Inércia; Dinâmica; Ação e Reação.

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O texto abaixo foi escrito em março de 2014. Na época, apesar de sabê-lo oportuno, resolvi guardá-lo. Relendo-o na semana passada, vi que o texto continua atual e resolvi publicá-lo. Espero que apreciem!

Alguém poderia imaginar que a física em nada influa na política. Pensando assim incorreria em grave erro. A física está intimamente ligada a tudo o que existe, até mesmo à política.

As primeiras noções desta ciência, como de certa forma quase tudo o que existe, nasceram na Grécia antiga, nos tempos dos grandes mestres da filosofia.

Nunca é demais falar sobre filosofia. Ela é o estudo das questões relacionadas à existência do universo, da natureza e do homem. A tradução literal do grego antigo da palavra filosofia é amor à sabedoria. Ela dedica-se ao conhecimento de forma geral, à verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem.

Existem algumas leis da física que pouca gente imagina que possam estar intimamente ligadas às práticas cotidianas da política, bem como em quase tudo na vida.

Dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço, assim como um político não pode ocupar o mesmo mandato de outro. Para que isso aconteça tem que haver um intervalo de pelo menos quatro anos. Aí entra outro fator importante nessa equação, o tempo.

Descobri cedo que tanto quanto Maquiavel, Newton é um dos grandes postuladores da ciência política. Senão vejamos! Newton observou três fatos que transformou em leis fundamentais da física. Estas passam despercebidas, mas são usadas comumente na política.

1) “Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças aplicadas sobre ele”; 2) “A mudança de movimento é proporcional à força motora imprimida, e é produzida na direção de linha reta na qual aquela força é imprimida”; 3) “A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade: ou as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em sentidos opostos”.

Popularmente conhecidas como lei da inércia, lei fundamental da dinâmica e lei da ação e reação, poderiam muito bem se chamar lei do político inapetente, lei da força de oposição e lei das circunstâncias e consequências.

Um político não pode ficar estático, apático. Já dizia Neném Prancha, “quem pede recebe, quem se desloca tem preferência”. Um samba famoso diz que “Camarão que dorme a onda leva”. Essas são alusões à primeira lei de Newton: Político bom é político que está sempre se movimentando, aberto ao diálogo, vivendo e bem convivendo com o antagonismo e defendendo suas posições abertamente, sem subterfúgios.

Como resultado direto de sua primeira lei, Newton formula a segunda, ela depende de uma força opositiva específica que faça o corpo, no nosso caso, o político se movimentar. Ruim é quando se avisa e ninguém ouve. O dito popular estabelece que “quem avisa amigo é”, mas por essas bandas parece que o bom é ser surdo.

No caso da terceira lei, também diretamente ligada às duas anteriores, ela é muito mais clara e facilmente ilustrativa. Ditado popular aparentemente violento exemplifica bem este caso: “quem com ferro fere, com ferro será ferido”. Eu prefiro algo mais ameno, com mais urbanidade e civilidade. O próprio enunciado vulgar da lei: Para cada força X, existe uma Y de igual valor e direção contrária.

Falo em Newton e me lembro do desenho de um de meus livros onde havia um sujeito de peruca, sentado debaixo de uma árvore e uma pequena fruta, uma maçã, caindo-lhe sobre a cabeça. Ainda bem que na Inglaterra não há jaqueiras!

No entanto, há entre as leis da física uma que é a mais extraordinária de todas. Aquela que relativiza o tempo e o espaço.

Newton usou a seu favor os 2.000 anos que o separavam de Arquimedes, Pitágoras e Heráclito, mas foram necessários apenas 200 anos para que o genial Albert Einstein revisasse definitivamente, com a significativa ajuda do progresso adquirido nesse tempo, as lei de Newton, e provasse que o tempo é um fator extremamente preponderante, que jamais pode ser esquecido.

Os políticos deveriam saber essa lição. Na política o tempo deve ser usado não para a espera, mas para o movimento, para a construção.

Existem outras áreas do conhecimento das quais podemos tirar ensinamentos importantes, entre elas a antropologia, a sociologia, a psicologia, a dialética… Em todas elas se espelham a lide política, que por mais que se diga e queira que mude, continua sendo a mesma coisa, tal e qual as leis mecânicas do universo.

Quem quiser se enganar que se engane. Não há como fazer uma omelete sem quebrar os ovos.

Postulado político atemporal e definitivo: Há governo, está errando! Ou, em se falando de governos, acerto é exceção, não regra!

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O Centro Histórico de São Luís precisa ser protegido

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Li que o governador do estado e o prefeito da capital estão trabalhando juntos para resolver os problemas de nosso Centro Histórico, que contem o maior casario colonial com incidência de azulejaria portuguesa do Brasil e talvez só um pouco menor que a de Lisboa.

Amo minha cidade de tal forma e em tamanha quantidade que penso às vezes gostar mais dela que do Maranhão ou mesmo do Brasil, mas acho que isso é normal.

Quando passeio por suas ruas, quando passo por suas escadarias, seus becos, sinto a energia do tempo e da historia. Quando vejo uma porta antiga, imagino quanta gente passou por ela. Quando é uma janela, imagino as mocinhas casadoiras debruçadas sobre seus parapeitos.

Se os governos municipal e estadual querem realmente valorizar o centro histórico da cidade de São Luís, que instalem nele os escritórios de seus órgãos administrativos, que incentivem a ocupação comercial dessa região e realizem o repovoamento habitacional dessa área tão importante de nossa cidade.

Como fazer isso é fácil: Reformem os prédios pertencentes aos poderes públicos que estão abandonados e alguns outros capazes de abrigar nossas repartições públicas e universidades e coloquem-nas para funcionar lá. Estabeleçam um estacionamento no Aterro do Bacanga com sistema de minivans para distribuir os funcionários pelas suas repartições ou o mais perto delas possível. Reservem alguns imóveis para repovoamento e reocupação humana dessa área. Entregue os apartamentos a estudantes universitários. Ofereçam vantagens para os empresários que já estão trabalhando por lá e para outros que queiram ir implantarem seus negócios naquela região da cidade.

