Goebbels, Bohr e Pirandello

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Credita-se a Joseph Goebbels, ministro da propaganda da Alemanha nazista de Adolf Hitler, a frase “uma mentira repetida mil vezes torna-se uma verdade”. Tem gente por aí que faz muito isso, mesmo que jure que não.

Abraham Lincoln, presidente dos Estados Unidos da América, disse que: “Pode-se enganar todos durante algum tempo, pode-se enganar alguns durante todo tempo, mas não se pode enganar a todos por todo o tempo”.

Em sua genialidade, o autor de 1984 e Revolução dos Bichos, o inglês George Orwell, disse que: “Em tempos de fraude universal, dizer a verdade se torna um ato revolucionário”.

Certa vez Jesus tentou mostrar a seus discípulos o que era realmente verdade: “Digo-lhes a verdade: não foi Moisés quem lhes deu o pão do céu, mas é meu Pai quem lhes dá o verdadeiro pão do céu”.

O parabólico e metafórico nazareno queria simplesmente dizer que o adorado deve ser o detentor do poder e da glória, não seu agente, não seu obreiro.

Quando esse mesmo Jesus disse que ele era o “caminho, a verdade e a vida”, quis dizer mais do que entendemos em suas palavras traduzidas do hebraico ou do aramaico. Ele, em verdade, nos dizia que só se terá redenção, só se chegará na glória divina sendo como ele, sendo minimamente bom em tudo em nossas vidas, tendo em nós mais as boas qualidades do que as más. Mas afinal de contas o que é mesmo verdade?

O pouco lembrado Niels Bohr, um dois gênios da humanidade, explica filosoficamente não apenas a mecânica dos elementos, e por analogia, a mecânica da vida. Disse ele que existem verdades triviais e grandes verdades. Disse também que o contrário das verdades triviais é claramente falso, mas que no caso de uma grande verdade, seu contrário é também verdadeiro. Essa afirmação bagunçou minha cabeça. Passei muito tempo digerindo o que disse Bohr, que antes só conhecia das aulas de física e de química.

Havia então duas constatações a levar em conta. A primeira é que, obrigatoriamente, um cientista, antes de tudo, teria que ser um humanista, um filósofo. A segunda, se for realmente verdade o que disse Bohr, teria que reformular minha opinião sobre o demônio, o satanás. Para mim ele não existe. É tão insignificante perto de Deus, onipotente, onipresente e onisciente, que nem cogito sua existência. Em minha concepção, o que há é o livre arbítrio humano, que na maioria das vezes, quando posto em prática, assemelha-se muito ao trabalho do coisa ruim.

Pois bem, sendo Deus uma grande verdade, satanás, segundo Bohr, também o é. Confesso que não gosto dessa ideia, ela dá margem para muita especulação.

Em meu socorro aparece Nietzsche, mas acaba por bagunçar ainda mais minhas ideias, afirmando que toda verdade é simples.

Meu pai, que não era nem cientista nem poeta, dizia que algumas verdades eram tão preciosas que precisavam ser garantidas por uma série de mentirinhas. Ele dizia umas coisas bem interessantes para um homem de pouco estudo. Uma vez, falamos sobre isso em uma de nossas viagens pelo interior desse Maranhão. Foi no intervalo do ensaio do discurso que iria proferir naquele dia e a eterna transmissão de um jogo de futebol entre Arsenal e Manchester, que ele ouvira pelo rádio, quando eu ainda nem era nascido.

Falou sobre como agir na política, como deveríamos nos portar enquanto políticos, fez uma comparação entre o mundo do comércio e o da política, mundos onde ele habitava. Disse ele que “a verdade é uma mercadoria complicada de se transportar e mais ainda de se negociar”. Disse que ela “tem que ser dita de tal maneira “acreditável”, se assim não for, parecerá simplesmente mais uma mentira”.

Foi com ele que aprendi que é infinitamente melhor se dizer a verdade, pois dá menos trabalho, é menos cansativo e mais prazeroso. Que só se deve lançar mão da mentira quando for impossível usar a verdade. E ele mesmo completou: “O difícil é sabermos quando”.

Comecei a escrever esse texto porque estava me indagando sobre minhas verdades, fato que me trouxe até aqui, a esse beco sem saída. Só me resta lançar mão de um grande amigo meu, um mágico das palavras, grande conhecedor do pensamento e da alma humana, Luigi Pirandello, que parece ter solucionado esse dilema com uma frase: “Assim é, se lhe parece”.

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A Porta dos Fundilhos

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Em meu último texto de 2019 disse que logo no comecinho do ano de 2020, eu iria “tentar analisar a mais rasa, vérmina, ignóbil e torpe manifestação da cultura cinematográfica humorística nacional. A engembrada e mal enjorcada produção levada a cabo, sem nenhuma tendência, pelos talentosos, mas não inocentes membros do grupo humorístico Porta dos Fundos, sobre a vida de Jesus. Uns espertalhões que se travestem de corretos para encherem os bolsos de grana”.

Farei isso, em que pese o interesse sobre este assunto ter se arrefecido. O assunto do momento é a indicação de “Democracia em Vertigem”, para concorrer ao Oscar de melhor documentário, categoria que tal filme não consegue alcançar, pois é no máximo um longo e faccioso filme de propaganda partidária e ideológica.

Mas vamos ver os fundilhudos!…

É bom que antes de mais nada, você que me lê agora, saiba que gosto de pensar que sou agnóstico, que não tenho uma religião, em que pese gostar de estudar todas, para tentar entender o que nos leva a buscar tanto uma explicação teológica sobre nossa origem e tudo que nos cerca.

