Renovação verdadeira, sim. Mudança falsa, não.

Manuel José de Santana, coronel da Guarda Nacional, que no começo da década de 50 foi prefeito da pequenina Nova Iorque, cidade do sertão maranhense, não poderia imaginar que 60 anos depois, no começo da segunda década do século XXI, uma bisneta sua, com apenas 33 anos de idade, sem muita prática na lide política formal, viria a ocupar a mais importante Secretaria do Estado do Maranhão, a Chefia do Gabinete Civil, onde acredito deterá por muito tempo o título de primeira mulher e mais jovem ocupante desse cargo.

Tendo sido um grande empreendedor, comerciante e pecuarista no Maranhão, no Piauí e no Pará, o coronel Santana casou sua filha Maria de Jesus Santana Neiva com seu sobrinho, primo dela, Euvaldo Neiva, dando sequência à historia daquela que seria uma das mais influentes e poderosas famílias da política do nosso Estado.

Euvaldo Neiva, sobrinho e genro do coronel Santana, também foi prefeito de Nova Iorque e deputado estadual por dois mandatos.

Prefeita em duas oportunidades, Maria de Jesus Santana Neiva era uma mulher de fibra e à frente de seu tempo. Audaciosa, de gênio forte e personalidade marcante, exercia a administração das fazendas e dos empregados na ausência do marido. Enfrentava os desafetos e seus capangas com dedo em riste.

Meu pai, que gostava de me contar histórias, uma vez me disse que a mulher de seu amigo, deputado Euvaldo Neiva, certa noite, estava em sua casa, sozinha, com os filhos pequenos quando ouviu o som compassado de coturnos na varanda e desafiou quem se esgueirava a entrar em sua casa, que seria “bem recebido”, como mandava o costume da época.

Não vou me concentrar em traçar a árvore genealógica dos Santana Neiva, mas devo lembrar aos esquecidos e dizer aos não sabidos que esta família é prima-irmã de outra família cujos sobrenomes se invertem, os Neiva de Santana.

Dona Maria de Jesus era irmã de Pedro Neiva de Santana, médico conceituado e político respeitado, que foi prefeito de São Luís e governador do Maranhão.

Curiosamente, Pedro Neiva viria a ocupar a mesma função de seu sogro, Jaime Tavares, função esta que seria preenchida anos mais tarde por Haroldo Tavares, cunhado de Pedro e filho de Jaime. Apenas para registrar, os três foram grandes prefeitos de São Luís, sendo que Haroldo, em minha opinião, foi o maior e melhor prefeito que já administrou nossa capital.

Os Santana Neiva tiveram uma filha, Ana Maria que anos mais tarde viria a se casar com Garridinho, filho de um fantástico casal, pessoas de referência humanista única em nossa terra: Gentil Costa e Nóris Garrido. Sobre dona Nóris um artigo seria pouco, esta mulher fascinante merece um filme, que recentemente tentei fazer, mas ainda não consegui.

Digo tudo isso para fazer uma ligação desses fatos com o meu assunto de hoje: renovação.

Falo de Anna Graziella Santana Neiva Costa, bisneta do coronel Santana, neta de Euvaldo e Jesus, sobrinha neta de Pedro, prima de Jaime Santana, filha de Ana e Garrido e minha amiga.

Conheci Anna ainda bebê, quando, por motivos sentimentais frequentava a casa de Haroldo Tavares. Mais tarde a encontraria em minha própria casa, quando estreitou amizade com minha filha Ananda.

Recentemente conversando com ela, descobri que se achava um patinho feio e que somente sua avó, Jesus, via nela uma beleza que transcendia os traços físicos. Tola. Com o tempo ela deve ter feito disso uma arma para se superar e superar outras pessoas.

Imagino que desde criança ela tenha sido líder de classe, capitão do time de vôlei. Devia ser ávida por desafios, até que foi seduzida pela justiça e acabou seguindo a carreira jurídica.

Formada em direito em 2004, fez pós-graduação em Direito Constitucional. Engajou-se na política da Ordem dos Advogados do Brasil, secção do Maranhão, onde foi secretária da comissão de jovens advogados. Depois, foi eleita a conselheira estadual mais nova da história da OAB maranhense até aqui e se viu participando da política institucional. Participava da articulação do grupo mais expressivo da OAB naquele tempo.

Avançou. Dedicada e estudiosa, fez MBA em Direito Tributário na FGV. Foi indicada para a Presidência da Fundação da Memória Republicana Brasileira e, agora é também Secretária Chefe da Casa Civil do Governo do Maranhão.

Contei-lhe toda essa historia para responder, através de você que me lê agora, a pergunta que me fizeram recentemente algumas pessoas, entre elas alguns políticos da situação e da oposição, além de alguns jornalistas: “Vem cá Joaquim, quem é e de onde saiu essa tal de Anna Graziella?”.

Agora vocês já sabem quem é e de onde ela saiu. O que vocês não sabem, é que ela é uma pessoa extremamente competente, dedicada e desprendida. Atua com precisão e agilidade, jamais esquecendo a correção e a legalidade. Tudo bem que ela é jovem e não tem muita experiência no dia a dia da política, mas com inteligência e sagacidade, já demonstrou nos primeiros dias à frente da Casa Civil do Governo, que se coloca entre os bons que por lá passaram recentemente.

Ah! Assim como eu, Anna Graziella, pertence geneticamente menos a essa famigerada “oligarquia” que muita gente que hoje joga pedra nela.

O que nós precisávamos mesmo era dar oportunidade a pessoas como Anna Graziella e como Ananda, quem muito me orgulha com seu trabalho como advogada e conselheira da OAB. A mesma oportunidade que já foi dada a alguns jovens e aguerridos vereadores como Fábio Câmara, Pedro Lucas e Honorato. Deputados como Roberto Costa, Rogério Cafeteira, Eduardo Braid, Alexandre Almeida, Edilázio Junior, Vitor Mendes, nomes que representam uma renovação verdadeira, que representam uma significativa melhoria não apenas do ponto de vista quantitativo nos quadros políticos de nosso Estado, mas também qualitativamente falando.

 

Águas de Junho

Faz uns dois pares de anos que não falo com o jornalista Roberto Kenard, meu amigo de muito tempo, companheiro das lides poéticas e de ações culturais importantes, como um programa de rádio, um semanário, uma revista mensal e a editoração e publicação de vários livros. Todas essas ações levaram o sobrenome Guarnicê, e aconteceram nos saudosos e eternos anos 80.

