Um Sonho Possível

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Eu havia acabado de assistir ao filme “Rio, eu te amo”, que, diga-se de passagem, é uma droga de filme, mesmo que tenha sido feito só por gente importante do cinema nacional e internacional, quando me lembrei de um antigo e acalentado projeto semelhante a ele: “São Luís”.

Para ser justo com o filme que acabara de assistir, devo dizer que gostei da sequência em que aparece o ator Harvey Keitel, onde um menino de rua diz pra ele que está esperando, num telefone público, uma ligação de Jesus Cristo.

Mas voltemos a “São Luís”. Tenho um antigo projeto de fazermos um filme no mesmo estilo dos tais “Eu Te Amo”. Um projeto que coloque São Luís como cenário e personagem, que nos propicie contar histórias curtas e interessantes sobre as pessoas, lincando-as com nossa cidade, ambientando-as em seu casario, passeando por suas lendas, usando os personagens marcantes de sua história e de seu cotidiano!

Um filme que seja escrito, dirigido, produzido e atuado por cineastas maranhenses, mas para o qual se convidasse alguns atores de renome nacional e até mesmo internacional, para dar a ele um aspecto e um apelo universal. Usaríamos em sua realização o que existisse de melhor em termos de equipamento cinematográfico e mão de obra técnica, nos igualando ao que de melhor existe em termo de cinema.

Tenho certeza que uma hora dessas esse projeto vai sair do plano onírico e vai se tornar realidade, ainda mais agora que a nossa indústria cinematográfica começa a se estruturar profissionalmente.

Desde já estão convocados para fazerem parte desse projeto, junto comigo, Arturo Saboia, Marcos Ponts, Beto Matuk, Fred Machado, Breno Ferreira, Francisco Colombo, Cícero Filho, Breno Nina, Lucas Sá, Rafaelle Petrini, Mavi Simão, Tiago Tito, Erlanes Duarte, Cassia Melo e mais alguns outros…

Imaginem só se tivéssemos como um dos galhos dessa frondosa árvore cinematográfica, uma história que envolvesse a Marrom, Alcione Nazaré; Uma que fosse ambientada dentro de um dos enredos do grupo Pão com Ovo; Uma outra onde uma fã perseguisse Thaynara OG; Uma que contasse as peripécias de um ex-jogador de futebol famoso, assim como Kleber Pereira; Uma história ambientada num grupo de arte popular, de bumba meu boi ou tambor de crioula; Uma que narrasse a vida pacata de um funcionário público; Uma onde um preto velho contasse histórias de assombração para dois menininhos numa das escadarias do centro histórico; Uma história ambientada no Bar do Nelson ou no Bar do Léo; Uma que falasse de um poeta que vivesse enfurnado dentro de um sebo, como a Poeme Se Livraria; Uma que abordasse as armações de um político safado e trapalhão; e ainda uma história que contasse um belo caso de amor…

Seriam umas 15 histórias de no máximo 8 minutos para que o filme não ficasse longo demais. Essas histórias poderiam ser contadas encadeadas em um travelling pela cidade, um passeio por nossas ruas.

Tenho certeza que temos condição de fazer um grande filme! E é fácil comprovar isso. Para tanto basta citar alguns filmes já realizados ou alguns projetos pré-produzidos dos cineastas citados acima: Acalanto, de Arturo; Infernos, de Fred; Nua por dentro do Couro, de Lucas; Macapá, de Marcos; Reverso, de Colombo; e até mesmo, Pelo Ouvido, desse locutor que vos fala, só para citar alguns dos filmes e dos cineastas aqui relacionados.

Tenho certeza que sob o comando produtivo de Petrini, Mavi, Matuk, Cassia e Tiago, essa turma iria criar um belíssimo filme no qual se pudesse mostrar São Luís e nossa arte para o mundo.

Podem me chamar de sonhador maluco, mas de mais longe nós já viemos, Agora o cinema maranhense já existe, tem força e qualidade.

Como já disse, tenho certeza que um dia não muito distante esse projeto vai sair do âmbito dos sonhos e se transformará em realidade.

 

PS: Parabéns a todos que participaram do edital SECTUR/ANCINE de cinema e principalmente aos que foram selecionados. Obrigado aos promotores desse edital, pelo apoio dado ao cinema maranhense.

 

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Sobre o Projeto Arte Maranhão

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Foi lançada oficialmente ontem, às 19 horas, na Galeria Trapiche, a primeira etapa do Projeto Arte Maranhão, que consiste na realização de 39 documentários em média metragem sobre alguns dos mais importantes artistas plásticos de nossa terra.

