Festa para o Dia Internacional da Mulher

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Eita Piquena Arteira III é uma festa-movimento realizada para comemorar o dia Internacional da Mulher, reunindo em um mesmo espaço diversos artistas e suas respectivas obras, formando-se um evento de artes integradas: música, performance, vídeo, pintura, fotografia, dança. Todas as obras tratam da temática feminina. Marcado para o 10 de março, (sábado), a partir das 20h, o Eita Piquena Arteira III ocorrerá nos salões do Odeon Sabor e Arte, localizado na Rua da Palma, 217, Praia Grande.

O evento, que está em sua terceira edição, é uma realização do Grupo AFRÔS (ou AFRODITES). A idéia surgiu em 2010 quando o Grupo sentiu a necessidade de
homenagear a Mulher, lembrando a história do feminino, marcada por conquistas sociais, políticas e econômicas, mas também pela discriminação e violência a que muitas mulheres ainda são submetidas em todo o mundo.

O Eita Piquena Arteira terá a honra de receber este ano os shows de AFRÔS, Flor do Maracujá, Tássia Campos, Dicy Rocha, Coletivo Gororoba, Maratuque Upaon-Açu, e as Dj’s ‘As Infernandas’. As apresentações serão intercaladas com as performances de dança de Marina Correa, Tieta Macau e os integrantes do grupo Cara de Arte. Em outros espaços acontecerão as exposições dos fotógrafos Carolina Libério, Alexandre Sopas, Quilana Viegas, Marcelo Cunha e Marcos Gatinho, bem como um pequeno desfile da designer de moda Tamara Marques.

Serviço

O que: Eita Piquena Arteira

Onde: Odeon Sabor e Arte (Rua da Palma, 217, Centro Histórico)

Quando: Sábado, 10 de março

Que horas: 20h

Quanto: R$ 10 reais

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'Tropicália' gerando polêmica na Bahia

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Após tentativas frustradas de negociação amigável com a empresa Odebrecht, o cantor Caetano Veloso vai recorrer à Justiça com o intuito de impedir que a construtora utilize o termo “Tropicália” para dar nome a um condomínio de luxo em Patamares, no litoral de Salvador, na Bahia. Segundo a advogada do artista, Simone Kamenetz, uma ação de tutela antecipada será protocolada até a próxima semana.

Além de Caetano, outros artistas que participaram do movimento cultural surgido no fim da década de 60 –que valorizava a experiência estética como um instrumento social revolucionário–, tais como os cantores Gilberto Gil e Tom Zé, que já apoiaram publicamente a revolta de Caetano, devem fortalecer a movimentação judicial contra os planos da empreiteira.

De acordo com a Odebrecht Realizações Imobiliárias, o objetivo da empresa é o de “referendar um importante movimento artístico, de grande representatividade na Bahia e no Brasil”. Porém, Kamenetz afirma que a “homenagem” proposta pela Odebrecht é uma violação dos direitos de propriedade intelectual (referindo-se a Caetano Veloso), e argumenta que o objetivo do cantor não é o de cobrar retorno financeiro. “Ele não vai licenciar de jeito algum e não quer receber dinheiro da Odebrecht, que já sinalizou querer se apropriar na marra”, disse.

Segundo a advogada, o artista baiano não quer ver em hipótese alguma a sua obra associada a um empreendimento imobiliário –atividade que está em plena expansão na capital baiana e já foi constantemente criticada pelo próprio Caetano Veloso. O artista compreende que a construção desregrada de grandes imóveis está “desfigurando” a orla de Salvador.

“Salvador tem sido assaltada com esses empreendimentos gigantescos. A postura do Caetano é muito clara: não usem a minha obra. Ele nunca comercializou a sua obra para ganhar dinheiro com propaganda. Você nunca viu nenhuma música do Caetano associada a refrigerantes ou detergentes, por exemplo. A Odebrecht fala em homenageá-lo, mas a verdade é que os homenageados não querem essa homenagem. Há muitas outras pessoas por aí que ficariam felizes com essa homenagem. Não é o caso do Caetano”, explicou.

Kamenetz argumenta que a questão não se resume apenas ao batismo do novo condomínio de luxo –que se chamaria “Tropicália”. “Na verdade, os edifícios internos também receberiam nomes inspirados na obra do Caetano”, disse.

“Um dos prédios se chamaria ‘Alegria’ [em referência ao clássico ‘Alegria Alegria’, considerado o marco inicial do movimento tropicalista, em 1967]. Outro se chamaria ‘Divino, Maravilhoso’ [alusão a um dos grandes sucessos da dupla Caetano Veloso e Gilberto Gil]. Já há outdoors em Salvador que utilizam expressões como ‘Onde o divino encontra o maravilhoso’. Os princípios do Caetano estão sendo violados”, completou.