O pessoal do Porta dos Fundos escolheu como tema de seu especial de Natal, uma versão bem ao seu modo, irreverente e escrachada, da vida de um personagem histórico, que não por acaso é a pedra fundamental de todas as denominações religiosas que formam a fé cristã, que congrega cerca de 35% da população mundial.

Em segundo lugar, pouco importa se você viu ou não viu essa repugnante montagem! Para que você possa entender de forma realmente correta, qualquer coisa sobre o assunto Jesus Cristo, do ponto de vista do cinema, é indispensável que veja alguns filmes, pois com o puro e simples conhecimento dessas obras você poderá saber como é ignóbil, torpe, despropositado, de mau gosto, coisa de quem não quer pendurar uma melancia no pescoço para aparecer, nem enfiar um espanador no rabo e sair na banda de Ipanema fantasiado de Papa-Léguas…

Assistam ao poético “O evangélio segundo São Mateus”, de Pier Paolo Pasolini (homossexual assumido); ao minucioso “Rei dos Reis”, de Nicholas Ray (narrado por Orson Wells); ao maravilhoso “Jesus de Nazaré”, de Franco Zefirelli (preste atenção em seu elenco estrelar); assista ao violento “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson.

Depois disso, assista ao fenomenal “A Última tentação de Cristo”, profundo mergulho de Martin Scorcese em busca de um Jesus verossímil e real, em que pese o diretor ter fraquejado ao usar o estereótipo louro e de olhos azuis para um judeu da Galileia, de 2000 anos atrás, protagonizado pelo impecável Willem Dafoe.

Só então assista ao extraordinário “A Vida de Brain”, de Terry Jones, que juntamente com sua trupe do Monty Python, dão vida a Brain Cohen e a personagens contemporâneos de Jesus, construindo um cenário paralelo ao do messias, sempre de forma criativa e bem humorada, de forma cômica, mas sem faltar com respeito de forma inaceitável para com as crenças de quem quer que seja.

Se você não quiser assistir todas as obras citadas, assista pelo menos as duas últimas, pois são nelas que residem a tosca justificativa do Porta dos Fundos realizarem seu filme escatológico, no sentido grego da palavra.

Usaram o tema do filme de Scorcese e a licença humorística do filme de Jones para montar um Frankenstein degenerado onde Jesus é um homossexual (Duvivier), seduzido por um Satanás de cabelos de Rick Wakemam (Porchat), Deus é um babaca arrogante e prepotente, Maria não tem nada de santa, trai o marido e fuma maconha…

O filme foi feito com o intuito único e exclusivo de causar polêmica e ganhar dinheiro. Nada tem de humor e muito menos de arte, ainda mais vindo de pessoas inteligentes e talentosas, como são os autores e protagonistas. Uma porcaria produzida sob os auspícios do artigo quinto da Constituição Federal que permite que qualquer cidadão, até os imbecis, digam o que bem entendam.

Viva o estado democrático de direito e a plena democracia brasileira, que alguns dizem estar em vertigem!…

Por fim, gostaria de dizer que até para brincar, principalmente com assuntos tão sérios e controversos como religião, o brincalhão tem que ter capacidade de entender como fazê-lo e estar preparado para suportar as consequências, pois insulto, calúnia, injuria e difamação são tão crimes quanto agressão, violência e terrorismo!…

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Temporada de premiação

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No último domingo, dia 5, o Globo de Ouro deu início à temporada de premiações do cinema americano, que além deste evento, organizado pela Associação de Jornalistas Estrangeiros de Hollywood, conta com pelo menos mais outras sete festas de consagração dos profissionais da indústria cinematográfica.

O Globo de Ouro é um dos mais importantes eventos dessa natureza, ficando atrás do Oscar, dos festivais de Cannes, Veneza, Berlim, além do Britânico, e é tão importante quanto o Screen Actors Guild Awards e o Critics’ Choice Awards, promovidos respectivamente pela associação de atores de Los Angeles e pela associação de críticos de cinema dos Estados Unidos.

Além desses existem premiações das associações de produtores, diretores e roteiristas. Há o People’s Choice Awards, onde o espectador escolhe de forma direta os seus preferidos. Este prêmio tende a refletir o resultado das bilheterias, distinguindo os artistas mais populares e carismáticos. Há também o Framboesa de Ouro, criado em 1981 pelo publicitário John Wilson, como uma espécie de paródia ao Oscar, que escolhe os piores do cinema no ano.

O Globo de Ouro é tido como uma prévia do Oscar.

É importante lembrar que o Golden Globe divide drama e comédia e destaca também os melhores da televisão americana, o que pode confundir o espectador que não conhece bem seu sistema.

Quanto aos prêmios, a Netflix, apostava que suas três produções, O Irlandês, História de um Casamento e Dois Papas, indicados para melhores dramas, fossem faturar muitos Globos, o que não aconteceu.

Estes filmes concorrerão ao Oscar, mas em minha modesta opinião o único que tem alguma chance de abiscoitar algum prêmio este ano é Dois Papas, por seu roteiro adaptado, mas é difícil!

O prêmio de melhor drama de 2020 foi para 1917, que ainda não chegou ao Brasil, mas o tema, o diretor e o elenco, me fazem pensar que só pode ser um bom filme. Tanto que Sam Mendes desbancou Bong Joon-ho, Todd Phillips, Martin Scorsese e Quentin Tarantino, tendo este último sido escolhido melhor roteirista, superando ninguém menos que Noah Baumbach, Bong Joon-ho e Han Jin-won, Steven Zaillian, e o meu preferido, Anthony McCarten.

O filme escolhido na categoria de melhor musical ou comédia, em minha opinião, não é nem uma coisa nem outra, em que pese ser um extraordinário filme, um passeio na maravilhosa e um tanto adulterada máquina do tempo de Tarantino: Era uma vez… em Hollywood.

