Lembrei de Lister Caldas!

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Tenho recebido muitas cobranças de amigos e de leitores que desejam que eu aborde temas políticos, coisa que tenho procurado não fazer ultimamente, mas vou tentar reproduzir abaixo algumas ideias contidas numa conversa que tive com um desses amigos.

Desde quando Flavio Dino assumiu o governo do Maranhão instalou-se uma permanente batalha midiática, onde de um lado, seus partidários propagam as ideias de mudança e de outro, seus adversários tentam desconstruir esse discurso no afã de mostrar que tudo está hoje, igual ou pior que antes.

O Maranhão vive uma luta renhida, eivada de sectarismo, maniqueísmo, cinismo e hipocrisia. Se alguém apoia Flavio Dino, é comunista ou foi comprado. Se alguém se opõe a Flávio Dino, é fascista ou uma viúva da oligarquia.

Enquanto isso Flavio Dino passa a ser o único parâmetro e o principal referencial da política do Maranhão, da mesma forma que Zé Sarney o foi durante 50 anos. Digam se nisso mudou alguma coisa!?

Mudou sim! Nisso não!

Mudou, pois o grupo Sarney não foi feito pra viver na oposição, pra operar fora do poder. Enquanto isso, seus adversários, pelo contrário, não foram talhados para ter o poder nas mãos. Mas é bom que se diga que eles aprendem rápido!

Vejam a disputa para prefeitura de São Luís! Ela é a maior prova de que o grupo Sarney não tem capacidade de se agrupar na adversidade, que ele só consegue funcionar no controle do poder, tanto do poder estatal quanto do poder moral resultante dele.

Enquanto o grupo de Dino faz de tudo para melhorar as chances de seu candidato ganhar a eleição em São Luís, o grupo Sarney era para estar também totalmente engajado nessa disputa, seguindo fervorosamente os ensinamentos de quem entende corretamente os mecanismos da política, fortalecendo a candidatura de quem se opõe ao seu adversário.

Disse um sábio, muito tempo atrás, “o amigo de meu inimigo é meu inimigo. O amigo do meu amigo, bem que poderia ser também meu amigo”. Ocorre que esse grupo Sarney aí, não segue essa lógica, até porque está totalmente sem comando.

Algum tempo atrás, algumas pessoas imaginaram que poderiam substituir Zé Sarney. Ledo engano! Aos 86 anos e covardemente atacado por uma pessoa que ele tinha como amigo, em pouco ou em nada ele pode ajudar neste momento.

Mas a política percorre caminhos estranhos. São Luís, desde tempos imemoriáveis, é tida como a “Ilha Rebelde” e essa seria a oportunidade perfeita para tal teoria ficar indubitavelmente comprovada.

Um grupo que jamais ganhou uma eleição para prefeito de São Luís, postado na oposição, poderia vencer essa disputa. Se! Vejam bem! Se, tomasse as decisões acertadas.

Se isso acontecesse, minha tese se mostraria mais uma vez correta, pois os lados estariam invertidos, mas a mecânica da política prevaleceria, dando a vitória para a oposição, que agora contaria com o grupo Sarney em suas fileiras.

Caso aconteça a derrota da oposição em São Luís, ela será o prenúncio de outras derrotas que virão em seguida, na esteira das eleições subsequentes. Se não acontecer a derrota da oposição em São Luís em 2016, é possível que outras vitórias sobrevenham.

Volto a insistir. Pode ter mudado o nome do coronel, pode até ter mudado a patente do comandante, mas a forma de agir na política não muda. A mecânica da política é mais forte que a mecânica da ideologia.

Podem até os mais românticos imaginarem que estão fazendo diferente. Eles podem até, em alguns aspectos, estarem realmente tentando fazer diferente e quem sabe em algumas circunstâncias estejam fazendo diferente realmente, mas as práticas da política são mais fortes e se impõem de forma indelével.

Quem viver verá!

 

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A Tocha

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Outro dia, assistindo ao Jornal Nacional, me peguei sonhando em ser um dos escolhidos para carregar a Tocha Olímpica em sua passagem por São Luís.

Imaginei aquele menininho que era levado pelo pai para ver os jogos do Moto no velho Estádio Santa Isabel, ou que ganhara do tio Samuel as flámulas dos times de futebol de salão dos anos 1950: Cometas, Drible, Saturno, Riachuelo…

Depois minha imaginação me levou ao Jaguarema e ao Lítero, para as tardes e noites esportivas, nas terças e quintas. Para as primeiras aulas de basquete com Sergio, Gafanhoto e Paulão. Mais tarde, para os animados jogos de tênis com Cléon, Ratinho, Jaime, Mario Filho, Alexandre, Maia Ramos, Heraldo Guimarães…

Ao mesmo tempo em que eu pensava nisso, minha autocrítica dizia pra mim que só isso jamais me faria merecedor de tal honraria. Então resolvi turbinar meus motivos, afinal eu tinha sido um bom jogador de basquete, seleção maranhense… Joguei tênis razoavelmente, venci diversos torneios, fui um grande duplista de meu tempo… Isso tudo ainda me parecia muito pouco para toda aquela honra.

Apelei! Desferi um golpe abaixo da linha da cintura nos argumentos que se opunham ao fato de eu desejar carregar a tocha. Eu havia sido o autor da lei de incentivo à cultura e ao esporte. Lei que é a responsável pelo grande e excelente desempenho desses setores em nosso estado, principalmente no esporte, o que propiciou a construção de diversas praças esportivas, a realização de grandes eventos locais e nacionais, a conquista de diversos títulos para nosso esporte, inclusive o de campeão da Liga Nacional de Basquete Feminino pelo Sampaio.

