“Este é o único jeito cumpade!”

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A questão salarial dos funcionários públicos é de extrema importância e atinge a todos nós, pois é no salário que se inicia a nossa complexa cadeia de consumo.

O poder de compra das pessoas daqui provem unicamente das remunerações salariais do poder público, do pagamento de inativos e pensionistas, dos salários dos empregos do comercio e das prestadoras de serviços e dos honorários dos profissionais liberais. Isso porque a indústria local, infelizmente, é incipiente ou simplesmente não existe.

Toda nossa economia depende desse fluxo constante, que é pagamento dos salários do poder publico. Caso haja alguma perda neste setor toda a economia irá sofrer.

No entanto em nosso estado ocorre um fenômeno curioso no que diz respeito ao mercado de consumo de bens em geral e São Luis se sobressai sobre maneira neste contexto.

No setor imobiliário, magníficos empreendimentos germinam em cada esquina, mas nem por isso os preços dos imóveis caíram, pelo contrario eles sobem a cada dia.

E impensável que um flat na Ponta D’Areia possa valer 30% a mais que um em Iracema em Fortaleza ou no Lago Sul em Brasília.

O mais estranho é que apesar dos preços altos, quase todos os prédios e condomínios da cidade estão totalmente vendidos.

Outro dia procurei um apartamento para comprar. Todos que vi eram de boa qualidade, mas de preços estratosféricos, até que esbarrei em uma maquete que me fascinou. Na planta baixa vi logo que era o apartamento dos sonhos de qualquer um. Quatro suítes amplas, um escritório, lavabo, uma imensa sala em três ambientes, cozinha e área de serviço que mais pareciam de uma casa e uma dependência de empregada com dois quartos, isso sem contar com um espaço confortável para uma boa sala de som e TV, e uma gigantesca varanda. O prédio é uma maravilha e está situado numa das melhores áreas de nossa cidade. Fiquei apaixonado e quis comprar. Tinha certeza que não poderia ser barato e acabei descobrindo que compra-lo era mais viável financeiramente que a outros apartamentos menores.

Fiz umas contas rápidas e vi que precisaria de dois mandatos de deputado, ou seja, de 96 meses, para com o salário que eu ganho cobrir a aquisição de tal jóia. E ai me veio uma outra questão! Para mobiliar um lugar daqueles gastaria valor semelhante, então desisti.

Acho também incrível essa nossa capacidade de compra de veículos, principalmente de veículos novos. Não preciso nem falar dos preços irreais dos carros, pois tanto os nacionais quanto os importados sofrem uma majoração imoral com a incidência exorbitante de impostos sobre eles. Mesmo assim uma determinada concessionária diz que chega a vender por mês 600 unidades. Uma outra contesta estes números e diz que só ela chega aos 600 carros vendidos por mês. Uma terceira diz que vende 400 carros enquanto a quarta e quinta ficam na casa dos 200, o que soma 2000 carros novos vendidos num único mês. Sem falarmos nas outras dez representantes autorizadas de marcas estrangeiras e outras tantas revendas multimarcas que proliferam por ai.

Um amigo meu, estava à procura de um carro para comprar e viu em um jornal o anuncio de uma promoção interessante. Um carro do tipo que ele queria com um preço que lhe parecia apropriado. Então ele foi até a loja e qual não foi a sua surpresa ao chegar lá e saber que o referido preço era obrigatoriamente para financiamento de 100% do veículo. Resumindo: A tal concessionária, ao invés de ser uma loja que vende carros, passou a ser uma loja que vende dinheiro. O bem, o veículo, é uma mera desculpa para a cobrança dos juros do financiamento.

As coisas por ai andam esquisitas há muito tempo e não apenas nestes segmentos. No setor lojista acontecem fenômenos parecidos ao que ocorre no ramo automotivo, e são de cunho nacional.