No caso dos melhores atores de drama, nenhuma surpresa. Venceu quem era praticamente invencível: Joaquim Pheonix, por Coringa e Taron Egerton, por Rocketman.

Na disputa de coadjuvantes, tudo se mistura. Atuações masculinas, dramáticas e cômicas nivelaram Tom Hanks, Anthony Hopkins, Al Pacino, Joe Pesci e Brad Pitt, mas quem levou o prêmio, merecidamente, foi o bonitão. No caso das mulheres, o altíssimo nível da disputa contou com Kathy Bates, Annette Bening, Laura Dern, Jennifer Lopez e Margot Robbie, ficando a representante do filme História de um Casamento com o único Globo conquistado por uma produção da Netflix.

No mais, (I’m Gonna) Love Me Again de Sir Elton Jonh ganhar como melhor música não foi surpresa pra ninguém, como também não foi surpresa Parasita ser o melhor entre os filmes não americanos. Dos filmes que concorriam e que eu assisti, nenhum teve uma direção de arte e uma trilha sonora que se igualasse a de Coringa, que faturou este prêmio.

Quanto às demais premiações, fica muito complicado eu comentar os prêmios atribuídos a filmes e séries para a televisão, pois grande parte não vi.

Esperemos os outros eventos!…

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Sobre “Dois Papas”

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Minha intenção era fazer uma análise mais aprofundada sobre o novo filme de Fernando Meireles que traz à tela lascas das biografias de dois dos homens mais influentes de nosso tempo. Os dois papas simultâneos… Porém, uma publicação no Twitter de um amigo, me fez antecipar minhas considerações naquela mídia, que eu transcrevo aqui de forma mais apurada e mais bem acabada.

O amigo Leonardo Cordeiro publicou no Twitter: “No filme Dois Papas, além da história incrível sobre a renúncia de Bento XVI destaco o incrível relato do Papa Francisco sobre os efeitos da ditadura militar Argentina, logo aqui do lado. Pra que nunca mais se repita.”

Ao que eu comentei:

Todas as ditaduras são abomináveis, mas acho inacreditável que alguém, ao assistir a uma obra tão densa e rica, ressalte principalmente seu aspecto meramente político e não comente sobre a profundidade das duas personalidades nela dissecadas, o que na verdade é o assunto germinal e central do trabalho!

“Dois Papas” é, antes de tudo, a conversa de duas biografias de homens de origens diferentes, que ocupam o mesmo espaço de poder, encarando-o e exercendo-o de forma distinta, mas com a mesma intenção e o mesmo propósito, provando que o certo e o errado, o bem e o mal, são meros detalhes.

O espírito humano é naturalmente predisposto a simpatizar com personalidades como a de Bergoglio, que é normalmente simpático, alegre, bem humorado, ressaltando suas características latinas, e a antipatizar com personalidades e temperamentos como o de Ratizger, que é recluso, sisudo, sem bom humor, demonstrando claramente suas características germânicas. Mesmo assim, o autor do roteiro e o diretor do filme, nos mostram que não existem santos nem demônios, mas pessoas, seres humanos como diz Bento em uma certa passagem da obra!

Assisti “Dois Papas” achando que veria outra coisa! O que vi foi uma belíssima construção psicológica, um roteiro impecável, levado a cabo pelo mais talentoso dos publicitários que empresta sua arte ao cinema, na intenção de apresentar sua ideia da forma mais palatável possível, fazendo com que o espectador a “compre”, não sem antes questionar o merchandising da Fanta saboreada em plena sacristia da Capela Sistina!

Fiquei imaginando como foi construído aquele roteiro, que em minha modesta opinião merece um Oscar! Acho que Anthony McCarten colocou as biografias dos personagens frente a frente, pegou um martelo e um cinzel, ao invés de uma caneta, e foi esculpindo aqueles diálogos provavelmente improváveis, construindo uma série de conversas que jamais devem ter acontecidos, mas que mostram com fidelidade os pensamentos e posicionamentos daquelas figuras, que mais que outras, são mais platônicas que aristotélicas, sendo efetivamente socráticas.

A piada do jesuíta fumante bem retrata as personalidades dos dois papas. O argentino entende o pragmatismo, o aceita e até o busca. O alemão, teólogo dedicado a entendimento e ao conhecimento de Deus, não entende, acha bobagem, um mero jogo de palavras.

Roteirista e diretor não conseguem esconder sua preferência pelo argentino, mas como conhecedores das regras da boa narrativa, encerram o filme com a final da Copa de 2014. Alemanha 1 x 0 Argentina.

No filme, não poderia ter deixado de haver alusão à ditadura argentina! Ela é o ingrediente principal da construção da personalidade de Bergoglio, de sua vertigem e de sua redenção! Tudo o que ele é, é resultado direto da ditadura argentina, e é exatamente em consequência dela que nasce o Papa Francisco!…

Penso que ficou faltando arrematar com uma frase que meu bom amigo e ex-colega no parlamento maranhense, Aderson Lago, gostava de repetir: “Posso perder o amigo, mas não a piada”, mesmo que ela seja de gosto duvidoso. Então lá vai: o amigo Leonardo Cordeiro se lembra da ditadura argentina. Eu não esqueço dela nem das outras!… Mas ele e seus camaradas se esquecem propositalmente da ditadura cubana, que matou mais pessoas, causou muito mais dor e desespero e durou muito, muito mais tempo!…

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Para 2020

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Finalmente completei 60 anos e conquistei alguns privilégios muito bem-vindos, alguns indesejados e outros até rejeitados.

