A Indústria Cinematográfica do Maranhão

De uns tempos pra cá a atividade audiovisual em todo nosso estado, e não só em São Luís, tem se desenvolvido de maneira bastante satisfatória.

Para apoiar e avalisar essa afirmação preciso fazer um pequeno retrospecto da história recente do cinema maranhense.

Em minha opinião o cinema maranhense contemporâneo nasceu efetivamente 35 anos atrás com a criação pelo Departamento de Assuntos Culturais da Universidade Federal do Maranhão da Jornada Maranhense de Super-8.

Antes de 1978 já havia quem fizesse cinema por aqui. Podemos citar a TV Difusora e a TV Educativa como celeiros dos primeiros cineastas de nossa terra. Nelas trabalharam alguns dos homens que desenvolveriam o nosso audiovisual, como Lindenberg Leite, Murilo Campelo e Mauro Bezerra. Mais tarde, proveniente da TVE, surgiria Murilo Santos. Um pouco mais adiante seria a vez de Euclides Moreira, João Ubaldo de Moraes, Ivan Sarney, Newton Lílio, Nerine Lobão, Luis Carlos Cintra, Cláudio Farias, dentre outros.

O cinema como ocupação era difícil e caro. Poucos podiam se dedicar a ele. Com o avanço tecnológico e a popularização dessa tecnologia, o cinema foi ficando mais acessível.

Se a Jornada de Super-8 marca o nascimento do nosso movimento cinematográfico organizado, a sua mudança de nome para Festival Guarnicê de Cinema em 1990, marca a nossa primeira tentativa de emancipação, logo amansada pelos afazeres pessoais de cada um.

Em meados da década de 90, José Louzeiro tentou arregimentar forças para estabelecer aqui um polo organizado de realização cinematográfica. Não conseguiu, mas a ideia ficou.

O Maranhão sempre teve excelentes agências de publicidade. Elas, em todo lugar do mundo, são os berços da produção cinematografica. Vide Fernando Meireles e outros grandes cineastas que sairam da publicidade.

As universidades colocam anualmente no mercado profissionais dos setores de comunicação, propaganda e marketing, desejosos de trabalhar no setor audiovisual. Massa de modelar, combustivel para essa indústria.

A criação da seccional local da Associação Brasileira de Documentaristas – ABD também foi um bom avanço.

Mais recentemente tivemos a implantação do Museu da Memória Audiovisual do Maranhão da Fundação Nagib Haickel que vem ao encontro do anseio de muitos que acreditam que se deva ter um polo de apoio ao cinema, para auxiliar quem deseja produzir obras audiovisuais em que a nossa cultura e a nossa memória, de alguma forma, estejam retratadas.

Mais uma vez aconteceu uma outra grande onda de avanço tecnológico que possibilitou a maior democratização dos meios e um efetivo desenvolvimento de aptidões relativas ao setor audiovisual.

Aparecem entre outros, cineastas como Cícero Filho que realiza a partir de Poção de Pedras, o longametragem “Ai que vida!…”, onde apresenta histórias de pessoas comuns do interior do Maranhão, do interior do Brasil. Ele faz isso de maneira alegre e descontraída. A produção de seu filme conta com pouquíssimo recurso financeiro e com quase nenhum recurso técnico, mas o resultado é retumbante.

Apesar dos críticos cinematográficos o acharem “trash”, seu filme conquista grande audiência através de cópias de DVDs vendidos por camêlos em feiras e pela disponibilização dele na internet.

São do Maranhão duas das maiores e melhores distrbuidoras de filmes independentes de nosso país. Uma é a Petrini Filmes, que pertence a um italiano filho de maranhense que desde 2010 distribui daqui para o resto do Brasil, filmes de diversos países do mundo. A outra é a Lume Filmes de Frederico Machado, que apostou na distribuiçao de um gênero jamais tentado antes por nenhuma empresa do ramo, alcançando grande sucesso.

Apartir de 2011, a Lume passou a promover um festival internacional de cinema em nossa capital, atraindo para cá o olhar de boa parte do mercado cinematografico em seu nicho.

Enquanto uns exploram um tipo de cinema, outros buscam setores distintos dessa arte. Nesse contexto temos Arturo Sabóia, Francisco Colombo, Ione Coelho, Breno Ferreira, Beto Matuk, Cícero Silva, Júnior Balby, José Maria Eça de Queiroz, Luis Fernando Baima, João Paulo Furtado, Denis Carlos, Gleizer Azevedo, Márcio e Vinícius Vasconcelos…

Vêm de Imperatriz dois outros realizadores de longametragens. Gildásio Amorim com “Renúncia” e Nilson Takashi com “Marilha”.

Os dois, cada um a seu modo, realizam obras únicas. O primeiro com um tema evangélico e o segundo realizando um folhetim que muito pouco deixa a desejar se comparado a produções semelhantes realizadas no sul do país.

Takashi em homenagem a São Luís, batiza os personagens de seu filme com os nomes de bairros e praias de nossa cidade. São pessoas comuns com quem convivemos no dia a dia, que prenchem um enredo que prende a atenção e emociona o expectador.

Temos também a nosso favor a existência dos maravilhosos cenários arquitetônicos e ecológicos, o que nos previlegia imensamente quando da escolha de locações para grandes produções como foi o caso de Carlota Joaquina e Casa de Areia.

Que fique registrado nos anais da história jornalística de nosso estado que no dia de hoje, foi dito pela primeira vez que no Maranhão tem cinema, que pela primeira vez se afirma que já podemos dizer que temos em nossa terra uma embrionária, mas promissora indústria cinematográfica.

Parabéns aos pioneiros dessa nova industria.

PS: Os mais novos cineastas maranhenses são Marcos Pontes, Vander Ferraz e Laila Farias Haickel, que tem em fase de pré-produção um filme inspirado num conto do acadêmico José Ewerton Neto.

Lamparina

Em toda história tem que haver sempre aquele que chama pra si a responsabilidade de ser “inconveniente” e dizer a verdade. É muito necessário aquele personagem que tentar fazer ver melhor quem precisa enxergar uma determinada situação. Essa ação, no popular, costuma se chamar de “colocar o guiso no pescoço do gato”, só que muitas vezes o felino em questão não é um bichano caseiro, um gatinho doméstico, desses que andam se enroscado nas nossas pernas por debaixo das mesas. Em muitos casos trata-se de um tigre, um leão, ou um leopardo, um felino de grande coturno, feroz e com garras afiadas, acostumado a de uma bocada só eliminar uma zebra, um antílope ou uma gazela, o que tenho certeza não é o meu caso. Acredito que eu esteja mais para um orangotango, macaco velho, gordo e meio careca, com cara de pensador, mas sem a força do gorila, sem a agilidade do macaco-aranha, sem a simpatia do chipanzé, mas com a inconveniência e algumas outras características dos macacos-prego.

Nem vou me ater à questão da verdade, até porque, o que é mesmo verdade? Qual é a verdade? Não falo de uma verdade específica. Refiro-me à verdade em lato senso. Falo da verdade filosófica, dela enquanto luz, como descortinamento, como argumentação. A verdade dialética.

A função de dizer a verdade para alguém que não a conhece ou não quer vê-la é quase sempre mal compreendida, principalmente tratando-se de algo constrangedor, algo que vá contra os interesses das pessoas.

