Ainda sobre o MAVAM

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Fiz grande esforço para não tocar neste assunto, mas não aguentei e sucumbi!

A Fundação Nagib Haickel fez circular um documento comunicando que a partir de 1º de julho, o MAVAM – Museu da Memória Audiovisual do Maranhão suspenderá suas atividades, por não mais estar conseguindo manter satisfatoriamente em funcionamento este serviço, prestado gratuitamente à comunidade maranhense.

Depois de publicado o comunicado começaram a chover telefonemas, postagens nas redes sociais, mensagens de diversas formas e provenientes de diversos remetentes, todas de surpresa, mas principalmente de apoio, solidariedade e esperança de que em breve o MAVAM volte a funcionar regularmente.

O secretário geral da Academia Maranhense de Letras, Sebastião Moreira Duarte, publicou na semana passada um maravilhoso artigo tratando deste assunto, porém ressalto que outras tantas mensagens foram também muito significativas para nós.

Recebi um e-mail da ex-primeira dama do Maranhão, dona Eline Murad, onde ela dizia estar penalizada com o acontecido e nos oferecia sua solidariedade. Fiquei muito sensibilizado por ser a remetente uma pessoa tão respeitada e querida por todos.

Vi também o comentário de Kassandra Benevides, na página do MAVAM no Facebook, que dizia o seguinte: “Amo este lugar com todas as minhas forças!”. Amei essa declaração de Kassandra!

O colecionador e membro do IHGM, Antonio Guimarães, publicou em sua página no Facebook um belo texto que bem retrata essa situação, vista pelo prisma de alguém que vive neste segmento cultural.

Não foi surpresa saber dos bons sentimentos de Adson Carvalho, um dos voluntários no MAVAM. Surpresa foi ler o belo e emocionante relato dele, um rapaz tímido e recatado, falando numa rede social sobre sua experiência no tratamento de nossos acervos fotográficos: “Faz pouco mais de três anos que eu venho colaborando como voluntário, com o MAVAM… Tenho executado ações de conservação, limpeza, reprodução, digitalização, guarda e catalogação de fotografias… Tenho me dedicado a cuidar de três coleções… Que já serviram de auxílio para conclusão ou complementação de monografias, dissertações, teses e até mesmo trabalhos pessoais de diversas pessoas que procuram nossa instituição, buscando apoio nas imagens de seus acervos… Enfim, esta instituição tem um papel primordial para preservação da história e da memória maranhense e nacional…”

Outro que se manifestou, desta vez em mensagem pessoal diretamente para mim, foi Ângelo Guimarães Rosa, que durante algum tempo, antes de se transferir para Curitiba, foi um dos que voluntariamente ajudaram o MAVAM:“Não é fácil ver algo tão bonito não florescer da forma que merece… A grandeza dos projetos que participei não era medida pelo montante da verba ou equipamentos empregados, mas sim pelo sonho em fazer parte de um momento único… O MAVAM significou esse sonho, estávamos construindo o retrato da história passada em nosso presente e isso era o que nos motivava ainda mais a participar deste projeto… A força motriz da nossa inspiração era sem dúvida a sua audácia e comprometimento… Por vezes eu vi você bancar um projeto e seguir até o fim com ele sem medir consequências, tudo em prol da realização do objetivo maior do ideal… Por fim, queria deixar claro o meu agradecimento por todas as realizações que fizemos juntos, e as oportunidades que o MAVAM me proporcionou…”.

O comentário no Facebook, de um experiente e calejado produtor audiovisual, Joan Carlos Santos, resume tudo: “Amigos, estou aqui pensando no MAVAM e comecei a contabilizar mentalmente a quantidade de material que existe lá. Acervos fotográficos de Edgar Rocha, Antonio Guimarães, Ribamar Alves, milhares de outras fotos das mais variadas procedências; O acervo do escultor Celso Antonio; Acervo de áudio de Talvane Lucato; Acervos de vídeos de Lindberg Leite, da VCR, da Phocus, de diversos cineastas; A produção de filmes próprios e com diversos parceiros, isso sem contar com o apoio que o MAVAM sempre deu a TODOS que o procuram! Imagino que por baixo, exista lá algo em torno de 100.000 fotografias em diversos formatos e mídias, umas 500 horas de acervos de áudio, umas 4.000 horas de vídeos não editados ou tratados e umas 200 horas de material finalizado”.

A mim só resta agradecer a todos que se solidarizaram conosco, nas pessoas de Sebastião, Dona Eline, Kassandra, Guimarães, Adson, Ângelo e Joan.

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Aquele que não devia morrer

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Esclarecimento necessário

Na reunião da Academia Maranhense de Letras, na última quinta-feira, dia 6 de junho, fui surpreendido por meu querido professor, amigo e confrade naquela Casa de Cultura, Sebastião Moreira Duarte, com a leitura do texto abaixo, sobre o MAVAM, Museu da Memória Audiovisual do Maranhão.

Antecipo ao prezado leitor que a generosidade que Sebastião demonstra para com a minha pessoa neste texto é demasiada, uma vez que as minhas atitudes quanto a este assunto são pura e simplesmente uma quetão existencial.

De qualquer maneira fico muito grato ao autor desta bela peça literária, e estendo este agradecimento a AML, por todo apoio e solidariedade que tem sido dado à Fundação Nagib Haickel, ao MAVAM e particularmente a mim.

Aquele que não devia morrer.