Ter preferência de acesso e de estacionamento é maravilhoso, ocorre que a quantidade de pessoas na mesma condição, deixa essa vantagem quase sendo uma desvantagem!… Não mais poder sentar nas poltronas que ficam junto às portas de emergência dos aviões, é algo que vou odiar! Ser tido como pessoa idosa e sentir nas juntas o peso do tempo, mesmo tendo diminuído o peso do corpo, é algo doloroso, que não é compensado nem com o fato de agora em diante pagar meia entrada…

O ano de 2020 será o primeiro que viverei com o privilégio etário de poder ser rabugento, de reclamar de tudo e de todos, mesmo que não seja muito do meu feitio reclamar, assim, pura e simplesmente. Meu hábito de reclamar vem de longe, mas sempre envolto no que chamo de “observações e análises”, já que a palavra crítica ganhou um significado pejorativo, quase nunca sendo usada ou entendida como simplesmente a capacidade ou a habilidade de julgar, de estabelecer um juízo avaliativo, ou por extensão, a atividade de examinar e discorrer, minuciosamente, sobre o objeto enfocado, seja uma produção artística ou científica, bem como costumes e comportamentos, além de cenários e ações políticas.

Ao me tornar um sexagenário, passei a ter o privilégio do tempo, da experiência adquirida pela antiguidade, isso quando o sujeito não a tiver conquistado pela dedicação, estudo e mérito, o que espero seja o meu caso.

Em 2020, espero não reclamar tanto dos governantes, nos três níveis do Poder Executivo, nos três níveis do Legislativo e em todos os quatro ou cinco, ou seja lá quantos forem os níveis que tenha o nosso Judiciário.

Uma coisa que eu gostaria muito que acontecesse em 2020, era que Chico, Gil e Caetano, produzissem músicas que nós, pessoas de bom gosto, pudéssemos apreciar e nos deliciar. Elas podem ser músicas engajadas, politizadas, mas precisam ser de boa qualidade, como as que eles produziam quando no Brasil havia um regime de exceção, uma tal dita dura!… Quero poder analisar essa seca pela qual passam tão grandes vultos de nossa música.

Logo no comecinho do ano vou tentar analisar a mais rasa, vérmina, ignóbil e torpe manifestação da cultura cinematográfica humorística nacional. A engembrada e mal enjorcada produção levada a cabo, sem nenhuma tenência, pelos talentosos, mas não inocentes membros do Porta dos Fundos, sobre a vida de Jesus. Uns espertalhões bobões que se travestem de corretos para encherem os bolsos de grana.

Certamente analisarei os fatos que vão culminar com as eleições municipais de outubro, que se não forem definitivas, serão certamente indicativas do resultado das eleições estaduais de 2022, com fortes reflexos também na eleição de presidente.

No ano que vem vou ter que decidir definitivamente se continuo levando adiante a bandeira da preservação de nossa memória através de suportes audiovisuais, trabalho hercúleo que insisto em desenvolver mesmo só contando com o apoio de voluntários que se dispõem em emprestar seu tempo no afã de ver um filme de 50 anos, ou uma fotografia de 100, restaurada, digitalizada, publicada e disponibilizada, para que todos possam conhecer a nossa história, como aconteceu no belo filme de Arturo Saboia, sobre a Associação Comercial do Maranhão.

2020 será um ano de grandes realização para nós da Guarnicê Produções, do Polo de Cinema do Maranhão e do MAVAM.

Lançaremos três séries para TV: “A Pedra e a Palavra”, sobre a vida e a obra do padre Antonio Vieira; “Manufatura Fashion”, sobre moda alternativa; “Raja na Rota das Emoções”, uma aventura da Banda de Reggae, Raja, entre Santo Amaro e Jericoacoara.

Teremos também os esperados lançamentos de quatro coproduções de longas-metragens: “O pai da Rita”, “As Órbitas da Água”, “Currupira, o demônio da floresta” e “Chorando se Foi”. Além das produções da série “As Mina Pira”, que será roteirizado e dirigido por Mavi Simão, e a coprodução internacional do longa metragem “Trópico”, dirigido por Giada Colagrande, estrelado por Willem Dafoe e grande elenco.

O ano de 2020 promete. Esperemos que ele se cumpra.

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Fátima e Quíron

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Há dois anos tive a ideia de escrever aquele que seria meu primeiro e único romance, uma vez que não pretendia me embrenhar definitivamente nesta seara, pois tenho consciência que sou eminentemente um contista que escreve crônicas com alguns toques de poesia. Romance é coisa pra gente GRANDE!

Naquele dia, como faço todas as manhãs até hoje, acordei!… E como quase sempre, acordo com uma ideia na cabeça, como se durante a noite um anjo ou quem sabe um demônio, se é que eles existem, tivesse semeado na cera de meus ouvidos uma ideia para que eu desenvolvesse e acabasse por colocá-la no papel.

A ideia que me veio naquela manhã foi escrever algo no estilo de meu bom amigo Mário Prata, um texto ágil, sofisticado, cheio de referências pessoais e culturais, que falasse de pessoas, traçasse seus perfis, desenhasse seus habitats, dissecasse seus relacionamentos, tudo sempre com muito bom humor, mas também com grande elegância e precisão literária. Imaginei um conto grande, com todas as ondulações que levasse os leitores a subir e a descer as ladeiras da efervescente curiosidade e da satisfação de identificarem os detalhes que estivessem em comum com os personagens.

Achei muita responsabilidade para alguém que como eu reconhece suas limitações, qualidade da qual não abro mão e não me acho cabotino ao evocar pra mim.