Pior é quando essas verdades precisam ser ditas a gente poderosa, em qualquer dos sentidos que a palavra poder possa ser referenciada. Essas são pessoas que não estão acostumadas a dialogar. Pessoas que se acostumaram a ser seguidas sem contestação, que pensam estarem predestinadas a fazer coisas para as quais nem sempre tem capacidade.

Acaba levando muita bordoada quem se propuser a dizer o que precisa ser dito para que se estabeleça a argumentação necessária para o exercício da dialética. Para tentar fazer algumas pessoas verem o que precisa ser visto. Ver o que alguns são incapazes de enxergar. Uns pela extrema proximidade da cena, outros por serem protagonistas de um enredo que eles mesmos escreveram, por estarem comprometidos com a história, seus personagens e suas atitudes.

Há quem sofra de um simples defeito na visão, outros pela falta de iluminação suficiente, outros ainda por total cegueira mesmo.

Cegueira proveniente das mais diversas causas. Causada pelo poder que tudo pode ou pelo ouro reluzente que cega. Decorrente do sentimento de culpa ou de sentimentos subalternos, como a raiva, a vaidade, a mágoa, a inveja. Proveniente da inexperiência. Cegueira estimulada pelo bajulador ou pelo vigarista que nos envolve de tal modo, desenhando um cenário tão maravilhoso, usando artifícios tão espetaculares, atingindo-nos em pontos tão sensíveis que até mesmo os mais espertos e experientes muitas vezes são colocados em um torvelinho incapaz de ser desenrolado a tempo de nos safarmos de uma situação desastrosa.

É bom que se ressalte que o que digo aqui não serve apenas para os poderosos. O mesmo se aplica ao povo em geral.

Dizer a verdade a estes é tão ou mais difícil que dizê-la aqueles, pois a massa é disforme, nela há muitas facções, correntes de pensamento, religiões, paixões. Em meio a turba há muitas falsas verdades que precisam ser preservadas sob pena de quem a domina perder o frágil controle que tem sobre ela.

A massa não quer saber da verdade, ela quer é uma história que case com seus anseios, suas vontades, com aquilo que precisam, com aquilo que seus líderes a convença de que é o melhor.

Pois bem, já estou quase no fim do meu espaço nesse jornal e ainda não disse objetivamente nada de concreto, ainda não enfiei o dedo na ferida de ninguém especificamente, então vejamos dois exemplos, a propósito das eleições que se aproximam:

Para que lançar a candidatura de uma pessoa ao cargo de prefeito, sabendo de antemão que, mesmo sendo essa pessoa uma ótima criatura, suas chances de vitória seriam reduzidíssimas. Que sua derrota poderia ser infinitamente mais danosa do que os benefícios políticos e eleitorais que poderiam vir na possibilidade de uma improvável vitória?

No caso aludido, até em se ganhando se perderia. O custo-benefício de uma disputa dessa natureza se constata efetivamente pela contabilidade da qualidade e não da quantidade dos erros e dos acertos.

Ainda bem que em alguns casos as luzes são acesas a tempo de alumiar o caminho. O que nem sempre acontece, e esse é um caso exemplar, é o fato de que haverá pouca esperança de um bom futuro para aquela combalida população.

Caso semelhante, é fazer de tudo para eleger-se um representante legislativo que se sabe, será ausente, que não se manifestará, que quando tentar fazê-lo será desastroso, que será sempre um zero à esquerda.

O regime republicano e o estado democrático de direito por si só de nada adiantam se nós não tivermos o discernimento de fazer o que for melhor e não apenas o que é conveniente.

Café com Memória

Fui convidado por minha querida amiga Ceres Costa Fernandes para participar como palestrante de um de seus Cafés Literários, abordando a importância da preservação da memória através de meios audiovisuais.

Para quem não sabe o Café Literário é o evento promovido pelo Centro de Criatividade Odylo Costa, filho no intuito de movimentar o cenário cultural de nossa terra. Nele a população se reúne com escritores, professores, artistas, jornalistas que possam contribuir para o engrandecimento do conhecimento, discussão e difusão de temas ligados às artes e à cultura de modo geral.

Na última terça-feira, dia 19, fui conversar com as pessoas que lá compareceram. A casa estava lotada. Olha que concorríamos com os shows de João Bosco no TAA e de Erasmo Dibel no Sebrae, com o festival Lume de cinema, com as festas juninas que se espalham pelos terreiros da cidade, e mesmo assim a nossa plateia foi grande em quantidade e em qualidade. Fiquei muito satisfeito e espero que as pessoas tenham gostado.

Vou aproveitar esse mote para conversar aqui com você sobre o mesmo tema, propagar as ideias das quais tratamos naquela ocasião.

Primeiramente falamos sobre a memória. E o que é mesmo memória? Parece uma pergunta tola e imaginamos que a resposta seja fácil. Não é bem assim. Posso lhe garantir que memória não é simplesmente lembrança. Lembrança é apenas um ingrediente da memória, uma vigésima parte dela. Memória é muito mais.

Mas afinal de contas o que é memória. Memória é a capacidade que temos de adquirir,  armazenar, consolidar e lançar mão de informações, de conhecimentos, e colocá-los à nossa disposição, à disposição de todos.

Existem dois meios onde a memória se efetiva. No meio biológico, a memória interna e no meio artificial, a memória externa.

O objeto de nosso interesse frutifica na fronteira entre as duas. Falo do uso da memória biológica para a construção de uma memória artificial que possa ser transformada em biológica em outras pessoas, e assim sucessiva e eternamente.

Para que se tenha comprovação do que digo, basta analisarmos a importância de conhecermos os desenhos rupestres da era paleolítica e de sabermos das histórias contadas através da tradição oral, dos contadores de histórias, comuns em todas as culturas e em todas as épocas.

O que nós queremos é preservar o mais que pudermos, em meios audiovisuais. Primeiramente adquirindo, armazenando, catalogando, consolidando, recuperando, para que possamos lançar mão, não só nós, mas as gerações futuras.

Essa é a proposta do Museu da Memória Audiovisual do Maranhão – Mavam, pertencente à Fundação Nagib Haickel, que além disso se dedica à produção e a difusão da educação, da arte, da cultura, do esporte, da preservação de nosso patrimônio histórico, arquitetônico, cultural e ambiental e deselvolve ações de inclusão social e de cidadania.

Uma outra etapa desse mesmo trabalho é “produzir” nossa memória contemporânea que amanhã já será passada. Fazemos isso realizando filmes que possam servir como as paredes das cavernas para os arqueólogos do futuro.

Existem perguntas que automaticamente aparecem nessas discussões: A quem pertence essa memória e quem devem ser seus detentores? Pertence a todos nós, individualmente, mas devemos compartilhá-las entre nós, de forma que nossas memórias individuais passem a formar um patrimônio comum, onde todos e cada um de nós se façam representar.

Outra pergunta que se impoe é como preservar essa memória. Devemos procurar quem tenha conhecimento e competência para fazer isso ou, de forma amadora, digitalizarmos nossos acervos, como por exemplo, os álbuns fotográficos de família, as fotos tiradas nos jogos de futebol, os álbuns de casamento…

É bom que se diga que mesmo arquivos digitalizados, transpostos para HDs ou BRs ou DVDs ou CDs, são passíveis de serem perdidos e em alguns casos, quando isso acontece, o prejuízo é muito maior. A mídia mais confiável até hoje disponível, é a fita LTO e mesmo assim precisa de constante manutenção e checagem, necessitando ser refeita num prazo de 30 anos.

