Os maias não estavam errados

Se você estiver lendo esta crônica na edição do domingo, dia 23 de dezembro de 2012, do Jornal O Estado do Maranhão, é porque os aloprados, aqueles que inventaram que os maias previram o fim do mundo para o último dia 21, estes sim estavam errados.

Os maias jamais previram o fim do mundo. Loucos foram os que acreditaram nessa mirabolante invenção.

Ufa! Pelo menos por enquanto escapamos de um fim trágico. Mas é bom sabermos que é bem plausível que uma catástrofe de proporções gigantescas aconteça um dia. Temos provas científicas de que fatos como esse já aconteceu anteriormente. Nosso planeta já sofreu transformações radicais em seu clima e em sua geologia que causaram a extinção de parte da vida como ela se apresentava.

Coitados dos maias! Eles nem imaginariam que passados vários séculos do apogeu de sua civilização, alguns pseudo-cientistas fossem apropriar-se de seu calendário para difundir essa ideia de fim do mundo.

São bastante conhecidas as crenças segundo as quais eventos cataclísmicos ou transformadores acontecerão em 21 de dezembro de 2012. Esta data é considerada como o último dia de um ciclo 5.125 anos do calendário maia. Diversos alinhamentos astronômicos e fórmulas matemáticas têm sido colocadas como coincidentes a essa data, apesar de nenhuma delas ter sido aceita por estudiosos importantes.

Na interpretação de alguns essa data marcaria o início da uma nova era, em que a Terra e seus habitantes sofreriam transformações físicas e espirituais. Outros sugerem que em dezembro de 2012 acontecerá uma catástrofe de proporções cósmicas que culminará com a destruição da terra.

Profissionais especializados na cultura maia dizem que essas previsões não são encontradas em nenhum dos clássicos dessa civilização e a ideia de que o calendário de contagem longa “termina” em 2012 deturpa a cultura e história maia.

Astrônomos e outros cientistas rejeitaram essas teorias como sendo pseudociência, afirmando que elas são conflitantes com simples observações astronômicas, e que existem preocupações mais importantes para a ciência, tais como o aquecimento global e a perda de diversidade biológica.

A NASA tem comparado os medos em relação ao ano de 2012 com o fenômeno “Bug do milênio” no final da década de 1990, sugerindo que uma adequada análise dos fatos pode impedir temores de um desastre.

Enquanto o mundo não acaba, é bom que tratemos de tentar arrumá-lo um pouquinho. Seria bom que direcionassemos nossas energias no sentido de melhorar a vida na terra, antes que ela realmente acabe.

Digo isso não apenas pelo fato de estarmos em época de festas natalinas, onde todos os corações repentinamente parecem amolecer e nos tornamos mais gentis, generosos e tolerantes. Falo isso porque acredito que o mundo poderia realmente acabar a qualquer momento e ainda teriamos muita coisa por fazer.

Pode parecer piegas e o é. Confesso que não há nada melhor que parecer ridiculo por se dizer algo como por exemplo “eu te amo”. Não há nada melhor que ser olhado com ressalvas por protestarmos contra a destruição da natureza. Não há nada mais arriscado que querermos nos alistar como voluntários socorristas em um terremoto do outro lado do mundo.

Nunca é tarde para começarmos a tomar certas posições que jamais haviamos pensado em tomar antes, por simples comodismo, para que não se precisasse sair de nossa zona de conforto.

Nesse natal gostaria de escrever uma carta para Papai Noel pedindo-lhe que me fizesse não perder a esperança, paraque eu não deixe de acreditar que é possivel melhorar, que é possivel se avançar nas conquistas no campo da solidariedade universal.

Olho em volta e vejo que por mais que tentemos fazer coisas que precisam ser feitas para melhorar a nossa vida e a vida das pessoas, ainda assim fica faltando muito a ser feito.

O simples fato de se ler um jornal ou uma revista, de se assistir a um telejornal, nos coloca dentro dos maiores problemas da humanidade: fome, doenças, guerras, catástrofes naturais… Precisamos fazer alguma coisa, mesmo que seja uma pequenina ação, para tentar minorar toda essa situação.

O que vou dizer agora pode parecer clichê, e o é, mas é um clichê necessário e eficiente: Se cada um de nós fizer uma pequenina ação no sentido de melhorar a vida nesse nosso maravilhoso planeta, seja em que setor for, tenho certeza que conseguiremos não apenas melhorar as nossas vidas e a de outras pessoas, mas também adiaremos um pouco mais o fim do nosso mundo.

  Feliz Natal a todos!

 

Salaam!

A recente crise entre Israel e a Palestina não é o motivo que me fez inicialmente escrever este texto. Ele já estava esboçado há algum tempo, mas confesso que o adaptei especialmente para esse momento em que o estado de guerra entre esses dois povos se acirra e demonstra para aqueles que não estão diretamente envolvidos o quão grave é aquela situação e o quanto para nós, é distante aquela realidade.

Gostaria de saber muito mais do que o pouco que sei sobre a religião muçulmana e sobre a história do Islã. Em que pese eu ler tudo o que posso sobre esse assunto, ver todos os filmes referentes ao povo árabe e aos não árabes que defendem a fé de Maomé, mesmo assim as informações que tenho são poucas para fazer um melhor juízo sobre essa religião e as pessoas que a professam. Se isso acontece comigo, alguém que se interessa, que quer saber sobre esse assunto, imagine o que ocorre com as pessoas que não se interessam e engolem sem contestação tudo o que ouvem ou lêem sobre isto!? Pior ainda, os que nem ouvem nem lêem nada e ficam apenas nas manchetes ou chamadas dos jornais!?

A mais jovem das três grandes religiões ocidentais, sendo a primeira o Judaísmo e a segunda o Cristianismo, o Islamismo ao mesmo tempo em que me fascina e me deixa curioso, me amedronta, pois é mais fácil não gostar-se daquilo que não se conhece, ou daquilo que se conhece de forma errada, desfocada, distorcida, preconceituosa.

Eu não quero ter medo do Islamismo, da mesma maneira que não tenho medo do Judaísmo. Eu quero conhecê-lo melhor, analisá-lo com a menor incidência possível de distorções antropológicas, sociológicas, culturais ou morais. Eu quero compreender seus ensinamentos e quero poder tirar minhas conclusões sem que eu seja contaminado pelos humores provenientes da ignorância e do medo.

