A contabilidade da Vida

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Já falei desse assunto aqui, mas acredito que nunca seja demais comentar, principalmente usando uma abordagem nova, tendo como base uma matéria que realmente não controlo e que me deixa um tanto inseguro. Trata-se de contabilidade, mas não aplicada aos negócios ou às empresas. Falo da contabilidade necessária para aferirmos se somos felizes ou não, ou melhor dizendo, se somos mais ou menos felizes, nesse ou naquele tópico da vida.

Vou fazer a minha contabilidade para que você use-a como base para fazer a sua e possa ter uma noção do que se passa com sua vida.

Comecemos pela contabilidade da saúde: eu tenho um pouco mais de crédito do que débito nesse setor. Imagino que por enquanto o balanço aqui seja de 55 x 45. Fico pouco enfermo, uma ou outra dorzinha de cabeça, raramente fico resfriado, mas tenho um relevante sobrepeso, minha taxa de tolerância a insulina começa a se elevar, aos 55 anos fiquei hipertenso e preciso repor minha B12… O quadro parece difícil, mas tudo isso é controlável, desde que eu obedeça aos médicos, tome os remédios, faça dieta e exercícios físicos… O que me leva diretamente a uma segunda análise. Sou mais desobediente que obediente.

Outro quesito a ser analisado é o da família. A minha é uma família equilibrada, bem estruturada, nela as pessoas se amam e os problemas que enfrentamos são apenas os problemas inerentes ao dia a dia. Nesse campo poderia dizer que o jogo contábil seria de 85 x 15.

Amigos: nesse âmbito posso dizer que sou um artilheiro. Tenho infinitamente mais pessoas que posso chamar de amigos que aquelas que seriam o oposto disso, coisa que imagino não ter nenhum. Ter um Inimigo é como ter um câncer. Quem tivesse vários inimigos teria vários cânceres. Eu gosto de imaginar que tenha adversários em algumas questões. Gosto até de cultivá-los para que na lida com eles possa aparecer o melhor de mim. Preocupo-me muito em não permitir que nenhum adversário se torne um inimigo. Se aparecer algum terá sido por escolha dele, jamais minha.

É bem verdade que existem algumas pessoas que não gostam de gente. Alguns têm até certa razão para isso. Não os culpo, mas o problema é muito mais deles do que meu. Alguém magoado ou inconformado com algo que eu tenha feito, com uma posição minha… O certo é que nesse balanço contábil da amizade tenho um superávit de 90% contra apenas 10% de déficit, além do que, eu costumo dizer que pra gostar de mim só precisa esquecer os preconceitos e me conhecer melhor!

Nos negócios, o balanço, apesar de ser também superavitário, é mais complexo. Existem fatores extremamente delicados e voláteis a serem analisados. Nossos negócios nunca dependem só de nós. Uma série de fatores influenciam a análise desse tópico, mas vamos tentar.

Mesmo sofrendo as influências do mercado, das regulamentações do poder público que a maioria das vezes é caolho e tacanha, mesmo sendo atingidos por concorrentes nem sempre bem intencionados, temos sobrevivido satisfatoriamente. Não somos tão poderosos quanto algumas pessoas imaginam, mas também não somos tão fracos quanto outros supõem. Imagino que esse balanço esteja na casa do 60 para 40.

Exerci cargos públicos entre 1979 e 2014 e durante todo esse tempo, por onde passei, de oficial de gabinete do governador, a deputado estadual, sendo deputado federal constituinte e secretário de estado, acredito que realizei mais coisas boas que coisas não tão boas. Sempre busquei o acerto, sempre lutei pelo equilíbrio, sempre persegui a coerência, todas essas coisas muito difíceis de serem alcançadas no mundo da política.

Nesses 36 anos, posso não ter conseguido só vitórias, mas jamais perdi uma eleição e sempre mantive a postura inerente aos bons políticos.

O contabilista que há em mim diz que meu superávit nesse quesito é de 75 contra 25 de déficit natural da função. Caso alguém conteste esses números posso facilmente provar que eles estão corretos, para isso basta que chamemos para depor correligionários e adversários meus do município de São Domingos do Maranhão, por exemplo, e quem não acreditar em minha contabilidade descobrirá que sou amado por uns e respeitado pelos outros. Se isso não for suficiente apresentarei as leis de incentivo à cultura e ao esporte, de minha autoria, motores desses setores em nosso Estado. Se isso não bastar, que levante minha ficha na justiça veja quantos processos existem contra mim!

O balanço agora é o cultural. Neste eu começo em débito. Nasci em uma família de classe média, meus pais não tinham largos horizontes culturais e mesmo assim eu abri o meu caminho com uma incrível dificuldade de leitura e uma desenfreada inquietação. Hoje, essas duas coisas são tidas como doenças: Dislexia e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade.

Começando daí tinha tudo para não ir a lugar algum. Minha mãe e minha professora Terezinha, intuitivamente, inventaram um método de me fazer aprender com mais clareza e agilidade: pelo ouvido e pelos olhos. O audiovisual salvou minha vida intelectual.

Depois disso subi degrau por degrau até chegar aqui onde estou, na base da pirâmide cultural de minha terra, e de onde acredito não vou sair. O topo não é para mim. Sempre preferi os coadjuvantes. Como digo em um poema, “Não se esqueça dos coadjuvantes eles são mais importantes e necessários que você imagina”.

Com um placar 65 x 35, penso ainda em melhorá-lo, mas tenho consciência de que se o fizer vai ser mais pelo trabalho que eu e meus formidáveis parceiros temos realizado no resgate e na preservação da memória audiovisual do Maranhão que em meu mérito pessoal.

