Stenio e Nostradamus

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Quando eu tinha uns 12 anos, Stenio, irmão de Teté, nossa mãe de criação, nos deu de presente um velho livro, que segundo ele continha profecias que diziam tudo que aconteceria com o mundo a partir de 1555, quando foi publicado pela primeira vez.

Em espécies de saraus, que ele organizava, no terraço da casa de nossos pais, no Outeiro da Cruz, ele nos contou a história do tal profeta. Disse que ele era um francês e que se chamava Nostradamus, nome que mais tarde descobri ser um daqueles escolhidos pelos judeus convertidos ao catolicismo, como os nomes de árvores usado pelos cristãos novos em Portugal.

Stenio nos contou que mesmo em seu tempo, Nostradamus era muito famoso, que perdeu sua mulher e seus filhos na peste negra que devastou a Europa. Uma das grandes curiosidades sobre aquele profeta dizia respeito ao fato dele ter previsto a morte do rei Henrique IV, que trabalhou para a rainha Maria de Medicis, que inclusive teria sido ela quem mandara Daniel de La Touche fundar a cidade de Saint Louis, em terras que pertenciam naquela época a um Portugal que era então dominado pela Espanha.

Nossa infância foi muito rica, cheia de informações advindas de pessoas como Stenio e seu Braz, um velho cearense de Sobral, motorista de nosso pai.

O tal livro se apresentava em uma velha encadernação de capa dura, tinha o papel de suas páginas manchado pelas águas do tempo. Por sua composição gráfica aparentava ser um livro muito antigo. Tempos mais tarde, quando já tinha algum convívio e informação sobre livros, procurando uma ficha catalográfica ou algo que pudesse me dar uma noção de quando ele tinha sido publicado, encontrei um número impresso em algarismos romanos que pareciam ser o ano de sua edição: MCMXXII (1922)

Durante muito tempo aquele livro povoou nossa mente, até porque, ao se ler As Centúrias, conjuntos de versos com 100 quadras em rimas de quatro linhas, elas realmente nos faziam encaixá-las em acontecimentos ocorridos, como no caso da citação quase literal de um dos anticristos arrolados no livro: Hilter. Nostradamus troca o lugar da letra “L” no nome do cabo Adolf.

Faz algum tempo, depois de muitos anos sem lembrar do velho Nostra, uma alusão foi feita a ele, envolvendo-o numa fraudulenta centúria onde ele supostamente teria previsto a pandemia do Covid-19 ou Novo Corona Vírus.

Os fraudulentos versos são: “E no ano dos gêmeos, uma rainha surgirá do leste e espalhará a praga dos seres da noite pela terra das 7 colinas, transformando em pó os homens do crepúsculo, culminando na sombra da ruína”. E sua interpretação seria: “Em 2020 uma epidemia iniciada na China e proveniente de morcegos, atingirá inclusive a Itália, matando principalmente as pessoas mais velhas e causando uma grande devastação na economia mundial.

Quem criou tais versos, é um gênio do embuste!… Mas aqui abandono Nostradamus para focar no novo coronavírus.

Em pleno século XXI, em tempos de tamanha evolução tecnológica, a humanidade ainda é atingida de forma avassaladora por surtos, epidemias e pandemias!… Segundo as estatísticas da OMS, morrem vítimas dos mais diversos tipos de gripe, duas pessoas por minuto, 120 por hora, mais de 2.800 pessoas por dia, mais de 86.000 por mês, o que totalizaria mais de 1 milhão e 50 mil pessoas anualmente.

Mas, há um dado ainda muito mais alarmante que o dessa peste que se abate sobre a humanidade, ciclicamente.

Em meio a tudo isso nós somos confrontados a uma realidade muito mais cruel e permanente que a da saúde. Falo da fome, um dos quatro Cavaleiros do Apocalipse, que junto com a Peste, a Guerra e a Morte se espalharão pela terra e a devastarão.

Segundo estatísticas da FAO, a fome mata pelo mundo, 10 pessoas por minuto, 600 por hora, mais de 14.000 por dia, algo em torno de 430.000 por mês, totalizando mais de 5 milhões, 180 mil pessoas por ano…

Por incrível que parece a Guerra, outro Cavaleiro do Apocalipse mata muito menos pessoas. Estimativas indicam que aproximadamente 200 mil pessoas morreram em 2019 nas guerras convencionais em curso no mundo, o que é muito inferior a quantidade de outras mortes, causada pelos outros agentes citados anteriormente.

Nota de pesar: Meu querido “tio”, Stenio Magalhães Barros, faleceu há alguns meses. Ele não entrou nas estatísticas da Covid-19. Foi atropelado na porta de sua casa, no bairro do Anil. Com ele se foi, boa parte das lembranças de minha infância, um dos maiores patrimônios que tenho e um dos que mais tenho motivo para me orgulhar, pois foi lá que foi gestada, nascida e criada a pessoa que sou.

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Tolos, cafonas e bregas

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Fui instado a me posicionar sobre a polêmica do momento em nossa cidade. A implantação de uma réplica da estátua da Liberdade que a empresa Havan pretende erguer na área de estacionamento de sua loja, na avenida Daniel de La Touche, no bairro do Cohaserma.