Antes de falar do Islã, gostaria de lembrar que todos nós conhecemos o Judaísmo mesmo sem estudá-lo, pois a religião cristã, predominante em nosso país e nas Américas, saiu de dentro dele. Lembremo-nos que o Cristo Jesus era judeu. Penso inclusive que ele nunca pensou em deixar de sê-lo, que ele queria continuar judeu. Acredito que, mesmo não parecendo, Jesus defendia a fé de seus ancestrais. Ele só queria ter o direito de interpretá-la a sua maneira, queria renová-la, e foi o que fez.

Na verdade ele não renovou o judaísmo, nem mesmo foi ele que criou o cristianismo. Quem fez isso, foram seus seguidores. Eles romperam o vínculo com o Judaísmo criando uma outra religião, baseada integralmente na religião de Moisés. Os cristãos herdaram dos judeus até a lenda do messias, a mesma que quem se dispuser a procurar vai encontrar também no Islamismo.

A criação do Cristianismo como religião deve-se principalmente a três homens bem diferentes: Pedro, um pescador da Galileia, Saulo de Tarso, uma espécie de policial, que viria adotar o nome de Paulo e Constantino, imperador de Roma.

A criação do Islamismo deve-se exclusivamente a Maomé.

O Judaísmo tem menos, mas o Cristianismo, como sabemos, tem muitas subdivisões, muitas igrejas, muitas denominações. Mesmo que discordantes na forma, sobre alguns dogmas, quanto aos métodos e as práticas, de um modo geral os cristãos são ligadas às mesmas tradições.

Vejamos o caso do Reino Unido onde católicos e protestantes anglicanos têm se matado durante séculos. Em Israel, de forma muito menos violenta judeus moderados e ortodoxos se opõem fortemente quanto à forma de gerirem seu país.

Os muçulmanos não divergem dos demais quanto a isso. A cisão entre eles acontece logo depois da morte do profeta, conseqüência direta das disputas em torno de sua sucessão.

Eles se matam há mais de 1.300 anos. Tanto sunitas quanto xiitas, onde e quando podem, se opõem das mais variadas formas. Manifestam seu desacordo recorrendo a ações que vão da simples e salutar oposição pacífica até ao abominável genocídio.

Esqueçamos um pouco as comparações, esqueçamos os judeus e os cristãos e nos fixemos nos muçulmanos.

Você já parou para ver como o povo que professa essa fé é igual aos outros. Como eles sofrem das mesmas dores, como eles têm as mesmas necessidades, sendo que na maioria das vezes eles estão em situação muito pior que os cristãos e principalmente que os judeus!?

Pare e pense apenas nisso. Tente se colocar no lugar deles. Veja as coisas como eles vêem, sinta as angústias e os anseios como eles sentem.

Esse é apenas o primeiro degrau desse aprendizado que procurarei construir com você, sempre que puder, de agora em diante.

Nas quatro mil palavras que o editor desta página me franquia a cada domingo, é impossível resumir esse assunto, por isso sempre que puder vou voltar a ele no intuito de lembrar que os muçulmanos são iguais a nós, só falam outras línguas, moram em outros lugares, se vestem de formas diferentes da nossa, mas amam o mesmo Deus de nossas mães, só que de forma diferente, com tradições diferentes usando dogmas diferentes, coisas que não os fazem melhor ou pior do que nós.

Na verdade gostaria que todos pudessem saber mais sobre esse assunto. Que todos tivessem conhecimento, sem nenhum tipo de proselitismo, contrário ou favorável. Assim, quem sabe, o mundo pudesse ser um pouco melhor.

A guerra incessante que hora se intensifica, há muito tempo não é mais meramente religiosa. Os imbecis que a fazem escondem-se debaixo dos quipás dos rabinos judeus e por trás das Jalabas dos xeiques muçulmanos para pegarem em armas e matarem crianças inocentes. As crianças que conseguirem escapar, serão criadas num ambiente de intenso ódio, e por isso apenas com ódio, infelizmente, saberão retribuir.

Com quantos Joaquins se faz uma história?

Com a aproximação de meu aniversário no próximo dia 13, e com uma quantidade elevada de desmotivação para textos polêmicos, para fazer este, resolvi simplesmente relacionar alguns de meus homônimos, que sustentam a tradição do nome que carrego já faz cinquenta e três anos.

Todos eles são Joaquins importantes em algum aspecto, compõem a estirpe daqueles que assinam o mesmo nome do pai de Maria, mãe de Jesus.

Então vejamos:

Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792) o Tiradentes, soldado e arrancador de dentes mineiro. Foi o único integrante da Inconfidência Mineira, importante movimento pela independência do Brasil, a ser enforcado no Rio de Janeiro em 21 de abril de 1792.

Joaquim Silvério dos Reis (1756-1819) foi o delator dos inconfidentes mineiros. Coronel, contratador de entradas, fazendeiro e proprietário de minas.

Joaquim do Amor Divino Rabelo e Caneca (1779-1825) o Frei Caneca, religioso e político pernambucano, que ficou célebre na História do Brasil por ter sido um dos líderes da Confederação do Equador.

Joaquim Gonçalves Ledo (1781-1847), jornalista e político fluminense. Foi um dos vanguardistas no processo de independência do Brasil.

Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882), romancista, poeta e dramaturgo fluminense. Autor de uma vasta obra, que é uma crônica fiel da pequena burguesia brasileira na segunda metade do século XIX.

Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908), escritor fluminense, considerado o maior nome da literatura brasileira, não só do século XIX, mas de todos os tempos.

Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo (1849-1910), político e escritor pernambucano, um dos principais líderes abolicionistas e um dos criadores da moderna prosa brasileira.

Agora me dedicarei a relacionar alguns Joaquins mais próximos, como por exemplo, os patronos e fundadores de cadeiras em nossa Academia Maranhense de Letras:

Joaquim Gomes de Souza (1829-1864), o Sousinha. Foi político e matemático. Um dos pioneiros no estudo da matemática no Brasil. Nas palavras do professor J. Leite Lopes, trata-se do nosso primeiro vulto matemático, e talvez o maior deles até hoje.

Joaquim de Sousa Andrade (1832-1902), mais conhecido por Sousândrade, foi escritor e poeta.

Formou-se em Letras pela Sorbonne, em Paris, onde fez também o curso de Engenharia de Minas.

Viajou por vários países até fixar-se nos Estados Unidos em 1871, onde publicou a obra poética “O Guesa”, em que utiliza recursos expressivos, como a criação de neologismos e de metáforas vertiginosas, textos que só foram valorizados muito depois de sua morte.

