Quarenta anos de JEMs

A realização de um sonho não tem preço. Não há nada mais gratificante do que alcançar nossos objetivos, superar obstáculos, nos tornarmos vencedores.

Foi isso que eu e os de minha geração fizemos e é isso que os que vieram depois de nós tem feito ao participarem dos Jogos Escolares Maranhenses.

Essa história que começou em 1972 acaba de completar agora 40 anos.

Assim como foi para nós, para os nossos alunos atletas, o fato de apenas participar dos Jogos Escolares Maranhenses, já é a realização de um sonho. Vencer uma competição e levar para casa a tão desejada medalha, isso então, é uma imensa conquista.

A realização dos jogos é um momento único, que se prolonga e é apreciado e vivido intensamente a cada segundo por todos aqueles que, direta ou indiretamente, durante o ano inteiro, trabalham para consolidar a maior competição esportiva estudantil do Maranhão.

Em 2012, esses sonhos ganharam uma proporção ainda maior, nunca antes vista. Não apenas porque chegou à sua histórica quadragésima edição, mas porque foi o maior de todos os tempos.

Os números foram expressivos. Mais de 60 mil pessoas envolvidas na competição. Atletas, técnicos, dirigentes, árbitros e equipe de apoio nas mais diversas áreas. Mais de 600 instituições de ensino, entre públicas e particulares, 49 municípios empenhados na luta pelo desenvolvimento do esporte no Maranhão.

Atletas, de 12 a 17 anos, mostraram que o esporte maranhense é forte e tem futuro.

Para a Secretaria de Estado do Esporte e Lazer, é gratificante poder proporcionar alegrias a esses jovens. Alegria como a que estava visível no sorriso e nas lágrimas dos meninos das cidades de Imperatriz e São Domingos do Maranhão que, pela primeira vez, pisaram no gramado do Estádio Castelão para decidirem a medalha de ouro do futebol.

O melhor é que, o bom trabalho desses jogos refletiu-se imediatamente no resultado alcançado pelas equipes que representaram o nosso estado nos Jogos Escolares Brasileiros, na categoria infantil, disputados em Poços de Caldas. Pela primeira vez disputamos quatro finais dos JEBs. Este ano trouxemos medalhas de prata no voleibol masculino e feminino, no handebol masculino e feminino, além de outra prata no judô masculino, um bronze no judô feminino e outro bronze no badminton masculino.

O sucesso é tanto que acabamos de ser informados pela Confederação Brasileira de Voleibol que três atletas maranhenses, uma moça, Neyane Costa, do Upaon-Açu, e dois rapazes, André Santos, do Upaon-Açu e Getúlio Júnior, do Rui Barbosa de Imperatriz, foram convocados para a seleção brasileira de voleibol escolar.

No encerramento dos jogos demos destaque aos melhores atletas, de ambos os sexos, nas duas categorias e em todas as modalidades disputadas.

Ainda naquela noite entregamos os troféus de campeão às escolas que somaram mais pontos em cada uma das categorias. No infantil a escola vencedora foi o Colégio Dom Bosco de Imperatriz. Esse fato, que acontece pela primeira vez, é motivo de muita alegria para nós, pois prova que o trabalho da Sedel, no sentido de interiorizar suas ações, tem surtido efeito positivo.

Na categoria infanto a escola campeã foi a Upaon-Açu de São Luís que, também por trazer o nome primitivo da ilha em que está nossa cidade, fecha com chave de ouro o nosso calendário comemorativo de seus 400 anos.

É importantíssimo ressaltar que as escolas vencedoras dessa edição dos JEMs levaram troféus com os nomes de dois dos maiores responsáveis pela existência e o sucesso do esporte maranhense. Trata-se de Cláudio Vaz e do professor Dimas, de quem só vou citar os nomes, porque se for falar deles precisaria de duas ou três paginas inteiras desse jornal.

Ainda naquela noite homenageamos atletas, professores, dirigentes e jornalistas que participaram da realização dos primeiros JEMs. Como foram muitos não vou aqui nomeá-los.

Sinto que boa parte de minha missão está cumprida. Fortalecer os JEMs, interiorizar as ações da Sedel, reformar o Castelão e consolidar a lei de incentivo ao esporte.

Ainda falta recuperar algumas de nossas praças esportivas mais importantes como o Costa Rodrigues e o Rubem Goulart, que se encontram em obras, e o parque aquático que estamos buscando recursos. Restabelecer as escolinhas que tantos talentos esportivos nos deram e ajudar o soerguimento do futebol maranhense.

Tenho certeza que todas essas metas serão alcançadas. Essas e muitas outras que são consequência direta e ações secundárias provenientes das aqui enumeradas.

Eu que não queria aceitar o convite da governadora para assumir a Secretaria de Esporte, talvez achando que ela fosse pequena demais para mim, sabendo que ela tinha um orçamento irrisório destinado a realizar um trabalho que para muitos parece ser irrelevante, confesso que estou feliz e realizado.

Nosso trabalho pode parecer pequeno e fácil, mas não é nem uma coisa nem outra. Pode parecer irrelevante e supérfluo. Longe disso. Ele é necessário e importantíssimo, e eu não poderia realizar esse trabalho a contento se não tivesse a colaboração de pessoas que muito contribuem para isso, como Alim Neto, Monica, Vadeco e Clineu, passando por Fernando Lins, Mesquita, Aragão e Núbia até chegar à dona Aparecida, seu Dadá, Nazareno e Dona Fátima. Muito obrigado a todos que trabalham para fortalecer o esporte do Maranhão.