Outro lado

Em nota, a Odebrecht afirmou à imprensa que “foram feitas as devidas consultas prévias ao INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), órgão competente, e ficou constatado que não há impedimento para o uso do nome ‘Tropicália’ em um empreendimento imobiliário”.

No entanto, segundo a advogada de Caetano Veloso, Simone Kamenetz, o argumento da Odebrecht em relação à consulta no INPI é “fraco”, já que há clara intenção de se apropriar do ideário de um movimento artístico cuja expressão icônica se dá na imagem e na obra de músicos como Caetano, Gilberto Gil e Tom zé.

“Além da música, Caetano é um formador de opinião, que frequentemente expressa suas convições políticas e ideológicas. Eles querem se aproveitar disso”, afirmou a advogada.

A empreiteira destacou ainda que o termo “Tropicália” é ou já foi utilizado como nome de “vários produtos, serviços e estabelecimentos no país”. De acordo com a assessoria da construtora baiana, a empresa “não utilizou, tampouco sugeriu nem autorizou o uso dos nomes dos integrantes do movimento para promover o empreendimento”.

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A hipnose do 'Ai Se Eu Te Pego'

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Dizem por aí, que ‘Ai Se Eu Te Pego’ do Michel Teló é a nossa ‘Macarena à Brasileira’. O hit sertanejo cruzou o oceano e faz sucesso na China, na Itália, nos Estados Unidos e caiu na boca das celebridades, jogadores de futebol, soldados israelenses. Já cansou de ouvi-la em português e a versão em inglês da canção de Michel Teló, “If I Catch You” ?. Se você gosta da música mas não aguenta mais os arranjos tocados à exaustão por aí, um novo remix promete prolongar a vida útil da música mais tocada no Brasil.

Nesse domingo (26), o produtor de música eletrônica Kassiano divulgou um remix de ‘Ai Se Eu Te Pego que tem, além dos vocais em português de Michel Teló, um verso totalmente inédito em inglês, cantado pelo rapper Pitbull. A faixa, também produzida pelos DJs Buddha e Gregor Salto, vem em boa hora: Teló começou uma turnê pela Europa na última sexta-feria (24).

Embora tenha deixado muita gente espumando, será politicamente correta a chamada da revista Época, que diz que Michel Teló, “traduz os valores da cultura popular para os brasileiros de todas as classes”. Para o blog “Todo DJ Sambou”, a matéria até mirou direito, mas errou o alvo. O que a tal da música “Ai, Se Eu Te Pego” faz é marcar um golaço de simplicidade musical ao atingir o inconsciente coletivo de todo mundo, isso sim.

– Toda música tem sua função. E, se você pensar que existe uma enorme quantidade de compositores que se propõem a fazer música pop, pra grudar, o cara que escreveu “Ai, Se Eu Te Pego” foi mega bem sucedido na sua missão – admite o blogueiro.

Ele ressalta, ainda, que “é o tipo da música que estaciona na sua cabeça e inexplicavelmente fica lá pra sempre, basta uma ouvida. Combina as notas musicais de forma tão eficaz que pouco importa se a letra é uma merda.

– Você já viu este filme, ou melhor, já ouviu músicas assim. A primeira que me vem à cabeça é a pentelha “Macarena”. Você pode nem saber de quem é tampouco de que país veio essa praga, mas sabe cantar, né? Sem falar na dancinha, que você também aprendeu e já deve ter feito ou visto alguém fazer com a gravata no meio da testa numa festa de casamento – brinca.

Michel Teló tirou a sorte grande – que também pode se tranformar num enorme fardo, condenando-o pro resto da vida como o cara do “Ai, Se Eu Te Pego” – e emplacou a sua “Macarena”. Aliás, a música nem é dele, foi escrita por uma banda de forró chamada Cangaia de Jegue (amei o nome do cara), e cá estamos, eu e você, pensando nesta pérola – sem brincadeira, no bom sentido mesmo – do cancioneiro popular.

Ainda que não me “represente”, a música do Michel Teló é f…Qualquer criança ouve uma vez e sai cantando. E nem adianta não ter o CD em casa. Não é uma questão de ter um “ouvido para música sertaneja”. Para o DJ Sambou “é uma questão de estrutura melódica que funciona, para todos, apesar de tudo, ainda que sob a tortura de uma televisão ligada no Faustão na visita de domingo na casa dos seus pais”.