No período de 1871 a 1879 foi secretário e colaborador do periódico “O Novo Mundo”, dirigido por José Carlos Rodrigues, em Nova York.

De volta ao Brasil foi presidente da Intendência Municipal de São Luís do Maranhão. Realizou a reforma do ensino, fundou escolas mistas. Morreu em São Luís, abandonado, na miséria e considerado louco. Sua obra ficou esquecida durante décadas.

Joaquim Serra (1838-1888), jornalista, professor, político e teatrólogo.

Em 1867 fundou o Semanário Maranhense e no ano seguinte mudou-se para a Corte, onde prosseguiu em suas atividades jornalísticas, enviando colaborações aos periódicos ali existentes. Chegou a dirigir o Diário Oficial e foi deputado pela Província do Maranhão.

Abolicionista, é tido por Joaquim Nabuco como o criador da moderna imprensa política brasileira.

É o patrono da cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras.

Joaquim Vespasiano Ramos (1884-1916) nasceu de uma família humilde em Caxias, no Maranhão. Desde cedo começou a trabalhar no comércio local e buscando sempre o saber, tornou-se um viajante compulsivo, fato que o levaria a quase toda a região norte do Brasil.

Publicou sua obra poética em diversos jornais e revistas e é considerado o precusor da literatura em Rondônia.

É o patrono da cadeira n° 32 da Academia Maranhese e da cadeira n°40 da Academia Paraense de Letras.

Joaquim Vieira da Luz (1893-1985), escritor maranhense, fundador da Cadeira nº 40 da AML, é o biógrafo de Fran Pacheco e Dunshee de Abranches.

Joaquim Campêlo Marques (1931), importante jornalista, filólogo e editor maranhense.

Ocupa a cadeira de n° 24 na Academia Maranhense de Letras.

Joaquim Salles de Oliveira Itapary Filho (1936), escritor e político maranhense, ex-secretário de Cultura do Maranhão que entre 1985 a 1989 exerceu as funções de secretário-geral do Ministério da Cultura.

Ocupa a cadeira de n° 4 na Academia Maranhense de Letras.

Temos ainda outros Joaquins importantes:

Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988), cineasta fluminense; um dos principais representantes do cinema novo, autor dos filmes mais populares desse movimento.

Joaquim Cruz, (1963), campeão e recordista olímpico nos 800 metros. Foi o primeiro brasileiro a ganhar medalha de ouro em prova de pista em Olimpíadas.

Por último, o Joaquim do momento:

Joaquim Benedito Barbosa Gomes (1954), advogado, professor, jurista e magistrado brasileiro.

É o atual presidente do Supremo Tribunal Federal.

Viciado

Às vezes me dou “A Missão” de tentar diminuir um pouco o “Ritmo Louco” de minha vida para analisar o que acontece comigo. Escarafuncho sentimentos quase “Intocáveis” que me ligam às pessoas e vou buscar “Em algum Lugar do Passado” as causas e “As Palavras” que deram origem ao fato de estar onde estou.

“Depois de Horas”, já tendo feito o levantamento de quase tudo, tanto para comigo quanto para com “Os Outros”, vejo que não preciso mais me vestir de “Gladiador” nem me sentir numa arena. Na verdade, já me acostumei a ter que andar sempre sobre “O Fio da Navalha”.

Que os dois parágrafos de introdução acima, sirvam para demonstrar a você que me lê agora, que um dos meus maiores vícios, talvez o maior de todos, é o cinema.

É bom que eu diga que também sou viciado em literatura. Menos pelo ato de ler, devido à dificuldade da dislexia. Sou viciado em escrever, ato que me apraz sobremaneira.

Também sou viciado em comida.

Esse vício quase sempre vem acompanhado de uma compulsão muitas vezes incontrolável. Em mim esse vício se consubstancia com pequenas guloseimas como os quibes e esfirras de mamãe, os cartuchos e rosinhas de Dolores, os beijinhos de coco e docinhos de banana de Carmita. Passa pelos cardápios das tradicionais bases de São Luis, como Edilson, Diquinha, Rabelo e Lenoca.

Meu vício é sempre convidado para as casas dos grandes anfitriões de nossa cidade e viaja para desfrutar dos melhores restaurantes do Brasil e do mundo.

Primeiro os salgados: Pão com manteiga, foie gras, cuxá, mandubé, escargot, funghi, cachorro-quente do boliviano (em frente ao Palácio), cozidão maranhense, feijoada, cassoulet, salada de camarão seco…

Depois vêm os doces: goiabada com queijo do reino, sorvetes de bacuri e cajá, tarte tatin do Chez Romy, merengue com morango, pudim de leite do Cabana…

De beber, gosto mesmo é de refrigerante. Entre eles o preferido é a nossa Cola Guaraná Jesus.

Sou também viciado em informação. Em conhecimento. Em História. Não sei como nomear esse vício, mas ele é marcante em minha vida.

Sou um curioso contumaz e tenho muitas vezes que me controlar para não perguntar sobre algum assunto, pois desejo saber tudo, talvez porque saiba que quem possui informação e conhecimento detém poder e uma melhor capacidade de solucionar as questões que se apresentem.

Devo dizer que sou também viciado em memória. Em lembrar. Acredito que essa capacidade defina bem o momento em que se une ou quem sabe se separa o humano, o intelectual, do animal, do meramente instintivo.

Não sou viciado em tabaco ou em álcool e nunca sequer experimentei cocaína, heroína, LSD, haxixe, êxtase ou crack. Prefiro controlar rigidamente minhas necessidades de alucinações. Para isso uso o cinema, a literatura, a comida, o conhecimento, a história… A política…

Política! Sou viciado em política. Não estou falando de eleição. Isso eu abomino. Refiro-me à política filosófica, a parte diplomática dela, aquela que requer conhecimento, civilidade, urbanidade, sagacidade, sabedoria, cultura. A parte que exige dos contendores tenacidade e tolerância.

Sou viciado nisso.

Gosto de conhecer, de discutir propostas, de chegar a um denominador comum. Tal qual um agricultor, gosto de ver o plantado, no âmbito das ideias, florescer e dar frutos.

Enquanto relia esse texto, pela quadragésima segunda vez, característica básica do meu modo de realização criativa, descobri que na verdade sou viciado é em emoção. Sendo que a forma mais fácil, eficiente e prazerosa de chegar a ela, é através dessas coisas citadas acima.