Comparação entre a previsão do número de vagas e a efetiva eleição de vereadores de São Luís

1) DIFERENÇA DE NÚMERO DE VOTOS VÁLIDOS: 521.372 – 514.518 = 6.854 A MENOS ( ERRO DE 1,35% )

2) DIFERENÇA DE NÚMERO DO COEFICIENTE ELEITORAL: 16.818,4516 – 16.597,3548 = 221,0968 A MENOS ( ERRO DE 1,35% )

3) QUANTIDADE DE ACERTOS EM 31 POSSIBILIDADES = 26 (MAIS DE 80%)

4) QUANTIDADE DE ERROS EM 31 POSSIBILIDADES = 5 (MENOS DE 20%) SENDO QUE 2 DESSES ERROS DEVEM-SE AO NÃO FATO DE 2 PARTIDOS NÃO TEREM ALCANÇADO O COEFICIENTE ELEITORAL E 3 ERROS DEVEM-SE AO FATO DE 3 PARTIDOS NÃO TEREM ALCANÇADO O NÚMERO SUFICIENTE DE SOBRAS PARA ELEGEREM MAIS UM VEREADOR A QUANTIDADE DE ERRO ( 5 ) É MENOR QUE A QUANTIDADE DE VAGAS PREENCHIDAS PELO CÁLCULO DAS SOBRAS ( 7 ), NÚMERO E DISTRIBUIÇÃO PARTIDÁRIA IMPOSSÍVIS DE SER PREVISTO COM TOTAL EXATIDÃO

5) O ESTUDO QUE FOI FEITO ACEROU INCLUSIVE A QUANTIDADE DE VAGAS PREENCHIDAS DE FORMA DIRETA ( 24 ) E AS PREENCHIDAS PELO CÁLCULO DAS SOBRAS ( 7 )

O começo do futuro

Participo ativamente de campanhas políticas há quase 40 anos. Excetuando-se as duas primeiras, quando eu ainda era muito jovem, foi esta, a de 2012, a que eu me envolvi menos.

O fato de eu não mais querer ser candidato a mandato eletivo me dá uma imensa liberdade, uma sensação que na verdade nunca havia experimentado antes. Posso dizer o que penso e fazer o que quero sem me preocupar em ferir alguma suscetibilidade, sem me preocupar em desagradar esse chefe político ou aquele cabo eleitoral.

Mas apesar de bastante afastado, é impossível não participar de alguma forma, ajudando de alguma maneira, pessoas com quem durante toda a vida dividi os palanques e me ombreei nas batalhas eleitorais.

Nasci em São Luís e era eleitor da primeira zona da capital até transferir meu domicílio eleitoral para Santa Inês, lugar que pretendi um dia administrar, cidade na qual instalei algumas de minhas emissoras de rádio e televisão. O plano passou a ser sonho que de tanto ser adiado, virou apenas uma fugaz quimera. Hoje isso é impensável.

Nessa eleição não estive em Santa Inês, cidade administrada pelo competente Robert Bringel que durante oito anos a manteve entre as mais bem dirigidas do Maranhão.

Dividido eleitoralmente, o grupo de Bringel e Cabral, ex-prefeito e igualmente bom administrador, abriu a possibilidade de crescimento e de vitória ao grupo liderado pelo deputado Ribamar Alves, que tenta há muitos anos comandar a cidade. A disputa está acirrada.

Localizada a 8 Km de Santa Inês, Pindaré-Mirim é a cidade em que meu pai nasceu e meu tio Zé Antonio Haickel foi prefeito duas vezes. Lá também não fui, mas estive presente de várias formas, inclusive através dos amigos que apoiam o dr. Valber, que pelo que indicam as pesquisas deverá ser o próximo prefeito.

Pessoalmente estive apenas em Buriti Bravo, com o futuro prefeito Cid Costa e em São Domingos, com meus queridos amigos do grupo Folha: Zé, Dim, Nogueira e tantos outros.

São Domingos é um capitulo à parte em minha trajetória política. Lá sinto claramente o carinho e o amor que as pessoas de meu grupo político dedicam a mim. Mesmo não sendo mais o seu representante no Legislativo eles mantém comigo vínculos que chegam a me emocionar. Lá também acontece um fenômeno curioso. Nossos adversários, tanto os chefes quanto as pessoas do povo mesmo, tem por mim grande respeito, sentimento que me faz ainda crer na boa política.

Em Buriti Bravo eu e o ministro Gastão Vieira fizemos História. Conseguimos unir dois grupos adversários em torno de uma candidatura que certamente sairá vitoriosa das urnas.

A política quando é feita dessa maneira me fascina e me faz acreditar que ela é mesmo fator positivo de transformação da sociedade. Mas por sentir que ela muito mais frequentemente tem sido praticada de forma incoerente e irresponsável, é que resolvi distanciar-me um pouco dela. Pelo menos de sua vertente eleitoral.

Outros amigos meus continuam na lide política. Sérgio Albuquerque deve se reeleger prefeito de Primeira Cruz, onde faz uma excelente administração. O mesmo ocorre com Surama Soares em São João Batista. Já na pequenina Satubinha, dr. Flávio tenta eleger-se, enquanto três amigos meus, Rodrigo, Alex e Lucinho disputam em Olho D’água das Cunhãs.

Zuca Viana luta contra forças enormes em Buriti de Inácia Vaz e Queiroz deve vencer sem maiores dificuldades em Monção.