Dia destes um amigo pediu que lhe desse uma carona, pois ele precisava pagar o carnê de compras de uma dessas lojas que vendem de tudo. Ai, perguntei a ele o que havia comprado e ele me respondeu que comprara tudo que precisava para sua casa, de fogão a geladeira, de cama a ar condicionado, de faqueiro a guarda roupa, de sofá a TV.

Ele havia comprado tudo que precisava para viver ele, a mulher e dois filhos. Estava destinando há dois anos metade de tudo o que ganhava, ele e a mulher, para pagar a loja, mas estava feliz da vida.

Pedi para ver as contas e passando uma vista rápida notei que na verdade ele já havia pagado pelos bens há muito tempo, o que ele pagava agora e ainda iria pagar por um bom tempo, eram os juros, que não eram baixos, mas como ele mesmo me disse: .

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20 Anas e 20 Marias

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Ana Maria
Ana Celena
Ana Lourdes
Ana Morena

Ana Sílvia
Ana Aurora
Ana Bolena
Ana Senhora

Ana Tereza
Ana Gostosa
Ana Luana
Ana Formosa

Ana Isabel
Ana Teimosa
Ana Bedel
Ana Carmosa

Ana da Grécia
Ana da Prússia
Ana da Pérsia
Ana da Rússia

Maria das Graças
Maria do Carmo
Maria Dolores
Maria das Dores

Maria de Deus
Maria do Céu
Maria José
Maria do Mel

Maria Francisca
Maria doÓ
Maria Batista
Maria Só

Maria Vitória
Maria dos Anjos
Maria da Glória
Maria dos Santos

Maria de Sorte
Maria de Cor
Maria de Morte
Maria de Amor

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O regatão de Nagib Arraes

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Outro dia meu irmão Nagib foi me visitar. Ficamos vendo TV e conversando, eu deitado na minha rede, ele na cama ao lado, até que acabamos por cochilar.

A televisão ficou ligada. A minha, fica ligada durante o tempo em que eu estiver no quarto. Durmo com ela ligada todas as noites. Ela serve de abajur e de regatão eletrônico. Deixe-me explicar. Regatão era como meu pai e meu tio Zé Antonio, chamavam o costume que tinham alguns chefes de família de Pindaré em colocarem velhos contadores de estórias sentados em volta das redes, nas varandas das casas, para contar-lhes causos até que eles pegassem no sono.

Vez por outra se um contador parasse a narrativa pensando que o ouvinte já tinha adormecido, era comum o sonolento reclamar: “Ta pensando que eu vim pra cá foi pra dormir, cabra? Vim pra cá foi pra ouvir estória… E trate de contar uma nova que essa aí eu já conheço”. Todos riam e o contador se esmerava em reinventar uma velha estória de tal maneira que ela parecesse uma estória nova.

Era assim que aconteciam as bocas de noite naqueles tempos em Pindaré, que foi o município do Maranhão que mais recebeu imigrantes entre final do século XIX e o comecinho do século XX. Este fato se deveu a implantação na sede do município, por ordem de D. Pedro II, do Engenho Central São Pedro. Como quase a totalidade dos imigrantes estrangeiros que chegaram por aquelas bandas era de libaneses, daí que, o costume do regatão foi a forma que nossos antepassados encontraram para fazer no vale do Pindaré as mesmas reuniões em torno das fogueiras, que eles faziam no vale do Bekar.

Mas os regatões já aconteciam há muito tempo, nas viagens dos navios gaiolas que faziam o transporte de mercadorias e passageiros, pelos rios da região. Passageiros que iam acomodados em redes pelo convés da embarcação.

Mas voltando ao nosso regatão eletrônico. Lá pelas tantas, despertei e vi que Nagib continuava dormindo. Uma das características de nossa família é termos um sono que não se abala nem se incomoda com a incidência de som ou de luz. Mesmo assim, silenciosamente, peguei o controle remoto e dei uma zapiada pela SKY para ver se havia algo interessante a ser visto ou mesmo revisto. Parei no canal Brasil, onde estava passando um documentário sobre Miguel Arraes, ex-governador de Pernambuco e um dos mais importantes políticos de nosso país dos últimos anos.