Os governos municipal, estadual e federal, esse através do IPHAN, o deveriam estabelecer conjuntamente uma espécie de prefeitura do CHSL, com poderes para funcionar com mais eficiência, efetividade e eficácia as paquidérmicas estruturas atualmente existentes. Um administrador que pudesse fazer girar as engrenagens em cada uma das esferas de poder, que fizessem o nosso Centro Histórico ser em algum tempo como os de cidades importantes como Londres, Paris, Lisboa ou Madri. Será que isso é sonhar muito alto?

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Se eu fosse Deputado Estadual

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Mais uma vez minha querida amiga, deputada Andrea Murad demonstra muita personalidade ao expressar o que pensa através daquilo que escreve (veja: www.gilbertoleda.com.br/2015/01/11/) mais uma vez preciso comentar sobre suas posições.

De seu ponto de vista ela está coberta de razão e cheia de fortes argumentos. Na situação em que Andrea se coloca, fazendo uma oposição intransigente, ela realmente faz o que deve fazer, o que está fazendo. Foi assim que sempre agiram oposicionistas famosos como Aderson Lago e Domingos Dutra.

Acontece que mais uma vez os argumentos da jovem deputada não são suficientes para superar a comparação e também para se efetivarem como verdadeiros e viáveis.

Em primeiro lugar, a ilusão de que os poderes da república devam ser, entre si, harmônicos e independentes, deve ser interpretada à luz da realidade. O que diz essa norma constitucional deveria ser regra, mas todos nós sabemos que a politica não permite que isso aconteça assim tão simples e comumente. O que acontece na verdade é a eterna busca dessa harmonia e dessa independência que havendo, possibilita o equilíbrio dos poderes do Estado.

Andrea tinha apenas 14 anos quando Roseana Sarney se elegeu governadora pela primeira vez e talvez não lembre que a governadora impingiu ao poder legislativo maranhense o domínio de um presidente de sua confiança, o então deputado Manoel Ribeiro, o que durou mais de dez anos. Ora, é isso a primeira coisa que todos os prefeitos, governadores e presidentes fazem em relação aos seus legislativos: Tentam controlá-los. Foi isso que a própria Roseana tentou em 2011 quando quis eleger Ricardo Murad a presidente da ALM e não conseguiu. Então o que mudou de lá para cá? Nada! Ou melhor, o governador é outro, os deputados são outros, o tempo é outro.

O executivo e o legislativo vão continuar tentando se harmonizar e tornarem-se independentes um do outro, e é a essa tentativa, realizada de forma republicana e democrática que a CF faz menção, até porque essa norma apesar de basilar e fundamental, não é tão facilmente tangível.

Se o deputado Humberto Coutinho tiver a experiência que acredito que ele tenha, fará de tudo para deixar o governador Flávio Dino bem distante de suas articulações no sentido de se tornar presidente da ALM. Se o governador Flávio Dino e os seus articuladores mais próximos e mais poderosos forem sábios, não interferirão nas negociações para eleição da mesa diretora do legislativo maranhense. Não farão isso porque se o fizerem irão destruir qualquer possibilidade de alguém chamar esse governo de um governo de mudanças e esse tempo de um novo tempo para o nosso estado.

O que os deputados dessa legislatura precisam é se juntarem em blocos parlamentares para que, juntos, em número suficiente, no caso oito em cada um, possam garantir sua representatividade na mesa diretora da casa e nas comissões temáticas, obrigando constitucional e regimentalmente que quem quer que seja venha presidir o nosso legislativo, os respeitem e os levem em consideração.

Outro dia fui criticado por um blogueiro por ter dito o que faria se estivesse no lugar do atual governador. Hoje serei criticado por ele e por outros por dizer o que faria caso fosse um dos 42 deputados estaduais maranhenses: Reunir-me-ia com alguns de meus pares, buscaria as melhores possibilidades de formação de blocos parlamentares e deixaria que os candidatos a presidente se apresentassem.

Se eu tivesse que escolher entre um nome, confesso que daria preferencia ao nome do deputado Humberto Coutinho. Sim, porque realmente nesse cenário há muito pouca opção viável de vitória fora dele. Mas eu jamais iria conversar individualmente com qualquer candidato a presidente, nem mesmo com Humberto, a quem demonstro simpatia. Quem fizer isso estará se entregando e não se valorizando, e como um “entregue” não terá valor nenhum, nem para o grupo governista, nem para o grupo moderado, nem para o grupo oposicionista e muito menos para o povo do Maranhão.

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Sobre o que dizem alguns tolos

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Estava propenso a diminuir a minha aparição nesse espaço, como já havia comentado em minha última crônica, mas após ler o texto publicado pelo professor Ed Wilson Araújo em seu Blog, no qual surpreendentemente sou personagem, decidi voltar aqui pra conversar com você sobre um assunto que acredito relevante: a incapacidade de certas pessoas aceitarem a opinião de outras. Imagino que pelo simples fato de você me ler nesse jornal, você também venha a ser marginalizado por esse tipo de gente. Talvez até você seja chamado de burguês ou coisa que o valha.

Depois que li o que escreveu esse cidadão, resolvi fazer um levantamento dos artigos por mim publicados, onde eu tenha comentado sobre os cenários políticos maranhenses. Fiz isso na tentativa de saber se de alguma forma o que disse a meu respeito o EWA, aproximava-se de alguma verdade, mesmo que remota.

Fiz isso apesar de ter certeza de que os absurdos ditos pelo tal professor eram provenientes simplesmente de seu sectarismo e de seu maniqueísmo, doenças que, diga-se de passagem, afligem grande parte da dita intelectualidade política de nossa terra, tanto aquela posicionada à margem esquerda como a que se coloca ao lado direito do cenário.