Não vou sair dizendo que a música do Michel Teló é microtonal, clássica, semitonal, anacrônica ou escambal. Nem saberia identificar isso. Meu ponto é outro. É entender esse hit, gigante e passageiro, como outros tantos. Uma coisa é certa outros sons dessa natureza irão surgir por aí fazendo o pacto com o capeta e provocando hipnose no senso comum ou não.

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Lucas Santana em download

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O cantor e compositor Lucas Santtana disponibilizará seu quinto disco, O Deus que Devasta Mas Também Cura, para download gratuito. O álbum estará disponível a partir das 14h da próxima terça, 28, na página do Facebook do cantor.

O Deus que Devasta Mas Também Cura traz oito faixas autorais e duas releituras: uma versão em português para “This is Not The Fire”, da banda inglesa My Tiger My Timing, e outra para a canção “Músico”, de Tom Zé, Herbert Vianna e Bi Ribeiro. Céu, Curumin, Kassin e Gui Amabis estão entre as participações especiais do disco.

Lucas fará um show de lançamento do álbum em São Paulo. A apresentação será no dia 30 de março, no Teatro do SESC Vila Mariana. Os ingressos já estão a venda.

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Alê e Luciana no Bourbon Street (SP)

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A dupla Criolina [leia-se Alê Muniz e Luciana Simões], pais do projeto BR-135, em São Luís, está com agenda de shows fechada para o mês de março, em São Paulo, onde tocará no Bourbon Street. Na casa paulistana, especializada em jazz e blues, já passaram nomes como B.B. King, Ray Charles, Nina Simone, Diana Krall e Johnny Rivers.

Alê e Luciana também se apresentarão, em data a confirmar, em Brasília na festa Criolina, patrocinada pelos ‘deejays’ Rodrigo Barata e Tiago Pezão. No Bourbon Street, em Sampa, Alê e Luciana irão mostrar um show de ritmos calientes e do Caribe. Entre uma e outra, canções dos discos “Cine Tropical’, de 2010, e do primeiro CD homônimo, de 2006.

O nome Criolina casa muito bem com a proposta musical da banda. Surgiu de modo espontâneo.

– A gente fez um ‘toró’ de ideias e, de repente, pintou o Criolina, que remete ao tambor de Crioula do Maranhão e tem toda essa coisa de usarmos a logomarca vintage do produto Creolina, do qual a gente removeu o ‘E’ e colocou no lugar o ‘I – diz Luciana.

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'DoYaThing' em download gratuito

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O Gorillaz lançou o seu novo single “DoYaThing” como download gratuito. A faixa foi feita em colaboração com Andre 3000 do OutKast e James Murphy do LCD Soundsystem.

“DoYaThing”  foi criado para a campanha “Three Artists. One Song” (Três Artistas. Uma Música) da marca de calçados Converse. Jamie Hewlett do Gorillaz também fez o design de uma nova linha de tênis baseado na banda.

A banda virtual liderada pelo músico Damon Albarn comemorou dez anos de carreira no ano passado com o lançamento de uma coletânea de singles. Você pode ouvir e baixar “DoYaThing” no site da Converse ou no site oficial da banda.

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Souvenir: Música Plural

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Sexta, (2) e sábado (3), no Odeon Sabor & Arte (Praia Grande), tem a segunda versão do Grito Rock São Luís, tendo no ‘line up’ as bandas A Chapa dos Poetas, Caveiras Buchudas e Megazines (MA) e a paraense Destruidores de Tóquio, na noite de abertura do festival.

Na segunda e última noite, tem Stalingrado, Diamante Gold e Souvenir (MA), além dos piauienses do Trinco. Na edição deste domingo (26), do Plugado, na Mirante FM, o baixista Marlon Silva e o guitarrista Tiago Fragoso, da Souvenir, conversaram da trajetória de um ano de existência da banda maranhense Souvenir, além da participação no festival.

Diversidade & Coerência

Formada por Adnon Soares (vocal, violão, bandolim, sintetizador e teclado), Thiago Fragoso (guitarra, backin vocal e percussão), Wilson (bateria) e Marlon Silva (baixo, backing vocal e sintetizador), a Souvenir, formada em dezembro de 2010, mistura elementos que transitam entre o rock, jazz, trip hop, rock britânico, lounge, eletro-folk e drum´n´bass.

– Mostramos com a nossa música que não se perde a identidade por conta de se optar pelo diverso. O nosso som é bem atemporal, pois buscamos desde os anos 70 até os dias atuais, é um conjunto de coisas. A banda prefere não rotular, pois pode mudar a qualquer momento destacou Marlon Silva.