Esse projeto foi idealizado pelo Museu da Memória Audiovisual do Maranhão (MAVAM), no sentido de registrar e divulgar o rico material humano e artístico que temos no panorama das artes plásticas maranhenses, preservando para o conhecimento de quem ainda desconhece e para que aqueles que virão amanhã possam conhecer a vida e a obra destes ícones de nossa cultura, neste setor.

O MAVAM tem como objetivo a salvaguarda da memória artística e cultural do Maranhão.  Nesse sentido o projeto Arte Maranhão dá continuidade ao trabalho que nós estamos realizando há mais de cinco anos, que é o de valorizar e registrar a história, os saberes, os fazeres, o pensamento e as ações criativas de nossos artistas, de personagens importantes e marcantes de nossa história.

Com a colaboração das empresas e das pessoas que gravitam em torno do Polo de Cinema Ficcional, Documental e de Animação do Maranhão, desenvolvemos projetos como este, voltado para o resgate e a preservação das histórias que engrandeçam a cultura e as artes em nosso estado.

Dirigidos por Beto Matuck e produzidos por este locutor que vos fala, os filmes constantes deste projeto irão ajudar leigos, interessados e pesquisadores das artes plásticas maranhenses em sua busca pelo trabalho de nossos artistas.

“É um panorama vivo da arte visual do Maranhão. Um perfil desses artistas, a partir das experiências e depoimentos vividos em seus ateliês e pelas cidades onde vivem”, afirma o cineasta Beto Matuck.

Nessa primeira etapa realizamos 13 filmes sobre os seguintes artistas e suas obras: Airton Marinho, Ciro Falcão, Cláudio Costa, Dila, Fernando Mendonça, Jesus Santos, João Atanásio, Marçal Athayde, Marlene Barros, Mondego, Paulo Cesar, Péricles Rocha e Thiago Martins. Eu os relaciono assim, em ordem alfabética, pois para nós não importa um enfoque valorativo sobre nenhum dos artistas ou sobre suas obras. Eles são vistos por nosso projeto como partes de um todo, que são as nossas maravilhosas artes plásticas.

Nas etapas seguintes deste projeto enfocaremos mais 26 artistas, como Floriano Teixeira, Celso António, Fernando P., Maia Ramos, entre outros.

Quem não teve a oportunidade de ir ao lançamento do projeto, pode acessar o site www.maranhao.art.br ou assistir ao teaser dele no YouTube www.youtube.com/watch?v=xCs88HqtWz0

Esse projeto vem sendo realizado graças à lei estadual de incentivo à cultura e com o patrocínio da Cemar, da Fribal e do Mateus.

 

 

PS: O MAVAM, Museu da Memória Audiovisual do Maranhão, desenvolve outros projetos de captação, catalogação, restauro, preservação, exibição e disponibilização de material audiovisual referente à arte, a cultura, ao esporte, à vida social e política do Maranhão e de sua gente. Visite Facebook do MAVAM: www.facebook.com/mavam2016 e procure o canal TV.MAVAM, no YouTube.

 

 

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A Lista de Jerry

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Li em alguns blogs que o secretário Marcio Jerry fez uma lista onde constam os nomes dos candidatos a prefeito de São Luís que serão apoiados informalmente pelo governo, uma vez que o governador já se manifestou dizendo que nem ele, nem a máquina do Estado, irão participar das eleições municipais, atitude que eu reputo muito correta e salutar, e que se de fato isso acontecer, se consubstanciará como uma das tais mudanças de postura apregoada por ele.

Mas eu fico me perguntando quais seriam os motivos pelo qual, no sofisma de neutralidade, dentro do seu grupo, meu bom amigo Marcio Jerry não incluiu a candidatura de Wellington como sendo da base Dinista, uma vez que ele é deputado eleito em coligação ligada ao governo!

Digo isso porque todo mundo sabe que mais desconfortável que o caso de Wellington, há uma candidatura ainda menos apoiada pelo governo, a de Eliziane, e mesmo assim o Marcio Jerry a incluiu como da base governista.

Existe algo na lógica comunista que eu não consigo entender. Não seria mais sábio incluir todos que não sejam adversários formais do governo como sendo seus candidatos!? Pelo menos pareceria mais lógico e coerente.

Prova disso foi o esquecimento do nome de Braide na primeira lista de candidatos, o que demonstra que essa lista não é lá muito verdadeira, nos dando a impressão de que o candidato do governo, mesmo, de verdade, seja só o atual prefeito!

É como se o governo estivesse escolhendo um adversário a dedo. Alguém pra chamar de seu… “Inimigo”… E escolheram logo o professor Wellington pra palito. Logo um político não convencional, alguém de fora do ramo, um iniciante na política, alguém ainda com poucos vícios, não acostumado com os jogos dessa atividade.

Mais adiante Marcio Jerry diz no Twitter que não relacionou Wellington na sua lista de candidatos apoiados pelo governo, em respeito a sua independência. Ora, isso significa que os outros candidatos relacionados não tem independência, são dependentes das decisões do Governo!?