No começo ainda estava meio sonolento, mas aos poucos fui pegando o pique do documentário, que a cada minuto mais me chamava atenção. Era como se não fosse o bravo povo pernambucano que estivesse falando de Miguel Arraes, mas sim, o povo do vale do Pindaré, falando de meu pai, Nagib Haickel. De repente olhei para meu irmão e me espantei ao ver que ele não estava mais dormindo. Ele, de olhos arregalados, me disse: “estava aqui cochilando e ouvi uma frase que parecia ter sido dita por papai, abri os olhos e vi que quem a disse foi o Arraes, ai, não dormi mais, fiquei assistindo”.

Ficamos os dois olhando o documentário ate o final. Para nosso maior espanto, Arraes empunhando um microfone, em cima da carroceria de um velho Fé-Nê-Mê, num filme que aparentava datar de pouco tempo antes dele ser cassado, em 1964, disse uma das frases que mais caracterizaram o discurso do deputado Nagib Haickel, “caboclo do vale do Pindaré, acostumado a comer tapiáca e mandubé”: o difícil se faz logo, o impossível demora um pouco mais.

Quando ouvimos aquilo, eu e meu irmão nos entre olhamos e abrimos uma estrondosa gargalhada. É que nosso pai que sempre foi tido como homem de pouca cultura e de menos letras, sem nunca ter sido de esquerda, sem nunca ter visto Miguel Arraes em toda sua vida, ainda assim tinha um repertório bem parecido com o dele.

Enquanto Arraes era endeusado pela esquerda, meu pai era chamado de reacionário, e os dois falavam ao povo usando as mesmas palavras, as mesmas frases, o mesmo discurso.

Eu e meu irmão rimos e imaginamos que seria essa a mesma reação de nosso pai se ele soubesse de tal fato. Ele simplesmente daria uma frondosa gargalhada e faria troça do acontecido. E não seria pra menos.

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Tenho um bom amigo que me manda pelo menos 50 mensagens eletrônicas por dia, então resolvi compartilhar com vocês, sempre que for possível, algumas delas (apenas algumas…rsrsrsrs). Espero que apreciem.

Um pai entrou no quarto da sua filha e encontrou uma carta sobre a cama que dizia o seguinte:

“Queridos pais, com muita pena sou obrigada a confessar que fugi com o meu namorado. Encontrei o amor da minha vida! Estou absolutamente fascinada com os seus piercings, cicatrizes e tatuagens. Mas não é só, estou grávida de gêmeos…
Aprendi também que a maconha e a cocaína não fazem mal a ninguém. Só rezo para que a Ciência encontre a cura da AIDS, o Alex merece. Não se preocupem com o dinheiro, o Alex conseguiu que eu entrasse em um filme com uns amigos: posso ganhar até R$ 50,00 a hora! Se for com mais de três homens são R$ 200,00! E se entrar o pastor alemão do Alex aumenta para R$ 300,00! Mãe, não se preocupe… Já tenho 15 anos e sei cuidar de mim mesma.
Com muito carinho, Silvinha.”

PS: Pai, é uma brincadeira! Estou vendo televisão na casa da vizinha. Eu só quis mostrar que há coisas piores do que as minhas notas…

O pai coloca sua resposta sobre a cama da filha:

“Entreguei a carta para tua mãe ler e ela teve um AVC. Ela está internada no CTI, entre a vida e a morte. Por causa disso e a conselho dos meus advogados, você foi retirada do testamento. Todas as coisas do teu quarto foram doadas e também mudamos a fechadura da nossa casa.
Não tente usar o cartão de débito, porque a conta já foi cancelada. Cancelamos também seu celular. Demos também a tua coleção de CDs para sua irmã. Podes começar também a pensar em trabalhar. Com a tua idade e com esse corpinho estou certo que trabalho não vai faltar, apesar da concorrência das profissionais. Enfim, espero que seja muito feliz na tua nova vida. Seu Pai.”