Sebastião Moreira Duarte

Escrevo estas linhas à beira-mágoa, como diria o poeta. Recusei-me, de início, a escrevê-las, sem saber se o que me afligia mais era a mágoa em si, ou a sua causa inesperada e inexorável.

Encontrei-me ausente de São Luís, por alguns dias. De volta, retomando uma pauta de trabalhos adiados e inadiáveis, amanheço batendo as aldrabas da porta grossa do Mavam, o Museu da Memória Audiovisual do Maranhão, aos pés da igreja do Desterro. Preciso de imagens para ilustrar algumas publicações próximas da Academia Maranhense de Letras.

Bato, e ninguém me ouve. Bato e insisto. Abre-me a porta, relutante, alguém que estava ali só para deixar a notícia: o Mavam bateu portas. Encerrou as suas atividades.

Desabo em desalento. (Nos tempos do velho Machado, eu diria: “enfiei!” – para dizer: “estremeci, fiquei pasmo!”)

E eu bem que podia evitar o longo percurso – quase 20 km! – até as portas fechadas do Mavam. Bastaria ter tido tempo para ler, nos jornais que se acumularam à minha espera, a nota pesarosa dada à imprensa pela pesarosa, mas ingênita elegância de Joaquim Haickel.

Desde a sua ideia inicial, o Mavam é grande e generoso como Joaquim Haickel, o seu criador, amparado, desde o prédio que o abrigava, até às instalações e equipamentos que o faziam funcionar, pela fundação que leva o nome de seu pai, o imenso Nagib. Como Joaquim Haickel, o Mavam era feito de teimosia. Seguia adiante movido por teimosia, a acendrada convicção que parecia ecoar, às margens do Bacanga, a expressão famosa que um dia Alfieri pronunciou ao pé dos Alpes, explicando-se a si próprio: “Eu quis. Eu quis sempre. Eu quis fortissimamente.” Desde menino, Joaquim Haickel queria o Mavam, desde estudante, desde os tempos dos filmes em super-8, desde o primeiro até o último Festival Guarnicê, Joaquim Haickel queria o Mavam. Joaquim queria fortissimamente o Mavam.

Muita gente pensava – e continuará pensado – que o Mavam era um órgão público. E não está/estava sem razão: trata-se de uma das mais públicas de nossas instituições privadas. (Em comparação, só a própria Academia, já pra mais de centenária, e que não tem outra razão de ser senão oferecer-se sempre, de portas abertas, ao público).

Não sei quantas vezes eu vi Joaquim Haickel se movimentando de um lado para outro – é quase impossível encontrá-lo parado! – atrás de velhos acervos familiares e profissionais, à cata de material para guardar e preservar no Museu de tantos usuários. Eu mesmo, já nem sabia mais que tinha tido sido comerciante em São Luís, quando um dia me vejo, em pulsante renovação de vida, junto com meu pai e meu irmão, cortando a fita inaugural de uma loja de eletrodomésticos que ia de uma rua a outra, no centro de São Luís. Que emoção, rever-me, ainda em sonhos de mocidade, resolvendo fazer-me rico em meio aos meus familiares! Quantas outras pessoas terão tido, poderiam ter, emoções iguais!

Foi por causa do Mavam que os maranhenses de ontem e de agora puderam ver as imagens da velha capital maranhense explodindo de dentro de seu centro histórico congestionado, abrindo-se pela ponte e pela barragem, por bairros e avenidas cuidadosamente calculados (e por imprevistos desvios da ideia original), segundo planos de um engenheiro teimoso chamado Haroldo Tavares. Tudo ficaria esquecido, irremediavelmente perdido, não fosse o cuidado de pesquisar, encontrar, adquirir e manter disponíveis documentos que tão facilmente se perdem e perecem.

Escolas de nossa rede pública e privada, instituições públicas e particulares podem dispor, ainda agora, de material insubstituível para aprender a História de sua terra, graças ao trabalho realizado pelo Mavam.

Mas o Mavam era, muito, Joaquim Haickel. Não vem ao caso indagar aqui por que dar-lhe fim, por lenta asfixia e final estrangulamento. Basta saber que a entidade era o indivíduo, a criatura era o criador. Este seria abatido, abatendo-se a sua criação.

Aprendi, desde os bancos escolares, que Y-Juca Pirama significa “aquele que deve morrer”. Queria saber como se diz, em língua de índio, “aquele que NÃO deve morrer”, para, assim, proclamar por sobre todos os telhados da Taba dos Timbiras: O Mavam NÃO deve morrer! O Mavam NÃO pode morrer!

E se, em definitivo, não for possível reabrir mais as portas do nosso Museu da Imagem maranhense, que se grave em seu epitáfio o que um amigo incomparável – e incomparável amigo do Maranhão, e seu historiador – mandou escrever sobre o seu túmulo: “Aqui dorme Carlos de Lima. Sob protestos”.

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Reforma política já!…

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Todo mundo vive falando em reforma da previdência, reforma tributária e medidas de contenção da corrupção e da criminalidade, mas não escuto ninguém falar na mãe de todas as reformas, sem a qual as demais serão inócuas, pois sem ela o mal maior não será combatido de forma eficiente, eficaz e efetiva, a reforma política.

Relaciono a seguir 11 pontos que em minha modesta opinião não podem estar fora da pauta da urgente reforma política que precisamos aprovar para que o Brasil volte a ser um país viável.

