977), nascido Robert Traill Spence Lowell, foi um poeta americano cujas obras, de natureza confessional, envolveram as questões da História e as trevas da autodeterminação. Lowell sofreu com o alcoolismo e depressão, e foi hospitalizado várias vezes ao longo de sua vida.

Depois ela juntou o que disse ou escreveu, não sei, Carlos Drummond de Andrade, e que também era de meu total desconhecimento:

“Ao ver uma luz no fim do túnel certifique-se que não é o trem”
(Carlos Drummond Andrade)

Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 31 de outubro de 1902 – Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987) foi um poeta, contista e cronista brasileiro.

Mais abaixo ela anexa uma publicação feita no Jornal Pequeno, matutino que não tenho o costume de ler e nesse dia especifico também não li.

Escracho do dia

“Há sempre uma luz no fim do túnel, mas cuidado! pode ser um trem”!
Atos, Fatos & Baratos
23 de maio de 2009

Querem saber o que é mais inacreditável ainda !!!
O quadro abaixo, que ela também me mandou, é o caso inverso. Ela deve ter achado em algum lugar pela WEB uma reprodução feita por alguém, em algum lugar desse mundão de meu Deus, que usou a mesma idéia que eu tive para um trabalho feito por mim mesmo, usando inclusive uma ferramenta inapropriada, mas era a única que eu tinha, o Execel, em 1993, 16 anos atrás.

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Ivana finaliza com ninguém menos que Goethe:

“Nesse mundo há muitas palavras e poucos ecos.”

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