PS: Filha querida, claro que é tudo uma brincadeira. A tua mãe está aqui comigo vendo novela. Só queríamos mostrar a você que há coisas bem piores que passar as próximas 3 semanas sem sair de casa, sem ir ao shopping, sem internet e sem ver televisão por causa das tuas notas e dessa tua brincadeira de merda…

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Yeshua.

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Sou cristão, mas meu cristo é um pouco diferente do cristo de outras pessoas… Como estas coisas são difíceis de explicar, até mesmo para alguém que como eu, procuro me aprofundar nestes assuntos. Na verdade não sou cristão. Sou Jesuítico! Cristão é quem acredita num cristo, num messias, num salvador.

Acredito em um Jesus histórico, um hebreu da Galiléia, criado sob os fundamentos das leis e da religião judaica, nos tempos do imperador Tibério. Um Jesus que a seu modo, se rebelou contra as duas esferas de dominação que oprimiam sua terra e seu povo em seu tempo. Rebelou-se contra o sistema religioso imposto pelos sacerdotes do templo de Jerusalém, que controlavam a vida de todos os hebreus e contra o poder administrativo e militar que mantinha tais sacerdotes no topo da vida social e religiosa da Judéia: O império romano.

Sigo os ensinamentos de um Jesus geográfico, que certamente não era loiro nem tinha olhos azuis, que nasceu em Belém, que viveu em Nazaré, Qumram e Cafarnaum e que morreu em Jerusalém. Um Jesus humano que morreu mesmo, e para mim nem importa se ressuscitou.

Acredito em um Jesus que antes de ser filho de Deus, foi filho de Maria e enteado de José, um bondoso carpinteiro descendente do rei Davi, que o criou com amor e deu-lhe o que um filho mais precisa de um pai. O exemplo.

Entre os dois Jesus, um divino salvador e o outro um simples ser humano, optei em seguir o segundo, pois preciso muito mais de um amigo, de um companheiro de viagem que me mostre o caminho e me sirva de guia, que de um messias libertador.

O Jesus de Bento XVI, de padre Antonio e de minha mãe, o Jesus de meu irmão e de meus amigos evangélicos, não é melhor nem pior que o meu, até porque são a mesma pessoa, apenas é visto de forma diferente.

Minha posição não é religiosa. Sou meio avesso às religiões porque na grande maioria das vezes elas são intolerantes, intransigentes, preconceituosas, inclementes e radicais. Fazem mais política que qualquer outra coisa.

Vejo as religiões como vejo os partidos políticos, cujo objetivo maior é alcançar o poder, o que no caso delas é Deus. No meu entendimento Deus, por ser de todos nós, não é propriedade nem privilegio de um determinado grupo. Ele esta aberto a quem o busque através dos ensinamentos que seus profetas espalharam pelo mundo e que os discípulos destes propagaram e continuam propagando: o amor ao próximo, a bondade, o perdão, o respeito ao ser humano e a natureza…

Conhecedor das doutrinas que levam ao Deus único e misericordioso, ao pai de compreensão e de bondade, porque seguir o modelo de e não o de Moshe, que veio antes dele, ou o de Muhammad é, que veio depois?

É uma mera questão cultural. Se tivesse nascido em uma família judaica ou em um clã muçulmano, teria a religião que me fosse ensinada por meus pais e adotaria os códigos de moral e de meu grupo social.

Sendo eu proveniente de uma família cristã e tendo sido criado numa sociedade ocidental, me identifico mais com a forma de pensar própria desta cultura e construí meus códigos de moral e de ética baseado nela.