1 – Eleições gerais e coincidentes: Com votação para representantes populares para os poderes Legislativo federal, estaduais e municipais, num sábado e para os candidatos a cargos dos poderes Executivo federal, estaduais e municipais, no domingo imediatamente depois;

2 – Mandato de seis anos para todos os cargos: Sem reeleição para os cargos executivos. Sendo que os mandatos dos senadores passarão a ter a mesma duração dos demais congressistas;

3 – Voto universal, secreto, direto e majoritário para todos os cargos: como não poderia ser diferente, o voto tem que ser universal, secreto e direto. A inovação neste quesito fica por conta do voto passar a ser majoritário, acabando com a possibilidade de elegerem-se pessoas que não tenham a devida representatividade eleitoral direta;

4 – Eleições únicas para o Congresso: nossos representantes nas casas do Congresso Nacional, Senado Federal e Câmara dos Deputados, passarão a ser eleitos juntos e em pé de igualdade, só que os três congressistas mais votados de cada Estado serão eleitos senadores e os demais, serão eleitos deputados. Os suplentes serão sempre os subsequentes;

5 – Financiamento público de campanha: o financiamento das campanhas eleitorais será público, mas deve haver a possibilidade de empresas privadas e pessoas físicas contribuírem para um fundo que deverá ser dividido, pela Justiça Eleitoral, entre os partidos políticos, de uma forma a ser estudada, mas sempre de modo equânime e proporcional;

6 – Fidelidade Partidária: o político que se eleger por um partido só poderá sair dele no final do mandato. Não haverá prejuízo em caso de mudança partidária para uma nova candidatura por outro partido. No caso do voto do parlamentar, este pertence a ele e à sua consciência, e não ao seu partido;

7 – União, Federação ou coligação de partidos: deve haver a possibilidade de formação de grupos ideológicos em torno de propostas políticas que juntem força na eleição de seus membros, principalmente para a disputa de cargos executivos;

8 – Cláusula de barreira: os partidos deverão ter um desempenho mínimo para continuar existindo. Esse desempenho deve respeitar os casos de União, Federação ou coligação de partidos;

9 – Candidaturas avulsas: estas devem ser aceitas, pois um cidadão deve ter o direito de não desejar se filiar a nenhuma agremiação partidária e ainda assim vir a ser candidato a um cargo eletivo, principalmente pelo fato da eleição passar a ser majoritária, o que nivela e igula todos os candidatos independentemente de estarem em partidos ou fora deles;

10 – Voto obrigatório: o voto facultativo só pode ocorrer em uma sociedade onde os cidadãos tenham consciência da necessidade de votar e do ônus de não votar, de participar das decisões sobre seus destinos ou deixar que outros tomem essas decisões. Em uma sociedade fragilizada como a nossa se encontra, a obrigatoriedade do voto se faz necessária, ela é uma etapa que não pode ser simplesmente descartada na formação da consciência do cidadão;

11 – Ficha Limpa: se vivéssemos em um país que tivesse uma cultura de respeito às leis, esse tipo de precaução não seria necessário, porém, até que atinjamos este patamar, como nação e sociedade faz-se indispensável que se elimine peremptoriamente os que comprovadamente não tem capacidade de se manter em conformidade com as leis.

Penso que algumas pessoas podem discordar de minhas opiniões expressadas acima. Em defesa delas só tenho a dizer que são resultado de uma vivência de mais de 40 anos na política, da luta renhida entre a teoria e a prática, do inconformismo entre o que se deseja e o que é possível.

Não sei o que o futuro nos reserva neste sentido, mas tenho certeza que alguma coisa precisa acontecer para mudar a forma de se fazer política no Brasil. Se isso não ocorrer, não haverá salvação.

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Num beco!… Mas ainda há saída!…

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O texto que eu programei para esta semana falava de um assunto menos pesado que política. Falava de referências, de filosofia e de poesia, mas infelizmente o cronista tem obrigação de estar em dia com os assuntos mais comentados e discutidos, afinal de contas propagamos nossas ideias e opiniões, através de jornais e redes sociais, e são os assuntos do momento que as pessoas desejam mais ler.

Dito isso, volto a falar sobre a incapacidade do presidente Jair Bolsonaro e de grande parte de seus apoiadores, em entender os acontecimentos.

Que o sujeito seja conservador, tradicionalista, de direita, eu posso entender e até apoiar em alguns casos, circunstâncias e gradações. Mas daí o indivíduo não ter a capacidade de discernir entre como agir, o que fazer e o que não fazer para alcançar seus objetivos, isso é inadmissível!

Não vou discutir os objetivos do presidente Bolsonaro, até porque concordo integralmente com alguns deles, em parte com outro tanto, aprovo menos outro lote de medidas que ele deseja implementar, e discordo de outras de suas ideias. Mas o que eu discordo total e peremptoriamente é com a forma dele se expressar e conduzir suas ações.

Alguém tem que dizer para o presidente que a forma é parte da ação. Que conteúdo e forma compõem o todo. Que um político, principalmente um presidente, precisa entender e dominar a arte da comunicação, da diplomacia, do diálogo, em diversos cenários e nas mais variadas esferas. Que uma coisa é ser candidato, e outra bem diferente é ser presidente. Que quanto a essas coisas ele nem deve argumentar contrariamente, pois jamais terá razão!

Não queremos que Bolsonaro se transforme no macio Sarney, no escorregadio Fernando Henrique ou que seja espertalhão como Lula! O que não se deseja de modo algum é que ele seja maluco como Collor, tão fleumático quanto Itamar ou um idiota completo como Dilma.

