400!

Algumas semanas atrás a Academia Maranhense de Letras realizou sua reunião semanal na residência do nosso querido confrade José Chagas. A reunião foi um sucesso e outras reuniões como aquela nós faremos também em casa de queridos companheiros, como Carlos de Lima, José Filgueiras, Manoel Lopes…

Em casa de Chagas, dentre os vários assuntos que foram tratados, o mais importante foi o das ações comemorativas aos 400 anos de São Luís, que como todos estamos cansados de saber acontecerá no ano que vem.

Todos concordamos que essa data não pode passar em branco. A Academia terá as suas atividades comemorativas, mas ficou acertado que faremos também sugestões para que tanto o governo municipal como o governo estadual promovam atividades no sentido de marcar esta data tão importante para nossa capital.

Quanto a mim, acredito já ter feito grande parte do que posso fazer, tendo em vista que destinei todas as minhas emendas parlamentares, no valor de dois milhões e meio de reais, referentes ao ano de 2011, para execução de projetos na área da cultura, basicamente em São Luis.

Tais recursos estão destinados à Secretaria da Cultura e à Academia Maranhense de Letras para a realização de filmes, digitalização e catalogação de acervos audiovisuais pré-existentes; ao Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão e à AML para editoração de livros alusivos a essa data… Uma parcela menor dessas emendas foi destinada a outras entidades para realização de ações também na área da cultura.

Existem também outros projetos bastante simples de serem implementados, como por exemplo, a idéia que lancei meses atrás para concretizarmos uma parceria entre a AML, a prefeitura municipal e a Secretaria de Turismo do Estado para a identificação dos prédios históricos de São Luís, no sentido de que se coloquem nos respectivos prédios, placas que os identifiquem para uso turístico.

É também simples a sugestão para que a PMSL reforme nossas principais praças como o Largo do Carmo e a Praça João Lisboa, cujas outrora bem alinhadas pedras portuguesas encontram-se em verdadeiro desalinho.

Há um projeto com o qual eu sonho já há muitos anos e nunca pude realizar enquanto deputado, mas acredito que isso possa ser feito agora que estamos todos motivados com as festividades dos 400 anos de nossa cidade. É uma coisa muito simples, basta que haja vontade política, tanto por parte dos poderes executivos e legislativos de São Luis como do Maranhão e a efetiva participação da população e do empresariado, para transformarmos um inexistente parque estadual de preservação ambiental, uma capoeira, um matagal chamado Sítio Rangedor em um Parque Zoo-Botânico, direcionado ao ensino pedagógico de crianças, jovens e adultos, quanto à importância da preservação de nossa flora e da nossa fauna. Este seria verdadeiramente um grande presente para nossa gente e para nossa comuna.

Outras sugestões ainda poderiam surgir. Eventos como a realização de um festival de música de câmara, que já está sendo cogitado pela Aliança Francesa.

No setor de esporte, área de minha atuação, o ideal seria realmente abrirmos o Estádio Castelão, para um jogo Brasil X França, reeditando em manifestação esportiva as batalhas travadas pelos comandados de Jerônimo de Albuquerque e os de Daniel de La Touche, quase 400 anos atrás. Por outro lado, estamos fazendo de tudo para que no ano que vem já possamos ter de volta, em pleno funcionamento o Ginásio Costa Rodrigues. Também estamos estudando a possibilidade de sediarmos o campeonato mundial de Handebol de Praia, de trazermos para cá um desafio internacional de Judô, com França e Portugal, além de implantarmos um Núcleo de Esporte de Base no Complexo Esportivo do Outeiro da Cruz, e quem sabe até, em parceria com a iniciativa privada, construirmos uma arena para shows também no CEDOC.

Por falar em Jerônimo de Albuquerque e Daniel de La Touche, a Dupla Criação formada pelos desenhistas Iramir e Beto Nicácio em conjunto com a Guarnicê Produções, deste locutor que vos fala, está produzindo um desenho animado sobre a fundação de São Luís. Esse mesmo grupo já tem em fase de finalização outro filme em desenho animado intitulado “A Ponte”, que retrata um pedaço bem sólido de nossa cidade, mas de maneira bem poética.

Ainda no setor de cinema, Frederico Machado, Arturo Sabóia, Francisco Colombo, Breno Ferreira e eu estamos cogitando a possibilidade de produzirmos um longa-metragem de ficção, dirigido a cinco mãos, onde possamos retratar alguns personagens da cidade que tanto amamos, numa espécie de São Luís eu te amo.

Há também um importante filme baseado no Poema Sujo de nosso conterrâneo Ferreira Gullar que está sendo produzido e dirigido pelo grande documentarista Sílvio Tendler, que precisa de financiamento local de apenas 50 mil reais, coisa que o governo ou uma dessas grandes empresas que estão se instalando no Maranhão poderiam suprir.

Mas os melhores presentes, que tanto a administração municipal quanto a administração estadual podem dar à nossa capital e ao seu povo são as ações de preservação do nosso patrimônio histórico e de nossa memória, manutenção de nossos bens e logradouros públicos, além é claro, da realização das indispensáveis obras estruturantes que tanto carecemos… Mas isso não é coisa só para o ano que vem, é coisa para sempre.

Perfil

“Poeta, contista e cronista, que, quando sobra tempo, também é deputado”. Era essa a maneira como Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel aparecia no expediente da revista cultural Guarnicê, da qual foi o principal artífice. Mais de três décadas depois disso, o não mais, porem eterno parlamentar, ainda sem as sobras do tempo, permanece cronista, contista e poeta, além de cineasta.

Advogado, Joaquim Haickel foi eleito para o parlamento estadual pela primeira vez de 1982, quando foi o mais jovem parlamentar do Brasil. Em seguida, foi eleito deputado federal constituinte e depois voltou a ser deputado estadual até 2011. Entre 2011 e 2014 exerceu o cargo de secretario de esportes do Estado do Maranhão.

Cinema, esportes, culinária, literatura e artes de um modo geral estão entre as predileções de Joaquim Haickel, quando não está na arena política, de onde não se afasta, mesmo que tenha optado por não mais disputar mandato eletivo.

Cinéfilo inveterado, é autor do filme “Pelo Ouvido”, grande sucesso de 2008. Sua paixão pelo cinema fez com desenvolvesse juntamente com um grupo de colaboradores um projeto que visa resgatar e preservar a memória maranhense através do audiovisual.

Enquanto produz e dirigi filmes, Joaquim continua a escrever um livro sobre cinema e psicanálise, que, segundo ele, “se conseguir concluí-lo”, será sua obra definitiva.

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