Desde cedo vi que, excetuando-se o ambiente sócio-cultural em que se nasce e no qual se cresce, sejamos judeus, cristãos ou mulçumanos, todos nós buscamos os mesmos objetivos, almejamos as mesmas coisas, lutamos pelas mesmas idéias, tanto como indivíduos quanto como sociedade.

Não comungo com alguns dogmas das religiões estabelecidas por outros seguidores de Jesus. Isto é uma questão de fé e como tal acho que deve permanecer no âmbito da crença pessoal de cada um, até porque para mim importa muito mais o que disse Jesus no sermão da montanha ou o que ele quis dizer com a parábola do bom samaritano do que se Maria concebeu realmente do espírito santo.

Para mim pouco importa se Jesus ressuscitou Lázaro, se Moises fez abrir o mar vermelho ou se o que Maomé subiu ao céu em uma escada de ouro. Para mim o que mais vale é o que ensinaram estes homens. Moises ensinou o valor da liberdade, do individuo e da nação. Jesus mostrou a importância de amarmos aos outros como amamos a nós mesmos. Maomé fez ver que não deve haver qualquer distinção entre as pessoas.

Como acredito que os ensinamentos desses mestres buscam nos mostrar um caminho para alcançarmos uma vida melhor, mais cheia de coisas boas, de sentimentos nobres e ações corretas, é que me coloco como seguidor de um deles, sem jamais me opor, seja por preconceito ou por intolerância, às outras formas de pensamento.

É fato que pensamos e agimos de formas diferentes, mas acredito buscamos as mesmas coisas: O bem do individuo e da coletividade. Por isso acho que devamos ter a consciência histórica de nossas circunstâncias e de suas conseqüências.

Amem!

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PADRE-NOSSO

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No lugar onde nasci, o padre, três horinhas,
Saía pela sacristia e cruzava a praça Cursino Rabelo
– nome do avô do ex-prefeito.
Toalha branca no pescoço, saboneteira na mão,
quixotesco, ia banhar-se na casa da viúva sibá
– dona da padaria.
Seis horas, já banhado e paramentado, rezava a Missa:
Em nome do pai, do filho e do espírito santo…
“amante”.

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Virtudes e qualidades, fraquezas e defeitos.

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O rei já estava ficando velho e ainda não tinha herdeiro. Há anos ele pedia aos Deuses que fizesse com que sua mulher lhe desse um filho para poder continuar a sua linhagem e para que ele tivesse alguém para continuar seu trabalho. Nunca seu povo foi tão feliz antes. Nunca seu reino havia conseguido tanta prosperidade.

Se havia um rei que merecesse que seus desejos fossem realizados, era aquele, por isso todo seu povo rezava para que a rainha lhe desse logo um herdeiro.

Havia um Deus extremamente espirituoso e brincalhão que resolveu atender ao pedido do rei e de seus súditos, mas como era de sua forma de agir, resolveu apimentar o presente e ao invés de dar um herdeiro ao rei, deu dois.

Meses depois a corte e o reino estavam em festa. A rainha havia dado a luz a gêmeos.

O rei logo viu a situação complicada em que os Deuses o colocara. Ele havia pedido um herdeiro e agora tinha dois. Mesmo que por direito o gêmeo que saiu do ventre da mãe primeiro fosse o seu legitimo sucessor, isso causava ao rei uma grande duvida. Os Deuses nitidamente queriam testá-lo.

Os meninos cresciam sadios e fortes. Mas desde cedo ficou claro que eram muito diferentes um do outro. Um era culto, inteligente e sábio. O outro era enérgico, tenaz e empreendedor. Duas metades de uma mesma moeda. Perfeitos se unidos. Incompletos se separados. O rei logo entendeu tudo.

O tempo passava e o rei não conseguia decidir para qual dos dois deixar seu trono. Num, o velho rei via a figura que poderia ser o líder espiritual do seu povo, no outro ele vislumbrava o construtor de cidades.