A história que me veio à cabeça naquela manhã, já pronta e acabada, foi a de Fátima, uma ludovicense do Desterro que desejava ser artista e fugiu de casa para tentar o sucesso no Rio de Janeiro. Queria ser atriz ou cantora, mas acabou se tornando apenas e tão somente uma das mais belas mulatas do Sargentelli.

Os personagens saiam de minha cabeça como que por mágica. Seu marido, Lindoval, Lindo para umas e Doval para outros, ganhava a vida imitando Sidney Magal; sua irmã, Nazareth, essa sim com talento para a música, uma cantora pronta e acabada, era também uma grande cozinheira, além de Filha de Santo.

Naquela manhã, criei de estalo uma dúzia de personagens periféricos que viriam para encher de brilho aquela constelação.

O tempo se passou, as carnes amoleceram, Sargentelli morreu, e Fátima tinha que continuar a vida. Como aprendera a jogar Tarô, passou a dar consultas em seu minúsculo apartamento, em Copacabana. Era uma embusteira. O que sabia dessa arte era meramente mímica e papagaiagem.

Existem muitos outros detalhes sobre essa história! São tantas coisas, que não dá pra contar em uma crônica de fim de semana. O certo é que antes mesmo de terminar de escrever o primeiro capítulo do tal romance, ele se transformou em uma minissérie em duas temporadas de 12 episódios de 26 minutos, que versará sobre a história da mesma Fátima, cujo nome será Arcanos, pois usarei os arcanos maiores do Tarô para contar a história dos personagens que desfilarão pelo cenário.

Já fiz o argumento da série, escrevi as sinopses dos 24 episódios e registrei na Biblioteca Nacional para resguardar meus direitos de criador e autor, mas precisarei de muita pesquisa e ajuda de consultores e outros roteiristas para que possa realizar esse que tenho certeza será um belíssimo trabalho, que deverá ser realizado em parceria com uma grande produtora do sul do país.

Recentemente, quando fazia pesquisas sobre esse assunto, revisitei uma passagem que sempre me emociona, algo com o qual me identifico muito.

Como bom sagitariano, sinto uma afinidade muito grande com um ser mitológico, o centauro Quíron, a quem tenho como uma espécie de padrinho. Segundo a lenda, Quíron é filho do Titã Cronos e da Ninfa Filira, e foi mestre de vários heróis gregos, como Teseu, Hércules, Jasão, Aquiles e Enéas.

Quíron é descrito como um grande preceptor. Inteligente, sábio e culto, era um gênio das artes, da filosofia, da magia e da medicina, além de um grande guerreiro. Era civilizado, pacífico e bem humorado, o que o diferenciava dos demais centauros, tidos com beberrões e sátiros.

Em uma desavença na caverna de Folo, no monte Pélion, durante a execução do quarto dos 12 trabalhos de Hércules, este teria atingido Quíron em uma das pernas com uma flecha banhada no veneno da Hidra de Lerna. Imortal, Quíron sobreviveu, mas a ferida envenenada lhe causava dores violentas. Então, Hércules, apiedou-se dele e pediu a Zeus que trocasse a imortalidade de Quíron pela mortalidade de Prometeu, o senhor do fogo, cujo fígado era devorado por uma águia todos os dias e se regenerava todas as noites. Zeus fez o que Hércules pediu, trocou a imortalidade de Quíron pela de Prometeu, mas tomou a alma do centauro para formar, no céu, a constelação de Sagitário.

Bem, com um patrono como este, não será difícil dar vida a Fátima e sua turma!?…

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Improvável Superação

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Eu com eles

Muitos estudiosos do comportamento humano, entre antropólogos, sociólogos, filósofos e psicólogos estudam e analisam a relação entre pais e filhos há muito tempo, tendo descoberto e estabelecido padrões desses relacionamentos. Recentemente li um material muito interessante sobre isso, inclusive mostrando o exemplo icônico do gigante da indústria americana e mundial, Henry Ford, e de seus filhos e netos.

Sobre essa tentativa de superar os feitos de seus pais, posso dizer que superei meu pai em mais um item da vida. Vivi o suficiente para completar 60 anos, coisa que ele não conseguiu, pois morreu três meses antes de alcançar tal façanha.

Eu já o havia superado algumas vezes antes, quando me formei advogado, quando ingressei na Academia Maranhense de Letras e no Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, coisas que só o fiz por ele ter me dado as ideais condições para fazê-lo.

Do mesmo modo, graças a ele, fiquei a seu nível, no que diz respeito a termos sido deputado estadual e federal, mas jamais o superei naquilo que era o mais importante, quanto ao amor, ao carinho, ao respeito e a devoção que seus eleitores tinham para com ele. Quanto a isso fico conformado e orgulhoso, pois sei que ele tinha qualidades que nem eu, nem nenhum político, de seu tempo ou de hoje em dia, tinha ou têm.

É que ele compreendia verdadeiramente o seu povo, ele era realmente um deles, estava perfeitamente afinado e alinhado com seus anseios, pensamentos e necessidades. Eu não! Eu era apenas o representante daquelas pessoas, alguém que procurava realmente entendê-las para bem representá-las.

Meu pai não tinha propriamente o que se poderia chamar de ideologia. Não uma estabelecida por um filósofo ou uma corrente de pensamento alicerçada na teoria de algum deles. Ele tinha uma ideologia própria, desenvolvida, criada e estabelecida por ele mesmo, e nisso eu jamais o superarei. Ele dizia que não importava quem estivesse no governo, ele estaria atrelado sempre a ele, pois só assim poderia levar a seus amigos e eleitores os benefícios que apenas os governos podem, como acesso à educação, saúde, segurança, infraestrutura…

Como eu, um filhote dos anos 60, criado em uma sociedade manipulada pela mídia, com as mais avançadas técnicas de patrulhamento ideológico gramscista, iria transpor tais barreiras!? Impossível!…

Posso ter superado meu pai por ter tido um melhor resultado econômico e financeiro que ele, graças ao alicerce que ele mesmo deu a mim e a meu irmão, seu verdadeiro herdeiro no que diz respeito ao empreendimento braçal do comércio, mas jamais o superarei no que diz respeito à realização de um trabalho corajoso, inovador, inventivo, revolucionário e único, pois meu pai era um trabalhador incansável, um gigante da atividade comercial maranhense de seu tempo, que aprendeu com os melhores dessa atividade, gigantes como Wadi e Eduardo Aboud.

