Positivista, pero non mucho!…

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Quanto mais eu penso e estudo, mais acredito que as minhas certezas são unicamente provenientes das dúvidas que lhes deram origem, e olhe, minhas dúvidas são muitas, viu?

O fato de eu ser agnóstico, ter uma fé que não é vinculada diretamente a nenhuma religião formal, me faz reconhecer o quanto estou perto de ser realmente um positivista, principalmente por acreditar que a vida e o mundo serão sempre melhores se tiverem o amor como princípio, a ordem como base e o progresso como meta. Em tese essas coisas estão arraigadas a todas as ideias dos percussores das religiões, a diferença é que em mim, não há por trás delas, uma estrutura de igreja formal.

Quanto mais eu penso e estudo, mais acredito que de modo algum eu sou um ortodoxo, um radical. Procuro ser flexível, ouvir as versões e ponderar as soluções. A minha mente é tão aberta e permeável que não admite intervalos fechados. Nada de parênteses ou colchetes em minhas equações de vida, pois sempre é possível se repensar uma situação, revisar os números e agregar novos conhecimentos e novas práticas, sem mudarmos necessariamente a nossa essência.

Não se pode jamais desconhecer a história nem a ciência, mas é preciso entender que a história possui seus recortes, muitos dos quais provenientes de quem a relata, e a ciência fria, sem a luz da ética não basta para que possamos ter seu pleno e efetivo uso na vida humana.

Quando digo não aceitar religiões, não quero dizer que rejeito a ideia de uma entidade superior, uma espécie de catalizador, um maestro de uma orquestra sem músicos, mas repleta de timbres sonoros, um pintor cuja paleta é capaz de conter todas as cores do universo, sem ter que misturá-las, um professor que conhece todas as perguntas, porque saber as respostas seria muito fácil.

Quando digo que Jesus não precisa ser filho de Deus, não estou blasfemando. Simplesmente estou repetindo o que disse ele mesmo, o meu irmão galileu. Deus é amor, Deus é paz, compreensão… Deus está dentro de cada um e ninguém precisa de uma religião para ter Deus consigo, como Jesus provou que não precisava do judaísmo desvirtuado, professado pelos sacerdotes do Templo de Salomão.

Veja, nenhuma religião será suficiente para conter Deus. Ao estudarmos o judaísmo, o cristianismo e o islamismo, descobriremos enormes semelhanças entre eles e é fácil compreender que as diferenças são apenas e tão somente temporais e culturais. As três religiões possuem a mesma base, mas o fato de terem sido estabelecidas e praticadas em momentos diferentes, por civilizações distintas, e sofrido influências próprias, fez com que cada uma se moldasse às suas próprias condições e circunstâncias.

Se Mohandas Karamchand não tivesse nascido na Índia e sua família não professasse a religião hinduísta, ele jamais teria sido o Gandhi que conhecemos hoje, e o fato dele não seguir os padrões daquele que escolhi como régua e compasso, não significa que eu não possa ou não deva, admirá-lo e exaltá-lo, pelo menos naquilo que eles têm de semelhantes.

Costumava dizer que se me fosse dada uma única possibilidade de visitar o passado e testemunhar um fato da história, gostaria de ver com meus próprios olhos o que realmente aconteceu na vida de Jesus. Hoje já não penso mais assim. A verdade sobre Jesus não vai mais mudar meu entendimento sobre o significado de sua mensagem. Agora eu gostaria de saber o que realmente aconteceu na vida de Maomé, para quem sabe poder entender por que seus seguidores divergem tanto entre si mesmos, e como poderia encontrar um denominador comum entre eles e todos nós.

Quando eu era ainda bem jovem e alguém me perguntava o que eu tanto pensava ou escrevia, respondia garboso, querendo parecer sofisticado: “O pensamento é uma estrada que não cobra pedágio e nos possibilita fazer viagens rápidas e seguras”. É nisso que tenho me confiado em todos esses anos, mais que nos maravilhosos ensinamentos de Comte ou mesmo nos engrandecedores exemplos de Rondon.

Uma coisa é certa! Dois profetas da religião que poderia ser o criador, nos oferecem ensinamentos que devem ser ouvidos, assimilados e seguidos. “Tudo vale a pena se a alma não é pequena” e “Eles passarão, eu passarinho”, ao que meu eu polêmico, argumenta: Qual alma, cara-pálida!? Quem são eles, Passarinho!?

No final me resta uma certeza: na vida, não deve haver intervalos fechados.

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Releituras

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Já faz muito tempo que eu tenho vontade de tratar sobre um assunto que acredito atormentar pessoas que, como eu, ama versões originais, sejam elas de músicas ou filmes.

Recentemente estivemos em um pequeno paraíso onde uma alameda iluminada por luzes amarelas pipocavam nas árvores formando cachopas de lâmpadas que pendiam em diferentes alturas, iluminando duas dúzias de restaurantes típicos e gourmets num povoado de meio milênio de idade.

Estávamos em Trancoso, passando pequenas férias em família. Passávamos os dias ao redor da piscina, numa casa dos sonhos, e as noites íamos para o “Quadrado”, o centro do povoado, onde ficam os restaurantes e uma grande quantidade de lojinhas de marcas nacionais e internacionais, além de muitas barraquinhas de vendedores locais de artesanato e utensílios.