Eu e Kenard somos bem diferentes. Diferentes em nossos posicionamentos ideológicos, em nossos estilos e gêneros literários, em nossa forma de encarar a vida e dentro dela a política, os negócios… Mesmo assim, de longe, nunca deixei de acompanhar sua trajetória de poeta e jornalista. Estive sempre por perto, pois em mim, a discordância pontual ou o desentendimento momentâneo, não geram ódio, rancor ou nenhum outro sentimento negativo. Policio-me constantemente para que nada gere em mim sentimentos negativos, mesmo que em relação a um ou outro “imbecil” isso seja um pouco difícil, mas acabo conseguindo.

Desfrutamos, eu e RK, juntamente com Celso Borges, Paulinho Coelho, Érico Junqueira Aires, Cordeiro Filho, Ronaldo Braga, Ivan Sarney, meu irmão Nagib, entre outros, a experiência juvenil e utópica de tentar mudar o mundo através da música, da poesia, da literatura, do cinema e das artes de um modo geral.

Convivemos de adolescentes a adultos, e até mesmo algumas vezes, adúlteros, em nossas jovens e temerárias experiências de poesia, álcool, Guaraná Jesus e outras “cositas mas”, quando nos permitíamos esquecer as nossas namoradas em casa e saíamos pelos bares e praias da Ilha, no velho Bugre vermelho que nos servia de Rocinante, apaixonando e nos apaixonando por Dulcineas, Carmens, Julietas, Amélias, Teresas, Capitus, Ursulas, Mollys, Marias “… De todas as raças, de todas as cores…”

Naquele tempo nos permitíamos subverter as regras vigentes para transformá-las em algo mais parecido conosco, com aquilo que queríamos da vida. Buscávamos naquele tempo, assim como hoje, mais ou menos a mesma coisa. A tal da felicidade e da extensão dela para o maior número de pessoas possíveis. Isso não mudou em nada. Só que agora são mais visíveis as diferenças. Uns querem alcançar isso de uma forma e outros de outra, uns com um estilo e outros com outro, mas no fundo continuamos querendo a mesma coisa.

A forma de fazer isso que já era diferente antes, na juventude, em alguns casos tende a se aproximar e em outros a se distanciar, na maturidade. Não acredito que nenhum de nós estejamos tão distantes a ponto de que não saibamos disso.

Falo hoje de Kenard por dois motivos, primeiro porque comentei com um nosso conhecido comum que desde a morte do jornalista Walter Rodrigues, que acreditávamos que ele, Kenard, passaria a ser o melhor articulista político do Maranhão. Kenard não tem e acredito não terá jamais a teia de contatos que tinha Walter, até porque este fazia de sua teia, seu habitat, sua forma de viver. Em suma, ele não vivia a sua vida, ele vivia o jornalismo, a política. Já Kenard vive o jornalismo, a política, sua família, sua mulher, seus filhos, sua Barreirinhas, seus estudos, sua literatura, sua poesia. Tem coisas que Walter jamais teve e nunca teria.

Sem medo de ferir nenhum ego, nem magoar ou melindrar nenhum amigo jornalista, acredito ser Roberto Kenard, o sucessor de Walter Rodrigues e parece que quanto a isso não estou sozinho.

Ele não carrega a mão no sarcasmo nem na ironia debochada como fazia Walter, mas, como ele, apresenta os fatos de forma clara, permitindo com que se possa ter uma visão perfeita dos fatos, isso sem contar com seu estilo literário, enxuto, simples, direto e elegante.

A outra coisa que me fez lembrar Kenard, foi o fato de que o falecimento do grande poeta José Chagas, abre vaga na Academia Maranhense de Letras, instituição que na juventude abominávamos como símbolo do imobilismo e da inação. Lembro que Kenard fez uma matéria mordaz sobre a AML e nós publicamos na Guarnicê. Teve grande repercussão.

Para efeito de preenchimento de vagas na AML tenho um critério muito pessoal que acredito hoje ser o da maioria dos acadêmicos praticantes e assíduos às reuniões. Devemos eleger alguém que participe da vida da instituição, alguém que exerça uma função criativa e produtiva, alguém que possa conviver bem com seus confrades e confreiras (expressão horrível), alguém que ajude a AML a não ser uma casa de simples mortais, mas que sejamos imortais em nossa luta pela arte e pela cultura maranhense.

Nesse desiderato (expressão também horrível), minhas preferências recairiam em primeiro lugar em Gullar, Nauro, Arlete, Zelinda e Turíbio, como expoentes máximos de nossa cultura ainda fora da Academia; em Jesus, Cassas, Ariel, Salgado e Kenard, por suas obras; E em Felix, Neres, Zé Jorge, Aldo e Alan, pelo muito que podem contribuir para o aumento e melhoria das ações artísticas, literárias, culturais e midiáticas da AML. Ainda poderíamos relacionar os nomes de Celso, Sinhô, Mundinha, Lourdes e Paulão, entre os de outros, que também poderiam ser cogitados para fazer parte do sodalício (outra palavrinha difícil).

– É uma lista grande! Diriam uns. – Haja passamento! Diriam outros. Mas a vida segue, diria eu.

Mas voltando ao Kenard, devo de dizer que assino embaixo de alguns de seus últimos textos publicados em seu Blog, mas isso já seria assunto para uma outra conversa.

 

 

Expectativa de poder

Semana passada, de última hora, fui obrigado a mudar o final de meu texto, pois fatos supostamente novos precisavam ser comentados. Naquela ocasião iria falar sobre dois ingredientes inerentes à política, o fato novo e a expectativa de poder.

Já tendo abordado o primeiro assunto volto hoje para falar sobre o segundo, com a mesma intenção da semana passada, diminuir a extensão de meus textos.

Vejamos então o que vem a ser esse outro importante quesito político, a expectativa de poder.

Acredito seja esse um conceito que em seu enunciado se explica. É a iminência do exercício de um poder. É o esperar que o poder venha para as mãos de quem peleja por ele.

A expectativa de poder faz com que algumas pessoas se decidam em apoiar esse ou aquele indivíduo, não por ele ser melhor, mas por imaginá-lo com melhores condições de vencer. É a sensação de que o poder indo para as mãos de um determinado sujeito político, este possa beneficiar com seus favores e gentilezas aqueles que possivelmente venham a decidir-se antecipadamente por ele.

No interior, em alguns municípios mais que em outros, existe claramente uma tendência, de que só se deva votar em candidato que vá ganhar. Nos grandes centros urbanos a sensação é um pouco diferente; essa tendência se divide com a daqueles que imaginam que só a mudança salva, aqueles que são sempre do contra.