Imagino que todo brasileiro conhece o presidente Bolsonaro! Tem gente que o acha fascista, racista, misógino, homofóbico, que ele faz apologia da tortura e da violência. Eu não acho nada disso a respeito dele, mas não posso deixar de concordar que ele é o maior responsável por fazer com que digam, pensem e propaguem essas opiniões sobre ele, pois ele é um verdadeiro desastre em comunicação, tanto pessoal quanto institucional!

Existem aqueles que acham que aquilo que o presidente Bolsonaro diz é o certo! Que a sua forma de se expressar e agir é correta! Não afirmo que algumas das coisas que ele diz estejam erradas, mas posso garantir, sem medo de errar, que a FORMA como ele diz, o LOCAL e a OCASIÃO de suas falas ou manifestações são completamente desfavoráveis às suas intenções.

Acredito que o Jair queira fazer o melhor para o nosso país. Nisso eu o igualo ao Lula dos primeiros dois anos de mandato presidencial. O que ocorre, e é grave, é que Lula jamais teve contra si toda a grande mídia nacional, nunca contou com uma oposição tão ferrenha e bem aparelhada, e principalmente, Lula jamais cometeu a asneira de ser ele mesmo seu maior adversário!

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro não for capaz de entender que a forma dele SER, só pode se consumar de maneira efetiva, eficiente e eficaz, se ele passar a AGIR de modo mais astuto, inteligente, diplomático e POLÍTICO, na maior e melhor concepção dessa palavra tão desgastada e desvalorizada.

Minha mágoa com Lula não se deve ao fato dele ter se tornado um corrupto, não é porque ele quase destruiu o nosso país. Minha maior mágoa de Lula se deve ao fato dele ter tido a oportunidade, a condição e o poder necessários para realmente transformar o Brasil e ter optado, miseravelmente, por se perpetuar, ao seu grupo e a sua ideologia, no comando de nossa nação.

O mesmo eu digo antecipadamente para Bolsonaro. Ele terá não apenas a mágoa, mas em muitos casos, terá a repulsa e até mesmo o ódio, daqueles que não querem e não admitem ver o Brasil novamente trilhando o caminho tão tortuoso como aqueles dos tempos do PT e de seus asseclas.

Ou Bolsonaro muda ou mudam o Bolsonaro!…

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Craque!…

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Impressionante como os maranhenses gostam de dois assuntos muito polêmicos: política e futebol.

Digo isso, pela quantidade de pessoas que me procuram para comentar sobre os textos que tenho escrito a respeito daquele que eu imagino será cenário político do Maranhão e pela repercussão que ouço nos programas de rádio e vejo nas redes sociais, sobre futebol.

Imagino que possa juntar os dois assuntos e simultaneamente um tema comum a ambos. A ocorrência de craques nesses setores.

Quando eu era criança, os craques do futebol brasileiro eram jogadores da estatura de Garrincha e Pelé, mas a quantidade de gigantes neste esporte era imensa: começando pelo maranhense Canhoteiro, passando por Ademir Queixada, Djalma Santos, Heleno, Didi Folha Seca, Nilton Santos, Zizinho, apenas para citar alguns. No mundo se destacavam Puskás, Di Stéfano, Schiaffino, Walter, Kopa e Meazza, apenas para citar um time de vôlei.


Depois desta fase, o futebol que era arte, se transformou em força e foi a vez da Laranja Mecânica holandesa de Cruyff e Rensenbrink e da implacável Alemanha de Beckenbauer e Müller…

Não vou me estender neste assunto, pois teria que passar o resto de minha vida falando das glórias deste esporte e eu não o domino o suficiente nem para este texto… O fato é que o que veio depois todo mundo já sabe!

Na política maranhense, os craques do tempo em que eu nasci eram Sarney, que até hoje é show de bola, Victorino que já estava na descendente, mas era duro, Millet que era um Lord, Neiva Moreira, que teve sua jornada interrompida pelos dois golpes de estado de 1964, o tentado e o consumado… No Brasil tivemos o insuperável GetúlioVargas, tínhamos o eterno Juscelino Kubitschek, o onipresente Carlos Lacerda, o polêmico Jânio Quadros, e o bem intencionado, mas manipulável Jango.

No mundo havia políticos da estatura de Adenauer, Meir, Kennedy e Brandt, além de lideres dos direitos civis como Martin Luther King Jr e religiosos como João XXIII.

Da mesma forma que o que aconteceu com o futebol, sabemos no que deu a política atual.

Hoje a incidência de craques, tanto no futebol quanto na política é coisa rara. Na política muito mais que no futebol, pois os salários milionários ainda dão vazão a talentos incríveis como os de Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar.

Na política, parece que mataram o confeiteiro e queimaram a receita do bolo, pois nunca mais apareceu um político saído pronto e acabado do nosso forno! Alguém realmente bom, aquilo que poderíamos chamar de um craque.

Vejam só como são as coisas! Enquanto escrevia esse texto, parei um pouco, fui tomar água e quando voltei, fui passear pelas redes sociais e deparei-me com uma postagem no Blog de Jorge Aragão que de certa forma tem conexão com nosso assunto!

O vice-governador Carlos Brandão, no exercício do cargo de governador, vai, elegantemente, possibilitar que o presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto, assuma o cargo de governador do Maranhão!