Mainstream Indie

Embora a banda tem apenas um ano e alguns dias de existência, já tem boas experiências a contar. Uma delas é a participação em novembro do ano passado, na 6ª edição do Festival Ponto CE, em Fortaleza, ao lado de bandas renomadas no ‘mainstream indie’ como Mundo Livre S/A (PE) e Móveis Coloniais de Acaju (DF).

– Foi uma experiência muito legal participar do festival. Tuvemos a oportunidade de mostrar o nosso trabalho dentro de um evento organizado e de uma plateia louca por música. Os cearenses estão de parabéns pelo profissionalismo como encaram a arte. Não importa se a cena é independente ou não. Fizemos um show numa estrutura de primeiro mundo. Isso é gratificante para uma banda nova como a nossa – elogiou Thiago Fragoso.

O evento reuniu mais de 40 mil pessoas, mais de 100 artistas de doze estados brasileiros e de outros países.

Na Internet

Mas para quem pensa que a paixão pela música entre os integrantes do grupo começou agora, está literalmente enganado. A Souvenir nasceu de um desejo antigo do vocalista da banda, Adnon Soares, que juntamente com companheiros de outras bandas locais montaram o atual projeto.

A banda, que está preparando um CD entre onze e dois faixas de composições próprias, tem um CD demonstrativo reunindo cinco faixas [Regret My Religion, Timeless, Enigma, Indigo], que estarão no disco, e espalhou na internet, com destaque para o single “Reach Out The Sun”, disponível no site http://myspace.com/souvenirofficial.

Estreia

Questionado por cantar somente em inglês, Marlon e Thiago reconhecem ser apenas uma estratégia de mercado, pois nada impede a banda de absorver o português.

Um detalhe curioso é que a Souvenir se apresenta pela primeira vez em São Luís no Grito Rock São Luís 2012, em apresentação no sábado, dia 3, encerrando a segunda edição do festival.

– É um privilégio fazer a nossa estreia em São Luís num festival que representa bastante para a cena indie na América Latina. Preparamos um repertório de autoral para uma reação positiva de quem comparecer ao Grito Rock. Estamos ensaiando bastante e aguardando o momento que para nós é especial – afirmaram Marlon e Thiago.

Atrações:

02/03 – Sexta-Feira

A Chapa dos Poetas
Caveiras Buchudas
Destruidores de Tóquio (PA) (foto)
Megazines

03/03 – Sábado

Stalingrado
Diamante Gold
Trinco (PI)
Souvenir

Serviço:

Evento: Grito Rock São Luís 2012
Quando: 2 e 3 de março
Onde: Odeon Sabor e Arte (reviver)
Quanto: R$ 20 (meia 10)

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Grito Rock São Luís

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Dias 02/03 (sexta) e 03/03 (sábado) ocorre o Grito Rock São Luís 2012, no Odeon Sabor & Arte (Praia Grande). O festival reunirá seis bandas maranhense e duas de fora. Uma do Piauí e outra do Pará. Saiba a programação nos dois de evento:

Atrações:

02/03 – Sexta-Feira

A Chapa dos Poetas
Caveiras Buchudas
Destruidores de Tóquio (PA) (foto)
Megazines

03/03 – Sábado

Stalingrado
Diamante Gold
Trinco (PI)
Souvenir

Serviço:

Evento: Grito Rock São Luís 2012
Quando: 2 e 3 de março
Onde: Odeon Sabor e Arte (reviver)
Quanto: R$ 20 (meia 10)

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Blog de aparência nova…

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De acordo com o que pensa o mercado, para manter-se útil é necessário mudar sempre de aparência, sem perder a essência. Assim o fiz dando uma nova cara ao Blog com o auxílio do webdesigner Deocleciano Coelho, o “Dió”, e o aval de Adriana Marão (Gerente de Desenvolvimento Web) e Ingrid Assis, responsável pela editoria de conteúdo do portal imirante.com.

Uma nova versão está no ar. Espero que vocês curtam a aparência nova e sejam sempre agentes de interação que venham sugerir com o conteúdo informativo e informal desse Blog.

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"Informação demais faz mal", diz Umberto Eco

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O escritor Umberto Eco vive com a mulher num apartamento duplo no 2º e 3º andares de um prédio antigo, de frente para o Palácio Sforzesco, o mais vistoso ponto turístico de Milão, na Itália. É como se Alice Munro morasse defronte à Canadian Tower em Toronto, Haruki Murakami instalasse sua casa no sopé do Monte Fuji ou então Paulo Coelho mantivesse uma mansão na Urca, à sombra do Pão de Açúcar. “Acordo todo dia com a Renascença”, diz Eco.

