Primeiro Movimento

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Algumas pessoas me perguntam o que eu penso da nova administração estadual, de como, em minha opinião, está se saindo o novo governo do Maranhão.

Respondo indagando deles por que perguntam a mim, no que são quase unânimes em afirmar que desejam uma análise feita por alguém que acreditam ser criterioso, coerente, justo e imparcial em suas ponderações, pois antes, não poupava críticas nem mesmo ao governo do qual fazia parte.

Ocorre que, em minha opinião, será prematura e precipitada qualquer análise que se venha fazer em relação ao novo governo e ao grupo que o comanda, antes do tempo mínimo necessário para a ambientação das pessoas e afinação da máquina administrativa.

Posso dizer apenas que as primeiras e mais importantes mudanças ocorridas até agora são as mudanças dos nomes das pessoas na gestão dos negócios do Estado e a mudança da filosofia política e operacional no dia a dia dessa administração.

Em resumo, não vou me manifestar sobre a administração estadual antes de 180 dias de sua instalação, tempo que acredito necessário para que as pessoas e as estruturas administrativas que elas gerenciam, alcancem seu pleno funcionamento. Tempo suficiente para que ninguém no governo ainda esteja falando da herança maldita deixada pela oligarquia destronada e já estejam preparados para realizar as prometidas soluções dos problemas de nosso Estado, melhorando definitivamente a vida do povo maranhense.

Acredito porem que já seja tempo de abordarmos outro importante assunto. O que vai acontecer na próxima eleição para prefeito de São Luís? Quem são os candidatos? Quais as forças políticas, e não apenas os candidatos, que se colocarão na disputa? O que estará em jogo?

São muitos os ingredientes e nuances desse cenário que promete apresentar grandes emoções nos próximos capítulos dessa intrincada novela.

Olhando o cenário de hoje, os nomes que em outubro de 2016 estarão postos à escolha do eleitor ludovicense serão o do atual prefeito Edivaldo Holanda Júnior e o da deputada Eliziane Gama. Outros nomes poderão aparecer nas telas das urnas eletrônicas, como por exemplo, um candidato do PMDB que pode ser Roseana Sarney, Lobão Filho ou Ricardo Murad. Eu não acredito na candidatura dos dois primeiros e quanto à do terceiro, é impossível prever suas atitudes.

Não podemos esquecer partidos com forças políticas importantes como PSDB, que mesmo totalmente controlado pelo governo estadual, possui políticos com força eleitoral que não pode ser desconhecida como João Castelo, Sérgio Frota e Neto Evangelista.

Existem ainda nomes que ambicionam o comando político do Palácio La Ravardiere, como o deputado Bira do Pindaré e o reitor da UFMA, Natalino Salgado.

Ocorre que de verdade mesmo só os dois citados no topo desta listagem possuem reais chances de se elegerem. Resta saber como cada um vai se movimentar daqui pra frente neste intrincado tabuleiro de xadrez político.

Existem pequenos e inacreditáveis fatores nesse contexto, como por exemplo, Edivaldo Júnior e Eliziane Gama disputarem diretamente os votos dos evangélicos, o que faz com que a católica secretária de Saúde do município Helena Duailibe seja de fundamental importância nesse quadro. O mesmo pode se dizer em relação ao trabalho diplomático que os candidatos possam vir a fazer em relação a outros partidos, líderes políticos classistas e comunitários que possam influir no fortalecimento de suas candidaturas.

Em que pese todas essas coisas, em minha modesta opinião, essa será uma eleição decidida fora das urnas. O que na verdade vai importar mesmo é sobre qual dos dois candidatos vai recair a preferência do Palácio dos Leões. O apoio do governador Flávio Dino irá sacramentar a eleição de seu escolhido e tudo leva a crer, até agora, que este é o atual prefeito de São Luís.

Os movimentos do governador engessam os dois contendores no que diz respeito à busca de apoios fora da base de sustentação do governo. Nem Edivaldo nem Eliziane podem se lançar em busca de apoios de partidos como o PMDB ou de integrantes do grupo Sarney. Quem fizer isso terá a antipatia dos Leões e de seus inquilinos.

O panorama hoje me parece mais favorável ao prefeito do que à deputada, e imagino que para se consolidar nessa posição ele tenha que fazer de tudo, dentro das normas republicanas e democráticas do jogo político, para que a população se agrade de sua administração, coisa que as pesquisas demonstram que não está acontecendo já faz bastante tempo.

Nesse jogo a figura mais importante é mesmo a do governador que deve escolher o momento de sentar à mesa com seus correligionários e estabelecer os parâmetros de suas ações. Quanto mais ele demorar a fazer isso mais vai desgastar os dois, enfraquecendo-os, ao ponto de terem que aceitar de bom grado o que ele venha a decidir.

Isso é o que faria um chefe político de antigamente, um coronel do tempo antigo. Nesses tempos de mudança e modernidade acredito que o melhor a fazer é sentar logo à mesa para conversar aberta e democraticamente.

Se o que quer é mesmo apoiar Edivaldo Junior, o líder deve oferecer à deputada Eliziane mais espaço na administração do Estado que simplesmente uma Secretaria da Cultura que ela não tem, a indicação do vice-prefeito na chapa do prefeito, cargos importantes na administração municipal, desde logo, e o apoio para ela na candidatura a prefeito em 2020.