Até aí, tudo bem. O problema começava quando nos dirigíamos aos restaurantes e os cantores de cada um deles, em volumes elevados tentavam mostrar suas habilidades.

Pior mesmo foi quando escolhemos um lugar para jantar. Sentamos, uma simpática moça trouxe os cardápios… Foi aí que observamos – ouvimos – um rapaz, sentado ao fundo, dedilhando um violão, interpretando músicas de renomados compositores.

Nem vou comentar sobre o que comemos naquela noite. Em Trancoso não achamos nenhum lugar onde a comida fosse ruim. É verdade que existem lugares bem melhores que outros, mas ruim não conhecemos nenhum. O foco de meu texto de hoje é as apresentações musicais, ao vivo dos restaurantes que frequentamos.

Naquela noite especificamente, o rapaz que lá cantava era até esforçado, tinha iniciativa, mas ao constatar isso lembrei do que dizia Napoleão sobre os tipos de soldados que existiam em seu tempo e que ainda hoje devem povoar os exércitos pelo mundo.

Bonaparte dizia que havia quatro tipos de soldados: Os inteligentes com iniciativa; os inteligentes sem iniciativa; os burros sem iniciativa; e os burros com iniciativa.

Os inteligentes com iniciativa eram feitos seus comandantes. Os inteligentes sem iniciativa serviam como seus oficiais superiores, aqueles que recebiam ordens e as cumpriam correta e fielmente. Já os burros sem iniciativa eram colocados na frente de batalha, eram os buchas de canhão. Já os burros com iniciativa, esses Napoleão odiava e não os queria em seus exércitos, pois eram capazes de cometerem as maiores loucuras em nome da crença que serem bons no que fazem, sendo que não o são, pelo contrário.

A mesma coisa se pode dizer em relação a alguns artistas, músicos, escritores, pintores, diretores de cinema e até a artistas da política, já que este universo também tem a ver comigo.

O fato é que o cantor que se apresentava naquele restaurante resolveu fazer releituras de todas as músicas que apresentava e assassinava a todas as composições de deuses da musica baiana e nacional.

Assassinou músicas de Gil, Caetano, Ivete. Assassinou composições de Dorival Caymi e de Os Novos Baianos.

Não satisfeito o rapaz seguiu destruindo as músicas que cantava. Jogou no lixo Adoniran Barbosa, Martinho da Vila, Cartola, Wilson Simonal, Jorge Benjor e até de Pixinguinha e Noel Rosa.

O certo é que a releitura das músicas, a revisitação atabalhoada das melodias, dos compassos, dos andamentos, das entonações,  e até das letras, fazia com que clássicos da nossa música se tornassem sabujos, exclusivamente pela vontade do “artista” querer “inovar”.

Ao ouvir a tentativa desastrosa do rapaz, lembrei das tentativas igualmente desastrosas de refilmagens de clássicos do cinema, como “Ben-Hur”, “Spartacus”, “A fantástica fábrica de chocolate”, “O grande Gatsby” e tantos outros.

Releituras trazem em si o peso da necessidade de pelo menos se igualar ao sucesso conseguido pelos gênios que criaram o produto original, que só é passível de releitura porque foi, em seu tempo um grande sucesso de crítica e de público, e isso é muito, muito, muito difícil de ser conseguido.

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Nossa triste realidade ideológica

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Recentemente, em uma conversa com um querido amigo meu, cuja ideologia difere da minha espacialmente – enquanto ele se posta à esquerda, eu me coloco à direita do espectro político – descobri que nossas diferenças não são assim tão grandes ou inconciliáveis.

Ele é a favor da reforma agrária, da distribuição de terras para pequenos agricultores familiares. Eu também sou! A diferença entre nossas posições, é que eu acredito que as terras que devem ser distribuídas para essas pessoas, não podem, jamais, serem terras que já produzem. Para mim, reforma agrária não pode ser feita em propriedades produtivas, fazendas que realizem um trabalho sem a qual o Brasil não seria o maior produtor de alimentos do mundo!

Penso que o Estado tem que prover essas pessoas, de forma a se estabelecerem, e ajudá-las da melhor maneira possível, mas jamais às custas de quem já produz. Isso não é apenas uma injustiça, mas uma burrice, uma loucura e uma imensa irresponsabilidade.

Sou a favor de saúde e educação gratuitas e de boa qualidade. Sou a favor das cotas, pois acredito que durante muitos anos, indígenas, mulheres, negros, homossexuais, portadores de deficiências físicas, foram e ainda são discriminados e marginalizados. Só que eu acredito que isso não deve ser feito no intuito de semear a luta de classes, que visa unicamente arrebanhar uma parcela da sociedade para o lado de quem defende alucinadamente essa tese, com a qual eu concordo no conteúdo, mas não na forma.

Em algum momento surgiu em nossa conversa o assunto dos privilégios. Existe uma corrente que acredita que privilégios devem ser conferidos primeiro aos mais carentes e só depois disso, aos que tiverem mérito em algum setor, e há outra corrente que acredita que o privilégio deve ser destinado em primeiro lugar aos que possuem mérito, para só depois incluir os menos favorecidos.