Se a vontade popular de mudança for verdadeira, como eu acredito que é, a estratégia de Marcio Jerry, do PC do B e do governo, de isolar o candidato Wellington, taxando-o de adversário, é totalmente equivocada, pois ele seria a mudança viável para uma mudança que muita gente acha que não deu certo!

Mas como não poderia deixar de ser, há também algo de muito inteligente nessa estratégia traçada pelo experiente e calejado presidente do PC do B e secretário de assuntos políticos, Marcio Jerry: Se o governo apoia quatro candidatos e dois deles são os melhores nas pesquisas de opinião, é porque o governo deve estar com tudo! Quando se joga com muitas possibilidades, pode se dizer no final que se ganhou! O governo acha que o prefeito de São Luís será Edivaldo ou Eliziane e quer que qualquer um dos dois seja seu, pois o sucesso na eleição de 2018 passa necessariamente pela vitória na de 2016.

PS: Vão já inventar que o Wellington é Sarneysista!

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Os quadros das mudanças

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Os quadros que surgiram entre meados das décadas de 1960 e de 1980, ou seja, o grupo de colaboradores que tiveram Sarney, Pedro Neiva, Nunes Freire, Castelo e Luiz Rocha, tornaram-se importantes personagens da história administrativa e política de nosso Estado. Transformaram-se na mão de obra que avançaria na administração pública até meados dos anos 2000.

Agora, em meados da década de 2010, abre-se a oportunidade de uma nova geração repetir e quem sabe, superar o feito daquela geração de 50 anos atrás.

Se naquela época como governador tínhamos José Sarney, hoje temos Flávio Dino. Se os compararmos, em uma abstração temporal, poderíamos dizer que se equiparam, se bem que Sarney assumiu o governo com menos idade que Dino. Em 1966 Sarney tinha 36 anos e Dino nasceu em 1968, no meio do governo de Sarney. Dino assumiu o governo em 2015, com 47 anos de idade, 11 a mais que Sarney tinha na sua época e, portanto, com 10 anos a mais de experiência de vida e de trabalho acumulado, tendo sido juiz federal por quase 15 anos.

Se compararmos os currículos dos dois, antes de se tornarem governadores, veremos que ambos foram funcionários da Justiça e deputados federais, mas Dino, devido ter mais idade e experiência que Sarney, em tese, estaria mais bem preparado para o desafio de governar o nosso Estado.

Enquanto Sarney desbancaria o vitorinismo que controlava o Maranhão desde a década de 1930, Dino desbancaria o sarneysismo que se estabeleceu no Maranhão a partir de 1966 e que em certas ocasiões, entrou e saiu de cena, com mais ou menos força e intensidade nestes 50 anos.

No tempo de Sarney, ele tinha Alberto Tavares, Eliezer Moreira, Joaquim Itapary, José Reinaldo Tavares, João Alberto (que era tido como comunista), Cabral Marques, Lourenço Vieira da Silva, Haroldo Tavares, Carlos Madeira, Edson Vidigal, Cesar Cals, Bandeira Tribuzi, Vicente Fialho e Reginaldo Teles, dentre tantos outros importantes nomes de nosso Estado e de nosso país.

Analisando os nomes citados descobrimos que alguns chegaram a ocupar cargos de ministros do STF e STJ, de ministros de Estado, diretores de grandes autarquias federais, de senadores, deputados federais, além de serem homens de letras e humanistas.

O que vemos hoje é um grupo, talvez não tão jovem quanto o de 67, mas que tem a mesma missão. A de mudar o Maranhão.

Quadros nem sempre com pouca experiência como é o caso de Marcelo Tavares, Márcio Jerry, Carlos Brandão e Humberto Coutinho, que já militam na política faz bastante tempo e acumularam experiências importantes em suas vidas.

E outros como Ted Lago, Felipe Camarão, Carlos Lula, Marcellus Ribeiro Alves, Diego Galdino, Rodrigo Lago, além de Marcos Braide, Diogo Diniz Lima e Lula Fylho, esses três últimos, oferecendo sua importante força de trabalho à prefeitura de São Luís.

Escrevo este texto não para comparar Sarney com Dino ou seus respectivos staffs. Aludo esse assunto para comprovar que ambos os grupos buscaram antes e buscam agora a implementação de mudanças transformadoras das realidades que encontraram e com as quais, em tempos diferentes, discordavam.

Comprovo que em 2015, assim como em 1967, a tarefa delegada àqueles, como também a estes jovens, foi e é imensa. Acredito que, como aconteceu antes, acontecerão agora as mesmas transformações que foram tão benéficas ao nosso Estado e ao nosso povo.