É claro que esses compromissos devem ser todos avalizados pelo próprio governador, obrigando com que tudo aquilo que for acordado seja integralmente cumprido, caso contrário, ele, o avalista dessas promissórias políticas, as executará, na falta do eficiente cumprimento das partes.

Alguns amigos meus dizem que sou um louco visionário. Que penso tudo errado no que diz respeito à política. Pode até ser, mas é assim que eu penso, e se fizermos um retrospecto, veremos que eu acerto muito mais do que erro.

A política é uma sinfonia e este é apenas o rascunho da partitura de um primeiro movimento desta peça.

 

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Uma semana movimentada!

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Três fatos políticos chamaram bastante minha atenção nos últimos dias. Dois deles aconteceram aqui mesmo em São Luís e o outro em Brasília.

Gostaria de comentar, em primeiro lugar, a desfiliação do Partido Verde do Bloco Parlamentar Democrático, na Assembleia Legislativa.

Sou testemunha da grande dificuldade que tiveram alguns parlamentares na montagem deste bloco, até porque o PV estabeleceu critérios para dele participar, coisa plenamente comum e dentro das regras do jogo republicano e democrático, nas montagens de coalizões parlamentares.

Desde o início ficou claro para todo mundo que o PV participaria desse bloco como forma de proporcionar uma participação privilegiada a seus membros dentro da Assembleia. Ficou claro que desse partido na ALM ninguém deveria esperar apoio sistemático ao governo, pelo contrário, quem tivesse bom senso deveria saber que o PV enquanto partido se posicionaria contra o governo. Seus membros, individualmente, poderiam uma hora ou outra apoiá-lo. Tendo quatro deputados, a contagem seria algo como 50% das vezes 2 a 2, 30% delas 3 a 1 contra o governo e outros 20% 3 a 1 a favor dele.

Quando das montagens dos blocos parlamentares, conversando com alguns deputados, disse a eles que acreditava que PV e PMDB deveriam formar um grupo, assim ficaria patente quantos deputados apoiavam o governo e quantos eram contra ele, mesmo que em casos específicos alguns dos oito deputados desses dois partidos pudessem votar com o governo, da mesma forma que alguns dos 34 deputados restantes viessem vez ou outra, se posicionar contra.

Acho um erro a saída do PV do BPD. Leva a se pensar em falta de compromisso com a palavra empenhada, coisa que a boa política não admite. Se o PV não queria ficar nesse bloco, não deveria ter entrado nele. A boa política é feita de gestos verdadeiros, de compromissos calculados. Ninguém deve fazer algo para o qual não esteja preparado. Ninguém é obrigado a isso, bem como não é obrigado a nada.

Alguém que circunstancialmente falte com a palavra empenhada deve ter a correção de também renunciar aos privilégios que essa circunstância lhe propiciou.

Ah! Meu Deus! A frase anterior, escrita com toda cautela e a sabedoria que sou capaz de possuir, me remete ao outro fato que me chamou atenção durante a semana que passou.

Um ministro de estado, de uma pasta importante, vai à Câmara Federal e reitera o insulto que havia feito aos deputados em outra ocasião.

Fez isso em busca exclusivamente de audiência, sabia que sua atitude repercutiria em todas as mídias por bastante tempo, tanto que este pobre escrevente trata disso aqui hoje.

Que preparo teria o indigitado para ocupar o cargo para o qual foi nomeado? O aval de ter sido por oito anos, governante do Ceará? Tempo que somado aos outros oito anos de seu irmão mais velho e mais aloprado, coloca uma fraca presidente da República de joelhos ao escolhê-lo como ministro? Esse seria o motivo de sua nomeação? Pouco, não é!?

Para alguns, Cid Gomes entrou para a história do Brasil como uma pessoa corajosa, mas estes não sabem definir o que é coragem política. Respondam: quem tem mais coragem? Alguém que confrontado com a situação difícil em que se encontra o país, assume elegantemente a responsabilidade pela atabalhoada e inconveniente fala sua? Ou agrava a situação do país tentando sair de cena como herói, enquanto foi apenas um fanfarrão? Para aparecer, um espanador bem colocado seria mais eficiente.

Cid Gomes é produto do mesmo tipo de política que ele acusa os deputados de praticar. A diferença é que ele é apenas mais hipócrita.

O que disse Cid Gomes dos deputados, dito por alguém do povo, ou até por um jornalista, é aceitável. Suas palavras ditas por um ministro são inadmissíveis, mesmo sendo verdade! Como é que alguém tenta apagar fogo usando gasolina?

Por fim o terceiro fato: emendas parlamentares impositivas.

Gostaria de iniciar dizendo que se eu fosse deputado seria favorável a essa proposta, e que mesmo não o sendo, acredito que ela deva ser implementada, mas com dispositivos que não permitam que os recursos dela proveniente seja usado de modo nefasto, a ponto de desvirtuar sua destinação e sem a possibilidade de transformá-los em fator de preponderante vantagem na reeleição dos deputados.

O governo manobrou para que alguns parlamentares retirassem as assinaturas de apoiamento para apresentação da PEC que criaria esse dispositivo. Talvez tenha feito isso por pensar que tais emendas possam ser prejudiciais à sua tranquilidade legislativa. Que, se os deputados estivessem fortes, consequentemente o governo estaria fraco. Caso pense assim, está enganado. Se o Legislativo estiver forte e essa fortaleza lhe for promovida pelo Executivo, ambos se sentirão satisfeitos e poderão trabalhar juntos e em harmonia.