Sempre me orgulhei muito de ter desenvolvido o bom senso como forma de me posicionar em relação ao mundo, e ele, meu bom senso, naquele momento, deu um tapa, de mão aberta, na minha cara.

Em meio aqueles pensamentos, como um balde de água fria, raciocinei a seguinte coisa. Quais seriam os convidados para carregar a Tocha em nossa cidade? Imaginei que deveriam ser pessoas importantes para o esporte, pessoas de relevância na comunidade. Comecei imediatamente a fazer uma lista daquelas pessoas que eu imaginava tivessem muito mais legitimidade que eu em ter aquele privilégio.

O professor Dimas, pioneiro no ensino de modalidades esportivas em nosso estado; Claudio Alemão, um dos nossos primeiros dirigentes esportivos, responsável pela primeira geração de grandes atletas de nossa terra; Manoel Martins, pesquisador e historiador do futebol; Alfredo Menezes, jornalista esportivo; Jota Alves, radialista e incentivador do esporte; Hamilton ou Juca Baleia, representando os jogadores de futebol; professor Mangueirão, responsável pelo esporte paraolímpico em nossa terra; professor Mesquita, a alma do JEMs; professor Eduardo Teles, representando os abnegados treinadores de nossa terra; os atletas olímpicos que representaram o Maranhão em outros jogos, Tania, Ana Paula, Silvia, Joelma, Codó, China, entre outros.

Passou o nome de tanta gente boa e mais merecedora que eu pela minha cabeça! Uma infinidade de professores e atletas, uma enorme quantidade de dirigentes esportivos e educacionais, personalidades importantes na cidade, como dr. Generoso, diretor do Hospital do Câncer…

De repente me lembrei daqueles dirigentes esportivos comunitários que não saiam da Sedel, pleiteando material, transporte, e apoios de um modo geral para desenvolverem o esporte em suas comunidades. Todos mereciam muito mais do que eu aquela honraria.

Lembrei-me também da equipe de deficientes visuais do futebol de salão, que sem enxergar, chutavam uma bola com muito mais garra que eu. Depois disso caí na realidade e me conformei em não ter sido convidado para carregar a Tocha Olímpica. Foi ai que a desilusão de não realizar aquele sonho deu lugar a uma grande satisfação proveniente da constatação da grandeza de nosso esporte e das queridas pessoas que construíram e constroem a sua história.

Sinto-me plenamente representado por elas, mesmo que elas também não tenham sido convidadas para carregar a Tocha Olímpica, em sua passagem por São Luís!

 

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A Hora e a Vez!…

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É chegada a hora e a vez do deputado, e agora novamente ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, eleito pelo voto popular pela primeira vez em 1978, portanto há quase 40 anos trilhando os caminhos da política, assumir definitivamente o comando de seu grupo.

Ele tem tudo para isso! É experiente, culto, bom orador, bem articulado, bem relacionado, respeitado por todos, inclusive por seus adversários, que sempre o tiveram em um bom conceito.

Zequinha, como ele é chamado pelos mais íntimos, é correto cumpridor de seus acordos, simpático e elegante no trato da vida social e na política, sempre desenvolveu a atividade parlamentar de forma um tanto independente do posicionamento de seu pai, tanto, que por diversas vezes ficaram em campos legislativos opostos.

É lógico que a nomeação dele para o ministério do presidente em exercício, Michel Temer, é ainda reflexo do poder e da influência que Zé Sarney mantém, principalmente dentro do PMDB, mas também no cenário político nacional. No entanto, só o prestígio de Sarney não seria suficiênte para emplacar alguém em um ministério. O indicado precisaria ter nome capaz de valorizar a indicação e suportar as pressões que advêm dela.

Sarney Filho desenvolveu em sua passagem pelo Ministério do Meio Ambiente, durante o segundo governo de Fernando Henrique, entre 1999 e 2002, um excelente trabalho, elogiado por diversos ambientalistas. Nos útimos anos aprofundou seu conhecimento no setor, transformando-se em referência na política nacional sobre o tema.

Na política doméstica, aqui na paróquia, se manteve discreto, desenvolvendo seu trabalho parlamentar, sempre em estreito contato com os prefeitos, vereadores e correligionários que o apoiam.

Pelo menos uma vez ele teve prestes a ser candidato a governador de nosso estado, mas foi cogitado também em outras ocasiões. O certo é que nunca foi candidato ao governo, mas sempre se elegeu deputado com extrema facilidade, tendo sido inclusive o deputado mais votado dentre todos.

É muito dificil que os mecanismos da política permitam o protagonismo de duas pessoas da mesma famíla, por isso, a ascenção de Roseana à condição de governadora do Maranhão, cargo que ocupou por 14 anos, colocou Zequinha, de certa forma, na penumbra do poder.

Mas ele, muito cedo, adquiriu a capacidade de voar com suas próprias asas, o que fez com que consolidasse em torno de si um nicho de representantes importantes de seu grupo político, e desenvolveu com os demais um relacionamento afável, respeitoso e confiável, o que agora lhe dá a possibilidade de reclamar para si o comando de todo o seu grupo, uma vez que seu pai, Zé Sarney, já ultrapassou a barreira dos 86 anos e que sua irmã, Roseana, já afirmou, reinteiradas vezes, que não mais deseja participar da vida eleitoral do Maranhão, tanto que jogou fora, em 2014, uma eleição ganha para o Senado. Sarney Filho poderá agora ser a amálgama que unirá as forças políticas que gravitam em torno de si.