Abstraindo preferências ideológicas, partidárias e políticas, sem maniqueísmo nem sectarismo, vejo nas atribuições destes jovens, hoje, uma possibilidade muito maior de sucesso que 50 anos atrás, mesmo que seja obrigado a reconhecer que o passado já foi provado, gostemos dele ou não, e que o presente ainda está por se provar.

De tudo isso, uma coisa é muito clara para mim: 50 anos sem uma renovação política efetiva é realmente tempo demais para, de uma forma ou de outra, não acabarmos desaguando em alguns erros de avaliação e de percurso.

É sabido que a preservação do poder por um tempo prolongado demais causa sérios problemas no exercício deste mesmo poder, o que requer uma constante reciclagem de lideranças e de métodos de atuação.

A não observância das leis básicas da boa política causa mudanças nem sempre suaves ou facilmente absorvíveis. As leis básicas da boa política valem para todos, em todos os tempos e em todas as situações!

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Afinal de contas, o que é ser regular!?

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Depois da grande repercussão da pesquisa da Escutec sobre a aprovação do atual governo, em relação aos cidadãos de São Luís, resolvi recorrer ao Google para termos uma real noção do que significa a palavra regular, usada por 45% dos pesquisados em relação à performance do governo Flávio Dino.

Abaixo os Links acessados e trechos das postagens:

 

No caso abaixo observe o que diz o item 2.

http://www.lexico.pt/regular/

regular

Significado de Regular

adj. m+f.
1. segundo as regras, legal: uma situação regular
2. mediano, entre os dois extremos: estatura regular
3. harmonioso, belo: traços regulares
4. que é constante: um ritmo regular
5. que se repete a intervalos iguais: viagens regulares

 

http://www.dicionarioinformal.com.br/sinonimos/regular/2/

Regular

Significado de Regular Por Vinícius (SP) em 02-11-2009

Mais ou menos, nem muito nem pouco

Aquele lanche está regular, ou seja, aquele lanche não está bom nem ruim

 

No caso abaixo veja com atenção os significados constantes do item 3, quando a palavra regular é vista no sentido de razoável.

 http://www.sinonimos.com.br/regular/

Sinônimo de regular

112 sinônimos de regular para 10 sentidos da palavra regular:

 

Conforme as regras:

legítimolícitolegal.

Frequente:

frequentecotidianoassíduoordinário,comumusualcontinuadocontínuoconstante, permanentehabitualnormalperiódico, corrente.

Razoável:

passávelintermediáriosatisfatóriomeio,aceitávelmédiomodestosuficienterazoável, medianomedíocremeão.

Bem-proporcionado:

uniformeestávelequilibradosimétrico,proporcionalharmônicoharmonioso, proporcionado.

Exato:

sistemáticoexatopontualpreciso,responsávelordenadometódicofiel.

Regulamentar:

estatuirnortearguiarregulamentarregrar,formularencaminharinstituirestabelecer, regularizarcontrolardecretarorientar,determinarprescreverdirigirconduzir,governar,presidir, comandar.

Moderar:

dominarcontrolarcomedirpoliciar,estreitarrestringirrefrearlimitarreduzir,reprimirdiminuir, contermoderar.

Acertar:

comporajustarconcertarpautarapropriar,adaptaradequarrepararestabelecergraduar, endireitarregularizaracomodardosarprecisar, moldaramoldararrumaracertar.

Orçar:

suputaresmarcontarorçarcalcularavaliar,examinaraferirvalerimportarinteressar, montarponderar.

Funcionar:

10 trabalharfuncionar.

 

Querer que regular seja alguma coisa diferente das elencadas acima, é querer forçar a natureza das coisas, a lógica e a língua mãe.

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Lembrei de Lister Caldas!

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Tenho recebido muitas cobranças de amigos e de leitores que desejam que eu aborde temas políticos, coisa que tenho procurado não fazer ultimamente, mas vou tentar reproduzir abaixo algumas ideias contidas numa conversa que tive com um desses amigos.

Desde quando Flavio Dino assumiu o governo do Maranhão instalou-se uma permanente batalha midiática, onde de um lado, seus partidários propagam as ideias de mudança e de outro, seus adversários tentam desconstruir esse discurso no afã de mostrar que tudo está hoje, igual ou pior que antes.

O Maranhão vive uma luta renhida, eivada de sectarismo, maniqueísmo, cinismo e hipocrisia. Se alguém apoia Flavio Dino, é comunista ou foi comprado. Se alguém se opõe a Flávio Dino, é fascista ou uma viúva da oligarquia.

Enquanto isso Flavio Dino passa a ser o único parâmetro e o principal referencial da política do Maranhão, da mesma forma que Zé Sarney o foi durante 50 anos. Digam se nisso mudou alguma coisa!?

Mudou sim! Nisso não!