A princípio, não tive certeza qual seria a palavra, se cafona ou brega, eu deveria usar para expressar o que pensava, do ponto de vista estético, da escolha da Estátua da Liberdade como ícone de uma loja. Na dúvida, usei as duas. É cafona e é brega.

Mas, cafona e brega parecem ser características assumidas descaradamente pela loja e por seu proprietário, fato que se não agrada a pessoas de gosto refinado como eu, certamente deve agradar os milhares de clientes que lotam suas lojas em outros lugares do país, fazendo com que ela seja uma empresa de sucesso econômico e financeiro. Mas, não deixa de ser cafona e brega.

Do ponto de vista midiático, o uso de um ícone, ampla e mundialmente conhecido como a Estátua da Liberdade, por si só, não garantiria nenhuma alavancagem ao negócio. Já a marola criada pelos incautos patrulhadores do alheio, aqui de nossa província, essa sim, irá alavancar um tsunami de visibilidade àquele empreendimento, que em seu pátio terá uma estátua gigantesca, cafona e brega.

Querer impedir que alguém faça alguma coisa que não tenha restrição legal para sua realização, sob qualquer pretexto ou desculpa, é uma forma absurda e inaceitável de violência contra o estado democrático de direito. Esse fato não é nem cafona nem brega, é criminoso, atentatório aos direitos comuns a todas as pessoas, físicas e jurídicas de nosso país.

Querer impor o nosso conceito estético, cultural, político, filosófico, social, intelectual, qualquer que seja ele, a outras pessoas, é uma violência comparável àquelas mais absurdas e inaceitáveis, com as quais temos convivido bastante recentemente, como a não aceitação e a violência contra outras raças, outros gêneros e outras religiões.

Como gato escaldado tem medo de água fria, e sentindo um certo aroma politiquesco no ar, procurei formular minha opinião sobre esse fato, de forma muito clara e direta, não me deixando contaminar por nenhum PRÉ CONCEITO.

Veja, esteticamente aquele bigodinho usado por Hitler era ridículo, cafona e brega, mas o bigodinho até poderia ser aceito. O que não poderia e não pode ser aceito de forma alguma, são as atrocidades cometidas pelo Cabo de Munique!

Fiz perguntas básicas sobre o caso, como por exemplo: A empresa tem direito de construir uma cópia da Estátua da Liberdade? A legislação municipal permite que tal construção, com as especificidades estabelecidas, seja realizada naquele local? Há algum impedimento referente a dispositivos legais, municipais, estaduais ou federais, que possam impedir tal construção? O interessado tem a posse do imóvel onde tal obra pretende ser realizada? As taxas e impostos referentes ao imóvel e a obra estão pagas?

Todas as respostas às minhas indagações foram no sentido de que não há nenhum impedimento legal, não há nenhuma ilegalidade na realização da referida obra.

Os únicos motivos que sobraram para alavancar a tentativa de impedir a tal estátua de ser erguida, eram mais ralos e fracos que refresco de lima.

1) Uma descarada xenofobia, com relevo em pelo menos dois de seus aspectos, o identitário e o cultural. Quem deseja que a estátua não seja erguida, diz que “esse sujeito vem de fora pra dizer o que fazer em nossa terra” e que “se fosse a estátua de um ícone nosso, de nossa cultura, algo como um Cazumbá, ou quem sabe uma estátua em homenagem a Maria Firmina dos Reis, ainda ia!…” 2) Uma inconfessável ojeriza ao proprietário da empresa, Luciano Hang, mais conhecido como o “Véio da Havan”, uma figura realmente esquisita, um direitista empedernido, um militante bolsonarista, um chato mesmo. Cafona e brega.

Ocorre que nenhuma dessas alegações é motivo bastante e suficiente para que se impeça alguém de construir em uma área sob seu controle, uma estátua.

Com tanta coisa importante pra esse pessoal se preocupar, vai se preocupar com uma bobagem dessas!… Tolos…

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A maior pandemia é de intolerância

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Já faz algum tempo, eu venho querendo escrever sobre o assunto que vou comentar aqui hoje. Trata-se daquele que acredito ser o começo e o fim do problema que mais aflige a humanidade neste momento, excetuando-se, é claro, a pandemia de Covid-19: a intolerância.

Intolerância é a atitude mental e social caracterizada pela falta de habilidade ou de vontade em reconhecer e respeitar diferenças entre crenças e opiniões. Num sentido político e social, intolerância é a ausência de disposição para aceitar pessoas com pontos de vista, costumes, modos de pensar e de agir, diferentes dos seus ou daqueles que admitem como padrão.

A intolerância se manifesta das mais diversas formas, sendo as mais comuns aquelas que dizem respeito à religião, a gênero, à raça e à ideologia política.

A erva daninha da intolerância tem seu habitat. Ela germina com grande fecundidade e velocidade em ambientes onde o radicalismo, a incapacidade de clara compreensão da realidade e uma pequena dose de falta de inteligência cartesiana e emocional, abundam.

Esses habitats têm se multiplicado enormemente pelo mundo afora, desde metade do século XIX, com a reação dos capitalistas às teorias comunistas de Marx. Depois, as seguidas guerras de ajustamento territorial e econômico, em consequência da consolidação da revolução industrial e do aumento das distorções sociais causadas por ela. Exemplo maior disso é a Guerra Mundial, que alguns chamam de primeira e segunda, mas que na verdade foi apenas uma, com um armistício de 20 anos entre elas, que gerou depois a famosa Guerra Fria, que para o bem e para o mal, regulou o mundo durante quase meio século.

