2008: Trinta Anos

Completei em 2008 trinta 30 de vida pública. Comecei em 1978, no cargo de assessor do gabinete de meu pai, aqui nesse mesmo Legislativo maranhense. Depois fui para a Câmara dos Deputados, em Brasília. Outra grande escola. Em seguida, voltei para São Luís e fui ser chefe de gabinete de José Burnett, secretário da Casa Civil do então governador João Castelo, e desde então venho construindo e acredito que consolidei um perfil de homem de diálogo, sempre aberto e propenso à conversa e ao entendimento. Como parlamentar, tanto no âmbito estadual quanto no federal, eu sempre procurei ser acessível a todos, aos que estivessem acima ou abaixo de mim, mas principalmente àqueles que estivessem ao meu lado, meus colegas parlamentares, e ao povo que em primeira e última analise, é há quem eu represento.

Sempre procurei dizer o que pensava com objetividade e clareza, sempre fugi do uso abominável dos subterfúgios. Sempre acreditei que uma verdade incômoda ou ruim é muito melhor que uma mentira ou mesmo uma desculpa esfarrapada, que logo se mostrará falsa e desnecessária.

Em todos esses anos de lida política, acredito que consegui o importante respeito de meus eleitores e de meus correligionários, a quem sempre tratei com correção e amizade. Cidadãos que confiaram a mim a sagrada procuração de falar por eles, de representar seus interesses, defender seus direitos, coisa que tenho tentado fazer com coerência e honradez.

Sempre busquei a boa convivência e mais do que isso, busquei me ombrear, me igualar aos bons exemplos de meus colegas deputados. Desde os que primeiro trabalharam comigo, como o aguerrido Gervásio Santos e o grande José Bento Neves. Dois parlamentares sobre os quais não canso de repetir que meu comportamento e meus votos nos primeiros tempos de minha “deputancia”, se construiu e se baseou em uma média dos incríveis discursos e das irrepreensíveis posturas éticas e políticas destes dois grandes parlamentares, de quem tive a honra de ser colega. E ainda há quem pense e quem diga por aí que essas duas palavras, ética e política, não combinam, o que não é verdade em alguns casos, mas o que infelizmente e bem verdade em outros.

Nesses 30 anos convivendo e sobrevivendo no centro das grandes decisões políticas de meu Estado, aprendi muita coisa e continuo aprendendo diariamente. Aprendi que a vaidade, o egoísmo e a auto-suficiência são ingredientes indissociáveis do exercício do poder. Aprendi também sobre aquilo que se deve fazer para que os citados ingredientes não se sobressaiam mais que o pragmatismo, a sabedoria, a tolerância, a generosidade, a coerência, a humildade, todos estes outros ingredientes próprios do exercício do poder e bastante utilizados por alguns políticos que buscam realizar seu trabalho tal e qual faz qualquer outro trabalhador. Com a mesma responsabilidade que tem um médico com o seu paciente, com a mesma dedicação que tem um professor com seus alunos, com o mesmo respeito que tem um pastor com seu rebanho.

A política para mim é algo sagrado, sem mácula, sem panacéia, sem hipocrisia. Faço política da mesma forma que escrevo um poema, uma crônica ou um conto, que jogo basquetebol ou tênis, que preparo um risoto de frango ao leite de coco babaçu ou de shitaki fresco. Política para mim é natural como ver um filme ou mesmo escrevê-lo, produzi-lo e dirigi-lo. Política é algo que vem de dentro de mim, é uma coisa que aprendi muito cedo em minha vida, vendo meu pai, meu tio, seus amigos e correligionários. Não cheguei a aprender com Victorino Freire, Eugênio de Barros, Newton Bello ou com La Rocque, mas busquei saber sobre eles. Aprendi política vendo José Sarney, Clodomir Millet, Alexandre Costa, Pedro Neiva, Nunes Freire, Ivar Saldanha, Cafeteira, Lobão e João Alberto, sem falar em Celso Coutinho, Raimundo Leal, José Elouf, Carlos Guterres e Baima Serra, dentre tantos outros.

