Discurso proferido na sessão solene em homenagem ao jubileu de ouro do Colégio Dom Bosco

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Senhor presidente,
Senhoras e senhores deputados 

O deputado Edivaldo Holanda propôs e essa casa faz realizar, para o nosso contentamento, esta sessão solene, que visa homenagear a um dos maiores e mais importantes centros de ensino, não apenas de nossa cidade ou de nosso estado, mas do norte e nordeste de nosso país e quem sabe de todo ele.

Tal homenagem se deve ao transcurso do Jubileu de ouro do Colégio Dom Bosco que aconteceu no dia 25 de Maio desse ano.

Falar do Colégio Dom Bosco, para mim é muito fácil, mas falar do trabalho que foi fazer com que ele se transformasse naquilo que ele é hoje, para mim e para qualquer pessoa, seria muito difícil. Por isso, resolvi não usar minhas palavras para homenagear aqui, nesta data, esse Colégio que ajudou a formar boa parte dos homens e mulheres que hoje compõem a sociedade maranhense, em todas as mais diversas áreas de atuação.

São médicos, dentistas, advogados, juizes, promotores, empresários, engenheiros, arquitetos, jornalistas, artistas, pessoas que tiveram suas vidas tocadas pelo carinho e pelo cuidado dessa gente, que cinqüenta anos atrás, sonharam com um jardim de infância que foi crescendo até se transformar nesse gigante que é hoje, inclusive numa importante universidade.

Não vou falar do Dom Bosco usando minhas palavras, vou usar as palavras ditas por essas três mulheres maravilhosas, que sucederam nesta jornada, seu marido e pai, doutor Luiz Pinho Rodrigues, que de onde esta – e com toda certeza deve estar jogando seu xadrezinho em muito boa companhia – está muito orgulhoso do trabalho que essas três realizaram, com a indispensável ajuda e colaboração de um grupo de funcionários que compõem a alma desta família que é o Colégio Dom Bosco. 

Falo de Dona Maria Isabel Pereira Rodrigues, Ceres Rodrigues Murad e de Elizabeth Pereira Rodrigues, a quem peço licença para me apropriar de um pequeno trecho de suas belíssimas palavras, ditas no dia da festa que comemorou os cinqüenta anos do nosso colégio.

 “Quem está com a razão é mesmo o poeta russo Maiakovisk quando diz: Todo mundo sabe que o domicílio do coração é o peito, mas a anatomia ficou louca. Meu coração esta no corpo todo. Neste momento sou toda coração, ele esta palpitando em todo o meu ser”.

A dona dessa primeira frase, durante 27 anos de sua vida ensinou história, mas antes jogou voleibol e, diga-se de passagem, seu time era muito bom alem de muito bonito. Ela havia sido professora do procurador da republica Sergei, foi professora do juiz federal Ney, foi professora de vários dos homenageados daquela noite. Do dentista Paulo, do advogado Sálvio, da pedagoga Raíssa Murad, do jornalista Felix…

Como professora de historia, apaixonada por Platão, ela o cita sem cerimônia, interpretando o grande mestre: “Quando há alguma coisa errada com uma “polis”, é porque nesta polis, nesta comunidade, não existe verdadeiros guardiões. O verdadeiro guardião de uma comunidade é o saber, a educação, e uma educação adequada”.

Ela continuou dando aula, dizendo que educação adequada é muito mais do que o ideal de educação. É a Paidéia grega. É educação, cultura, formação para formar o sábio, o poeta, o estatístico. Foi isso que o Dom Bosco nos deu, a possibilidade e a oportunidade de perseguirmos o ideal da Paidéia, o ideal da educação, de uma formação adequada.

“É uma emoção indizível, viver este momento e celebrar com a família tantas realizações. Esta família, que com os laços de afeto, trouxe também no DNA, o amor pela educação, a dedicação às pessoas, às crianças que passaram e que passam, ao longo desses anos, e que nos fazem viver, sentir e aprender intensamente, grandes emoções junto com elas”.

A autora desta segunda frase dedicou-se desde muito cedo a pedagogia e às crianças. Trata-se da professora Ceres Murad.

Lembro-me que uma vez, quando eu exercia o cargo de secretario de educação de nosso Estado, em substituição ao doutor Fernando Castelo Branco, eu fiquei todo orgulhoso quando chegou às minhas mãos um livro de geografia do Maranhão de autoria desta mulher discreta e tímida.