Mudou, pois o grupo Sarney não foi feito pra viver na oposição, pra operar fora do poder. Enquanto isso, seus adversários, pelo contrário, não foram talhados para ter o poder nas mãos. Mas é bom que se diga que eles aprendem rápido!

Vejam a disputa para prefeitura de São Luís! Ela é a maior prova de que o grupo Sarney não tem capacidade de se agrupar na adversidade, que ele só consegue funcionar no controle do poder, tanto do poder estatal quanto do poder moral resultante dele.

Enquanto o grupo de Dino faz de tudo para melhorar as chances de seu candidato ganhar a eleição em São Luís, o grupo Sarney era para estar também totalmente engajado nessa disputa, seguindo fervorosamente os ensinamentos de quem entende corretamente os mecanismos da política, fortalecendo a candidatura de quem se opõe ao seu adversário.

Disse um sábio, muito tempo atrás, “o amigo de meu inimigo é meu inimigo. O amigo do meu amigo, bem que poderia ser também meu amigo”. Ocorre que esse grupo Sarney aí, não segue essa lógica, até porque está totalmente sem comando.

Algum tempo atrás, algumas pessoas imaginaram que poderiam substituir Zé Sarney. Ledo engano! Aos 86 anos e covardemente atacado por uma pessoa que ele tinha como amigo, em pouco ou em nada ele pode ajudar neste momento.

Mas a política percorre caminhos estranhos. São Luís, desde tempos imemoriáveis, é tida como a “Ilha Rebelde” e essa seria a oportunidade perfeita para tal teoria ficar indubitavelmente comprovada.

Um grupo que jamais ganhou uma eleição para prefeito de São Luís, postado na oposição, poderia vencer essa disputa. Se! Vejam bem! Se, tomasse as decisões acertadas.

Se isso acontecesse, minha tese se mostraria mais uma vez correta, pois os lados estariam invertidos, mas a mecânica da política prevaleceria, dando a vitória para a oposição, que agora contaria com o grupo Sarney em suas fileiras.

Caso aconteça a derrota da oposição em São Luís, ela será o prenúncio de outras derrotas que virão em seguida, na esteira das eleições subsequentes. Se não acontecer a derrota da oposição em São Luís em 2016, é possível que outras vitórias sobrevenham.

Volto a insistir. Pode ter mudado o nome do coronel, pode até ter mudado a patente do comandante, mas a forma de agir na política não muda. A mecânica da política é mais forte que a mecânica da ideologia.

Podem até os mais românticos imaginarem que estão fazendo diferente. Eles podem até, em alguns aspectos, estarem realmente tentando fazer diferente e quem sabe em algumas circunstâncias estejam fazendo diferente realmente, mas as práticas da política são mais fortes e se impõem de forma indelével.

Quem viver verá!

 

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A Tocha

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Outro dia, assistindo ao Jornal Nacional, me peguei sonhando em ser um dos escolhidos para carregar a Tocha Olímpica em sua passagem por São Luís.

Imaginei aquele menininho que era levado pelo pai para ver os jogos do Moto no velho Estádio Santa Isabel, ou que ganhara do tio Samuel as flámulas dos times de futebol de salão dos anos 1950: Cometas, Drible, Saturno, Riachuelo…

Depois minha imaginação me levou ao Jaguarema e ao Lítero, para as tardes e noites esportivas, nas terças e quintas. Para as primeiras aulas de basquete com Sergio, Gafanhoto e Paulão. Mais tarde, para os animados jogos de tênis com Cléon, Ratinho, Jaime, Mario Filho, Alexandre, Maia Ramos, Heraldo Guimarães…

Ao mesmo tempo em que eu pensava nisso, minha autocrítica dizia pra mim que só isso jamais me faria merecedor de tal honraria. Então resolvi turbinar meus motivos, afinal eu tinha sido um bom jogador de basquete, seleção maranhense… Joguei tênis razoavelmente, venci diversos torneios, fui um grande duplista de meu tempo… Isso tudo ainda me parecia muito pouco para toda aquela honra.

Apelei! Desferi um golpe abaixo da linha da cintura nos argumentos que se opunham ao fato de eu desejar carregar a tocha. Eu havia sido o autor da lei de incentivo à cultura e ao esporte. Lei que é a responsável pelo grande e excelente desempenho desses setores em nosso estado, principalmente no esporte, o que propiciou a construção de diversas praças esportivas, a realização de grandes eventos locais e nacionais, a conquista de diversos títulos para nosso esporte, inclusive o de campeão da Liga Nacional de Basquete Feminino pelo Sampaio.

Sempre me orgulhei muito de ter desenvolvido o bom senso como forma de me posicionar em relação ao mundo, e ele, meu bom senso, naquele momento, deu um tapa, de mão aberta, na minha cara.

