Ter dinheiro não é garantia de correção nem de bom senso

Depois de ter passado o dia inteiro mergulhado na solução de algumas pendências, antes de dormir, resolvi me atualizar sobre os acontecimentos mais recentes do Maranhão, do Brasil e do mundo.

No Maranhão, pouco ou nada mudou. O tempo vai moldando os acontecimentos e os prazos vão se encurtando, precipitando, assim, decisões que ninguém parece disposto a tomar. Essa constatação pode até soar falaciosa, mas é verdadeira. Um espera pela decisão do outro, que depende da decisão de outros, que, por sua vez, aguardam que alguém mais se decida. O resultado é a paralisia travestida de prudência.

No Brasil, a situação é pior. Aqui ninguém espera por nada nem por ninguém para fazer besteira. O presidente fala e faz o que não deve; o ministro da Fazenda não fala nem faz o que deveria; e os ministros do STF falam e fazem coisas que, se o país fosse minimamente sério, os colocariam fora de seus cargos, a serem processados e, muito provavelmente, presos.

Ocorre que essa realidade não é nova. Ela nos acompanha já faz algum tempo, e ninguém aguenta mais.

Mas é no mundo que as coisas estão realmente estranhas. Não porque o presidente da maior, mais rica e mais poderosa nação do planeta faça biquinho ao falar ou sacuda os braços fingindo dançar, mas porque ele é tolo o suficiente para escrever ao primeiro-ministro de um país amigo dizendo que, como não recebeu o Prêmio Nobel da Paz, sente-se desobrigado de ajudar a promovê-la. Alega preocupar-se apenas com a segurança do próprio país, não com a do mundo.

Ser rico nunca foi garantia de inteligência. Tenho visto e sentido isso muito de perto ultimamente. Não se trata, neste caso, de falta de capacidade intelectual, já que o bilionário em questão é bastante inteligente para ter falido seis vezes e sobrevivido ainda mais rico.

O problema é outro: hipocrisia, arrogância, prepotência e, sobretudo, ausência de inteligência emocional. Falta-lhe a compreensão básica de que a segurança de seu país não vale nada se o mundo não for seguro. Falta-lhe também humildade para perceber que ele e seu partido caminham rumo a uma derrota eleitoral acachapante nas próximas eleições legislativas deste ano.

A ideia de anexar ou comprar a Groenlândia é completamente descabida. Os argumentos contra isso são simples: se aquele território sofrer qualquer tipo de ameaça, seus aliados irão em sua defesa, e serão recompensados por isso. É assim que agem os que desejam ser corretos. Qualquer outra atitude é abusiva e inadmissível.

Um país pode estabelecer regras de contenção à imigração, bem como estabelecer, em seu território, as leis que forem por ele aprovadas. Isso é normal.

Um país bombardear alvos terroristas para eliminar covardes e facínoras que espalham ódio e terror pelo mundo, pode até ser algo até desejável.

Um país destruir instalações nucleares destinadas claramente a fins bélicos pode até ser aceitável.

Até mesmo uma intervenção pontual e cirúrgica contra um governante ilegítimo e sanguinário pode ser compreendida, ainda que traga riscos graves e precedentes perigosos.

Mas um país desejar se apoderar do território de outro simplesmente por medo, é algo completamente indesejável, inaceitável e incompreensível. Em suma: inadmissível.

Resta, então, uma pergunta diante do caso da Groenlândia e ela vale também para qualquer pretensão semelhante envolvendo o Canal do Panamá, o México ou o Canadá: o que fazer?

Confesso que não sei exatamente qual é a melhor resposta. Mas uma coisa é certa: é preciso resistir, da forma que for possível, às ações desse tipo de poder quando ameaçam não apenas países específicos, mas também a própria ideia de convivência civilizada no mundo.

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Perfil

“Poeta, contista e cronista, que, quando sobra tempo, também é deputado”. Era essa a maneira como Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel aparecia no expediente da revista cultural Guarnicê, da qual foi o principal artífice. Mais de três décadas depois disso, o não mais, porem eterno parlamentar, ainda sem as sobras do tempo, permanece cronista, contista e poeta, além de cineasta.

Advogado, Joaquim Haickel foi eleito para o parlamento estadual pela primeira vez de 1982, quando foi o mais jovem parlamentar do Brasil. Em seguida, foi eleito deputado federal constituinte e depois voltou a ser deputado estadual até 2011. Entre 2011 e 2014 exerceu o cargo de secretario de esportes do Estado do Maranhão.

Cinema, esportes, culinária, literatura e artes de um modo geral estão entre as predileções de Joaquim Haickel, quando não está na arena política, de onde não se afasta, mesmo que tenha optado por não mais disputar mandato eletivo.

Cinéfilo inveterado, é autor do filme “Pelo Ouvido”, grande sucesso de 2008. Sua paixão pelo cinema fez com desenvolvesse juntamente com um grupo de colaboradores um projeto que visa resgatar e preservar a memória maranhense através do audiovisual.

Enquanto produz e dirigi filmes, Joaquim continua a escrever um livro sobre cinema e psicanálise, que, segundo ele, “se conseguir concluí-lo”, será sua obra definitiva.

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