Carta para Theo

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Nem imagino quantos anos você terá no momento em que estiver lendo esta carta! Só espero que você já tenha maturidade suficiente para entender a mensagem contida nestas palavras, arrumadas por mim assim, desta maneira.

Em que pese você me chamar tão carinhosa e amorosamente de vovô, não temos nenhum vínculo sanguíneo, mas nossa relação extrapola corpo e sangue, e é exatamente por causa de uma história que envolve corpo e sangue que lhe escrevo esta carta.

No dia do seu batizado, você já tinha um ano e oito meses, eu senti algo muito profundo, uma emoção avassaladora, algo que me secou a garganta, disparou meu coração, encheu meus olhos d´água… Só minha sobrinha Pillar, uma pessoa hipersensível notou o que estava acontecendo comigo.

Padre Cláudio, grande amigo de minha mãe, oficiava a liturgia do batismo e você, como sempre, estava radiante! Eu costumava dizer que sua alegria e sua simpatia foram herdadas de um avô que em nada contribuiu em sua genética!

A cerimônia foi simples, como deveriam ser todas as cerimônias religiosas, de qualquer que fosse a fé. Cláudio, além de padre é psicólogo, e como tal sabe se comunicar e atingir seu objetivo, falando diretamente aos corações e às mentes das pessoas.

Tudo transcorreu na maior das perfeições, até que num dos rituais do batismo católico o sacerdote pede que os pais e os padrinhos respondam pela criança que está sendo batizada, no caso você, as perguntas que ele fará. Para as primeiras perguntas, as respostas devem ser “renuncio”. O padre faz perguntas claras e todas as respostas são plenamente satisfatórias, inclusive eu também respondi a elas, por você e por também mim! “Renuncio!”

Para a segunda bateria de perguntas, a respostas devem ser “creio”. Foi neste momento que a minha emoção que já estava aflorada, explodiu e transbordou.

A cada pergunta que Cláudio fazia para você, prontamente respondidas com “creio” por seus pais e padrinhos, o nó em minha garganta apertava ainda mais. Àquelas perguntas eu não pude responder…

Foram momentos de grande angústia para mim. Fiquei aflito… Mas ao olhar para o mural pintado na parede por detrás daquele altar, vi que havia a figura de Jesus sentado ao centro, ladeado por dois homens que logo identifiquei como sendo Marcus, que dá nome àquela igreja, e Pedro. Marcus, o mais jovem, à direita, trazia na mão um pergaminho e um leão às suas pernas. À esquerda, Pedro, aparecia carregando um cajado.

Repentinamente comecei a ouvir uma voz que pensei ser do próprio Jesus. A princípio imaginei que estava tendo um surto de esquizofrenia, mas esquizofrênicos não acham que o são! A voz era de minha razão! Vinha de minha consciência, me dizendo que o fato de eu não acreditar que Jesus tenha nascido de uma virgem, que depois de morto e sepultado ele ressuscitou e subiu ao céu, que pelo fato de não crer na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na ressurreição da carne ou na vida eterna, que nada disso impede que eu ame meu próximo como a mim mesmo, que eu seja piedoso, generoso, pacífico, que eu respeite as pessoas indistintamente… Que o fato de eu não acreditar nos dogmas dessa religião, me impede de seguir com alegria os ensinamentos de seu profeta!

Meu amado Theo! O fato é que em seu batizado, de certa forma, eu me rebatizei. Se não tive padrinho nem madrinha, não importa. Você foi o veículo para que eu, de uma vez por todas, entendesse e aceitasse a minha condição de seguidor incondicional dos ensinamentos de Jesus, mesmo que não me vincule a nenhuma igreja, de nenhuma denominação.

Ao final da cerimônia de seu batismo, fui até você que já estava dormindo no colo de seu pai, dei um beijo em sua cabecinha e lhe agradeci.

Depois fui até padre Cláudio, o abracei e chorei compulsivamente. Não consegui dizer-lhe uma só palavra, mas ele, sensível, entendeu e me confortou.