Em meio aqueles pensamentos, como um balde de água fria, raciocinei a seguinte coisa. Quais seriam os convidados para carregar a Tocha em nossa cidade? Imaginei que deveriam ser pessoas importantes para o esporte, pessoas de relevância na comunidade. Comecei imediatamente a fazer uma lista daquelas pessoas que eu imaginava tivessem muito mais legitimidade que eu em ter aquele privilégio.

O professor Dimas, pioneiro no ensino de modalidades esportivas em nosso estado; Claudio Alemão, um dos nossos primeiros dirigentes esportivos, responsável pela primeira geração de grandes atletas de nossa terra; Manoel Martins, pesquisador e historiador do futebol; Alfredo Menezes, jornalista esportivo; Jota Alves, radialista e incentivador do esporte; Hamilton ou Juca Baleia, representando os jogadores de futebol; professor Mangueirão, responsável pelo esporte paraolímpico em nossa terra; professor Mesquita, a alma do JEMs; professor Eduardo Teles, representando os abnegados treinadores de nossa terra; os atletas olímpicos que representaram o Maranhão em outros jogos, Tania, Ana Paula, Silvia, Joelma, Codó, China, entre outros.

Passou o nome de tanta gente boa e mais merecedora que eu pela minha cabeça! Uma infinidade de professores e atletas, uma enorme quantidade de dirigentes esportivos e educacionais, personalidades importantes na cidade, como dr. Generoso, diretor do Hospital do Câncer…

De repente me lembrei daqueles dirigentes esportivos comunitários que não saiam da Sedel, pleiteando material, transporte, e apoios de um modo geral para desenvolverem o esporte em suas comunidades. Todos mereciam muito mais do que eu aquela honraria.

Lembrei-me também da equipe de deficientes visuais do futebol de salão, que sem enxergar, chutavam uma bola com muito mais garra que eu. Depois disso caí na realidade e me conformei em não ter sido convidado para carregar a Tocha Olímpica. Foi ai que a desilusão de não realizar aquele sonho deu lugar a uma grande satisfação proveniente da constatação da grandeza de nosso esporte e das queridas pessoas que construíram e constroem a sua história.

Sinto-me plenamente representado por elas, mesmo que elas também não tenham sido convidadas para carregar a Tocha Olímpica, em sua passagem por São Luís!

 

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A Hora e a Vez!…

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É chegada a hora e a vez do deputado, e agora novamente ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, eleito pelo voto popular pela primeira vez em 1978, portanto há quase 40 anos trilhando os caminhos da política, assumir definitivamente o comando de seu grupo.

Ele tem tudo para isso! É experiente, culto, bom orador, bem articulado, bem relacionado, respeitado por todos, inclusive por seus adversários, que sempre o tiveram em um bom conceito.

Zequinha, como ele é chamado pelos mais íntimos, é correto cumpridor de seus acordos, simpático e elegante no trato da vida social e na política, sempre desenvolveu a atividade parlamentar de forma um tanto independente do posicionamento de seu pai, tanto, que por diversas vezes ficaram em campos legislativos opostos.

É lógico que a nomeação dele para o ministério do presidente em exercício, Michel Temer, é ainda reflexo do poder e da influência que Zé Sarney mantém, principalmente dentro do PMDB, mas também no cenário político nacional. No entanto, só o prestígio de Sarney não seria suficiênte para emplacar alguém em um ministério. O indicado precisaria ter nome capaz de valorizar a indicação e suportar as pressões que advêm dela.

Sarney Filho desenvolveu em sua passagem pelo Ministério do Meio Ambiente, durante o segundo governo de Fernando Henrique, entre 1999 e 2002, um excelente trabalho, elogiado por diversos ambientalistas. Nos útimos anos aprofundou seu conhecimento no setor, transformando-se em referência na política nacional sobre o tema.

Na política doméstica, aqui na paróquia, se manteve discreto, desenvolvendo seu trabalho parlamentar, sempre em estreito contato com os prefeitos, vereadores e correligionários que o apoiam.

Pelo menos uma vez ele teve prestes a ser candidato a governador de nosso estado, mas foi cogitado também em outras ocasiões. O certo é que nunca foi candidato ao governo, mas sempre se elegeu deputado com extrema facilidade, tendo sido inclusive o deputado mais votado dentre todos.

É muito dificil que os mecanismos da política permitam o protagonismo de duas pessoas da mesma famíla, por isso, a ascenção de Roseana à condição de governadora do Maranhão, cargo que ocupou por 14 anos, colocou Zequinha, de certa forma, na penumbra do poder.