A enorme fortificação diante de suas janelas foi inaugurada pelo duque Francisco Sforza no século XV e está sempre lotada de turistas. O castelo deve também abrir seus portões pela manhã com uma sensação parecida. Diante dele, vive o intelectual e romancista mais famoso da Itália.

Um dos andares da casa de Eco é dedicado ao escritório e à biblioteca. São quatro salas repletas de livros, divididas por temas e por autores em ordem alfabética. A sala em que trabalha é pequena. Abriga aquilo que ele chama de “ala das ciências banidas”, como ocultismo, sociedades secretas, mesmerismo, esoterismo e bruxaria.

Ali estão as fontes principais dos romances de sucesso de Eco: O nome da rosa (1980), O pêndulo de Foucault (1988), A ilha do dia anterior (1994), Baudolino (2000), A misteriosa chama da rainha Loana (2004) e O cemitério de Praga (editora Record, 480 páginas, R$ 49,90). Publicado em 2010 e lançado com sucesso no Brasil em 2011, o livro provocou polêmica por tratar de forma humorística um assunto sério: o surgimento do antissemitismo na Europa. Por motivos diversos, protestaram a Igreja Católica e o rabino de Roma. A primeira porque Eco satirizava os jesuítas (“são maçons de saia”, diz o personagem principal, o odioso tabelião Simone Simonini).

De muito bom humor, ele conversou com ÉPOCA durante duas horas sobre a idade, o gênero que inventou – o suspense erudito –, a decadência europeia e seu assunto mais constante nos últimos anos: a morte do livro. Ele disse ainda que “informação demais faz mal” ao analisar a internet como ferramenta de comunicação.

É difícil de acreditar, mas aquele que era visto como o maior inimigo da leitura pelo computador está revendo suas posições. Ele diz agora que está até gostando de ler livros pelo iPad, que comprou durante sua última turnê pelos Estados Unidos, em dezembro.

ÉPOCA – Apesar da evolução, o senhor vê a internet como um perigo para o saber?

Eco – A internet não seleciona a informação. Há de tudo por lá. A Wikipédia presta um desserviço ao internauta. Outro dia publicaram fofocas a meu respeito, e tive de intervir e corrigir os erros e absurdos. A internet ainda é um mundo selvagem e perigoso. Tudo surge lá sem hierarquia.

A imensa quantidade de coisas que circula é pior que a falta de informação. O excesso de informação provoca a amnésia. Informação demais faz mal. Quando não lembramos o que aprendemos, ficamos parecidos com animais. Conhecer é cortar, é selecionar. Vamos tomar como exemplo o ditador e líder romano Júlio César e como os historiadores antigos trataram dele.

Todos dizem que foi importante porque alterou a história. Os cronistas romanos só citam sua mulher, Calpúrnia, porque esteve ao lado de César. Nada se sabe sobre a viuvez de Calpúrnia. Se costurou, dedicou-se à educação ou seja lá o que for. Hoje, na internet, Júlio César e Calpúrnia têm a mesma importância. Ora, isso não é conhecimento.

ÉPOCA – Mas o conhecimento está se tornando mais acessível com a internet. O senhor não acha que o acesso a bancos de dados de instituições confiáveis altera nossa noção de cultura?

Eco – Sim, é verdade. Se você sabe quais os sites e bancos de dados são confiáveis, você tem acesso ao conhecimento. Mas veja bem: você e eu somos ricos de conhecimento. Podemos aproveitar melhor a internet do que aquele pobre senhor que está comprando salame na feira aí em frente.

Nesse sentido, a televisão era útil para o ignorante, porque selecionava a informação de que ele poderia precisar, ainda que informação idiota. A internet é perigosa para o ignorante porque não filtra nada para ele. Ela só é boa para quem já conhece – e sabe onde está o conhecimento.

A longo prazo, o resultado pedagógico será dramático. Veremos multidões de ignorantes usando a internet para as mais variadas bobagens: jogos, bate-papos e busca de notícias irrelevantes.

ÉPOCA – Há uma solução para o excesso de informação?

Eco – Seria preciso criar uma teoria da filtragem. Uma disciplina prática, baseada na experimentação cotidiana com a internet. Fica aí uma sugestão para as universidades: elaborar uma teoria e uma ferramenta de filtragem que funcionem para o bem do conhecimento. Conhecer é filtrar.

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