Depois passamos a falar do projeto de iniciativa da Academia Maranhense de Letras, intitulado, Academia da Memória – Homens & Imortais que irá realizar documentários sobre alguns de seus membros. O presidente da AML, o jornalista e historiador Benedito Buzar, tem dado apoio irrestrito e acompanhado de perto esse projeto.

A princípio serão realizados docs sobre os 12 fundadores da Academia e sobre outros 12 imortais, totalizando 24. Depois da palestra foi exibido o primeiro deles. Trata-se do filme “Palavrador” que retrata a vida e a obra do poeta José Chagas. Quem viu achou maravilhoso.

A obra foi roteirizada pelo poeta Celso Borges, dirigida pelo cineasta Beto Matuck e montada por Alberto Greciano. A produção é da empresa Play Vídeo que conta com uma dezena de profissionais de alto nível para a realização desse projeto, entre eles o cineasta Francisco Colombo, os produtores Joan Carlos e Marcos Araujo e o fotógrafo Manoel Martins.

Naquela noite, depois da palestra, uma senhora me chamou de lado para me parabenizar e dizer de como ela estava orgulhosa de que um maranhense tivesse tido uma ideia dessas, algo tão extraordinário e eu disse a ela que essa ideia não é minha, que existem muitas outras experiências similares como os Museus da Imagem e do Som e Museu da Pessoa. Os MIS são voltados basicamente para o registro das artes que envolvem o som e a imagem. Seu objeto é a arte, por mais documental que possa ser, tem sempre uma visão artística da obra. O Museu da Pessoa é um museu virtual de histórias da vida, aberto a participação gratuita de todo aquele que queira compartilhar sua história a fim de democratizar e ampliar a participação de todos na construção da memória social.

Não estamos inventando nada, estamos tentando, ao nosso modo, dentro de nossas possibilidades, desenvolver um trabalho de preservação e de construção de nossa memória, para que ela não fique apenas na lembrança.

Mesmo destinatário, outro remetente

Meu caro Daniel,

Já lá se vão 400 anos e se por um lado as coisas por aqui não mudaram em muito, por outro mudaram radicalmente.

Não há mais rastros de seus amigos Tupinambás. Sumiram com todos. De seus conterrâneos normandos restaram apenas a Casa França/Maranhão, e a Aliança Francesa, difundindo o ensino da língua dos Luíses. Há também os turistas que insistem em vir para ver o que poderia ter sido a França Equinocial. Albuquerque, Moreno e Moura se foram para outras aventuras. Os velhos portugueses e açorianos, seus sucessores, também se foram deixando por aqui uma cidade que começou comandada por Japiaçu, passou aos cuidados do senhor de La Ravardière, para em seguida ser entregue a Jerônimo de Albuquerque que posteriormente a passou aos cuidados de Simão Estácio da Silveira, instituidor do Senado da Câmara da cidade de São Luís do Maranhão.

Poderia até tentar em uma dúzia de laudas resumir o que aconteceu por aqui nos últimos quatro séculos, mas não vou. Seria perda de tempo, pois nem o melhor dos missivistas seria capaz de resumir em tão pouco espaço e tempo os fatos mais significativos de nossa história, por isso vou apenas me ater a um fato que considero relevante e a um outro, por acreditar que seja absurdo.

O primeiro fato diz respeito ao abandono em que se encontra o centro histórico de nossa cidadela.

Depois que você foi levado preso para a Torre de Belém, em Lisboa, o engenheiro-mor Francisco de Frias fez um traçado, moderno para a sua época, delimitando o núcleo inicial do que viria a ser a cidade que herdaria o nome do forte que você e seus companheiros gauleses haviam fundado naquele 8 de setembro de 1612.

Pois bem, os lusitanos construíram no lugar uma belíssima cidade de porcelana, bordada pelos mais belos azulejos barrocos que o dinheiro do açúcar e do algodão podiam pagar. Mas o tempo foi passando, o poderio econômico mudando de mãos como feliz ou infelizmente é a regra do jogo da vida, o que foi fazendo com que a bela cidade de porcelana fosse sendo negligenciada, abandonada, esquecida, ao ponto de terem se transferido para o que no século XVII era área conhecida como Jeevirée e pouco depois, ponta de São Francisco, hoje área residencial dos ricos e poderosos de nossa terra, parte noroeste da Upaon-Açu de outrora.

Os grandes comerciantes há muito já se foram, as indústrias não perduraram, os governos não tiveram a visão de implantar no centro histórico o seu núcleo gerencial e ele com o passar do tempo foi se tornando um amontoado de prédios abandonados, caindo aos pedaços, redutos da marginalidade não apenas no que diz respeito a traficantes e punguistas, mas aos excluídos sociais que buscam refúgios em áreas como esta.

Algo precisa ser feito com urgência sob pena de perdermos um dos mais preciosos bens que possuímos, o nosso patrimônio arquitetônico, a nossa identidade enquanto agrupamento humano e urbano, enquanto polis.

Ainda sobre isso, devo ressaltar que temos uma guerreira que empunha a bandeira dessa causa. Kátia Bogéa faz o que pode em defesa de nosso patrimônio histórico, mesmo que as regras do órgão que ela dirige, o IPHAN, algumas vezes atrapalhem mais que ajude.

O outro assunto querido amigo, chega perto de ser uma piada. Deve-se ao fato de ter visto recentemente uma entrevista de um cidadão que já foi quase tudo no cardápio político de nossa época, sempre colocado nesses lugares por uma espécie de príncipe moderno, e agora, tendo ele, se rebelado contra seu antigo senhor arvora-se de paladino dos fracos e oprimidos.

O tal compareceu ao programa de televisão de um amigo nosso para justificar a sua função de chefe de gabinete do alcaide, o mesmo que ele combateu ferozmente nos últimos anos quando estava sob as ordens do mestre, a quem hoje combate.

Mas o pior foi ouvir os aconselhamentos políticos do dito cujo. Imagine alguém que sempre cumpriu ordens sem pestanejar, soldado obediente e de nenhuma iniciativa própria, se passando por formulador de políticas, de teorias, postulando conceitos e arquitetando ações. Seria o mesmo que um tal Felipe Janout, estafeta de sua confiança, ter se rebelado depois de anos de obediência cega, depois de uma vida toda beneficiando-se de sua proteção e apropriando-se de parte de seus despojos, resolvesse se juntar aos portugueses seus adversários e o que é pior, tentar se tornar um dos chefes, querendo ser um estrategista melhor que o próprio mestre Charlex de Vaux, ou mais hábil na arte do rastreio de pegadas ou no uso das palavras nativas que Davi Migam, O Língua.

Analogias à parte, o que o homem está sugerindo por aqui é que um novo aspirante ao lugar do velho príncipe tome atitudes, movimente-se pelo cenário de guerra, aja da mesma maneira que eles imaginam que agiria o atual Kaiser.

Veja só isso! Querer mudar as coisas, tomar o poder, agindo exatamente como ele diz que faz quem o detém, da mesma forma que eles dizem repudiar e combater. Pregando a omissão como ação, como tática, no intuito de eximir-se da obrigação de apresentar-se no campo de batalha e enfrentar seus adversários em comum, como faria um covarde ou na melhor das hipóteses como faria um comandante que valoriza muito pouco a palavra empenhada e a vida de seus parceiros.

Que líder será esse no futuro, se no presente se portar assim, abandonando seus camaradas e não valorizando a palavra empenhada?