Já contabilizei minha saúde, minha família, meus amigos, meus negócios, a política e a cultura, resta apenas dizer que no que diz respeito ao amor eu sou um felizardo. A maioria das vezes que amei, meus amores foram correspondidos em quantidade, qualidade e intensidade, quando não o foram eu os usei como combustível para meus poemas, contos e crônicas. Nesse ponto penso que o balanço é de 95 x 5, e o superávit aumenta a cada dia em que vivo com Jacira.

Somei todos os balanços, os prós e os contras, e cheguei ao resultado médio de 75 x 25. Com um placar assim meu amigo, você acha que alguém pode reclamar da vida.

Faça a sua contabilidade, os seus balanços. Espero que os resultados sejam positivos e que você os possa melhorar a cada dia.

 

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No Escurinho do Cinema

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Já faz algum tempo que eu tenho vontade de fazer uma pergunta pra você que me prestigia com sua leitura, aqui nesse privilegiado espaço. Será que você poderia me dizer o que é mesmo que as pessoas vão fazer nas salas de projeção de cinema?

Pergunto isso porque acredito que assistir a filmes é uma das coisas que algumas pessoas não vão fazer nesses lugares.

Eu vou, pelo menos uma vez por semana ao cinema, sendo que às vezes vou a este lugar de entretenimento duas vezes na mesma semana e chego a ir até três vezes, quando a oferta de filmes é generosa. Com essa frequência acabo sendo testemunha da existência de grande quantidade de uma espécie de hominídeos, similar ao grupo de criaturas bípedes do qual eu e você fazemos parte, que infelizmente, assim como nós, também frequentam esses lugares.

Vou tentar ajudar você nessa investigação sobre o que alguns dos descendentes de Caim, de um ramo diferente do nosso, vão fazer nas salas de projeção de cinema.

Em primeiro lugar, vamos estabelecer os tipos desses seres quase alienígenas que convivem conosco nas escuras salas onde a sétima e mais polivalente das artes humanas se consuma:

Existem os que vão para o cinema se alimentar. É como se aquele local e aquela atividade, lhes propiciasse um apetite desenfreado. Eu até entendo que o hábito de comer uma pipoquinha e tomar um refrigerante no cinema é uma coisa saudável e ajuda a entrarmos no clima, a ficarmos à vontade, como se em nossa própria casa estivéssemos. Ocorre que uma coisa é uma pipoca e outra coisa é um excessivamente aromático Mac Fish, capaz de infestar com o cheiro de peixe e de cebola toda a sala, fazendo com que até pessoas que não suportem sanduiches de peixe queiram dar uma mordida no maldito, fazendo com que o desconcentrado vizinho divida sua atenção entre a guloseima e a talentosa Juliane Moore que na tela interpreta a esquecida “Alice”.

Outra coisa importante. Anteriormente disse que a pipoca e o refri podem nos fazer sentir estar em casa, mas em que pese este sentimento ser importante, não devemos jamais esquecer que não estamos. Estamos no cinema, logo não devemos nem podemos colocar os pés na poltrona da frente, como se estivéssemos na sala de estar de nossa residência.

Voltando a falar de comida. Um dos pecados capitais nos cinemas de todo mundo são os pequenos ruídos causados pelos saquinhos de guloseimas que levamos para dentro das salas. Deste pecado nem eu, nem o papa Francisco estamos absolvido. Saquinhos de pipoca, embalagens de balas e bombons bem como qualquer ruído pode distrair o vizinho de uma cena imperdível de “O Enigma”. Pecado capital!

Ainda na categoria das comidas existem os porcalhões, que se não atrapalham o filme, acabam com a higiene e a civilidade do ambiente.

Outra categoria de atrapalhadores dos cinemas são os namorados, que hoje estão democraticamente divididos em três categorias distintas e em duas classificações de comportamento. Comecemos pelos comportamentos. Existem os discretos e os indiscretos, aqueles que parecem que vão ao cinema porque não encontraram outro lugar mais aconchegante para se pegarem. Estes fazem tantos e tão variados barulhos, que nem a mais discreta das criaturas, e eu não me incluo entre essas, deixaria de notar e observar.

Vejamos agora as categorias, e é bom que se diga que a existência delas está assegurada no artigo quinto da Constituição Federal. A categoria 1 é composta por uma pessoa do sexo masculino e outra do sexo feminino. Estes, com raras exceções, são os menos mal comportados. Depois, vem a categoria 2, composta por duas pessoas do sexo feminino, que se pode dizer que tem um comportamento aceitável na maioria das vezes, mas cometem um outro grave crime que será mais adiante abordado. Incontinência digital. Por fim, na categoria 3, formada por duas pessoas do sexo masculino, os campeões de pegação no cinema. Ou é isso ou é azar meu. Talvez o problema seja o lugar que eu sento no cinema. Escolho sempre a última fileira, na direção do corredor e alguns rapazes escolhem exatamente a última fileira, nas duas cadeiras, as mais próximas à parede. Um dia, ou melhor, uma noite, quase eu interrompo os amassos de um casal de rapazes, pois estava com medo que um deles matasse seu companheiro de tanto espremê-lo contra a parede, ou mesmo de asfixia. Isso sem falar nos frenéticos ruídos dos beijos.

Quero deixar claro que aqui não há nenhum ingrediente de preconceito quanto à opção sexual de cada um, o que há é a indignação de quem adora filmes e que vai ao cinema para assisti-los. Quando quero pegar minha mulher de jeito, o faço em casa ou em algum outro local reservado, onde só eu e ela contracenemos.