Tenho vívidas lembranças de fatos que o ligam a dois políticos bem diferentes entre si. O primeiro foi o então deputado estadual Haroldo Saboia, que saindo de uma noitada de boa comida para mim e de boa bebida para ele e para outros parlamentares, no extinto restaurante La Boheme, de Tália Rola e Teresa Martins, me disse um tanto alto: “Brigo com o Sarney Filho, mas sei que ele é o que de há melhor na famíla Sarney… Acontece que ele jamais será governador do Maranhão…”

O outro político que comentou sobre ele foi meu pai, Nagib Haickel, num dia em que estávamos só nós dois, voltando para casa, ele como sempre, dirigindo seu Chevetinho: “Meu filho, eu sei que Fernando é verdadeiramente teu amigo, que ele gosta de ti e demonstra isso, mas o melhor deles, em termos de política, é Sarney Filho!…” Meu pai me disse isso poucos dias antes de morrer, em setembro de 1993, a propósito de especulações sobre quem da família Sarney seria candidato a governador do Maranhão.

Por tudo isso, porque as circunstâncias o beneficiam e porque o seu grupo precisa realmente se reciclar, passar por uma profunda faxina e uma importante reforma, adaptando-se verdadeirmente às novas formas de fazer política, é que eu acredito que seja a hora e a vez de Sarney Filho liderá-lo.

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Mais do Mesmo

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O processo de impeachment é de natureza eminentemente política, tendo, no entanto, obrigatoriamente, que se basear em lastro jurídico.

Por causa da natureza ambígua de seu objeto fático, algo proveniente de mera manifestação da vontade política, com pressuposto regramento legal, fica complicado definirmos o que configura, sem que sobreviva a menor dúvida, um crime de responsabilidade, capaz de levar um presidente da Republica a perder o mandato que lhe foi outorgado pelo povo, nas urnas.

Que fique bem claro que uma coisa é a eleição que coloca o governante no poder, outra coisa é a destituição deste governante por cometimento de irregularidade suficiente para tanto. As duas coisas podem coexistir e coexistem em nossa Constituição, sem que nenhuma supere a outra em legalidade.

Se no Direito Penal a dúvida deve ser contabilizada em favor do réu, no caso do processo de impedimento de um agente público, essa lógica deve ser invertida, pois desses agentes esperamos a mais completa correção e a indispensável lisura no trato da coisa pública. Logo, a instauração de um processo dessa natureza deve ser acatada, a menos que não haja o menor indício para tanto.

O que parece cristalino para mim é turvo e opaco para outras pessoas. Observados através de filtros ideológicos, políticos e partidários, coisas que para uns são tão nitidamente aceitáveis do ponto de vista jurídico e legal, para outros são absurdos que subvertem o estado de direito, abalam os alicerces da República e comprometem a democracia.

Quem está certo!? A resposta a essa pergunta resultará consequentemente na constatação do erro de alguém!?

Em meio a tudo isso, sentimentos abomináveis afloram. Intolerância, sectarismo, maniqueísmo, preconceitos de diversos matizes, autoritarismo, cinismo, hipocrisia…

Aprendi muito cedo que se deve sempre conversar, dialogar, debater, discutir… Todas essas gradações crescentes da função parlamentar que tanto prezo. Vejam que não usei os verbos insultar, cuspir, agredir ou brigar!

Digo isso para comentar a horrível sessão do plenário da Câmara dos Deputados que aprovou a continuidade do processo de impeachment e seu envio ao Senado Federal. Foi uma das cenas mais constrangedoras que eu já presenciei e confesso que ela quase faz perder o brilho de ver a lei sendo cumprida.

Quanto ao processo político em si, acredito que tenha ficado claro para muita gente, da mesma forma que ficou para mim, o fato de os apoiadores da presidente Dilma Rousseff terem construído em “benefício” dela, uma defesa utópica, baseada por um lado, na vitimização do réu, e por outro, na utilização midiática dessa bandeira, o tal do “golpe”! Bandeira essa que foi desfraldada inicialmente na intenção de garantir o apoio da militância em torno de uma causa praticamente indefensável.

A alegação de que a imprensa mobilizou-se, orquestradamente, de comum acordo com a oposição, era apenas mais um capítulo da novela cujo enredo apresentava a tese recorrente de golpe geral, onde todos que se posicionavam contra os interesses do governo, eram e são golpistas, fascistas, e estavam lutando para reverter as conquistas sociais que os governos do PT implementaram em nosso país. Com isso usavam o medo como arma de convencimento, como já haviam feito antes, na época da eleição.

Dilma e seus correligionários usaram dois tipos de argumentos em sua defesa: A negação da existência de crime de responsabilidade e a alegação de que outros agentes públicos cometeram as mesmas irregularidades elencadas na ação pelos denunciantes.

Foram de certa forma, infantis. Era como se dissessem algo do tipo: “Papai, faz um tempo, peguei um dinheiro em sua carteira, mas ontem recoloquei no lugar!”, e “Mamãe, eu bati no meu coleguinha hoje, mas fulano também bateu!”.

Isso tudo, pouco importa agora. O que realmente importa é que o novo governo possa agir no sentido de recuperar a economia de nosso país, possa trabalhar para gerar empregos e fazer retornar a credibilidade do Brasil a patamares aceitáveis no contexto das nações.

 

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Menos Três!

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Na semana passada experimentei uma sensação deveras angustiante. É que ocorreu o falecimento de três homens ligados à minha família, um por laço sanguíneo e os outros dois por fortes laços fraternais.