A intolerância praticada pelos Estados chega até ser fácil de ser controlada. O grande problema é a intolerância fecundada no ventre das pessoas e das comunidades.

São cristãos que não respeitam ou aceitam mulçumanos, turcos que exterminam curdos, brancos que segregam e atacam negros, heterossexuais que discriminam homossexuais, esquerdistas que passaram décadas massacrando direitistas e que agora estão sendo massacrados… Não podemos esquecer o inverso disso tudo!

Veja o meu caso. Passei toda a minha infância e juventude sendo chamado de filhinho de papai, de pelego, de sarneizista, por pessoas que achavam que elas eram o máximo, mas que na verdade só queriam estar em meu lugar, com o pensamento, o discurso e as atitudes delas, mas sem nenhuma capacidade ou vontade de entender ou analisar o que havia realmente de bom em mim, e o que realmente deveria ser ressaltado para que eu melhorasse e pudesse ser minimamente aceito por elas. Isso é intolerância. Isso é falta de empatia. Isso é incapacidade de entender corretamente os acontecimentos da vida.

Quando uma coisa dessas acontece, não deixa muita margem para conversa ou negociação. Conversa e negociação acontecem antes de se estabelecer o conflito, ou depois dele ter sido decidido, para um lado ou para o outro, desde que o vencedor da contenda não seja intolerante, e não resolva aniquilar o seu oponente.

Vou tentar resumir essa conversa filosófica de forma prática. É inadmissível alguém desconhecer a importância das medidas de proteção contra a proliferação do Coronavírus. O uso de máscara, por mais incômodo que seja é indispensável. Só um imbecil pode argumentar contra.

Da mesma forma, um medicamento, qualquer que seja ele, que minimamente possa trazer alguma vantagem, mesmo que apenas psicológica, sem que seja usado como panaceia, como fuga da realidade e sob rígido controle médico, não pode ser condenado ou desacreditado, só por seu uso ser defendido por alguém de quem não se goste.

A intolerância, vinda de onde vier, pelo motivo que for, configura-se no maior dos problemas da humanidade em todos os tempos, sendo que neste momento ela causa o maior estrago devido a generalizada politização pela qual o mundo passa e pela grande influência dos meios de informação e comunicação, causada pelo vertiginoso avanço tecnológico.

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Arcanos

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Quem não é do setor audiovisual e assiste a um filme, não é capaz de imaginar o quanto é complicado e trabalhoso realizar uma obra cinematográfica. São coisas que começam muito antes do roteirista apertar a primeira tecla do computador e que vão muito além do filme ser exibido em sua avant-première.

Profissionais das mais diversas áreas contribuem para a realização de um filme, sendo esse um dos maiores e mais importantes motivos desta arte ser a mais relevante no panorama cultural mundial.

O cinema, além de arte, é uma indústria e como tal movimenta uma infinidade de recursos humanos e financeiros que irrigam a economia do lugar onde ela se implanta. É por isso que já faz algum tempo, estamos tentando implantar de modo sistemático em São Luís, um Polo de Cinema, e temos conseguido, até com relativo sucesso.

Neste momento estamos realizando o trabalho de pré-produção de um longa-metragem, do gênero comédia de costumes, cujo enredo mostrará de forma privilegiada a cidade de São Luís. O filme se chama Arcanos e contará a história de Fátima, uma mulher de pouco mais de 60 anos que saiu de sua cidade ainda jovem para tentar ser cantora no Rio de Janeiro, mas sua falta de talento e de voz só lhe permitiram ser taróloga.

Para me ajudar na produção deste audacioso projeto, conto com o apoio de uma das maiores produtoras brasileiras, Elisa Tolomelli, que tem em seu currículo obras como Central do Brasil, Cidade de Deus, Berenice Procura e Maria do Caritó, para citar apenas quatro de suas mais de 30 produções.

Junto comigo, na direção deste pandemônio, estará o jovem e promissor diretor paulista, Diego Freitas, de apenas 31 anos, mas já com um currículo invejável.

Para interpretar os curiosos e engraçados personagens de Arcanos, contaremos com um elenco dos sonhos: Lilia Cabral, Stepan Nercessian, Romulo Estrela, Claudia Moura, Guilherme Piva, Giulia Bertolli, Cesar Boaes, Breno Nina, e muitos outros atores, atrizes e técnicos maranhenses. Além disso teremos em nosso filme participações mais que especiais de Alcione e Thaynara OG.

Um filme não se faz sem dinheiro e nosso orçamento está na faixa daquilo que se classifica com B. O., ou seja, baixo orçamento. Mesmo assim, não é fácil captar recursos, principalmente num momento desses.