O indigitado professor não tendo sobre o que falar, e talvez, sentindo-se inconformado pelo fato de não ter sido lembrado por Flávio Dino para fazer parte de seu staff, resolveu criticar o que ele chamou de “conselheiros e coveiros” do atual governador. Para exemplificar os primeiros usou meu nome, que parece ser doce na boca desse tipo de gente que sofre de recalques inconfessáveis, proveniente da incapacidade de mudar a sua própria realidade.

Acusa-me de querer me transformar em conselheiro de Flávio Dino por ter escrito um texto onde digo o que faria caso fosse o atual governador. Ora bolas professor, se você ou ele não gostarem do que escrevo não me leiam, não levem meus textos em consideração! Mas exijo que respeitem o direito que tenho de emitir a minha opinião. Ele é resguardado pela Constituição que eu mesmo ajudei a escrever.

Pois bem, primeiramente fui pesquisar em meu blog se o que disse o professor fazia sentido. Revi todos os textos que publiquei, observei cada detalhe e rememorei cada situação e cada contexto no qual foram escritos. Reli todos os comentários feitos sobre tais artigos. Não satisfeito fui pesquisar na internet para ver as repercussões que por ventura tiveram quando da publicação de cada um deles.

Nesse trabalho, prazeroso, pois pude comprovar que minhas opiniões podem não ter aprovação unânime, mas são bastante acatadas e muito mais ainda, elas são ouvidas, lidas, comentadas e debatidas.

Longe de mim querer que todos concordem comigo. Isso seria bem monótono. Meu maior desejo é que minhas opiniões possam ser ouvidas e minimamente compreendidas. Elas não precisam ser aceitas ou acatadas, caso discordem delas. Isso pouco importa, mas gostaria muitíssimo que elas fossem respeitadas. Como de resto deve ser feito com as opiniões de todas as pessoas. O que não admito é que alguém possa marginalizar minhas opiniões pelo simples fato de eu ser quem sou. Por eu ter essa ou aquela concepção ideológica, por ser desse ou daquele grupo ou partido político, dessa ou daquela classe social, dessa ou daquela etnia, religião, torcida futebolística organizada ou por eu ter essa ou aquela preferência sexual…

Na pesquisa que eu fiz, observei que a maioria dos comentaristas de meus textos concordava, de alguma forma, com minhas colocações. Observei que havia pessoas que se opunham, alguns até fortemente ao que eu dizia, mas poucos eram os que perdiam a civilidade em seus comentários. Notei que os motivos dos discordantes eram basicamente de duas naturezas, político-ideológico-partidária ou antipatia gratuita resultante da imagem que criavam de mim, algumas vezes bastante equivocadas.

O certo é que revi meus textos e tive a comprovação, através da observação de seus conteúdos que não sou a pessoa que o professor Ed Wilson Araújo imagina que eu seja. Ele chegou a sua conclusão baseado unicamente na análise onde me vê como sendo o inverso de seu ideal, baseado em preconceito.

Revi nessa pesquisa grande quantidade de textos onde chamei atenção e recriminei meu próprio grupo político por práticas que eu desaprovava, que se efetivadas, resultariam em equívocos graves. Não foram poucas as vezes em que critiquei publicamente atitudes e posicionamentos da governadora Roseana Sarney, mesmo fazendo parte de seu secretariado. Mantive alguns debates com figuras importantes, tanto de um lado como de outro de nosso meio político, cujos resultados, imagino tenham sido sempre positivos.

Fico aqui imaginando o que leva alguém como o tal professor a escrever um texto como aquele, a pensar de forma preconceituosa como pensa. Logo alguém que se diz e deseja uma pessoa democrática, que diz lutar por valores republicanos…

Por fim agradeço ao tal, pela oportunidade que ele acabou por me proporcionar, de rever um pedaço de minha trajetória de vida. Agradeço a ele o fato de me fazer reconhecer que algumas vezes até errei, mas que em todas elas fui verdadeiro em meus propósitos, leal para com as pessoas e me mantive irrestritamente no caminho da correção, da cordialidade e da civilidade, em tudo que fiz e escrevi.

 

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Pequena missiva ao professor Ed Wilson

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Caro professor Ed Wilson, a mim me parece que sua alma, mesmo antes de evoluir, deseja reza! Então vamos lá!

Com um texto leve e fluente, o senhor tenta discorrer sobre assuntos que imagina conhecer e usa o meu nome para exemplificar um contexto falso. Sugere que eu queira aconselhar Flávio Dino. Longe de mim esse intuito. Não me acho capacitado para tamanha tarefa. Quem sabe o senhor o possa aconselhar! Quem sabe o senhor almeje esta função!?

Sou um pensador livre e sempre me dispus a analisar a cena política maranhense, sem me preocupar com a opinião de ninguém. Nunca me censurei nem permiti que ninguém o fizesse. Em meus artigos, sempre discorri sobre os assuntos que quis sem me importar com a opinião de ninguém. Muitas vezes meus próprios companheiros foram fortemente atingidos por minhas análises. Portanto não será agora que deixarei de falar ou escrever sobre aquilo que desejo e acredito.

O senhor produz um texto aparentemente verdadeiro, graças a atualidade do assunto e o nome dos personagens. Mas esquece-se, no entanto o professor, que a pessoa a quem se refere, sem o conhecimento suficiente, no caso eu, sempre demonstrou independência, sempre teve uma postura critica em relação ao seu próprio grupo, nunca ficou a mercê de posições de outrem. Esqueceu-se que essa pessoa, eu, fala o que pensa, sem ter que pedir licença pra quem quer que seja.