Existem ainda aquelas pessoas que vão para o cinema bater papo. São amigos falantes, casais que discutem as relações, pais que tentam explicar para os filhos o que está acontecendo no filme, ou traduzir para eles o que disse um ou outro personagem.

Falar baixo e discretamente dentro da sala de cinema não chega a ser uma violação gravíssima. Eu também falo no cinema, faço um ou outro comentário, mas fazer como o casal que certa vez sentou-se ao meu lado e passou o filme inteiro comentando os problemas da família de um parente… Eu estava a ponto de dar um grito, e olha que eu sou bem paciente!

Esse é o segundo pior tipo de vizinho de poltrona de cinema. Ele só é superado pelos mais imbecis de toda a galáxia: Os usuários compulsivos de telefones celulares e de todos os aplicativos de comunicação à disposição deles.

Outro dia quase avanço sobre um rapaz que tinha na mão um objeto luminoso que me fazia lembrar o vulcano “Spock”. Ele tilintava o instrumento e as luzinhas piscavam como em “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”. Passou muito tempo até que minha mulher perdesse a paciência e pedisse para que ele desligasse o aparelho.

Desse tipo não existem poucos espécimes. Eles são muitos e acreditam que o que fazem é a coisa mais normal e correta que existe.

Por isso meu caro amigo leitor, é que te pergunto o que é mesmo que essas pessoas vão fazer no cinema? Assistir a filmes é que não é!

PS: Em que pese hoje ser Dia das Mães, eu não consegui preparar um texto sobre essas maravilhosas rainhas dos lares. Por mais que tentasse, a única coisa em que eu conseguia pensar era na minha sorte e na minha felicidade por ser filho da melhor mãe do mundo, e dizer isso em todo um texto soaria cabotino! Por isso deixei para fazê-lo só aqui, neste PS.

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Na Asa do Vento 

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Em todos esses anos, o fracasso, graças ao bom Deus, não têm sido meu companheiro de jornada. Recentemente, no entanto, depois de semanas de muito trabalho, experimentei a presença incômoda dele. Talvez nem se possa dizer que o que aconteceu tenha sido totalmente um fracasso. Relatarei o acontecido e gostaria que você julgasse.

Eu e um grupo seleto de profissionais do cinema, composto por roteiristas, produtores e diretores, nos juntamos para construir e apresentar projetos ao Fundo Setorial do Audiovisual, que estava recebendo propostas para séries destinadas às TVs públicas.

Resolvemos apresentar dois projetos. Um sobre os fluxos migratórios brasileiros e outro sobre crianças confrontadas com temas da atualidade. Ambos com 13 episódios, sendo que no primeiro, eles teriam duração de 52 minutos e no segundo, apenas de 7.

O projeto sobre as crianças, que chamamos de “Vozes do Futuro”, foi construído sem maiores problemas, pois concebi uma mecânica simples para executá-lo, sendo que o roteirista Mauro D’Addio me ajudou a contextualizar as ideias de forma rápida e eficaz, com isso o projeto ficou rapidamente pronto.

A partir daí caímos de cabeça no outro projeto, muito mais denso, cheio de camadas e um prato cheio para gente apaixonada por documentação audiovisual.

A abordagem estava construída em minha cabeça desde o momento em que resolvi entrar no projeto.

Em cada episódio da série sobre correntes migratórias acontecidas no Brasil entre as décadas de 50 e 80, batizadas de “Migrantes – Na Asa do Vento”, apresentaríamos um radialista, o Zé Demétrio, que do estúdio de sua pequena, mas poderosa rádio em ondas médias e tropicais no remoto sertão do Nordeste brasileiro serviria de link com seus vizinhos que resolveram levantar voo e se aventurar por outras paragens. Esse personagem foi criado por Messina Neto, escritor que sistematizou nosso roteiro.

Zé Demétrio seria muitas vezes a voz dessas pessoas, seu correio, seu padre, seu psicólogo ou conselheiro e refletiria nas histórias que contasse e nas músicas que tocassem a realidade, as circunstâncias e as consequências dessa “arribação”.

Em todos os episódios teríamos pelo menos três depoimentos de antropólogos, sociólogos, psicólogos, historiadores, geógrafos ou outro profissional que pudesse esclarecer melhor as circunstâncias e as consequências desses fluxos migratórios e das pessoas por trás deles.

Além disso, em cada episódio apresentaríamos pelo menos três depoimentos de testemunhas oculares da história, melhor dizendo, agentes/pacientes desses momentos, atores que contracenariam nos cenários e nos tempos que são objetos de nossa série.

Usaríamos uma grande quantidade de imagens fotográficas e cinematográficas concernentes aos assuntos que estivéssemos especificamente abordando. Usaríamos também imagens de jornais e revistas que trataram desses assuntos no decorrer dos anos. Nesse contexto, seriam usados recursos gráficos e animações computadorizadas para aclarar os fluxos migratórios.

Apresentaríamos referências históricas e culturais dos tempos e dos espaços por onde os personagens de nossas histórias passaram. Com isso construindo teríamos um cenário rico, amplo e tridimensional, fixando assim na cabeça do expectador as fortes ligações dos migrantes com suas realidades.

Lançaríamos mão de encenações dramáticas para construir reflexões sobre os sentimentos dos personagens dessas histórias. Exemplo disso seria a Jandira, moça que migrou para o Rio de Janeiro com sua família, sublime paixão de Zé Demétrio.