Este é um gesto de alguém que conhece profundamente os caminhos da diplomacia e da política em suas mais altas concepções. Agindo assim Brandão demonstra para todos a sua disposição de compartilhar o poder, faz um ato de carinho, de deferência e de respeito, não apenas para com Othelino, presidente da ALM, mas com todos os deputados e de certa forma, para com todos os políticos e até mesmo, por extensão, para com o povo maranhense.

Um verdadeiro craque, como há muito tempo não vemos em nosso estado!

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Sobre Weverton Rocha

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Penso que seja necessário comentar sobre a posição do senador Weverton Rocha, uma vez que ele é um dos maiores contendores na próxima disputa ao governo do Maranhão.

É bom que se ressalte que os dois maiores postulantes ao governo pertencerem ao mesmo grupo político, e é importante salientar também, que o grupo agora no comando, dirigido por Flávio Dino, sucedeu o grupo hegemônico anterior do Maranhão, também em sua elefantíase descomunal, o que causa a ele os sintomas e efeitos colaterais provenientes desta lastimosa disfunção glandular política, infelizmente muito comum em nosso estado.

Quanto a Weverton, devo esclarecer alguns pontos que acredito serem necessários para um bom e correto entendimento sobre ele.

Ele começou muito cedo na militância estudantil, onde mais que qualquer coisa, o importante é tenacidade, disponibilidade e dedicação.

Weverton é visto ainda hoje, por muita gente que não o conhece pessoalmente, pelo estereótipo que foi criado dele no início de sua jornada política. Coisa que todos nós sabemos, é sempre algo construído, para o bem ou para o mal, dependendo de quem detém o poder de esculpir tais perfis.

Jovem militante do PDT, seguidor de Jackson Lago, figura que de tão boa pessoa, não poderia jamais ser um político forte e poderoso, na mais ampla concepção dessas palavras, como o foram alguns de seus contemporâneos, Weverton, se forjou quase que completamente sozinho. Tudo bem que isso não desculpa 100% de seus desacertos, pois meu pai também se forjou sozinho, mas os tempos eram outros, as circunstancias eram outras. Já Weverton não teve a mesma sorte. O único exemplo que teve foi Jackson, de quem não poderia copiar a doçura, pois se o fizesse, jamais seria hoje Senador da República Federativa do Brasil.

Uma coisa marcará a vida de Weverton Rocha para sempre e eu posso ajudar a desmistificar um pouco este episódio. Trata-se da reforma do Ginásio Costa Rodrigues e tudo que envolveu aquela obra.

Dizem que o então secretário de esportes do estado, o hoje senador Weverton Rocha, teria desviado recursos dela. Eu não posso afirmar isso. Posso afirmar que aconteceram diversos erros e contratempos na execução daquela obra. Erros como a concepção do projeto que inicialmente era de reforma e passou a ser de demolição e construção de nova estrutura. Além disso, a ampliação da quadra de jogo e diminuição das arquibancadas jamais deveria ter sido feita. Ali deveria ser um ginásio apenas para prática de vôlei e basquete, mas o arroubo da juventude falou mais alto.

Todos sabem que Weverton tinha a confiança de Jackson, e tenho certeza que se tempo de governo ele tivesse, teria concluído aquela obra, de qualquer maneira.

Como já disse, esse episódio marcará a história de Weverton de forma definitiva, da mesma forma que a Fazenda Maguary marcou a de Sarney e os aluguéis camaradas marcarão a de Flávio Dino, e nem por isso esses são fatos realmente comprovados ou verdadeiros.

O fato é que este sujeito de apenas 40 anos já foi deputado federal, líder de seu partido na Câmara dos Deputados e hoje é um senador da república, com grande possibilidade de vir a ser governador do Maranhão!

Há outro detalhe em relação à Weverton Rocha que pouca gente comenta, mas que eu acredito imprescindível que seja dito. Ele é uma das poucas pessoas a quem Flávio Dino realmente teme. WR nunca dependeu exclusivamente de FD, sempre manteve fortes apoios nacionais, e é “dono” de um partido e de um grupo político forte em nosso estado. Se bem que esse temor já esmaeceu, pois tanto Flávio quanto Weverton, se encontram, respectivamente, em posição descendente e inercial. Digo isso, pois o futuro se afunila na direção de Carlos Brandão!

Em minha modesta opinião, a vez de governar o Maranhão é de Brandão, até porque ele estará sentado na cadeira de governador e com a caneta na mão, além de não ser obtuso ao ponto de não saber se comportar e jogar o bom jogo.

Weverton fará muito bem se negociar com Brandão e indicar um vice-governador que possa abrir-lhe as portas para um possível mandato de governador em 2026.

Como dizia o sábio Lister Caldas, repetindo um velho provérbio português: Quem viver verá!

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Sobre o futuro!…

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Gosto de conjecturar sobre política, mesmo que isso desagrade a algumas pessoas que não concordam com MINHAS análises e não são capazes de entender que MEUS comentários são provenientes de minhas percepções sobre os cenários políticos, baseados nos sintomas advindos deste setor e nas informações recebidas de fontes confiáveis e respeitáveis.

O que tenho notado de mais importante no panorama político do Maranhão é a mudança forçada de atitude do governador Flávio Dino.

Flávio passou todo o tempo de seu primeiro mandato como se na verdade estivesse na oposição, o que lhe garantiu certa invulnerabilidade quanto às críticas e aos ataques a si e a seu governo, durante aquele primeiro tempo.