Trata-se de Reynaldo Aragão Pinto, meu tio, irmão de minha mãe; Alvimar de Oliveira Braúna, amigo dos mais amados por toda nossa família; e Lauro Berredo Martins, amigo de meus pais que nós aprendemos a admirar por sua impecável personalidade.

Dos três, aquele com quem eu tive menos proximidade foi com o desembargador Lauro, mas o fato de não convivermos proximamente não invalidou a admiração que aprendi a ter por esse cavalheiro, no modo de portar-se, e por esse cidadão de postura republicana exemplar, que tendo sido grande amigo de um dos maiores amigos que meu pai teve, Newton Bello Filho, mereceu a transferência dessa amizade para toda nossa família.

Ainda sobre Lauro Berredo prevalece o conceito que minhas queridas amigas Ceres Murad e Elizabeth Rodrigues tinham de seu tio Lauro, incentivador de seus sonhos e de seus voos culturais pelo mundo encantado do conhecimento.

Outro falecimento que abalou nossa família na semana que passou foi o de meu tio Reynaldo. Um tio que se não era efetivamente presente em nossas vidas, pois a vida às vezes nos leva por caminhos distantes, era um tio com quem invariavelmente nos encontrávamos nas recorrentes festas de família, aniversários, casamentos, batizados… O ruim é que depois de passado algum tempo as famílias começam a se encontrar mais recorrentemente em velórios.

Tio Reynaldo era aquele tio que fascinava por seus olhos incrivelmente azuis, herdados de seus avós de ascendência portuguesa e por sua constante alegria. Rey, como meu avô Pinto chamava o filho que trabalhava com ele, primeiro na Ideal, depois no Pap’s Lanches, situado no andar térreo do Grêmio 1º de Janeiro, ali na Praça João Lisboa, era empresário do setor de alimentação e entretenimento, tendo sido proprietário da famosa boate Tijupá, do restaurante Panela de Barro e diretor do clube social do Banco da Amazônia.

Quase todas as recordações que tenho de tio Rey me vêm sempre acompanhadas da presença espirituosa e irônica de vovô Pinto, o que pra mim é uma maravilhosa reminiscência.

Por fim perdemos Braúna. Tio Braúna, como desde criança fomos ensinados a chamar Alvimar. Um grande e querido amigo… Um verdadeiro irmão para meu pai, cunhado para minha mãe…

Alvimar Braúna sempre foi reconhecidamente um homem bom, um benemérito dos menos favorecidos, um pai para os pobres que o procuravam em busca de alguma ajuda.

A presença de centenas de pessoas humildes no velório de Braúna me fez ter a certeza da grande quantidade de órfãos que ele deixou, alguns deles bem mais velhos que ele próprio.

Depois da morte de nosso pai, eu e meu irmão Nagib, sempre que tínhamos que tomar uma decisão importante, nos aconselhávamos com tio Braúna. Agora nos encontramos mais sós. Perdemos um homem que na ausência de nosso pai era um parâmetro em nossas vidas.

Estamos mais pobres, mais tristes, mais sozinhos… Em uma única semana foram-se três importantes referenciais…

Que todos nós, que de alguma forma dependíamos destes bons homens, possamos, não os esquecendo jamais, trilhar os caminhos de seus ensinamentos e exemplos.

 

PS: Enquanto redigia esse texto, na quinta-feira, 5, fui informado que nosso bom amigo Fernando Lameiras falecerá no dia anterior, vitima de complicações derivadas do diabetes.

O mundo tá ficando pequeno!

 

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Carta aberta a Temer

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Nota: Quem a primeira vista ler o título acima pode imaginar que eu extrapolo, pode imaginar que eu esteja querendo aparecer ao mandar uma missiva ao homem que poderá vir a ser o futuro presidente da republica! Mas não se trata disso! Eu convivi durante quatro anos com Michel, quando juntos fomos deputados federais constituintes, entre 1987 e 1991.

Não construímos uma grande e sólida amizade, mas mantivemos uma estreita convivência quando fizemos parte da mesma comissão, a de direitos e garantias individuais.

Certa vez, quando representei a Câmara dos Deputados em viagem oficial à China, enquanto era relator do projeto que pretendia estabelecer no Brasil a pena de morte, foi Michel Temer que na condição de sub-relator da matéria, durante a minha ausência, substituiu-me por quinze dias, na direção das audiências públicas sobre o assunto.

Dito isso, passo à carta.

 

Caro amigo Michel,

Não nos vemos faz muito tempo e espero que apesar da grande pressão pela qual você vem passando, esta lhe encontre bem e com saúde.

Tive o prazer de conviver com você e com amigos da estatura de Artur da Távola, Guilherme Palmeira, Florestan Fernandes, Nelson Jobim, Renan Calheiros, Henrique Eduardo Alves e António Mariz, apenas para citar alguns. Naquela ocasião eu era o quarto mais jovem deputado da constituinte, só tendo mais jovens que eu, o Aécio, a Rita e o Cássio, e tive de vocês, mais experientes, toda a simpatia e todo o carinho necessário para realizar ali, o meu pequenino trabalho.

Comecei na política como deputado estadual em 1982 e depois de 32 anos resolvi que era hora de parar e não mais exercer mandatos ou cargos políticos. Agora me dedico exclusivamente à literatura, ao cinema e ao trabalho em uma fundação com finalidade cultural e educativa.

Apesar disso, amigo Temer, não consigo deixar de participar, indiretamente, dos debates sobre as coisas da política, não consigo deixar de ouvir e de falar sobre as coisas que acredito serem importantes para nosso país, e é por isso que me atrevo a enviar-lhe essa carta, para pedir-lhe uma única coisa, nada para mim, nada sobre política paroquial, mas no sentido de reforçar a ideia que eu tenho certeza que é sua desde sempre: Faça o melhor que você puder pelo nosso país!