Emociono-me ao assistir filmes e em realizá-los. Emociono-me em escrever. Emociono-me quando como e bebo, quando aprendo ou descubro algo novo e quando relembro de algo importante. Emociono-me ao ver a correta política ser bem executada.

Emociono-me ao sentir que o amor que sinto por minha mulher é grande e igualmente correspondido.

Em verdade vos digo, sou viciado é na emoção que as coisas que eu amo me oferecem.

 

PS: Hoje estou especialmente emocionado, pois é o dia do aniversário de Laila, o melhor pedaço de minha alma.

 

Deus e o Real

No último domingo recebi vários telefonemas e e-mails sobre o texto que publiquei naquele dia falando sobre a intenção de um procurador do Ministério Público Federal em tirar a expressão “Deus seja louvado” das notas de real, na presunção de garantir a liberdade religiosa.

Entre os telefonemas estava o de meu amigo, jornalista Raimundo Garrone, que me sugeriu que lesse em seu blog o que disse a esse respeito o também jornalista Luís Antonio Giron.

Assim que pude acessei o blog de Garra e li o que escreveu o editor da seção Mente Aberta da revista Época, que escreve sobre os principais fatos do universo da literatura, do cinema e da TV.

Giron tem uma posição um tanto diferente. Ele defende que a expressão não deva figurar no nosso dinheiro por uma questão de elegância, por não se dever misturar dinheiro e Deus, no que eu até poderia concordar, se o caso fosse para se escolher colocar ou não, mas o caso não é esse. O caso é na verdade tirar-se ou não a citada frase das notas de real.

A expressão já está lá. Devemos tirá-la ou devemos deixá-la permanecer.

Em minha modesta opinião, ela não está fazendo nenhum mal onde se encontra, então qual o problema em lá ficar?

O grande problema nisso tudo é que até pessoas como Giron se equivocam com o tema. Quando diz: “Os fundamentalistas cristãos andam protestando em todo o país, exigindo que Deus continue representado nas cédulas. Os politeístas, ateus e crentes em outras seitas, além dos juristas e partidários da mentalidade politicamente correta, querem a extinção imediata e sumária da frase, em nome da garantia da liberdade religiosa em Estado laico.” Ele e outros se esquecem de que o citado Deus não é apenas o Deus dos cristãos e que o estado não deixa de ser laico por citar o Deus comum a todos, inclusive aos ateus, objeto de sua fé e de sua descrença.

Giron diz que, “Misturar Deus e dinheiro é uma barbaridade. Não importa o seu vínculo político, religioso e ideológico: Deus, caso você creia nele, não precisa ser evocado por intermédio da manifestação mais concreta do materialismo, uma cédula monetária. Além de a expressão representar uma intromissão religiosa no âmbito do Estado, ela é uma espécie de marca de atraso e de péssimo gosto.” O que transforma a discussão em um debate estético. Sempre há os que gostam e os que não gostam de alguma coisa, e isso vai acontecer sempre. É da natureza humana.

Se no começo achei até pertinente as colocações de Giron, enquanto eu avançava e depois, cada vez que as relia, mais elas me pareciam uma mera contestação sem maior sustância, sem substância, com menos embasamento que as desastradas argumentações do Ministério Público Federal.

Já disse antes e repito agora, não sou religioso, essa questão não é e não pode ser analisada meramente como uma questão religiosa, pois o Deus é comum a todas as religiões e até mesmo aos que nele não acreditam.

Querer-se tirar a referida expressão das notas da nossa moeda por motivos estéticos ou por motivos moralistas é pior que se querer tirar tal frase por pretender-se defender a isonomia religiosa, que de forma alguma está sendo ferida.

No caso do motivo estético, como já disse, é uma questão de simples opinião. No caso do motivo moralista, achar que Deus e dinheiro não se misturam ou não devem se misturar… Isso seria desconhecer a realidade da vida. O dinheiro faz parte de tudo que existe!

A única coisa que os seguidores de Deus, de todas as raças e religiões podem e devem fazer, é agir em relação ao dinheiro como o seu Deus preconiza, que normalmente é usando-o com parcimônia, sabedoria e generosidade.

 

 

Sobre Boçalidade Intelectual

Na última terça-feira, 13 de novembro deste ano em que segundo os Maias o mundo vai acabar, li uma notícia que dava conta de que um certo procurador do Ministério Público Federal entrou com uma ação civil pública na tentativa de retirar das notas de nossa moeda, o real, a expressão “Deus seja louvado”.

Juro que tentei ficar distanciado dessa polêmica, mas não consegui. Primeiramente me limitei a postar um comentário no blog do amigo Gilberto Leda, apenas para concordar com o texto do jornalista Reinaldo Azevedo, que foi perfeito em suas colocações. Com o passar do tempo, lendo todos os comentários e ouvindo tantos outros, sobre este mesmo assunto, fui ficando cada vez mais propenso a dar a minha opinião.

Azevedo disse que o procurador é um homem destemido, que ele não tem receio de demonstrar sua ignorância, profunda e brutal. Depois de acusar o procurador de gastar o dinheiro dos contribuintes com questões tolas e de chamá-lo de intelectual boçal, Reinaldo cita um trecho da peça de autoria do procurador, aonde com facilidade se chega à mesma conclusão do jornalista: “A manutenção da expressão ‘Deus seja louvado’ […] configura uma predileção pelas religiões adoradoras de Deus como divindade suprema, fato que, sem dúvida, impede a coexistência em condições igualitárias de todas as religiões cultuadas em solo brasileiro (…). Imaginemos a cédula de real com as seguintes expressões: ‘Alá seja louvado’, ‘Buda seja louvado’, ‘Salve Oxóssi’, ‘Salve Lord Ganesha’, ‘Deus não existe’. Com certeza haveria agitação na sociedade brasileira em razão do constrangimento sofrido pelos cidadãos crentes em Deus”.

Se eu realmente quisesse esculhambar (o corretor do Word me sugere usar a palavra ridicularizar, mas acho pouco) com o tal procurador, não conseguiria chegar nem aos pés de Reinaldo Azevedo, que desmonta o coitado. Transforma-o em nada, coisa que já me parece ser muito. Menos que Azevedo, mas também muito bem, comentaram outras personalidades importantes sobre o tal procurador. Chamaram-no de desocupado, doido, imbecil, e por ai vai. Não concordo com todos os adjetivos que usaram para qualificar o afoito. Porem sabedor de que estamos em um estado democrático de direito, aonde o fato de termos uma opinião responsável deve ser respeitado por todos, não posso deixar de dar a minha. O referido cidadão é mesmo um desocupado, sem contar que é burro, confunde alhos com bugalhos. Xiii!