Na maioria desses municípios que experimentaram mudanças existe um clima de decepção generalizado. As pessoas logo descobriram que o que se apresentou inicialmente como mudança nada mais era do que uma enorme demanda reprimida de poder e que resultou em imenso fracasso administrativo.

Durante muitos anos meu grupo político conseguiu controlar a maior parte da expectativa de poder e o tipo de insatisfação provocado por ela. Procurávamos aquinhoar igualmente opositores políticos no nível municipal. Tarefa extremamente difícil de realizar. Tarefa delicada, trabalhosa, digna apenas dos melhores diplomatas e dos políticos mais calejados e experientes. De um tempo pra cá esse trabalho vem sendo totalmente negligenciado e a expectativa de poder recrudesceu.

Digo isso para comentar que até há muito pouco tempo, baseadas em um cenário momentâneo, interpretado de maneira equivocada, algumas pessoas estavam se posicionando em relação à escolha de um determinado candidato a governador. O cenário começa a mudar e passa agora a ser visto por um prisma mais realista.

Devemos entender corretamente os fatos. Devemos entender por exemplo os motivos que levam um candidato que está em campanha faz oito anos, divulgar uma pesquisa que diz claramente que ele tem 56% de preferência entre os eleitores que já estão decididos em quem votar e que seu adversário, que está há pouco mais de trinta dias em campanha, tem 23% de intenção de voto.

Ora, se na mesma pesquisa, 77% dos eleitores consultados dizem que ainda não saber em quem vão votar, os percentuais reais da pesquisa são apenas referente a 23% do universo total dos eleitores, o que transforma os 56% de um em 12% e os 23 do outro em 5%. Significa dizer que o jogo só está começando e tende a mudar, fazendo com que, a expectativa de poder venha também a mudar.

Não posso dizer que a expectativa de poder seja uma coisa ilegítima, mas posso dizer que é uma forma oportunista de agir. Não posso condenar o uso correto das boas oportunidades, mas devo dizer que explorar as oportunidades no que elas têm de nocivo e pejorativo, é praticar uma política no mínimo duvidosa, a mesma que muitas vezes os hipócritas acusam seus adversários de fazerem uso, apesar de eles mesmos também o fazerem.

Admiro aqueles que têm coragem de defender suas ideias, sejam elas quais forem, mesmo aquelas com as quais eu discorde. Estes, mesmo derrotados, serão respeitados e lembrados por seus atos. Já os fracos, os covardes e os hipócritas morrerão no esquecimento da história ou serão lembrados por seus desacertos.

 

Fato novo

Outro dia, ao sair do cinema, um cidadão se aproximou de mim e disse gostar muito dos artigos que público aqui nesse espaço, que os lê sempre e que gosta tanto do conteúdo como da forma com que abordo os temas, mas, que às vezes, acha que meus textos são um pouco longos. Hoje, em sua homenagem, farei o possível para encurtar a conversa, até porque o assunto é realmente curto. É apenas uma mera constatação.

Existem pequenos ingredientes extremamente importantes na política. São coisas que acontecem independentemente de quaisquer fatores, quase sempre casualmente.

Entre estes ingredientes inerentes à política, alguns são mais visíveis e simbólicos do que outros. O fato novo, por exemplo, é qualquer coisa que venha mudar o quadro de dormência no qual a política cai de tempos em tempos. É algo indispensável para arejar o ambiente político, muitas vezes impregnado de inércia, de apatia e de acomodação, todas essas, coisas prejudiciais e nocivas à boa política.

Fato novo seria a saída de Roseana do cargo de governadora para disputar o Senado. Isso faria com que as mudanças resultantes do novo contexto apresentassem novas características, novos posicionamentos de governo, faria com que novas práticas fossem implantadas, independentemente delas serem melhores ou piores.

Fato novo foi a desistência de Luís Fernando da disputa pelo cargo de candidato a governador. Isso nos obrigou a escolhermos outro candidato, o que nos deu a possibilidade de nos aproximarmos mais dos políticos, de termos um novo discurso.

Fato novo foi a indicação de um candidato a vice-governador do PSDB e o veto a um indicado pelo PDT, na chapa de Flávio Dino.

Fato novo será a escolha dos candidatos ao Senado em ambas as chapas majoritárias. De um lado, sendo Arnaldo, haverá consequências. Para ser Gastão é preciso que haja outras circunstâncias.

O mesmo ocorrerá caso João Castelo seja candidato a senador ou caso o seja Roberto Rocha. Fato novo de extrema relevância será os dois serem candidatos ao Senado.

Fatos novos podem ser mais ou menos importantes, isso dependerá das motivações e da capacidade que os políticos possam ter de aproveitar esses fatos. Fazer bom proveito de uma determinada situação requer inteligência, sagacidade, coragem, habilidade e sorte.

Esse texto já estava pronto e entregue ao editor responsável quando surgiu uma ameaça de fato novo e por causa dela resolvi reescrever o seu final, pois eu havia esquecido de comentar sobre outro tipo desse ingrediente da política. O fato novo falso. A disseminação de notícia inverídica com o intuito de criar um clima que possa levar realmente a acontecer uma mudança no quadro. Um fato novo falso dando consequência a um fato novo real.

Orquestradamente alguns jornalistas começaram a espalhar que Lobão Filho não seria mais candidato a governador. Os motivos inventados foram os mais diversos. Ele estaria doente, muito mal. Ele havia se desentendido com a governadora Roseana por causa de uma pergunta capciosa de um jornalista paulista. Ele havia desagradado alguns membros do governo, entre eles o influente secretário de saúde Ricardo Murad. Todos motivos absurdamente tolos.

Caberia aqui algumas perguntas bem simples e diretas. Quais seriam os indícios de veracidade dessa notícia? Havia algum indício que corroborasse no sentido de confirmar esse boato? Edinho estaria muito doente? Incapacitado? A resposta é não. Existe uma ruptura interna no grupo que o apoia? A resposta é novamente não, pois esse grupo pode cometer muitos erros, mas sabe que uma ruptura nessa altura do campeonato seria fatal. Existe algum candidato do mesmo nível, ou mesmo inferior a Lobão Filho, disponível? Não. Logo, como diria Sir Arthur Conan Doyle, pela boca de Sherlock Holmes: “Quando você elimina o impossível, o que restar, não importa o quão improvável, deve ser a verdade.”

Havia uma justificativa para cada propagador da marmota. Ocorre que quem inventou isso tudo se esqueceu que esse filme é velho, já o vimos antes. Lembra quando espalharam por aí que Jackson Lago não poderia ser candidato em 2010, pois era inelegível? Pois é! É a mesma velha jogada com outro time. Acredito até que nas duas ocasiões o mentor intelectual tenha sido o mesmo.