Já não sou mais um jovem, já não tenho os mesmos sonhos, já não sou dado aos mesmos arroubos dos 20 anos, por isso posso até concordar que a estratégia sugerida seja a correta… Se e unicamente se o personagem a quem os conselhos são dirigidos estiver tentando manter-se no poder. Para quem quer conquistá-lo, agir dessa forma, covardemente, será o mesmo que dizer a todos que as coisas talvez até mudem no começo, mas estará implícito que depois que conquistar o poder, que se tornar o novo príncipe, com o passar do tempo, o jovem líder se tornará igual ao velho Leão que ora caça, e a todos os outros que o antecederam.

É também verdade que isso mais cedo ou mais tarde vai acabar por acontecer, inexoravelmente, mas seria melhor que fosse muito mais tarde do que cedo.

Sem mais para o momento, despeço-me respeitosamente…

Conversando com mãe Loló

Semana passada, fomos ao teatro assistir “Conversando com mamãe”, com Beatriz Segall e Herson Capri. O enredo retrata o delicado relacionamento de um filho cinquentão com sua mãe que tem 82 anos. A peça me deixou a clara sensação de que nós, filhos, somos menos bons do que deveríamos ser em relação a nossas mães.

Digo isso para puxar o assunto que realmente quero abordar: A falta que vão nos fazer essas criaturas que tanto nos amam. 

Se por um lado eu fui abençoado pelo fato de ter tido muitas mães – eu tive seis – também serei mais penalizado que os outros filhos, pois acontecendo o que é normal, chorarei a perda de todas…

Como já disse, tive seis mães e ainda tenho três delas comigo.  

A mulher que me deu luz e vida chama-se Clarice e além de mim pariu meu irmão Nagib. Não satisfeita, resolveu criar mais de uma dúzia de outros filhos, entre sobrinhos e agregados.

Quem conhece minha mãe a ama imediata e incondicionalmente. Ela continua aos 82 anos de idade fazendo filhos por esse mundão de seu Deus, pois todos se afeiçoam a ela de forma filial e genuína.

Mãe Teté é minha segunda mãe. Ela se chama na verdade Estelita e foi morar conosco assim que eu nasci. O pai de Teté e meu avó materno se conheceram e se tornaram grandes amigos ainda rapazes. Casaram e acabaram morando no mesmo sobrado. Suas famílias se uniram e não mais se separaram. Essa união dura até hoje.

Teté é uma espécie de xerife da casa, é ela quem toma conta de tudo e bota ordem no estabelecimento. Ela costuma dizer uma coisa estranha sobre nos deixar. Diz que ninguém vai sentir saudades quando ela se for. Ela afirma de maneira jocosa que o que nós vamos sentir é falta dela. Falta principalmente de suas recomendações e de suas brigas. Engana-se!

Da terceira de minhas mães falarei ao final.

Minha quarta mãe era Didi. Já falei dela nestas páginas antes. Do cheiro dela que ainda hoje eu sinto no ar. Era uma velhinha maravilhosa. A bondade em forma de gente. Ela perdeu uma filha ainda bebê e dedicou o resto de sua vida a tomar conta de minha mãe que era uma menina mirradinha e asmática. Didica nos deixou há alguns anos, mas sua lembrança não nos deixa.

Minha mãe de número cinco era na verdade minha avó, mãe de minha mãe. Uma senhora enérgica que fazia um feijão branco com verduras como ninguém. Mãe Zezé também já se foi há algum tempo.

Minha sexta mãe é também minha tia. Mamãe Lúcia foi minha mãe de leite, pois eu sempre fui muito guloso e só minha mãe não dava conta de me alimentar. Ela é mãe de meu primo e irmão Jorge e foi casada com tio Samuel, de quem também já comentei com você anteriormente. A baixinha tá em forma.

Deixe-me voltar agora à minha mãe de número três. Falo de mãe Loló, criatura adorável que acaba de nos deixar.

É preciso ser dito que Loló era a irmã mais velha de Teté e as duas nunca se casaram.

Loló trabalhou muitos anos como auxiliar de enfermagem do Hospital Infantil, tendo colaborado com muitos dos maiores pediatras de nossa terra: Dr. Amaral, Dr. Egídio, Dr. Damasceno, Dr. Zé Martins, Dr. Costa Filho, Dr. Getúlio…

Yolanda era o nome de batismo de Loló que antes mesmo de se dedicar a mim e a meu irmão, criou minha prima e irmã Lúcia de Fátima e depois seus filhos Rochinha e Tadeu.

Você deve estar dizendo, de maneira muito educada, tenho certeza: “Joaquim deve estar ficando doido! O que eu tenho com isso tudo que ele resolveu escrever e publicar nesse domingo!?”

Eu explico! É que o momento pelo qual estou passando meu camarada, ou você já passou ou infelizmente ainda vai passar, fato que nos torna iguais. Vítimas de um sofrimento inexorável, réus de uma pena que mais cedo ou mais tarde teremos que cumprir, condenados depois disso a vagar sozinhos, apartados dos seres que nos deram não só a vida mas nos trataram quando adoecemos, nos protegeram dos perigos e nos descortinaram o mundo.

Fui visitar Mãe Loló na UTI do hospital onde ela estava internada. De certa forma fui me despedir dela. Não sei se ela ouviu o que lhe disse, mas eu ouvi e não vou me esquecer jamais, tanto do que eu disse em voz alta, quanto do que eu disse somente para mim, apertando as palavras contra os lábios.

Eu lhe disse que estávamos todos ali, com ela, esperando que ela melhorasse e voltasse para casa conosco. Disse-lhe que a amávamos muito e que Nagib estava chegando para vê-la. Passei quinze minutos fazendo carinho em seu ombro. Nunca me senti tão inútil, tão impotente. Ela não reagia. Por um instante parei de falar com ela e passei a falar comigo mesmo. Recriminei-me por não ter ficado mais próximo dela nos últimos tempos, por estar sempre tão ocupado, tão cheio de coisas pra fazer e não ter dedicado um pouco mais de tempo a ela e às outras também.

Pedi desculpas: A mim mesmo por ter feito isso comigo e a ela pelo mesmo motivo.

Lembro que era Mãe Loló quem me levava toda tarde para o colégio Pituxinha, e como eu era um pequeno muito chato, não deixava que ela voltasse para casa, chorava sem parar e ela ficava comigo. Pegava seus apetrechos de tricô e passava a tarde toda me pajeando.

Nunca vou me esquecer de nada. Nem de quando eu tive sarampo e ela cuidou de mim, isolado que fiquei de tudo e de todos.

Guardo na lembrança as muitas vezes que ela nos levou para os cursos no Centro de Arte Japiaçu, para brincarmos no parquinho do SESC ou para as aulas de judô do major Vicente.

Loló adorava dizer que quando eu era menino, pedia que ela ficasse de pé na porta do banheiro, me esperando tomar banho, pois eu tinha medo de ficar sozinho.

Lembro quando ela caiu e quebrou o pé, só eu queria carregá-la…

Não vou… Não vamos nos esquecer jamais de Loló.

Maniqueístas e sectários

Prólogo:

Não você que me lê agora, mas talvez haja algum leitor que possa não saber exatamente o que significam as palavras que usei no titulo acima. Explico: Maniqueísta é aquele sujeito que acredita no dualismo, que divide tudo que há no mundo entre o Bem e o Mal. Aquilo que ele acredita e professa, é o Bem, e tudo aquilo que não é o que ele admite como verdade, é o Mal. O sectário por sua vez é aquele que admite sem uma reflexão mais profunda, sem contestação, um determinado posicionamento filosófico, um certo pensamento, uma teoria especifica, descartando as demais opiniões a esse respeito de forma intolerante ou intransigente.