Em todos os episódios nosso radialista chamaria uma audição “ao vivo”, diretamente do estúdio da Rádio Cordel, onde um grupo musical apresentaria uma canção que contextualizaria o assunto abordado naquele capítulo, enriquecido pelas imagens de arquivo.

Lembro ao nobre leitor, que aqui também é o juiz que me julga agora, que o tempo total destes filmes seria de 676 minutos, ou seja, quase 12 horas, tempo que teríamos para contar a história dessas pessoas maravilhosas, que, se não são todas importantes, são todas indispensáveis para que se desenhe o mural de um país permanentemente em movimento.

No final, fizemos tudo isso e quando fomos subir os formulários para o site do FSA deu erro. O site estava congestionado. Não conseguimos apresentar nossos projetos em tempo hábil.

Tentamos de todo jeito, ligamos para lá, falamos com algumas pessoas que, simpáticas, tentaram ajudar, mas não resolveu.

Moral da história: Nadamos, nadamos, nadamos e morremos na praia.

Moral da história 2 – A volta dos que não foram: Vamos descobrir um jeito de produzir estas séries que foram muito bem concebidas e roteirizadas e que merecem ser bem produzidas, para que o público conheça algumas histórias fantásticas sobre si mesmo.

The End.

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Padre António Vieira

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O Poder da Palavra

‘Padre António Vieira – O Poder da Palavra’ é o título do encontro, organizado no âmbito das atividades do PDEC/UA-UM em colaboração com o Professor António de Abreu Freire, que terá lugar na Sala de Atos da Reitoria da UA no dia 20, pelas 16 horas.

O evento terá início com a projeção do documentário ‘A Pedra e a Palavra’ sobre a vida e a obra deste vulto da Cultura Portuguesa, em parte filmado na Universidade de Aveiro, a que se seguirá a  apresentação da ‘Obra Completa do Padre António Vieira’, No final da sessão promover-se-á um debate com todos os presentes.

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Documentário Premiado

A Pedra e a Palavra, do realizador Joaquim Haickel, retrata a vida e a obra do Padre António Vieira através de entrevistas com especialistas em vários países onde o jesuíta atuou no decorrer da sua longa vida como missionário, político, pioneiro e profeta do Quinto Império.

O documentário foi premiado na Competição Avanca, recebendo o prémio Estreia Mundial nos Encontros Internacionais de Cinema, Televisão, Vídeo e Multimédia – AVANCA 2014 e fez parte da Selecão Oficial de Documentários do CINETROFA – Festival de Internacional de Cinema e Literatura da Trofa, 2014.

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Obra Completa

‘A Obra Completa do Padre António Vieira’ foi lançada em dezembro de 2014 pelo Círculo de Leitores, com a direção de José Eduardo Franco e Pedro Calafate e teve como mecenas principal a Santa Casa de Misericórdia de Lisboa.

Em 30 volumes e 15 mil páginas, a coleção traz a recolha, análise, interpretação e autenticação de milhares de documentos provenientes de arquivos e bibliotecas portuguesas e estrangeiras, realizada por uma equipa multidisciplinar de paleógrafos, latinistas, linguistas, filósofos, historiadores, teólogos, juristas, cientistas literários, entre outros especialistas.

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Filme maranhense faz sucesso em Portugal

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fotoblogjoaquim

Padre António Vieira – O Poder da Palavra

‘Padre António Vieira – O Poder da Palavra’ é o título do encontro, organizado no âmbito das atividades do PDEC/UA-UM em colaboração com o Professor António de Abreu Freire, que terá lugar na Sala de Atos da Reitoria da UA no dia 20, pelas 16 horas.

O evento terá início com a projeção do documentário ‘A Pedra e a Palavra’ sobre a vida e a obra deste vulto da Cultura Portuguesa, em parte filmado na Universidade de Aveiro, a que se seguirá a  apresentação da ‘Obra Completa do Padre António Vieira’, No final da sessão promover-se-á um debate com todos os presentes.

Documentário Premiado

A Pedra e a Palavra, do realizador Joaquim Haickel, retrata a vida e a obra do Padre António Vieira através de entrevistas com especialistas em vários países onde o jesuíta atuou no decorrer da sua longa vida como missionário, político, pioneiro e profeta do Quinto Império.

O documentário foi premiado na Competição Avanca, recebendo o prémio Estreia Mundial nos Encontros Internacionais de Cinema, Televisão, Vídeo e Multimédia – AVANCA 2014 e fez parte da Selecão Oficial de Documentários do CINETROFA – Festival de Internacional de Cinema e Literatura da Trofa, 2014.

 Obra Completa

‘A Obra Completa do Padre António Vieira’ foi lançada em dezembro de 2014 pelo Círculo de Leitores, com a direção de José Eduardo Franco e Pedro Calafate e teve como mecenas principal a Santa Casa de Misericórdia de Lisboa.

Em 30 volumes e 15 mil páginas, a coleção traz a recolha, análise, interpretação e autenticação de milhares de documentos provenientes de arquivos e bibliotecas portuguesas e estrangeiras, realizada por uma equipa multidisciplinar de paleógrafos, latinistas, linguistas, filósofos, historiadores, teólogos, juristas, cientistas literários, entre outros especialistas.

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English

‘António Vieira – The Power of the Word’ is the title of the meeting to be held at the Acts Room of the Rectory of AU, the 20th April at  4 p.m., within the activities of the DPCS / UA-UM and in collaboration with Professor António de Abreu Freire.