Toda essa lengalenga serve para provar que é uma grande fraude a mudança que teremos caso nossos adversários vençam as próximas eleições. Eles vão misturar dois modus operandi, o irresponsável e temerário da juvenil e neófita política universitária e o patrimonialista e oligarca de seus declarados adversários.

Espalhar que Lobão Filho não seria mais candidato a governador só serviu para colocá-lo ainda mais em evidência, só deu a ele e à sua pré-campanha mais espaço na mídia e mais visibilidade.

Antes, quem nem sabia que ele era candidato, agora irá saber que seus adversários estão com tanto medo de sua candidatura que estão espalhando o boato de sua desistência.

PS: Fiz de tudo para esse texto ser menos extenso, mas acabei não conseguindo, pois algumas pessoas não me deixam.

 

Poxa pessoal!… De novo!…

Ontem pela primeira vez em minha vida torci contra o Vasco da Gama, pois ele jogava contra o Sampaio Correa, time do meu coração.

O Sampaio ganhava o jogo por um a zero, até aos 48 minutos e trinta segundos do segundo tempo, e como vem fazendo sistematicamente o time do Sampaio deixou mais uma vez escapar a vitoria e cedeu o empate ao Vasco.

Já disse em outras oportunidades e repito agora, o time do Sampaio precisa de um psicólogo, de um orientador, de alguém que ensine aos jogadores sobre a importância dos últimos minutos do jogo. Está provado que o Sampaio não sabe o que fazer no final das partidas.

Já é hora dessa rapaziada acertar o passo e fechar os jogos com mais atenção e empenho.

Comentário ao Comentário

Recebi em meu blog o comentário que reproduzo abaixo. Nele alguém identificado por Tets sugere que leia o referido texto e aprenda algo com ele. Li o texto e constatei ser ele muito bem escrito tanto do ponto de vista literário quanto pelo viés político. Sua fundamentação é substanciosa e coincide em quase tudo com o que eu acredito. As nossas únicas discordâncias se devem ao fato de estarmos, eu e o autor desse texto, de lados opostos nessa tese e ao fato de eu encarar os acontecimentos de frente, com o peito aberto, sem subterfúgios, sem hipocrisia.

Concordo que Castelo seja uma força política e eleitoral que não deva ser desconsiderada. Errado estava o meu grupo que preferiu lançar Washington como candidato a prefeito de São Luís que apoiar Castelo. Agora, Flávio que apoiou Edivaldo contra Castelo, quer o segundo em suas fileiras, junto com o primeiro e mais Eliziane Gama que também se opôs ao ex-prefeito.

Dizer que se deseja a força eleitoral de alguém que teve 220 mil votos em uma única cidade, mas que o seu jeito de fazer política não deve ser levado em consideração, que suas forças políticas só servirão na batalha, depois da guerra, quando da reconstrução, elas serão descartadas como antigas e obsoletas.

Pior que isso é não reconhecer que o modus operandi que eles praticam é o mesmo que eles dizem querer substituir em nosso Estado. Pior ainda é tentar esconder que as mudanças apregoadas são apenas bandeiras programáticas, pois os indivíduos envolvidos nessa campanha só sabem fazer as coisas de um jeito. O jeito que eles aprenderam, no qual foram ensinados, e os quais praticam e praticarão por todo o sempre.

Poderia analisar parágrafo por parágrafo esse texto, que como já disse é um bom texto, mas que em minha opinião padece de um problema fundamental. Tenta justificar com argumentos falaciosos e hipócritas a união de Dino e Castelo, quando o melhor a fazer é não dizer nada, pois dos 220 mil eleitores de Castelo, a grande maioria deles, sabe que essa união dos dois é conversa para boi dormir, sabem que os partidários de Dino, os verdadeiros, os mais radicais, querem ver Castelo longe de seu grupo.

A única coisa verdadeiramente real que há nesse texto é a ideia que embasa o ensinamento de que o inimigo de meu inimigo é meu amigo. Mesmo tipo de ação que acusam a tal oligarquia de praticar. Em que se diferenciam? Vejo claramente uma diferença, o fato de que sua maior e talvez única bandeira seja a vitoria sobre essa tal oligarquia, enquanto esta encontra-se perdida entre o ser e o não querer ser uma oligarquia.

Só resta saber de quem Castelo é mais inimigo e com quem ele mais se identifica. Respondo: Ele se identifica mais com Lobão Filho e é mais inimigo de Flávio Dino.

O que fica ao ler esse texto é que do ponto de vista literário, filosófico e semântico devo reconhecer um bom articulista quando leio um, mas do ponto de vista político… Eles acusaram o golpe!

Abaixo publico o comentário que me fez incluir em meu blog essa postagem.

 

Lê o texto abaixo e vê se tu aprendes alguma coisa seu otário!

Passei o fim de semana recebendo mensagens pelo WhatsApp e facebook com questionamentos sobre a aliança entre PCdoB e PSDB.

As críticas sobre a aliança vieram especialmente da chamada classe média informada de São Luís, um ajuntamento de pessoas que moram num raio que abrange as avenidas Jerônimo de Albuquerque, São Luís Rei de França, Daniel de La Touche, Colares Moreira e Holandeses. São os privilegiados  que tem acesso à internet banda larga num estado com menor percentual de usuários da grande rede de computadores no país.

De uma classe média informada, em qualquer lugar do mundo, espera-se o mínimo de capacidade de relativização dos fatos, de percepção da dialética que rege os acontecimentos, de capacidade de reflexão sobre a complexidade da realidade política. E, muitas vezes, a política é mais real do que a própria realidade, se é que me entendem.

É por acreditar nisso, que me dou ao trabalho de expor algumas questões que poucos querem ou podem expor. Acredito na inteligência das pessoas, não subestimo meus poucos e leais leitores.

Num momento histórico tão delicado, quando a opinião pública demonstra profunda insatisfação com sua classe política, corremos o sério risco de radicalizar o debate, personificando movimentos que na verdade são estruturais.

Mas, vamos lá.

Em primeiro lugar, não se trata de uma aliança entre Flávio Dino e João Castelo, mas da integração do PSDB ao conjunto de partidos que já  integram uma frente ampla de oposição no Estado. Há uma grande diferença. Temos que acabar com a ideia personalista e estreita de poder.