Um dado importante e também preocupante é que há hoje em dia uma grande quantidade de pessoas que possuem essas características arraigadas a sua personalidade, muitas vezes simultaneamente, o que é mais grave.

Metáforas, eufemismos, hipérboles, metonímias, prosopopéias…:

Vejam só em que se transformou o Maranhão!

iiiiiiiiiiiii… Antes que os maniqueístas e sectários de plantão digam alguma coisa, deixe que eu me antecipe a eles e diga aquela que é a frase que eles mais gostam de repetir, a única que pelo visto eles conhecem: “Isso é culpa do Sarney!”.

O Maranhão de outrora era uma terra atrasada, na qual o século XX chegou mais de 60 anos depois que nos outros lugares.

“A culpa é do Sarney”, diria um daqueles já citados anteriormente. Mas se esquecem que o Sarney ainda nem existia quando o Maranhão era muito pior que é hoje.

É bem verdade que o fato de não está melhor não nos absolve, mas em compensação, não nos condena sozinhos, de forma maniqueísta e sectária.

“É culpa da Oligarquia”, dirão eles, mas se esquecem das outras oligarquias, menores e setoriais, que dominam a nossa sociedade. No fundo só mesmo o que eles sabem fazer é colocar a culpa no Sarney. Não sabem colocar isso de forma diferente, de forma com que pessoas que não sejam maniqueístas e sectárias possam até, quem sabe, vir a concordar com eles, pontualmente, nesse ou naquele caso.

É de fácil constatação que no setor político sempre fomos carentes. Historicamente, poucos foram os que se sobressaíram nesse ramo de atividade em nossa terra e os que o fizeram, antes assim como agora, foi mais por maus motivos do que por bons. E aqui não há nenhum traço de maniqueísmo ou de sectarismo, filosofias e atitudes que reprovo e abomino.

Acredito que generalizando fica fácil ver aqueles que não foram acometidos desses males se sobressaírem e sobreviverem ao julgamento da história, que infelizmente é sempre tardio. Um bom exemplo disso é o de Neiva Moreira, falecido recentemente e que jamais agiu de forma sectária ou maniqueísta, tendo se posicionado durante toda a sua vida de forma republicana e democrática.

Mas como se culpar Sarney sem culparmos igualmente seus opositores que nunca foram competentes para derrotá-lo. E quando parecia que tinham conseguido, jogaram tudo por terra, usaram os métodos tão condenados por eles mesmos, não conseguiram se equilibrar em pé.

Como se culpar essa oligarquia em detrimento daquela, levando-se em conta que toda a estrutura de poder em nossa terra é oligárquica, composta por grupos nucleares, normalmente restritos no âmbito das famílias. As sucessões normalmente são hereditárias. Quando não o são raramente é por falta de vontade do herdeiro, exemplos disso me parecem ser os de Victorino Freire e Alexandre Costa.

Acabamos de presenciar os fatos concernentes à sucessão de poder dentro do âmbito do PDT maranhense. Depois da morte de Jackson Lago, seu filho Igor tentou controlar a legenda, mas foi desbancado da coordenação do partido por pessoas que desfrutavam da íntima convivência de seu pai. Se isso não tivesse acontecido o que veríamos seria uma perpetuação oligárquica, um determinado naco de poder sendo exercido por uma família. Acontece que nesse caso especifico ocorre uma outra forma de oligarquia, a exercida pelo grupo, pelos mesmos. Essa é uma história milenar que não vai acabar aqui e não é privilégio de um único sobrenome.

Epílogo:

Temos lido notícias e visto fatos que nos dão conta da grande importância de algumas figuras da estirpe de Eweverton Rocha e José Reinaldo Tavares como sendo dois dos mais importantes líderes da política do Maranhão.

Veja só aonde nós chegamos. Isso sim, com toda certeza, é culpa do Sarney. Mas que fique bem claro que o Sarney a que me refiro não é simplesmente o José, mas sim o grupo dele, do qual também faço parte. A culpa é nossa.

No caso do primeiro citado, a culpa do nosso grupo se deve ao fato de não se ter incentivado os verdadeiros bons valores existentes em suas linhas e fileiras, em não termos trabalhado como bons jardineiros ao identificar as boas mudas e dar a elas água fresca e um bom lugar ao sol, permitindo que até no canteiro do vizinho, uma erva daninha, se bem aquinhoada, possa crescer e fazer sombra sobre o nosso jardim, sobre os jardins de todos.

No caso do segundo citado ocorreu o oposto. Ele foi adubado, regado, privilegiado com os melhores lugares ao sol. Foram lhe dado todos os cuidados, que muitas vezes deveriam ter sido dados a algumas mudas que se recusavam a ser maniqueístas e sectárias, que buscavam por conta própria um pouco da luz do sol e água, conseguida muitas vezes unicamente do orvalho da noite ou da chuva.

Maniqueístas e sectários existem em todos os lados e devem ser combatidos, pois é deles que nascem os bajuladores, serviçais e capachos que aparentemente agradam aos senhores, mas que no fundo os levam à ruína, e com eles, todos nós, os próximos e os distantes também.

Às vezes o bom nasce do ruim

Essa crônica já começa me custando uns mil reais*. Explico: É que o fato que me levou a escrevê-la custou-me esse valor, mas em compensação deu-me além de um novo amigo, a impagável comprovação de que nossa cidade, que agora tem mais de um milhão de habitantes, de certa forma, ainda mantém algumas das boas características de cidade pequena.

Deixe-me explicar melhor. Voltava pra casa depois de um cansativo dia de trabalho e resolvi que facilitaria a vida de meu motorista deixando-o no retorno da Cohama, embaixo do viaduto, para que ele pegasse o ônibus e fosse mais cedo e mais comodamente para casa.

Acontece que algo um tanto imponderável estava para acontecer.

Como o trânsito encontrava-se congestionado, os carros quase não se movimentavam, resolvi que pegaria logo ali, onde nos encontrávamos, a direção do veículo, liberando o motorista ainda mais cedo. Porém ao abrir a porta, e olha que só entreabri a porta, nem cheguei a escancará-la; ao abri-la acabei por atingir e ser atingido por uma motocicleta que resolveu passar pelo lado direito do meu carro, o que além de ser proibido era um tanto improvável que acontecesse, já que o espaço entre o carro e o meio fio era quase nenhum.

O certo é que ao abrir a porta fui atingido e atingi a motocicleta que, depois fui saber, era pilotada pelo Roberto. Até hoje não sei seu sobrenome.

O susto que eu levei foi enorme. Imagine o susto que sofreu o Roberto, sendo que além de susto ele também levou um tombo, tendo machucado um dedo da mão esquerda e o joelho do mesmo lado.

Durante intermináveis segundos Roberto não disse palavra. Apena segurava o joelho com as mãos.

Fui logo procurando se havia algum sangramento e não havia. Observei que ele estava de capacete e isso garantia que a cabeça não havia sofrido nenhum trauma, mas até ele ter falado eu fiquei preocupado.

Quando ele falou, eu relaxei. A dor que ele sentia era visível e o inchaço no joelho foi instantâneo, ele disse que já havia tido problema com aquele joelho, jogando bola.