Tai… Se fosse para o senhor fazer uma análise séria, até que gostaria! Para isso o professor deveria pelo menos ter analisado o conteúdo do texto a que se refere. Mas não, para o senhor o que importa é o fato de eu fazer parte de um grupo político diferente do seu. O preclaro usa como régua e compasso de sua análise o maniqueísmo e o sectarismo, formas de pensar e de agir comuns em pessoas despreparadas para o convívio republicano e democrático. Tal intolerância costuma brotar nos jardins dos amargos, recalcados, arrogantes, soberbos e pretensiosos, incapazes de reconhecer qualidades fora do espelho que carregam pendurado no pescoço.

Caro professor, o senhor pode até saber de sua matéria, mas daí a ter conhecimento e vivência política, a distância é grande.

Fico lisonjeado por ter sido motivo de sua análise, mesmo que ela seja frágil e descabida.

Continue tentando, talvez um dia aprenda como deva analisar, sem paixões, o cenário político.

 

Leia abaixo o que disse em seu Blog o professor Ed Wilson:

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

CONSELHEIROS E COVEIROS DE FLÁVIO DINO

Logo após o resultado da eleição, quando foi confirmada a vitória esmagadora das forças de oposição, alguns expoentes da oligarquia derrotada começaram a se manifestar sobre o futuro governo Flávio Dino (PCdoB).

 

O mais afoito é o ex-deputado estadual Joaquim Haickel (PMDB), homem da proa sarneísta, autor de célebres artigos com receitas mirabolantes para o comunismo maranhense.

 

Sócio do empresário Fernando Sarney, Haickel chegou a escrever verdadeiros tratados sobre como Flávio Dino deve proceder na montagem da equipe, na gestão e nos movimentos políticos.

 

Nos blogs e nas páginas do jornal de José Sarney, o ex-deputado destacou-se como um dos principais conselheiros de Dino, redigindo não só teses como também tutoriais e cartilhas, ensinando o caminho das pedras para o sucesso da governança.

 

Condômino privilegiado do império de José Sarney, onde empanturrou-se de privilégios e facilidades durante 50 anos, é estranho que só agora Joaquim Haickel queira resolver os problemas do Maranhão e aconselhar o governador.

 

Se eu fosse Flávio Dino, desconfiava desse tipo de conselheiro. Quem passou a vida inteira assistindo Sarney saquear o Maranhão não serve para dar pitaco no governo da mudança.

 

AGOURENTOS

 

Entre os remanescentes da oligarquia, destacam-se também os coveiros. Órfãos do poder e saudosos dos tempos em que o Maranhão era dilapidado nas orgias com o dinheiro público, os coveiros anunciam sete pragas contra o governo comunista.

 

Os coveiros são representados por gente que nunca trabalhou na vida. Atravessaram várias gerações usufruindo os privilégios da oligarquia, enquanto a maioria da população viveu torturada com a falta de água, escolas, hospitais, empregos e oportunidades.

 

Há entre os coveiros os políticos sem mandato, rejeitados nas urnas juntamente com o líder da chapa derrotada – Edinho Lobão (PMDB).

 

São os típicos notáveis da aristocracia parasita, vivendo nas páginas do colunista Pergentino Holanda (PH) os últimos dias da decadente oligarquia-ostentação.

 

Os conselheiros tentam se abrigar à sombra do novo governo. Os coveiros pregam o fracasso de Flávio Dino.

 

Na simbiose da política, eles se misturam. Há os conselheiros-coveiros e os coveiros-conselheiros. O círculo do poder está cheio dessas personagens agourentas.

 

Politicamente, o melhor a fazer é mandá-los ao paredão, enforcando o último conselheiro com as tripas do derradeiro coveiro.

 

O Maranhão tem pressa e virou a página do passado.

 

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Que não se reclamem do caos!

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Qual terá sido a intenção do sujeito que através do livro do Gênesis nos passou a ideia de que antes de Deus criar o céu e a terra, o que havia era o caos e o verbo?

Quando escrevo, costumo pensar que existe o mundo e existe a palavra. Existe o nosso relacionamento com o mundo e a nossa experiência com a palavra. Na página em branco, na tela do computador, diante de mim está o caos do mundo e a ausência de palavra, que vou tentando ordenar, operando, deste modo, uma passagem, do vazio e a desordem, para o ordenamento de meus pensamentos e de minhas ideias. Assim, por analogia, posso deduzir que caos é o total vazio, a existência absoluta do nada ou do mesmo modo, a definitiva inexistência de qualquer coisa. Há ainda a possibilidade de caos ser simplesmente o que está no dicionário: grande confusão; desordem.

Penso sobre o caos, que pode ser aquele causado por medidas econômicas do governo ou do mercado, que de vez em quando nos surpreendem, ou o caos ocasionado pelas chuvas, inundações e catástrofes. No estudo da física, por exemplo, os cientistas pesquisam sobre um tipo especial de caos, que assola o mundo microscópico da matéria, provocando desordem entre os átomos de uma substância. Já na medicina, o caos é provocado pela desordem causada por células de uma substância alheia ao meio em questão, no caso o corpo humano. Câncer.

Alguns filósofos acreditam que o caos possa não ser assim tão desorganizado. Talvez haja certa ordem escondida por trás da aparente confusão. Seria possível então aproveitar certos estados “organizados” do caos, estabilizá-los e devolver harmonia na bagunça?

Já houve quem apontasse o tema caos como forte candidato ao Prêmio Nobel de Física. Mas não vingou. Ganharam os quarks, as menores partículas da matéria. Há uns 30 anos, o cenário era mais pobre, cientistas achavam que não havia remédio para o caos. Mesmo a poderosa matemática não poderia prever o futuro depois de instalada a desorganização. Com o status adquirido nas últimas décadas, o caos ganhou vigor e virou moda. Resultados teóricos e experimentais já comprovaram que até mesmo a passagem para o estado caótico é feita sob uma determinada ordem.