Agora, tendo começado o segundo tempo do jogo, ele parece ter sido obrigado a voltar do vestiário com outra estratégia para a etapa complementar da peleja.

Falar de Flávio Dino exige que se fale de seus adversários, mesmo que em apenas um parágrafo, só para uma breve citação. Flávio não conseguiu e jamais conseguirá destruir o homem que ele imagina que é seu adversário. José Sarney. Digo isso pelo fato de Sarney não ser realmente seu adversário. Sarney foi vencido sim, mas pelas mudanças ocorridas dentro de seu próprio grupo, não por Flávio Dino. O posto de adversário de Flávio coube à filha do ex-presidente. Ela sim, Dino realmente derrotou! Duas vezes! A primeira por omissão, através de um preposto que jamais deveria ter assumido esta incumbência, Lobão Filho, e a segunda em pessoa, coisa que eu jamais pensei que ela o fizesse, e que por ter tido essa coragem, tem o meu respeito.

O Maranhão hoje tem em Flávio Dino seu novo comandante, com direito a tudo o que o título traz em si. Continências e bajulações, além de grandes responsabilidades.

O privilégio do comando acarreta grandes encargos e por isso o Flávio Dino deste segundo tempo está envergando outra equipagem, outro figurino, algo mais leve, mais palatável…

Desde o início, Flávio montou seu grupo nos escombros dos grupos de dois ex-governadores que o antecederam, Jackson Lago e José Reinaldo Tavares. Depois, esticou mais um pouco, metaforicamente falando, os longos braços do poder e levou para si correligionários mais distantes e menos prestigiados de Roseana e Lobão. Com esse elenco montou seu time. Devo reconhecer que tem peças boas, caso de Ted Lago, Felipe Camarão, Carlos Lula, Marcellus Ribeiro entre outros.

Herdou de Jackson quase todo o PDT. De Zé Reinaldo, herdou seu sobrinho, Marcelo Tavares e seu fiel escudeiro, Carlos Brandão, a quem confiou a gerência do palácio e o segundo posto da hierarquia do grupo, respectivamente. De seu mesmo, só o amigo de longas datas, camarada comunista, responsável pelas operações políticas e comunicativas, o hoje deputado federal Marcio Jerry, filho do meu bom amigo João Francisco.

Pergunto-me como em tão pouco tempo esses camaradas chegaram onde hoje estão!?… A única resposta que encontro é que foi graças à incompetência de seus adversários!…

E ainda me perguntam o que vai acontecer!… Ora bolas, do jeito que as coisas estão o grupo de Flávio Dino vai fazer barba, cabelo, bigode… Mas não fará contorno! Deve eleger o próximo governador, que deve ser Brandão, (o PDT de Weverton vai lutar para indicar o vice, Othelino ou Edivaldo); o senador será o próprio Dino (se não for aventurar-se numa possível candidatura presidencial); e mais de dois terços das representações legislativas em âmbito estadual e federal.

Ele só corre um sério risco de derrota em todo esse cenário: a prefeitura de São Luís! Esta parece estar destinada a ser comandada por Eduardo Braide, o que de todo não é ruim para o grupo do governador, pois a possibilidade de sucesso de um administrador da capital maranhense é mínima.

O que vai acontecer na política do Maranhão!? Não precisa ser mágico para saber! Basta olhar!…

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Argumentum ad hominem e etc…

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Recorrentemente tenho sido vítima de Argumentum ad hominem, termo proveniente do latim, que significa “argumento contra a pessoa”, que na prática nada mais é do que uma falácia usada quando alguém procura desqualificar uma tese usando uma crítica contra seu autor e não ao conteúdo do seu argumento.

Essa falácia ocorre porque quem a comete tira uma conclusão sobre a proposição analisada sem examinar seu conteúdo, ou, por não ter contra argumentos fortes o suficiente para atacá-la, resolve atacar seu propositor. Quem usa este artifício ataca a pessoa que apresentou uma tese e não a tese que a pessoa apresentou.

O argumento contra a pessoa assume também outras formas. Ele ataca, por exemplo, o caráter, a honradez, a nacionalidade, a raça ou a religião da pessoa. Alguns caem na alusão a alguma condição física da pessoa, como o fato dele ser baixinho, careca, gordo… Em outros casos, a falácia sugere que a pessoa, por ter algo a ganhar com o argumento que usa ou defende, é movida por interesse. A pessoa pode ainda ser atacada por associação, por suas amizades ou suas companhias. O fato é que o caráter ou as circunstâncias da pessoa nada tem a ver com a verdade ou a falsidade da proposição defendida.

O argumento contra a pessoa é uma falácia caracterizada pelo elemento da irrelevância, por concluir sobre o valor de uma proposição através de uma premissa sem valor dentro do contexto da discussão, que neste caso é um juízo sobre o autor da proposição.

Esse tipo de argumento pode ser agrupado também entre as falácias que usam o estratagema do desvio de atenção, ao levar o foco da discussão para um elemento externo a ela, que são as considerações pessoais sobre o autor da proposição.

Essa prática é, em minha opinião, uma das mais baixas e repugnantes que existem, pois ela é repleta de preconceito em sua significação mais elementar. Além disso, demonstra claramente a incapacidade do oponente em se manter num debate, no campo das ideias, e resvalar na primeira sarjeta à sua frente e dar com a cara no esgoto de sua ignorância.

