As decisões de Eduardo Braide

Por saberem de minha amizade com Eduardo Braide, muitas pessoas me perguntavam sobre sua candidatura ao governo do Maranhão. Eu sempre respondia da mesma forma: Eduardo é um homem discreto, um político que fala pouco e raramente revela ideias ou planos antes que estejam praticamente definidos. Foi exatamente o que ocorreu com sua decisão de disputar o governo do Estado.
Eu mesmo tinha dúvidas se ele seria candidato. Passei, então, a analisar os cenários possíveis de forma prática, como procuro fazer sempre, buscando compreender não apenas o que pode acontecer, mas o que é plausível que aconteça.
Costumo recorrer a quatro referências mentais. As duas primeiras são ilustrativas: imagino o que faria meu pai, Nagib Haickel, um homem pouco sofisticado, mas extremamente prático e voluntarioso. Em seguida, penso no que faria José Sarney, sofisticado, culto, politicamente refinado. Depois disso, passo a me colocar no cenário, tentando conciliar essas duas naturezas, para então construir uma análise mais consistente, procurando pensar como o personagem analisado.
Foi assim que examinei a candidatura de Eduardo Braide.
Se fosse Nagibão, ele não seria candidato. Preferiria consolidar-se como o melhor prefeito de São Luís desde Haroldo Tavares a enfrentar a poderosa máquina do governo estadual. Se fosse Sarney, seria candidato, ainda que isso implicasse aceitar apoios incômodos, politicamente úteis, mas pessoalmente indesejáveis.
Até ali, o jogo permanecia equilibrado. Restava a terceira análise: o que eu faria?
Parte de mim permaneceria na prefeitura, aprofundando o trabalho já realizado. Outra parte se inclinaria a expandi-lo para o Estado. Logo surgiriam as dúvidas inevitáveis: seria possível vencer? E, vencendo, seria possível reproduzir em escala maior o que foi feito em São Luís?
Ao me colocar no lugar de Eduardo, vivi esse conflito. Parte de mim era certeza, outra parte era dúvida.
A partir daí, passei a observar ainda mais um traço que sempre me chamou atenção em Eduardo: seu individualismo. Um individualismo funcional, nascido de uma desconfiança estrutural, que o leva a depender o mínimo possível de terceiros, evitando tornar-se refém de pessoas ou grupos.
Essa característica tem vantagens evidentes, mas também limitações. Quem decide sozinho tende a demorar mais, justamente quando a política exige rapidez. O esforço para não errar pode, paradoxalmente, conduzir ao erro, ou, no mínimo, à perda de tempo.
Ao decidir se candidatar, Eduardo aparentemente não considerou a derrota como fator determinante. E faz bem. Na política, perder pode ser parte do caminho para vencer, como demonstram Lula e, em nosso Estado, Flávio Dino.
Em 2006, um jornalista me perguntou sobre o futuro de Flávio Dino. Respondi que ele seria um dia governador. Do mesmo modo, afirmo agora: Eduardo Braide será governador do Maranhão. Pode ser já, pode ser depois. Mas será.
Para que isso aconteça agora, terá de tomar decisões difíceis. Precisará avaliar até que ponto aceitará apoios que, pessoalmente, rejeitaria. Terá de decidir se amplia sua base, inclusive dialogando com setores com os quais hoje não se identifica plenamente.
São escolhas inevitáveis.
Conhecendo Eduardo como penso conhecer, acredito que tentará trilhar o caminho do centro, preservando sua autonomia e reduzindo, tanto quanto possível, sua dependência política.
A escolha de seus companheiros de chapa ilustra isso. Ao indicar uma empresária da região tocantina, ligada ao agronegócio, com vínculos com o empresariado de Imperatriz e identidade com o eleitorado evangélico e de direita, fez uma escolha pessoal, sem negociações aparentes, deixando claro quem conduz sua campanha.
Quando me perguntam o que penso sobre Eduardo Braide, respondo que, partindo do pressuposto de que não existem políticos plenamente bons, mas sim graus de imperfeição, dentro dessa escala, acredito que Eduardo não está entre os mais imperfeitos políticos em atividade em nosso estado.
Comentários