Eu prefiro, no entanto, pensar no caos de uma forma mais didática e metafórica. Vejamos a agricultura: antes do plantio há o caos, o vazio ou a desordem. Com trabalho se prepara a terra, se semeia, se colhe. Armazena-se e come-se o fruto desse trabalho. Depois recomeça-se o ciclo.

Em tudo, no mundo e na palavra, na ideia e na ação, o caos é presente, pois é somente dele que nascem as coisas. Só existe fato no caos, seja por existir o vazio anterior, seja por haver a desordem primordial. O certo mesmo, é que continuamos no início, de onde acho que nunca realmente saímos. Continuamos no caos. De onde acredito que não sairemos jamais, pelo menos do ponto de vista do crescimento e do progresso. Não há progresso sem um caos anterior que o defina.

Só há progresso porque no início tudo era caos. Só ficará melhor amanhã, porque ontem estava péssimo e porque hoje ainda está ruim.

Quando quem escreveu o livro sagrado nos passa a ideia de vazio anterior à criação, ele quer dizer que o melhor ainda está por vir. O homem sábio, mais que reclamar do caos o usa como adubo para cultivar as boas sementes do progresso e do desenvolvimento.

Entre todos os homens, o agricultor é para mim um símbolo de amor, bravura, coragem e determinação. Ele enfrenta a terra, muitas vezes mata a mata, e a trabalha. Revira o solo transformando um caos em outro caos. Ele escolhe as melhores sementes, as planta, rega quando pode ou reza para chover. Ele espera pacientemente até que o tempo e a natureza ajudem em seu trabalho e as sementes brotem, cresçam, frutifiquem, para que ele possa colher seus frutos e começar novamente o ciclo eterno da vida, desde seu início. Um novo caos.

Acredito fervorosamente em todo aquele que é otimista e que encara os desafios e as dificuldades como um degrau a ser conquistado, uma obra a ser construída.
Hoje entendo melhor a alma daquele poeta que indagado de quando e como escrevia seus versos, respondia: “nunca quando está tudo normal. É preciso cabeça ou vida, em calmaria ou vendaval”.

Nesse início de novo ano desejo a todos que o caos de nossas vidas nos sirva de ponto de partida para uma grande jornada. E já que Deus nos fez à sua imagem e semelhança, vamos imitá-lo! Trabalhemos para transformar o caos em vida. Em uma vida boa para todos nós.

PS: De hoje em diante a minha participação nesta página se fará com menos frequência, mas sempre que tiver algo que eu acredite importante ser dito, voltarei aqui para conversar com você.

Que 2015 lhe seja leve.

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Sobre o que pensa a deputada Andrea Murad quanto à eleição na ALM

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Leio o que Andrea Murad escreveu e fico orgulhoso dela. Ela é uma ótima pessoa. Inteligente, culta, sensível, interessada em fazer o melhor nesse seu mandato. Ela sempre gostou de politica. Não está deputada por ser filha de quem é. Ela gosta disso! Posso garantir porque a conheço e sei de sua intenção nessa atividade. Tenho certeza que ela será uma excelente deputada e quem sabe uma das raras parlamentares desta legislatura.

No entanto devo alerta-la para um triste fato que ocorre exatamente neste momento no Maranhão e principalmente na ALM. A falta de nomes com capacidade, com tamanho suficiente para exercer um cargo, ainda maia de presidente da Assembleia legislativa do Maranhão. Não que os outros 41 deputados não o possam. Podem! Quem for eleito o pode, mas apenas poder não resolve, tem que sê-lo de forma satisfatória para o poder legislativo e em minha opinião são pouquíssimos os nomes com essa capacidade. Em minha conta os melhores seriam dois, ambos ligados ao futuro governador. Existem outros dois razoáveis, que não são ligados a ele, mas que logo ficariam, e só. Isso é 10% de opção, e o que não significa sucesso.

No texto de minha querida Andrea, existe três passagens fundamentais para entendermos o que está acontecendo nesse momento: 1) “O momento político é de afirmação do grupo que conseguiu ampla maioria na Assembleia. Foram 29 deputados estaduais, uma maioria eleita pelo nosso grupo e que representa milhares de votos”. Isso é um sofisma, uma verdade que não é verdadeira. Desses 29 eleitos dentro das mais diversas coligações, nem nove fecham 100% com a ideia do grupo que em tese os elegeu. Falo de menos de 30%.

2) “Quero que o grupo tenha um candidato, pois temos muitos nomes, alguns muito experientes, com vários mandatos…” Andrea se engana de total boa fé. Os que detêm essas características em nosso grupo não conseguiriam convencer aos demais de sua capacidade… Não estamos mais no tempo em que tomamos a presidência da mão de Manoel Ribeiro contra Sarney, Roseana, Zé Reinaldo e todos os demais. Naquela época havia quatro possíveis candidatos Milhomem, Arnaldo, Evangelista e até eu… Tanto que os três primeiros chegaram a presidência!

3) Quando ela diz, “Fui eleita deputada, para representar o povo e não para defender os interesses do governo”, ela está corretíssima. Equivoca-se quando não usa o desejo do executivo para tirar proveito para o legislativo. Humberto só não vencerá a eleição se for muito tolo, coisa que ele não é, logo, devemos embarcar em sua candidatura e obriga-lo a manter uma postura de respeito do governo para com a ALM. Essa frase de Andrea é a mesma que eu disse quando Roseana era governadora e queria impor mais uma vez Manoel Ribeiro para presidir o legislativo. Essa frase é verdadeira e olha que eu era do mesmo grupo de Roseana. Dizer isso sendo contra o futuro governador é fácil, difícil é reconhecer que as opções hoje são pouquíssimas ou nenhuma.