Na política, ele foi um autodidata que graças a sua incrível inteligência soube observar e juntar-se a gente como Clodomir Millet e Nunes Freire, para deles apreender suas maiores qualidades: correção, dedicação e lealdade.

Se superei meu pai em tempo de vida, acredito que jamais superarei minha mãe neste quesito. Ela já passou dos 90 anos, marca que não tenho a pretensão de igualar, pois imagino que não estarei nas mesmas boas condições físicas e espirituais que ela, quando eu começar a me aproximar dos 25.000 dias de uso desta carcaça aqui.

A respeito de minhas superações em relação a minha mãe, elas são prosaicas, todas meramente circunstanciais, resultado de coisas que eu realizei e que a ela não foi permitido ou possível. Se fosse, não a superaria.

Mas há um item no qual ela é realmente insuperável: Fé. Talvez seja por causa da fé que ela tenha na existência de um Deus que eu ainda insista em ser apenas agnóstico e não ateu. É pela inabalável certeza dela que permaneço com a minha sagrada dúvida.

Há, no entanto, itens comuns nas vidas de meu pai e de minha mãe que jamais superarei. Jamais conseguirei ter a sua extrema disponibilidade para com as pessoas, mesmo que me esforce muito, como o faço. Jamais conseguirei me doar, nem ser tão generoso como eles o foram e o são.

Completar 60 anos é um marco em minha vida. Se por um lado saio das filas das pessoas comuns, por outro vejo que as novas filas para as quais eu entro estão cheias de gente, e que eu preciso me adaptar.

Olho para trás e vejo um caminho mais longo que aquele que tenho pela frente, mas não acho isso ruim. Só espero que minha memória permaneça intacta para que jamais esqueça, enquanto vivo for, das coisas boas que vivi, dos bons lugares onde estive, das boas pessoas que conheci e das boas emoções que senti.

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A quem pertence o Futuro?

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Faz uns três meses, fiz um desses estudos de perfis, tão comuns hoje em dia, e o “diagnóstico” foi no sentido de que tenho uma grande possibilidade de desenvolver bons relacionamentos com as pessoas através da minha habilidade de comunicação e diplomacia, mesmo que muitas vezes eu seja franco demais, causando certo constrangimento nas pessoas.

Além disso, me foi dito que tenho boa aptidão para desenvolver análises de cenários sejam elas sociais, políticas ou culturais. Em resumo, sou capaz de entreter as pessoas em uma agradável conversa sobre literatura e cinema, ou em uma análise sobre o comportamento humano ou os fatos da política.

Recentemente, em um delicioso e aprazível jantar, pude comprovar que aquele perfil estava certo por um lado, mas por outro deixava bastante a desejar, uma vez que nem todas as pessoas estão dispostas a falar sobre assuntos tão controversos.

Nem vou comentar o que aconteceu naquela noite. Vou tratar de um outro ponto, tão controverso quanto aquele: o futuro, que alguns insistem em dizer que a Deus pertence, fato do qual discordo por dois motivos. Por achar que se Deus existe mesmo, não vai ligar muito para essas coisas, e por ser a política tão afeita a mudanças e interferências, que é melhor definida por aquela controversa “Teoria dos Jogos”, que nada mais é que uma espécie de equação matemática que estuda situações estratégicas, onde jogadores escolhem diferentes ações na tentativa de melhorar sua possibilidade de sucesso.

Não sou especialista na Teoria dos Jogos, mas há muito me dedico a analisar cenários políticos e é isso que farei aqui hoje.

Perguntaram-me quem pode vir a ser o futuro governador do Maranhão, e respondi que em minha modesta opinião só existem dois candidatos com reais chances de ocupar este posto a partir de 2023. Carlos Brandão e Weverton Rocha.

Os dois pertencem ao mesmo grupo político, o que em tese, caso haja disputa eleitoral entre eles, isso pode vir a fragmentar seu grupo, fato que seria perigoso para sua hegemonia.

É inteligente que se imagine que eles deverão chegar a um acordo, o que deverá resultar em vantagem para Brandão, que na ocasião estará ocupando o cargo de governador, em substituição a Flávio Dino. A Rocha caberá indicar o candidato a vice, que possibilitará acesso dele ao governo, quatro anos depois. Além disso, ele deverá indicar o candidato a senador, caso Flávio Dino venha realmente a ser candidato a um cargo a nível nacional, como presidente ou vice.

Nessa altura da leitura, há quem se pergunte se eu estou maluco, pois todos sabem do arrojo, da coragem e da capacidade política do jovem senador do PDT! Por quais motivos ele abriria mão de concorrer ao governo, já que ele é mais forte eleitoralmente que Brandão!? Pelo simples fato de que o vice-governador estará no exercício do governo, o que lhe dá uma capacidade política incrível, caso ele saiba, e ele sabe muito bem, manejar os instrumentos do poder no sentido de garantir sua vitória na eleição de 2022. Duvidar disso seria uma aposta muito arriscada que poderia destruir seu grupo político, e muita gente vai trabalhar para que isso não aconteça.