Zeca Brás, um de meus amigos mais antigos e leais juntou-se com o prefeito de Altamira, coisa com a qual não concordei, mas uma das regras básicas da política municipal é o deputado não se meter nas decisões internas dos grupos. Cada um sabe onde mais lhe aperta o sapato.

Há ainda Afonso que tenta se eleger em Presidente Juscelino e outros, inclusive alguns que eram “Esperança”, mas se transformaram em decepção por meio da traição.

Tenho ainda amigos que são candidatos a prefeitos e vereadores pelos quais torço, apoio e ajudo de diversas maneiras.

Em São Luís muitos destes disputam uma vaga na Câmara de Vereadores, inclusive meu primo Marco Aurélio.

Para prefeito da capital apoio e trabalho para Washington Oliveira, amigo que tem me ajudado bastante, acompanhando-me a Brasília na tentativa de liberar os recursos federais destinados ao setor esportivo de nosso Estado. Homem correto e leal.

Bem, amigos!!!… Hoje é domingo… Do pé de cachimbo… Mas é também dia de eleição! Hora dessas deve todo mundo está indo votar! Não sei se usando o direito de escolher quem vai dirigir os destinos de nossas cidades, e por isso indiretamente os nossos, ou se agindo pelo dever de optar por uma ou por outra proposta, por um ou por outro candidato, que nos próximos quatro anos vai ser o responsável por gerir nossas cidades.

Tenhamos muita responsabilidade nessa hora. Seu voto deve durar 30 segundos, mas as consequências dele serão sentidas nos próximos quatro anos.

 

PS: Este texto já estava pronto e eu já havia criado laços afetivos com ele, se não fosse por isso eu iria comentar sobre o debate entre os candidatos a prefeito de São Luís que acabo de assistir na televisão. Meeeeu Deeeus!

 

Atendendo a pedidos

Alguns amigos me pediram que eu postasse uma tabela atualisada e mais fácil de entender. Pois aqui vai uma mais fácil e bem explicadinha.

SIMULAÇÃO DE DISTRIBUIÇÃO DE VAGAS POR PARTIDO

NOTAS, INFORMAÇÕES E EXPLICAÇÕES IMPORTANTES

1) COEFICIENTE ELEITORAL = TOTAL GERAL DE VOTOS VÁLIDOS DIVIDIDO PELO NUMERO DE VAGAS  (521.372 : 31 = 16.818,4516)

2) A COLUNA “DIRETO” INDICA QUANTAS VAGAS DEVEM SER PREECHIDAS POR CADA COLIGAÇÃO OU PARTIDO DE FORMA DIRETA.

3) VAGAS DIRETAS = VOTOS VÁLIDOS DO PARTIDO OU COLIGAÇÃO DIVIDIDO PELO COEFICIENTE ELEITORAL (42.773 : 16.789,0968 = 2,5477 ) PORTANTO ESSE PARTIDO OU COLIGAÇÃO ELEGERÁ 2 VEREADORES DE FORMA DIRETA.

4) A COLUNA “SOBRAS” INDICA QUANTAS VAGAS DEVEM SER PREENCHIDAS POR CADA COLIGAÇÃO OU PARTIDO PELAS SOBRAS.

5) NÚMERO DE SOBRAS = VOTOS VÁLIDOS DO PARTIDO OU COLIGAÇÃO DIVIDIDO PELO PELO NUMERO DE VAGAS DIRETAS, ACRESCIDOS DE 1 (42.773 : (2+1) = 14.258) ESSES RESULTADOS DEVEM SER COMPARADOS ENTRE SI E OS PARTIDOS OU COLIGAÇÕES QUE APRESENTAREM AS MAIORES SOBRAS ELEGERÃO MAIS UM VEREADOR ESSAS CONTAS DEVEM SER FEITAS ATÉ NÃO HAVER MAIS VAGAS POR PREENCHER.

6) AS CORES CONSTANTES NA COLUNA “SOBRAS” INDICAM MAIOR FACILIDADE OU DIFICULDADE PARA O PREENCHIMENTO DAS VAGAS.

7) A COLUNA “TOTAL” INDICA QUANTAS VAGAS DEVEM SER PREENCHIDAS POR CADA PARTIDO OU COLIGAÇÃO.

8) A COLUNA “NÍVEL DE INFORMAÇÕES” INDICA O QUANTO DE INFORMAÇÃO SE SABE SOBRE CADA PARTIDO OU COLIGAÇÃO.

9) OS CÁLCULOS DESSA LISTAGEM FORAM FEITOS TENDO POR BASE A ESTIMATIVA DE 521.372 VOTOS VÁLIDOS. AS POSSÍVEIS VARIAÇÕES DEVEM SER PROPORCIONAIS.

10) O PSTU SÓ APRESENTOU 9 CANDIDATOS. CADA UM PRECISARIA TER MAIS DE 1800 VOTOS PARA QUE O PARTIDO ELEGESSE 1 VEREADOR.

11) O PSOL E O PCB APRESENTARAM 36 CANDIDATOS. CADA UM PRECISARIA TER MAIS DE 460 VOTOS PARA QUE O PARTIDO ELEGESSE 1 VEREADOR.