O PSDB, para quem não sabe, é um dos partidos mais importantes do Estado. Detém a prefeitura do segundo maior município do Maranhão, Imperatriz, além de outros municípios; possui uma bancada de deputados federais e estaduais (um deles, Neto Evangelista, é liderança ascendente em São Luís); possui um tempo de TV no horário eleitoral maior do que todos os demais partidos alinhados à oposição e um candidato à prefeito que em São Luís obteve nada mais nada menos do que 220 mil votos. É um quarto da população da cidade.

Eu morro de amores por João Castelo? Não, não morro. Mas, não posso ignorar que boa parte da cidade ainda o considera um líder importante. Quem o legitima como liderança da cidade não é o PCdoB ou Flávio Dino, mas o conjunto de 220 mil eleitores que o queriam reeleito em 2012.

As pessoas podem até questionar  em que circunstâncias João Castelo foi para o segundo turno e como obteve tantos votos, mas não podem ignorar que ele, agradando ou não a classe média, é bem quisto por boa parte dos ludovicenses.

Em segundo lugar, não podemos perder de vista quem é o maior adversário do Maranhão. Não se trata aqui apenas de derrotar o grupo Sarney. Trata-se de derrotar uma lógica liderada por ele, que diga-se de passagem, tem mais de dois séculos de duração. O sentido de patrimonialismo no Maranhão tem capilaridades em todas as instituições do Estado, Pessoas se apropriam de bens públicos como se particulares fossem; se perpetuam em cargos de confiança na máquina estatal à ponto de transmiti-los de pai para filho. Essa concentração de poder e de cargos públicos, não precisaria dizer, é a responsável pela maioria das nossas mazelas.

Derrotar esse projeto está no centro do Programa de Governo que a oposição debate e cujo compromisso tem sido fortalecido em todas as centenas de encontros que vem ocorrendo no Estado. De modo inédito, diga-se.

Em terceiro lugar, àqueles que reproduzem o discurso de que Flávio Dino deseja derrotar o grupo Sarney se aliando a políticos corruptos, infelizmente tem uma percepção tacanha e superficial da dinâmica política. Uma coisa é a política tradicional de alianças, nas quais as lideranças fazem pactos espúrios entre si, geralmente envolvendo cargos ou benesses futuras. Outra coisa é a política de alianças que a oposição vem costurando desde 2012, com negociação franca, aberta e transparente.

O PSDB não vem para a aliança em decorrência de negociações de porão com um ou outro cacique que poderia ter ascendência sobre o partido. Não é uma aliança das elites que conspiram contra o povo, até porque, antes de legitimar a pré-candidatura junto a um punhado de partidos, Dino se credenciou junto à opinião pública.

Nunca houve no Maranhão espaço tão grande para se discutir democraticamente quem se alia a quem, como são feitas as alianças ou em que bases elas serão feitas.  No grupo Sarney, como sabemos, todas as alianças são costuradas nos porões do poder, sem conhecimento das pessoas ou da imprensa, abarrotadas de chantagens e cooptação e jamais colocam na mesa as questões programáticas. Desde o princípio, as lideranças que passaram a compor o Movimento Diálogos pelo Maranhão se aproximaram numa dinâmica que foi ancorada no debate popular. Antes mesmo das lideranças políticas chegarem, os Diálogos pelo Maranhão já estavam na rua pautando o debate em torno da superação do atraso maranhense.

Em terceiro e último lugar, há nove partidos além do PSDB na aliança pela vitória da oposição. Portanto, não se pode falar em um projeto de governo que tenha a cara majoritária de um ou de outro partido. Flávio Dino se esgoela há mais de um ano percorrendo o Maranhão para pautar a agenda do debate público em torno da urgente superação do drama maranhense. Será que esse esforço terá sido em vão, justamente no momento em que a pauta da política nacional se volta para superação da república velha, que tem em Sarney seu principal símbolo no país? (LEIA AQUI) 

Sempre digo e volto a repetir: Temos todos que ter consciência do momento histórico pelo qual passamos. Temos na oposição um pré-candidato nascido e criado no bojo das lutas populares. Alguém que vem de uma carreira construída autonomamente e marcada por renúncias, desde a abdicação da vitoriosa carreira de juiz. Alguém que ganha a vida dando aulas na Universidade Federal do Maranhão. Do outro lado, há o símbolo do poder familiar para poucos, gente que sequer esconde ter enriquecido às custas do empobrecimento da população.

Não é brincadeira. Precisamos de absolutamente todos que se comprometam a derrotar um projeto que está entranhado, repito, em todas as instituições do Estado. Se quisermos começar a superar isso, não podemos nos dispersar com falsos dilemas e um absurdo reducionismo, profundamente injusto, sobretudo com o PSDB, que não nem é nem de longe um partido  personificado na figura de um único líder.

Chagas de São Luís

Melhores textos serão produzidos e publicados sobre o grande poeta José Chagas neste momento em que ele definitivamente assume a imortalidade, saindo da vida para ocupar seu merecido lugar na história da literatura maranhense, brasileira e mundial.

Este meu texto é apenas a consubstanciação de uma pequena homenagem ao amigo que fiz há trinta e seis anos atrás, nos corredores do Departamento de Assuntos Culturais da Universidade Federal do Maranhão.

Não vou tentar aqui analisar, nem mesmo comentar a obra de Chagas. Ela fala por si só. Ela grita. Vou apenas lembrar, para meu prazer e para seu conhecimento, cinco momentos que me ligam profundamente a esse “pai d’égua”.

Sou do tempo em que Chagas era vereador de São Luís e mesmo sendo muito jovem eu já via que ele era diferente dos demais.

Conhecer a obra de alguém antes de conhecer seu autor não é incomum. Conhecer o autor de Os Telhados,Lavoura Azul, Maré Memória e Canhões do Silêncio e depois descobrir que é o mesmo autor das Vitorinadas, se não é surpreendente é fascinante.

Depois de conhecer a obra conheci o autor quando fui participar de um concurso de roteiros para cinema. Não venci o certame. Tive que me contentar com uma menção honrosa. Prêmio mesmo eu ganhei ao ir buscar as cópias do roteiro, me deparar com Chagas que havia anexado uma folha ao volume comentando o texto. Dizia: “Gostei! Não sei por que, mas gostei.” Aquele foi o melhor elogio, o melhor prêmio que eu poderia ter ganhado, pois gostar-se de uma obra sem que se saiba o motivo, é a realização do objetivo primordial do autor.

