
Uma pessoa sentia-se energeticamente enfraquecida, cansada, bocejava o tempo inteiro, mesmo sem sentir sono. Apresentava sintomas daquilo que comumente se chama de mau-olhado ou olho gordo.
Alguns amigos indicaram medidas no sentido de estancar a perda de energia e sanar o problema: um banho com sal grosso, do pescoço para baixo, acender uma vela para São Miguel Arcanjo, o guerreiro de Deus, e um banho com ervas, plantas e pétalas de rosas brancas e amarelas, da cabeça para baixo, para lavar-se e livrar-se de todo mal.
Essa pessoa me perguntou se eu acreditava em tudo aquilo, e lhe respondi que acredito que as energias das pessoas sofrem influência do ambiente, das outras pessoas e, principalmente, de aspectos ligados a cada um de nós mesmos, que, quando em desequilíbrio ou em fragilidade, refletem em nossa performance.
Existe aquele dia em que estamos mais lentos, sem vontade de sair de casa, desejando nos jogar no fundo de uma rede e simplesmente cochilar. Isso acontece com todo mundo. Disse a essa pessoa que esse tipo de coisa é natural e que, de uma forma ou de outra, tudo se resolve.
Fazendo tudo que lhe foi indicado, de certa forma sentiu-se melhor, mas só veio a melhorar de verdade depois que recebeu uma mensagem pelo Instagram, de alguém de quem não tinha notícia há mais de trinta anos, pedindo-lhe cem reais emprestado, pois se encontrava doente e sem emprego.
Assim que leu a mensagem, dois pensamentos vieram-lhe ao mesmo tempo. O primeiro, que sua vida invejável estampada nas redes sociais, cheia de alegria, sucesso e felicidade, poderia estar atraindo energias pesadas de quem a observava com inveja. O segundo, que aquela mensagem poderia ser um desses golpes que ocorrem a todo instante, pois duvidou que alguém conhecido na juventude pudesse estar tão mal financeiramente.
Por um instante sentiu um aperto na garganta e um desconforto que começava no abdômen e subia para o tórax.
Respirou fundo e pensou que ajudar aquela pessoa, fosse ou não golpe, surtiria mais efeito positivo que os banhos, a vela e a reza, no sentido de melhorar seu estado.
Dito e feito. Imediatamente transferiu via pix o dobro do que havia sido pedido. A pessoa então respondeu dizendo que havia um engano, que havia pedido apenas a metade daquele valor. A resposta foi que aquilo não era um empréstimo, mas um presente.
Assim que terminou de teclar a mensagem, sentiu como se saísse de seus ombros um peso enorme, o mesmo peso que vinha carregando desde o início de todo aquele mal-estar. Os rituais talvez tivessem preparado o terreno. Mas foi aquele gesto de empatia e generosidade que verdadeiramente lhe curou.