Sobre a Deputada Erika Hilton e suas bandeiras

Sobre a Deputada Erika Hilton e suas bandeiras

Em parte, sou levado a concordar com o que afirma a Deputada Erika Hilton quando diz que uma mulher não pode ser identificada apenas por ter vagina, útero e ovários. Uma mulher é, de fato, algo que ultrapassa definições simplistas. Ser mulher envolve dimensões biológicas, sociais e culturais que não podem ser reduzidas a uma escolha individual.

No entanto, isso não significa que qualquer indivíduo possa, por vontade própria, redefinir essa condição de forma a exigir que essa definição seja universalmente imposta a todos de forma coercitiva.

Uma pessoa que tenha nascido no sexo masculino, que se identifica como mulher, ou o inverso disso, deve, sim, ser respeitado(a) em sua condição individual, em sua forma de se perceber e de se expressar. O respeito à dignidade pessoal é um princípio fundamental. Contudo, há uma diferença entre respeito individual e imposição de reconhecimento. O direito de alguém se identificar de determinada forma não elimina o direito de terceiros de manterem sua própria compreensão da realidade.

O problema surge quando essa identificação deixa de existir na esfera pessoal e passa a exigir validação compulsória e coercitiva por parte dos demais. Nesse ponto, entra em foco outro princípio igualmente essencial: a liberdade de consciência e de opinião. Obrigar terceiros a aderirem a uma determinada interpretação sobre identidade passa a não ser mais um ato de respeito, algo pessoal e legítimo, e passa a ser impositivo e coercitivo.

Portanto, é necessário sustentar essas duas coisas ao mesmo tempo: o direito de qualquer indivíduo viver conforme sua identidade e o direito dos demais de não serem obrigados a adotar essa mesma interpretação como verdade objetiva. O equilíbrio entre esses dois direitos é o verdadeiro desafio, e ignorar um em favor do outro não resolve o problema, apenas o desloca e o agrava transformando o assunto em ruptura social e institucional que agrada a um dos lados dessa questão muito mais que ao outro, e transforma essa disputa em um eterno duelo político e ideológico alimentando e realimentando esse conflito.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Perfil

“Poeta, contista e cronista, que, quando sobra tempo, também é deputado”. Era essa a maneira como Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel aparecia no expediente da revista cultural Guarnicê, da qual foi o principal artífice. Mais de três décadas depois disso, o não mais, porem eterno parlamentar, ainda sem as sobras do tempo, permanece cronista, contista e poeta, além de cineasta.

Advogado, Joaquim Haickel foi eleito para o parlamento estadual pela primeira vez de 1982, quando foi o mais jovem parlamentar do Brasil. Em seguida, foi eleito deputado federal constituinte e depois voltou a ser deputado estadual até 2011. Entre 2011 e 2014 exerceu o cargo de secretario de esportes do Estado do Maranhão.

Cinema, esportes, culinária, literatura e artes de um modo geral estão entre as predileções de Joaquim Haickel, quando não está na arena política, de onde não se afasta, mesmo que tenha optado por não mais disputar mandato eletivo.

Cinéfilo inveterado, é autor do filme “Pelo Ouvido”, grande sucesso de 2008. Sua paixão pelo cinema fez com desenvolvesse juntamente com um grupo de colaboradores um projeto que visa resgatar e preservar a memória maranhense através do audiovisual.

Enquanto produz e dirigi filmes, Joaquim continua a escrever um livro sobre cinema e psicanálise, que, segundo ele, “se conseguir concluí-lo”, será sua obra definitiva.

Busca

E-mail

No Twitter

Posts recentes

Comentários

Arquivos

Arquivos

Categorias

Mais Blogs

Rolar para cima