Essa frase resume tudo o que desejo de você, mas eu não seria um verdadeiro político se não acrescentasse algumas observações: Não se deixe pressionar; Não admita pressão de nenhuma forma ou maneira; Tenha pulso forte, não tenha medo de ser intransigente num momento para poder transigir quando for possível; Os que lhe cercam precisam mais de você que você deles. O primeiro sacrifício deve ser o seu, o segundo os daqueles que lhe cercam e só depois o sacrifício tem que ser dos demais, ficando para o fim o sacrifício de nosso combalido povo.

Os políticos que tirarão Dilma, por motivos justíssimos, não hesitarão em tirá-lo por motivos semelhantes ou não, mas ao invés disso causar-lhe temor, deve fortalecê-lo, sem que essa fortaleza faça a arrogância e a prepotência aflorar-lhe a pele.

Lembre-se de Itamar Franco, ele foi a pessoa certa no lugar certo naquele grave momento pelo qual passava o Brasil. Você poderá ter o mesmo papel que Itamar teve naquela ocasião, mas lembre-se que ele não tinha tantos compromissos como você tem. Esses compromissos podem vir a lhe pesar muito, meu amigo! Esses compromissos podem custar muito caro ao trabalho de salvação que você precisa realizar no país.

Espero que você tenha coragem de diminuir a máquina estatal, incorporando e fundindo pastas ministeriais. Não dê ouvidos a alguns políticos, que nessa ocasião, irão querer apenas se aproveitar da situação.

Não tenha receio de administrar remédios amargos, pois muitas vezes é do amargor da poção que provém a magia da cura. Não tema amputar um membro gangrenado, pois essa providência pode salvar o paciente.

Não se cerque só de amigos que lhe tecem loas. Escute com mais atenção quem o critique, pois destes, você ouvirá coisas com as quais realmente deverá se preocupar.

Não transija com a corrupção, pois é ela a maior inimiga de nosso país neste momento gravíssimo de nossa história.

Desenvolva ao extremo a compreensão, a tolerância, a generosidade, mas não aceite que seus assessores cometam desvios de conduta. O único maquiavelismo admissível deve ser o seu e usado apenas em total favor do Brasil.

Não aceite compromissos ou acordos que comprometam a imagem do seu governo. Não aceite barganhas imorais. Elimine aqueles que comprometerem a imagem da Nação.

Fale com altivez ao mercado, dando a ele as condições de salvar a nossa economia, sem jamais comprometer ou sacrificar as causas sociais.

Mostre à comunidade internacional que a nossa democracia é jovem, mas é sólida e que as prerrogativas constitucionais serão sempre resguardadas.

Seja menos partidário e mais estadista. Pense num Brasil sem colorações partidárias ou ideológicas. Não politize suas ações nem as decisões governamentais.

Meu amigo Michel, esse é o momento que você esperou por toda sua vida. É o momento decisivo da vida de seu país, no qual você, à frente dele, não poderá falhar.

Coloque como meta primeira de sua vida, neste momento, o orgulho e a honra de entrar para a história de nosso país como aquele político, que numa hora tão difícil, onde os políticos estavam desacreditados, foi capaz de resgatar nossa nação e o Estado fundado dentro dela, levando-nos a tempos melhores.

Nesse intento meu amigo não faça concessões. Prove àqueles que não acreditam em seus bons propósitos que você é de outra cepa.

Poderia escrever e escrever até meus dedos cansarem de bater nas letras deste teclado, mas sei que tudo que lhe disse e todo o resto que tenho a lhe dizer são de seu conhecimento… Mas é necessário que seja dito e repetido.

Ao final, quando você tiver conseguido tirar nosso país dessa avassaladora crise, lembre-se de Juscelino e estenda a todos o lenço branco da paz.

Neste momento, Michel, o Brasil não precisa de um simples presidente, nem mesmo de um que tenha sido eleito por milhões e milhões de votos. O que nós precisamos meu amigo, é de alguém que nos guie pra fora desta tempestade que vem destruindo famílias e empresas, que vem sacrificando duramente o povo e a nação brasileira.

Sem mais para o momento,

Encerro desejando-lhe sabedoria e tenacidade para suportar os desafios que atravessarão seu caminho nos próximos tempos.

Abraço,

Joaquim Haickel.

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Vergonha!

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Não me lembro de alguma ocasião em que eu tenha sentido mais vergonha do que no último domingo, 17 de abril de 2016, quando no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, os representantes do povo brasileiro votaram o parecer aprovado na comissão especial destinada a apreciar a autorização para que se instaurasse no Senado, processo de perda de mandato da presidente Dilma.

Ocorre que aquela vergonha nada tinha de minha. Ela não era resultante de ato praticado por mim. Ela era consequência do pavoroso espetáculo que foi assistir quase a totalidade dos parlamentares que lá estavam exercendo seu direito e sua obrigação ao voto, proveniente do mandato outorgado pelo povo brasileiro, justificarem seus posicionamentos das maneiras mais esdrúxulas e bizarras que qualquer ser humano com um mínimo de bom senso poderia imaginar.

Não quero julgar aqui o mérito do voto de cada um dos deputados. Se eles votaram sim ou votaram não, é uma mera questão de posicionamento de cada um, do ponto de vista jurídico-político, sobre a admissibilidade da abertura do processo. Gostaria de analisar nesse caso, não o principal, mas o acessório que acabou por desqualificar o principal de maneira tão contundente, que os comentários sobre os efeitos da votação foram quase que totalmente encobertos pela forma tresloucada como os votos foram declarados.