12) DOS 738 CANDIDATOS INSCRITOS MUITOS NÃO SÃO VERDADEIRAMENTE CANDIDATOS, ALGUNS CONSTAM NAS LISTAS PARA EFEITO LEGAL, COMO NO CASO DE ATINGIR O PERCENTUAL DE MULHERES EM CADA CHAPA OU QUANDO FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS, PARA USAREM O DIREITO À LICENSA PARA SE CANDIDATAR. ESTIMA-SE QUE SOMENTE 93 DENTRE TODOS OS CANDIDATOS TEM REAIS CHANCES DE DISPUTAR UMA DAS 31 VAGAS. NESSA LISTAGEM CONSTAM 62  DESSES NOMES.

13) A RENOVAÇÃO DA CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO LUÍS DEVE SER EM TORNO DE 50%.

COMENTÁRIOS DO AUTOR

1) FAZENDO UMA ANÁLISE ESPECÍFICA SOBRE UM DETERMINADO CANDIDATO, ACREDITO QUE ELE TENHA MAIS CHANCES DE SE ELEGER NA SUA COLIGAÇÃO QUE UM OUTRO EM OUTRO GRUPO, POR ISSO O INCLUÍ NESSA LISTAGEM E ELIMINEI O OUTRO, QUE APESAR DE TER MAIS VOTOS QUE ESTE, TEM MENOS CHANCES DE SUCESSO. MAS DEVO ACRESCENTAR QUE EM POUCO OU NADA MUDA A SITUAÇÃO INTERNA DE SUA COLIGAÇÃO. ELE AINDA TERÁ QUE SUPERAR SEUS ADVERSÁRIOS PARTIDÁRIOS. DA MESMA MANEIRA PODEM HAVER OUTROS CASOS IGUAIS.

2) O PERCENTUAL DE ERRO PREVISTO NO ITEM “VAGAS” CONSTANTE NESSA LISTAGEM É DE POUCO MENOS DE 10% OU SEJA, 3 VAGAS.

3) O PERCENTUAL DE ERRO PREVISTO NO ITEM “NOMES” CONSTANTE NESSA LISTAGEM É DE POUCO MENOS DE 20% OU SEJA, 6 NOMES.

4) É BOM LEMBAR QUE NO VOTO PROPORCIONAL, MAIOR QUANTIDADE DE VOTOS NÃO SIGNIFICA ELEIÇÃO.

5) EXISTEM OUTROS EXCELENTES CANDIDATOS QUE NÃO APARECEM NESSA LISTAGEM, ISSO DEVE-SE AO FATO DOS MESMOS TEREM POUQUíSSIMAS CHANCES DE ELEIÇÃO, ENTRE ESTES EXISTEM PARENTES E AMIGOS MEUS, QUE NEM POR ISSO FIGURAM NESSA LISTAGEM. APARECEM AQUI APENAS QUEM TEM REAIS CHANCES DE ELEGER-SE. SE ESTE OU AQUELE CANDIDATO NÃO APARECE, NÃO SIGNIFICA QUE ELE NÃO TENHA UM NÚMERO RELEVANTE DE VOTOS, MAS SIM QUE EM SEU PARTIDO OU COLIGAÇÃO HÁ OUTROS QUE DEVAM TER MAIS QUE ELE SEGUNDO NOSSAS INFORMAÇÕES.

6) NESSA LISTAGEM, FIGURAM EM ALGUMAS COLIGAÇÕES OU PARTIDOS UM ÚNICO NOME, ISSO SE DEVE AO FATO DE TERMOS POUCA INFORMAÇÃO SOBRE ESSES  CANDIDATOS E RELACIONAMOS APENAS O NOME DAQUELE QUE TEMOS INFORMAÇÕES DE TER MAIS CHANCES DE ELEIÇÃO.

7) O OBJETIVO DESSE ESTUDO É SABER SOBRE AS POSSIBILIDADES DE SUCESSO DOS PARTIDOS E COLIGAÇÕES E NÃO QUEM VAI SE ELEGER, ISSO É CONSEQUÊNCIA.

8) O ÓBVIO SÓ É ÓBVIO PARA QUEM SABE. AS PESSOAS QUE PENSAM QUE SABEM MUITA COISA, NA VERDADE SABEM POUCA OU NADA.

Simulações de planilhas de coeficiente eleitoral e partidário contando as sobras

(SEM INDICAR OS PARTIDOS)

26 VAGAS DIRETAS E 5 SOBRAS

25 VAGAS DIRETAS E 6 SOBRAS

24 VAGAS DIRETAS E 7 SOBRAS

SIMULAÇÃO DE DISTRIBUIÇÃO DE VAGAS POR PARTIDO

Nomes dos 62 candidatos com maior chance de eleição

Os nomes constantes nessa lista são provenientes de informações colhidas junto aos partidos, a alguns jornalistas e a pessoas que conhecem o panorama político-eleitoral de São Luís.

738 candidatos concorrem ao cargo de vereador. Essa lista contém menos de 10% do número de candidatos.

Lista em ordem alfabética.

 

O confuso voto proporcional

Aonde quer que eu chegue pessoas me perguntam sobre as possibilidades de vitória de seus candidatos a vereador na próxima eleição.

Nem lembrava mais como foi que tudo isso começou. Quando e como foi que eu aprendi a fazer essas contas que possibilita chegar ao coeficiente eleitoral e partidário, para com isso vislumbrar as possibilidades dos partidos em eleger seus candidatos.

Devo deixar bem claro que não sou muito bom de contas. Nunca fui. Sempre gostei mais das matérias discursivas como filosofia, história, geografia e literatura.