Em meu próximo encontro com Chagas, ele nem estava presente. Foi em uma discussão com meu pai. Ele reclamava de mim, dizia que eu não queria saber de trabalhar nas empresas, que eu só queria saber de poesia, que eu não era nem poeta, pois nem beber eu bebia. Segundo meu pai, para que eu fosse um poeta de verdade eu teria que fazer como Chagas e Nauro, que além de grandes escritores, gostavam de uma “chupitilha”, eram grandes boêmios, varavam a noite bebendo pelos bares da cidade.

Os anos se passaram e eu reencontrei-me muitas vezes com Chagas. Uma dessas vezes foi no dia 27 de outubro de 2004, antevéspera de seu aniversário de oitenta anos, quando a Assembleia Legislativa outorgava-lhe o titulo de cidadão maranhense, comenda que já era sua por direito há muitos anos.

Naquela ocasião, quebrei o protocolo e aparteando o deputado Wilson Carvalho que saudava o nosso novo conterrâneo, falei da minha satisfação e da minha honra de participar daquele momento e disse que o Legislativo do Maranhão apenas formalizava o fato de Zé Chagas ser maranhense, até porque ele tinha mais tempo de Maranhão que eu mesmo, já havia feito mais por nossa terra que a maioria dos que aqui nasceram.

Uma quarta história que me liga a Chagas é o fato de ter ido à sua casa, fazer a visita formal, como manda o protocolo, para pedir-lhe voto para ocupar uma cadeira na Academia Maranhense de Letras. Quando cheguei, ele foi logo brincando. Disse-me que era bom que eu tivesse ido, demonstrava respeito e consideração, mas principalmente pelo fato disso significar que eu não entraria na vaga dele.

Rimos bastante, conversamos sobre o que representava o fato de fazer parte da AML e no final ele me disse: “não se preocupe meu besta, posso não votar em você pra deputado…”

Outra vez que me encontrei com Chagas foi quando eu, os cineastas Beto Matuck e Francisco Colombo, o poeta Celso Borges e o produtor Joan Carlos estávamos realizando uma serie de documentários sobre alguns membros da Academia Maranhense de Letras e é claro ele não poderia deixar de ser um dos documentados.

Primeiro tivemos que usar o poder de convencimento de Jomar e de Buzar para que ele, Chagas, aceitasse ser invadido em seu sossego por uma equipe de cinema, com uma imensa parafernália de equipamentos de luz, câmeras e cabos.

Tivemos que esperar que melhorasse seu estado de saúde que já estava bem fragilizado. No dia previsto, chegamos lá e ele estava irritado com alguma coisa. A dentadura o incomodava. Ele a tirou e colocou no bolso da camisa. Depois de tudo arrumado nos pusemos a registrar, para todo o sempre, o que representa para nós aquela figura e parte da obra daquele homem, que trazia na carne a terra maranhense e cujo sangue se misturava à água barrenta dos rios Anil e Bacanga.

Não conheço ninguém que desgostasse de Chagas. Dele ou de sua obra. Não gosto dessa conversa de unanimidade, mas se há uma unanimidade hoje em São Luis, é ele.

Mudança pela Renovação

Duvido muito que eu pudesse em qualquer outro grupo que não este, ao qual faço parte, externar as minhas opiniões da forma franca e direta como faço, apontando erros e indicando caminhos.

Sempre me vi e sempre busquei me construir como um nobre cavaleiro andante. Um daqueles forjados no fogo das batalhas, onde a coragem, a honra e a lealdade serviram de metais na confecção da arma de meu ser, onde a subserviência jamais fez parte dessa amálgama.

Pois então abordemos hoje um assunto que para muitos é complicado, mas para mim é simples.

Já faz algum tempo que as pesquisas apontam a vontade do eleitor em mudar. Esse é um fato que não se deve nem se pode desconhecer.

Acontece que o eleitor não quer mudar apenas no Maranhão. Isso é um sentimento que vai mais além. É um sentimento nacional e até mesmo mundial. É o salto geracional que faz com que isso aconteça de tempos em tempos. Nós estamos nesse tempo.

Mas para que essa afirmação sobre a vontade de mudar seja bem entendida, vamos tentar esmiuçá-la e entendê-la.

Quem quer mudar? O eleitor; quem é o eleitor? Em primeira análise é o cidadão, aquele que é atingido pelos problemas do dia a dia acarretados pelo convívio em sociedade; quais são esses problemas? Coisas como a precariedade da saúde e da educação, como a falta de segurança, como o caos no trânsito e nos transportes, como a falta de saneamento básico, de infraestrutura, de habitação e como a falta de emprego.

Quando se analisa todos esses fatos, se observa que muitas coisas precisam ser feitas urgentemente para benefício de todos, independentemente de classe social, raça, faixa etária ou financeira.

Quando a educação for melhor, todos vão sair ganhando; quando o sistema de saúde funcionar com agilidade e eficiência, todos vão melhorar de vida; quando conseguirmos conter a marginalidade e diminuirmos a violência, todos serão beneficiados; quando providências simples forem tomadas para resolver nossos problemas de trânsito, transporte, habitação, saneamento básico e infraestrutura, tudo irá melhorar; quando o desenvolvimento for tanto que a busca pelo emprego for natural, tudo estará melhor.

Sejamos práticos. Em sã consciência alguém acredita que um gestor público, quem quer que seja ele, deseje fazer o pior para a população? Será que Fernando Henrique e Lula disputaram a presidência para saber quem faria menos bem ao povo brasileiro? Será que Roseana e Jackson algum dia tiveram a intenção de prejudicar o povo maranhense? E em relação aos ludovicenses? Será que Castelo e Edivaldo Junior alguma vez cogitaram o que fazer de pior? A resposta é um sonoro NÃO! Não creio que nenhum mandatário procure fazer aquilo que não é bom para os cidadãos.

Mas o certo é que muita coisa errada, muita coisa que não é boa, acaba sendo feita, e isso independe de quem é o mandatário, qual é o Município, o Estado ou mesmo o país.

O certo é que a vontade de mudança está presente.

Mudar aqui no Maranhão seria entregar para a atual oposição a direção dos destinos de nosso Estado? Sim! Isso por si só já seria uma grande mudança. Mas a pergunta que se impõe é outra. Essa mudança de nomes, de partidos, de pessoas, por si só resolverá todos esses problemas, para os quais o cidadão eleitor quer as soluções e as mudanças?

Em minha modesta opinião, é claro que não. Essa mudança pura e simples, de nomes e de grupos não resolverá nada, como já foi provado durante os seis anos de Zé Reinaldo e Jackson Lago à frente do governo do Estado e durante os 32 anos de administração de nossos adversários na prefeitura da capital. Mudou alguma coisa? Nada. E é isso que vai acontecer com uma simples mudança de nomes e grupos dominantes.