Foram poucos… Foram pouquíssimos os deputados que se restringiram a dizer simplesmente que votavam assim ou assado! Tanto os que se manifestavam favoráveis a que o Senado instaurasse o processo que poderia culminar com a perda de mandato da presidente, quanto os que rejeitavam essa ideia, portaram-se de maneira abjeta, asquerosa, imbecil, inaceitável para pessoas que representam todo o povo de uma nação!

Os absurdos não foram privilégio de quem se opunha à permanência de Dilma. Seus defensores foram tão ridículos em sua defesa quanto aqueles que a atacavam.

Nem vou aqui comentar os insultos que alguns parlamentares proferiram contra o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, acusado de inúmeras irregularidades e de crimes graves, até porque sou dos que acredita que ele já deveria ter sido afastado do cargo… Mas no meio daquilo tudo ali, lembrei-me do dia 5 de outubro de 1988, quando eu e meus colegas constituintes, comandados por Ulisses Guimarães, naquele mesmo templo sagrado da liberdade e dos direitos e garantias do povo brasileiro, cantamos o hino nacional… E aqueles sujeitos ali, maculando de forma absurda a confiança que a eles havia sido confiada pelo povo brasileiro.

Havia certo temor de um possível “efeito manada” quanto àquela votação. O tal efeito manada aconteceu, não no que dissesse respeito ao conteúdo do voto, mas quanto ao seu invólucro, as justificativas que cada parlamentar tinha o direito de fazer quando fosse proferir o seu posicionamento. Alguém começou a falar bobagem e os seguintes o acompanharam tal qual gado rumo ao abate.

Naquela votação foram vistas coisas inacreditáveis. Além do ridículo de citações a familiares, a profissões, a motivos que nada tinham com aquele ato, usou-se muitas vezes o nome de Deus de maneira completamente inapropriada.

Foi um espetáculo digno de um circo de horrores!

Por falar em circo, há um parlamentar que tem como profissão a atividade circense. Um homem de conhecimento formal limitado, de poucas luzes e quase nenhuma letra. Mas esse palhaço por profissão portou-se mais corretamente do que políticos experientes e tarimbados. Em horas como essa, apenas uma fala simples e bem colocada pode ganhar a cena. Era só dizer “voto sim” ou dizer “voto não”!

Aconteceu ainda um caso realmente lastimável. O deputado Jair Bolsonaro, não satisfeito por ser simplesmente um político de extrema direita, resolveu se perpetuar como um burro radical de extrema direita ao elogiar em sua declaração de voto um torturador do tempo do regime militar.

Se aquilo foi marketing, surtiu efeito! Mas o efeito contrário foi infinitamente maior, devastador, comprometendo inclusive, em parte, o resultado da votação.

Apenas para que não passe em branco: a cusparada que o deputado Jean Willys deu em Bolsonaro é outra coisa completamente injustificável, a menos que eles estivessem em um bordel disputando um acompanhante, e ainda assim, acredito que as pessoas que frequentam um bordel teriam melhores modos!…

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Não vejo Golpe!

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Gostaria de dizer que votei duas vezes em Lula, com quem convivi entre 1987 e 1991, durante a Constituinte, e em Dilma em sua primeira eleição em 2010. Não votei nela em 2014, pois naquela altura já sentia o desmando e o descontrole que acontece naturalmente quando ocorre o prolongamento de certo estilo de poder, principalmente quando quem o exerce é um mero substituto, não qualificado para a ação.

Os projetos de poder que se apresentaram para o Brasil nas três últimas oportunidades, primeiro com Collor, depois nos oito anos sob o comando do PSDB, depois com esses 13 anos de PT, são provas vivas do despreparo e da falta de capacidade daqueles que nos governaram no último quarto de século.

Mas vamos ao que realmente interessa: o impeachment.

A primeira votação é apenas de admissibilidade do processo de afastamento. Ela se dá em uma comissão especial composta por deputados de todos os partidos com representação na Câmara dos Deputados. Um microcosmo no qual um bom governo deveria ter a maioria ou então não dar nenhum indício de ter cometido crime de responsabilidade.

Nessa fase de mera admissibilidade, a menor sombra de dúvida quanto à culpabilidade deve fazer com que o processo seja admitido e enviado a julgamento pelo Senado, pois apenas lá, segundo a Constituição, é que um presidente pode ser julgado quanto a crimes que possam levá-lo à perda de mandato.

Não tendo conseguido se livrar do processo nessa primeira instância, o presidente em questão pode se livrar do processo de impedimento ainda uma segunda vez, quando o plenário da Câmara dos Deputados apreciará, aprovando ou rejeitando, a decisão da comissão especial de impeachment.

Nessa instância, a totalidade dos representantes do povo, os deputados federais, dirão se são favoráveis ou não para a continuação do processo. Se o sim for vencedor, o processo vai ao Senado e o presidente da Republica é afastado, assumindo seu substituto legal.

No Senado ocorrerá o julgamento em si. Lá serão apresentadas as acusações e as defesas pertinentes ao caso. Nesta hora os ritos judiciários se impõem com mais força e intensidade. Se nas duas primeiras votações os ritos judiciários deveriam ser seguidos, agora eles se tornam indispensáveis, pois só aqui se dá o julgamento em si, antes o que estava sendo votado era apenas a admissibilidade do processo, coisa que poderia ter sido contornada politicamente, se o governo tivesse maioria tão expressiva que barrasse as acusações que lhe foram feitas. As duas primeiras votações são equivalentes ao voto de desconfiança, comum no parlamentarismo.