É em aspectos como esse que as coisas começam a se complicar, pois estas são concepções completamente antagônicas, muito mais quanto à forma que quanto ao conteúdo. Quanto mais radicais forem os ideólogos, de direita ou de esquerda, mais eles passam a não admitir a inclusão de carentes de um lado ou meritórios de outro. Isso é apenas um exemplo. Muitas outras situações como essa existem.

Um dia desses, ouvi uma tese ser propagada por um ideólogo radical de esquerda, que defendia que a meritocracia deveria ser eliminada da vida social, que o mérito não representa o que há de melhor na sociedade, pois se alguém é o melhor em algum aspecto, é porque certamente se apoiou naqueles mais carentes para se sobressair. Mesmo sendo eu um sujeito aberto ao diálogo, não via  como manter uma conversa produtiva com alguém que tivesse um pensamento, para mim tão absurdo como aquele.

Fiquei imaginando que a grande quantidade de pessoas desses grupos marginalizados que se sobressaem meritoriamente estariam perdendo o seu valor por mérito e passariam a ser recompensados pelo fato pertencerem a casta dos desfavorecidos.

Lembrei do filme “Estrelas além do tempo” que fala sobre a vida e a obra de Katherine G. Johnson, uma cientista, negra e de origem pobre que fez mais que muitos homens brancos e ricos, pela exploração do espaço. Lembrei de Jesse Owens, atleta americano negro que humilhou Hitler na olimpíada de Berlin, em 1936. Lembrei de um outro filme, “Self-Made: A vida e história de Madam CJ Walker”, que fala de uma mulher marginalizada e pobre que por seus méritos se tornou uma das maiores filantropas de seu tempo.

Mesmo sendo refratário àquela ideia, por um instante parei para pensar que a minha forma de encarar esse fato deveria ser para aquele militante de esquerda, tão absurda quanto a dele era pra mim, um sujeito que se vê como uma pessoa correta, que pensa em si como um liberal, um moderado de direita.

No decorrer da conversa, aquele meu amigo, que, apesar de pensar diferente de mim politicamente, é uma pessoa inteligente, sensata, de bons propósitos e caráter ilibado, foi vendo que as nossas diferenças não eram inconciliáveis e poderiam facilmente serem contemporizadas, com boa fé e boa vontade.

Nossa conversa já estava na literatura e no cinema quando lá pelas tantas chegaram no barzinho onde eu e ele estávamos conversando, um grupo de amigos dele. Olharam atravessado, cumprimentaram a ele e nem falaram comigo. Algum tempo depois, chegaram dois amigos meus, um fazendeiro e um industrial. Um deles se aproximou, falou comigo e cumprimentou cordialmente o meu amigo, abaixou-se ao meu ouvido e disse baixinho: “Tu e esses teus amigos esquerdistas, né?!…”

Este infelizmente é o retrato de nossa realidade ideológica hoje. Algo completamente insuportável, que não nos deixa margem suficiente para tentar minimamente contemporizar e chegar a uma convivência aceitável, saudável e sustentável com quem pensa diferente de nós.

A intolerância, a falta de temperança e a absurda necessidade de sobrepor o outro, está destruindo as nossas relações pessoais e inviabilizando a convivência.

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Uns com tanto, outros com tão pouco

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Meu pai não era exatamente alguém a quem se pudesse designar o adjetivo “filósofo”, mas ele dizia frases baseadas em ensinamentos que aprendera nos livros que lera, entre eles, “Como fazer amigos e influenciar pessoas”,  de  Dale Carnegie, e no convívio com seus amigos, como Eduardo Aboud e Clodomir Milet.

Algumas de suas frases ecoam em minha mente até hoje, vinte nove anos depois de sua morte.

Citando Nenem Prancha, ele dizia que “quem pede, recebe, quem se desloca tem preferência”. Essa frase era usada para dizer que as pessoas precisam dizer o que pensam, pretendem e desejam. Além disso essas pessoas precisam se movimentar, se deslocar, ocupar os espaços, buscar espaços vazios, não ocupados por ninguém. Achar o seu lugar.

Esse ensinamento servia para ele próprio e para aqueles que conviviam com ele, tanto no que dissesse respeito ao comércio ou a política.

Já quando ele dizia que dava “um boi para não entrar numa briga, e uma boiada para não sair dela”, estava se referindo unicamente a si mesmo. Era um aviso para aqueles que quisessem desafiá-lo para alguma contenda. Uma advertência no sentido de avisar que pra vencê-lo, o adversário teria que dar tudo de si e um pouco mais. Não era que ele fosse simplesmente turrão. Ele era tenaz e trabalhava como um burro de carga, sendo que de burro ele não tinha nada.

Outra frase que gostava de repetir era: “Poder não é pra quem o tem, mas para quem sabe usá-lo”. Com isso ele queria orientar algumas pessoas detentoras de poder, fossem elas quem fossem, do porteiro da empresa ao presidente dela, do oficial de justiça ao desembargador, do vereador ao presidente da república, do sacristão ao bispo.

Em muitos casos algumas pessoas que ocupam cargos menores, sejam eles eletivos ou comissionados usam o poder de forma melhor ou mais eficiente, eficaz e efetiva que algumas outras pessoas em situação de primazia.