The event will begin with the projection of the documentary “The Stone and the Word ‘about the life and work of this figure of Portuguese Culture in part filmed at the University of Aveiro, to be followed by the presentation of ‘Complete Works of Father António Vieira’.  The session will be concluded with an open discussion.

 Documentary Awarded

In ‘The Stone and the Word’, the director Joaquim Haickel, portrays the life and work of Father António Vieira through interviews with experts in several countries where the Jesuit acted in the course of his long life as a missionary, political, Fifth Empire pioneer and prophet .

The documentary was awarded in Avanca Competition, receiving the World Premiere Film award at the International Meetings, Television, Video and Multimedia – AVANCA 2014 and was part of the Official Selection of Documentaries at CINETROFA  – International Festival of Cinema and Literature of Trofa, 2014.

Complete Works

‘The Complete Works of Father António Vieira’ was launched in December 2014 by Círculo dos Leitores Editions, under the direction of José Eduardo Franco and Pedro Calafate with funding from Santa Casa de Misericordia de Lisboa.

In 30 volumes and 15,000 pages, the edition includes the collection, analysis, interpretation and authentication of thousands of documents from Portuguese and foreign libraries archives, carried out by a multidisciplinary team of paleographers, Latin scholars, linguists, philosophers, historians, theologians, lawyers, literary scientists, and other experts.

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Balanço do Twitter

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Os erros das administrações estaduais não são privilégios dessa ou daquela. Todas cometem os seus, independentemente de quais sejam.

Já disse antes e repito agora: Se há um governo ele está errando. O erro é inerente à ação de direção, é inerente à AÇÃO de modo geral.

Errar, portanto é aceitável, insistir no erro é burrice! Arrumar desculpa para os erros é imaturidade, encará-los e resolvê-los é maduro.

A atual administração do Maranhão só irá começar quando realmente seus membros pararem de colocar culpa nas administrações anteriores…

… Quando nos propomos a mudar um quadro, um cenário, um panorama, Haverá uma hora em que teremos de parar de reclamar dos erros do passado…

… E começarmos a resolvê-los, não os esquecendo, mas fazendo com que não se repitam. Essa atitude deixará a todos mais confiantes de que…

… As mudanças prometidas acontecerão e não são apenas retórica de palanque, discurso de campanha. São reais.

“Os governos passados eram uma merda, tudo neles estava errado”. OK, tudo bem! O povo concordou com esse discurso e mudou o grupo governante…

… Agora é preciso que arregrassemos as mangas e que trabalhemos para mudar realmente o Maranhão. É hora de pararmos de reclamar e agirmos…

Erros irão acontecer, isso é inevitável, mas desculpas não resolverão esses erros. Quem tiver no comando tem que assumi-los e saná-los…

Meus comentários aqui não são contrários a atual administração estadual, são a favor do Maranhão, um alerta aos que estão no poder!

XXX

Inteligencia, cultura, informação, sabedoria são apenas alguns ingredientes indispensáveis ao bom governante…

… Quando isso está em uma pessoa disponível, operante, dedicada e aberta é o melhor dos mundos…

… Se além de tudo isso a pessoa é bem intencionada, honesta, coerente e sensata é o paraíso…

… Quando o governante não tem uma ou algumas destes pré-requesítos as coisas ficam difíceis. A dificuldade piora com o tempo…

… Existem outros ingredientes que devem ser rechaçados peremptoriamente: sectarismo, maniqueísmo, hipocrisia e arrogância.

XXX

Já li muito sobre esse negócio de cleros legislativos, e quanto mais leio mais vejo que isso é tudo é uma questão de opinião!

Eu devia pertencer ao baixo clero… Fiquei por lá entre 1983 e 2011… Não deu tempo de ir além de sacristão…

Por exemplo, muitos deputados não conseguem chegar nem a parlamentares, quanto mais a bispos ou cardeais…

Alguns passam anos ocupando cargos de secretários de estado e saem de lá sem terem feito amizades verdadeiras e importantes…

Você não pode dizer que um deputado desses, pertença a uma casta legislativa superior…

Por outro lado, alguns simplesmente com simpatia e atenção se tornam influente, passa a ser ouvido e levado em consideração.

 

 

 

 

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Primeiro Movimento

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Algumas pessoas me perguntam o que eu penso da nova administração estadual, de como, em minha opinião, está se saindo o novo governo do Maranhão.

Respondo indagando deles por que perguntam a mim, no que são quase unânimes em afirmar que desejam uma análise feita por alguém que acreditam ser criterioso, coerente, justo e imparcial em suas ponderações, pois antes, não poupava críticas nem mesmo ao governo do qual fazia parte.

Ocorre que, em minha opinião, será prematura e precipitada qualquer análise que se venha fazer em relação ao novo governo e ao grupo que o comanda, antes do tempo mínimo necessário para a ambientação das pessoas e afinação da máquina administrativa.

Posso dizer apenas que as primeiras e mais importantes mudanças ocorridas até agora são as mudanças dos nomes das pessoas na gestão dos negócios do Estado e a mudança da filosofia política e operacional no dia a dia dessa administração.

Em resumo, não vou me manifestar sobre a administração estadual antes de 180 dias de sua instalação, tempo que acredito necessário para que as pessoas e as estruturas administrativas que elas gerenciam, alcancem seu pleno funcionamento. Tempo suficiente para que ninguém no governo ainda esteja falando da herança maldita deixada pela oligarquia destronada e já estejam preparados para realizar as prometidas soluções dos problemas de nosso Estado, melhorando definitivamente a vida do povo maranhense.

