O poder da fé

Tenho acompanhado de perto a luta de Roseana Sarney em seu mais recente tratamento de saúde e, dessa experiência, tenho extraído uma quantidade inesperada de lições.

Ao assistir às postagens que ela compartilha no Instagram, vejo uma mulher gigante, realmente uma guerreira.

Vejo que Roseana é mais guerreira agora do que antes. Não uma guerreira por causa de um slogan de propaganda; não por ser a primeira de seu gênero a governar um Estado brasileiro; não por ser uma gestora firme, obstinada ou politicamente combativa. Não por isso.

Quando expõe essa sua luta, Roseana se eleva a uma dimensão raramente alcançada. Nessa hora ela faz jus ao adjetivo de guerreira, sem que esse adjetivo tenha sido criado por um marqueteiro. Muito pelo contrário! Marqueteiros com quem tenho conversado, dizem que o que Rose tem feito ao expor o seu tratamento, é algo desaconselhado, pois demonstra fraqueza, e político fraco não é admirado nem é seguido.

A própria família de Roseana foi contrária a ela se expor como tem feito, mas, como ela é Roseana Sarney, e só faz o que acredita ser a coisa certa, nos mostra que mesmo as pessoas mais poderosas, em todo e qualquer  sentido, são passíveis de sofrer com uma grave enfermidade.

Há, porém, um efeito dessa exposição que preciso compartilhar. Algo que ela provocou em mim e que jamais imaginei experimentar dessa forma.

Fui criado na tradição católica. Minha mãe era profundamente religiosa. Deu-me valores, ensinou-me orações, transmitiu-me um sentido ético da vida. Mas não me formou como um homem religioso no sentido estrito. Ainda assim, deixou em mim a convicção de que existe algo maior, uma ordem que atravessa o universo, a natureza, o tempo e a própria existência. Algo que muitos chamam de Deus.

Essa convicção sempre esteve comigo, de maneira silenciosa, quase abstrata. O que mudou agora foi o gesto. Pela primeira vez em muito tempo, tenho rezado diariamente as orações que minha mãe me ensinou. Não por medo, não por barganha, não por obrigação. Rezo porque a luta de Roseana despertou em mim uma fé que eu não sabia possuir.

Eu creio nisso, e, por isso, tenho rezado diariamente aquelas mesmas orações que minha mãe me ensinou, para que Roseana vença essa batalha, para que ela se recupere e volte logo ao convívio de sua família e de seus amigos.

A fé de Roseana, ao se mostrar sem ornamentos, sem heroísmo, acabou me ensinando isso. Às vezes, acreditar não é afirmar certezas, é simplesmente sustentar esperanças, fé.

A fé de Roseana tem me feito sentir coisas que eu desconhecia.

Perfil

“Poeta, contista e cronista, que, quando sobra tempo, também é deputado”. Era essa a maneira como Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel aparecia no expediente da revista cultural Guarnicê, da qual foi o principal artífice. Mais de três décadas depois disso, o não mais, porem eterno parlamentar, ainda sem as sobras do tempo, permanece cronista, contista e poeta, além de cineasta.

Advogado, Joaquim Haickel foi eleito para o parlamento estadual pela primeira vez de 1982, quando foi o mais jovem parlamentar do Brasil. Em seguida, foi eleito deputado federal constituinte e depois voltou a ser deputado estadual até 2011. Entre 2011 e 2014 exerceu o cargo de secretario de esportes do Estado do Maranhão.

Cinema, esportes, culinária, literatura e artes de um modo geral estão entre as predileções de Joaquim Haickel, quando não está na arena política, de onde não se afasta, mesmo que tenha optado por não mais disputar mandato eletivo.

Cinéfilo inveterado, é autor do filme “Pelo Ouvido”, grande sucesso de 2008. Sua paixão pelo cinema fez com desenvolvesse juntamente com um grupo de colaboradores um projeto que visa resgatar e preservar a memória maranhense através do audiovisual.

Enquanto produz e dirigi filmes, Joaquim continua a escrever um livro sobre cinema e psicanálise, que, segundo ele, “se conseguir concluí-lo”, será sua obra definitiva.

Busca

E-mail

No Twitter

Posts recentes

Comentários

Arquivos

Arquivos

Categorias

Mais Blogs

Rolar para cima