Restam outras perguntas. Quem Rocha indicará para vice de Brandão? Quem será o seu nome para disputar o Senado, na ausência de Dino.

Para o Senado o candidato já está escolhido, é Othelino Neto, seu mais graduado correligionário.

No caso de vice, existem algumas opções. O presidente da Famem, Erlanio Xavier, o presidente da Câmara Municipal de São Luís, Osmar Filho, e o deputado Marcio Honaiser, uma vez que nenhum dos três teria carreira para se engraçarem da cadeira de governador e cogitar não estender o tapete vermelho que levaria Rocha a ocupar a cadeira que já pertenceu a João de Barros, André Vidal de Negreiros, Fernando de Noronha, Luís Alves de Lima e Silva, Benedito Leite, José Sarney, Jackson Lago e Flávio Dino.

O observador mais arguto se perguntaria: por que Joaquim não analisa primeiro o cenário da eleição de prefeito que ocorrerá dois anos antes da eleição de governador!?

Simples! Porque no caso de São Luís, a guerra será de tal sorte feroz que poderá mudar todo o panorama, não permitindo que eu analise a eleição de governador de maneira mais descomprometida. Se bem que acho que a eleição de 2020 só reforçará a existência do cenário que prevejo para 2022: fortalecimento eleitoral do PDT de Weverton Rocha, que deverá ser derrotado por Eduardo Braide, em São Luís, e apoio de Flávio Dino para seus correligionários, tendo Brandão à frente da campanha.

E o grupo Sarney? Perguntariam! Sem forças para eleger muitos prefeitos em 2020 e ter candidato próprio em 2022, passa a ter o papel primordial de “fazer filho na mulher dos outros”, como se diz na gíria. O grupo Sarney pode estar muito enfraquecido, mas ainda pode vir a ser o fiel da balança!…

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6 Pautas em 15 dias

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As duas últimas semanas foram muito agitadas, como de resto têm sido quase todas deste ano complicado, e como não consegui me decidir sobre qual assunto tratar em meu texto de hoje, fiz um resumo de algumas pautas.

1 – O Deputado Federal mais votado da história do Brasil, Eduardo Bolsonaro, que por acaso é filho do atual Presidente da República, verborragiou desatinos sobre um possível retrocesso democrático, movido principalmente por mera falta de tato, de tino, de capacidade de entender o enredo desta tragicomédia, que ele, sua turma e seus adversários, são os protagonistas, enquanto nós e o Brasil, as vítimas.

2 – A Rede Globo, exibiu uma matéria especulativa e facciosa, onde ela mesmo colocava em dúvida suas próprias declarações e notícias. Fez isso na tentativa de envolver o presidente e seus filhos no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco, e para isso usa milenar tática da fofoca e não as técnicas do bom jornalismo.

Uma matéria tão asquerosa que conseguiu o repúdio até de pessoas que se opõem a Bolsonaro, deixando claro que parte da imprensa está realmente orquestrando uma campanha contra o presidente e seu governo, não que ele não lhes dê bastante motivo para isso!

3 – Enquanto isso, Cazuza não me deixou esquecer que O Tempo Não Para! Continuamos trabalhando na produção da série A Pedra e a Palavra, que enfoca a vida e a obra do Padre António Vieira. Nessa etapa, entrevistamos em São Paulo, Adma Muhana, João Adolfo Hansen e Alcír Pécora, professores geniais, que são alguns dos maiores especialistas em assuntos relacionados àquele que segundo o poeta Fernando Pessoa é o Imperador da Língua Portuguesa.

Mas foi a quinta-feira, 7, o dia mais intenso desta quinzena!

4 – O presidente Jair Bolsonaro resolveu retirar as atribuições do antigo Ministério da Cultura, do Ministério da Cidadania, mas incoerentemente, ao invés de vinculá-las ao Ministério da Educação, as transferiu para o Ministério do Turismo. E aqui outra coisa causa estranheza! Por que ele não fez o mesmo em relação às atribuições do antigo Ministério do Esporte, que figurava em similaridade com a cultura, no Ministério comandado pelo Deputado Osmar Terra?

Ainda sobre esse fato, vale lembrar que Bolsonaro comete o mesmo erro perpetrado por seu desafeto, Flávio Dino em seu primeiro mandato como Governador do Maranhão, quando juntou Cultura e Turismo, imaginando que apenas os calendário de eventos culturais e turísticos seria justificativa suficiente para juntar na mesma pasta atividades tão distintas. Dino demorou, mas reviu seu erro!

Acredito que Turismo estaria melhor junto com Industria, Comércio e Economia, enquanto Cultura e Esporte deveriam ser geridos juntos com Educação. Uma coisa tão simples quanto somar um mais um!

5 – Em outro acontecimento marcante, o jornalista Glenn Greenwald, chamou o também jornalista Augusto Nunes de covarde, ao vivo, no Programa Pânico, da Jovem Pan. Descontrolado, o insultado, depois de advertir seu ofendedor, para que não o insultasse, deu-lhe um bofete, e os dois protagonizaram uma daquelas briguinhas características do programa Os Trapalhões.

Esse seria um outro assunto que eu poderia abordar aqui hoje. A dosimetria e a hierarquia dos direitos ou o que é mais grave, um insulto moral ou um tapa na cara!? Polêmica garantida!

6 – Por fim, o Supremo Tribunal Federal se desdisse pela terceira vez. Estabeleceu que aquilo que havia dito antes, sobre a prisão de réus condenados em segunda instância, à partir de agora, seria novamente diferente, permitindo que fiquem livres os condenados por um juiz e um tribunal revisor.