E o balanço disso, no que resulta essa minha postura política? O balanço, por um lado, se mostra deficitário, tendo em vista os últimos acontecimentos concernentes à eleição da nova Mesa Diretora da Assembléia, que se não deixa rupturas, deve-se exclusivamente pela forma como procuro agir, e nesse caso tenho certeza de que fiz a minha parte da melhor maneira que poderia tê-la feito. Por outro lado, em que pese ser adversário do atual governo, pude merecer dele, nesses dois anos, o privilégio de ver destinadas aos municípios onde atuo eleitoral e politicamente, verbas do orçamento estadual no total de mais de um milhão e seiscentos mil reais em cada exercício. E apesar de ainda não ter havido os repasses de alguns valores, como no caso dos recursos que destinei à Academia Imperatrizense de Letras, problema que imagino logo será saneado, esse instrumento participativo e democrático deveria ser estabelecido como praxe e estendido a todos os parlamentares, independente de partido ou grupo político, desse ou daquele governo.

Para finalizar esse balanço de minhas atividades, fica aqui, de público o meu apelo aos meus colegas deputados, para que esqueçamos as querelas pessoais ou municipais e pensemos em um Legislativo maior, mais forte, não apenas em uma nova sede, mas unido em torno da valorização deste que é o poder verdadeiramente representativo do povo.

Laila

Antes mesmo de existires
teu nome,
ouro em mandarim
e chefe em celta,
reluzia forte e destemido.
Foneticamente
lembrava o nome daquele que te fez
com uma clava
mais poderosa que a de Thor, Deus nórdico do trovão,
um dos últimos centauros,
descendente direto do professor de Aquiles.
Ao nasceres
de manhã
cedinho,
no prazo previsto
Pois fostes feita para vir ao mundo sob a regência de Quiron,
mestre de aventureiros, românticos e heróis,
teu nome havia sido mudado de forma radical.
Transformou a vida em
noite agradável,
bonita,
formosa.
Brisa vinda do mediterrâneo,
vento que trás consigo o aroma
fresco e frutal do monte Líbano.
Aventura dezembrina,
centáurica.
Neologismo para felicidade.
Amor…
Pedaço de duas pessoas que forma outra.
Igual,
mas completamente diferente.
Vinte anos depois
o poema,
o sonho
a aventura
agora é certeza de uma noite maravilhosa
uma daquelas mil
e uma.

Feliz Natal uma pinóia!

Na semana passada assisti Feliz Natal, filme com o qual o já consagrado ator Selton Mello estréia na direção de um longa-metragem.

Confesso que entrei no cinema preocupado, primeiro porque assisti ao filme ao lado do diretor, segundo porque quem já havia visto o filme, ou o amava ou o odiava. O fato de as pessoas terem essa relação de amor ou ódio com um filme no mínimo era uma garantia de que só pela polêmica, valeria a pena vê-lo. Se tivesse sorte, estaria presenciando em primeira mão, ao vivo e a cores, o surgimento e a consagração de um artista e de sua obra. Tanta polêmica também me dizia que estava diante de um filme de arte, um produto conceitual. Algo diferente, incomum, que suscita surpresa e admiração. Guardadas as devidas proporções, seria como se Velásquez fosse colocado diante de quadros de Dali, isso para ficar apenas em um dos maiores revolucionários das artes plásticas, nascido na Espanha. A mesma Espanha onde tive o privilegio de ver meu filme, Pelo Ouvido, único curta-metragem brasileiro selecionado para a mostra competitiva do Festival de Cinema Íbero-Americano de Huelva, em sua 34ª edição, ombreado com o longa de Selton, ambos representando o Brasil em suas respectivas categorias.

Com toda certeza Feliz Natal não causará a mesma polêmica que causou a música de Alexander Mossolov, ou de Karlheinz Stockhausen ou de John Cage, repletas de ruídos e barulhos ou simplesmente do mais sublime dos sons, o silêncio. Assim como a música daqueles audaciosos malucos, o filme de Selton tem apenas uma intenção, chocar, chamar atenção, de uma forma bruta, eu concordo, de uma forma incomum e pouco convencional, isso é verdade, mas com os ingredientes indispensáveis quando se quer chamar atenção de maneira definitiva: Objetividade, força, coragem e poesia.

