
As pessoas de minha família normalmente morrem em consequência de problemas cardíacos ou oncológicos. Desta vez, a estatística oncológica prevaleceu e subtraiu de nosso convívio o nosso amado primo Marco Aurélio.
Fico aqui pensando no que dizer dele. Poderia comentar com vocês as diversas formas pelas quais nós o chamávamos. Nomes e apelidos que iam desde o nome dado a ele por seu pai, meu tio Zé Antônio, amante incondicional da história, que via no imperador romano e filósofo estoico de mesmo nome um exemplo de alma e caráter a ser seguido e, por isso, colocou esse nome em seu terceiro filho. Poderia dizer que sua doce mãe, minha tia Maria dos Ramos, o chamava apenas de Marquinho, no singular, pois isso, singular, era uma de suas mais marcantes características. Marcorélio, como era chamado por seus irmãos e por nós, seus primos. Corélio, abreviação que lhe foi dada por seus amigos e acatada por muitas outras pessoas. Marcaralho, apelido dado a ele por meu irmão Nagib, por motivos anatômicos, depois do relato feito por uma antiga namoradinha que havia sido primeiro de um e depois do outro. E, principalmente, Mestre Marco, como era conhecido pelos capoeiristas de nossa terra.
Poderia dizer a vocês que Marcorélio era realmente singular, pois, em que pese seu porte físico avantajado e sua maravilhosa forma atlética, ele era doce como mel, suave como seda, risonho como uma criança, bondoso como um anjo. Digo isso não pelo fato de ele ter morrido, mas por ser a mais perfeita verdade, e quem o conheceu pode atestar.
Discordávamos em alguns aspectos políticos e ideológicos, mas concordávamos nos aspectos éticos e morais, sobre os quais não transigíamos.
A existência dele me deu a certeza de que há pessoas que, mesmo pensando diferente, devem ser ouvidas, pois são pessoas de bom coração, de boa índole, de bom caráter.
Quando soube que ele estava doente, blasfemei. Insultei os deuses de todas as religiões, pois achei injusto que alguém que jamais fez mal a ninguém pudesse sofrer tamanho mal e sentir tanta dor.
Penso que aqui cabe citar outro fato que faz de Marcorélio um homem realmente singular. Em seus últimos dias ele esteve sob os cuidados de sua atual namorada, Luciana, e de suas duas ex-mulheres, Janaína, mãe de sua filha, e Samme, sua ex-mulher e melhor amiga. Alguém assim é iluminado.
Estivemos juntos uma última vez em sua casa, antes de ele viajar para se tratar em Brasília, onde estava sua filha, Manaíra. Naquela ocasião fiz uma promessa a ele que, na verdade, era uma barganha com Deus. Disse que, se Deus permitisse que meu amado primo tivesse uma sobrevida longa e sem sofrimento, eu iria votar no candidato dele a presidente da República.
Quando disse isso, Marcorélio olhou para mim sorrindo, daquele jeito único dele, com os olhos apertadinhos, como se soubesse que aquilo não seria nenhum sacrifício para mim, desde que pudesse tê-lo um pouco mais de tempo conosco, desde que fosse sem sofrimento ou dor.
Foi uma grande honra, para mim, ter sido primo de um homem como Marco Aurélio.
13 comentários em “Meu primo preto, imperador, estoico, capoeirista, humanista… Amado.”
Excelente texto e relato. Marco Aurélio deixará saudades.
Meu querido amigo Marco Aurélio, a quem eu, em particular, chamava de Marcão, sempre gentil, prestativo e sorridente, deixou como exemplo tudo o que há de bom em um ser humano.
Uma frase que ele me disse marcou profundamente meus sentimentos:
“Meu querido, o que custa dar um pouco a quem não tem nada?”
Marco Aurélio permanecerá para sempre em meu coração, e sei que Deus o acolherá em Sua morada eterna.
Trabalhamos muito com jovens infratores nas unidades da Fundação, quando era permitido pratica de capoeira. Geralmente, os mestres Marco Aurélio e Juvenal, eu era somente um professor de história. Que o Criador o receba com Arautos e ao som de instrumentos afros, que Ele, tanto gostava…
Marco Aurélio Haickel foi meu colega na faculdade de Direito na UFMA entre 1980 e 1984. Sem dúvida alguma, dentre todos os colegas da nossa turma, ele era o mais irreverente, descolado e despojado de certas vaidades. Lembro-me de sua figura sempre com calças folgadas e camiseta regata. E, foi assim, que ele defendeu a turma contra uma injustiça que o professor Fernando Belfort teria cometido se não fosse a corajosa intervenção de Corélio.
Por várias vezes, degustei o arroz marroquino servido por ele no “Ali Babá”.
A última vez em que estive com ele foi em uma visita à sua casa, levado pelo amigo em comum, Carlos Augusto Matos, no dia 13 de fevereiro, sem saber que um mês depois, ele não estaria mais entre nós.
Amigo Marco Aurélio, que os Espíritos de Luz te recebam e te orientem nessa nova jornada que começaste a trilhar.
Saudades.