Gostaria de dizer que a emenda impositiva foi defendida por muitos anos por um grande parlamentar, que não conseguiu aprová-la. Quis o destino que ele fosse guinado a um dos postos de comando mais importantes do Estado. Naquela ocasião estive com ele, como deputado e seu amigo, tentando fazer com que ele aproveitasse o poder em suas mãos para aprovar o projeto que antes defendia com fervor, ao que me respondeu que naquele momento ele não mais o achava necessário. O tempo se passou, ele deixou o poder e perdeu a oportunidade de implantar seu projeto. Coisas da política!

Sou favorável a emendas impositivas no valor de um milhão de reais, sendo 70% deste valor destinado à saúde e 30% para onde deseje o parlamentar. Acredito que deva haver ainda mais dois milhões em emendas não impositivas, também obedecendo a esses percentuais. Acredito que essa solução seja do agrado ao Executivo e contemple também os interesses do Legislativo.

 

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O mais importante agora

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Neste dia em que manifestações contrárias ao governo estão marcadas para acontecer em todo o país gostaria de lembrar um texto publicado por mim aqui neste mesmo espaço em 5 de outubro de 2014, onde comentava que uma coisa seria indispensável depois daquele evento.

Disse e quem quer que ganhasse aquela eleição teria que trabalhar com dedicação e afinco por uma reforma política e eleitoral que possibilite uma evolução democrática e justa de nossa forma de convivência em sociedade, da escolha de nossos representantes, de como as pessoas devem votar em defesa de suas idéias e de seus posicionamentos sociais, ideológicos e políticos.

Além disso, disse que uma reforma tributária e fiscal seria indispensável para que o país, o governo à frente dele, possa ser mais justo para com aqueles que em primeira e última análise o sustentam e o subvencionam.

Tanto as manifestações favoráveis ao governo acontecidas na última sexta-feira 13, bem como as que as manifestações contrárias a ele que acontecerão neste domingo 15, são ações políticas menores perto das reformas citadas acima. Com a realização dessas reformas haverá uma imediata diminuição das pressões econômicas e políticas.

Mas voltemos a falar daquilo que é o mais importante agora, a reforma política. Ela deve começar pela escolha de um novo modelo eleitoral, onde a representatividade do voto possa ser mais efetiva e respeitada. As primeiras coisas a serem resolvidas são a obrigatoriedade do voto e o financiamento público de campanha. Sou a favor dos dois.

Ninguém deve ser obrigado a votar. Todos nós devemos sim é comparecer à votação, da mesma forma que o cidadão é obrigado a se apresentar para o serviço militar. Comparecendo à votação e manifestando seu desejo de não votar, o eleitor pode votar em branco ou nulo. Essa é uma manifestação de vontade, que nesse caso pode ser interpretada como desacordo ou insatisfação com as propostas apresentadas pelos candidatos.

O financiamento público pretende coibir o comprometimento dos candidatos, futuros mandatários com os seus financiadores. Em todas as democracias do mundo existe isso. E existe mais! O lobby é prática regular e regulamentada nos Estados Unidos, por exemplo, mas devo reconhecer que a nossa cultura política não está preparada para tantos avanços de uma só vez. Por isso, acredito que devamos recorrer a uma solução híbrida, onde para cada centavo destinado por um doador – pessoa jurídica-, outro real deverá ser destinado por ele para ser rateado entre os demais partidos ou candidatos. Tal medida, de cara, em tese, reduziria pela metade o financiamento privado de campanha e possibilitaria o acesso ao financiamento de candidatos e partidos que jamais teriam acesso a ele.

Depois disso é imperativo que se resolva duas questões delicadas e graves. O instituto da reeleição para os mandatos no Executivo – prefeitos, governadores e presidente -, tem demonstrado trazer consigo vícios que comprometem um segundo tempo de governança. Na prática, o que se vê é que o primeiro ano do primeiro mandato é dedicado à arrumação da casa e das dívidas de campanha; O último ano do primeiro mandato é dedicado à reeleição; o primeiro ano do segundo mandato é parecido com o do mandato anterior e o último é dedicado à eleição do sucessor. Se formos fazer as contas descobriremos que efetivamente restarão quatro, no máximo cinco anos de oito de efetiva administração. Nós estamos nos enganando com esse negócio de reeleição! Sou favorável a mandatos de cinco ou seis anos sem reeleição para cargos executivos.

Outro ponto que deve ser corrigido é a não coincidência dos mandatos. Um país como o Brasil não pode ter eleições de dois em dois anos. Nossa economia não aguenta, nem no tocante à diminuição de seu funcionamento, nem no tocante à oscilação de valorização de ativos, sejam de ações ou imobiliários, seja na movimentação gigantesca de nossa máquina de administração eleitoral, seja na intensa movimentação política que ocorre na vida de nossas cidades, estados e do país.

Deveríamos estabelecer eleições gerais, onde em dois dias de votação, de cinco em cinco ou de seis em seis anos se vote num sábado para vereadores, prefeitos, deputados estaduais e governadores e no dia seguinte, no domingo, se vote em deputados federais, senadores e presidente da República. Nesse caso os senadores continuariam a ser representantes dos estados, mas passariam a ter também mandatos de 5 ou 6 anos, acabando com eleições intercaladas de 1/3 e 2/3 de seus membros.