Feliz Natal realmente não é um filme fácil, mesmo porque não é essa a proposta do diretor desde a concepção do argumento, passando pela elaboração do roteiro, onde conta com o apoio de Marcelo Vindicatto, e culminando com a clara opção de chocar as pessoas com um enquadramento de câmera tão fechado, tão próximo dos atores que causa náusea. Ele consegue com a ajuda do excelente Lula Carvalho uma não-luz, um escuro silencioso e melancólico, capaz de iluminar a cena com lampadinhas de natal ou com qualquer luz existente. O uso extremado de planos-seqüência ajuda na sensação de mal-estar, mas principalmente nos faz estar presente em cena, bem atrás do extraordinário ator Leonardo Medeiros ou coladinho no rosto da impagável Darlene Glória em seus momentos Dercy ou Coringa.

Já que falei no Leonardo e na Darlene, cabe aqui um registro. O elenco é perfeito, não apenas no que diz respeito às interpretações, mas principalmente quanto à escolha e a tipificação dos personagens e dos atores. Os irmãos realmente se parecem, Paulo Guarnieri com o Léo e Graziella Moretto assemelha-se bastante a Rose Abdalah que por sua vez lembra sua filha. Lúcio Mauro e Emiliano Queiroz interpretam a eles mesmos, ou pelo menos aquilo que temos deles em nosso inconsciente. Já Nathalia Dill, essa é talvez a maior crueldade de Selton, pelo menos para comigo. Ele, só de sacanagem, mata aquela linda mulher, fazendo com que ela apareça muito pouco em cena, mas o suficiente para deixar sua marca, principalmente em mim.

Em relação à estrutura da história, uma coisa é marcante. A forma de contar não contando. A forma de nos trazer para dentro do contexto sem nem sequer termos sido convidados e o que é pior, da maneira mais irritante para um sujeito como eu, usando o silêncio, a mudez dos personagens. Esse é um dos vários momentos em que fica clara a mão do diretor, que sendo um exímio ator, prova que não fez um filme para agradar ninguém. Acredito até que ele o tenha feito mesmo foi para desagradar!

Em Feliz Natal Selton prova a todos que o ator, o cavalo que incorpora Johnny, Chicó, o André de Lavoura Arcaica, o Lourenço de O Cheiro o Ralo, o Leléu de Lisbela e o Prisioneiro, pode fazer seu trabalho e ainda ter dentro de si um poeta Bukowskiano. Desbocado, sujo, maltrapilho, que se utiliza de uma cenografia de paredes descascadas, azulejos quebrados, folhas mortas em volta da piscina, moscas na comida, coisas existentes na vida real. Um poeta que lança mão de uma montagem audaciosa, porém precisa, transformando em uma viagem lisérgica boa parte dos conflitos de seus personagens e de nossa vida, retratada de forma simbolista, iconoclasta e pictórica, isso para apenas usar três adjetivos para descrever o seu denso e difícil poema audiovisual de 100 minutos.

Se eu gostei de Feliz Natal!? Eu não sou parâmetro para auferirmos isso. Seria melhor eu lhes dizer que um filme pode ser bom ou ruim dependendo do espectador, mas para seu realizador ele será bom se tiver conseguido alcançar seu objetivo, qualquer que seja ele. O objetivo de Selton Mello com esse seu primeiro filme, é claramente dar um soco na cara do espectador e mostrar-lhe outra forma de ver a mesma realidade, e isso com toda certeza ele consegue.

O sucesso consiste em não fazer inimigos!

Tenho um bom amigo que me manda pelo menos 50 mensagens eletrônicas por dia, então resolvi compartilhar com vocês, sempre que for possível, algumas delas (apenas algumas…rsrsrsrs). Espero que apreciem.

Regra número 1
 
Colegas passam, mas inimigos são para sempre. A chance de uma pessoa se lembrar de um favor que você fez a ela vai diminuindo à taxa de 20% ao ano.

Cinco anos depois, o favor será esquecido. Não adianta mais cobrar. Mas a chance de alguém se lembrar de uma desfeita se mantém estável, não importa quanto tempo passe. Exemplo: se você estendeu a mão para cumprimentar alguém em 1997 e a pessoa ignorou sua mão estendida, você ainda se lembra disso em 2007.
 