As dificuldades são muitas e imensas. Superá-las é tarefa difícil e complicada, que fica fácil e simples só no discurso daqueles que se opõem a quem esteja na situação. O inverso seria igual se fôssemos nós que estivéssemos na oposição.

Se nós acreditamos realmente que podemos renovar e revigorar o nosso grupo político e assim, com ele, conseguir o apoio decisivo dos políticos e do povo do Maranhão, temos que começar a fazê-lo logo, desfraldando a bandeira da renovação de nosso estado.

Mudemos internamente para que possamos mudar verdadeiramente o Maranhão, pois as mudanças que nossos adversários estão propondo estão respaldadas na liderança de ex-membros de nosso grupo político, que mudaram apenas de lado, mas não demodus operandi.

 

PS: Bem-aventurados os que têm coragem de reconhecer seus erros e forças para se renovar, pois eles serão respeitados por todos e seguidos por muitos.

É importante que se diga que o texto acima não está incluído nas bem-aventuranças do sermão da montanha.

Quem é Lobão Filho?

Um bom e velho amigo meu, todo domingo, após ler meu texto aqui publicado, liga para mim para comentar sobre o assunto por mim abordado e invariavelmente comenta o fato de eu, segundo ele, ser petulante, atrevido, encrenqueiro mesmo. Diz que eu gosto de enfiar o dedo na ferida e esgravatar. Talvez seja essa realmente uma característica de meu caráter. Mas faço isso com honestidade e correção, ajo sempre na melhor das intenções. Nada peço em troca, a não ser que me ouçam, ou melhor, leiam. Concordar comigo, acatar minha opinião, assimilar o meu ponto de vista, não é e jamais será obrigatório.

Domingo passado, aquele meu amigo, no meio de nossa conversa, perguntou quem era afinal de contas esse Edison Lobão Filho, no jogo do bicho. Por quais motivos ele foi indicado candidato a governador de nosso grupo, em substituição a Luís Fernando.

Disse que ficava imaginando quanta gente gostaria de fazer aquela mesma pergunta, ainda mais para alguém como eu, que sou um amigo tão próximo do referido personagem e que tenho fama de dizer o que penso, de não ser mais um bajulador. Na hora achei que meu interlocutor estivesse zombando de mim, mas depois fiquei matutando e resolvi responder a ele e a quem mais interessar possa, quem é Lobão Filho.

Tenho a partir daqui mais ou menos 600 palavras e 3.000 caracteres para tentar dizer quem é Edison Lobão Filho. Tarefa difícil.

Eu o conheço desde 1979, quando ambos éramos apenas os filhos mais velhos de dois deputados federais do Maranhão. Nessa época não éramos amigos. Nossa amizade só se formou a partir de 1990 quando trabalhamos juntos na coordenação da campanha eleitoral de Lobão ao governo de nosso Estado.

Meu mandato de deputado federal findou em 31 de janeiro de 1991 e a partir dali fui trabalhar como secretário-adjunto de Assuntos Políticos do governo, com funções diretamente ligadas ao secretário particular do governador, justamente Edinho Lobão.

Pois bem, para quem não o conhece, ele é uma figura controversa. Um sujeito grande, de gestos largos, de expressões exageradas. Falante e simpático, quem conseguir ultrapassar os primeiros minutos de tensão logo ao conhecê-lo, certamente irá gostar dele.

Fico imaginando quantas voltas a vida dá. Meses atrás, conversando com ele sobre a possibilidade de se candidatar ao Senado, disse-lhe que se preparasse, pois o nosso próximo candidato a governador seria ele. Jamais pensei que esse fato fosse acontecer quatro anos antes do prazo que havia imaginado.

Mas voltemos ao nosso assunto de hoje. Quem é mesmo esse Edison Lobão Filho? Não vou aqui dizer o óbvio. Que ele é filho de Lobão e dona Nice; irmão de Márcio e Luciano; casado com Paula e pai de Tatiana e Lucas, nem que é avó de Pietro. Disso todos sabem. Vou tentar apresentar um outro Edinho, dando exemplos de como ele age e de como reage.

Quando comecei a conviver com ele, percebi que apesar da grande zoada que ele fazia, seu senso de observação em total sintonia com sua audição e sua visão, possibilitava que ele pegasse as coisas no ar. Notei que como meu pai ele expulsara a timidez e a insegurança e escolhera a coragem e o arroubo como forma de comunicação inicial. Depois de algum tempo fica fácil tratar com ele. Ele é direto, franco, positivo, olha nos olhos das pessoas. Pode até alguém não gostar dele, mas não será por ele ser falso ou dissimulado.

No meio do governo Lobão, meu pai faleceu e ele não desgrudou de mim um só instante. Apoiou-me como pode.

Uma vez estava a serviço no interior quando soube que minha filha havia sido internada para uma cirurgia de emergência. Larguei o que estava fazendo e voltei para São Luís e a primeira pessoa que encontrei no hospital foi Edinho. Ele havia providenciado tudo.

Um dia, nós praticávamos exercícios de artes marciais, e numa determinada intervenção ele acabou acertando um golpe mais forte em mim. Ao me ver machucado ele ficou mais aflito que eu. O nocaute foi dele, mas a vitória foi minha. Eu ri por último.

O fato de ter trabalhado nas campanhas eleitorais de seu pai e de sua mãe desde 1986, faz com que ele tenha 28 anos de experiência política. O fato dele trabalhar diretamente com os políticos desde 1991 faz com que ele tenha 23 anos de prática desta função. O fato dele não ter passado pelo teste pessoal das urnas de nada importa. Dilma também nunca havia passado por isso.

Quem é Lobão Filho? Ele é amigo de seus amigos. Um excelente companheiro. É um trabalhador incansável. É leal. É justo. É corajoso, às vezes até demais. É extremamente competitivo. Tem muita sorte e um prodigioso Anjo da Guarda que já deu mostras de seu magnífico trabalho.

Você que me lê agora poderia dizer que eu sou suspeito para falar dele, pois ele é meu amigo. Talvez eu seja suspeito mesmo, mas sou honesto o suficiente para dizer que ele está longe de ser um homem perfeito. Isso é uma coisa que não existe. Porem, não vejo quem esteja mais apto do que ele a concorrer pelo nosso grupo ao governo do Estado.

Conhecendo-o como o conheço e sendo ele a pessoa que é, acredito piamente que ele seja capaz de executar as mudanças que precisamos para que o nosso grupo possa realmente transformar o Maranhão.