Em seguida deveremos nos debruçar na escolha do tipo de votação. O voto proporcional não expressa, com legitimidade, a vontade do cidadão. Mas se formos analisar a vontade do cidadão, veremos que o voto em lista também não atenderá a esse anseio. Restará a nós, mais uma vez, o uso de uma forma híbrida de aferição eleitoral. O voto distrital misto, onde metade das vagas disponíveis seriam disputadas pelo voto majoritário, onde os mais votados se elegeriam, e a outra metade resolvida em disputas distritais, onde cada unidade federativa seria dividida em distritos e os partidos apresentariam um candidato para representá-lo em cada um deles.

A reforma eleitoral deve vir respaldada numa maior desregulamentação da eleição. Hoje o TSE e seus tribunais correlatos nos estados dizem até o tamanho do cartaz que o candidato pode usar.

A lei eleitoral é absurda, em alguns aspectos, como por exemplo, quando permite o pagamento financeiro de pessoas para participar de bandeiraços e proíbe a distribuição de brindes como camisetas, bonés, canetas, coisas que são produtos midiáticos.

O tema é vasto e não caberia em uma crônica de jornal, por mais extensa que ela fosse, mas o importante é que esse debate não pare até que uma boa reforma política e eleitoral tenha sido realizada em nosso país, dando mais confiabilidade e respeitabilidade à escolha de nossos representantes e mecanismos que garantam o efetivo, eficiente e eficaz funcionamento das instituições da república.

 

 

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A Pedra e a Palavra em mais um festival

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O Filme A Pedra e a Palavra, Longa metragem documental que retrará vida e a obra do padre António Vieira, Produzido e dirigido por Joaquim Haickel e Coi Belluzzo foi selecionado para participar de mais um festival de cinema em Portugal. Veja abaixo o convite.

 

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A escolha (em homenagem ao dia internacional da mulher)

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Um jovem conde, Sir Oliver de Warhill, foi surpreendido por seu monarca enquanto caçava furtivamente num bosque. O rei poderia tê-lo matado no ato, pois era o castigo para qualquer um que violasse as leis da propriedade real, contudo se comoveu ante a juventude e a simpatia do jovem tão recentemente órfão – seu pai havia a pouco sido morto em batalha. O rei, no entanto, que passava por serias dificuldades em seus relacionamentos com as mulheres; com sua mãe, com sua esposa e com suas duas filhas, lhe ofereceu a liberdade, desde que no prazo de um mês, Oliver lhe trouxesse a resposta a uma pergunta difícil. “O que querem realmente as mulheres?”
Semelhante pergunta deixaria perplexo até o mais sábio dos Druidas, e ao jovem Oliver lhe pareceu impossível de respondê-la. Contudo aquilo era melhor do que a morte, de modo que regressou a seu castelo e começou a interrogar as pessoas: a sua mãe, a sua irmã, as prostitutas, os monges, os sábios, o bobo da corte, em suma, a todos e ninguém soube dar-lhe uma resposta convincente. Porém todos o aconselharam a consultar a velha bruxa, porque somente ela saberia a resposta. O preço seria alto, já que a velha bruxa era famosa em todo o reino pelo exorbitante preço cobrado pelos seus serviços.
Chegou o último dia do prazo acordado e Oliver não teve mais remédio senão recorrer a feiticeira. Ela aceitou dar-lhe uma resposta satisfatória, com a condição de que ele aceitasse o preço: Ela queria casar-se com Saymor, o cavaleiro mais nobre do reino, tio e protetor de Oliver, um solteirão convicto, mas muito sábio e bondoso. O jovem Oliver olhou-a horrorizado: era horrenda, tinha um só dente, desprendia um fedor que causava náuseas até a um cão, fazia ruídos nojentos. Ele nunca havia encontrado com uma criatura tão repugnante. Acovardou-se diante da perspectiva de pedir a um tão querido amigo, o maior de toda a sua vida, para assumir essa carga terrível. Não obstante, ao inteirar-se do pacto proposto, Saymor afirmou que não era um sacrifício excessivo em troca da vida de seu sobrinho e a preservação do clã dos Warhill.
Anunciadas as bodas, a velha bruxa, com sua sabedoria infernal, disse: O que as mulheres realmente querem? Serem Soberanas de suas próprias vidas!
Todos souberam no mesmo instante que a feiticeira havia dito uma grande verdade e que o jovem Oliver estaria salvo. Assim foi. Ao ouvir a resposta, o monarca lhe devolveu-lhe o direito a sua vida. Porém, que bodas tristes foram aquelas. Toda a corte assistiu e ninguém se sentiu mais desgarrado, entre o alívio e a angústia, que o próprio Oliver. Saymor mostrou-se cortês, gentil e respeitoso. A velha bruxa usou de seus piores hábitos, comeu sem usar talheres, emitiu ruídos e um mau cheiro espantoso.
Chegou a noite de núpcias. Quando Saymor, já preparado para ir para a cama, aguardava sua esposa, ela apareceu como a mais linda, charmosa e delicada mulher que um homem poderia imaginar! Saymor ficou estupefato e lhe perguntou o que havia acontecido.
A jovem lhe respondeu com um sorriso doce, que como ele havia sido cortês com ela, a metade do tempo se apresentaria horrível, como aquela bruxa, outra metade com o aspecto de uma linda donzela, como ali estava. Então ela lhe perguntou qual ele preferiria para o dia e qual para a noite.
Uma pergunta cruel. Saymor se apressou em fazer cálculos. Poderia ter uma jovem adorável durante o dia para exibir a seus amigos e a noite na privacidade de seu quarto uma bruxa asquerosa ou quem sabe ter de dia uma bruxa e uma jovem linda nos momentos íntimos de sua vida conjugal.
O nobre Saymor, após pensar por um instante, respondeu-lhe que a deixaria escolher por si mesma.
Ao ouvir a resposta, ela anunciou que seria uma linda jovem de dia e de noite, porque ele a havia respeitado e permitido ser soberana de sua própria vida, senhora de seu destino.