Regra número 2
 
A importância de um favor diminui com o tempo, enquanto a importância de uma desfeita aumenta. Favor é como um investimento de curto prazo. Desfeita é como um empréstimo de longo prazo. Um dia, ele será cobrado, e com juros.
 
Regra número 3
 
Um colega não é um amigo. Colega é aquela pessoa que, durante algum tempo, parece um amigo. Muitas vezes, até parece o melhor amigo. Mas isso só dura até um dos dois mudar de emprego. Amigo é aquela pessoa que liga para perguntar se você está precisando de alguma coisa.

Ex-colega que parecia amigo é aquela pessoa que você liga para pedir alguma coisa, e ela manda dizer que no momento não pode atender. Durante sua carreira, uma pessoa normal terá a impressão de que fez um milhão de amigos e apenas meia dúzia de inimigos. Estatisticamente, isso parece ótimo, mas não é. A “Lei da Perversidade Profissional” diz que, no futuro, quando você precisar de ajuda, é provável que quem mais possa ajudá-lo é exatamente um daqueles poucos inimigos. Portanto, profissionalmente falando, e pensando a longo prazo, o sucesso consiste, principalmente, em evitar fazer inimigos. Porque, por uma infeliz coincidência biológica, os poucos inimigos são exatamente aqueles que têm boa memória.
 
Max Gehringer
 

PS: Em que pese eu estar publicando este texto em meu blog, isso não quer dizer que eu concorde com ele plenamente. Ele tem lógica, isso é verdade, vai no rumo! Mas eu ainda prefiro continuar fazendo amigos incondicionalmente. Se um favor ou uma ajuda que eu fiz ou dei a alguém, for esquecido, isso não será problema para mim, pois eu não o esquecerei jamais e também não o cobrarei, mas eu sabendo posso me perdoar por não ter feito mais ainda.

Tertuliano ?

                                   Livre, porém honesta adaptação de um discurso com aparte.
                                   Nomes e cargos foram omitidos e/ou trocados, para que uma obra política possa ser
                                   transformada em obra literária.   


Um deputado destilava o seu comprovado talento para a critica… 
 

“… Por mais que se discutam outros assuntos importantes e relevantes o assunto do momento na realidade é esse troca-troca de partidos. São deputados que estão se acomodando em outras legendas e de quinta-feira até ontem muita coisa ocorreu e parece que muita coisa ainda vai ocorrer. Fui informado que o próprio primeiro mandatário, ele próprio telefonava, ou procurava deputados para se filiarem ao seu partido, então me lembrei do barão de Itararé que dizia que há alguma coisa no ar além dos aviões de carreira”, e havia. Tanto havia, que na convenção desse partido – presente estava o Presidente do de uma outra agremiação partidária e Líder maior, do maior Bloco Parlamentar desta casa – filiaram-se cinco deputados, inclusive três do próprio Bloco. Mas esse deputado, Presidente desta outra agremiação partidária, talvez tenha pensado consigo mesmo e dito que o” bom cabrito não berra”, foi à tribuna dizer que procuraria fazer do seu partido um grande partido ou talvez o maior partido do Estado.Mas logo em seguida um senador que tinha vindo a essa Casa antes da eleição para a Mesa Diretora prestar o seu apoio ao Presidente vai à tribuna e assumindo os ares de pitonisa diz que os pequenos partidos, inclusive o do anfitrião iria acabar. Aí eu me lembrei de Shakespeare: “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”.Mas o deputado não passou recibo, homem católico foi para casa, se recolheu e consultou as escrituras e viu lá no evangelho segundo São Mateus que Jesus disse: “quem não é por mim é contra mim”. E tratou naturalmente de cair em campo para reforçar o seu partido.  Filiou quatro deputados e ele com certeza deve ter dito a si mesmo, aquele provérbio árabe, “Nada melhor que um dia depois do outro”.