Não posso chamá-lo de burro. Vão dizer que é bulling! Para com o quadrúpede!

Vamos tentar jogar algumas interrogações no ventilador, lenha na fogueira:

Primeiramente… O que é um Estado Laico? É aquele Estado que não tem uma religião oficial e que trata a todas de forma igualitária, sem privilegiar ou discriminar nenhuma.

Em segundo lugar, vejamos… O que é Deus?

O Dicionário Aurélio diz que Deus é o princípio supremo que as religiões consideram superior à natureza; ser infinito, perfeito; criador do universo.

Quem é Ala?

É Deus na religião muçulmana.

Quem é Yaveh?

É Deus na religião judaica.

Quem é Oxossi?

É o Orixá da caça e da fartura. Analogamente ao catolicismo seria uma espécie de santo, padroeiro da caça e da fartura, da mesma maneira que São Cristovão é o padroeiro dos motoristas. Definitivamente nem Oxossi nem São Cristovão estão no mesmo patamar do Deus supremo.

O Deus, único e misericordioso, pertence a uma religião específica?

É claro que Deus não é propriedade de uma religião específica. Todas as religiões querem ser ou fazer a ligação entre o homem e o criador.

Não sendo Deus vinculado a nenhuma religião exclusivamente, podemos dizer que a expressão “Deus seja Louvado” ou qualquer outra alusão a este substantivo concreto pode ser considerado privilégio de uma determinada religião?

Claro que não. Pensar isso seria um despautério.

Um grande filósofo popular dizia que não veio ao mundo para explicar nada, mas sim para confundir. Pois então vamos confundir um pouquinho, bagunçar o raciocínio. Fazendo assim, quem sabe, se pense um pouco e se descubra alguma razão de ser em toda essa comédia bufa.

Somente uma religião que professe a crença de que Deus não existe, poderia alegar a quebra do princípio da igualdade religiosa e do Estado Laico, porem não há religião que acredite na não existência de Deus. Os ateus são também agnósticos, não têm religião, exatamente porque não crêem que Deus exista.

Uma vez presenciei um bate-boca entre um religioso esperto e um ateu intelectual. O primeiro sacou do coldre um sofisma calibre 45 e mandou bala contra o segundo: “Você mesmo se encarrega de provar que Deus existe quando insiste em tentar negar sua existência.” Pode até não ser correta essa afirmação, mas nos faz pensar. Quem acha que uma coisa não existe não precisa contestá-la, pois se o fizer vai está afirmando a possibilidade de sua existência com essa contestação. Confuso, mas plausível.

Gostaria de dizer que não sou religioso, mas também não chego a ser ateu. Seria uma tolice sê-lo. Sou agnóstico. Não vejo necessidade de nos filiarmos a uma religião específica. Creio que haja uma força superior, algo que não posso explicar de forma clara ou matemática, algo que nada tem de místico ou divino no sentido comum.

Por tudo isso, não vejo nenhum problema se fazer imprimir na nossa moeda o nome de Deus, que representa culturalmente coisas boas como paz, amor, compreensão, fraternidade, honestidade, trabalho, honra, tolerância, ingredientes presentes não só em Deus, mas em todas as religiões, coisas que creio, são almejadas até pelos ateus.

Reeleição.

Vencer uma eleição para um cargo legislativo não é assim tão difícil. Mesmo que essa eleição seja por meio do confuso e de certa forma injusto voto proporcional.

Eleger-se deputado ou vereador só depende de alguns fatores básicos: o desejo verdadeiro de dedicar-se à vida pública e encarar uma extenuante campanha eleitoral; conhecimento político na hora de filiar-se a um partido e escolher uma coligação que lhe dê condições de concorrer de forma justa; recursos financeiros para custear todos os possíveis gastos de uma campanha política, que não são poucos; e por fim e não menos importante, um sólido e competente grupo de apoio.

Como disse não é difícil eleger-se para vereador ou deputado, o difícil é reeleger-se e continuar se reelegendo com o passar do tempo, três, quatro, cinco vezes…

Deputados e vereadores sabem muito bem do que estou falando.

Existem até alguns deputados, que a cada eleição mudam de área de atuação, deslocam-se de uma região para outra do estado, buscando apoio na tentativa de reeleger-se, pois na maioria dos casos depois de algum tempo as relações se desgastam, e os laços que unem representantes e representados, afrouxam ou se rompem.

Essa fácil mobilidade geopolítica é praticamente impossível para vereadores devido o tamanho, em geral muito reduzido dos municípios, e o tipo de ligação mais direta que o edil tem com o munícipe.

Existe também aquele deputado que é tão próximo do eleitor, que age quase como um vereador, o que é bom por um lado, mas muito inconveniente por outro, pois as atividades e funções do parlamentar estadual passam a se confundir com as do municipal.

Abordo hoje este assunto primeiramente pelo fato de ter havido uma grande renovação nas representações municipais, pelo grande número de mandatos de vereadores não renovados pelo país afora. Segundamente, relembrando Odorico Paraguaçu, eterno prefeito da fictícia Sucupira do imortal Dias Gomes, falo pelo grande número de prefeitos que tentaram a reeleição e não conseguiram. Um fato sintomático que precisa ser mais bem avaliado. Terceiramente, falo da dificuldade de uma determinada reeleição. Refiro-me a recente eleição ocorrida no mais poderoso país do mundo, os Estados Unidos da América.

O fantasma da derrota também pairou sobre a cabeça do ocupante do mais alto posto daquela nação. Cargo esse que tem influência direta nos destinos de toda a humanidade.

O que vimos foi o presidente Barack Obama passando toda a campanha política acossado pelo milionário ex-governador de Massachusettes, Mitt Romney, que por pouco não o venceu.

Esse assunto é tão eletrizante que tanto políticos experientes quanto minha mãe, meu motorista e até mesmo um picolezeiro, comentaram comigo sobre esse pleito.

Segundo o Twitter esse foi até hoje o evento mais comentado de sua história.

O interesse por essa eleição, para saber quem seria o presidente norte-americano pelos próximos quatro anos é de fácil compreensão: é notícia, e uma notícia que influencia a vida de todo o mundo.

