Sobre Jal, Elisa e Berenice

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Jal Guerreiro é uma querida amiga que conheci no circuito de festivais, no tempo do lançamento do meu filme “Pelo Ouvido”. De lá para cá ela tem me ajudado na difusão de meus filmes, como faz agora junto aos canais Box Brasil, do empresário gaúcho Cícero Aragon, a quem ela também me apresentou.

Na verdade, Jal tem sido para mim uma espécie de anjo da guarda. Ela me apresentou alguns dos bons amigos que fiz nesse mundo do cinema, como o roteirista Di Moretti, o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, os presidentes da Ancine, Manoel Rangel e Christian de Castro, as produtoras Vania Catani e Mariza Leão, além de meio mundo de gente do cinema nacional.

A última apresentação feita por Jal foi ninguém menos que a pessoa que vai tornar realidade o antigo sonho de concretizar “Do outro lado da ponte”, meu primeiro longa-metragem de ficção! Trata-se de Elisa Tolomelli, produtora de filmes como Central do Brasil, Lavoura Arcaica e Cidade de Deus, pra citar apenas três e não me tornar arrogante e cabotino.

Jal, Elisa e eu fizemos um call pelo Skype esta semana e posso dizer a você que me lê agora, papo com gente boa e inteligente é uma coisa que me faz vibrar.

Depois das devidas apresentações, conversamos sobre o cardápio de projetos que a Guarnicê Produções tem sobre a mesa. Falei-lhe do Polo de Cinema do Maranhão, das empresas e dos cineastas envolvidos nele, falei de minha parceria com Di Moretti e com Neville D´Almeida, e falei especificamente de projetos como “Trópico”, filme que será estrelado por Willem Dafoe e grande elenco nacional e internacional, e produção de Natália Scarton, falei de “Do outro lado da ponte”, “Arcanos”, e de outros projetos.

Mas nessa nossa primeira conversa o mais importante foi nossa troca de cartões de visita! Ela mandou para mim um link com seu último filme, “Berenice Procura” e pediu que eu o assistisse e comentasse com ela, inclusive que eu dissesse quanto eu imaginava ter custado essa produção. Por meu lado passei a ela o link do “Pelo Ouvido”.

Logo que desligamos, chamei um colaborador que entende de “mágica” tecnológica para colocar o filme do Vimeo em minha tela do hometheater, para que pudesse assistir “Berenice” quase como no cinema. Foi feito.

Durante o tempo de uma partida de futebol, fiquei preso ao sofá assistindo, a uma obra cinematográfica que chega bem perto da perfeição. Com performances irretocáveis, tanto dos atores quanto dos diretores de cada uma das áreas envolvidas em sua realização.

O roteiro é um dos pontos altos. Baseado em livro homônimo de Luiz Alfredo Garcia-Roza, a adaptação para o cinema facilita muito a vida do diretor e dos atores, dando asas a uma montagem eletrizante que descortina a história à proporção que o tempo passa, mesmo que sejam usados artifícios temporais, mas deixando o desfecho sempre para o momento seguinte.

Depois de fazer o dever de casa, estava me preparando para ligar para Jal e Elisa quando tive a ideia de escrever esse texto, registrando tudo que transcorreu no que diz respeito à Elisa e à sua Berenice…

Espero que tenham gostado deste breve relato e que ele tenha servido de aperitivo fazendo com que corram ao cinema para assistirem a “Berenice Procura”.

 

PS 1: Espero que a minha mulher não desconfie que minha paixão recôndita por Cláudia Abreu sofreu uma recidiva.