Isso naturalmente deve ter causado algum comentário no almoço lá no palácio, é possível que alguém tenha dito ao Governador “Quem com ferro fere, com ferro será ferido”. E o Governador deve ter comentado, “Quem tem com que me pague não me deve nada”. Lembrando de um ditado muito conhecido “Quando a gente vê a barba do vizinho pegar fogo trata de colocar a nossa de molho”. Como “para bom entendedor meia palavra basta”, e como dizia um grande deputado do passado “Quem viver verá”.

Admirado com a verve do colega e sabendo de que o maior interesse do tribuno era fazer “o mar pegar fogo para comer peixe frito, um novato resolve aparteá-lo e citando Shakespeare,, para colocá-lo em cheque…

O nobre colega me lembra muito um Senador famoso, que faz discursos através de versos e rimas. Mas eu tenho certeza que V.Exa não decorou essa grande pérola da oratória maranhense, tenho certeza que isso tudo é feito de improviso. É por isso que eu gostaria apenas de citar Shakespeare em sua frase mais conhecida e talvez a mais forte: “Ser ou não ser eis a questão”.
 
E o macaco velho, astuto e matreiro, talvez o único que realmente tenha entendido o sentido do aparte, talvez o único que realmente saiba o endereço certo daquela profética frase, não se fez de rogado…

Eis a questão, deputado. Eis a questão. V.Exa certamente não vai se zangar comigo. É que V.Exa, atabalhoado, sempre com a melhor das boas intenções, às vezes me faz lembrar um velho poeta português, Guerra Junqueiro, que até foi excomungado porque era ateu.  Ele é autor de um poema chamado a velhice do padre eterno, mas ele é autor também de uma pequena sátira que em parte, deputado, encaixa-se perfeitamente com o que V.Exa tem feito aqui e eu vou pedir mais uma vez perdão não é para ofender V. Exa, mas eu sou daqueles que “perde o amigo mais não perde a piada” e V.Exa vai me permitir dizer esse pequeno verso cujo título é Tertuliano, e o poema dizia o seguinte: Tertuliano, frívolo e peralta que foi um paspalhão desde fedelho, tipo incapaz de ouvir um bom conselho, vivo ou morto não faria falta, um belo dia deixando de andar a malta foi ter a casa do pai honrado velho e na sala, diante ao espelho a admirar-se perguntou: Tertuliano, és jovem, és rico, és formoso, que mais no mundo se te faz preciso? E o pai que atrás de uma cortina ouvia tudo, respondeu: Juízo. É isso que falta para V.Exa, muito obrigado.”                    
 
Ao outro, nada restou, a não ser levantar-se e aplaudir.  Na saída, ao pé da escada, comentava com um terceiro colega: ainda bem que ele recitou Tertuliano, e não Morte e vida Severina, pois naquele poema há muita dor, miséria e seca.

“Não adianta chorar pelo leite derramado”, ou pela água.                                   “Alea jacta est,” Resmungou.

Filme Maranhense em Huelva

Joaquim,

Como você não mandou nenhum material para eu colocar hoje, estou publicando esta matéria enviada por Euclides que chegou no seu e-mail.

Beijos

Adriana Marão

Acontece na Espanha a 34a edição do Festival de Cinema Ibero-Americano de Huelva, sendo apenas um brasileiro entre os 12 concorrentes: o longa Feliz Natal, dirigido pelo ator Selton Mello.

Já na categoria curta-metragem, uma boa surpresa vem da minha querida São Luís :

O deputado, escritor e cineasta maranhense Joaquim Haickel concorre na categoria com o premiado Pelo Ouvido,instigante curta que deu prêmio de Atriz a Amanda Costa no GUARNICÊ deste ano  e já recebeu prêmios em festivais de cinema americanos.

 amanda_costa.jpg
A bela Amanda Acosta, protagonista do premiado filme de Haickel

Blog da Boreal

Num piscar de olhos.

Não sei se vocês se lembram, mas tempos atrás, aqui mesmo, reconheci publicamente que sofria de um determinado tipo de dislexia. Olha vocês não podem nem imaginar como ter escrito e publicado aquilo foi importante para que eu pudesse aceitar algumas coisas a respeito de mim mesmo. Sobre minha forma de aprender, sobre as diversas maneiras de ver, ouvir e ler o mundo, de entender as pessoas e como elas se relacionam. Aprendi isso e outras coisas mais a respeito de gente que mesmo não sofrendo de nenhuma forma de dislexia, dificulta incrivelmente a sua comunicação e o seu entendimento do e com o mundo.   