Argumentum ad hominem circunstancial coloca em foco a parcialidade do adversário, sugerindo que este tem algo a ganhar com a defesa daquele ponto de vista.

Tenho ouvido e lido muitas falácias deste tipo no que diz respeito à defesa que alguns artistas e jornalistas fazem ao ex-presidente Lula por terem ganhado benesses de seu governo. Pode até ser verdade, mas é um exemplo claro disso!…

A Falácia Lógica ou Bulverismo, termo cunhado por C.S. Lewis, que consiste em refutar um determinado argumento, declarando que o mesmo está errado, passando em seguida diretamente a explicar o porquê de seu oponente estar fazendo uso de tal argumento.Essa falácia consiste no fato dos motivos de uma pessoa em nada interferir na veracidade ou na falsidade de um argumento usado por ela.

Lewis escreveu sobre esse tema em um ensaio publicado em um livro cujo sugestivo título fala por si: “Deus no Tribunal”.

Há também a “Falácia do Apelo à Hipocrisia”, ou “Tu quoque”, onde o oponente é acusado de praticar algo muito semelhante ao que o próprio acusador pratica corriqueiramente. “Tu quoque” significa em latim “você também”. Este é um argumento muito comum e eficaz, pois tende a colocar o oponente na defensiva. Ação comumente conhecida simplesmente como hipocrisia!

Um belo exemplo disso foi uma frase que ouvi outro dia em uma roda de pessoas conhecidas. Certa figura comentou maldosamente quando um terceiro passava: “As pessoas devem aprender a viver com o que ganham!” E eu fiquei pensando só comigo: “Mas você está completamente endividado e não faz qualquer esforço para mudar isso, além do que, não é bom pagador!”

Existe um desses ratos de esgoto contratado para defender uns e atacar outros, nas redes sociais, que a cada postagem que faço, comenta com a seguinte frase: “O que é mesmo que este senhor faz na vida?”, ao que eu respondo com um argumento contra terceira pessoa (ou quem sabe favorável a ela): “Pergunte à sua progenitora!”

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Esquerda e Direita

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Muito se tem falado sobre o tema explicitado pelo título deste texto! Vou entrar na roda!…

Existem duas maneiras de se analisar e de se estabelecer onde se posiciona no espaço filosófico, ideológico e político, um pensamento ou uma ação, ou mesmo um partido e seus membros.

Para esclarecimento, devo dizer como EU classifico as posições neste espectro. São sete. Há a posição central, e partindo dela para a esquerda, temos centro-esquerda, esquerda e extrema esquerda. Na direção contrária, temos centro-direita, direita e extrema direita. Cada uma dessas posições possui uma infinidade de subdivisões, mas para nossa conversa isso não vem ao caso.

No que diz respeito às posições ideológicas, existe um conceito MECÂNICO de enquadramento entre esquerda e direita.

Para que se entenda facilmente o que é uma ideia ou um partido de esquerda ou de direita, do ponto de vista mecânico, basta se substituir a expressão, “partido de esquerda” por PARTIDO DA MUDANÇA, e “partido de direita” por PARTIDO DA MANUTENÇÃO.

Na França, onde estes termos se originaram, os grupamentos de esquerda eram chamados de “grupos do movimento” e os de direita de “grupos da ordem”.

É neste ponto que reside o fracasso das ideologias ou partidos de esquerda, quando assumem o poder! Eles continuam agindo como se não estivessem ocupando a posição da manutenção e da ordem!

No caso da direita, a dificuldade de sucesso consiste em radicalizar suas posições ideológicas e políticas, não se abrindo para mudanças importantes e necessárias.

Não é raro fazerem confusão entre as posições de partidos ou mesmo de políticos, quanto à sua colocação no espectro ideológico linear. Essa confusão se deve, quase na totalidade das vezes, pelo referencial que se toma em cada caso.

Vejamos um exemplo clássico! Usando critérios mecânicos para analisarmos em quais locais da linha se delimitam a atuação ideológica e política de Getúlio Vargas e Washington Luís, vamos descobrir que o primeiro seria colocado à esquerda do segundo, pois Vargas pretendia mudar o conceito e a forma da política feita no Brasil. Na teoria, o que Vargas e os revolucionários de 30 queriam, era que fosse implantada uma MUDANÇA, um estado novo, o que acabou acontecendo, mas com um viés fascista, com ingredientes socialistas, e usando a força para sua MANUTENÇAO, o que o transferiu para a direita ideológica.

A mesma análise pode ser feita em relação a Paul Von Hindenburg e Adolf Hitler. Pelos critérios mecânicos da lateralidade e da semântica dos verbos MANTER e MUDAR, Hitler estava à esquerda de Hindenburg. Da mesma forma, Lenin estava à esquerda de Nicolau II, Mussolini à esquerda de Vitor Emanuel e Castro à esquerda de Batista.

A classificação mecânica sobre esquerda e direita é usada quase que exclusivamente pelos direitistas, que também usam a classificação ideológica, que é a única admitida pelos esquerdistas. Esta é a meu ver, é a mais válida.

A classificação ideológica leva em conta unicamente os princípios filosóficos e ideológicos que norteiam cada uma das posições políticas e partidárias.

Segundo essa classificação, do lado esquerdo do espectro, estão pessoas e partidos que defendem uma maior participação do estado na vida da sociedade e das instituições, regulando as relações entre elas de forma detalhada e minuciosa. São estatizantes. Têm como meta a maior centralização do poder de decisão. Defendem mais a igualdade da coletividade do que a do indivíduo. Buscam a todo custo regular as relações econômicas de mercado.