* Crônica adaptada de uma estória antiga, mas pautada em acontecimentos eternos.

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Velho moleque

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Será lançado em breve o documentário em média metragem “Velho Moleque” que trata da vida e da obra do músico maranhense Mestre António Vieira. O filme foi produzido pelo Museu da Memória Audiovisual do Maranhão da Fundação Nagib Haickel, através da lei Rouanet, instrumento de incentivo a cultura brasileira do governo federal e patrocinado pela Vale, que já havia anteriormente feito a editoração das músicas do compositor.

O filme tem a direção de Beto Matuck e a produção de Joaquim Haickel e conta com imagens cedidas por Zeca Baleiro.

Em 52 minutos, formato direcionado para a exibição em televisão, Velho Moleque conta algumas passagens da vida do Mestre Vieira através de depoimentos de alguns de seus mais chegados amigos e dele próprio.

O lançamento do filme deverá acontecer no mês de Março no Espaço Cultural da Vale no centro histórico de São Luís, região em que Vieira viveu e retratou em suas belíssimas canções.

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A cidade e o imitador

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Como temos feito sistematicamente nos últimos anos, passamos mais este carnaval viajando. Desta vez fomos conhecer a Cidade do México. Agora, das capitais de países americanos, só nos restam conhecer Caracas, La Paz, Quito e Assunção, isso sem contar com duas das três Guianas. Para minha alegria constato que sobraram apenas aquelas capitais onde os mandatários nacionais são caudilhos populistas. Perdemos pouco, quem sabe depois que eles se forem nós visitemos seus países!

A Cidade do México é fascinante. Tudo lá é muito. A população é muita; a quantidade de carros é muita e por isso é muito o transtorno do tráfego e a consequente poluição advinda deles; É muita a quantidade de sítios arqueológicos, museus, pontos turísticos e históricos que precisam ser conhecidos; a quantidade de bons restaurantes que não podem deixar de ser visitados é grande… Os seis dias que por lá ficamos poderiam ter sido poucos para fazermos tudo aquilo que nos programamos, mas acabamos cumprindo nosso roteiro.

Fizemos logo que chegamos um city tour para conhecermos a cidade antes de nos atrevermos a ir onde não deveríamos ou deixarmos de ir onde seria pecado mortal não visitar. Essa é uma exigência de minha mulher Jacira, ávida por conhecer tudo e jamais deixar de conhecer o essencial.

Tivemos uma verdadeira aula de história com Manuel López, um guia extremamente gabaritado, durante as visitas que fizemos por todo um dia pela gigantesca cidade que já foi de Tenoch, Montezuma, Cortez, Hidalgo, Juárez, Maximiliano e Carlota, Díaz, Madero, Villa, Zapata, Rivera, Frida e Cantinflas, e que hoje é ocupada por mais de 25 milhões de mexicanos, legítimos e verdadeiros donos dessa que é a segunda maior cidade do mundo, onde vive o segundo homem mais rico da terra, Carlitos Slim.

Falar da beleza das Pirâmides de Teotihuacán, do Bosque e do Castelo de Chapultepec, dos Canais de Xochimilco, dos Museus de Antropologia e de Arte Moderna, dos palácios, das igrejas monumentais… Falar disso tudo é um mero exercício de memória e a simples capacidade de narrar as belas coisas que existem naquela cidade, que coroa o sucesso de diversas culturas pré-colombianas, algumas delas com mais de quatro milênios, superando em mil anos as mais importantes e sofisticadas culturas europeias. Incrível!

Em meio a tudo isso, nos deparamos com um povo extremamente religioso, devoto da uma santa própria, a primeira das Américas, com uma história semelhante à da nossa padroeira brasileira, Aparecida. A deles, Guadalupe, apresentou-se para um nativo chamado Juan Diego, muito mais famoso que os nossos Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso, achadores de Aparecida, de quem só sabemos os nomes se pesquisarmos. Isso é outra coisa que ficou clara para nós desde o primeiro instante em que começamos a conhecer a cidade e sua história: aquele povo é muito mais patriótico e demonstra muito mais amor e orgulho por seu país e por sua história do que o nosso, eles demonstram muito mais intimidade, não só com a sua santa, mas com tudo o que diz respeito a seu país e suas tradições.

Particularmente não acredito em santos, mas admiro as histórias que se criam em torno deles. Elas servem de bálsamo para nossa dolorida humanidade, para nossa frágil psiquê e embalam a nossa necessidade de acreditar em algo maior.

Ficamos encantados com essa cidade, com a riqueza de sua história, com a diversidade de influências culturais desse povo. Vimos preciosos detalhes históricos em todos os lugares, até mesmo ornando suas ruas. O Paseo de La Reforma é, sem medo de ser injusto, uma das avenidas mais bonitas do mundo. A mulher mais famosa do México é de uma singularidade única. Confirmamos nossa admiração por Frida Khalo. Com toda sua inquietude, foi uma mulher forte, que nem mesmo a deficiência física e as dores pelas quais passou durante toda vida, lhe fizeram deixar de ser uma pessoa marcante. Muito pelo contrário. Penso que isso foi mais um estímulo para a construção de sua obra.