A eleição de agora é completamente diferente da de quatro anos atrás, quando os deputados resolveram eleger Arnaldo Melo numa disputa que parecia estar garantida para Ricardo Murad. Os tempos são outros…

Continuo acreditando que Andrea Murad será uma grande deputada. Ela já está demonstrando isso. O deputado não tem que está sempre certo, ele tem é que defender suas ideias com clareza e coerência e isso ela esta fazendo. Posso discordar especificamente desse seu posicionamento, mas estou orgulhoso dela, pois ainda nem bem chegou, já está movimentando mais a ALM que muitos que estão lá faz muito tempo.

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Um presente singelo

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Quando Goethe escreveu algumas estrofes contando a história de um rapaz romântico conversando com uma rosa cheia, e Schubert colocou-lhe música, o resultado foi uma obra-prima reconhecida no mundo inteiro: Heideröslein.

Quando John Dowland, mestre no manuseio do alaúde, eternizou os sonetos de seu amigo William Shakespeare, ao som de seu instrumento, o resultado até hoje encanta os interessados no gênero. Música e poesia sempre caminharam lado a lado. Flores e poesia também. Rosas e espinhos idem.

Não faz muito tempo, a Editora Melhoramentos lançou em edição de luxo o livro A linguagem das rosas, originalmente publicado na Inglaterra com uma seleção de poemas feita por Sheila Pickles. Na edição brasileira dessa obra foram incluídos nomes de poetas brasileiros e portugueses. O livro, impresso em Hong-Kong, traz ilustrações magníficas e até perfume de rosas.

A propósito disso, chego a pensar que na poesia e na história, muitas vezes as rosas encarnam seus espinhos e pode acontecer também o contrário. Um exemplo: Voltaire, que transformou espinhos em metáfora, inventando o otimismo. Em Candide, ou L´Optmisme, sátira às doutrinas filosóficas de Pope e de Leibnitz, ele criou a palavra otimismo, e a definiu pela boca do seu herói, a quem o criado mestiço Cacambo pergunta que é que isso significava: C´est la rage de soutenir qu´on est bien quand tout est mal (É a teima de sustentar que se está bem quando tudo vai mal). O que nos possibilita pensar que a dor que nos causam os espinhos que a rosa tem só serve de incentivo ao triunfo do nosso otimismo.

Assim como a música e a poesia, rosas e otimismo andam juntos. A sabedoria popular inventou a expressão “banhar-se em águas de rosas”, que significa o estado de espírito da pessoa que se sente feliz, que obtém êxito em seus empreendimentos ou amores, a pessoa que conquista aplausos ou louvores, frui gozos e prazeres, ou obtém plena satisfação na realização de algum desejo.

Na literatura há outras expressões consagradas. Diz-se, por exemplo, que uma coisa teve a duração das rosas de Malherbe quando durou muito pouco. Esta expressão tem origem numa poesia de François Malherbe, intitulada Consolação ao Sr. Du Périer, Gentil-homem de Aix-en-Provence, Pela Morte de Sua Filha, na qual se lê esta estrofe: “Mas era ela do mundo onde as mais belas coisas/ Têm o pior destino;/E rosa ela viveu o que vivem as rosas,/ Uma breve manhã. Aqui a rosa é eterna, passageira/parece importante, mas não é”.

Tempos atrás escrevi um artigo sobre música e poesia, chamando a atenção para os grandes poetas de hoje que são mestres em dizer coisas usando as diferentes formas da canção. O que se vê hoje são poetas que vão sendo substituídos pelos gênios da música. Letras que tornam palpáveis, através da música, as imagens dos poetas dos nossos dias.

No livro A linguagem das rosas, os poemas são assinados por Shakespeare, Camões, Shelley, Keats, Wordsworth, Alphonsus de Guimaraens, Castro Alves, Garret, Omar Khayyam e muitos outros figurões. Machado de Assis está presente com uma brilhante parábola. Mas faltou à coletânea o belo pensamento de Cartola, um dos nossos maiores compositores, em As rosas não falam: “Queixo-me às rosas/ mas que bobagem/ as rosas não falam/ simplesmente as rosas exalam/ o perfume que roubam de ti”.

Infelizmente, apesar de toda beleza e do maravilhoso perfume, as rosas possuem os famigerados e doloridos espinhos. Quanto a mim só resta o otimismo e a poesia.

Nestas festas de Natal e Ano Novo gostaria de ofertar um presente singelo, rosas. Gostaria de dar a todas as pessoas que passaram por minha vida neste ano de 2014, como símbolo de gratidão, desejando que as rosas, essas manifestações da existência de Deus através da beleza e da sabedoria da natureza, possam levar-lhes o otimismo e o perfume necessários para continuarem suas jornadas, onde espinhos não hão de lhes incomodar.

Que todos tenham tido um feliz Natal e que o ano que se aproxima seja repleto de paz e prosperidade!

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Fato extremamente relevante

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Repercuto abaixo o carinhoso artigo publicado no jornal O Estado do Maranhão de domingo 21 de dezembro pelo meu bom amigo e parceiro no cinema, Coi Belluzzo, a quem fico desde já agradecido por suas palavras generosas para comigo e com meus devotados companheiros nessa deliciosa jornada de preservar a memória maranhense através de meios audiovisuais.

Convido você que não conhece, para que vá conhecer o trabalho que realiza o Museu da Memória Audiovisual do Maranhão da Fundação Nagib Haickel.

 

Primeiramente devo apresentar-me. Sou Coi Belluzzo, nasci na pequena Garça, na zona cafeeira de São Paulo. Sou publicitário e cineasta. Tenho uma carinhosa relação com o Maranhão desde 2008, quando conheci Joaquim Haickel enquanto produzia seu filme “Pelo Ouvido”, vencedor de mais de vinte prêmios em festivais de cinema mundo afora.