Já meu pai era um gênio matemático e um mago da mídia. Fazia as operações aritméticas de cabeça e com uma velocidade incrível e inventava mil formas de comunicação. Nessas coisas eu não puxei para ele.

Desde criança acompanhava-o em suas campanhas políticas. Era frequente que ele chamasse minha mãe para que ela me retirasse da sala, pois minha presença inquieta atrapalhava a conversa.

Comecei a auxiliá-lo informalmente na Assembléia Legislativa em 1975, aos 15 anos, e sempre que podia presenciava suas conversas com políticos importantes e cabos eleitorais influentes vindos do interior. Efetivamente passei a assessorá-lo em 1979, como chefe de gabinete em seu primeiro mandato como deputado federal.

Já escrevi anteriormente sobre esse meu aprendizado político. Tive como mestres além de meu pai e meu tio José Antonio Haickel, José Sarney, Clodomir Millet, Pedro Neiva de Santana, Haroldo Tavares, Nunes Freire, José Burnet, João Castelo, Ivar Saldanha, Alexandre Costa, Vieira da Silva, Epitácio Cafeteira, Edison Lobão, João Alberto, José Bento Neves, Gervásio Santos, Raimundo Leal, Celso Coutinho e tantos outros grandes políticos. Isso sem contar os colegas que tive. Gente como Jaime Santana, Sarney Filho, Chico Coelho, Ricardo Murad, Haroldo Saboia, Edivaldo Holanda, Albérico Filho… Com professores e colegas como esses um aluno só não progride se não for talhado para o negócio.

Mas voltemos ao cálculo do coeficiente eleitoral. Aprendi a fazer essas contas em 1979 e quem me ensinou foi um colega de meu pai, Daso Coimbra, deputado federal pelo do Rio de Janeiro.

A primeira coisa que deve ser dita é que qualquer um pode fazer esses cálculos, pois eles estão publicados e explicados na lei eleitoral. O que não está na lei é o conhecimento político e o acesso às informações confiáveis que possibilitam fazer os estudos que nos permitem saber das chances de cada partido em uma eleição.

A conta é simples. Obtemos a quantidade de votos válidos somando-se todos os votos dados aos candidatos individualmente àqueles dados a todas as legendas dos partidos em disputa e divide-se esse resultado pela quantidade de vagas oferecidas.

No caso desta eleição em São Luis, estima-se que os votos validos serão 520.000. Dividindo esse numero por 31 vagas à Câmara, chegaremos a um quociente eleitoral de 16.774 votos. O que significa dizer que, para eleger um único vereador, um partido ou uma coligação deverá atingir esse número de votos.

Nas condições citadas acima, o partido que alcançar 16.773 não elegerá vereador algum.

Cálculo semelhante deve ser feito individualmente em relação a cada partido ou coligação.

Para sabermos quantos vereadores cada partido ou coligação elegerá, basta apurarmos seus votos válidos e dividirmos pelo quociente eleitoral. Imagine que uma coligação obtenha 67.269 votos. Divida esse numero por 16.774 e o resultado será 4.

Essas contas não são assim, exatas, por isso a contabilização das sobras é muito importante, mas infelizmente não dá para explicar isso em uma crônica de jornal.

Quando faço o meu estudo, me atenho exclusivamente a performance de partidos e coligações, não faço avaliação individual de candidatos, pois análises como essas dependeriam de uma imensa quantidade de informações, as mais confiáveis possíveis, coisa que não é fácil de se obter.

Esse estudo não é infalível. Da mesma maneira, pesquisa de opinião não pode ser levada cientificamente em conta para medir-se a preferência quanto a cargos em disputa proporcional, pois outros fatores são muito mais decisivos que os votos individuais de cada candidato.

Sobre esse fato gosto de citar o caso do ex-governador Jackson Lago que na eleição de 1986, mesmo tendo mais votos do que a soma dos dois últimos deputados federais eleitos pelo PMDB, não conseguiu se eleger, pois seu partido não obteve a quantidade mínima necessária para eleger um deputado.

Sobre a próxima eleição em São Luis, no primeiro estudo que fiz semanas atrás, cheguei à conclusão de que das 16 coligações ou partidos em disputa, 2 não elegerão nenhum vereador. Os 14 restantes devem eleger de forma direta 26 dos 31 vereadores, ficando 5 vagas para serem preenchidas pelos cálculos das sobras.

Muito mais que isso não poderia dizer e o que dissesse seria proveniente das informações políticas e eleitorais que me chegam pela grande quantidade de contatos que faço diariamente.

Alexandre, Graciliano, Sebastião e Eu.

Se meu pai ficou conhecido por ter sido um sujeito alegre, que aonde chegava distribuía bombons e guloseimas, agitando os ambientes, contagiando as pessoas com sua energia e vibração, minha mãe é reconhecida por uma frase e uma atitude que costuma dizer e demonstrar a todos que tem o privilégio de conhecê-la um pouco melhor: “Nasci pra ser feliz”.

Eu sou isso. Filho da alegria avassaladora de meu pai e da predestinação à felicidade de minha mãe.

Falo isso como intróito para nossa prosa de hoje. Para poder dizer a você que reserva seu precioso tempo, capital inicial do investimento maior de sua vida, em ler o que esse humilde escriturário transporta para o papel. Para dizer que a busca da felicidade e o cultivo da alegria, em si só, já é a consumação de ambas.