E o povo mexicano! Como deixar de citá-lo!? São todos de uma simpatia e disponibilidade nunca visto antes em nossa experiência pelo mundo.

É difícil nos apercebermos, mesmo quando somos confrontados com a história desse lugar, que essa civilização é herdeira de uma cultura que data de quatro milênios, enquanto a história de nosso país tem pouco mais de 500 anos.

Existem pequenos detalhes aparentemente insignificantes que fazem desse um lugar especial. Imaginem que foi de lá que saiu o ingrediente que rega os domingos da maioria das pessoas do mundo, pois sem o tomate mexicano, jamais os italianos teriam inventado os deliciosos molhos das pizzas e das massas que nos enlouquecem e se não fosse pelo seu milho, o estado americano de Iowa não seria tão rico, já que ele produz quase 25% de todo o milho americano, maior produtor mundial.

Porém de tudo o que vi e que fiz na Cidade do México, uma coisa me marcou profundamente. Depois de visitarmos a Praça da Constituição, o Palácio do Governo, de andar pelas ruas que antes eram os canais da antiga cidade asteca, depois de visitar o magnífico Templo Mayor, descoberto e desenterrado em 1978, no coração da cidade, fomos conhecer a Catedral do país. Qual não foi a minha surpresa ao entrar pela gigantesca porta da nave central e ouvir o que disse o sacerdote que rezava a missa para um número imenso de fiéis:

“… deixem que eu use do meu modo as palavras de São Paulo ao convocar as pessoas para imitá-lo: venha imitador do Cristo! Pois a simples tentativa honesta e verdadeira de imitares as ações do filho de Deus faz de ti um seguidor de seus ensinamentos, faz de ti um ser digno do amor daquele que morreu para nos salvar…” Quando ouvi o que disse o padre, senti uma forte emoção, pois é exatamente assim que eu penso. A mim, não importam os ritos, os dogmas ou as tradições dessa ou daquela religião. A verdade é que acho religião um tema muito delicado e controverso. Para mim o que importa é entender corretamente e procurar seguir e imitar os ensinamentos dos profetas e doutores das várias religiões, todas cheias de bons ensinamentos e semeadoras da paz e da tolerância.

Sei que minha mãe não vai gostar nem um pouco do que vou dizer a seguir, mas é o que sinto, com toda pureza que possa ter minha alma: a mim não importa se Jesus é filho de Deus, nem mesmo que Deus exista, para mim o que mais importa é que a história desse judeu da Palestina me faz ter vergonha de não conseguir imitá-lo, minimamente, por mais que eu quisesse ou tentasse, pois seu amor verdadeiro, sua história de vida, como nos foi contada, nos obriga a uma tentativa desesperada de imitar suas mais simples atitudes, como a de ser um bom filho, bom irmão, bom amigo, de acolher os enfermos e necessitados, de ser tolerante e não ter preconceitos, por respeitar as leis dos homens sem se submeter à sua tirania…

A emoção que eu senti dentro daquela igreja foi para mim o ponto alto da nossa viagem.

Jacira saiu da Cidade do México maravilhada com o que viu. Eu, além de maravilhado com tudo o que vi, saí de lá leve, certo de que a minha forma de pensar e de agir, longe de ser errada, no que tange à religião, é bem aceita pelo maior dos doutores do cristianismo, Paulo de Tarso.

 

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A diferença entre deputado e parlamentar

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Tanto o parlamento quanto os parlamentares, representantes dos anseios e dos interesses da população, vêm sendo alvo das atenções da imprensa e da opinião pública brasileira nos últimos anos. Atenções estas quase sempre inclinadas a supor que, tanto a instituição como seus membros, procuram sempre o caminho do desacerto.

Nasci no meio político e desde cedo, acompanhando a trajetória assimilei os ensinamentos da representação popular e a importância da atuação parlamentar. Também aprendi muito escutando as palavras e observando o modo de agir e pensar de grandes e ilustres políticos maranhenses como Milet, La Rocque, Burnett, Alexandre, Lobão, Ivar, Nunes Freire, Newton Bello, Cafeteira, Castelo, Pedro Neiva e Sarney, para citar apenas uma dúzia dentre os maiores. Deles, só quatro ainda vivem, cinco foram também prefeito da capital, sete foram senadores, oito chegaram a ser governadores e um foi até presidente da República, mas todos foram ou são parlamentares.

A palavra parlamento é composta da junção do substantivo: parla, que significa conversa ou falatório; e do sufixo: mento, que representa ação ou resultado da ação.

O parlamento clássico é originário da Grécia, onde era plebiscitário e direto, e de Roma onde era representativo. O parlamento moderno teve origem na Inglaterra e na França, onde em ambos os países, foi instalado como assembléia política representativa de suas monarquias. Na França, teve ainda o papel de assembleia judiciária.

Parlamento, na realidade, é uma assembleia deliberativa encarregada principalmente de votar o orçamento e as leis que regulam as relações entre os poderes constituídos e a vida dos cidadãos. Logo, parlamentar é aquele que faz com que suas conversas resultem em ação, regulando a relação entre as instituições e o povo.