No Senado haverá o julgamento, propriamente dito, onde acusação e defesa irão apresentar seus argumentos para os 81 jurados que, primeiramente votarão pela aceitação ou pela rejeição da autorização vinda da Câmara. No caso da aceitação, o Senado irá apreciar as provas apresentadas pela acusação e pela defesa.

Como em qualquer julgamento, é o júri quem absolve ou condena, mesmo sendo a acusação verdadeira ou falsa. Cabe aos advogados de acusação e de defesa, provarem a culpa ou a inocência do acusado.

É bem verdade que o júri pode agir em desconformidade com as provas apresentadas, mas isso pode acontecer em qualquer julgamento, com qualquer júri, em relação a qualquer réu.

Não vem ao caso aqui, se eu acredito que houve ou não cometimento de crime pela presidente. Não vem ao caso o que eu acredito que vá acontecer na votação deste dia 17/04/2016 na Câmara dos Deputados ou sobre o que poderá acontecer no Senado Federal, caso o plenário da Câmara dos Deputados endosse o resultado da votação da comissão especial do impeachment. A única coisa que importa é o cumprimento da Constituição.

O que resultar disso deve ser aceito e acatado por todo o povo brasileiro. Rezemos apenas para que o que quer que seja decidido pelo plenário da Câmara seja o melhor para nosso país, que enfrenta a maior crise moral e econômica de sua história.

 

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“A gente somos Inútil!”

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Um dos maiores problemas da política maranhense, bem como da política brasileira, e de um modo geral, da política mundial, é a inexistência de uma imprensa realmente livre e imparcial, liberta de partidarismos ou interesses comerciais.

O leitor não consegue ter confiança em uma matéria que não esteja desprovida de algum aspecto partidário, pois o que se vê na prática é que se alguém critica negativamente um governo ou um governante, ou sua administração, este é do contra. Mas se outro alguém critica esse mesmo indivíduo ou instituição positivamente, ele é favorável ao analisado.

É raríssimo no Maranhão, no Brasil, ou mesmo no mundo, analistas que ponderem o que está acontecendo sem o peso do partidarismo ou sem o ranço da influência ideológica.

Recentemente voltou à baila o antigo caso de Pedrinhas. As péssimas condições de encarceramento que afligem nosso complexo prisional não são piores nem melhores do que as dos demais estados brasileiros. Não se pode negar que uma forte onda de violência aconteceu algum tempo atrás, motivada por uma guerra intestina, dentro das diversas facções que dominavam o presídio e também o crime nas ruas de nossa capital e do nosso estado.

Este problema foi abordado anteriormente de forma partidária e não apenas jornalística. Os jornalistas adversários da então governadora Roseana Sarney usaram toda espécie de argumentos para narrar e expor o caos do complexo prisional e do sistema carcerário de então, enquanto os jornalistas ligados à então governante do Maranhão tratavam de minorar o problema, esquecendo ou não abordando aspectos realmente equivocados daquela gestão.

O que ocorre agora é uma inversão de polos. Quem antes atacava, agora defende e vice-versa, fazendo com que o cidadão fique à mercê desse jornalismo partidário, onde o jornalista de antes como o de agora está a serviço de uma causa política partidária, grupal, oligárquica, independentemente de quem sejam os grupos implicados.

Alguém pode imaginar, em sã consciência, que os graves problemas estruturais do sistema prisional e carcerário do Maranhão tenham sido resolvidos pelo simples fato de ter havido uma mudança no comando dos destinos do Estado? Ou aqueles problemas não eram tão grandes como se dizia ou eles, grandes e complexos como realmente são, ainda não foram sanados.

Concordo que as mudanças que foram feitas podem ter sido saneadoras em alguns aspectos, mas é difícil crer que o que era um inferno um ano atrás, agora seja um paraíso.Mas o problema maior, em minha modesta opinião, não é esse, pois esse terá que ser resolvido de uma forma ou de outra. O maior problema, para o qual não vejo uma solução plausível, a longo prazo, é o fato de nosso jornalismo ser partidário.

Vejamos o caso nacional. Há hoje no Brasil três correntes jornalísticas. Uma maior, que ataca o governo petista, outra menor que o defende por motivações inversas, enquanto uma pequena fatia tenta fazer um jornalismo que pesa e pondera as coisas e os fatos de modo imparcial.

Ocorre que essa pequena fatia de jornalistas coerentes, que fica imprensada no meio fogo cruzado entre os que amam e os que odeiam Lula, Dilma e os petistas, quando eles ponderam uma coisa que favorece o PT são considerados partidários do PT, quando o fazem atacando ações que desfavoreçam o atual governo e seus representantes são considerados tucanos, coxinhas ou fascistas.

A política em nosso país, e infelizmente, em nosso estado, deixou de ser uma construção de proposituras e ações positivas, para se transformar numa busca desesperada pelos erros do adversário, como se um só pudesse se sobressair se o outro sucumbir na lama do erro e da corrupção.

Torço para ver nas televisões, ler nos jornais, blogs ou nas redes sociais, matérias que sejam realmente imparciais, que possam representar opiniões fundamentadas em fatos concretos e não na defesa dos interesses deste ou daquele grupo político.

 

PS: Depois de terminar esse texto e relê-lo para revisá-lo, tive um acesso de riso. Acho que estava maluco quando o escrevi, pois isso sempre existiu, só está pior e infelizmente parece que não vai acabar.