Pois bem. Já comentei em outra oportunidade que tenho praticado leitura sem o uso da visão. Para realizar esse prazer tenho usado a audição. Explico. Comprei mais de cinquenta títulos de obras literárias importantes, não em papel, mas em meio digital, CDs gravados no formato MP3, onde grandes leitores, narradores exímios, atores de imenso gabarito lêem e interpretam o que os grandes gênios da literatura brasileira e mundial produziram.

São textos de escritores clássicos que vão dos mais antigos como Sócrates, Platão e Aristóteles, passando por alguns menos antigos como Sun Tzu, Maquiavel e Thomas More, indo a não tão antigos como Machado de Assis, Graciliano Ramos e Nelson Rodrigues até chegarmos aos atuais como Laurentino Gomes, Elizabeth Gilbert e Sara Gruen.

Agora mesmo estou ouvindo em meu carro o CD que contém o Livro “Histórias de Alexandre”, personagem em quem o genial Chico Anísio se inspirou para criar o seu Pantaleão, mentiroso contumaz que tinha em sua mulher Terta, a cúmplice e avalista de seus despautérios.

Meu atual motorista, Marcelo, que é irmão daquele outro motorista de quem já escrevi sobre ele, Moraes Neto, meu braço direito, meu Sancho Pansa, que faleceu e quebrou minhas pernas… Esse dito Marcelo, “se ri sozinho” ouvindo os causos de Alexandre.

Graciliano usa nessas histórias de toda a autoridade para desenhar um sertão que ele conhece como poucos. Aqueles que conhecem o sertão melhor que ele, não conhecem a arte de narrar e descrever tamanhas belezas e tamanhos horrores.

Em meio a tudo isso, cometi um ato de suprema sabedoria ao ligar para o meu mestre Sebastião Moreira Duarte para que ele me tirasse uma dúvida. O que seria o substantivo “copiar” a que tanto o velho Alexandre se refere em suas prosas com sua mulher Cesária, sua afilhada, a benzedeira Das Dores, seu Libório cantador de emboladas, Gaudêncio, o curandeiro, e o cego Preto Firmino.

Pelo contexto das histórias eu imaginava o que deveria ser o tal copiar, um determinado espaço da casa. Mas qual exatamente? Mestre Sebastião tirou a dúvida. Copiar é uma espécie de latada, uma varanda na frente da casa.

Ao escutar Alexandre pelas palavras que Graciliano colocou em sua boca, depois de ouvir as anedotas do dia a dia do sertanejo nordestino, chego a perceber lá no fundo, um sopro de Machado de Assis. Sebastião me disse que nele também existe muito de Eça de Queiroz.

Eu seria incapaz de reproduzir aqui, pra você, a aula que ganhei sobre a vida no sertão e sobre a literatura de Graciliano e de outros tão grandes quanto ele, em apenas quinze minutos de conversa telefônica com aquele que é, na opinião de muita gente importante e conhecedora, Jomar Moraes entre eles, a pessoa mais culta do Maranhão na atualidade: Sebastião Moreira Duarte.

Sebastião foi meu professor de filosofia no início de meu curso de direito na UFMA. Depois continuamos amigos e ele continuou me ensinando pela vida afora. Hoje, quem poderia imaginar, que eu, filho de um homem descaradamente alegre e de uma mulher predestinada a ser feliz, seria confrade na AML deste “despotismo” de cultura.

Não se assuste. Não estou insultando o mestre filósofo. A palavra “despotismo”, também muito usada por Graciliano em boca do major Alexandre, significa simplesmente exagero.

Em “Histórias de Alexandre” o autor de “Caetés, São Bernardo, Vidas Secas e Memórias do Cárcere” demonstra de forma definitiva a sua competência em contar histórias e seu humanismo.

Por causa da audição deste livro pude mais uma vez comprovar não só o valor da literatura e da cultura que ela transporta e distribui, mas principalmente que Sebastião Moreira Duarte é o homem mais culto do Maranhão.

Por tudo isso, voltando ao primeiro parágrafo desse texto, comprovo que a alegria que meu pai me deixou de herança e a perseverada felicidade que minha mãe em vida me legou, juntamente com os amigos que tenho, são meus bens maiores.

 

Saudade de Antonio Lobo

A realização do projeto Academia da Memória – Homens & Imortais me propiciou conhecer mais de perto alguns personagens de nossa história literária e cultural, sobre os quais eu sabia algumas poucas coisas, desconhecidas da grande maioria das pessoas. Esse trabalho fez com que aprofundasse meu conhecimento, fato que espero aconteça com todos que tiverem acesso a esse material.

Uma das personalidades mais polêmicas de nossa história, com toda certeza, foi Antonio Lobo, dínamo de sua geração, jornalista competente e cronista implacável.

Se por um lado ele serviu como motor de força e gerador de energia para o movimento que culminou com a criação da Academia Maranhense, que mais tarde passaria a ser “de Letras”, ele também era um encrenqueiro contumaz, um polemista ferrenho, um crítico ácido.

Professor, jornalista, romancista e tradutor, Antonio Lobo, nasceu a quatro de julho de 1870 e morreu ainda jovem, aos 46 anos.

Ele dirigiu a Biblioteca Pública, o Liceu Maranhense e a Instrução Pública, que seria hoje a Secretaria de Educação do Estado, além de ter sido diretor de A Revista do Norte, importante periódico de sua época. A militância na imprensa era para ele, sua razão de viver. Por meio dela, pôde disseminar suas idéias de educador, de crítico de costumes e de político. Seu estilo era simples, mas impregnado de ironia.