Mas ele, muito cedo, adquiriu a capacidade de voar com suas próprias asas, o que fez com que consolidasse em torno de si um nicho de representantes importantes de seu grupo político, e desenvolveu com os demais um relacionamento afável, respeitoso e confiável, o que agora lhe dá a possibilidade de reclamar para si o comando de todo o seu grupo, uma vez que seu pai, Zé Sarney, já ultrapassou a barreira dos 86 anos e que sua irmã, Roseana, já afirmou, reinteiradas vezes, que não mais deseja participar da vida eleitoral do Maranhão, tanto que jogou fora, em 2014, uma eleição ganha para o Senado. Sarney Filho poderá agora ser a amálgama que unirá as forças políticas que gravitam em torno de si.

Tenho vívidas lembranças de fatos que o ligam a dois políticos bem diferentes entre si. O primeiro foi o então deputado estadual Haroldo Saboia, que saindo de uma noitada de boa comida para mim e de boa bebida para ele e para outros parlamentares, no extinto restaurante La Boheme, de Tália Rola e Teresa Martins, me disse um tanto alto: “Brigo com o Sarney Filho, mas sei que ele é o que de há melhor na famíla Sarney… Acontece que ele jamais será governador do Maranhão…”

O outro político que comentou sobre ele foi meu pai, Nagib Haickel, num dia em que estávamos só nós dois, voltando para casa, ele como sempre, dirigindo seu Chevetinho: “Meu filho, eu sei que Fernando é verdadeiramente teu amigo, que ele gosta de ti e demonstra isso, mas o melhor deles, em termos de política, é Sarney Filho!…” Meu pai me disse isso poucos dias antes de morrer, em setembro de 1993, a propósito de especulações sobre quem da família Sarney seria candidato a governador do Maranhão.

Por tudo isso, porque as circunstâncias o beneficiam e porque o seu grupo precisa realmente se reciclar, passar por uma profunda faxina e uma importante reforma, adaptando-se verdadeirmente às novas formas de fazer política, é que eu acredito que seja a hora e a vez de Sarney Filho liderá-lo.

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Mais do Mesmo

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O processo de impeachment é de natureza eminentemente política, tendo, no entanto, obrigatoriamente, que se basear em lastro jurídico.

Por causa da natureza ambígua de seu objeto fático, algo proveniente de mera manifestação da vontade política, com pressuposto regramento legal, fica complicado definirmos o que configura, sem que sobreviva a menor dúvida, um crime de responsabilidade, capaz de levar um presidente da Republica a perder o mandato que lhe foi outorgado pelo povo, nas urnas.

Que fique bem claro que uma coisa é a eleição que coloca o governante no poder, outra coisa é a destituição deste governante por cometimento de irregularidade suficiente para tanto. As duas coisas podem coexistir e coexistem em nossa Constituição, sem que nenhuma supere a outra em legalidade.

Se no Direito Penal a dúvida deve ser contabilizada em favor do réu, no caso do processo de impedimento de um agente público, essa lógica deve ser invertida, pois desses agentes esperamos a mais completa correção e a indispensável lisura no trato da coisa pública. Logo, a instauração de um processo dessa natureza deve ser acatada, a menos que não haja o menor indício para tanto.

O que parece cristalino para mim é turvo e opaco para outras pessoas. Observados através de filtros ideológicos, políticos e partidários, coisas que para uns são tão nitidamente aceitáveis do ponto de vista jurídico e legal, para outros são absurdos que subvertem o estado de direito, abalam os alicerces da República e comprometem a democracia.

Quem está certo!? A resposta a essa pergunta resultará consequentemente na constatação do erro de alguém!?

Em meio a tudo isso, sentimentos abomináveis afloram. Intolerância, sectarismo, maniqueísmo, preconceitos de diversos matizes, autoritarismo, cinismo, hipocrisia…

Aprendi muito cedo que se deve sempre conversar, dialogar, debater, discutir… Todas essas gradações crescentes da função parlamentar que tanto prezo. Vejam que não usei os verbos insultar, cuspir, agredir ou brigar!

Digo isso para comentar a horrível sessão do plenário da Câmara dos Deputados que aprovou a continuidade do processo de impeachment e seu envio ao Senado Federal. Foi uma das cenas mais constrangedoras que eu já presenciei e confesso que ela quase faz perder o brilho de ver a lei sendo cumprida.

Quanto ao processo político em si, acredito que tenha ficado claro para muita gente, da mesma forma que ficou para mim, o fato de os apoiadores da presidente Dilma Rousseff terem construído em “benefício” dela, uma defesa utópica, baseada por um lado, na vitimização do réu, e por outro, na utilização midiática dessa bandeira, o tal do “golpe”! Bandeira essa que foi desfraldada inicialmente na intenção de garantir o apoio da militância em torno de uma causa praticamente indefensável.