 

 

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Minha Historia com Maria Aragão

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Fui procurado tempos atrás por uma simpática produtora cinematográfica que estava fazendo um documentário sobre a líder comunista Maria José Aragão. Alguém disse a ela que eu era amigo de Maria e possuía um grande acervo imagético sobre o Maranhão e seus mais importantes personagens. Imediatamente coloquei à disposição da produção todo o material pertencente ao Museu da Memória Audiovisual da Fundação Nagib Haickel.

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Ela quis saber como conheci Maria Aragão, como ela era. Disse-lhe que conheci Maria no começo dos 80. Maria já era um ícone de nossa sociedade. Mulher, médica, comunista. Corajosa, disposta, aguerrida. Camarada para alguns, cúmplice para outros, mãe para alguns outros, avó para os mais jovens, mas sempre uma pessoa capaz de conquistar um amigo com seu sorriso largo, de olhinhos apertados e sua gargalhada solta.

Fui apresentado a ela por amigos comuns. Aldionor Salgado, Cordeiro Filho e Sergio Braga. Nessa ordem, os três me levaram até ela dizendo que eu precisava aumentar o meu currículo e conhecer a mulher mais importante do Maranhão.

Ao ser apresentado por Aldionor, ela brincou referindo-se ao meu pai, dizendo que eu era visivelmente um melhoramento genético do “caboclo do Pindaré”, a mesma terra onde ela nasceu. Quando Cordeiro me apresentou a ela, naquilo que seria a segunda vez a apertar-lhe a mão, desta vez, mais a vontade ela disse a Cordeiro que já conhecia “esse pão do Pindaré”. Quando Sergio Braga, todo formal e gozador, disse a ela que iria lhe apresentar um jovem “direitista” que precisava ser resgatado para as lutas populares e o melhor caminho para fazer isso seria pelas mãos de uma mulher inteligente e charmosa, ela retrucou dizendo estar à disposição e que se fosse apresentada a mim mais uma vez, ia acreditar que era coisa do destino e iria realmente me seduzir. A gargalhada foi geral.

Continuei me encontrando com Maria pela cidade e pela vida. Quem a conheceu sabe o que ela significou, não só pela sua luta social e democrática, mas pelo seu jeito de ser. Não falo isso porque é bonito falar ou por ser politicamente correto. Maria Aragão é uma das pessoas mais incríveis que eu conheci e não estou falando da ativista, que é extraordinária, falo da pessoa.

Em 1983, montei uma gráfica com o artista gráfico Paulinho Coelho, em cima do depósito de cimento de meu pai, no Desterro. Lá passou a ser o ponto de encontro do pessoal da poesia, da política, da cerveja, das “minas”…

A Gráfica Guarnicê era na verdade mais frequentada pelos meus amigos da esquerda que pelos governistas, que nunca foram por lá.

O padre Marcus Passerine, da paróquia de São João fazia conosco seus impressos e jornais. Até meu colega, deputado Luiz Pedro, imprimia seus panfletos lá.

Uma vez Paulinho entrou pálido em minha sala dizendo que tínhamos um problema. Luiz tinha trazido um jornal para rodarmos e nele havia uma fotografia minha e outra de meu pai. Era alguma coisa contra o governo, ele relacionava os políticos que segundo ótica editorial, eram contra o povo. Não pensei duas vezes. Mandei pegar o trabalho. “Ora bolas Paulinho! Se nós não ficarmos com os dólares albaneses desses comunistas eles vão levá-los para outra gráfica, meu filho! Isso é que é a tal economia de mercado contra a qual eles tanto lutam”. Infelizmente ainda hoje alguns poucos comunistas continuam com essas bobagens.

Foi nesse clima que em uma manhã chuvosa de janeiro, subiu as escadas de nossa “célula”, sede da Revista Guarnicê, ninguém menos que Maria Aragão, acompanhada pelo vereador Aldionor Salgado e Mary Ferreira. Ela queria imprimir folders, panfletos e blocos de rifa, onde seria sorteada uma coleção completa dos livros de Florestan Fernandes, tudo para levantar dinheiro para os eventos do dia internacional da mulher.

Ao chegar ela foi logo dizendo que o preço tinha que ser “camarada”, coisa de “companheiro”. Ela era permanentemente bem humorada.

Chamei Paulinho num canto e perguntei se havia sobrado papel da última edição da revista, ele respondeu que sim, então resolvi não cobrar nada pelo serviço.

O dito foi feito. Maria voltou para buscar o material poucos dias depois e ainda me fez comprar dois blocos completos das rifas. Na ocasião ela disse que se eu tivesse sorte ganharia, e assim poderia aprender nos livros de Florestan coisas importantes para meu trabalho político e para minha vida como cidadão. Lembro que ela anotou em uma agenda os números dos blocos que eu comprei.

Nos idos de março Maria me entra na gráfica, acompanhada de um jovem musculoso carregando uma caixa de papelão. Disse que vinha entregar o prêmio da rifa, os livros de FF.

Nunca soube ao certo se ganhei mesmo aquela rifa ou se aquela coleção era a forma de Maria agradecer pela ajuda. Na hora da entrega ela disse que precisava me resgatar da direita e que Florestan era um bom caminho para isso.

Anos mais tarde, em Brasília, já como constituinte, tive a honra de ser colega do grande Florestan Fernandes. Fui apresentado a ele por meu querido amigo Artur da Távola. Em certo momento de nossa primeira conversa ele se vira pra mim e diz: “A Maria me falou de você. Espero que os livros tenham servido para alguma coisa”.

Dali por diante Florestan perguntava por Maria toda vez que me encontrava. Eu, de sacanagem com ela, dizia quando a encontrava, que seu namorado, FF, havia lhe mandado um beijo. Ela ria com os olhinhos apertados.

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