A maioria das vezes, isso acontece pelo fato dessas pessoas, nos dois casos, terem mais ou menos conhecimento ou sabedoria no uso e na prática do poder.

Já vi contínuos se portarem com mais conformidade em suas funções que seus superiores nas funções deles, da mesma maneira que vi oficiais de gabinete atenderem melhor as pessoas que os deputados para quem trabalhavam. O inverso também não é incomum. Existem muitos contínuos e oficiais de gabinete que pensam que são os chefes e usam o pouco poder que lhes cabe de forma desastrosa.

Conheço políticos que não honram os cargos para os quais foram eleitos, deixando de fazer coisas simples e mínimas, como atender bem às pessoas, que em primeira e última instância são os motivos do poder que detêm. Políticos que não conhecem nenhuma das frases definidoras do bom profissional desse setor, propaladas pelo polêmico deputado Nagib Haickel, meu pai.

Eu mesmo tive dificuldade de cumprir alguns desses mandamentos, como por exemplo o de estar sempre disponível, presente a solenidades, comparecer a eventos, reuniões, comícios e similares. Eu era ruim nesse quesito.

Outra frase que meu pai costumava usar como uma espécie de lema era “ninguém é obrigado a empenhar sua palavra, mas se o fizer, deve honrá-la ou resgatá-la com correção, lealdade e honra”.

Alguém que não consiga cumprir esses compromissos mínimos, não merece ter o espaço de poder que ocupa.

Um empresário que não está disposto a se relacionar com seus colaboradores e com seus colegas empreendedores, não merece ter sucesso. A arrogância e a prepotência não leva ninguém, muito menos um político, ao sucesso. A soberba e a autossuficiência, também não.

A história está repleta de exemplos de potenciais lideranças que em pouco tempo demonstraram total incompatibilidade com o bom uso e exercício do poder.

Meu pai era um sujeito muito brincalhão e espirituoso e tinha frases em seu repertório que não eram lá muito elegantes de serem ditas, mas em sua forma simples de ser e agir ele tentava amenizá-las usando palavras menos “agressivas” ao decoro, como “quem tiver medo de defecar, não deve comer” , referindo-se a alguns empresários e políticos que temendo o fracasso, não empreendiam e por isso, de início já haviam fracassado. Desse tipo ele tinha ojeriza, chamava-os de covardes.

Havia uma frase com a qual ele normalmente encerrava uma discussão: Quem viver, verá.

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O maior legado

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Todas as vezes que estou fora de meu estado, em qualquer que seja o lugar do Brasil, e alguém me pergunta de onde eu sou, e eu digo que sou do Maranhão, a primeira coisa que a pessoa diz é: “Terra do Sarney!”. A terceira coisa que me dizem é que eu não tenho um sotaque característico, mas a segunda é irremediavelmente uma piada sobre o fato de Sarney ter sido presidente da república.

Fico me perguntando, quando é que as pessoas vão entender, e aceitar, que Sarney foi o melhor nome que poderia haver, naquele momento e naquela conjuntura, para levar nosso país a atravessar, sem maiores traumas, aquele oceano turbulento que foi a redemocratização nacional!?

Nem Tancredo teria feito melhor, pois os compromissos que ele tinha, poderiam colocá-lo em uma situação bem desconfortável, como certamente aconteceu com Sarney, mas ele era apenas um substituto e qualquer coisa que ele fizesse ou deixasse de fazer não teria o mesmo impacto negativo, caso tal coisa fosse obra do titular, Tancredo Neves.

Até perdoo as pessoas que só repetem o que ouvem, aquilo que dizem jornalistas e políticos preconceituosos e racistas, pois as pessoas são gado, aqueles que acompanham a manada, já jornalistas e políticos, são membros de duas corjas desqualificadas que tentam impor narrativas que estabeleçam suas “verdades”.

Em algumas dessas ocasiões, já pensei em dizer a essas pessoas que o Maranhão além de ser a terra do ex-presidente José Sarney, é também a terra de figuras importantes, como Gonçalves Dias, Aloísio Azevedo, Humberto de Campos, Maria Firmina dos Reis, Josué Montelo e Ferreira Gullar, todos ligados a literatura. E eu poderia continuar, por páginas e páginas, citando nomes de figuras importantes de nossas artes, mas a esmagadora maioria não saberia nada sobre tais personalidades.

Fico me perguntando até quando, pessoas despreparadas para entenderem os fatos da política, vão continuar a falar bobagens sobre coisas obvias e cristalinas.

Faço uma análise rápida dos fatos e procuro fazer isso sem nenhum compromisso ou paixão.

Vejo que a ascensão de Sarney como líder de grande estatura e relevância nacional, só ocorreu depois da morte de Petrônio Portela. Essa constatação vem junto com outra sobre uma de suas características mais importantes. Sarney sabe como pouquíssimos ocupar os espaços vazios ou vagos e como um Fred Astaire da política, baila e sapateia como poucos pelos salões do poder, graças à sua cultura, sua simpatia e sua perspicácia. Ele executa primorosamente um dos mandamentos do futebol, estabelecido por Nenem Prancha: “Quem pede recebe, quem se desloca, tem preferência”.

Como presidente do PDS, então partido do governo, construiu inúmeras conexões e solidificou amizades e parcerias, tornando-se não apenas um homem poderoso, mas principalmente uma pessoa respeitada e bem quista.