Ao sair da igreja de braço dado com minha mãe e mãe Teté, aquela voz voltou e me disse: “Aproveite todos os momentos que você puder do lado das pessoas que você ama, principalmente de suas mães”. Naquele momento eu não chorei, pois sabia que não tinha como lutar contra o tempo.

 

PS: Não importa que muitas outras pessoas tenham lido esta carta que lhe escrevi, antes de você! O que importa é que hoje você a está lendo, e espero que possa entender que mesmo não sendo seu avô de verdade, te amo como se fosse e que em seu batizado eu pude definitivamente aceitar minha condição de homem de pouca fé nas igrejas, mas com muita vontade de seguir os ensinamentos e os exemplos do homem Jesus.

 

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Lição de como não ser

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Vejam só como são as coisas! Enquanto alguns políticos perdem importante espaço midiático por não usarem as redes sociais, outros perdem espaço exatamente por usá-las de forma excessiva e equivocada, se transformando em verdadeiros aloprados.

Roberto Marinho, jornalista por formação, frequentemente publicava editoriais políticos e economicos em seu jornal, mas apenas em algumas ocasiões repercutia-os em seus veículos de radiodifusão, pois conhecia muito bem o efeito negativo do excesso de exposição midiática. Sabia que era melhor não usar essas ferramentas, que usá-las de forma que pudesse ser considerado ridículo.

O recente caso das obras da adutora Italuis que abastece com água os municípios da ilha de São Luís é um exemplo claro de incapacidade no uso de ferramentas de comunicação de massa.

O primeiro erro foi o fato de, pensando que a população é burra, tentarem convencê-la de que o trabalho a ser realizado seria uma obra totalmente nova e não apenas uma ampliação da já existente. “Burro é quem pensa que o povo é burro”, ou quem se esquece da máxima de Abraham Lincoln, que diz que ninguém consegue enganar todos, todo o tempo.

Outro erro grave foi a insinuação de que o atraso na entrega da tal obra, teria sido causado por sabotagem! Ah!…Tenha paciência! Pura arrogância e prepotência, de quem não consegue ver que a melhor maneira de agir é sendo humilde, simples, humano…

A forma mais correta e sensata de um governante, de um estadista agir, num caso como o da ruptura da adutora do Italuis, seria reconhecer que aconteceu um imprevisto, uma dificuldade técnica, e que a obra inicialmente prevista para durar 72 horas, por motivos alheios à vontade dos executores, seria concluida posteriormente! Bastaria isso!…

Um governante, um estadista, para ser bom, não precisa ser um engenheiro mecanico ou hidraulico, nem um mestre de obra ou serralheiro, nem precisa ir além, como quis fazer parecer um auxiliar do governador. Bastaria ser humilde, ter reconhecido o problema e simplesmente dizer que aconteceu um imprevisto na execução da obra, coisa a que todos estão passíveis! Pra que ser mais que simples!? Arrogância cega! Absoluta prepotência! Messianismo tolo!

Neste caso, teria ficado muito melhor para o governador, e a população teria ficado muito mais satisfeita, se ele fosse para as redes sociais, lá de dentro da obra mesmo, dizer que aconteceu um imprevisto, que pedia desculpas pelo transtorno e que o fornecimento de água seria restabelecido em breve! Façam uma enquete e vejam qual seria a reação das pessoas!

A simples demonstração de humanidade, de falibilidade, o fato de NÃO se estar a todo instante tentando fazer com que as pessoas tenham a sensação de que se seja o messias, o salvador, por si só é uma forma simples e eficiente de se demonstrar respeito e consideração para com as pessoas e a sociedade! Realmente só quem tem um ego extremamente avantajado não vê isso!

Meu pai, que tinha pouco estudo formal e que faleceu em 1993, dizia que “poder não é para quem o tem, mas para quem sabe a melhor maneira de usá-lo em benefício da sociedade, e consequentemente em seu próprio benefício”.