Uma pessoa que é possuidora de uma sensibilidade fantástica, que teve a capacidade de idealizar um projeto como esse “Opera Para Todos” que recebeu um premio Darcy Ribeiro concedido pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, direcionado a pessoas ou entidades que se sobressaem na pratica educacional em nosso país.  

“Receber essas crianças e estes jovens, durante todos estes anos foi o impulso que norteou minha razão de viver.

A educação é um campo da dimensão humana gerador de energia, de solidariedade, de auto-estima, de ética, de responsabilidade, de determinação e essa foi uma historia construída com sonhos, afetos, lagrimas, alegrias, valores, perseverança”…

As palavras que eu acabei de proferir foram ditas, por Dona Maria Izabel Pereira Rodrigues, que juntamente com duas grandes amigas foi a idealizadora do Jardim de Infância Pequeno Polegar que mais tarde veio dar origem ao Colégio Dom Bosco.

Foi assim que estas três mulheres maravilhosas receberam os convidados, que, diga-se de passagem, eram muitos e de muita importância para a festa do jubileu de ouro do Colégio Dom Bosco, e é assim que esta casa recebe-as aqui hoje para dizer-lhes que o Maranhão agradece a elas pelos relevantes serviços prestados em prol da educação e da formação de boa parte de nossos cidadãos.

Para encerrar minha fala nesta manhã, para que não se diga que de meu aqui eu não disse nada, preciso fazer uma declaração e um agradecimento: A decisão de ter ido estudar no Colégio Dom Bosco foi uma das primeiras decisões de minha maturidade. Estudava no Colégio Batista desde o pré-primário e em 1977 senti que era hora de mudar, de conhecer pessoas diferentes, modos diferentes de pensar e de agir. Falei com minha mãe – porque lá na minha casa, como em quase todas as casas – quem tem a ultima palavra é o pai, a primeira é sempre da mãe. Falei com dona Clarice e ela concordou com minhas ponderações, mas foi seu Nagib deu a ultima palavra: “Sim senhora”! 

E eu fui estudar no Dom Bosco. Foram apenas dois anos, mas foram dois anos dos mais felizes de minha vida.

Devo agradecer a todos vocês, professores e funcionários, Dona Maria Izabel, Ceres e Beth e aqui vai um muito obrigado especial e tardio ao doutor Luiz Pinho, por ter tentado me fazer ser um bom jogador de xadrez. Seu incentivo serviu para me fazer ver o quanto é importante olhar o cenário de cima, com calma, sabendo cada posição e função de cada uma das peças no jogo. Suas capacidades, suas circunstancias e em que os seus movimentos poderão resultar. Se nas conseqüências desejadas ou não, nunca se esquecendo que do outro lado do tabuleiro há alguém que tenta desvendar os mesmos mistérios e vencer o jogo.

É Também assim no jogo da vida.

Muito obrigado.

4 comentários para "Discurso proferido na sessão solene em homenagem ao jubileu de ouro do Colégio Dom Bosco"


  1. Pedro de Alcantara Costa Filho

    Você realmente é um autentico maranhense, um ludovicense conhecedor das épocas não tão distantes da historia desta ilha maravilhosa.
    Sempre estudei em escolas públicas mais quando tive o prazer de ler um editorial escrito por você homenageando o colégio batista se não me engano no jubileu da referida escola me orgulhei muito, pois os meus pais não puderam pagar os meus estudos em tão nobre escola, mais os meus dois filhos sim fizeram parte desta historia e daí vem meu orgulho.
    Parabéns por sua historia focada com tamanha sabedoria e brilho.

  2. anônimo

    Parabéns pelo seu belo discurso Deputado Joaquim. Vindo do senhor não poderíamos esperar nada diferente!

  3. Mag

    Achei muito boa a analogia que você faz entre o xadrez e a vida.
    Mesmo sem saber jogar, tento usar nas minhas circunstâncias as estratégias que você descreve.
    Para mim, o grande problema são os imprevistos… é muito difícil manter o sangue frio.
    Vejo que a grande diferença entre a vida e o xadrez, é que na vida todos podem ganhar. Isso seria empatar no xadrez?

  4. Omar

    Jok!

    O time de basquete, que pecisavas dar mais enfâse, ñ deste! Seria o apogeu

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