Hoje quero contar-lhes uma pequenina historia. Quero falar-lhe de dois presentes que ganhei de meu novíssimo e querido amigo José Belluzzo, mais conhecido no mundo cultural de São Paulo, pela alcunha de “Coi”.

Depois de algum tempo de convivência, as pessoas passam a se conhecer mais profundamente e consequentemente, de um jeito ou de outro, se identificar com seu interlocutor. Principalmente quando os dois sofrem de uma “doença” chamada de “cinemite aguda”, cuja única forma de tratamento é o uso constante e ininterrupto de filmes, seguidos de maravilhosas sessões bate papos regados a uma boa bebida e entremeados por petiscos fenomenais. Ainda mais se você vai se “tratar” em São Paulo! Tomara que meu médico não me leia!

Pois bem, dentre os meus mais novos amigos de infância estão esse rapaz de seus 30 anos e Ariana, sua bela namorada, um ano mais nova que ele. Ele é dono de uma produtora de áudio visuais, chamada Mutante Filmes, incrustada no surpreendente bairro paulistano de Pinheiros.

Depois de uma de nossas conversas, numa em que estava presente uma amiga comum, a  fotografa e cineasta, Eliane Coster, Coi disse que me daria dois presentes, o livro “Num Piscar de Olhos”. A editoração gráfica de uma palestra proferida por Walter Murch, vencedor de dois Oscars de melhor edição, com os filmes “Apocalipse Now “ e “O Paciente Inglês”. No livro, aquele monstro sagrado do cinema fala sobre a arte da edição de filmes, o que para mim um dos quatro momentos em que cria e dirigi um filme. Os outros três momentos são quando se faz o roteiro; quando se planeja e executa a produção;  e quando se orienta os atores, executa roteiro e produção e grava. Quando se diz “ação” e “corta”.

O outro presente era o filme “O Show Não Pode Parar”, um documentário sobre Robert Evans, o homem que seduziu Hollywood, produtor de grandes filmes, entre eles “O Poderoso Chefão”, “O Bebê de Rosemary e Chinatown”.

Quem gostar de cinema não pode deixar de ler este livro nem de ver esse DVD. Se você tem um amigo que gosta de cinema, dê a ele um desses presentes, ou os dois,  não custam caro e valem muito mais que uma jóia.

Para alguém que sofra de dislexia como eu, assistir ao filme seria imensamente mais agradável que ler o livro, e geralmente é mesmo, mas no caso deste livro, escrito por um filosofo do cinema, ele transformou-se num maravilhoso áudio visual que não pude largar ate acabar de ler. Era como se estivesse vendo e ouvindo WM explicando didaticamente todo o seu processo criativo. Ele diz coisas profundamente simples, mas incrivelmente profundas. Coisas aplicáveis ao seu trabalho e a vida de modo geral, e é isso que é mais apaixonante, ele diz coisas que nós conseguimos entender e sentir, mas que nunca antes tínhamos pensado esquematicamente nem sequer verbalizado.

Pude confirmar o prazer que é conhecer novas pessoas. O prazer que é saber que mesmo vivendo em outra cidade, numa realidade bem diferente da nossa, num ritmo de vida e numa freqüência muito diferente, tenham os mesmos referenciais, as mesmas visões e a mesma forma de ver e apreciar o mundo e a vida.

Isso é incrivelmente fantástico. Fez-me sentir mais vivo que nunca.     

PS: Republico hoje essa crônica porque um amigo comentou comigo que este era um dos melhores textos que ele já havia lido. Voltei a lê-lo e não pude ver nele toda essa qualidade alegada por ele, a única coisa que consegui perceber, é que mesmo passado quase um ano de publicado ele ainda continuava extremamente verdadeiro, quente, como se houvesse acabado de ser produzido, foi ai que eu entendi sobre o que aquele amigo falava. É que esse texto fala de sentimentos maravilhosos como alegria e amizade, alguns dos ingredientes indispensáveis na elaboração da felicidade.