A característica fundamental que distingue Sarney de outros líderes de seu tempo, é que no que diz respeito ao capítulo XVII do livro “O príncipe” de Maquiavel, ele não faz escolha entre ser amado ou temido. Ele opta por ser amado por alguns e ser temido por outros, sendo que aqueles que o amam, o fazem para não terem que temê-lo, e aqueles que o temem, o fazem por não terem oportunidade de amá-lo.

Desde a redemocratização, o único ocupante da presidência da república que se aproxima de José Sarney em intelecto e capacidade política é Fernando Henrique Cardoso. Collor, Itamar, Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro, não estão nem no nível intelectual, nem no nível político de JS e FHC.

É bem verdade que Lula é um ponto fora da curva, por seu carisma, por sua popularidade, coisa que se poderia dizer também sobre Bolsonaro, por uma outra abordagem.

Ainda sobre Lula, ele tem características que faltam em Sarney. A audácia de Lula faltou a Sarney. Ele ficou refém do PMDB e de Ulisses durante todo seu governo. Se ele tivesse sido audacioso, seria insuperável, mas poderia ter colocado em risco a sua maior obra, a redemocratização nacional, patrimônio que só será realmente reconhecido e valorizado quando as pessoas entenderem um pouco sobre política em seu sentido maior.

Pensando bem, se faltou a Sarney a audácia de Lula, vejo que se Lula tivesse algumas características comuns a Sarney ele poderia ter se saído melhor e não ter acabado como acabou.

Enfim, toda vez que digo que sou do Maranhão, as pessoas lembram imediatamente de Sarney, mas raramente pelo motivo correto e justo, que é o de estarmos vivendo em um país democrático. É bem verdade que nosso país é cheio de mazelas, mas o fantasma de um regime de exceção, de um regime autoritário, onde as garantias individuais e coletivas não eram respeitadas, isso não temos mais, graças à dedicação de um homem que se não fez tudo certo na vida, nos legou a democracia.

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Sobre o caso Daniel Silveira

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Como pessoa, Daniel Silveira é apenas mais uma, como parlamentar, ele não é mais que insignificante, mas como detentor de direitos assegurados por nossa carta constitucional, ele não deve e não pode ser tratado de forma marginal e excludente.

As manifestações verbais de Daniel Silveira são certamente asquerosas e inaceitáveis, mas cabem aqui algumas perguntas importantes que devem ser respondidas de forma clara e direta.

Quais as verdadeiras e reais consequências das palavras de Daniel Silveira? Em que resultaram, física e objetivamente, suas palavras? Qual verdadeiro prejuízo foi causado por elas?

Se me perguntarem se Daniel Silveira cometeu algum crime, responderei que sim. Crime de calunia, injúria, difamação, ameaça física e outros similares.

Se me perguntarem se Daniel Silveira ameaçou o estado de direito ou a ordem democrática, direi que não creio de forma alguma nessa hipótese. Acredito que ele tenha ameaçado a pessoa de um ministro, que segundo ele, usa o cargo e a função para desvirtuar e subverter a ordem constitucional brasileira.

Em minha modesta visão, Silveira ameaçou uma pessoa que ocupa o cargo de ministro e não o Tribunal como instituição, como um dos poderes da república. Se acreditasse que fosse essa a intenção de Daniel Silveira, concordaria com o processo que movem contra ele.

Negar a Daniel Silveira, os direitos e garantias que todos os cidadãos brasileiros possuem e que estão previstos na Constituição Federal, é falta grave e crime abominável, que não pode ser aceito nem admitido, sob pena, isso sim, de grave ameaça a ordem constitucional, ao modelo democrático e ao regime republicano.

A condenação de Daniel Silveira marca o ápice do supremo poder do STF, mas em compensação marcará também o início do declínio desse arbitrário poder.

Como modesto conhecedor da história, temo pelo que possa acontecer, pois quem deveria ter a razão e o bom senso como armas de defesa da ordem constitucional, usa isso de forma arbitrária, em causa própria, de maneira arrogante e prepotente, demonstrando não ser apto a exercer as funções para as quais foi designado.

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Desmistificando a Academia

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É fácil falar mal de algo ou de alguém que não se conhece. Na maioria das vezes, o descompromisso se confunde com uma absurda noção de liberdade de expressão, que dá a sensação às pessoas pouco responsáveis, que elas podem dizer o que bem entenderem, pois estarão protegidas, não apenas legalmente, mas imunizadas contra as tolices ou as calúnias que possam prolatar.

Ouvi muitas bobagens sendo ditas quando os membros da Academia Maranhense de Letras resolveram eleger Flávio Dino para ocupar a cadeira que havia sido a de seu pai, Sálvio de Jesus.

As pessoas não sabem exatamente como funciona uma entidade como a AML e em parte a culpa é dela e de seus membros que preferem não se abrir para a sociedade, deixando em torno de si uma aura de mistério, como se lá, fosse realmente um lugar de “imortais”.

Como não poderia deixar de ser, a imortalidade das academias é metafórica, e traz na forma do ingresso de cada novo membro, o motivo desta “imortalidade”, pois obrigatoriamente, todos os nomes ligados a cadeira vaga que será ocupada, sejam lembrados, citados, referenciados e reverenciados, fazendo com que a lembrança deles, de seus feitos e suas obras, os tornem eternos e eternizados a cada sucessão.