Jovem ainda, com pouco mais de 22 anos, lembro-me muito bem do torcicolo que sentia, quando sentado numa das cadeiras do corredor central do plenário acompanhava com atenção os maravilhosos duelos verbais ali travados entre o grande deputado José Bento Neves, que se sentava na última poltrona à direita e o não menos importante e saudoso líder oposicionista Gervásio Santos, que se sentava no lado diametralmente oposto, na primeira cadeira do lado esquerdo, na velha Assembleia Legislativa, na Rua do Egito.

Naqueles momentos, me sentia tal qual o jovem Marco Antônio, que dividia sua atenção entre Júlio César e Cícero, imortais tribunos do venerável Senado Romano.

Benditos torcicolos! Assistindo aquelas pelejas memoráveis naquele rico período de nossa história, a transição da ditadura à democracia, do último governante militar para o primeiro presidente civil, comecei a redigir meu currículo.

Era o renascer da cidadania. Nos Estados, pela primeira vez, desde o golpe militar de 64, viveríamos a experiência de sermos governados por um representante guindado ao poder pelo voto direto.

No período legislativo seguinte, fui novamente agraciado pelo voto popular e pude participar ativamente de outro momento de grande significação que poucas gerações de políticos tiveram acesso. Fui deputado constituinte, um dos mais de 500 parlamentares que assinaram a Constituição Cidadã do doutor Ulisses Guimarães.

Maquiavel, em sua obra-prima “O Príncipe”, controvertida lição de antropologia, psicologia, sociologia, politica e de história, sempre interpretada pelo ângulo mais mesquinho e pejorativo, diz no capitulo XVII: “Da crueldade e da piedade – Se é melhor ser amado ou temido.” Ainda bem que o “Secretário de Florença” destina sua obra ao detentor do poder central, pois aos parlamentares, esse dilema não deve afligir diretamente. Esses não tem que ser necessariamente amados ou temidos, têm na verdade é que serem respeitados e ouvidos. Nos dois casos, não pelo cargo que exercem, mas pela função, pela procuração que lhes foi confiada, registrada em cartórios competentes para tal. Procuração intransferível, com prazo determinado, revogável e retratável apenas em caso de arguição do descumprimento do decoro parlamentar.

Entendo que a atuação parlamentar deve ser marcada pelo profundo respeito aos interesses dos eleitores que os elegeram. Mas aqui vai um alerta: o parlamentar não tem que fazer necessariamente o que o povo quer, como ele quer, quando ele quer. Até porque, para o parlamentar nem sempre é fácil escolher que parcela do povo ele representa. O parlamentar tem de fazer o que precisa ser feito.

De meu pai, herdei o respeito ao parlamento e a defesa férrea do mandato popular. Tal qual ele, entendo que independente de siglas, cor partidária ou ideológica, o parlamentar tem que ser respeitado e seu mandato protegido.

Com ele aprendi que a liberdade de expressão é a pedra basal que sustenta os alicerces da democracia. Sem ela, não existe parlamento na acepção da palavra. A voz do parlamentar que ecoa aos quatro ventos é a garantia da democracia é a reprodução exata e proporcional das idéias, pensamentos e opiniões que formam este imenso painel diferenciado que é a sociedade.

Deputado pode ser qualquer um que consiga os votos necessários para se eleger. Parlamentar é mais que deputado, é aquele que sabe usar com inteligência, correção e coerência a procuração eleitoral que lhe foi confiada pelo povo.

Com meu pai, com Platão, com Maquiavel e com Alexandre Dumas aprendi o verdadeiro valor de algumas palavras entre as mais importantes em qualquer idioma: Amizade; Compreensão; Coragem; Generosidade; Gratidão; Honra; Humildade; Idealismo; Justiça; Liberdade; Respeito; Sabedoria; e União.

No final destas mal traçadas linhas resta-me apenas repetir uma pequenina oração que minha mãe passou toda a sua vida tentando ensinar para meu pai e que de tanto ouvir acabei aprendendo: “Que Deus nos dê serenidade para aceitar o que não se pode mudar; coragem para mudar o que pode ser mudado; e sabedoria para que se possa reconhecer a diferença”.

Desejo que meus amigos deputados, que hoje assumem seus mandatos para esta legislatura e se pretendem parlamentares nesses tempos difíceis, consigam as graças dessa oração.

 

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Inércia; Dinâmica; Ação e Reação.

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O texto abaixo foi escrito em março de 2014. Na época, apesar de sabê-lo oportuno, resolvi guardá-lo. Relendo-o na semana passada, vi que o texto continua atual e resolvi publicá-lo. Espero que apreciem!

Alguém poderia imaginar que a física em nada influa na política. Pensando assim incorreria em grave erro. A física está intimamente ligada a tudo o que existe, até mesmo à política.

As primeiras noções desta ciência, como de certa forma quase tudo o que existe, nasceram na Grécia antiga, nos tempos dos grandes mestres da filosofia.

Nunca é demais falar sobre filosofia. Ela é o estudo das questões relacionadas à existência do universo, da natureza e do homem. A tradução literal do grego antigo da palavra filosofia é amor à sabedoria. Ela dedica-se ao conhecimento de forma geral, à verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem.

Existem algumas leis da física que pouca gente imagina que possam estar intimamente ligadas às práticas cotidianas da política, bem como em quase tudo na vida.

Dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço, assim como um político não pode ocupar o mesmo mandato de outro. Para que isso aconteça tem que haver um intervalo de pelo menos quatro anos. Aí entra outro fator importante nessa equação, o tempo.