Carta-Poema 3: Correspondência PB

(era o que ela diria se pudesse) 

Ombros largos,
peito aconchegante,
braços fortes,
cabeça no lugar…
Mas sem lá muito juízo.
Vê se pode!
Morre de medo de mim.
Não posso nem me aproximar.
Olhos expressivos,
marcantes…
Penetrantes.
Nariz impostado,
de personalidade
grande,
saliente…
Não só ele.
Voz grave,
barba macia,
clara,
pensamentos também,
translucidos.
Envolvente,
mas sem envolvimento.
O casual lhe cai melhor,
combina mais com a idéia que faço dele.
O vejo assim,
enquanto ele permitir
enquanto a vida permitir
vou estar por perto.

Sobre eleição da mesa da ALM

Vamos fazer hoje um rápido retrospecto das últimas cinco eleições internas no Poder Legislativo.

Em 1999 seria o quarto mandato consecutivo do deputado Manuel Ribeiro, coisa que já achávamos demasiado, porém como era o início de outra legislatura, resolvemos dar-lhe o benefício da analogia em relação ao Congresso Nacional e votamos todos nele. Até a oposição da época votou sem muitas restrições.

Em 2001 já havia outro ânimo. Os deputados Arnaldo Melo, João Evangelista e eu, encabeçamos uma discordância aberta e clara e lideramos um movimento contra o que acreditávamos que era uma grave inconstitucionalidade. Tanto que eu entrei com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal para impedir que um presidente de Assembléia Legislativa estadual pudesse se eleger ad eternum para aquele cargo, já que o mesmo não era possível em relação às duas casas do Poder Legislativo federal. Não consegui meu intento. A liminar que pedi não foi concedida e até hoje o mérito da ação não foi apreciado por nossa corte constitucional.

Resolvemos marcar posição e candidatarmos alguém que sabíamos que iria sofrer uma derrota fragorosa. Eu fui o escalado para perder e obtive apenas sete preciosos votos dos 42 deputados com direito para tal naquele pleito. Se não me falha a memória, Manuel teve 33 e dois deputados não compareceram à sessão.

Continuaria havendo até hoje reeleições em nosso Legislativo se em 2003 os mesmos rebeldes mais uma vez liderados por Arnaldo, João e por este humilde escrevinhador que vos fala não se manifestassem. Acrescidos então de um excelente grupo de deputados recentemente eleitos como César Pires, Chico Gomes, Carlos Filho e Max Barros e por um grupo de velhas raposas, entre elas, Tatá Milhomem, Aderson Lago, Julião Amim, Luis Pedro e o eterno Mauro Bezerra, que ajudaram a começar a mudar a face de nosso Legislativo.

Uma coisa pela qual sempre lutei foi pela independência do Poder Legislativo. Não que fôssemos ser tão independentes que nos afastaríamos dos demais poderes. Isso nunca, nem do Judiciário e muito menos do Executivo. Isso seria impossível. Queríamos ouvir as orientações de nossos grupos, mas que não gostaríamos de obedecê-las cegamente, caso elas fossem visivelmente prejudiciais ao equilíbrio e à harmonia que deve sempre haver entre os poderes.

Em 2003 elegemos Milhomem em uma eleição difícil, mas que acabou sendo quase consensual e a partir daí começamos a utilizar um processo eletivo quase normal, sofrendo sim, dentro dos limites normais, a influência não só do Executivo, mas também de todas as forças da sociedade.

Em 2005, com a ruptura do então governador Zé Reinaldo com o grupo político que o gerou, preferi apoiar a candidatura de Mauro Bezerra ao invés de me curvar às exigências de leões tão mal governados. Fiz isso, mesmo que o candidato apoiado pelo palácio fosse meu querido amigo João Evangelista, por quem sempre tive o maior respeito e consideração, mas não poderia ir contra tudo aquilo que sempre defendi. Perdi com Mauro, mas João fez uma administração tão boa, democrática e igualitária que logo estávamos todos juntos na defesa do Poder Legislativo, ainda que em campos opostos, política e eleitoralmente falando.