O ingresso nas academias, sejam elas do que forem, de letras, de artes, de ciências, de medicina, jurídicas… Se deve mais pela capacidade de convivência do entrante que pela qualidade de seus trabalhos, quaisquer que sejam, porém eles não podem jamais serem desconsiderados.

Falo deste assunto hoje, pelo fato de uma pessoa, que eu nem conhecia, ter me abordado em um supermercado, para me perguntar quem nós da AML, iremos eleger para ocupar as duas vagas abertas com os falecimentos de Luiz Phelipe Andrés e Fernando Braga, e ironizando, sutilmente, sugeriu que elegêssemos escritores para as vagas.

Aquele sujeito não sabe que as academias podem ter em seus quadros, além de escritores consagrados, como é o caso de diversos de nossos confrades, pessoas que se destaquem em outros setores como é o caso de Nelson Pereira dos Santos, um dos mais importantes cineastas brasileiros, que foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, assim como recentemente a mesma ABL elegeu um de nossos maiores compositores, o poeta da música, Gilberto Gil e uma das maiores atrizes do mundo, intérprete de textos poéticos e dramáticos, Fernanda Montenegro.

Contei até 10 como o Zeca Diabo de Dias Gomes e respondi para aquele senhor, que falou comigo como se soubesse do que falava. Expliquei-lhe de forma simpática e didática, mais ou menos isso que disse aqui anteriormente, e ele me questionou sobre quem eu achava que deveriam ser os eleitos para as duas vagas.

Achei a pergunta meio estranha, pois o cidadão parecia estar interessado em informações privilegiadas! Ri só com meus botões, mesmo estando de camisa de malha, mas resolvi entrar na dele.

Disse-lhe que os nomes que identificava como os mais viáveis, possíveis e até “desejáveis”, naquele momento, eram os de Salgado Maranhão, Arlete Machado, Rossini Correa, José Jorge Soares, Kátia Bogea, Luís Augusto Cassas, Mundinha Araújo e Lenita de Sá. Disse a ele que essa lista poderia ser ampliada, e citei Celso Borges, Alexandre Lago, Bruno Tomé, Regina Farias, Eulálio Figueiredo, Alan Kardec, Maria Tereza Neves… Disse-lhe que havia outros, como Alcione, Zeca Baleiro e Tácito Borralho, porém expliquei-lhe que citava estes, mais por sua importância, que propriamente por terem chances ou quererem entrar para a AML. Disse-lhe que havia muitas outras pessoas que poderiam também cogitar seu ingresso.

O homem insistiu para que eu dissesse quem eu achava ou pelo menos em quem eu votaria para as duas vagas existentes, e brincou comigo: “Afinal, você entende muito de eleição, sempre acerta os nomes de quem vai se eleger!”

A conversa me intrigava cada vez mais e resolvi dar corda para ver onde aquilo nos levaria.

Disse a ele que no caso das duas vagas que estão abertas, acredito que, caso Salgado e Arlete se candidatassem, ninguém ganharia deles. Caso não se candidatassem, a chance de Rossini cresceria bastante. Disse também ao meu interlocutor que existe um grupo que cogita a candidatura de Kátia em substituição a Luiz Phelipe e que eu particularmente gostaria muito de ter conosco, alguém que pudesse nos ajudar, e bastante, na gestão da Casa, como ela ou Zé Jorge.

O senhor sorriu amarelo, se despediu e continuou suas compras.

Minutos depois, na fila do caixa, encontrei com ele, conversando com um sujeito que embala sonhos de entrar para a AML, já faz algum tempo.

Na saída do supermercado, voltei a encontrar com aquele senhor, agora sozinho, e aproveitei para comentar com ele sobre a ideia que meu amigo e confrade Jomar Moraes tinha sobre o ingresso de alguém na AML. Dizia Jomar, no que é seguido por Sebastião Moreira Duarte, Américo Azevedo Neto e Benedito Buzar, alguns dos mais importantes e ilustres membros daquela Casa, que a pessoa que postulasse uma vaga numa Academia, mais que trazer para si os méritos de ostentar o colar, o fardão, o nome ou a glória de ser um acadêmico, deveria pensar em levar para a instituição seu talento e sua força de trabalho, para honrar e defender a literatura, a arte e a cultura. Que mais que se beneficiar com o fato de ser “imortal”, buscasse imortalizar a instituição e fazer com que ela fosse relevante no contexto cultural da sociedade. 

O homem franziu a testa, esticou a mão para me cumprimentar e se foi.

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Quem tem medo de…

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Eu era muito jovem quando assisti pela primeira vez ao filme, “Quem tem medo de Virgínia Wolf?”. Na época, aquele não era o tipo de filme que eu apreciava, mas o título chamou muita minha atenção desde a primeira vez que o vi, inclusive ele me serve até hoje como referência, para quando eu preciso saber que medo alguém ou alguma coisa possa causar para mim ou para outras pessoas.

Lembro de já ter usado esse artifício, substituindo o nome da magnífica escritora inglesa pelo de meu pai, Nagib Haickel, pelo de Sarney, pelo de Lobão quando eu trabalhava com ele, pelo de Roseana, pelo de Lula e mais recentemente fiz a mesma coisa com o nome de Flávio Dino e de Bolsonaro. O resultado é sempre bastante esclarecedor.