Incrível é que alguém que detenha tamanho poder por quatro anos corra o risco de perdê-lo, assim, num estalar de dedos. Aí reside grande parte da beleza e do charme da democracia.

Mais incrível ainda é que esse povo tão igual, seja tão diferente. Que pequenas nuances aparentemente tão semelhantes transformem-se em desigualdades tão gritantes, e ainda mais, o fato de que, caso Romney tivesse vencido a eleição, as coisas que mudariam bastante na América, não chegariam a ser percebidas claramente, pelas pessoas comuns, em outros países. Tudo continuaria igual. Aparentemente.

É verdade que há diferenças fundamentais entre democratas e republicanos. Eles pensam e agem de forma diferente no que diz respeito a subsídios à agricultura e à indústria, no que se refere à política social, previdenciária e de saúde, e principalmente no que tange a diplomacia e a política externa. No mais eles são todos iguais: são americanos.

No que diz respeito às posições de situação e oposição, lá, aqui ou em qualquer lugar do mundo, os políticos agem de maneira igual: quando na oposição tendem aos extremos, seja de esquerda, seja de direita. No governo o movimento natural lhes leva ao centro, à contemporização.

O susto que Obama levou serviu para nos lembrar de que só desce quem está em cima e só pode subir quem está em baixo. Isso já havia nos sido dito de maneira sutil pelos filósofos e matemáticos gregos e por Galileu e depois nos foi explicado e provado por Newton e por Einstein. Mas nossos políticos teimam em não estudar! Muito menos física ou filosofia.

Outro dia estávamos conversando sobre o que um político precisa fazer para se manter no poder? Confesso que especificamente eu não sei! Só imagino!

O que eu sei, e só descobri isso muito recentemente, é que no que diz respeito ao jogo da política, o vencedor, no final das contas, não é aquele que acerta, mas sim aquele que erra menos. Digo isso para não dizer que o político para ser um vencedor deveria aliar equilibradamente uma quantidade mínima de sabedoria e competência, um arguto senso de oportunidade e uma boa dose de sorte.

 

Apenas mais uma faceta da política

A política, a meu ver, tem se tornado uma coisa cada vez mais absurda. Hoje vejo que ela já era assim há muito tempo, eu era quem a olhava com outros olhos, pelo fato de estar tão envolvido, tão dentro dela, que não me dava conta.

Veja bem, quando escrevo um texto, crônica, conto ou ensaio ou até mesmo um poema, costumo deixá-lo de quarentena, o que não significa que o deixe isolado por 40 dias, mas apenas por um determinado tempo, para que ele respire como precisa um bom vinho, e eu também, para que possa vê-lo de forma menos comprometida, mais crítica, para que possa apará-lo e torneá-lo como for preciso, e por fim degustá-lo e dividi-lo com outras pessoas.

O mesmo ocorre com o cinema. Desde a confecção do argumento, passando pela sinopse, roteiro, produção, filmagem, montagem e finalização, depois de cada fase, é preciso que se tenha um certo distanciamento para que se possa ver melhor a obra. Aquilo que fazem os pintores ao se distanciar um pouco do quadro que eles estão pintando, para mirá-los.

Na política deve-se agir da mesma forma, senão será impossível vermos as coisas de maneira correta, senão as imagens que teremos e a que passaremos para as pessoas serão distorcidas pelo sectarismo e pelo maniqueísmo comum nessa prática que deveria ser encarada como arte.

Vejamos o que aconteceu com a recente votação de autorização do empréstimo que o Poder Legislativo estadual acaba de aprovar. Trata-se da quantia de 3,8 bilhões de reais destinados à execução de um importante plano de investimento em infra-estrutura e combate à pobreza.

O que se viu desta vez não foi diferente do que aconteceu em outras ocasiões semelhantes. De um lado, os deputados de oposição tentando barrar a aprovação, pois o empréstimo sendo aprovado e surtindo os efeitos esperados pelo governo, acarretará em imensa dificuldade, quase total impossibilidade de vitória da oposição nas próximas eleições, pois o povo satisfeito com a administração pensará muito menos em mudar a gestão governamental e preferirá dar continuidade ao trabalho, que se realizado com sucesso, garantirá dias melhores para todos.

Mais que isso. A oposição imagina poder adiar por dois anos essas ações para aprová-las quando imaginam que estarão no controle do governo. Nesse momento passarão a ser favoráveis a tudo a que agora se opõem.

Por tudo isso a oposição simplesmente torpedeia o projeto. Critica sem o devido fundamento, sem usar a correta análise, mas apenas e tão somente pela vontade de ver seus adversários não disporem de instrumentos capazes de desenvolver projetos e realizar ações que venham transformar a tal ponto a vida do cidadão, o panorama sócio-econômico de nossa terra, que os levem a preferir uma mudança possível e palpável a uma outra, romântica e meramente semântica.

A oposição na Assembléia faz o que todo grupo em sua situação faz melhor. Criticar. Também faz como quase todas o fazem. Sem aprofundar a critica, sem o devido estudo do caso, sem levantar temas realmente relevantes, sem oferecer sugestões realmente importantes, alternativas inovadoras que possam ser mais bem aproveitadas para a realização do projeto. A oposição simplesmente é contra e ponto final.

Quando eram governadores, Jackson Lago e Zé Reinaldo tiveram ao seu lado, defendendo seus interesses em causas semelhantes, alguns dos mesmos deputados que hoje votam contra as proposições do atual governo.

Por seu turno, a grande maioria dos deputados ligados à situação defendeu a proposta pelo simples fato de ser uma proposta do governo. Poucos pegaram o projeto para estudá-lo, raros são os que buscaram os técnicos responsáveis para obterem esclarecimentos que os possibilitem, não apenas defender as razões do Estado, mas principalmente para que conhecendo e sabendo do que se trata poderem contribuir com sugestões para o melhor desenvolvimento do projeto e consubstanciação das ações.

De um lado temos uma bancada de oposição que, se o governante atual fosse seu correligionário, estaria apoiando o projeto, lutando por ele e o defendendo. Do outro lado estão os governistas que se estivessem do lado oposto estariam rechaçando o projeto, criticando sem maiores embasamentos, como fazem aqueles, que deles agora divergem.

Nunca escondi de ninguém que gosto muito de política. Nela, gosto especialmente das práticas do Legislativo, do debate, da troca de ideias, de parlamentar, de usar as relações humanas para tentar mudar para melhor a realidade, coisa que pode ser feita sempre, mesmo que aos poucos e de forma pouco perceptível para a maioria das pessoas.