O Governo do Estado, através da Lei de Incentivo à Cultura, destinou para Arcanos 25% do valor necessário para sua realização, e a Equatorial, se responsabilizará por este patrocínio. A Prefeitura de São Luís fornecerá todo o apoio logístico para a realização das filmagens nas ruas da cidade e diversos empresários estão nos apoiando, com recursos financeiros ou disponibilizando os insumos comercializados por suas empresas como é o caso do Supermercado Mateus, do Laboratório Cedro,  Atlântica Serviços Gerais, Hotel Blue Tree, Pousada Portas da Amazônia, Raízen, Cosan, Toyolex, Locadora São Luís, Centro Elétrico, Potiguar, Eneva,  Suzano Papeis, Dimensão Engenharia, Canopus Construções, Franere, Citelum, Alumar, Vale, SINDUSCON, ALM, TJ-MA, Câmara Municipal de São Luís, ACM, FIEMA, SET, SEBRAE, SENAC, CEUMA, Fundação Nagib Haickel, UNDB, Restaurante Vinagreira, Cabana do Sol, Pousada Porto Preguiça, Pousada Charm Atins, entre outros.

Uma menção especial deve ser feita ao empresário do setor de eventos, Ricardo Pororoca, que cedeu graciosamente, seu imóvel, a Pousada Colonial, localizada na Rua Formosa (Afonso Pena), para gravarmos mais da metade de nosso filme.

Além disso contamos com o incondicional apoio dos maiores e mais importantes veículos de comunicação de nosso estado. São 8 emissoras de televisão, 19 emissoras de rádios AM e FM e 3 jornais, que farão matérias sobre o filme e exibirão um plano de mídia com propagandas dos patrocinadores deste primeiro grande projeto cinematográfico realizado pelo Polo de Cinema do Maranhão, que conta com mais de trinta produtoras de audiovisual de nosso Estado.

Apesar de todo esse apoio, ainda faltará pelo menos um terço do valor do orçamento, referente à finalização do filme, mas isso, como se diz por aqui, são outros quinhentos mil réis.

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De exemplos de coisas ruins, estamos fartos!…

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Li, recentemente, uma matéria calhorda que induz o leitor a acreditar que a atual gestão municipal foi condenada a cuidar de animais abandonados por seus donos.

Essa é uma tática de jornalistas inescrupulosos que desvirtuam a notícia para tirarem proveito político, e quem sabe até financeiro, de uma informação deturpada, que passam para seus leitores, ouvintes ou espectadores.

O título da matéria era: TJ mantém condenação e obriga Braide a cuidar dos gatos abandonados à beira do Bacanga.

Na matéria, o jornalista diz que uma desembargadora confirmou a decisão de um juiz da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, obrigando a Prefeitura de São Luís a resgatar, cuidar, identificar e buscar abrigo e adoção para todos os animais que se encontrem na chamada “Praça dos Gatos”. A praça, localizada na Avenida dos Africanos, próximo ao retorno do Bacanga, o local concentra dezenas de felinos abandonados, sobrevivendo e acasalando-se entre o lixo e o esgoto e colocando em risco a saúde pública.

Ora, as prefeituras municipais, entes federativos do Brasil, subordinados à Constituição Federal, são responsáveis por cuidar de tudo o que disser respeito à circunscrição de sua municipalidade, englobando território e população, seus direitos e obrigações, inclusive dos animais que neles habitam. Em São Luís não pode ser diferente.

Muito diferente disso, é alguém, no título de uma matéria, citar o nome do prefeito com intenção de desqualifica-lo ou acusá-lo de ter cometido alguma irregularidade, quando o fato ao qual a pessoa se refere, na matéria, teve origem em 2017, quatro anos antes do atual prefeito ter assumido o cargo.

A tal matéria fala da multa imposta pelo TJ e cita palavras textuais usadas pelo representante do Ministério Público e do Poder Judiciário, querendo dar a entender que o réu é aquele cujo nome está no título da matéria, e o pior é que infelizmente, tem gente que vai entender dessa maneira destorcida, mesmo!

Mais adiante, a matéria descamba definitivamente para a propaganda política e ideológica, falando do desmonte das políticas públicas e da erosão do Estado social reiniciados em 2016, com a saída do PT do poder, e diz que até mesmo criar um animal de estimação virou um privilégio das elites, o que é menos verdade, uma vez que a maioria dos animais de estimação em nosso país pertencem às famílias de menor poder aquisitivo!

É a distorção do fato virando notícia e servindo de pauta para as batalhas políticas que recortam o nosso dia a dia.

Porém, há um outro aspecto que deveria chamar mais a atenção. O fato de que os recursos aos quais se refere esse julgado, deveriam antes de proteger os gatos abandonados, proteger as pessoas!…

Aqui me vem à mente a fábula cuja mensagem, em minha modesta opinião, tem regido os pensamentos políticos da atualidade, mais que qualquer outra. Aquela do velho, do menino e do burro, que se analisada sob a luz do maravilhoso texto de Luiggi Pirandello, “Assim é, se lhe parece”, explica todo o caos pelo qual a sociedade contemporânea atravessa.

Tenho dito!…

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Arcanos

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Olá Passal!… Passando só para mostrar para vocês como o trabalho de “Arcanos“ vai de vento em popa!…

Nas fotos,  a primeira leitura do roteiro do filme, com a parte do elenco sediada no Rio de Janeiro, realizada ontem, dia 1* de julho, na Casa de Lilia Cabral.

Na self tirada por Giulia Bertolli, da esquerda para a direita, ela, Giulia, roteirista e atriz; eu, Joaquim Haickel, roteirista, produtor e diretor; Claudia Moura, atriz; Elisa Tolomelli, Produtora; Lilia Cabral, atriz e produtora; Stepan Nercessian, ator; Guilherme Piva, ator; e Diego Freitas, diretor.