Envolveu-se em grandes polêmicas. Entre os adversários estão quase todos os grandes intelectuais de sua época: Nascimento de Moraes, Manoel de Bethencourt, Barbosa de Godóis, Alfredo Teixeira, Fran Pacheco e Xavier de Carvalho. Alguns destes eram seus diletos amigos.

Em 1915, Antônio Lobo assume a direção do jornal ‘A tarde’, de J. Pires. Escreve ali duras críticas endereçadas ao então governador Herculano Parga. Este, o calou comprando o jornal.

Meses depois se suicida enforcando-se com uma corrente de rede.

Ao me defrontar com a história de Antonio Lobo, de saber de sua vida, dos fatos que o fizeram ser quem foi, das decisões que o fizeram fazer o que fez, olho em volta e vejo o quanto evoluímos em certos aspectos, o quanto continuamos iguais aos pais dos pais de nossos pais e o quanto pioramos depois deles.

Lendo sobre a vida do escritor, vejo que ele polemizava com todos a respeito de quase tudo. Amigos de longas datas, companheiros de jornadas, adversários políticos, desafetos. Literatura, política, filosofia, costumes. Talvez fosse essa a maneira que ele tenha encontrado para movimentar a província.

Gostaria de tê-lo entre nós para que ele dissesse poucas e boas para certas pessoas invejosas e recalcadas, que não fazem nada para melhorar nem a si nem a comunidade onde vivem, e ao invés disso se subtraem, ou melhor, se multiplicam negativamente. Se bem que multiplicando por zero o resultado é sempre zero e subtração de zero não altera o resultado.

Fico imaginando o que diria Antonio Lobo para uma determinada figura carecida de piedade, farrapo humano que não consegue guarida nem no seio de sua própria família.

Tenho certeza que tanto quanto eu, o mestre Lobo não se fixaria no defeito físico que o dito cujo carrega. Dizem que a parteira que lutou para trazer o infeliz ao mundo, tentando abreviar o sofrimento de sua pobre mãe, puxou-o pelo braço, entortando-o. Lobo preocupar-se-ia tão somente com os defeitos do caráter e da alma do sacripanta. Alguém que segundo dizem, foi expulso de sua própria entidade de classe. Boa coisa esse Belo não pode ser!

Se o chamassem de rapace, o indigitado teria que recorrer a um dicionário para saber do que foi qualificado. Pior seria chamá-lo de cinesiforo valdevinos apedeuta viegas ou de sostro lheguelhé atrabiliário gilvaz. Uma hora dessa ele deve está mergulhado no Aurélio tentando se achar.

Em “A carteira de um neurastênico” Antonio Lobo desenha um auto-retrato contundente e corajoso, um belíssimo reflexo da alma inquieta e atormentada que habitava seu corpo, “cousa” que não tenho certeza haja em certas figuras. O que deve sustentar essas criaturas não são almas. O que os sustenta é uma intrincada rede de idiossincrasias que lhes servem de cabide onde penduram os trajes com os quais escondem suas vergonhas e seus recalques.

Escondidos atrás de mídias poderosas esses lombrosianos modernos tentam apropriar-se da capacidade de disseminação de injúrias, calúnias e difamações dando às suas palavras a força de uma mídia avassaladora. No entanto, suas palavras são pobres, desprovidas de luz, e acabam por criar no máximo um traque, emissão de gases pútridos de origem orgânica.

Seria bom que tivéssemos de volta Antonio Lobo para dizer cobras e lagartos de e para essa gente.

Nossa cidade seria um lugar bem melhor se o falastrão a quem me refiro fosse capaz de imitar Antonio Lobo, única e exclusivamente no que diz respeito ao último ato de sua vida.

 

PS: Como tenho andado muito ocupado, esse texto serve de resposta, tardia, mas necessária, a um imbecil. E a outros também!

 

Meia noite em São Luís

Outro dia tive um sonho interessante: Estava eu em companhia de um grupo de amigos, deste e de outros tempos, apreciando o mural que retrata a fundação de São Luis, que se encontrava pendurado na parede do Salão de Atos do Palácio dos Leões.

Comigo estavam Japiaçu, principal chefe das aldeias de Upaon-Açu; Davi Migan, o língua, gaulês que foi trazido para os trópicos ainda menino e que aqui chegando, assimilou e foi assimilado pela cultura nativa, o que lhe propiciou a função de tradutor e diplomata dos tupinambás; Charles de Vaux e Jacques Riffau, misto de negociantes e corsários; os empreendedores Daniel de La Touche, senhor de La Ravardiere, François de Rasilly, senhor Almers e Nicolau de Herley, senhor de Sancy; os padres capuchinhos Claude d’Abbeville e Yves d’Évreux.

Estavam também Jerônimo de Albuquerque, Diogo de Campos Moreno, Alexandre de Moura e o engenheiro-mor Francisco de Frias, responsável pelo primeiro desenho urbanístico de nossa cidade.

Mais atrás vinham Simão Estácio da Silveira, fundador do Senado da Câmara de São Luís e o padre Antonio Vieira, que dispensa qualquer aposto. Vinham seguidos de um sizudo Manuel Bequimão, a quem todos devem conhecer.