Resolvi me distanciar do Legislativo e posso agora vê-lo muito melhor, sem o romantismo dos 28 anos em que estive ligado a ele. Continuo admirando-o e torcendo para que cada vez mais os eleitores possam enchê-lo de parlamentares e não apenas de deputados.

Salve Jorge

Calma aí meu camarada! Não se preocupe que eu não vou comentar sobre a nova novela das oito da Rede Globo, nem sobre qualquer outro Jorge que não seja o Amado.

Tinha eu uns 15 anos quando passou pela segunda vez na televisão brasileira a novela Gabriela, baseada no livro do genial Jorge Amado. A primeira vez que ela havia sido levada ao ar, foi pela extinta TV Tupi, em 1960.

Mas vamos ao que interessa.

Mesmo não tendo acompanhado todos os capítulos da Gabriela de Sonia Braga, pois naquela época minha vida era dedicada mais ao basquete, lembro de algumas cenas marcantes e dos personagens mais importantes: Gabriela resgatando uma pipa, trepada numa cumeeira íngreme e o mundo todo observando cá embaixo; Ana Maria Magalhães, como Glorinha, na janela, vendo a vida passar; as “moças” do Bataclan, que nem de longe poderiam ser comparadas às atuais; As belas Malvina, Elizabeth Savalla e Gerusa, Nívea Maria; o velho e poderoso coronel Ramiro Bastos, em seu ocaso, e o jovem promissor político Mundinho Falcão, em sua aurora, interpretados por um soberbo Paulo Gracindo e um José Wilker que já dizia a que vinha.

No começo da década de 80, o maior ator italiano de todos os tempos, Marcelo Mastroianni, meteu-se nas roupas de Nacib e ao lado da mesma Sonia Braga na pele da mulher que cheirava a cravo e tinha a cor de canela, mostrou ao mundo através do cinema a vida que levavam os baianos da região de Ilhéus na época áurea do cacau.

Anos mais tarde tive o prazer de conviver com Jorge Amado e sua mulher Zélia Gattai, quando eles passaram aqui em São Luís uma boa temporada, enquanto ele concluía seu livro Tocaia Grande.

Não sou crítico literário, mas como curioso do cinema, devo dizer que as obras de Jorge Amado são perfeitas para adaptações audiovisuais. Muito mais para novelas e minisséries que para cinema, pois a grande riqueza de detalhes e os personagens muito bem caracterizados não facilitam a realização de uma obra de tempo mais limitado.

Tudo dele que foi colocado a serviço do audiovisual foi bem feito e foi sucesso: Gabriela, Dona Flor, Tieta, Tenda dos Milagres, Quincas Berro D’água, Capitães da Areia, Jubiabá, Pastores da Noite, Terras do Sem Fim, Tereza Batista, Tocaia Grande e Porto dos Milagres.

Mas voltemos à Gabriela. Nessa nova versão aparece pelo menos um personagem que a censura do regime militar não permitiu que fosse mostrado em 75. Outros personagens tiveram suas características atenuadas.

Miss Pirangi, o ajudante homossexual de Maria Machadão, que não existe na primeira montagem da Globo, nesta ele não só aparece como tem relevante papel. Dona Dorotéia e suas beatas têm na atual novela uma importância crucial, coisa que na anterior foi atenuada, talvez para não ofender tanto a religião dominante com suas atitudes hipócritas e repugnantes.

Na história, Mundinho Falcão, para atingir seus objetivos, usa as mesmas armas do coronel Ramiro Bastos. Este fato me passou despercebido naquela época, quando era um adolescente. Agora, já maduro, isso fica claro.

Em uma cena ele pede ao coronel Altino, Nelson Xavier, que deixe seus jagunços de prontidão, pois precisará deles para um trabalho.

Pouco importa o fato de Mundinho não usar os jagunços para matar ou coagir quem quer que seja. O simples fato de ele usar os mesmos instrumentos do velho coronel, o iguala a este de maneira prosaica. Ou será aquela velha máxima atribuída erroneamente a Maquiavel, que apregoa que os fins justificam os meios, em casos como esses, devem ser aceitos? Isso sem contar o fato de que pra enfrentar o oligarca de plantão ele precise cooptar primeiro seus asseclas de maior patente, praticantes das mesmas práticas condenáveis.

Mais adiante ele tenta subornar a Madre Superiora do convento onde sua amada Gerusa se encontra enclausurada.

Esses fatos me remeteram automaticamente a três acontecimentos atuais de nossa ilha, que nem por isso está tão distante em tempo e espaço da Ilhéus de Jorge.

Uma entidade, da qual as ações em pouco ou em nada se pode recriminar, está usando os mesmos artifícios e práticas que seus próceres combateram e combatem. Nisso eles estão corretos, errados eles estão é em copiar e repetir as manipulações praticadas por aqueles de quem divergem, mesmo que pensem agir em nome da defesa daquilo que é melhor para sua instituição e quem sabe até para o Maranhão. Não chego a recriminá-los, mas não me venham mais posar de vestais.

Por fim, os dois incidentes que pautaram os noticiários políticos dos últimos dias: primeiro o bate-boca entre um importante chefe político e um juiz eleitoral. Fato que só cito, nem comento mais profundamente, por achá-lo descabido.

Depois, uma reunião em um comitê de uma suposta milícia formada por policiais militares. Um verdadeiro absurdo.

Absurdo se fazer na reta final de uma campanha eleitoral uma reunião daquelas. Se não bastassem fazê-la, falarem todas aquelas asneiras e ainda por cima na presença de uma pessoa que nem deveria estar ali.

No frigir dos ovos aquilo tudo não passava de uma reles bravata, uma vã tentativa de valorização de um grupo que queria ser lembrado no futuro como detentor de uma força política decisiva. Só isso, pois nada iriam fazer realmente, sob pena de prejudicarem sua própria causa, já àquela altura aparentemente vitoriosa. Uma tolice. Burrice mesmo.

Salve Jorge! Os fatos citados acima me fazem ter certeza de que a real diferença entre Ramiro Bastos e Mundinho Falcão é só mesmo o tempo e alguns comparsas, mesmo que os coronéis Altino e Manoel das Onças, que outrora foram homens de Ramiro, agora marchem ao lado das tropas de Mundinho.