Descobri cedo que tanto quanto Maquiavel, Newton é um dos grandes postuladores da ciência política. Senão vejamos! Newton observou três fatos que transformou em leis fundamentais da física. Estas passam despercebidas, mas são usadas comumente na política.

1) “Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças aplicadas sobre ele”; 2) “A mudança de movimento é proporcional à força motora imprimida, e é produzida na direção de linha reta na qual aquela força é imprimida”; 3) “A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade: ou as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em sentidos opostos”.

Popularmente conhecidas como lei da inércia, lei fundamental da dinâmica e lei da ação e reação, poderiam muito bem se chamar lei do político inapetente, lei da força de oposição e lei das circunstâncias e consequências.

Um político não pode ficar estático, apático. Já dizia Neném Prancha, “quem pede recebe, quem se desloca tem preferência”. Um samba famoso diz que “Camarão que dorme a onda leva”. Essas são alusões à primeira lei de Newton: Político bom é político que está sempre se movimentando, aberto ao diálogo, vivendo e bem convivendo com o antagonismo e defendendo suas posições abertamente, sem subterfúgios.

Como resultado direto de sua primeira lei, Newton formula a segunda, ela depende de uma força opositiva específica que faça o corpo, no nosso caso, o político se movimentar. Ruim é quando se avisa e ninguém ouve. O dito popular estabelece que “quem avisa amigo é”, mas por essas bandas parece que o bom é ser surdo.

No caso da terceira lei, também diretamente ligada às duas anteriores, ela é muito mais clara e facilmente ilustrativa. Ditado popular aparentemente violento exemplifica bem este caso: “quem com ferro fere, com ferro será ferido”. Eu prefiro algo mais ameno, com mais urbanidade e civilidade. O próprio enunciado vulgar da lei: Para cada força X, existe uma Y de igual valor e direção contrária.

Falo em Newton e me lembro do desenho de um de meus livros onde havia um sujeito de peruca, sentado debaixo de uma árvore e uma pequena fruta, uma maçã, caindo-lhe sobre a cabeça. Ainda bem que na Inglaterra não há jaqueiras!

No entanto, há entre as leis da física uma que é a mais extraordinária de todas. Aquela que relativiza o tempo e o espaço.

Newton usou a seu favor os 2.000 anos que o separavam de Arquimedes, Pitágoras e Heráclito, mas foram necessários apenas 200 anos para que o genial Albert Einstein revisasse definitivamente, com a significativa ajuda do progresso adquirido nesse tempo, as lei de Newton, e provasse que o tempo é um fator extremamente preponderante, que jamais pode ser esquecido.

Os políticos deveriam saber essa lição. Na política o tempo deve ser usado não para a espera, mas para o movimento, para a construção.

Existem outras áreas do conhecimento das quais podemos tirar ensinamentos importantes, entre elas a antropologia, a sociologia, a psicologia, a dialética… Em todas elas se espelham a lide política, que por mais que se diga e queira que mude, continua sendo a mesma coisa, tal e qual as leis mecânicas do universo.

Quem quiser se enganar que se engane. Não há como fazer uma omelete sem quebrar os ovos.

Postulado político atemporal e definitivo: Há governo, está errando! Ou, em se falando de governos, acerto é exceção, não regra!

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O Centro Histórico de São Luís precisa ser protegido

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Li que o governador do estado e o prefeito da capital estão trabalhando juntos para resolver os problemas de nosso Centro Histórico, que contem o maior casario colonial com incidência de azulejaria portuguesa do Brasil e talvez só um pouco menor que a de Lisboa.

Amo minha cidade de tal forma e em tamanha quantidade que penso às vezes gostar mais dela que do Maranhão ou mesmo do Brasil, mas acho que isso é normal.

Quando passeio por suas ruas, quando passo por suas escadarias, seus becos, sinto a energia do tempo e da historia. Quando vejo uma porta antiga, imagino quanta gente passou por ela. Quando é uma janela, imagino as mocinhas casadoiras debruçadas sobre seus parapeitos.

Se os governos municipal e estadual querem realmente valorizar o centro histórico da cidade de São Luís, que instalem nele os escritórios de seus órgãos administrativos, que incentivem a ocupação comercial dessa região e realizem o repovoamento habitacional dessa área tão importante de nossa cidade.

Como fazer isso é fácil: Reformem os prédios pertencentes aos poderes públicos que estão abandonados e alguns outros capazes de abrigar nossas repartições públicas e universidades e coloquem-nas para funcionar lá. Estabeleçam um estacionamento no Aterro do Bacanga com sistema de minivans para distribuir os funcionários pelas suas repartições ou o mais perto delas possível. Reservem alguns imóveis para repovoamento e reocupação humana dessa área. Entregue os apartamentos a estudantes universitários. Ofereçam vantagens para os empresários que já estão trabalhando por lá e para outros que queiram ir implantarem seus negócios naquela região da cidade.

Os governos municipal, estadual e federal, esse através do IPHAN, o deveriam estabelecer conjuntamente uma espécie de prefeitura do CHSL, com poderes para funcionar com mais eficiência, efetividade e eficácia as paquidérmicas estruturas atualmente existentes. Um administrador que pudesse fazer girar as engrenagens em cada uma das esferas de poder, que fizessem o nosso Centro Histórico ser em algum tempo como os de cidades importantes como Londres, Paris, Lisboa ou Madri. Será que isso é sonhar muito alto?

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