Eu, que fui Deputado Federal Constituinte, tive a honra de assinar, no dia 5 de outubro de 1988, a Constituição da República Federativa do Brasil, (ao contrário de Lula e alguns de seus colegas petistas, que não a assinaram) e acredito que o que aconteceu de mais importante com aquela Constituição, foi o apoio popular que ela teve, a vontade dos políticos de então, em estabelecer de forma pacífica e ordeira, um regime verdadeiramente democrático em nosso país, depois de vivermos durante vinte e um anos em um regime de exceção.

Continuo acreditando que naquele momento, colocarmos no texto constitucional uma série imensa de direitos, era o mais correto e sensato a ser feito, pois primeiro precisávamos que a democracia que nós estávamos ali plantando, germinasse, crescesse, florescesse e frutificasse.

Agora, trinta anos depois, tendo nossa democracia já sido testada diversas vezes, de diversas formas, em diversas crises, e tendo ela alicerces e fundações, profundas e sólidas, é hora de repensarmos alguns parâmetros que estabelecemos naquela ocasião, sob pena de ao invés de fortalecermos nossa democracia, nós a fragilizarmos, por interesses meramente políticos partidários, que visam a defesa de projetos de poder de alguém ou de alguns.

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Pilares e Vigas

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A arte não pode ter seus pilares fundados em ideologias políticas. O mesmo ocorre no que diz respeito ao vigamento dessa que é a suprema manifestação do espírito humano.

Isso não pode acontecer, sob pena da arte perder a sua mais importante função, que é a de representar o espírito humano em sua plenitude, livre de qualquer amarra, padrão ou de qualquer coisa que possa segregar, não só pessoas, mas também ideias e pensamentos.

Em contrapartida ao fato da arte não poder ter seus pilares e suas vigas corrompidas por ideologias, a sustentação transversal dela, ou seja, suas lajes, aquilo que seria em alguns casos o piso, ou de outro ponto de vista, o teto dessa intrincada construção, estas sim, podem ser amalgamadas por ideologias, quaisquer que sejam elas.

Resumindo, enfatizando e usando ainda o sistema pilar-viga-laje, como metáfora, repito: a arte não pode nunca, jamais ou de qualquer forma, ter seus elementos estruturais, verticais e horizontais, contaminados por ideologias, mas seu terceiro elemento, este transversal, pode e até deve, ter aspectos e ingredientes filosóficos e ideológicos.

Lajes não se sustentam sem pilares e vigas.

O problema é que no intuito de conquista, dominação e hegemonia da sociedade, a arte sempre foi usada como vetor, como arma, às vezes de forma sutil, às vezes de forma descarada, às vezes de forma aceitável, e algumas vezes de forma inadmissível.

São as pessoas para as quais a arte é apresentada, que podem ou não gostar dela, podem assimilá-la ou não, podem classificá-la de forma positiva ou negativa. Mas a arte não pode trazer em si alguns ingredientes comuns a outros setores da vida humana, tais como a propaganda, o marketing, a hipnose, o aparelhamento, sob pena dela deixar de habitar o nobre espaço que lhe é reservado, e passar a habitar uma outra dimensão, nada nobre.

Quando na antiguidade, os escultores clássicos entalharam em pedra seus deuses, heróis, governantes, filósofos e personagens, eles nos legaram a sua visão, com pouquíssima influência ideológica.

Quando no século XV, durante o renascimento, os artistas tentaram continuar a tradição artística grega e romana, a igreja católica, poder hegemônico daquela época, interferiu em muitos casos, inclusive obrigando os artistas a encobrirem os órgãos genitais, expostos em seus quadros, afrescos ou esculturas, com panos ou folhagens, incidindo assim de forma política sobre a criação artística.

No século XVII, pintores como Caravaggio, Rubens, Rembrandt, Velásquez e Vermeer, pintaram o que lhes era comum. Em sua obra há ingredientes políticos? Há, mas eles não são os pilares e as vigas mestras de sua arte. São ingredientes de suas lajes.

Nos anos de 1800, a humanidade começava a atingir um certo nível de maturidade e sofisticação. Foi nessa época que começaram a aparecer as mais diversas escolas artísticas.

O Romantismo, o Realismo, o Impressionismo e o Expressionismo revolucionaram as artes plásticas, e como um rastilho de pólvora incendiaram todas as expressões artísticas. Nessa mesma época aconteceu um grande ressurgimento filosófico no mundo, impulsionado de forma favorável ou contrária, pela revolução industrial.

De um lado, o que temos nessa época, são figuras como Goya, Delacroix, Manet, Coubert, Renoir, Monet, Van Gogh, Lautrec, Munch e Modigliani e do outro, Nietzsche, Freud, Camte, Darwin, Emerson, Marx, Engels e Weber. Artistas que estabeleceram e firmaram suas escolas, e filósofos que em seu campo de atuação, fizeram a mesma coisa, mas não necessariamente se influenciaram mutuamente.

Já o que aconteceu no século XX, em relação ao Cubismo, ao Dadaísmo, ao Surrealismo e à Pop Arte, foi uma total interferência filosófica e ideológica, principalmente pelo fato dos artistas terem passado a personificar sua arte, como foi o caso de Picasso, Duchamp, Dali e Warhol. Ainda assim era aceitável.

A partir daquele momento, os artistas passaram definitivamente a ser partes integrantes de suas artes, confundindo as pessoas que começaram a ser influenciadas pelos ingredientes ideológicos impregnados nelas, muitas vezes inconscientemente, pelas teorias hegemônicas e controladoras da sociedade de António Gramsci.

Hoje, quando se vê um artista que constrói sua arte com pilares e vigas ideológicas, não se vê na verdade um artista, nem se aprecia uma arte. O que se vê é um militante e o que se admira, ou não, é a sua bandeira.

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