Acredito porem que já seja tempo de abordarmos outro importante assunto. O que vai acontecer na próxima eleição para prefeito de São Luís? Quem são os candidatos? Quais as forças políticas, e não apenas os candidatos, que se colocarão na disputa? O que estará em jogo?

São muitos os ingredientes e nuances desse cenário que promete apresentar grandes emoções nos próximos capítulos dessa intrincada novela.

Olhando o cenário de hoje, os nomes que em outubro de 2016 estarão postos à escolha do eleitor ludovicense serão o do atual prefeito Edivaldo Holanda Júnior e o da deputada Eliziane Gama. Outros nomes poderão aparecer nas telas das urnas eletrônicas, como por exemplo, um candidato do PMDB que pode ser Roseana Sarney, Lobão Filho ou Ricardo Murad. Eu não acredito na candidatura dos dois primeiros e quanto à do terceiro, é impossível prever suas atitudes.

Não podemos esquecer partidos com forças políticas importantes como PSDB, que mesmo totalmente controlado pelo governo estadual, possui políticos com força eleitoral que não pode ser desconhecida como João Castelo, Sérgio Frota e Neto Evangelista.

Existem ainda nomes que ambicionam o comando político do Palácio La Ravardiere, como o deputado Bira do Pindaré e o reitor da UFMA, Natalino Salgado.

Ocorre que de verdade mesmo só os dois citados no topo desta listagem possuem reais chances de se elegerem. Resta saber como cada um vai se movimentar daqui pra frente neste intrincado tabuleiro de xadrez político.

Existem pequenos e inacreditáveis fatores nesse contexto, como por exemplo, Edivaldo Júnior e Eliziane Gama disputarem diretamente os votos dos evangélicos, o que faz com que a católica secretária de Saúde do município Helena Duailibe seja de fundamental importância nesse quadro. O mesmo pode se dizer em relação ao trabalho diplomático que os candidatos possam vir a fazer em relação a outros partidos, líderes políticos classistas e comunitários que possam influir no fortalecimento de suas candidaturas.

Em que pese todas essas coisas, em minha modesta opinião, essa será uma eleição decidida fora das urnas. O que na verdade vai importar mesmo é sobre qual dos dois candidatos vai recair a preferência do Palácio dos Leões. O apoio do governador Flávio Dino irá sacramentar a eleição de seu escolhido e tudo leva a crer, até agora, que este é o atual prefeito de São Luís.

Os movimentos do governador engessam os dois contendores no que diz respeito à busca de apoios fora da base de sustentação do governo. Nem Edivaldo nem Eliziane podem se lançar em busca de apoios de partidos como o PMDB ou de integrantes do grupo Sarney. Quem fizer isso terá a antipatia dos Leões e de seus inquilinos.

O panorama hoje me parece mais favorável ao prefeito do que à deputada, e imagino que para se consolidar nessa posição ele tenha que fazer de tudo, dentro das normas republicanas e democráticas do jogo político, para que a população se agrade de sua administração, coisa que as pesquisas demonstram que não está acontecendo já faz bastante tempo.

Nesse jogo a figura mais importante é mesmo a do governador que deve escolher o momento de sentar à mesa com seus correligionários e estabelecer os parâmetros de suas ações. Quanto mais ele demorar a fazer isso mais vai desgastar os dois, enfraquecendo-os, ao ponto de terem que aceitar de bom grado o que ele venha a decidir.

Isso é o que faria um chefe político de antigamente, um coronel do tempo antigo. Nesses tempos de mudança e modernidade acredito que o melhor a fazer é sentar logo à mesa para conversar aberta e democraticamente.

Se o que quer é mesmo apoiar Edivaldo Junior, o líder deve oferecer à deputada Eliziane mais espaço na administração do Estado que simplesmente uma Secretaria da Cultura que ela não tem, a indicação do vice-prefeito na chapa do prefeito, cargos importantes na administração municipal, desde logo, e o apoio para ela na candidatura a prefeito em 2020.

É claro que esses compromissos devem ser todos avalizados pelo próprio governador, obrigando com que tudo aquilo que for acordado seja integralmente cumprido, caso contrário, ele, o avalista dessas promissórias políticas, as executará, na falta do eficiente cumprimento das partes.

Alguns amigos meus dizem que sou um louco visionário. Que penso tudo errado no que diz respeito à política. Pode até ser, mas é assim que eu penso, e se fizermos um retrospecto, veremos que eu acerto muito mais do que erro.

A política é uma sinfonia e este é apenas o rascunho da partitura de um primeiro movimento desta peça.

 

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Uma semana movimentada!

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Três fatos políticos chamaram bastante minha atenção nos últimos dias. Dois deles aconteceram aqui mesmo em São Luís e o outro em Brasília.

Gostaria de comentar, em primeiro lugar, a desfiliação do Partido Verde do Bloco Parlamentar Democrático, na Assembleia Legislativa.

Sou testemunha da grande dificuldade que tiveram alguns parlamentares na montagem deste bloco, até porque o PV estabeleceu critérios para dele participar, coisa plenamente comum e dentro das regras do jogo republicano e democrático, nas montagens de coalizões parlamentares.

Desde o início ficou claro para todo mundo que o PV participaria desse bloco como forma de proporcionar uma participação privilegiada a seus membros dentro da Assembleia. Ficou claro que desse partido na ALM ninguém deveria esperar apoio sistemático ao governo, pelo contrário, quem tivesse bom senso deveria saber que o PV enquanto partido se posicionaria contra o governo. Seus membros, individualmente, poderiam uma hora ou outra apoiá-lo. Tendo quatro deputados, a contagem seria algo como 50% das vezes 2 a 2, 30% delas 3 a 1 contra o governo e outros 20% 3 a 1 a favor dele.