 

PS 2: Depois de assistir ao filme com olhos de cineasta, acredito que qualquer que tenha sido o orçamento dele, imaginando que tenha sido muito alto, ainda assim seria pouco, pelo resultado obtido. Mas como Elisa pediu que eu sugerisse um número, vou chutar baixo, BO… R$ 3 milhões!…

 

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Turismo! Que turismo!?…

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Nestes quase quatro anos de governo, nunca disse que o governador Flávio Dino ou seus secretários são corruptos, nunca os acusei de malversação, de prevaricação ou de peculato. Jamais disse que eles cometeram apropriações indébitas ou desviaram recursos públicos. Não costumo acusar sem provas cabais que me respaldem e não tenho essas provas. O que sempre comentei foi sobre a falta de coerência do governador, sobre sua imensa dificuldade em ter um raciocínio e um comportamento dignos de um estadista. Sempre disse que ele e os seus auxiliares não conseguem até hoje se desvencilhar do palanque eleitoral nem da prática da política universitária. Sempre ressaltei sua hipocrisia, arrogância, prepotência, messianismo, seu caráter perseguidor, seu maniqueísmo e sectarismo, defeitos capazes de aleijar qualquer pessoa, ainda mais um político.

Hoje, no entanto, vou acusar Flávio Dino de uma coisa que nunca havia acusado antes. Acuso-o de incompetente. Faço isso respaldado na conversa que tive com um ex-secretário de Turismo de um estado do Nordeste, que estando recentemente em São Luís me perguntou se é verdade que neste governo não há uma secretaria dedicada exclusivamente ao fomento e ao desenvolvimento deste importante setor da economia moderna que é o turismo. Respondi que em nosso Estado não existe uma secretaria exclusivamente de turismo e meu interlocutor sorriu e disse: “Quanta incompetência”!

Na semana passada o governador publicou um artigo onde comenta o estrondoso sucesso do setor turístico de nosso estado. Tudo lorota, balela, falácias, sofismas…

Há muito tempo eu tinha vontade de abordar essa questão, mas confesso que pelo fato de manter uma relação de amizade e respeito tanto com Felipe Camarão quanto com Diego Galdino, os dois gestores da SECTUR, Secretaria de Cultura e Turismo do Maranhão, resolvi não fazê-lo, pois não me sentia confortável para isso.

Ocorre que nem Felipe, agora secretário de Educação, nem Diego, hoje comandante da SECTUR, nenhum dos dois tem culpa quanto ao direcionamento equivocado dos negócios do turismo em nosso estado. A culpa é única e exclusivamente do governador que estabeleceu essa simbiose e direcionou de forma totalmente esdrúxula o setor turístico do Maranhão!

Juntar a pasta da cultura com a do turismo é uma solução fácil, mas o fácil aqui é usado no sentido negativo da palavra, no sentido de tolo, de infantil, de frágil.

Como é que alguém que foi presidente da Embratur, empresa responsável por apoiar e incentivar o turismo no Brasil, não consegue entender que a cultura é apenas um dos vetores usados pela indústria do turismo em seu extenso cabedal de ações de atração!?

Será que ele não sabe que o turismo é um setor da economia que precisa mais da indústria hoteleira, de alimentação, de transporte, de infraestrutura, de capacitação de mão de obra, que das manifestações culturais de nosso povo!?

Pensar assim é pensar pequeno, é tentar resolver problemas complexos com soluções mirabolantes. Se isso resolvesse, o governo federal não teria um ministério para cada setor, um dedicado à cultura e outro ao turismo. Em quantos estados brasileiros, coisa semelhante acontece? O máximo que se poderia aceitar era juntar as atribuições do turismo com as da indústria e comércio, já que esses setores têm muito mais relações entre si.

O certo é que a SECTUR tem uma estrutura débil para desenvolver muitas atribuições! Atribuições com a cultura, que ela desenvolve modestamente, e atribuições com o turismo que ou ela não desenvolve ou se desenvolve, não surte efeito algum.

Os números deste setor expressam de forma insuficiente a sua realidade, ainda mais em um estado como o nosso. O turismo se localiza numa região turva da economia onde se confundem aspectos industriais, comerciais e de serviços, exigindo que essas engrenagens estejam perfeitamente alinhadas e ajustadas, como vemos em lugares que dominam esse setor como Espanha, Itália e França, por exemplo.

O potencial turístico do Maranhão é imenso e este setor tem que ser levado a sério e não ser tratado como vem sendo, como mero palco para demonstrações de nossas riquezas artísticas e culturais. Só um tolo incompetente não consegue entender isso!

 

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