Na outra foto do grupo, tirada por Elisa, vemos Lilia, Stepan, Piva, Diego, Giulia, eu e Cláudia.

Depois, eu entre Lilia Cabral e Stepan Nercessian e entre Guilherme Piva e Diego Freitas.

Nós estamos ansiosos para fazermos a leitura com todo o elenco, do qual devem fazer parte alguns dos mais importantes atores maranhenses, entre eles, Romulo Estrela, Cesar Boaes, Breno Nina, António Saboia, Aurea Maranhão, Deo Garcês, Dionísio Neto, Al Danúsio, Claudiana Cotrim, Rosa Everton, Tácito Borralho, Urias Oliveira, Adeilson Santos, Erlanes Duarte, Thiago Almeida, Gisele Vasconcelos, Luna Gandra, Chico Pedrosa, Maria Ethel, Aziz Junior, José Inácio, Gilson Cesar, entre outros…

Vou contrariar minha querida amiga e parceira Elisa Tolomelli e  vou fazer um spoiler!… Nós desejamos que façam participações especiais em “Aracanos”, que tem São Luís como um de seus personagens principais, alguns dos mais importantes artistas maranhenses, como Alcione, Pablo Vitar, Thaynara OG, Mathy Lemos, Sobrevivente 13, Zeca Baleiro,  Turíbio Santos e Salgado Maranhão.

É muito importante que se diga também que este projeto está sendo realizado graças ao apoio da Lei de Incentivo a Cultura do Governo do Estado do Maranhão, através do patrocínio da Equatorial, da Prefeitura Municipal de São Luís, Supermercado Mateus, Psiu, Laboratório Cedro, Atlântica Serviços Gerais, Hotel Blue Tree, Pousada Portas da Amazônia, Ricardo Pororoca Eventos, Raízen, Cosan, Toyolex, Locadora São Luís, Centro Elétrico, Potiguar, Eneva,  Suzano Papeis, Dimensão Engenharia, Canopus Construções, Franere, Citelum, Alumar, Vale, SINDUSCON, ALM, TJ-MA, Câmara Municipal de São Luís, ACM, FIEMA, SET, SEBRAE, SENAC, CEUMA, Fundação Nagib Haickel, UNDB, Restaurante Vinagreira, Cabana do Sol, Pousada Porto Preguiça, Pousada Charm Atins, entre outros.

Além disso contamos com o incondicional apoio dos maiores e mais importantes veículos de comunicação do nosso Estado: Sistema Mirante, Sistema Difusora, TV Cidade, TV Bandeirantes, TV São Luís, TV Guará, TV Assembleia, TV UFMA, TV Educativa, dos Jornais O Estado do Maranhão, O Imparcial e Pequeno, além de 19 emissoras de rádios AM e FM nas cidades de São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar, Imperatriz, Timon, Caxias, Santa Inês e Bacabal, que farão matérias sobre o filme e exibirão um plano de mídia com propagandas dos patrocinadores deste primeiro grande projeto cinematográfico realizado pelo Polo de Cinema do Maranhão, que conta com mais de trinta produtoras de audiovisual de nosso Estado.

Pronto, falei!… Se bem que para isso ficar bem divulgado mesmo, deveria ser postado no Instagran da Thaynara OG, publicado na Revista do PH, no Colunaço do Pêta, e exibido no programada da Jecieny Dias…

Mas sabe, eu preciso dizer uma coisa pra vocês, meus queridos amigos. Eu estou muito feliz, realizado mesmo, pois formamos um grupo maravilhoso, com pessoas sensacionais, e estamos construindo um belíssimo projeto, cuja intenção é mostrar as belezas de nossa amada São Luís do Maranhão e de sua gente, através de uma história engraçada, carregada de emoção e otimismo.

Desde já agradeço a todos.

Que venha “Arcanos”, o filme… Pois a série já está em fase de gestação!… Mas sobre isso eu falo depois…

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Uma terceira via

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Algumas pessoas têm me pedido que eu faça uma análise sobre o panorama eleitoral para a presidência da República, em 2022. Pois bem, procurarei ao máximo, não manifestar juízo de valor pessoal sobre qualquer aspecto desta análise. Tentarei ser, como sempre faço, o mais imparcial que me for possível, mostrando os aspectos positivos e negativos de cada fato, ato, cenário ou pessoa.

Está mais que claro que as pessoas de bom senso de nosso país estão buscando uma terceira via política para fugir da triste sina de serem obrigadas a escolher entre um presidente boçal, desqualificado e incorrigível e um ex-presidente quadrilheiro, manipulador de massas e fingido.

Nenhum desses adjetivos são levianos ou despropositados. Algumas pessoas, de um lado e de outro, certamente discordarão de mim, mas essa é a minha visão.

A delimitação dos espaços está clara e facilita muito o entendimento de qualquer pessoa, por menos experiência e conhecimento que tenha sobre política. Temos os antagonistas posicionados dos dois lados do espectro político nacional, ou se preferirem, do ringue, do campo de batalha.