Fiquei amigo de Joaquim Haickel e depois de “Pelo Ouvido” embarcamos no audacioso projeto de retratar em um documentário a vida e a obra do padre António Vieira, o que nos levou a fazer o seu trajeto, de Lisboa a Salvador, de São Luís a Roma, de Amsterdã a Ibiapaba…

Entrevistando os maiores especialistas em Vieira no Brasil e em Portugal, fizemos um filme que selecionado até agora para dois festivais, ganhou três prêmios. No ano que vem pretendemos, com base nesse filme, produzir no Maranhão uma série em 13 capítulos para televisão que deverá ser exibida em todos os países de língua português e até na Espanha, na França, na Itália, na Holanda, na Inglaterra e nos Estados Unidos.

Mas meu caro editor, o motivo de minha missiva é para dizer através do espaço que espero que você me ofereça, que o Maranhão e principalmente os intelectuais maranhenses e o governo do Estado não faz justiça ao maravilhoso trabalho que vem fazendo o Museu da Memória Audiovisual do Maranhão, da Fundação Nagib Haickel.

Lá, Joaquim Haickel e seus fieis escudeiros Joan Carlos, Beto Matuk, André Lucap, Francisco Colombo, Fernando Bayma, Ângelo Rosa, João Ubaldo, Talvane Lucato, Eduardo Cordeiro, Beto Nicácio, Iramir e tantos outros, todos voluntários, diga-se de passagem, construíram nos últimos dois anos um portfólio respeitável em qualidade e quantidade, digno das melhores produtoras de conteúdos mais atuantes do país.

Falo de: “Academia da Memória – Homens e Imortais”, coletânea de 24 documentários sobre os fundadores da Academia Maranhense de Letras e outros de seus mais importantes membros; O desenho animado “Upaon-Açu, Saint Louis, São Luís…” Que conta a historia da fundação da cidade enfocando as três versões existentes; “A Pedra e a Palavra”, o longa metragem que mostra a trajetória do padre António Vieira; “Memórias e Lembranças”, uma série que apresenta seis documentários sobre personalidades e fatos importantes do Maranhão. Nessa leva há também a séria de 13 documentários onde retrata os mais importantes “Artistas Plásticos do Maranhão”, a segunda edição do projeto “Memórias e Lembranças”, desta vez com dois documentários em longa-metragem sobre o ex-prefeito Haroldo Tavares e o ex-presidente da Assembleia legislativa do Maranhão, Nagib Haickel.

Não satisfeito com isso Joaquim e sua turma está finalizando “Radialistas do Maranhão”, uma série de 13 docs. enfocando a historias dos profissionais desse setor.

Além disso, o MAVAM coproduziu de A Estrela e o Vagalume (que mostra o amor de dois ícones da cultura maranhense, Carlos e Zelinda Lima), três desenhos animados com a Dupla Criação e prestou dezenas de apoios a produções audiovisuais locais.

A missão do MAVAM é preservar a memória audiovisual do Maranhão e nesse intento telecinou e digitalizou 120 horas de imagens em movimento provenientes dos mais diversos destinos e mídias, tendo ainda, por executar, outras 360 horas. Juntem-se a isso as 30.000 fotografias e postais adquiridos de António Guimarães, Edgard Rocha e outros colecionadores.

Se o que Joaquim Haickel e seus companheiros fazem no Maranhão fosse feito em São Paulo, eles estariam sendo aclamados como heróis, mas parece que no Maranhão os heróis bons são apenas os do passado histórico, exatamente esses que Joaquim tenta preservar para gerações futuras, como por exemplo, Canhoteiro e João do Vale que já constam em um futuro projeto do MAVAM.

Espero que a falta de apoio e de reconhecimento para com o trabalho que Joaquim realiza não seja pelo fato dele ter sido deputado, de ser político. Espero que a culpa seja dele, por não propagandear os feitos seus e de seus abnegados voluntários na guerra de preservar a memória audiovisual de sua brava gente.

Isso tudo que lhe relatei aqui, meu caro editor, é apenas parte da historia. Fui convocado para ajudar num projeto fantástico do MAVAM. Joaquim e seus companheiros pretendem realizar 24 documentários sobre o Pantheon Maranhense, onde figuram os mais importantes filhos do Maranhão, nomes como Gonçalves Dias, Artur Azevedo, Aloisio Azevedo, Sousândrade, João Francisco Lisboa, Humberto de Campos, Coelho Neto e Graça Aranha.

E mais! As séries de artistas plásticos e radialistas estendem-se a 39 nomes cada, a de memória a pelo menos mais duas edições com seis personagens em cada e há projetos novos como os mais importantes fotógrafos maranhenses e algumas histórias famosas como o caso Visgueiro e o da Baronesa de Grajaú. A meta deles é em oito anos produzirem 200 filmes.

Existe outra coisa que Joaquim fala para poucas pessoas e que eu vou me atrever a comentar aqui. A Fundação Nagib Haickel tem um canal de televisão educativa pronto para funcionar, com uma concepção de programação ágil e moderna, que nunca recebeu apoio nem do governo nem do empresariado maranhense. Mais uma coisa que se existisse em São Paulo já estaria funcionando.

Grato por sua atenção e pelo espaço.

 

Coi Belluzzo é publicitário e cineasta

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Os riscos dos erros das estratégias

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Os fatos causadores do título desta crônica e as consequências deles são o que, no frigir dos ovos, na maioria das vezes, definem nossos destinos. Tal enunciado precisa ser analisado com bastante prudência, até porque em muitos aspectos as análises dessas estratégias dependem de observações, opiniões, conclusões, que em alguns casos podem estar equivocadas, repletas de erros, estes advindos das mais diversas procedências ou simplesmente inseridas em contextos ideológicos.

Usemos uma metáfora para abordar esse assunto: quando o pequenino pastor de ovelhas hebreu, Davi, se propôs a enfrentar o gigante guerreiro filisteu, Golias, ele tinha uma estratégia clara. Tinha consciência de que não poderia se aproximar do gigante, pois seria esmagado por ele. Então, o esperto e ágil pastor lançou mão da funda que sempre usou para espantar os lobos que rondavam seu rebanho, para com ela tentar derrubar o gigante, que estratégica e corretamente não usava escudo, mas uma poderosa armadura de metal e sola. O gigante nunca pensou que um seixo rolado de beira de rio pudesse se transformar em um projétil capaz de atordoá-lo e derrubá-lo, possibilitando que um frágil pastor se apoderasse de sua imensa espada e com ela separasse sua cabeça do corpo.