Ele ficou sentado no chão durante bastante tempo e enquanto isso eu fiquei ao seu lado. Perguntei o seu nome e lhe disse o meu. Ele falou ao telefone com três pessoas, avisando o que havia ocorrido.

Pedi que ele anotasse meus números telefônicos, o que ele fez.

Conversamos um pouco e ele me contou que naquele dia ele havia mandado colocar em sua moto exatamente as peças que quebraram no acidente. Eu não estava nem um pouco preocupado com os prejuízos matérias, minha preocupação era unicamente com o estado físico dele, que nada tinha de grave, mas preocupava pela dor no joelho já anteriormente machucado.

Em momento algum o acidente gerou agressividade, fúria ou raiva. Desde o início tanto eu quanto ele, reconhecemos que ambos fizemos coisas que não deveríamos ter feito. Mesmo que fosse improvável que viesse alguém pela minha direita, eu deveria ter olhado para me certificar disso, enquanto ele jamais poderia ter feito aquela manobra, que além de proibida era arriscada.

Durante todo o tempo estávamos tranquilos, mesmo que eu estivesse preocupado e ele dolorido.

Tudo aquilo deve ter durado uns 30 minutos, e desde o momento do acidente pelo menos uma dúzia de pessoas que passavam pelo lugar paravam e perguntavam se estava tudo bem, se estávamos precisando de ajuda.

Primeiramente parou um rapaz que passava andando pelo local, depois um outro numa bicicleta e logo depois um conhecido em uma moto.

Devido à hora e à má iluminação, em que pese a favor, a pouca distância, e contra, a “vista cansada”, não pude identificar nenhuma das muitas pessoas que passaram oferecendo ajuda.

Fico imaginando se aquilo tivesse ocorrido em outra cidade onde o trânsito é muito mais intenso, se as pessoas teriam a mesma atitude.

Essa peculiaridade de nossa gente, esse jeito de ser um tanto provinciano se comprova não apenas pela forma solidária de agir de nossos cidadãos, mas pela incrível agilidade de como voam as notícias, pois dez minutos depois do acidente, meu amigo Vadequinho me ligou querendo saber se estava tudo bem, se eu estava precisando de alguma coisa. Achei incrível que ele já soubesse. Ele então disse que uma amiga passou pelo local do acidente e ligou para ele, avisando.

Alguns podem dizer que isso acontece em todo lugar, outros podem afirmar que faz parte da natureza humana e outros ainda que isso seja exatamente coisa da província, mas não no que ela preserva de melhor e sim em sua forma mexeriqueira de se comportar.

Para mim, em que pese o ocorrido, ficou a clara percepção da solidariedade de nossa boa gente.

Chamei então o motorista de minha mulher para que, na camionete em que trabalha, levasse a motocicleta de Roberto até sua casa. Depois recomendei que o motorista levasse Roberto a um hospital, o que ele recusou, dizendo que iria no dia seguinte ao Socorrinho que há em seu bairro.

Talvez não volte a encontrar o Roberto, mas tenho certeza que apesar de termos nos conhecido em circunstância ruim, mesmo sem ter sido dito, ficou de ambas as partes uma sensação de civilidade, urbanidade, respeito e compreensão.

*Os mil reais acima citados foram gastos no conserto da moto do Roberto e da porta de meu carro.

Décio Sá

Confesso que não sei por onde começar esse texto. Não sei o que dizer, ou melhor, não sei o que dizer primeiro. Em verdade nem sei se quero dizer alguma coisa neste momento. Não me sinto distanciado o suficiente dos fatos e poderia acabar por dizer coisas que possam não traduzir verdadeiramente os sentimentos que tomaram conta de mim desde que recebi o telefonema do jornalista Zeca Soares dando conta do assassinato de nosso amigo, Décio Sá.

Estava fora de São Luis. Trabalhava no documentário que venho fazendo já algum tempo sobre o padre Antonio Vieira. Acordei como faço sempre às seis da manhã e vi a ligação. Achei que algo muito sério havia acontecido. Retornei pra Zeca que me deu a notícia absurda de forma acachapante. Não acreditei no que estava ouvindo. Parecia que estava sonhando. Mas não era sonho. Depois que acabei de falar com Zeca, apareceram algumas mensagens de texto em meu celular dizendo a mesma coisa: “Décio Sá foi assassinado”.

No apartamento em que eu estava hospedado não conseguia acessar a internet e saí imediatamente em busca de sinal para saber mais detalhes. A história estava em todos os sites e blogs. Li tudo o que foi publicado sobre o assunto. Li o que Décio havia publicado em seu blog nos últimos dias. Li o que havia sido publicado em todos os blogs de nossa cidade nos dias que antecederam aquele covarde assassinato e garanto-lhes que quem fizer o que eu fiz tenderá a acreditar que, aparentemente, no próprio blog de Décio se encontram as pistas para a solução de seu ultrajante assassinato, mas é a policia quem deve apurar este caso, prender o assassino e seus cúmplices e a justiça quem deve julgar não só o assassino mas principalmente o mandante, devendo essas instituições fazer isso de forma urgente e indubitável, sob pena de se perder para o banditismo, o controle de nossa sociedade.

Mas como já disse antes, não gostaria de falar disso agora, não quero falar do crime. Gostaria de falar de Décio Sá, do jornalista, do amigo, sobre o que conhecia dele, de minha amizade com ele, de seu trabalho, de sua importância no panorama jornalístico do Maranhão.

Conhecia Décio desde que ele começou a trabalhar cobrindo os trabalhos da Assembleia Legislativa, onde eu era deputado. Naquela época ele e Marco D’éça formavam uma espécie de dupla dinâmica do novo jornalismo político de nosso Estado. Com Walter Rodrigues (já falecido), Lourival Bogéa, Roberto Kenard, Luis Cardoso, e alguns poucos outros, eles compunham um grupo de interlocutores privilegiados do setor ao qual se dedicavam.

Com o advento da internet e a possibilidade dos blogs, alguns jornalistas de jornais diários, em papel, passaram a ter seus espaços no jornalismo virtual, canal de comunicação mais direta e mais efetiva entre eles e seus leitores, sem ter como intermediário, um jornal, um patrão. Isso transformou alguns jornalistas em estrelas tão brilhantes quanto os personagens de quem eles davam notícias. Décio em pouco tempo passou a ser o blogueiro mais lido de nosso Estado.

O estilo literário não era o aspecto mais forte de seu jornalismo. Muitas vezes disse isso a ele, ao que me respondia que a rapidez da notícia prejudicava seu texto. Às vezes lhe ligava fazendo um comentário e ele dizia “já vou consertar”, e nunca o fazia, pois uma outra notícia aparecia e ele já postava. Seu forte era mesmo a notícia. A notícia gostava dele, o procurava, de certa forma o perseguia. Ele construiu uma sólida e confiável rede de fontes de notícia e sabia ler como poucos as entrelinhas das informações que lhe eram passadas, sabendo separar o que era notícia boa e legítima das que eram falsas, facciosas e vinham recheadas de segundas, terceiras e quartas intenções.