Por mais que o rei pensasse, não conseguia se resolver para qual dos dois filhos deixaria seu reino. Então ele chamou os maiores sábios da corte para que o aconselhassem. Um comentou as qualidades do menino sábio, o fato dele ser sensível, mostrou ao rei que era disso que realmente precisava um líder. Outro disse que era de um rei energético, capaz de poder dirimir qualquer questão com agilidade e precisão que mais precisa seu povo.

Passaram-se anos nesse impasse e os dois não paravam de crescer e de aprender. Cada um com suas predileções: um aprendia os clássicos e o outro estudava arquitetura. Um discutia com filósofos e religiosos e o outro tratava com generais e políticos.

Certo dia o rei ficou doente e sentindo que iria morrer chamou os filhos e lhes disse que não poderia jamais dividir o seu reino e nem escolher um dentre os dois para sucedê-lo, eles o fariam.

Os dois irmãos que eram gêmeos, mentais, psicológica e misticamente siameses, disseram ao pai que durante toda a sua vida ele só havia visto suas virtudes e suas qualidades e nunca notou suas fraquezas e defeitos, – “eu vejo claramente quem é meu irmão e ele identifica imediatamente quem sou. Por isso resolvemos aprimorar nossas qualidade e deixar nossos defeitos ao encargo um do outro. Por exemplo, pai, eu sou uma espécie de refém da minha sensibilidade, de minha grande capacidade de compreensão e de minha sabedoria. Fico vendo as pessoas sempre esperam o bem e o certo de mim e isso me torna um refém de minha própria bondade, e de meu modo de ser. Só meu irmão pode me libertar disso com sua clareza, senso analítico e firmeza”.

O outro completou: “e eu pai, comigo acontecesse o mesmo, as pessoas que me procuram querem sempre uma solução rápida e eficiente para seus problemas. Sou requisitado para fazer as piores coisas. Sou refém de minha energia e de4 minha tenacidade. Todos querem de alguma forma me superar e me vencer, o que é muito perigoso. Só meu irmão pode me libertar disso com sua sabedoria e sua sensibilidade”.

O rei, velho e doente, sorri e manda chamar seus ministros e seus escribas e dita seu testamento onde prevê que os dois filhos o sucedam em conjunto e que todos os seus atos deverão ser resolvidos e homologados em conjunto, agora e para todo sempre. Logo depois o rei abdica em nome dos filhos.

Passam-se alguns meses e o rei morre, mas ainda pôde em vida ver que seus filhos tomaram conta de seu reino como ele desejava, com sabedoria e sensibilidade, mas com energia e tenacidade.

Esse reino, há muito, não existe mais.

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AMOLUAR

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Eu só queria saber luinha
se tu ó menininha
vem assim, toda certinha
para minha cabeça virar.
Vens cheia, pomposa, formosa e
te como, como queijo.
Vens crescente e indecente
te trago as pernas, a boca,
os seios, a mente,
te como, como louco
e tu louca,
te entrega a mim e consente.

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Comentário feito hoje no post Guarnicê (15/11/06) e aqui reproduzido

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Comentário feito hoje no post Guarnicê (15/11/06) e aqui reproduzido

Caro Joaquim,

Vc realmente sempre foi um guerreiro em prol da cultura e do lazer, ninguém duvida disto. Também estamos nesta luta por isso criamos o MatracaDigital, um blog cuja temática é a cultura que se faz no maranhão. Nele postamos notícias, vídeos, comentários, músicas e tantos outros materiais tratando de cultura feita no Estado. Como nosso site não tem fim lucrativo e trata de um tema tão importante queriamos que o endereço fosse divulgado no vosso espaço para aqueles que se interessam por cultura e pelo Maranhão. O endereço é www.matracadigital.com.br.

Obrigado,

Att.

Gois Jr.