Em meu sonho estava também o político, escritor e jornalista João Francisco Lisboa e dona Ana Jansen que vinham acompanhados pelo igualmente político, escritor e jornalista Erasmo Dias, o pintor Floriano Teixeira, autor do magnifico mural, o poeta Valdelino Ceccio, o fotografo Dreyffus Azoubel, os historiadores Mário Meireles e Carlos de Lima, o famoso maluco local “Bota Pra Moer”, que trazia atenciosamente pelas mãos minha espevitada filha Laila, de sainha plissada e maria chiquinhas, do tempo em que ela ainda era uma menininha perguntadeira. Hoje, mesmo que ainda perguntadeira, já é uma bela mulher.

Todos apreciavam o quadro de seu ponto de vista. O velho índio via sua gente parda, lindamente retratada pelo artista que ao fundo apreciava sua obra, e mais ainda, apreciava a apreciação e o deslumbramento dos demais.

Os franceses se acharam garbosos. Os portugueses não se viam registrados. Os padres se viam elegantemente retratados. Mas Vieira, como era de seu temperamento, já se preparava para dizer que ali começava a exploração dos silvícolas pelo branco.

O clima não era de disputa. Não havia tensão no ar. Havia comtemplação. A obra de Floriano, mesmo se não represente a verdade dos fatos acontecidos, retrata solidamente aquele tempo feito luz e cor.

Lembro da primeira vez que vi aquele quadro. Ainda menino, fui levado por meu pai ao Palácio, não me lembro bem por qual motivo. Ao passar por uma das salas vi aquela imensa pintura, a maior que veria por muitos anos e me apaixonei por ele, pela história que cada um daqueles personagens contava.

Mesmo que não tivesse movimento em si, os desenhos pareciam se mexer. Os personagens tinham vida, corriam, falavam, sorriam…

De repente o Salão de Atos do PL, locação inicial de meu sonho, transformou-se em uma espécie de corredor por onde passavam todos os personagens que participaram da história de São Luís nesses 400 anos.

No meio do sonho, lembrei que da primeira vez que fui ao Palácio vi um outro quadro que me comoveu bastante. Tratava-se de uma pintura que trazia um índio sobre uma prancha de madeira e nela, a seus pés, jazia morto um homem, que de imediato perguntei de quem se tratava e me foi respondido que aquele era o poeta Gonçalves Dias.

Em minha procura daquele quadro, no sonho, acabei por encontrar um outro, que até aquele instante me era desconhecido.

Tratava-se de uma obra moderna, iconográfica, cheia de informação, ícones culturais. Em estilo lembrava Andy Warhol. Havia no meio dessa tela, que trazia por trás de si uma luz que oscilava de um lado para outro, uma série de números: “…398, 399, 400, 401, 402…”.

Todos haviam ficado para trás. Em frente aquele quadro estavamos apenas eu, minha filhinha perguntadeira, o padre Vieira e “Bota Pra Moer”.

Laila perguntou o que significava aquele quadro. Eu calei. Vieira franziu a testa, suspirou e levou as mãos justapostas ao peito, como se rezasse. Só o maluco foi capaz de expressar claramente o que via. Segundo ele aquele quadro recomendava que tratássemos de comemorar os 400 anos de São Luís da melhor maneira possivel, mas que mais importante que isso, seria comemorarmos com igual entusiasmo e com cada vez maior empenho os aniversários vindouros, buscando preservar nossa cidade para as gerações futuras.

Acordei sobressaltado. Aquilo tudo pareceu tão real, tão verdadeiro. Fiquei triste por ter acordado e parado de sonhar.

Deitei novamente, fechei os olhos e busquei me concentar naquele sonho, tentando alcançar novamente aquelas imagens, aqueles sons, aquele filme que havia sido interrompido. Não consegui voltar ao sonho, mas acordado mesmo, passei a desenhá-lo em minha mente.

De tudo que pensei, o mais importante foi reflexo direto do que disse “Bota Pra Moer”: As comemorações dos 400 anos de São Luís são importantes, porém, mais que isso será no ano que vem comemorarmos os 401 anos de nossa cidade podendo oferecer a ela e a seus habitantes, nós, uma melhor qualidade de vida, uma cidade mais bem tratada, mais preservada, mais amada, mais respeitada.

Esse será sempre o melhor presente que poderemos dar à nossa terra mãe.

 

Perfil

“Poeta, contista e cronista, que, quando sobra tempo, também é deputado”. Era essa a maneira como Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel aparecia no expediente da revista cultural Guarnicê, da qual foi o principal artífice. Mais de três décadas depois disso, o não mais, porem eterno parlamentar, ainda sem as sobras do tempo, permanece cronista, contista e poeta, além de cineasta.

Advogado, Joaquim Haickel foi eleito para o parlamento estadual pela primeira vez de 1982, quando foi o mais jovem parlamentar do Brasil. Em seguida, foi eleito deputado federal constituinte e depois voltou a ser deputado estadual até 2011. Entre 2011 e 2014 exerceu o cargo de secretario de esportes do Estado do Maranhão.

Cinema, esportes, culinária, literatura e artes de um modo geral estão entre as predileções de Joaquim Haickel, quando não está na arena política, de onde não se afasta, mesmo que tenha optado por não mais disputar mandato eletivo.

Cinéfilo inveterado, é autor do filme “Pelo Ouvido”, grande sucesso de 2008. Sua paixão pelo cinema fez com desenvolvesse juntamente com um grupo de colaboradores um projeto que visa resgatar e preservar a memória maranhense através do audiovisual.

Enquanto produz e dirigi filmes, Joaquim continua a escrever um livro sobre cinema e psicanálise, que, segundo ele, “se conseguir concluí-lo”, será sua obra definitiva.

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