Não é porque ele morreu que vou endeusá-lo. De modo algum. Em que pese ser um repórter brilhante, o mais competente de seu tempo, muitas vezes discordava dele, da mesma forma que faço em relação a vários outros jornalistas amigos e não amigos meus, que praticam em alguns casos o jornalismo partidário. Sou daqueles que acreditam que os jornalistas devem dar a notícia mostrando todos os ângulos e expondo todos os pontos de vista dela. Acredito que as opiniões pessoais devam ser expressas em artigos, crônicas, ensaios e coisas parecidas, não através de reportagens ou publicações correlatas, pois o leitor comum tende a acreditar no que lê e nem sempre tem o senso critico de separar fato de opinião.

Como disse, em pouco tempo Décio criou em torno de si uma rede de interlocutores das mais diversas procedências, das mais improváveis facções políticas, ideológicas e sociais, consolidando-se como o mais bem informado jornalista maranhense.

Não foram poucas as vezes que eu liguei para ele para perguntar-lhe sobre assuntos de meu interesse. Não foram poucas as vezes que ele me ligou para confirmar alguma notícia ou checar alguma informação, saber de algum detalhe sobre o regimento da Assembleia Legislativa ou sobre a aplicabilidade de alguma norma constitucional.

Trabalhei com ele algumas vezes fazendo cobertura de apurações de eleição e vi de perto como ele trabalhava, vi que a notícia lhe interessava a qualquer custo, pouco importando se ela iria causar polêmica, mal estar ou prejuízo a alguém. Décio cultivou com sua forma de ser, poucos amigos e muitos desafetos e isso fez com que covardes mandassem assassiná-lo.

Ele era um sujeito que mantinha uma vida social comum. Regularmente nos encontrávamos em shows de música, festas de carnaval, restaurantes. Nos finais de semana o peixe pedra e o caranguejo do Mirante do Araçagy eram sagrados.

Estou aqui escrevendo e ainda não consigo acreditar que essa tragédia tenha realmente acontecido. Às vezes paro com um nó na garganta e os olhos embaçados e então respiro fundo e volto ao texto.

Acabei de acessar o blog de Décio e constatei que vou sentir muita falta de seu trabalho. Vou sentir falta dele, pois era uma rica fonte de informação e um bom e querido amigo.

Em sua homenagem continuarei acessando diariamente a sua página e sugiro que o Sistema Mirante crie um blog que se chame “Blog do Décio” onde sejam publicadas matérias em defesa das liberdades, principalmente da liberdade de expressão e contra todas as formas de intolerância e de violência.

Nada melhor para a noite de domingo

Vi todos os filmes que estão indicados ao Oscar e confesso que é impossível dizer-se com certeza quem irá levar para casa a famosa estatueta, em qualquer uma das mais importantes categorias. Há muitos anos a disputa não era assim tão acirrada. Parece que em 2011 o cinema melhorou bastante, em comparação com os anos anteriores.

Tendo declarado isso, o resto passa a ser mera especulação de quem é apaixonado pela arte de se fazer sonhar acordado, de olhos bem abertos e normalmente comendo pipoca.

Mas vamos diretamente ao que interessa. O melhor filme.

Não quero de cara arriscar-me em dizer quem irá ganhar, posso comentar com você sobre aqueles que eu acredito que não irão ganhar.

Em minha opinião “A Árvore da vida” nem deveria estar concorrendo nessa categoria. A única em que admitiria que esse filme pesado e difícil pudesse concorrer seria na de melhor diretor, pois Terrence Malick consegue fazer aquilo a que se propõe, e é isso que caracteriza um bom diretor… Se o que ele se propõe a fazer resulta em uma coisa da qual não gosto, e certamente pouca gente vai gostar, isso é matéria para outra crônica. (Alguns amigos meus, chegados ao cinema denso vão me malhar depois dessa…).

“Os descendentes”, “Histórias cruzadas” e “O homem que mudou o jogo” são histórias americanas demais e a indústria cinematográfica vive muito mais do mercado externo do que do interno, e não nos esqueçamos que esse prêmio, antes de qualquer coisa, é da indústria e não da arte, dos artistas que a fazem. São ótimos filmes, mas não devem sair vencedores.

Hollywood não vai dar um Oscar para o “Meia-noite em Paris” de Wood Allen porque este é um filme da franquia “fastscreen”, onde o diretor sai pelo mundo mostrando as belezas das maravilhosas cidades que servem de pano de fundo para suas histórias, como já fez em Barcelona e parece que pretende fazer também no Rio de Janeiro. Gostei de tudo nesse filme, mas não vai ganhar.

Eu particularmente gosto muito, mas muito mesmo de filmes como “Cavalo de Guerra” e “Tão forte e tão perto” porque suas estruturas de roteiro e narrativa nos levam a um passeio por um tempo, um espaço, um ambiente, onde o homem, suas circunstâncias e as consequências de suas ações são também personagens importantes na história que é retratada, nesse caso por diretores do quilate de Spielberg e Stephen Daldry, que dirigiu o belíssimo “Billy Elliot”. Não acredito que tenham chance.

No final das contas só dois filmes estão realmente concorrendo ao prêmio de melhor do ano: “A invenção de Hugo Cabret” e “O artista”. O primeiro é uma mega produção de quase 130 milhões de dólares, enquanto o segundo não chegou a 30.

Vejam só! 100 milhões de dólares de diferença e disputam em pé de igualdade o maior prêmio do cinema mundial. Isso é o que se poderia chamar de igualdade cinematográfica, onde estilos, conteúdos, recursos financeiros, recursos humanos, ideias e ideologias diferentes se igualam quando o juiz é o cérebro, o intelecto humano… E porque não dizer a alma humana seduzida pela magia de quem sabe contar histórias.

Em que pese “A invenção de Hugo Cabret” ser um ótimo filme, uma bela fantasia de Scorsese em homenagem ao cinema francês, eu votaria em “O artista”, pois é um filme corajoso e arrojado. Em preto e branco e mudo, ele fala e põe cores em um importante episódio do cinema e de como vivia quem o criou. Da dor e da delicia de serem como eram e como são. Não só por isso, mas por ter visto retratado no personagem principal, grandes ídolos da arte que tanto amo: Vi naquele filme Chaplin e seu cão, vi Douglas Fairbanks, Mary Pickford e D. W. Griffith… Vi Buster Keaton, Errol Flynn, Fred Astaire…

Depois de melhor filme, o que mais importa é o prêmio de melhor diretor e esse acredito ser também difícil prever o vencedor. Alexander Payne por “Os Descendentes, Terrence Malick por “A Árvore da Vida”, Woody Allen por “Meia-Noite em Paris”, Michel Hazanavicius por “O Artista” e Martin Scorsese por “A Invenção de Hugo Cabret”. Essa é minha lista em ordem crescente, sendo que Michel e Martin estão em pé de igualdade, com ligeira vantagem para o segundo.

Como o espaço é curto, vou a seguir apresentar a você minha lista de prováveis vencedores da festa de logo mais à noite em Los Angeles, vou dizer-lhe quais seriam meus votos caso pertencesse à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, apenas nas categorias que posso opinar: Filme: O Artista; Diretor: Martin Scorsese; Roteiro original: O Artista; Roteiro adaptado: A Invenção de Hugo Cabret; Ator: Jean Dujardin; Atriz: Meryl Streep; Ator coadjuvante: Max Von Sidow; Atriz coadjuvante: Berenice Bejo; Filme em língua estrangeira: A Separação (Irã); Longa animado: Chico & Rita; Fotografia: Cavalo de Guerra; Direção de arte: Cavalo de Guerra; Montagem: A Invenção de Hugo Cabret; Canção original: “Real in Rio”; Efeitos visuais: A Invenção de Hugo Cabret; Maquiagem: A Dama de Ferro; Figurino: W.E. – O Romance do Século; Trilha sonora original: As Aventuras de Tintim; Edição de som: Cavalo de Guerra; Mixagem de som: Cavalo de Guerra.