A alegação de que a imprensa mobilizou-se, orquestradamente, de comum acordo com a oposição, era apenas mais um capítulo da novela cujo enredo apresentava a tese recorrente de golpe geral, onde todos que se posicionavam contra os interesses do governo, eram e são golpistas, fascistas, e estavam lutando para reverter as conquistas sociais que os governos do PT implementaram em nosso país. Com isso usavam o medo como arma de convencimento, como já haviam feito antes, na época da eleição.

Dilma e seus correligionários usaram dois tipos de argumentos em sua defesa: A negação da existência de crime de responsabilidade e a alegação de que outros agentes públicos cometeram as mesmas irregularidades elencadas na ação pelos denunciantes.

Foram de certa forma, infantis. Era como se dissessem algo do tipo: “Papai, faz um tempo, peguei um dinheiro em sua carteira, mas ontem recoloquei no lugar!”, e “Mamãe, eu bati no meu coleguinha hoje, mas fulano também bateu!”.

Isso tudo, pouco importa agora. O que realmente importa é que o novo governo possa agir no sentido de recuperar a economia de nosso país, possa trabalhar para gerar empregos e fazer retornar a credibilidade do Brasil a patamares aceitáveis no contexto das nações.

 

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Menos Três!

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Na semana passada experimentei uma sensação deveras angustiante. É que ocorreu o falecimento de três homens ligados à minha família, um por laço sanguíneo e os outros dois por fortes laços fraternais.

Trata-se de Reynaldo Aragão Pinto, meu tio, irmão de minha mãe; Alvimar de Oliveira Braúna, amigo dos mais amados por toda nossa família; e Lauro Berredo Martins, amigo de meus pais que nós aprendemos a admirar por sua impecável personalidade.

Dos três, aquele com quem eu tive menos proximidade foi com o desembargador Lauro, mas o fato de não convivermos proximamente não invalidou a admiração que aprendi a ter por esse cavalheiro, no modo de portar-se, e por esse cidadão de postura republicana exemplar, que tendo sido grande amigo de um dos maiores amigos que meu pai teve, Newton Bello Filho, mereceu a transferência dessa amizade para toda nossa família.

Ainda sobre Lauro Berredo prevalece o conceito que minhas queridas amigas Ceres Murad e Elizabeth Rodrigues tinham de seu tio Lauro, incentivador de seus sonhos e de seus voos culturais pelo mundo encantado do conhecimento.

Outro falecimento que abalou nossa família na semana que passou foi o de meu tio Reynaldo. Um tio que se não era efetivamente presente em nossas vidas, pois a vida às vezes nos leva por caminhos distantes, era um tio com quem invariavelmente nos encontrávamos nas recorrentes festas de família, aniversários, casamentos, batizados… O ruim é que depois de passado algum tempo as famílias começam a se encontrar mais recorrentemente em velórios.

Tio Reynaldo era aquele tio que fascinava por seus olhos incrivelmente azuis, herdados de seus avós de ascendência portuguesa e por sua constante alegria. Rey, como meu avô Pinto chamava o filho que trabalhava com ele, primeiro na Ideal, depois no Pap’s Lanches, situado no andar térreo do Grêmio 1º de Janeiro, ali na Praça João Lisboa, era empresário do setor de alimentação e entretenimento, tendo sido proprietário da famosa boate Tijupá, do restaurante Panela de Barro e diretor do clube social do Banco da Amazônia.

Quase todas as recordações que tenho de tio Rey me vêm sempre acompanhadas da presença espirituosa e irônica de vovô Pinto, o que pra mim é uma maravilhosa reminiscência.

Por fim perdemos Braúna. Tio Braúna, como desde criança fomos ensinados a chamar Alvimar. Um grande e querido amigo… Um verdadeiro irmão para meu pai, cunhado para minha mãe…

Alvimar Braúna sempre foi reconhecidamente um homem bom, um benemérito dos menos favorecidos, um pai para os pobres que o procuravam em busca de alguma ajuda.

A presença de centenas de pessoas humildes no velório de Braúna me fez ter a certeza da grande quantidade de órfãos que ele deixou, alguns deles bem mais velhos que ele próprio.

Depois da morte de nosso pai, eu e meu irmão Nagib, sempre que tínhamos que tomar uma decisão importante, nos aconselhávamos com tio Braúna. Agora nos encontramos mais sós. Perdemos um homem que na ausência de nosso pai era um parâmetro em nossas vidas.

Estamos mais pobres, mais tristes, mais sozinhos… Em uma única semana foram-se três importantes referenciais…

Que todos nós, que de alguma forma dependíamos destes bons homens, possamos, não os esquecendo jamais, trilhar os caminhos de seus ensinamentos e exemplos.

 

PS: Enquanto redigia esse texto, na quinta-feira, 5, fui informado que nosso bom amigo Fernando Lameiras falecerá no dia anterior, vitima de complicações derivadas do diabetes.

O mundo tá ficando pequeno!

 

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