A direita aposta suas fichas na reeleição de um homem despreparado para o convívio social civilizado, incapaz de minimamente entender as regas básicas de urbanidade e civilidade, um asno que desqualifica o cargo que ocupa por não saber se portar dentro de regras sociais mínimas.

Por sua vez, a esquerda é representada por um sujeito que já foi tido como o maior líder popular que o Brasil já teve, mas que sucumbiu ao lado negro da força, desceu à mansão dos mortos e tal qual Jesus, ressuscitou, não no terceiro dia, mas no quingentésimo octogésimo dia, depois de amargar quase 2 anos, uns 20 meses na cadeia.

Gostaria de dizer que o meio do tabuleiro desse jogo, o centro desse campo de batalha, não está ocupado por ninguém, pelo menos, não por alguém relevante, que possa ter peso numa possível despolarização deste conflito. Mas não é exatamente bem assim. Existe um candidato que está se colocando como terceira via, disparando sua artilharia verborrágica nas duas direções. Vomitando de volta o refluxo nojento de Bolsonaro sobre o atual presidente e seus fanáticos apoiadores, e atirando as fedidas fezes produzidas por Lula e sua quadrilha de volta na cara da esquerdalha nacional, que não vê a hora de aportar novamente no poder.

Ciro Gomes, que prosaicamente tem o sobrenome do personagem icônico e progenitor da Família Adams, é aquilo que eu chamo de reles adjetivador. Um sujeito que fala bonito e não bem, que constrói suas sentenças empilhando adjetivos no sentido de impressionar a audiência, sendo que essas sentenças são totalmente desprovidas da necessária profundidade que sustente o que ele deseja expressar.

Se fosse um confeiteiro, um pâtissier, Gomes seria incapaz de fazer a massa ou o recheio do bolo, mas seria um exímio fazedor de coberturas, a parte decorativa da deliciosa e suculenta iguaria.

Ciro Gomes é o único nome relevante que se apresenta como possível terceira via, tendo em vista todos os demais não aguentarem um traque. Não possuem partidos fortes que os apoiem, não possuem apoio popular suficiente para encher uma Kombi, não se sustentam por mais de 30 segundos em um comercial de TV, não aguentam uma investigação minuciosa da PF, ou da Pastoral da Família, como de resto ocorre igualmente com os demais.

Moral da história: os cidadãos brasileiros de bom senso, aqueles que não desejam continuar na barbárie da incapacidade de diálogo amplo, com todas as tendências ideológicas, políticas e sociais, e não admitem voltar para o caos social, político e econômico, causado pela endêmica corrupção e pela falta de confiança, não possuem opção viável como saída para essa polarização, uma vez que em última análise, Ciro Gomes é tido como linha auxiliar de Lula. Já Bolsonaro é tão cáustico que nem linha auxiliar ele tem, o que enfraquece a posição das pessoas que se colocam com toda legitimidade na posição conservadora, numa direita moderada e não fanática.

Resumo da ópera: vamos rezar, e muito, para ver se aparece alguém em quem possamos depositar minimamente nossas esperanças. Até agora não vejo luz no final do túnel. Na verdade, não vejo nem o túnel!…

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O pior cego é aquele que não deseja ver

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O fato de eu ser um daqueles sujeitos que dão uma boiada para entrar em uma polêmica, seja ela filosófica ou política, e duas boiadas para não sair dela sem que tenha sido declarado vencedor, e ainda por cima, estar ocupando a Secretaria de Comunicação do município de São Luís, tem feito com que eu tenha me manifestado muito pouco através de meus artigos no jornal, repercutidos em meu Blog e Facebook, pois acredito que toda a visibilidade deve ser dada às ações da prefeitura como um todo e às ações, atitudes, gestos e manifestações do prefeito Eduardo Braide.

Mas para tudo há um limite e esta semana cheguei ao meu.

Fico abismado com a incapacidade de algumas pessoas em entenderem, ou melhor, em aceitarem o funcionamento dos mecanismos políticos, e olha que essas pessoas a quem me refiro são o que se poderia chamar de “caciques”.

Pois bem, esses “caciques” não conseguem admitir nem aceitar o protagonismo da Prefeitura de São Luís e o maravilhoso trabalho que vem realizando o prefeito Eduardo Braide e seus abnegados colaboradores, principalmente, neste caso específico, os da saúde, dirigida pelo jovem humilde e trabalhador, dr. Joel Nunes.

Por não admitir e não aceitar o sucesso decorrente de um trabalho sério, planejado minuciosamente e executado, tendo em mente aquelas quatro palavras iniciadas com a letra E – efetividade, eficiência, eficácia e excelência – é que muita gente resolveu inventar panaceias para tentar remediar seus insucessos no combate à pandemia de Covid-19.

Até gente da mais alta qualidade, pessoas a quem respeito, demonstram não entender que numa hora como essa, não interessa quem é que está realizando o trabalho, mas que ele está sendo feito, e bem, e que é isso deve ser apoiado e louvado.

Essa falta de humildade, essa incapacidade de enfrentar a realidade dos fatos, tem embaçado a visão dessas pessoas, transformando alguns em míopes e outros em cegos funcionais. Essa incapacidade de ver, ou melhor dizendo, essa falta de vontade de enxergar, de abrir os olhos para as coisas verdadeiras e boas que estamos realizando, pode custar caro para essas pessoas, como ocorreu na eleição do ano passado.