Ontem, zapiando nos canais de streaming, deparei-me com esse filme, que é estrelado por Elizabeth Taylor e seu, várias vezes marido, Richard Burton. Taylor inclusive ganhou um Oscar em 1967 por sua atuação como Martha, personagem principal dessa obra, adaptada por Ernest Lehman da peça de mesmo nome, escrita por Edward Albee, para o filme dirigido magistralmente por Mike Nichols.

Fiquei imaginando a quem adaptar o título daquela obra, neste momento. Poderia ser novamente a Lula ou a Bolsonaro, mas nesses casos, seriam perguntas fáceis de responder. Todo mundo sabe quem tem medo de um e de outro. Todo mundo está cansado de saber que medo cada uma dessas figuras faz aflorar e em quem.

Resolvi então fazer a tal pergunta e usar no lugar do nome da senhorita VW, o nome de meu amigo Carlos Brandão, que acaba de assumir o governo do Maranhão, em substituição a Flávio Dino.

A primeira resposta que me veio à cabeça foi o nome de Weverton Rocha, que jura de pés juntos que não teme o hoje governador, mas eu acho que deveria, pelo menos um pouco, afinal de contas, sentado na cadeira e com a caneta em punho, qualquer um é de causar medo.

O segundo nome que me veio à mente foi o de Flávio Dino, até porque qualquer coisa que se diga no Maranhão, tem de ser referenciada por ele, afinal ele governou nosso Estado, sem compartilhar ou dividir o poder com ninguém, durante 87 meses, 2.654 dias, de forma quase tão absolutista quanto Luís XIV.

Mas não acredito que Dino deva sentir qualquer tipo de medo em relação a Brandão. Carlos será leal e não fará nada que macule a amizade que há entre eles. Porém, se eu fosse Flávio, ficaria morrendo de medo de todos os outros políticos do Maranhão, pois cada um deles, que foi destratado, ou tratado mal pelo ex-governador, não vai deixar escapar a oportunidade de dar-lhe alguma forma de troco, pelo tratamento que lhe foi dispensado. Isso certamente é motivo suficiente para causar medo, e dos grandes.

E o povo do Maranhão, teria algum motivo para ter medo de Carlos Brandão? Penso que não. Carlos é um homem de boa índole e boa formação, devotado à família, amigo de seus amigos… Um sujeito de hábitos simples, equilibrado e sem ambições desmedidas ou extravagantes.

Acredito que uma das maiores ambições do atual governador é também uma que eu teria se estivesse no lugar dele: Ser conhecido e reconhecido como um bom governador, não como um sujeito que promete coisas mirabolantes que sabe ser impossível de realizar, mas um governante capaz de dar o melhor de si para conseguir o melhor possível para seu povo.

E os políticos!?… Será que eles têm motivos para ter medo de Carlos Brandão? Não creio, até porque parece que ele está trazendo para seu lado quase todos eles! Os que não vierem agora, caso Brandão vença a eleição, vão acabar, de alguma forma, se aproximando, pois um político sábio e experiente, não descarta apoio.

No final, a conclusão a que chego é que medo não é uma coisa que se deva sentir em relação a Brandão, porém é bom lembrar que ele é um sertanejo, e como disse o grande Euclides da Cunha, o sertanejo é antes de tudo, um forte, e forte aqui deve ser entendido como lutador, alguém que não foge da luta, alguém que sabe por que e por quem lutar, alguém que como meu pai, “Dá um boi para não entrar numa briga, mas depois de estar nela, dá uma boiada pra não sair”.

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A primeira canalhice contra o novo governador

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Soube que o governador Carlos Brandão foi criticado por alguns escroques desocupados, por escrever um texto em suas redes sociais onde disse que se casar, ter filhos e estar com a família são coisas únicas, mas que honrar a distinção de governar o Maranhão, estado que ele ama e do qual se orgulha é insuperável. Depois agradece ao povo por tê-lo ajudado a chegar aonde se encontra.

Criticar alguém, ainda mais um político, por dizer que a sagrada importância da família, em seu patamar automaticamente insuperável é comparada ao fato de poder governar o estado e o povo que ama, é o cúmulo da safadeza.

Esse tipo de coisa, muito comum nos dias de hoje, quando cada um que fala uma bobagem, ou propaga uma infâmia, pode ser ouvido ou lido por milhares de pessoas através das redes sociais, me faz lembrar a fábula do velho, o menino e o burro, que é bem conhecida de todos.

Nessa fábula, cada pessoa que passa pelos personagens, dá uma opinião sobre como eles deveriam se comportar, sob o ponto de vista do opinante. É o que acontece no mundo de hoje, só que da forma mais canalha que pode haver, pois se criam narrativas no sentido de mudar a verdade dos fatos.

Não vou discordar do fato de Brandão ter usado as palavras de forma pouco cuidadosa, mas discordo peremptoriamente que ele tenha desvalorizado sua família em detrimento do poder, até porque em momento algum ele falou do poder que emana do cargo de governador, mas do privilégio e da honra de dirigir os destinos do Estado que ama, e do qual se orgulha.