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A bondade de Deus

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Há muito tempo atrás, no longínquo reino de Samarcan, na antiga rota da seda, havia um rei chamado Tariq, que não acreditava na bondade do Deus todo poderoso. Ele tinha, porém, um súdito que atendia pelo nome de Amir que sempre lhe lembrava dessa verdade eterna e imutável que é a sabedoria e a bondade de Deus, e que em todas as situações dizia a seu soberano: “Meu rei, não desanime, porque Deus é bom, ele sempre sabe o que fazer!”.
Um dia, o rei Tariq saiu para caçar e levou consigo o seu súdito Amir. Ao entardecer do segundo dia de caçada, uma fera atacou o rei. Amir, sempre com ele, conseguiu matar o animal, porém não evitou que sua majestade perdesse o dedo mínimo da mão esquerda.
Ao voltar ao palácio, o rei, furioso pelo que tinha acontecido, e sem demonstrar agradecimento por ter sua vida salva pelos esforços de seu leal servo, perguntou e este: “E agora, o que você me diz? Deus é bom? Ele sabe o que faz? Se Deus fosse bom eu não teria sido atacado, e não teria perdido o meu dedo”. Amir, como sempre, insistia: “Meu rei, apesar de todas essas coisas, somente posso dizer-lhe que Deus é bom, e que mesmo isso, perder um dedo é para o seu bem!” O rei, indignado com a resposta do súdito, mandou que fosse preso na cela mais escura e mais fétida do calabouço do palácio.
Havia na corte de Samarcan um outro súdito de Tariq, Amal Ibni-Marud, que se roia de inveja da amizade que o rei tinha para com Amir e aproveitando-se do infortúnio dos dois, para aproximar-se mais do rei, Amal mandou o artesão real confeccionar um dedo mínimo de ouro, para esconder o aleijume de sua majestade. Tariq ficou muito sensibilizado e agradecido.
Após algum tempo, o rei saiu novamente para caçar e dessa vez levou Amal consigo. Aconteceu dele ser atacado novamente, desta vez foi emboscado por uma tribo que vivia nas estepes, os Surihns. Estes eram temidos, pois se sabia que eles faziam sacrifícios humanos para seus deuses. Mal prenderam a todos os Surihns passaram a preparar, cheios de júbilo, o ritual do sacrifício. Quando já estava tudo pronto, e o rei Tariq já estava diante do altar, o sumo-sacerdote, observou um brilho estranho na mão do rei. Aproximou-se para ver melhor, pegou Tariq com força pelo pulso, o que fez com que seu dedo de ouro caísse, e rolasse a escadaria do altar, então gritou furioso: “Este homem não pode ser sacrificado, pois é defeituoso! Falta-lhe um dedo!”
O rei foi então libertado, mas o mesmo não aconteceu com aqueles que o acompanhavam, todos foram sacrificados.
Ao voltar para o palácio, muito alegre e aliviado, Tariq tratou imediatamente de mandar libertar seu leal súdito Amir e pediu que este viesse a sua presença. Ao ver o servo, o rei ajoelhou-se a seus pés, desculpou-se e o abraçou afetuosamente dizendo-lhe: “Meu caro, o seu Deus realmente foi bom comigo! Você já deve estar sabendo que escapei da morte justamente porque não tinha um dos dedos. Mas ainda tenho em meu coração uma grande dúvida. Se esse Deus é tão bom como diz, porque permitiu que você fosse preso da maneira como foi? Logo você, que tanto o ama e o defende! O servo sorriu e disse:” Majestade, se eu estivesse junto contigo naquele dia, certamente teria sido sacrificado como os outros o foram, pois não me faltava dedo algum!”
A partir daquele dia o rei Tariq não teve mais vergonha por não ter um dos dedos. Quanto a seu dedo de ouro, ele o deu de presente a seu leal súdito Amir, que o vendeu por mil moedas e as presenteou todas à viúva e aos filhos do falecido Amal.

* Crônica adaptada de uma estória antiga, mas pautada em acontecimentos recentes.

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