Ambas as estratégias dos citados duelistas estavam corretas.

Um gigante não precisa de escudo, pois ele dá preferência ao combate corpo a corpo e nesse tipo de combate um escudo atrapalha. Se portasse um escudo a pedra da funda de Davi não teria derrubado Golias e a historia seria outra.

Um pastor, harpista, sem nenhuma experiência militar, só teria uma chance contra um gigante se conseguisse ficar bem longe dele. Mais ágil que Golias, Davi sabia que sua vida e o destino dos hebreus dependiam de sua perícia com a funda. Imagino que o pastor não derrubou o gigante logo no primeiro arremesso, mas em algum momento encaixou o tiro certeiro.

Essa passagem da história dos hebreus, em minha opinião é indispensável para entendermos os erros que podem advir das estratégias.

Nessa mesma passagem histórica há um fato escondido que pouca gente se apercebe. O comandante filisteu desafia o atormentado rei Saul a enviar o seu melhor guerreiro para enfrentar o gigante Golias. O lado que vencesse o combate escravizaria o seu oponente. Seria uma batalha de dois homens, que selaria o destino de dois povos. Ocorre que depois que Davi matou Golias, hebreus e filisteus se enfrentaram em uma carnificina insana. Os termos do duelo não foram respeitados e não o seriam de qualquer forma, qualquer que fosse o resultado preliminar.

Numa batalha bíblica ocorrida há 3 mil anos ou em uma eleição histórica que aconteceu há menos de 90 dias, as circunstâncias e as consequências das estratégias, certas ou equivocadas, são mais ou menos as mesmas.

Flávio Dino, então candidato do PCdoB ao governo do Maranhão, venceu uma eleição onde ele era o Davi e seu opositor o Golias. Não, isso não é lá a mais pura verdade! Até porque o Golias dessa história nem estava escalado para aquela batalha, mas foram essas as estratégias estabelecidas. De um lado o humilde pastor com sua funda e uma única pedra que vitimaria seu adversário. Do outro lado um Golias improvisado, substituindo um ungido, supostamente preparado, mas desistente.

A funda e a pedra desse Davi, em minha modesta opinião, foram a intensa ação midiática, a massificação de versões contestáveis de verdades incontestes. Falo da propaganda, em sua versão mais pura e cristalina, manipulada por um grupo competente e em um veículo novo, um tanto desconhecido e praticamente impossível de ser combatido. A internet!

Três mil anos atrás as chances de hebreus e filisteus saírem-se vencedores daquela batalha, travada nas proximidades da cidade filisteia de Gat, ao sul do atual Israel, eram mais ou menos as mesmas. Noventa dias atrás eram remotas as possibilidades do lado dominante da política maranhense vencer o lado adversário. Pouca gente tinha coragem de dizer isso. Tudo estava contra. Um general alquebrado, sem vontade de pelejar; um exército desmotivado, sem elã; um campeão improvisado, que jamais deveria ter aceitado tal missão. É bom que seja dito: ao contrário de Davi que foi voluntário para enfrentar Golias, Edinho foi escalado porque seu exercito não tinha um campeão para representá-lo, e qualquer um que o fosse, se as análises fossem feitas com bastante critério e seriedade, a resposta deveria ser aquela mesma de “Bota Pra Moer”, “arrumem um mais doido do que eu!…”

Mas o passado só pode ser analisado olhando-se para trás. Olhemos para frente. Estratégias equivocadas não param de ser praticadas.

Li um texto produzido pelo renomado jornalista Luís Carlos Azenha que dá conta de que Flávio Dino, o Davi dessa crônica, resolveu que enfrentará o Golias dela, o grupo Sarney, com a mesma funda que usou no duelo, na campanha. Lembre-se que depois de matar Golias, Davi se tornou um grande guerreiro e jamais a história registrou que ele tivesse voltado a usar a funda como arma. Vestiu-se com as melhores armaduras e empunhava as melhores espadas e as mais tenazes lanças.

Esse negócio de Flávio Dino querer usar a internet ou mesmo a rádio estatal do Maranhão para formar uma rede de emissoras comunitárias, é estratégia para tempos de guerra, não para tempos de paz, onde o trabalho deve ser a tônica, onde as ações e as obras devem ser explicadas e expostas à população, em seus mínimos detalhes.

Em minha opinião, o risco de se usar uma estratégia equivocada nesse setor pode custar muito caro ao futuro governo. Acabamos de ter um exemplo claríssimo disso. Falo da operação desastrosa da máquina de comunicação do governo Roseana, que foi usada como máquina de propaganda, distanciando-se completamente da comunicação que deveria ser participativa, com a comunidade, interagindo com as pessoas.

Se Flávio deseja ser o Davi dessa história, ele e seus companheiros precisam entender que o único jeito, é fazerem um bom governo, é apresentarem um bom trabalho. Se forem querer prolongar uma guerra que deveria ter acabado no dia 5 de outubro, com o resultado da eleição, ao invés de se aproximarem a cada dia de seu objetivo, vão é se distanciar dele.

Em termos de guerras de exércitos convencionais ou batalhas políticas, vencem-nas aqueles que cometem menos erros, e até aqui Flávio Dino e seus companheiros cometeram pouquíssimos equívocos, enquanto seus adversários especializaram-se nessa prática.

A partir de agora os lados estarão invertidos. Quem era oposição passará a ser governo e nele de pouco ou nada adiantará o uso de armas e estratégias de oposição. Isso não vai dar certo! Mas como dizia meu pai, brincando conosco… “amarra-se o burro à vontade do dono”…

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