 

Anjos e Demônios

Estão certíssimos aqueles que para atingirem seus objetivos, desejam, buscam e aceitam acordos com adversários com os quais mantêm pouca ou nenhuma identidade ideológica, como, por exemplo, os representantes do comunismo maranhense e os que representam a social-democracia em nosso Estado.

Antes que algum imbecil venha com aquele papo equivocado e simplista de que isso significa dizer que os fins justificam os meios, e que isso é coisa de um Maquiavel pejorativo, adianto que o mestre Nicolau jamais disse isso em seus escritos. Isso é simplesmente uma interpretação falsa e rasa de ideias profundas e verdadeiras.

Já comentei em outras oportunidades o fato de Luís Carlos Prestes ter aceitado um acordo com Getúlio Vargas, que havia mandado deportar sua mulher, Olga Benário, para a morte nos campos de concentração da Alemanha nazista. Juntar-se temporariamente a alguém para se atingir um objetivo é algo comum e corriqueiro na vida e na política.

Acredito que Prestes tenha feito o que devia fazer, o que era certo fazer. Da mesma forma que acredito que o grande Abraham Lincoln não tenha errado quando teve que corromper alguns congressistas para aprovarem a lei que libertava os escravos dos Estados Unidos da América. Existe muito pouco de pessoal em política.

O que está errado é alguém achar que a coerência e o pragmatismo desse raciocínio, só vale para alguns, para seus partidos e para seus aliados. Que esse tipo de atitude, neles e nos seus é algo correto, puro, bonito de se ver e louvável, mas a mesma ação quando levada a cabo por seus adversários é deplorável, abjeta, condenável porque caracteriza uma postura patrimonialista, carcomida, atitude comum a uma oligarquia que estando no poder há tanto tempo deseja nele se perpetuar.

Ora bolas, que diferença pode fazer se uma determinada ação é perpetrada, de igual modo, intensidade e intenção, por um santo monge franciscano ou por um famigerado assassino? Achar que são coisas diferentes, em minha opinião, caracteriza o pior dos defeitos inerentes ao ser humano e como nós, políticos, somos mais humanos que as outras pessoas, a hipocrisia é o pior defeito que podemos carregar conosco.

Aliar-se hipocrisia a um forte senso de messianismo salvador, a uma grande tendência ao autoritarismo, a uma autossuficiência exacerbada, acaba sendo uma receita explosiva.

Outra coisa que também já comentei aqui anteriormente é que política não é coisa feia. Ela fica feia exclusivamente por um motivo. Quando o esforço para que se mantenha o poder ou na busca desenfreada para consegui-lo, faz com que alguns políticos cometam atitudes que estejam fora dos padrões éticos e morais aceitáveis.

Hipocrisia não é crime, mas está fora dos padrões que devem ser seguidos por pessoas de bem.

Hoje no nosso país há uma imensa sensação de liberdade. Mais que isso, há realmente liberdade em nosso país. Há quem acredite que hoje tenhamos liberdade até demais. Discordo destes últimos. Liberdade nunca é demais. Só é demais para aqueles que não sabem o que é realmente liberdade, para aqueles que não sabem o seu verdadeiro valor.

Há algum tempo notei que uma tática extremamente inteligente, executada deforma eficiente, eficaz e efetiva vem sendo colocada em prática por aqui. Alguns políticos descobriram que uma das melhores maneiras de se destruir o criador é destruir aquilo que ele criou. Orquestradamente os opositores do político José Sarney resolveram destruir a imagem do nosso Estado, o Maranhão, no intuito de com isso destruir a figura do senador, ex-presidente e ex-governador.

Se analisarmos os momentos cruciais do nosso Estado e do nosso país veremos que em relação a cada um deles Sarney foi protagonista de fatos de suma relevância em ambos os espaços e nos respectivos momentos.

No Maranhão, a mudança do predomínio politico de Victorino Freire para Sarney, fez com que o nosso Estado saísse do século XIX em meados do século XX. Desconhecer isso é avaliar erroneamente os fatos.

Não vou discutir aqui o que aconteceu nos 44 anos que se seguiram ao Novo Maranhão. Muitas coisas boas aconteceram e algumas coisas não tão boas também, mas o que não se pode negar é a ruptura que aconteceu, o avanço que tivemos.

Do mesmo modo, em relação ao Brasil, quando Tancredo Neves morreu e Sarney assumiu a Presidência da República, dentre todas as coisas que ele fez o mais importante foi nos garantir a democracia que hoje temos e a liberdade que hoje desfrutamos.

Porque os que apedrejam Sarney não lhe fazem justiça quanto a isso? Sabem porquê? Porque se forem dizer ao povo do Maranhão que Sarney, entre 66 e 70 mudou radicalmente o nosso Estado, caso digam ao povo do Brasil que o regime democrático e a liberdade que hoje desfrutamos, são duas obras imortais desse José, que para conseguir isso usou todo seu prestigio e todo o poder que então detinha, não vão conseguir destruí-lo jamais.

Nisso tudo, não existem anjos e nem demônios. Só existem seres humanos, nós, homens e mulheres, e nenhum de nós é totalmente mau nem totalmente bom. Feliz ou infelizmente somos todos muito parecidos.

Perfil

“Poeta, contista e cronista, que, quando sobra tempo, também é deputado”. Era essa a maneira como Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel aparecia no expediente da revista cultural Guarnicê, da qual foi o principal artífice. Mais de três décadas depois disso, o não mais, porem eterno parlamentar, ainda sem as sobras do tempo, permanece cronista, contista e poeta, além de cineasta.

Advogado, Joaquim Haickel foi eleito para o parlamento estadual pela primeira vez de 1982, quando foi o mais jovem parlamentar do Brasil. Em seguida, foi eleito deputado federal constituinte e depois voltou a ser deputado estadual até 2011. Entre 2011 e 2014 exerceu o cargo de secretario de esportes do Estado do Maranhão.

Cinema, esportes, culinária, literatura e artes de um modo geral estão entre as predileções de Joaquim Haickel, quando não está na arena política, de onde não se afasta, mesmo que tenha optado por não mais disputar mandato eletivo.

Cinéfilo inveterado, é autor do filme “Pelo Ouvido”, grande sucesso de 2008. Sua paixão pelo cinema fez com desenvolvesse juntamente com um grupo de colaboradores um projeto que visa resgatar e preservar a memória maranhense através do audiovisual.

Enquanto produz e dirigi filmes, Joaquim continua a escrever um livro sobre cinema e psicanálise, que, segundo ele, “se conseguir concluí-lo”, será sua obra definitiva.

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