Quando das montagens dos blocos parlamentares, conversando com alguns deputados, disse a eles que acreditava que PV e PMDB deveriam formar um grupo, assim ficaria patente quantos deputados apoiavam o governo e quantos eram contra ele, mesmo que em casos específicos alguns dos oito deputados desses dois partidos pudessem votar com o governo, da mesma forma que alguns dos 34 deputados restantes viessem vez ou outra, se posicionar contra.

Acho um erro a saída do PV do BPD. Leva a se pensar em falta de compromisso com a palavra empenhada, coisa que a boa política não admite. Se o PV não queria ficar nesse bloco, não deveria ter entrado nele. A boa política é feita de gestos verdadeiros, de compromissos calculados. Ninguém deve fazer algo para o qual não esteja preparado. Ninguém é obrigado a isso, bem como não é obrigado a nada.

Alguém que circunstancialmente falte com a palavra empenhada deve ter a correção de também renunciar aos privilégios que essa circunstância lhe propiciou.

Ah! Meu Deus! A frase anterior, escrita com toda cautela e a sabedoria que sou capaz de possuir, me remete ao outro fato que me chamou atenção durante a semana que passou.

Um ministro de estado, de uma pasta importante, vai à Câmara Federal e reitera o insulto que havia feito aos deputados em outra ocasião.

Fez isso em busca exclusivamente de audiência, sabia que sua atitude repercutiria em todas as mídias por bastante tempo, tanto que este pobre escrevente trata disso aqui hoje.

Que preparo teria o indigitado para ocupar o cargo para o qual foi nomeado? O aval de ter sido por oito anos, governante do Ceará? Tempo que somado aos outros oito anos de seu irmão mais velho e mais aloprado, coloca uma fraca presidente da República de joelhos ao escolhê-lo como ministro? Esse seria o motivo de sua nomeação? Pouco, não é!?

Para alguns, Cid Gomes entrou para a história do Brasil como uma pessoa corajosa, mas estes não sabem definir o que é coragem política. Respondam: quem tem mais coragem? Alguém que confrontado com a situação difícil em que se encontra o país, assume elegantemente a responsabilidade pela atabalhoada e inconveniente fala sua? Ou agrava a situação do país tentando sair de cena como herói, enquanto foi apenas um fanfarrão? Para aparecer, um espanador bem colocado seria mais eficiente.

Cid Gomes é produto do mesmo tipo de política que ele acusa os deputados de praticar. A diferença é que ele é apenas mais hipócrita.

O que disse Cid Gomes dos deputados, dito por alguém do povo, ou até por um jornalista, é aceitável. Suas palavras ditas por um ministro são inadmissíveis, mesmo sendo verdade! Como é que alguém tenta apagar fogo usando gasolina?

Por fim o terceiro fato: emendas parlamentares impositivas.

Gostaria de iniciar dizendo que se eu fosse deputado seria favorável a essa proposta, e que mesmo não o sendo, acredito que ela deva ser implementada, mas com dispositivos que não permitam que os recursos dela proveniente seja usado de modo nefasto, a ponto de desvirtuar sua destinação e sem a possibilidade de transformá-los em fator de preponderante vantagem na reeleição dos deputados.

O governo manobrou para que alguns parlamentares retirassem as assinaturas de apoiamento para apresentação da PEC que criaria esse dispositivo. Talvez tenha feito isso por pensar que tais emendas possam ser prejudiciais à sua tranquilidade legislativa. Que, se os deputados estivessem fortes, consequentemente o governo estaria fraco. Caso pense assim, está enganado. Se o Legislativo estiver forte e essa fortaleza lhe for promovida pelo Executivo, ambos se sentirão satisfeitos e poderão trabalhar juntos e em harmonia.

Gostaria de dizer que a emenda impositiva foi defendida por muitos anos por um grande parlamentar, que não conseguiu aprová-la. Quis o destino que ele fosse guinado a um dos postos de comando mais importantes do Estado. Naquela ocasião estive com ele, como deputado e seu amigo, tentando fazer com que ele aproveitasse o poder em suas mãos para aprovar o projeto que antes defendia com fervor, ao que me respondeu que naquele momento ele não mais o achava necessário. O tempo se passou, ele deixou o poder e perdeu a oportunidade de implantar seu projeto. Coisas da política!

Sou favorável a emendas impositivas no valor de um milhão de reais, sendo 70% deste valor destinado à saúde e 30% para onde deseje o parlamentar. Acredito que deva haver ainda mais dois milhões em emendas não impositivas, também obedecendo a esses percentuais. Acredito que essa solução seja do agrado ao Executivo e contemple também os interesses do Legislativo.

 

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O mais importante agora

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Neste dia em que manifestações contrárias ao governo estão marcadas para acontecer em todo o país gostaria de lembrar um texto publicado por mim aqui neste mesmo espaço em 5 de outubro de 2014, onde comentava que uma coisa seria indispensável depois daquele evento.

Disse e quem quer que ganhasse aquela eleição teria que trabalhar com dedicação e afinco por uma reforma política e eleitoral que possibilite uma evolução democrática e justa de nossa forma de convivência em sociedade, da escolha de nossos representantes, de como as pessoas devem votar em defesa de suas idéias e de seus posicionamentos sociais, ideológicos e políticos.