É na posição da esquerda que se colocam as pessoas, os partidos e os regimes comunistas. Estes não admitem nem permitem que o indivíduo tenha liberdades fundamentais, como de expressão, crença ou ideologia.

Aqueles que são considerados de direita defendem com mais ênfase a diminuição da participação do Estado na sociedade, como forma de reduzir a corrupção, garantir a liberdade individual e promover o desenvolvimento econômico. São privatizantes e favorecem a liberdade de mercado. Colocam o patriotismo, os valores religiosos e culturais tradicionais acima de quaisquer projetos de reforma da sociedade.

Na posição da direita se colocam as pessoas, os partidos e os regimes democráticos liberais, que permitem que o cidadão decida seu destino, exigindo de todos apenas o devido respeito às leis.

Com base no estabelecido no segundo parágrafo deste texto, vejamos com exemplos mais próximos de nós, bem mais fáceis de entendermos, quem está à esquerda e à direita. Enfileiremos em uma linha, sete dos candidatos a presidente da República nas eleições de 2018: Alckmin, Amoêdo, Bolsonaro, Boulos, Daciôlo, Gomes e Haddad.

Em minha modesta opinião, indo do mais à esquerda para o mais à direita, a linha seria assim: Boulos, Haddad, Gomes, Alckmin, Amoêdo, Bolsonaro, e Daciôlo.

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Filmes como remédio

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Ninguém gosta de ser acusado! Imagine alguém dizendo que você é desonesto, mau caráter, violento… Isso incomoda qualquer pessoa. Um dia desses, um idiota me acusou de ser cinéfilo, achando que eu iria me ofender com isso. Amei a acusação, pois cinema é uma das coisas das quais eu mais gosto nesta vida. Penso que jamais poderia ter me tornado um cineasta razoável, se antes não fosse um amante do cinema.

Assisto a quase todos os tipos de filmes, exceção aos de terror, que não me agradam. Deve ser algo com raízes em minha infância. Mas hoje gostaria de comentar com vocês sobre dois filmes, de um tipo diferente de terror, algo bem mais impactante, pois acontece no dia a dia das pessoas, e não é fantasioso.

Estou me referindo a “O Retorno de Ben” e “Cafarnaum”.

“O Retorno de Ben” é uma produção americana, e conta com Julia Roberts no elenco. Nele vemos a luta de uma mãe para ajudar seu filho a superar o vício das drogas.

Montado em recortes temporais, o filme nos vai mostrando os acontecimentos que culminam com um desfecho previsto, mas é nesse frenesi que se desenrola todo esse drama. É um bom filme e precisa ser visto em família, até como remédio didático para pais e filhos.

“O Retorno de Ben” nos mostra uma realidade acachapante, que nos deixa em muitos momentos absolutamente atônitos, pois os fatos nele mostrados acontecem de forma tão natural e corriqueira. Vemos isso acontecer em nossa volta tão frequentemente que nem ligamos, e quando passamos duas horas, na sala escura do cinema, submetidos a encarar essa realidade, nos chocamos enormemente.

O outro filme é “Cafarnaum”, que não é sobre a cidade da Galileia por onde Jesus andou. A palavra cafarnaum, que ao que tudo indica, é de origem latina, significa caos, e o que vemos no filme é realmente um grande caos. Um caos urbano, um caos social, um caos humano.

O filme libanês nos mostra um Líbano que não vimos quando lá estivemos no ano passado. Fiquei tão chocado que por um instante pensei que nem no Brasil tivéssemos tanta miséria!

Se eu fosse seu analista receitaria esses dois filmes como medicação! Todos os pais deveriam levar seus filhos para assistir a esses filmes. Eles são uma aula de realidade.

Assistindo a esses filmes podemos ter a verdadeira noção dos caminhos por onde a vida pode levar as pessoas, e que mesmo em meio ao caos, existe gente de boa qualidade, independentemente de raça, gênero, religião ou poder financeiro.

“Cafarnaum” concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro e perdeu. Perdeu porque teve a infelicidade de concorrer com o excelente “Roma”, do aclamado cineasta mexicano Alfonso Quarón. Perdeu porque ele é de um realismo tão contundente que algumas vezes tive a impressão de não estar assistindo a uma obra de ficção, mas a um primoroso documentário, onde a câmera parece estar sempre colocada no ponto de vista de um privilegiado repórter que nos mostra a trajetória de Zain, um menino de uns 12 anos, que em minha opinião entra para a galeria de personagens heroicos do cinema mundial.

Zain não pula de edifício em edifício, não voa, não é musculoso, não usa máscara, não usa armas sofisticadas. A sua arma é uma incrível coragem e uma inacreditável capacidade de entender a sua vida e a vida das pessoas ao seu redor. A relação de Zain com os super-heróis é tão clara que no meio do filme aparece um senhor com uma fantasia daquilo que ele diz ser o “Homem Barata”, primo do Homem-Aranha, e que imediatamente nos lembra de Stan Lee.

O heroísmo de Zain consiste apenas e tão somente em viver e sobreviver em um lugar tão inóspito, tão cruel e degradante e ainda assim ter uma alma nobre, ser um homem bem formado e de bom caráter no alto de seus 12 anos.

Mais uma vez, nunca é demais, recomendo que pais e filhos assistam a esses preciosos filmes.

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