Nesse baile de máscaras, todos, eu disse todos, estão vestidos a caráter.

Um bom aluno!?

Prólogo – A justificativa

Como cineasta, sempre acreditei que colocando luz sobre um determinado personagem e focando as circunstâncias que o envolvam, seria possível fotografar todo o cenário com bastante precisão e nitidez para contar a história que gira em torno deste, mesmo que ele não seja o principal protagonista do enredo.

Primeiro Ato – O personagem.

Ele nunca foi um político brilhante; não é tão simpático e não possui um carisma envolvente; sempre foi uma peça importante no motor do grupo que lhe deu todas as oportunidades que teve na vida; chegou a ocupar todos os importantes cargos técnicos que seu mestre mandou; foi guindado ao mais alto cargo do Estado pelo simples fato de que esse mesmo grupo político, assim como todos os semelhantes que já existiram e existirão nesse mundo, enfermo dos males provenientes do tempo, do gigantismo, dos males da visão, da desagregação genética, da arrogância comum aos poderosos, da falta de autocrítica, não possuía em seus quadros “pessoa mais preparada e leal”.

Ledo engano. Preparo técnico tinha. Competência política ele só demonstrou quando virou o manda-chuva e pôde praticar o que aprendera durante toda a vida. Pena que praticou o que aprendeu de forma torpe, movido por sentimentos menores como ingratidão e vingança, agindo guiado por um amor cego, que viria logo demonstrar-se frágil e fugaz.

Aqui é importante e justo que seja dito que a culpa por suas ações e consequente deslealdade não é só sua ou daqueles que estavam ao seu lado na época. A culpa também é, em parte, do grupo ao qual pertencia, que de certa forma o pressionou. Um homem fraco quando acuado comete atitudes absurdas e imprevisíveis. Coisas que deveriam ter sido previstas por quem de direito, pois uma das grandes qualidades de um bom político é a capacidade de antevisão dos fatos.

Segundo Ato – O ambiente

O discípulo que longe de ser um formulador brilhante, se notabilizou como exímio executor, vislumbrou que poderia tomar o lugar dos sucessores de seu mestre e fazer um grupo que substituísse o daqueles, cooptando dois outros políticos, um Velho e um Jovem, fazendo de tudo para elegê-los governador e deputado federal, montando assim um tripé que pudesse lhe garantir não só a vitória, mas a hegemonia política.

Elegendo o Velho para o governo e o Jovem para o parlamento imaginava que com eles construiria uma corrente formada pelos elos do poder político e financeiro do governo representado por si, do respeito e da moralidade representada pelo Velho e pela renovação e esperança simbolizada pelo Jovem.

Por um tempo isso funcionou até que a justiça interveio.

O tempo passou, aquele velho político faleceu e as arrumações que foram feitas depois disso mudaram bastante o cenário.

Novas eleições se aproximavam. Ele se antecipa e, quem sabe, devidamente combinado com o Jovem, resolve jogar com todas as probabilidades a seu favor: Fica de um lado e seu parceiro, aquele jovem político, fica do outro. Cada um ao lado de um candidato mais assemelhado a si, fato que lhes garantiria, com uma certeza próxima de 100%, que de uma forma ou de outra, eles se apoderariam da Prefeitura Municipal a partir de 2013, usando-a para financiar política e financeiramente a abordagem e a tomada do Governo do Estado.

Com essa ação nosso personagem congestionou quase todos os possíveis movimentos em torno da sucessão municipal. Poucas peças podiam ser movimentadas e as que podiam, eram lentas e resultavam em ações duvidosas ou certamente desastrosas.

É importante que uma cena se inclua nesse roteiro. A que mostre a inação do grupo hegemônico, fato que permitiu que tudo isso acontecesse.

Prefiro imaginar que o nosso personagem fez tudo isso de caso pensado. Pensar isso o tornaria genial. Se ele fez tudo isso por simples e momentânea necessidade pessoal ou se foi por simplesmente acreditar que seu candidato venceria as eleições e que grato, aconselhado por ele, apoiaria o tal Jovem em sua jornada rumo ao Governo do Estado, e o bancaria para o Senado, isso diminuiria em muito a genialidade da estratégia.

Epílogo – A conclusão

O segundo turno da eleição será disputado entre o candidato de nosso personagem e o candidato patrocinado por seu parceiro, aquele Jovem e promissor político: de um lado, encontramos um político da velha guarda, que já foi tudo em nosso Estado, que já realizou obras importantes e que já foi amplamente testado e do outro, um político que representa a renovação, que deseja a oportunidade de provar que pode fazer não apenas grandes obras, mas mudar o destino de nossa velha cidade, jovem ainda em seus 400 anos.

Em meio a tudo isso, há no tabuleiro de xadrez, esta peça, que não é peão, cavalo, bispo ou torre, muito menos dama ou rei. Uma peça fantasmagórica, que não está vestida de branco ou de negro, mas que paira muito bem posicionada sobre o panorama político do município e do estado, independentemente de quem ganhar a eleição municipal na capital.

Este aluno aprendeu algumas lições. Outras não.

Perfil

“Poeta, contista e cronista, que, quando sobra tempo, também é deputado”. Era essa a maneira como Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel aparecia no expediente da revista cultural Guarnicê, da qual foi o principal artífice. Mais de três décadas depois disso, o não mais, porem eterno parlamentar, ainda sem as sobras do tempo, permanece cronista, contista e poeta, além de cineasta.

Advogado, Joaquim Haickel foi eleito para o parlamento estadual pela primeira vez de 1982, quando foi o mais jovem parlamentar do Brasil. Em seguida, foi eleito deputado federal constituinte e depois voltou a ser deputado estadual até 2011. Entre 2011 e 2014 exerceu o cargo de secretario de esportes do Estado do Maranhão.

Cinema, esportes, culinária, literatura e artes de um modo geral estão entre as predileções de Joaquim Haickel, quando não está na arena política, de onde não se afasta, mesmo que tenha optado por não mais disputar mandato eletivo.

Cinéfilo inveterado, é autor do filme “Pelo Ouvido”, grande sucesso de 2008. Sua paixão pelo cinema fez com desenvolvesse juntamente com um grupo de colaboradores um projeto que visa resgatar e preservar a memória maranhense através do audiovisual.

Enquanto produz e dirigi filmes, Joaquim continua a escrever um livro sobre cinema e psicanálise, que, segundo ele, “se conseguir concluí-lo”, será sua obra definitiva.

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