Mas o pior de tudo neste contexto apocalíptico, que em primeiro lugar é causado pela peste, e em segundo, pela “ignorância” ou mesmo pela má fé, é saber que a Defensoria Pública aventa a possibilidade de a vacina estar sendo ministrada preferencialmente para pessoas mais ricas, enquanto as mais pobres estariam sendo preteridas, fato que por si só seria um absurdo, se não fosse uma infâmia, uma aleivosia, uma canalhice mesmo.

Será que alguém, em sã consciência, acredita que o prefeito Braide, o secretário Joel e todo o pessoal envolvido com a vacinação em nossa cidade poderiam priorizar a vacinação para os ricos, deixando os pobres no esquecimento. Só sendo muito imbecil e canalha para pensar uma coisa dessas.

Pior é assistirmos uma reportagem na televisão de maior audiência da cidade, onde a repórter afirma que isso está acontecendo e como exemplo, coloca no ar uma mocinha de bem menos de 18 anos, que não é alvo da campanha de vacinação, dizendo que estava com medo de contaminar sua avó, pelo fato de ter ido visitá-la sem usar máscara!… Ora bolas, me comprem um bode!… Nós temos feito campanhas sistemáticas no sentido de conscientizar a população sobre a importância das medidas preventivas e sanitárias, e a mocinha não usa máscara, e isso é culpa da prefeitura!?…

Bem, acho melhor eu realmente me manter afastado de polêmicas, pois o trabalho que temos realizado é muito mais importante, tanto que São Luís tem sido notícia e notícia boa, em âmbito nacional e mundial, pelo trabalho no combate à pandemia e no sucesso da campanha de vacinação, tanto que nossa cidade ganhou o título de Capital Brasileira da Vacinação contra Covid-19. 

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Intimidade indesejada

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Intimidade pode ser uma coisa boa, quando ela aproxima as pessoas, quando ela serve para derrubar as barreiras que normalmente se apresentam em nossa convivência diária, seja entre parentes próximos como pais, filhos, irmãos, cônjuges ou até mesmo entre amigos.

A excessiva intimidade propicia inclusive dividirmos coisas pessoais como roupas íntimas ou escova de dentes. Mais que isso, intimidade é sinal de confiança, ela nos dá a sensação de que o outro é parte remota de nós mesmos e isso faz com que compartilhemos segredos inconfessáveis ao padre, ao analista ou ao espelho, na hora do balanço diário de nossas próprias vidas, mas abre uma janela ou uma porta que nos liga a um outro cômodo dessa casa que somos nós.

Infelizmente temos tido ultimamente intimidade com alguém que não é de nossa família, não é nosso amigo, nem de nossa confiança. Alguém a quem não desejamos a menor aproximação. A morte.

Essa figura tem convivido diariamente conosco. Às vezes ela passa ao longe, outras vezes ela nos ronda e algumas vezes ela chega mais perto de nós.

Antes, ela se apresentava de tempos em tempos, não era tão frequente e intensa a sua presença. Agora ela é presença constante em nosso dia a dia.

Se antes ela era mais seletiva, visitava quem mais fosse acessível, agora ela vem sem nenhum critério, aleatoriamente.

A mim parece que a presença dela é decidida em um desses jogos de azar bem simples e elementares, onde a probabilidade de perda ou ganho varia sempre em torno de 50%. Algo como par ou ímpar, como cara ou coroa… Torço para que este jogo se transforme logo em um jogo mais viável para nós, como o jogo da velha, palitinho ou mesmo jogo de dados.

Além de tudo que nos acarreta, a intimidade com a morte nos faz cada dia mais reclusos, individualistas, afastados das pessoas, não só pela precaução das medidas sanitárias de segurança e proteção, mas pelo medo mesmo.

Essa onda de intimidade com a morte tem uma causa maior, a pandemia de Covid-19, como no caso de meus tios afetivos Estelmo e Maria da Graça, mas a morte continua a comparecer usando outros convites, como foi o caso de tio Stenio, que foi atropelado e meu cunhado Antônio, que não resistiu a um câncer.

Não vamos extirpar a morte. Isso é impossível. Mas precisamos acabar com essa abjeta intimidade que ela tem imposto a nós. Precisamos contê-la, fazer com que ela volte a aparecer menos frequentemente. Essa senhora tem nos dado muito trabalho e não quero intimidade com ela.

Abaixo, relaciono algumas pessoas queridas que perdemos nos últimos tempos, com as quais a falta de intimidade tem nos feito menos felizes e mais tristes.

Meu cunhado Antônio Rocha; meus tios Stenio, Estelmo e Maria da Graça Barros; minha alegre sogra, dona Jacira; a tenaz Domingas; Seu Zé Maria Quariguasi; meu querido primo Fred; nossa querida prima, Olguinha Maluf; a jovem Natália Murad; Dona Eusuíta Costa Rodrigues; nosso amigo Rafael Lobão, atlético e saudável; o bom Henry Duailibe; minha comadre Alda, Verde, Vitorinha e Luiz Pedro, amigos da ALM; dr. Alexandre Dames; os confrades da AML, Cabral, Valdemiro, Milson e Sálvio; os queridos Aldionor Salgado, dona Maria Lucia e Reginaldo Teles; a vibrante Juja; o bom padre Bráulio; o titânico Morart Baldez; Zeca, o Belo, e seu irmão Totó; a bela e amável Cyntia Itapary; meu confrade, o padre João Resende, os amigos Pires e Clorisval; o espirituoso Saint Clair; Seu Eusamar, amigo de meu pai; o fotógrafo Meireles, lá de Pindaré… Devo ter esquecido de alguém… Me perdoem por isso… é que têm sido muitos… Estou cansado de relacionar e comunicar perdas, mas não me cansarei jamais de louvar os bons sentimentos que essas pessoas emanavam e que suas lembranças continuarão emanando.