Espero que tenha ajudado você a passar alguns minutos em companhia do que há de melhor nos cinemas da atualidade e que tenha lhe convencido de que não há nada melhor para fazer nessa noite de domingo.

Sem palavras

Há muito não escrevo e por isso não tenho publicado nada neste espaço. Isso não significa que eu não tenha o que dizer ou o que comentar com vocês. Muito pelo contrário, a cada instante surge um assunto que gostaria de tratar, um tema que acredito ser importante que discutíssemos.

Muita gente, amigos próximos, outros nem tanto e até pessoas que eu nunca vi antes me abordam e perguntam por que não tenho mais publicado crônicas aqui, nem postado no meu blog.

Não é apenas por falta de tempo. Escrevi este texto às quatro horas da madrugada do dia15 de fevereiro de 2012. Deitei por volta da meia noite, adormeci assistindo pela trigésima vez, o filme “Palavra e Utopia”, acordei com uma imensa vontade de escrever e me danei a catar milho no teclado do PC.

O que ocorre é que os processos criativos de que me sirvo para escrever nem sempre são possíveis de serem utilizados e muitas vezes, ultimamente todas elas, esse esforço criativo tem se transformado em outra forma de energia motriz de minha existência: a sublimação.

Nesse meu período de afastamento já tive vontade de falar sobre o trabalho que desenvolvemos em 2011 na Secretaria de Esporte, onde com um orçamento de apenas seis milhões de reais realizamos ações e eventos de grandes e importantes proporções.

Pensei que pudéssemos comentar, mais uma vez, sobre a nossa Lei de Incentivo ao Esporte e à Cultura que em muito boa hora a governadora sancionou e que já começa a dar frutos.

Imaginei que seria muito bom falarmos sobre política, lato sensu. Falar dela como filosofia, como um caudaloso rio que serve ao mesmo tempo de caminho e de veículo de transformação, ou simplesmente falar do aspecto prático e eleitoral dela, no que diz respeito à eleição municipal que se aproxima.

Estava certo de que poderíamos falar, mais uma vez, aproveitando a comemoração dos 400 anos de nossa capital, sobre trabalharmos no sentido de mudarmos a forma de como nós, cidadãos, podemos agir para salvarmos o nosso patrimônio histórico arquitetônico, para oferecermos opções sadias de lazer e entretenimento aos nossos jovens, para juntar esforços e alinharmos ações que possam melhorar a nossas vidas.

Estava certo que falaríamos sobre os diversos trabalhos que eu e um grupo de amigos estamos começando a realizar na tentativa de preservar a memória de alguns de nossos importantes personagens do setor cultural e resgatar a memória de outros relevantes vultos de nossa história, além da realização de um documentário sobre o padre Antonio Vieira, um desenho animado sobre a fundação de São Luis e um longa-metragem onde seis diretores ludovicenses, contando histórias que se passam em nossa cidade, desenhem em linguagem cinematográfica uma homenagem, uma declaração de amor a ela.

Cogitei falar da crise que assola a Europa e comentar sobre como nós estamos, pelo menos aparentemente, passando ao largo dela. Imaginei falar sobre a eleição americana e a loucura que é a escolha partidária de um candidato a essa disputa.

Durante esse tempo em que estive ausente aconteceu um fato ou factoide que tive vontade de comentar. Um contrato que um órgão público teria celebrado com um prestador de serviço para aluguel de veículos num valor absurdo, algo que estava na cara que só poderia ser resultado de um erro, um engano, um equivoco e transformou-se em nossa imprensa em um fato retumbante. Gostaria de falar disso, dessa loucura em que tem se transformado a imprensa de nossa terra e de nosso país, onde os jornalistas e as empresas desse setor disputam, pelejam, brigam mais que os verdadeiros contendores.

Não lembro a última vez que em aqui publiquei uma crônica, mas Ademir Santos, jornalista responsável por essa página, liga semanalmente me cobrando e tenho respondido a ele tal qual Michelangelo fez com Julio II, “…Quando for o tempo…” Parece que o tempo é agora.

Uma coisa me fez despertar, levantar e escrever esse texto para publicar infelizmente num dia em que poucos deverão lê-lo, já que hoje é domingo de carnaval.

Essa coisa de que falo foi uma profunda angústia que tomou conta de mim, começando por secar minha garganta e alastrando-se por todo o meu corpo, imobilizando meus braços, enrijecendo minhas pernas, assim que soube da morte do sobrinho de minha querida amiga Heloisa, garoto de 13 anos de idade, neto de meu confrade Sálvio e filho de meu amigo Flávio. A partir desse momento o dia ficou turvo e o meu ânimo que normalmente é agitado, arrefeceu, fiquei abatido e à proporção que o dia avançava, ficava pior.

Fui ao velório do professor Pompílio Albuquerque, pai de Roberto e avô de Sérgio, e lá vi o retrato de uma existência realizada, um homem que ajudou a escrever uma página de nossa história e que, expirado seu tempo de serviço, reformou-se, definitivamente.

Mas a morte de um menino de 13 anos, isso eu não consigo assimilar.

Fiquei imaginando como podem algumas pessoas reclamar da vida, se maldizer, se lastimar… Fiquei tentando imaginar o tamanho, a intensidade, a contundência da dor daquela mãe, daquele pai, dos irmãos, dos avós, da tia… Senti-me pequenino, insignificante.

Ficou claro para mim que normalmente reclamamos da vida sem razão, ficou claro que há sempre alguém em pior situação que nós.

Não sou capaz de imaginar palavras que traduzam o que sente quem passa por uma coisa como essa. Só sei dizer que as dores que já senti e aquelas que tenho sentido, são infinitamente menores.

Perfil

“Poeta, contista e cronista, que, quando sobra tempo, também é deputado”. Era essa a maneira como Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel aparecia no expediente da revista cultural Guarnicê, da qual foi o principal artífice. Mais de três décadas depois disso, o não mais, porem eterno parlamentar, ainda sem as sobras do tempo, permanece cronista, contista e poeta, além de cineasta.

Advogado, Joaquim Haickel foi eleito para o parlamento estadual pela primeira vez de 1982, quando foi o mais jovem parlamentar do Brasil. Em seguida, foi eleito deputado federal constituinte e depois voltou a ser deputado estadual até 2011. Entre 2011 e 2014 exerceu o cargo de secretario de esportes do Estado do Maranhão.

Cinema, esportes, culinária, literatura e artes de um modo geral estão entre as predileções de Joaquim Haickel, quando não está na arena política, de onde não se afasta, mesmo que tenha optado por não mais disputar mandato eletivo.

Cinéfilo inveterado, é autor do filme “Pelo Ouvido”, grande sucesso de 2008. Sua paixão pelo cinema fez com desenvolvesse juntamente com um grupo de colaboradores um projeto que visa resgatar e preservar a memória maranhense através do audiovisual.

Enquanto produz e dirigi filmes, Joaquim continua a escrever um livro sobre cinema e psicanálise, que, segundo ele, “se conseguir concluí-lo”, será sua obra definitiva.

Busca

E-mail

No Twitter

Posts recentes

Comentários

Arquivos

Arquivos

Categorias

Mais Blogs

Rolar para cima