Em 2007, depois de outra grande renovação na composição da casa, houve uma pequena tentativa de sublevação que logo foi sufocada, pois seus motivos não eram libertários nem de interesse comum, visavam unicamente posições personalísticas e individuais e movimentos assim se desintegram por si só.

Para mim pouco importa quem esteja tentando puxar os cordões, não sou marionete nem fantoche. Sou títere de mim mesmo e se puder sou também de outros, foi para isso que sempre procurei estudar os bonecos, os mamulengos e suas idiossincrasias.

Agora, para a próxima eleição, que deve ser casuisticamente antecipada, temos um quadro extremamente complexo, sujeito a uma infinidade de variáveis. O governo amealhou uma confortável maioria no plenário da ALM, mas mesmo assim tinha, até muito recentemente, dois candidatos à presidência da casa, os deputados Marcelo Tavares e Edivaldo Holanda. Todos dois meus amigos, parlamentares honrados, homens confiáveis, pessoas de boa índole. Seria muito difícil escolher entre um deles em CNTP.

Era preciso buscar critérios fortes e rígidos para nos posicionarmos, e só havia um diferencial que visivelmente distinguia Marcelo de Edivaldo. A proximidade inevitável de Marcelo ao ex-governador Zé Reinaldo, seu tio, fato que poderia fazer com que nossa bancada não acompanhasse sua candidatura. Isso eu sempre disse, tanto para Marcelo, como para todas as pessoas que me perguntaram sobre a situação da eleição. Foi aí que o líder de nossa bancada, deputado Ricardo Murad, em boa hora, nos repassou uma orientação no sentido de que deveríamos esperar a decisão do bloco governista. Deveríamos esperar que eles indicassem e apoiassem efetivamente alguém. Este seria também o nosso candidato, desde que o acordo de proporcionalidade dos cargos da Mesa Diretora fosse mantido.

Quanto à escolha dos nomes para cada cargo, isso é de competência interna das respectivas bancadas, que deverão se reunir e escolher democraticamente quem lhes representarão na Mesa Diretora.

Carta-Poema 2: Correspondência em PB

(era o que ela diria se fosse outra) 

Não se nasce mulher,
torna-se.
Torna-se mulher
quando as bonecas
são esquecidas.
Torna-se mulher
no momento em que os gibis
dão lugar aos romances.
Torna-se mulher quando
sair de casa
vira um ritual de beleza,
quando o sorriso jovial,
transforma-se em fonte de desejo,
quando o cheiro de nosso homem
não sai
nem do nariz nem da alma.
Torna-se mulher quando a idade não rotula
mas confunde.
Torna-se mulher quando
mais do que amar
se deixa ser amada,
livremente,
sem barreiras.
Mulher não tem idade para se tornar,
não precisa de aniversários para ser completa,
só precisa ser segura,
saber o que quer
mas principalmente
o que não quer.

Perfil

“Poeta, contista e cronista, que, quando sobra tempo, também é deputado”. Era essa a maneira como Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel aparecia no expediente da revista cultural Guarnicê, da qual foi o principal artífice. Mais de três décadas depois disso, o não mais, porem eterno parlamentar, ainda sem as sobras do tempo, permanece cronista, contista e poeta, além de cineasta.

Advogado, Joaquim Haickel foi eleito para o parlamento estadual pela primeira vez de 1982, quando foi o mais jovem parlamentar do Brasil. Em seguida, foi eleito deputado federal constituinte e depois voltou a ser deputado estadual até 2011. Entre 2011 e 2014 exerceu o cargo de secretario de esportes do Estado do Maranhão.

Cinema, esportes, culinária, literatura e artes de um modo geral estão entre as predileções de Joaquim Haickel, quando não está na arena política, de onde não se afasta, mesmo que tenha optado por não mais disputar mandato eletivo.

Cinéfilo inveterado, é autor do filme “Pelo Ouvido”, grande sucesso de 2008. Sua paixão pelo cinema fez com desenvolvesse juntamente com um grupo de colaboradores um projeto que visa resgatar e preservar a memória maranhense através do audiovisual.

Enquanto produz e dirigi filmes, Joaquim continua a escrever um livro sobre cinema e psicanálise, que, segundo ele, “se conseguir concluí-lo”, será sua obra definitiva.

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