Quem conhece Brandão sabe de sua total devoção a sua família e aos seus amigos, e dizer o contrário é um acinte. Não se assustem quando logo mais ele começar a ser criticado por privilegiar a família em detrimento do Estado e do povo.

Canalhice é a coisa mais repugnante que pode haver na política, coisa que se iguala à hipocrisia e ambas deveriam ser rechaçadas por todos.

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Três amigos

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Recentemente recebi ligações de três grandes e queridos amigos, coisa que muito me alegrou, pois pudemos conversar sobre eventos importantes de nossas vidas.  

Carlos Alberto Milhomem, Antonio Carlos Braid e Aderson Lago estiveram presentes em alguns dos momentos mais importantes de minha vida política, seja como deputado, seja como secretário de estado.

Fazendo um rápido retrospecto de minha jornada política, comecei como assessor parlamentar em 1978, cargo que ocupei até 1980, quando passei a ser oficial de gabinete do então governador João Castelo, mas depois pedi transferência para o gabinete do Secretário-Chefe da Casa Civil do Governo, José Burnet, para em 1982 concorrer a um mandato de deputado estadual, que assumi em 1983, aos 22 anos de idade. Naquela legislatura, fui o mais jovem parlamentar do Brasil.

Durante todo esse tempo, meu parâmetro maior foi meu pai, e continua sendo até hoje, mas que juntei a ele outros, como Zé Sarney, por exemplo.

Esses três amigos me servem também de parâmetro. Muitas vezes me pego imaginando o que eles fariam em alguma situação.

Trabalhei com Milhomem na Secretaria de Assuntos Políticos, no Governo Lobão, ocasião em que pude conviver mais com ele, já que o conhecia desde o tempo em que eu fora Deputado Federal Constituinte e ele era o coordenador geral pelo gabinete de Lobão, em Brasília.

A princípio, quem não o conhece pode até ter um pouco de medo dele, pois ele é aparentemente bruto, mas por debaixo daquela casca grossa, há um camarada gentil e bondoso. Não diria delicado, isso não, mas generoso e sensível, por mais incrível que possa parecer.

Anos mais tarde trabalhei pela eleição de Milhomem para presidente da Assembleia, ocasião em que exerci o cargo de primeiro secretário do poder legislativo maranhense.

Naqueles dois anos, realizamos coisas incríveis na ALM. Coisas estruturantes como a nova sede, como revisões de regimento e da constituição. Arrumamos a Casa, como se costuma dizer.

Nessa época, Braid e Aderson também estavam juntos conosco.

Com Braid, a relação é hereditária. Meu pai era muito amigo dele, tanto que o sucedeu na presidência da Assembleia Legislativa.

Aqui abro um parêntese para dizer que mesmo tendo passado apenas sete meses no comando do legislativo maranhense, Nagib Haickel gravou seu nome em pedra, na história daquele poder, por seu jeito simples, despojado, aberto e acolhedor. Valorizou os funcionários, deu força aos deputados e credibilidade ao poder legislativo, e Braid o ajudou muito nisso. Aderson também. E Milhomem servindo de ponte entre ele e os deputados com o governo e os secretários de estado, que por exigência de meu pai, passaram a despachar do gabinete da presidência da ALM.

No dia 7 de setembro de 1993, na cidade de Coroatá, depois de um desfile cívico e de um lauto almoço, meu pai, Nagib Haickel, então presidente da Assembleia legislativa do Maranhão, faleceria, nos braços de Carlos Braid e Marcony Farias.

Aderson Lago, este é um caso curioso. “Dersinho”, era como meu pai o chamava, isso quando não usava um outro apelido, mais apimentado: “Messalina”. Em ambos os casos, era sempre no sentido carinhoso, mesmo que os dois não combinassem em quase nada politicamente.

Aderson tinha um histórico antigo com meu pai, desde o tempo em que, como engenheiro, trabalhava com Jerônimo Pinheiro, na SEDUC, no governo Nunes Freire. Passou pela CAEMA, no governo Cafeteira e naqueles dias, estavam juntos, como deputados, na Assembleia Legislativa.

Aderson tem algumas passagens homéricas com meu pai. Comigo então, elas foram ainda mais sensacionais, como na ocasião em que conclamei a oposição a apoiar a candidatura de Milhomem a presidente da ALM, e não posso deixar de citar o dia em que ele não tendo como demolir meus argumentos em um debate, recitou um poema de Guerra Junqueiro, comparando-me ao personagem de um poema, um tal “Tertuliano”… Menino levado!…

Depois que meu pai morreu, resolvi fazer um filme sobre ele, “O caboclo do Vale do Pindaré”. Procurei imagens de arquivo e amigos que pudessem falar alguma coisa sobre o personagem. Milhomem é do tipo que não gosta muito de falar, principalmente em frente às câmeras. Braid contou sobre os últimos momentos dele com meu pai. Aderson contou várias histórias. Algumas incríveis. Uma que até o levou às lágrimas, durante a gravação.

Esses três homens, mais velhos que eu, mais vividos e experientes que eu, são verdadeiros amigos. Foram de meu pai e são meus.

Tenho outros verdadeiros bons amigos, mas esses três são especiais, pois fizeram e fazem parte de momentos importantes de minha vida.

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