Esta frase contém uma reflexão que pelo visto não é levada em consideração pelos últimos governantes de nosso Estado, pois suas ações demonstram claramente isso.

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Propaganda e Pesquisa

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A análise e a previsão de cenários políticos podem não parecer importantes para algumas pessoas, mas possibilitam a antevisão e a preparação de ações para consubstanciar ou prevenir aquilo que possa vir a acontecer, podendo ser de crucial importância para o sucesso ou o fracasso de um projeto.

As pesquisas qualitativas e quantitativas são instrumentos de enorme importância para que se tenha uma visão clara e cientifica, não só do cenário, mas também das possíveis modificações que possam vir a acontecer.

Nem todo mundo está capacitado para entender e dominar esse poderoso instrumento de informação e conhecimento. Por outro lado há aqueles que as usam como mero instrumento midiático de propaganda.

Confesso que eu não sou a melhor pessoa para analisar uma pesquisa, pois não tenho o conhecimento técnico adequado para isso. Entretanto, por viver há tanto tempo no ambiente político, sou capaz de perceber pontos de convergência e de incongruência em uma pesquisa. Somando isso ao conhecimento prático dos cenários eleitorais e do ambiente político, sou capaz de olhar uma pesquisa e saber quando ela faz sentido e quando ela é uma mera peça de propaganda.

Mesmo sem acesso a pesquisas, faço análise de cenários já faz muito tempo, usando como principal ferramenta as informações que coleto, uma mercadoria que eu trato de checar, pesar e contrabalançar de forma a extrair delas a maior confiabilidade possível.

Na análise de cenários políticos, bem como de qualquer outro tipo, como econômico ou social de qualquer natureza e para qualquer fim, o analista precisa, o mais possível, abstrair as suas crenças pessoais, as suas vontades, os seus pontos de vista, coisa que é muito difícil de conseguir, por causa de nossa indissociável condição humana.

Dizem que os melhores analistas são os mais cartesianos e matemáticos, verdadeiras almas sherloquianas, capazes de dissecar os fatos e ver através das evidências de forma totalmente fria e desapaixonada. Concordo em parte com isso, mas um pouco de inteligência emocional, de conhecimento psicológico, entendimento sociológico, até de informações antropológicas e análise econômica, são de suma importância para que se chegue a um resultado o mais perto possível da verdade, e não apenas de um mero ponto de vista.

Sobre pontos de vista e verdade, é bom que se diga que o primeiro tem um valor imobiliário, pois depende do local onde seu agente se encontra. Já a verdade, essa pode ser ou não vista de qualquer lugar que esteja ele.

Alguém poderia dizer que o fato de eu ser ligado a um dos lados envolvidos na disputa política do Maranhão me desqualifica como um analista confiável, mas quem se der ao trabalho de ler as análises que eu fiz antes e as que eu tenho feito verá que não poupo ninguém, que não coloco panos quentes em quem quer que seja, que eu aponto, independentemente do agente, os erros de cada um e de todos.

Sobre as recentes pesquisas, o que posso dizer é que a realizada pela Exata, é apenas e tão somente uma peça de propaganda contratada pelo governo. Quanto a da Vox Populi, mais confiável, apresenta todas as deficiências características de um levantamento feito a pouco menos de um ano da eleição. Ela mostra apenas a tendência das intenções do eleitorado. Reflete o sentimento do eleitor maranhense, tendo por base o que está acontecendo neste momento, o que não pode também ser visto como uma verdade imutável, pois outras e decisivas ações irão definir o que acontecerá no dia da eleição.

No entanto, uma coisa é possível dizer-se com alguma certeza. Se o quadro permanecer assim e se todos os candidatos postos até aqui continuarem candidatos, a eleição só será decidida no segundo turno. Quanto à disputa do Senado, acredito que pela primeira vez na nossa história, os eleitos pertencerão a grupos políticos diferentes.

 

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