Depois que este texto já havia sido publicado no Jornal O Estado do Maranhão, mais uma grande perda, soube do falecimento do meu amigo, locutor da Mirante FM, Rubinho Jones…

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Sarney 2022

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Até mesmo nas sociedades mais avançadas da terra, nos países mais desenvolvidos do mundo, uma pessoa com 90 anos de idade, é considerada idosa, isso para ser politicamente correto e não se dizer que ela é uma pessoa velha.

Nessa idade a maioria das pessoas já está senil, muitos sofrem de doenças degenerativas, a memória funciona mal ou já nem funciona mais. Nessa fase da vida as pessoas tem dificuldade de locomoção, e já não mantém a mesma capacidade cognitiva.

Mas em nosso país há um homem que já passou dos 91 anos e que se mantém, dentro de seus limites, ativo e capaz de discorrer sobre os assuntos mais importantes da atualidade.

Estou me referindo a José Sarney, personagem cuja trajetória registrei recentemente em uma produção audiovisual realizada em dois capítulos, um dedicado ao escritor, José, e o outro tendo como objeto o político, Sarney.

Na série feita para ser exibida nas televisões do Maranhão, do Brasil e do mundo, falamos do autor de poemas, contos, crônicas e romances, sobre os quais não desejo comentar aqui.

Hoje quero falar sobre o Sarney político, homem de 91 anos, que pensa melhor que qualquer um com menos idade e mais agilidade que ele.

Na série José & Sarney, procurei deixar bem distintas as causas, as circunstâncias, seus desdobramentos e suas consequências, no que diz respeito ao escritor e ao político. Mas, em que pese ele se declarar preferencialmente escritor por vocação e político por destino, eu prefiro vê-lo como um político por natureza, que para não afundar no lodaçal de seu ofício, se banha diariamente na fonte da literatura e da cultura, até para manter a sanidade e a paz de espírito.

Por conhecê-lo de perto, posso afirmar categoricamente que Sarney não é nenhum santo, mas também com a mesma exatidão da afirmação anterior, garanto que entre todos os políticos brasileiros, não há nenhum mais capacitado para o correto e sábio exercício do poder.

Esta semana, Sarney, a quem muita gente ousou taxar de ultrapassado e até mesmo de gagá, deu mais uma demonstração de genialidade e lucidez, ao dizer em entrevista ao jornal Correio Brasiliense, que aquilo que nosso país mais precisa é de uma reforma política e eleitoral que possa fazer com que voltemos ao eixo, que nos leve de volta a um roteiro verdadeiramente democrático e desenvolvimentista, que nos afaste desta crescente radicalização, que nos leva a quase um estado de guerra, que se não é efetivamente beligerante, é uma guerra tácita, feita de bombardeios de corrupção, disparos de desrespeito, explosões de intolerância e rajadas de incapacidade de diálogo.

Ao defender a adoção do parlamentarismo, regime muito parecido com o que na prática já temos hoje em dia, pois o poder do Congresso Nacional em nosso regime presidencialista, claramente não condiz com ele, Sarney dá a senha para abrir a cela na qual nos encontramos trancafiados.

Além disso, defende uma radical reforma eleitoral, acabando com o famigerado voto proporcional, causador de deformações e desequilíbrios profundos em nossa representatividade política, e a adoção de voto distrital misto, que coloque o parlamentar realmente mais próximo de seus representados.

Aos 91 anos de idade, o nosso mais longevo político, foi deputado federal, governador de Estado, senador durante 40 anos, quatro vezes presidente do Congresso Nacional e presidente da República, se dá ao luxo de receber o presidente atual, os outros ex-presidentes da República, para longas conversas, as quais ele faz questão de não comentar, por respeito à liturgia do cargo, mas de quebra, em entrevistas como a citada, dá aula de bom senso, equilíbrio, sabedoria política e inteligência emocional.

Enquanto Sarney dá demonstração de lucidez e conhecimento de toda a situação nacional, apontando as melhores soluções e caminhos para atravessarmos essa complicada conjuntura, assistimos vários políticos, alguns até de peso, se perderem em contradições e em incoerências.

Sarney já foi tido como um político antigo, velho, ultrapassado, mas ele tem provado categoricamente que continua agora como estava no apogeu de seu poder.

Se perguntarem pra mim em quem eu votarei para presidente em 2022, eu direi sem titubear: Em José & Sarney, pois a existência do primeiro, torna possível o segundo ser quem é.

Veja a foto da ilustração deste texto, pense um pouco e analise qual dos últimos oito presidentes da república poderia ser a melhor solução para os problemas que enfrentamos hoje em nosso país.

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