Marco Aurélio Haickel foi meu colega na faculdade de Direito na UFMA entre os anos de 1980 e 1984. Dentre todos os colegas da nossa turma, ele era o mais irreverente, descolado e despojado de certas vaidades. Lembro-me de sua figura sempre com calças folgadas e camiseta regata.
Por várias vezes, degustei o arroz marroquino servido por ele no “Ali Babá”.
A última vez que estivemos juntos foi em uma visita à sua casa, no dia 13 de fevereiro, levado pelo amigo em comum, Carlos Augusto Matos, sem saber que um mês depois, ele não estaria mais entre nós.
Marco Aurélio, que os Espíritos de Luz te recebam e te orientem nessa nova jornada que começaste a trilhar. Saudades.
Sem palavras no momento, só me lembro que Mestre Marcos também se colocou na nossa dor em 2006, quando eu pedi a minha irmã, meu pai ele Marcos chegou perto da minha e começou a conversar com ela, aí ele nesse momento falou pra minha mãe que ele iria ajudar, ajudou muito… e outra ocasião ele também me ajudou e orientou vários processo…
Sinto muito nesse momento difícil 🥹🥹🥹
Sem palavras no momento, só me lembro que Mestre Marcos também se colocou na nossa dor em 2006, quando eu pedi a minha irmã, meu pai ele Marcos chegou perto da minha e começou a conversar com ela, aí ele nesse momento falou pra minha mãe que ele iria ajudar, ajudou muito… e outra ocasião ele também me ajudou e orientou vários processo…
Sinto muito nesse momento difícil 🥹🥹🥹
Eu tive o prazer de conhecer mestre marco Aurélio através da capoeira.
Na época eu com 15 anos de idade fui a um evento de capoeira com apenas a passagem de ida, eu estava disposto a voltar andando se fosse preciso desde que eu não perdesse aquele evento, foi então que na saída do evento Marco Aurélio me presenteou uma carona mesmo sem me conhecer (creio eu que confiando apenas no fato de por ser um capoerista,eu seria uma boa pessoa) isso tudo em 2019
Desde então não tivemos outro contato tão próximo, porém eu hoje com 24 anos, as lembranças que ficam para mim de mestre Marco Aurélio é de um cara gentil e generoso para com o próximo, que deus o receba de braços abertos🙏🏻.
Meu Querido primo, só parei neste momento e pude ler na íntegra suas palavras de afeto e tão verdadeiras, uma síntese autêntica sobre a trajetória de vida do nosso irmão Marcorélio, que só o seu talento para tão bem exprimir todo esse sentimento. Dotado de um senso de humanidade e compaixão que irradiava bondade e luz por onde passava, Marco foi um exemplo de amor em tudo que fazia: na arte da capoeira, foi um líder e respeitado mestre que ensinava a arte em sua essência, mas principalmente fazia os seus alunos refletirem sobre a vida e a liberdade que tanto amava. Na lide da advocacia, sempre se destacou pelo trabalho incansável e muitas vezes gratuito em proveito dos mais carentes e injustiçados, não medindo esforços, às vezes correndo riscos extremos e na vida em família era uma alma doce, daquelas de rara unanimidade. Assim como você meu primo, eu e Marcorélio divergíamos em quase tudo sob o ponto de vista ideológico, porém convergíamos em tudo que envolvia princípios e valores morais, ética e crenças espirituais. Isso sempre nos aproximou. O seu legado certamente será venerado e mantido pela legião de amigos que amealhou ao longo de sua vida iluminada. Que Deus receba sua alma e Lhe dê a paz que só os justos merecem.
Eu wue conheci a história da familia Haickel e admirador lamentei profundamente sua morte.
A morte que nao nos parece perto, mais que chega e nos surpreende dessa forma .
Só desejo a Marco Aurélio que Deus na sua plenitude o acolhe de bom grado.
Que lhe dê um aconchego especial no seu Reino.
Aos familiares minhas condolências a este grande homem.
Marco Aurélio foi meu colega no Curso de Direito da UFMA, bem como dos demais alunos da Turma DT 801 (ano 80, janeiro 1). Era uma pessoa muito afável , que chamava a todos nós de “velho”, vocativo carinhoso que eu também retribuía a ele … Mesmo morando aqui nessas plagas distantes de Rondônia, sem vê-lo há mais de quatro décadas, eu presto uma justa homenagem a ele, derramando um lágrima verdadeira.
Texto emocionante!.. Teu primo preto realmente era tudo isso e muito mais. Nos encontramos uns 20 dias antes de viajar para fazer tratamento de saúde corredores do Fórum, como sempre com um sorriso largo, nem de longe, imaginei que estava doente. Perguntei por Elias que eu sabia que estava com problema de saúde. De fato, Marco Aurélio era ser luz. Vou ficar a sua última imagem com aquele sorriso lindo. Já estou com muita saudade dele.
A minha ficha ainda não caiu com essa triste noticia. Sempre também o chamava de primo , foi meu vizinho no bairro do São Francisco e éramos próximos familiarmente falando,tendo a minha irmã mais nova,sua grande amiga desde a faculdade. Ele deixou muita saudade em todos nós.