Além disso, disse que uma reforma tributária e fiscal seria indispensável para que o país, o governo à frente dele, possa ser mais justo para com aqueles que em primeira e última análise o sustentam e o subvencionam.

Tanto as manifestações favoráveis ao governo acontecidas na última sexta-feira 13, bem como as que as manifestações contrárias a ele que acontecerão neste domingo 15, são ações políticas menores perto das reformas citadas acima. Com a realização dessas reformas haverá uma imediata diminuição das pressões econômicas e políticas.

Mas voltemos a falar daquilo que é o mais importante agora, a reforma política. Ela deve começar pela escolha de um novo modelo eleitoral, onde a representatividade do voto possa ser mais efetiva e respeitada. As primeiras coisas a serem resolvidas são a obrigatoriedade do voto e o financiamento público de campanha. Sou a favor dos dois.

Ninguém deve ser obrigado a votar. Todos nós devemos sim é comparecer à votação, da mesma forma que o cidadão é obrigado a se apresentar para o serviço militar. Comparecendo à votação e manifestando seu desejo de não votar, o eleitor pode votar em branco ou nulo. Essa é uma manifestação de vontade, que nesse caso pode ser interpretada como desacordo ou insatisfação com as propostas apresentadas pelos candidatos.

O financiamento público pretende coibir o comprometimento dos candidatos, futuros mandatários com os seus financiadores. Em todas as democracias do mundo existe isso. E existe mais! O lobby é prática regular e regulamentada nos Estados Unidos, por exemplo, mas devo reconhecer que a nossa cultura política não está preparada para tantos avanços de uma só vez. Por isso, acredito que devamos recorrer a uma solução híbrida, onde para cada centavo destinado por um doador – pessoa jurídica-, outro real deverá ser destinado por ele para ser rateado entre os demais partidos ou candidatos. Tal medida, de cara, em tese, reduziria pela metade o financiamento privado de campanha e possibilitaria o acesso ao financiamento de candidatos e partidos que jamais teriam acesso a ele.

Depois disso é imperativo que se resolva duas questões delicadas e graves. O instituto da reeleição para os mandatos no Executivo – prefeitos, governadores e presidente -, tem demonstrado trazer consigo vícios que comprometem um segundo tempo de governança. Na prática, o que se vê é que o primeiro ano do primeiro mandato é dedicado à arrumação da casa e das dívidas de campanha; O último ano do primeiro mandato é dedicado à reeleição; o primeiro ano do segundo mandato é parecido com o do mandato anterior e o último é dedicado à eleição do sucessor. Se formos fazer as contas descobriremos que efetivamente restarão quatro, no máximo cinco anos de oito de efetiva administração. Nós estamos nos enganando com esse negócio de reeleição! Sou favorável a mandatos de cinco ou seis anos sem reeleição para cargos executivos.

Outro ponto que deve ser corrigido é a não coincidência dos mandatos. Um país como o Brasil não pode ter eleições de dois em dois anos. Nossa economia não aguenta, nem no tocante à diminuição de seu funcionamento, nem no tocante à oscilação de valorização de ativos, sejam de ações ou imobiliários, seja na movimentação gigantesca de nossa máquina de administração eleitoral, seja na intensa movimentação política que ocorre na vida de nossas cidades, estados e do país.

Deveríamos estabelecer eleições gerais, onde em dois dias de votação, de cinco em cinco ou de seis em seis anos se vote num sábado para vereadores, prefeitos, deputados estaduais e governadores e no dia seguinte, no domingo, se vote em deputados federais, senadores e presidente da República. Nesse caso os senadores continuariam a ser representantes dos estados, mas passariam a ter também mandatos de 5 ou 6 anos, acabando com eleições intercaladas de 1/3 e 2/3 de seus membros.

Em seguida deveremos nos debruçar na escolha do tipo de votação. O voto proporcional não expressa, com legitimidade, a vontade do cidadão. Mas se formos analisar a vontade do cidadão, veremos que o voto em lista também não atenderá a esse anseio. Restará a nós, mais uma vez, o uso de uma forma híbrida de aferição eleitoral. O voto distrital misto, onde metade das vagas disponíveis seriam disputadas pelo voto majoritário, onde os mais votados se elegeriam, e a outra metade resolvida em disputas distritais, onde cada unidade federativa seria dividida em distritos e os partidos apresentariam um candidato para representá-lo em cada um deles.

A reforma eleitoral deve vir respaldada numa maior desregulamentação da eleição. Hoje o TSE e seus tribunais correlatos nos estados dizem até o tamanho do cartaz que o candidato pode usar.

A lei eleitoral é absurda, em alguns aspectos, como por exemplo, quando permite o pagamento financeiro de pessoas para participar de bandeiraços e proíbe a distribuição de brindes como camisetas, bonés, canetas, coisas que são produtos midiáticos.

O tema é vasto e não caberia em uma crônica de jornal, por mais extensa que ela fosse, mas o importante é que esse debate não pare até que uma boa reforma política e eleitoral tenha sido realizada em nosso país, dando mais confiabilidade e respeitabilidade à escolha de nossos representantes e mecanismos que garantam o efetivo, eficiente e eficaz funcionamento das instituições da república.

 

 

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A Pedra e a Palavra em mais um festival

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O Filme A Pedra e a Palavra, Longa metragem documental que retrará vida e a obra do padre António Vieira, Produzido e dirigido por Joaquim Haickel e Coi Belluzzo foi selecionado para participar de mais um festival de cinema em Portugal. Veja abaixo o convite.

 

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